Diferenças entre edições de "Clara Pinto Correia"

28 bytes removidos ,  01h52min de 22 de junho de 2017
m
ajustes gerais nas citações, outros ajustes usando script
(→‎Outras actividades: Espaço em falta adicionado.)
m (ajustes gerais nas citações, outros ajustes usando script)
{{mais- notas-bpv|data=junho de 2017}}
{{Wikificação|data=setembro de 2012}}
{{Info/Biografia
|prémios =[[Prémio Máxima de Literatura]] (1990)
}}
'''Maria Clara Amado Pinto Correia''' ([[Lisboa]], [[30 de Janeiro]] de [[1960]]) é [[professor]]a universitária, [[bióloga]], [[escritora]] e historiadora da ciência [[portugueses|portuguesa]].<ref name=Infopