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Retirei título sobre a "guinada para o frevo", porque a existência de tal movimento é questionável.
|origens estilísticas = ''[[Samba-reggae]]'', [[frevo]], ''[[reggae]]'', [[merengue]], deboche, [[forró]], [[Ijexá#Ritmo africano|ijexá]], [[Samba Duro|samba duro]], ritmos de [[Candomblé]], ''[[pop rock]]'', ritmos afro-brasileiros e afro-latinos.
|contexto cultural = [[Década de 1980]], [[Salvador (Bahia)|Salvador]]
|instrumentos = [[Guitarra elétrica]], [[guitarrabaixo elétricaelétrico]], [[percussão]]
|popularidade = [[Bahia]], [[Minas Gerais]], [[Sergipe]], [[Brasil]]
|derivações =
|subgêneros =
|outros tópicos = ''[[Samba-reggae]]'', [[pagode baiano]], [[arrocha]], ''[[black semba]]'', [[forró elétrico]]
}}
O '''axé, '''ou '''axé ''axé music''''', é um [[gênero musical]] que surgiu no estado da [[Bahia]] na [[década de 1980]] durante as manifestações populares do [[Carnaval de Salvador]], misturando o [[Ijexá#Ritmo africano|ijexá]],<ref>PEREIRA, Ianá Souza. ''Axé-axé: o megafenômeno baiano''. Revista África e Africanidades, Rio de Janeiro, ano 2, n. 8, fev. 2010, p.03</ref> ''[[samba-reggae]]'',<ref name="CASTRO, A. A.">CASTRO, A. A. ''Axé music: mitos, verdades e world music''. Per Musi, Belo Horizonte, n.22, 2010, p.205.</ref> [[frevo]], [[reggae]], [[merengue]], [[forró]], [[Samba Duro|samba duro]],<ref name="CASTRO, A. A." /> ritmos do [[Candomblécandomblé]],<ref>ARAÚJO FILHO, Antonio Neves de. ''PROTESTOS E MANIFESTAÇÕES AFRO-BRASILEIRAS NA MÚSICA NEGRA BAIANA NOS ANOS DE 1980''. UFRN, Caicó, 2016, p.17.</ref> ''[[pop rock]]'',<ref>PEREIRA, Ianá Souza. ''Axé-axé: o megafenômeno baiano''. Revista África e Africanidades, Rio de Janeiro, ano 2, n. 8, fev. 2010, p.02</ref><ref>CASTRO, A. A. ''Axé music: mitos, verdades e world music''. Per Musi, Belo Horizonte, n.22, 2010, p.204-205.</ref> bem como outros ritmos afro-brasileiros e afro-latinos.<ref>[http://www.cultura.pe.gov.br/canal/fig2014/do-fricote-que-esquenta-garanhuns/ Do fricote que esquenta Garanhuns]. Portal Cultura PE.</ref><ref name="ref_livro">{{Citar livro|autor=SANTANNA, Marilda |título=As donas do canto |subtítulo=o sucesso das estrelas-intérpretes no carnaval de Salvador |idioma= |edição= |local=Salvador |editora=Edufba |ano=2009 |páginas= |volumes= |isbn=8523208852 }}</ref><ref name="ref_livro.2">{{Citar livro|url= |autor=DINIZ, André |coautor= |título=Almanaque do carnaval |subtítulo=A história do carnaval, o que ouvir, o que ler, onde curtir |idioma= |edição= |local=Rio de Janeiro |editora=Jorge Zahar Editor |ano=2008 |página=180 |páginas= |isbn=9788537800478 |acessodata= }}</ref><ref>SYLLOS, Gilberto de. e MONTANHAUR, Ramon. '''Bateria e Contrabaixo na Música Popular Brasileira'''. 3ª edição. Rio de Janeiro: Lumiar,2002, (p. 65).</ref>
[[Imagem:Daniela Mercury.jpg|miniatura|O álbum ''[[O Canto da Cidade (álbum)|O Canto da Cidade]]'' de [[Daniela Mercury]] (foto) é considerado o responsável por levar o axé ao público brasileiro.<ref name="25 anos">[http://www.diariodopara.com.br/impressao.php?idnot=79286 O sucesso do Axé music, 25 anos depois]. Diário do Pará.</ref> Sendo o álbum [[Feijão com Arroz]] reconhecido como o seu melhor trabalho<ref>NICKSON, Chris. [http://www.allmusic.com/album/feij%C3%A3o-com-arroz-mw0000020542 Feijão com Arroz - Daniela Mercury | Songs, Reviews, Credits, Awards]. AllMusic.</ref> e o ápice estético da axé music.]]
[[Imagem:IveteSangalo.jpg|miniatura|[[Ivete Sangalo]] é uma das cantoras de maior sucesso da música brasileira atualmente.]]
[[Imagem:The opening ceremony of the FIFA World Cup 2014 07.jpg|miniatura|A cantora fluminense [[Claudia Leitte]] ganhou fama na banda [[Babado Novo]], na Bahia, e adotou o axé.]]
[[Imagem:Canaval 2010 - Margareth Menezes no trio Afropopbrasileiro.jpg|miniatura|180px|esquerda|[[Margareth Menezes]] uniu o axé com ritmos afro-brasileiros em suas músicas.]]
O '''axé, '''ou '''axé ''music''''', é um [[gênero musical]] que surgiu no estado da [[Bahia]] na [[década de 1980]] durante as manifestações populares do [[Carnaval de Salvador]], misturando o [[Ijexá#Ritmo africano|ijexá]],<ref>PEREIRA, Ianá Souza. Axé-axé: o megafenômeno baiano. Revista África e Africanidades, Rio de Janeiro, ano 2, n. 8, fev. 2010, p.03</ref> ''[[samba-reggae]]'',<ref name="CASTRO, A. A.">CASTRO, A. A. ''Axé music: mitos, verdades e world music''. Per Musi, Belo Horizonte, n.22, 2010, p.205.</ref> [[frevo]], [[reggae]], [[merengue]], [[forró]], [[Samba Duro|samba duro]],<ref name="CASTRO, A. A." /> ritmos do [[Candomblé]],<ref>ARAÚJO FILHO, Antonio Neves de. ''PROTESTOS E MANIFESTAÇÕES AFRO-BRASILEIRAS NA MÚSICA NEGRA BAIANA NOS ANOS DE 1980''. UFRN, Caicó, 2016, p.17.</ref> ''[[pop rock]]'',<ref>PEREIRA, Ianá Souza. Axé-axé: o megafenômeno baiano. Revista África e Africanidades, Rio de Janeiro, ano 2, n. 8, fev. 2010, p.02</ref><ref>CASTRO, A. A. ''Axé music: mitos, verdades e world music''. Per Musi, Belo Horizonte, n.22, 2010, p.204-205.</ref> bem como outros ritmos afro-brasileiros e afro-latinos.<ref>[http://www.cultura.pe.gov.br/canal/fig2014/do-fricote-que-esquenta-garanhuns/ Do fricote que esquenta Garanhuns]. Portal Cultura PE.</ref><ref name="ref_livro">{{Citar livro|autor=SANTANNA, Marilda |título=As donas do canto |subtítulo=o sucesso das estrelas-intérpretes no carnaval de Salvador |idioma= |edição= |local=Salvador |editora=Edufba |ano=2009 |páginas= |volumes= |isbn=8523208852 }}</ref><ref name="ref_livro.2">{{Citar livro|url= |autor=DINIZ, André |coautor= |título=Almanaque do carnaval |subtítulo=A história do carnaval, o que ouvir, o que ler, onde curtir |idioma= |edição= |local=Rio de Janeiro |editora=Jorge Zahar Editor |ano=2008 |página=180 |páginas= |isbn=9788537800478 |acessodata= }}</ref><ref>SYLLOS, Gilberto de. e MONTANHAUR, Ramon. '''Bateria e Contrabaixo na Música Popular Brasileira'''. 3ª edição. Rio de Janeiro: Lumiar,2002, (p. 65).</ref>
 
No entanto, o termo "axé" é utilizado erroneamente para designar todos os ritmos de raízes africanas ou o estilo de música de qualquer banda ou artista que provém da [[Bahia]].<ref>[http://g1.globo.com/Noticias/Musica/0,,MUL1485868-7085,00-G+LISTA+MUSICAS+PARA+ENTENDER+O+AXE+E+O+CARNAVAL+BAIANO.html G1 lista 15 músicas para entender o axé e o carnaval baiano]</ref> Sabe-se hoje, que nem toda música baiana é axé, pois lá há o ''[[samba-reggae]]'',<ref>{{Citar periódico| autor = [[Margareth Menezes]] | ano = 2014 | mes = abril | titulo = A música para divulgar valores | jornal = [[Revista Raça Brasil]] | numero = 186 | editora = Editora Minuano | url = http://racabrasil.uol.com.br/colunistas/a-musica-para-divulgar-valores/1929/}}</ref> representado principalmente pelo bloco afro [[Olodum]], o [[samba de roda]], o [[ijexá]] — tocado com variações diversas por bandas percussivas de blocos afro como [[Filhos de Ghandi]], [[Cortejo Afro]], [[Ilê Aiyê]], e [[Muzenza]], entre outros —, o [[pagode baiano]] e até uma variação de frevo, bem como o [[Sertanejo (estilo musical)|sertanejo]] e [[forró]] etc.<ref name="25 anos" /><ref name="ref_livro" /><ref name="ref_livro.2" /><ref name="pdf">http://www.tecap.uerj.br/pdf/v81/rafael_guarato.pdf</ref>
[[Imagem:Daniela Mercury.jpg|miniaturathumb|180px|esquerda|O álbum ''[[O Canto da Cidade (álbum)|O Canto da Cidade]]'' de [[Daniela Mercury]] (foto) é considerado o responsável por levar o axé ao público brasileiro.<ref name="25 anos">[http://www.diariodopara.com.br/impressao.php?idnot=79286 O sucesso do Axé music, 25 anos depois]. Diário do Pará.</ref> Sendo o álbum [[Feijão com Arroz]] reconhecido como o seu melhor trabalho<ref>NICKSON, Chris. [http://www.allmusic.com/album/feij%C3%A3o-com-arroz-mw0000020542 Feijão com Arroz - Daniela Mercury | Songs, Reviews, Credits, Awards]. AllMusic.</ref> e o ápice [[estética|estético]] da ''axé music''.]]
 
A palavra "axé" é uma saudação religiosa usada no [[candomblé]], que significa energia positiva.<ref name="pdf" /><ref name="ref_livro.3">{{Citar livro|url= |autor=GUERREIRO, Almerinda |coautor= |título=A trama dos tambores |subtítulo=a música afro-pop de Salvador |idioma= |edição= |local= |editora=Editora 34 |ano=2000 |página= |páginas= |isbn=9788573261752 |acessodata= }}</ref> Expressão corrente no circuito musical soteropolitano, ela foi anexada à palavra em inglês "''[[wikt:music|music]]''" pelo jornalista Hagamenon Brito em 1987 para formar um termo que designaria pejorativamente aquela música dançante com aspirações internacionais.<ref name="ref_livro.2" /><ref name="ref_livro.3" />
 
Com o impulso da [[mídia]], o axé ''music'' rapidamente se espalhou por todo o país (com a realização de carnavais fora de época, as chamadas [[micareta]]s), e fortaleceu-se como potencial mercadológico, produzindo sucessos durante todo o ano, tendo, como alguns dos maiores nomes, [[Daniela Mercury]], [[Márcia Freire]], [[Ivete Sangalo]], [[Claudia Leitte]], [[Margareth Menezes]], [[Asa de Águia]], [[Chiclete com Banana]], entre outros.<ref name="ref_livro" /><ref name="ref_livro.2" /><ref name="ref_livro.3" />
 
Os pioneiros do gênero foram os músicos da renomada banda [[Acordes Verdes]], que acompanhava [[Luiz Caldas]] e eram músicos de estúdio da W.R, em Salvador. O principal arranjador do estúdio, na altura, era o compositor [[Alfredo Moura]].<ref name="ref_livro" />
== História ==
=== Origens e ascensão ===
As origens do [[carnaval da Bahia]] como conhecemos hoje estão na [[década de 1950]], quando [[Antonio Adolfo Nascimento|Dodô]] e [[Osmar Álvares de Macêdo|Osmar]] começaram a tocar o [[frevo]] [[Pernambuco|pernambucano]] em [[guitarra]]s elétricas de produção própria — batizadas de [[guitarra baiana|guitarras baianas]] — em cima de uma fobica (um Ford 1929). Nascia o [[trio elétrico]], atração do carnaval baiano para a qual [[Caetano Veloso]] chamou a atenção do país em [[1975]] na canção "Atrás do Trio Elétrico". Mais tarde, [[Moraes Moreira]], dos [[Novos Baianos]], teria a ideia de subir num trio (que era apenas instrumental) para cantar — foi o marco zero da tradição de grandes cantores "puxando" os [[trios elétricos]]. A partir da década de 1960, paralelamente ao movimento dos trios, aconteceu o da proliferação dos [[bloco afro|blocos afro]]: [[Filhos de Gandhi]] (do qual [[Gilberto Gil]] faz parte), [[Badauê]], [[Ilê Aiyê]], [[Muzenza]], [[Araketu]] e [[Olodum]]. Eles tocavam ritmos afro como o ijexá e o samba (utilizando alguns instrumentos musicais da percussão, comuns nas baterias das [[Desfile das escolas de samba do Rio de Janeiro|escolas de samba do Rio de Janeiro]]).
[[Imagem:IveteSangalo.jpg|miniaturathumb|180px|[[Ivete Sangalo]] é uma das cantoras de maior sucesso da música brasileira atualmente.]]
 
NascidoA ''axé music'' propriamente dita nasceu no estúdio WR, no bairro da [[Graça (Salvador)|Graça]], em [[Salvador (Bahia)|Salvador]], com a formação de um grupo de músicos jovens que viria a substituir a banda residente, comandada por Toninho Lacerda (irmão do pianista Carlos Lacerda). O primeiro, da nova leva, a ser contratado foi o baterista Cesinha. Depois dele, o compositor, pianista e arranjador [[Alfredo Moura]], que na época estudava composição e regência na escola de música da [[Universidade Federal da Bahia]], tendo, como professores: Lindembergue Cardoso, Ernst Widmer, Jamary Oliveira, Paulo Costa Lima, entre outros. Luiz Caldas veio em seguida, trazendo o percussionista Tony Mola. [[Carlinhos Brown]] foi o último, dessa leva, a entrar, tendo sido submetido a uma audição e sendo aprovado já por Alfredo Moura, na altura o principal arranjador do estúdio.<ref name="interpretes">SANTANNA, Marilda. [http://www.ppgcs.ufba.br/site/db/trabalhos/142013101509.pdf ''As donas e as vozes: uma interpretação sociológica do sucesso das estrelas- intérpretes no carnaval de Salvador'']. UFBA.</ref>
[[Imagem:The opening ceremony of the FIFA World Cup 2014 07.jpg|miniaturathumb|esquerda|180px|A cantora fluminense [[Claudia Leitte]] ganhou fama na banda [[Babado Novo]], na Bahia, e adotou o axé.]]
 
Essa banda que se formou do encontro de músicos contratados originaria a banda Acordes Verdes, que daria início ao movimento. Os [[Arranjo (música)|arranjo]]s de Alfredo Moura mostrariam ser fundamentais para o estabelecimento do novo estilo musical, pois encontrou um tipo de linguagem popular e altamente comunicativa que possibilitou a divulgação dessa nova música nas rádios e televisões por todo o Brasil.<ref name="interpretes">SANTANNA, Marilda. [http://www.ppgcs.ufba.br/site/db/trabalhos/142013101509.pdf ''As donas e as vozes: uma interpretação sociológica do sucesso das estrelas- intérpretes no carnaval de Salvador'']. UFBA.</ref> Nos [[Arranjo (música)|arranjos]], notam-se elementos vindos de diversas culturas musicais e que interagiam de forma homogênea apesar da diversidade da origem. A música tinha características baianas e fazia referências ao passado enquanto se posicionava com o presente.
 
O movimento adquiriu força e os arranjos e a estética original foram intensamente copiados, evoluindo para novas leituras e estilos, tendo uma durabilidade impressionante em termos de [[música popular brasileira]].<ref name="interpretes" />
 
EraEstava criado, então, um polo criador, um centro musical poderoso, ondee o estilo, concebido por Alfredo Moura, com a ajuda dos músicos da banda Acordes Verdes, principalmente o [[Carlinhos Brown]], se tornaria referência para as próximas três gerações vindouras, colocando a música da Bahia num cenário pioneiro, dinâmico, e inovador.<ref name="25 anos" /><ref name="interpretes" />
 
{{quote|O estilo nasceu com carga pejorativa e sem saber a que servia. Hoje, ainda há polêmica na hora de definir a quais músicas o termo se aplica, mas todos fazem coro num ponto: seu papel foi o de fundar um novo mercado musical.|<ref name="revista época">ARANHA, Ana. [ttp://revistaepoca.globo.com/Epoca/0,6993,EPT904129-1661,00.htm. Vinte anos de baianidade]. '''[[Revista Época]]''' [on line],''. Edição 351. [S. I.]: 07 fevereiro 2005. Último acesso em 15 setembro 2012.</ref>}}
Sob a influência das letras e canções de [[Bob Marley]] nos ouvidos, surgiu, no [[Olodum]] - sob a batuta do mestre [[Neguinho do Samba]] -, um ritmo que misturava ''[[reggae]]'' e [[samba]], num estilo com forte caráter de afirmação da [[negritude]], que fez sucesso em Salvador a partir da [[década de 1980]]: o ''[[samba-reggae]]''. Posteriormente, artistas como [[Gerônimo (músico)|Gerônimo]], [[Banda ReflexusReflexu's]] e a [[Bamdamel|Banda Mel]] aderiram a essa novidade rítmica, lançando canções que chegavam ao [[Região Sudeste do Brasil|Sudeste]] em discos na bagagem dos que lá passavam férias. Em meados da década de 1980, mais precisamente em [[1985]], [[Luiz Caldas]] e [[Paulinho Camafeu]] compuseram juntos o primeiro sucesso nacional daquela cena musical de Salvador: "[[Fricote]] (Nega do cabelo duro)", gravado por Luiz Caldas. O ritmo era o ''deboche'', criado por [[Alfredo Moura]] e [[Carlinhos Brown]]. O arranjo inovador e de alta qualidade técnica foi marcante para que a canção (de apenas dois acordes[[acorde]]s) se tornasse um dos maiores sucessos brasileiros. A canção imediatamente tornou-se um ''[[Hit single|hit]]'' e espalhou-se por todo o país, virando um marco para o axé.<ref name="25 anos" /> Com uma introdução épica, onde os [[Teclado (instrumento musical)|teclados]] simulando [[metais]] eram precedidos por uma [[percussão]] dançante, a canção traduzia a necessidade de afirmação de uma geração de músicos que não queria ficar no ostracismo causado pela fuga de artistas para o [[eixo Rio–São Paulo]].
[[Imagem:Canaval 2010 - Margareth Menezes no trio Afropopbrasileiro.jpg|miniaturathumb|180px|esquerdadireita|[[Margareth Menezes]] uniu o axé com ritmos afro-brasileiros em suas músicas.]]
Uma nova geração de estrelas aparecia para o Brasil: [[Banda ReflexusReflexu's]] (do sucesso "Madagascar Olodum"), [[Sarajane]] (do clássico "A Roda"), [[Cid Guerreiro]] (do "[[Ilariê]], gravado por [[Xuxa]]), [[Chiclete com Banana]] (que vinha de uma tradição de bandas de baile), banda [[Cheiro de Amor]] (com [[Márcia Freire]]) e [[Margareth Menezes]] (a primeira a engatilhar carreira internacional, com a bênção do líder da banda americana de ''rock'' [[Talking Heads]], [[David Byrne]]). No início da década de 1990, o [[Olodum]] foi convidado pelo cantor e compositor americano [[Paul Simon]] para gravar participação no disco ''The Rhythm of The Saints''. e posteriormentePosteriormente, tocou com [[Michael Jackson]] no clipe[[videoclipe]] da canção "[[They Don't Care About Us]]" nas ruas do [[Pelourinho (Salvador)|Pelourinho]] e teve outras parcerias com artistas internacionais e nacionais, que aumentaram a visibilidade do grupo.<ref>[http://mais.uol.com.br/view/ao2o41d5alx2/they-dont-care-about-us--michael-jackson-04023560CCB15346? "They Don't Care About Us" - Michael Jackson]. ''UOL Mais''.</ref> A modernidade das guitarras se encontrava com a tradição dos tambores em mistura de alta octanagem.
 
Aquela nova música baiana avançaria mais ainda na direção do pop em [[1992]], quando o [[Araketu]] resolveu injetar eletrônica nos tambores, e o resultado foi o disco homônimo [[Ara Ketu (álbum de 1992)|Araketu]], gravado pelo selo inglês independente Seven Gates, e lançado apenas na Europa. No mesmo ano, [[Daniela Mercury]] lançaria ''[[O Canto da Cidade (álbum)|O Canto da Cidade]]'', e o Brasil se renderia de vez ao axé. Aberta a porta, vieram [[Asa de Águia]], [[Banda Eva]] (que nasceu do Bloco Eva e revelou [[Ivete Sangalo]]), [[Banda Mel]] (que depois assinaria como [[Bamdamel]]), [[Banda Cheiro de Amor]], [[Ricardo Chaves]], [[Babado Novo]] (que revelou [[Claudia Leitte]]) etc. A explosão comercial do axé passou, no entanto, longe da unanimidade. [[Dorival Caymmi]] reprovou suas qualidades artísticas, [[Caetano Veloso]] as endossou. Das tentativas de incorporar o repertório das bandas de ''[[pop rock]]'', nasceu a marcha-frevo, que transformou sucessos como "Eva" ([[Rádio Táxi]]) e "Me Chama" ([[Lobão (músico)|Lobão]]) em mais combustível para a folia.
Uma nova geração de estrelas aparecia para o Brasil: [[Banda Reflexus]] (do sucesso "Madagascar Olodum"), [[Sarajane]] (do clássico "A Roda"), [[Cid Guerreiro]] (do "[[Ilariê]], gravado por [[Xuxa]]), [[Chiclete com Banana]] (que vinha de uma tradição de bandas de baile), banda [[Cheiro de Amor]] (com [[Márcia Freire]]) e [[Margareth Menezes]] (a primeira a engatilhar carreira internacional, com a bênção do líder da banda americana de ''rock'' [[Talking Heads]], [[David Byrne]]). No início da década de 1990, o [[Olodum]] foi convidado pelo cantor e compositor americano [[Paul Simon]] para gravar participação no disco ''The Rhythm of The Saints'' e posteriormente tocou com [[Michael Jackson]] no clipe da canção "[[They Don't Care About Us]]" nas ruas do [[Pelourinho (Salvador)|Pelourinho]] e outras parcerias com artistas internacionais e nacionais, que aumentaram a visibilidade do grupo.<ref>[http://mais.uol.com.br/view/ao2o41d5alx2/they-dont-care-about-us--michael-jackson-04023560CCB15346? "They Don't Care About Us" - Michael Jackson]. ''UOL Mais''.</ref> A modernidade das guitarras se encontrava com a tradição dos tambores em mistura de alta octanagem.
 
Enquanto o axé ''axé music'' se fortalecia, alguns nomes buscavam alternativas criativas para a música baiana. O mais significativo deles foi a [[Timbalada]], grupo de percussionistas e vocalistas liderado por [[Carlinhos Brown]] (cuja música "''Meia Lua Inteira''" tinha estourado na voz de Caetano Veloso em 1989), veio com a proposta de resgatar o som dos [[timbautimbal]]ses, que há muito tempo estavam restritos à percussão dos [[terreiro (religião)|terreiros]] de [[candomblé]]. Paralelamente à Timbalada, Brown lançou dois discos solo – [[Alfagamabetizado]] ([[1996]]) e [[Omelete Man]] ([[1998]]), arranjados por Alfredo Moura,. que comCom sua autoral incorporação de várias tendências do [[música pop|pop]] e da [[MPB]] à música baiana, Brown obteve grande reconhecimento no exterior. Além disso, ele desenvolveu um trabalho social e cultural de alta relevância entre a população da comunidade carente do Candeal, no bairro de [[Brotas (Salvador)|Brotas]], em [[Salvador (Bahia)|Salvador]], com a criação do espaço cultural Candyall Guetho Square, o grupo de percussão Lactomia (para formar uma nova geração de instrumentistas) e a escola de música Pracatum.
=== Guinada para o frevo e ''pop-rock'' ===
{{sem-fontes|Esta seção|data=agosto de 2013}}
Aquela nova música baiana avançaria mais ainda na direção do pop em [[1992]], quando o [[Araketu]] resolveu injetar eletrônica nos tambores, e o resultado foi o disco homônimo [[Ara Ketu (álbum de 1992)|Araketu]], gravado pelo selo inglês independente Seven Gates, e lançado apenas na Europa. No mesmo ano, [[Daniela Mercury]] lançaria ''[[O Canto da Cidade (álbum)|O Canto da Cidade]]'', e o Brasil se renderia de vez ao axé. Aberta a porta, vieram [[Asa de Águia]], [[Banda Eva]] (que nasceu do Bloco Eva e revelou [[Ivete Sangalo]]), [[Banda Mel]] (que depois assinaria como [[Bamdamel]]), [[Banda Cheiro de Amor]], [[Ricardo Chaves]], [[Babado Novo]] (que revelou [[Claudia Leitte]]) etc. A explosão comercial do axé passou longe da unanimidade. [[Dorival Caymmi]] reprovou suas qualidades artísticas, [[Caetano Veloso]] as endossou. Das tentativas de incorporar o repertório das bandas de ''[[pop rock]]'', nasceu a marcha-frevo, que transformou sucessos como "Eva" ([[Rádio Táxi]]) e "Me Chama" ([[Lobão (músico)|Lobão]]) em mais combustível para a folia.
 
Enquanto o axé ''music'' se fortalecia, alguns nomes buscavam alternativas criativas para a música baiana. O mais significativo deles foi a [[Timbalada]], grupo de percussionistas e vocalistas liderado por [[Carlinhos Brown]] (cuja música "''Meia Lua Inteira''" tinha estourado na voz de Caetano Veloso em 1989), veio com a proposta de resgatar o som dos [[timbau]]s, que há muito tempo estavam restritos à percussão dos terreiros de [[candomblé]]. Paralelamente à Timbalada, Brown lançou dois discos solo – [[Alfagamabetizado]] ([[1996]]) e [[Omelete Man]] ([[1998]]), arranjados por Alfredo Moura, que com sua autoral incorporação de várias tendências do pop e da MPB à música baiana, obteve grande reconhecimento no exterior. Além disso, ele desenvolveu um trabalho social e cultural de alta relevância entre a população da comunidade carente do Candeal, em [[Salvador (Bahia)|Salvador]], com a criação do espaço cultural Candyall Guetho Square, o grupo de percussão Lactomia (para formar uma nova geração de instrumentistas) e a escola de música Pracatum.
 
Enquanto isso, os nomes de sucesso da música baiana multiplicavam-se: aos então conhecidos Banda Eva, Bamdamel, Araketu, [[Chiclete com Banana]] e [[Cheiro de Amor]], juntaram-se o ex-[[Banda Beijo|Beijo]] [[Netinho (cantor)|Netinho]] e os grupos [[Jammil e Uma Noites]] e [[Pimenta N'ativa]].
===Perspectivas para o futuro===
Muitos [[crítica|críticos]] avaliam que, nos últimos anos, o Axéaxé tem estado em declínio, não devido a queda de popularidade, mas sim porque novas canções de novos grupos musicais não têm a mesma força que as antigas. Os principais grupos de axé do país continuam sendo os mesmos da década da 1990, com novos grupos musicais não alcançando o mesmo nível de expressão dos grupos musicais mais antigos. Isso gera a preocupação de que o ritmo baiano não possa se renovar com uma nova geração e perca sua relevância quando os grupos musicais mais antigos gradualmente encerrarem suas atividades.
{{Commons|Category:Axé music}}
 
{{Referências}}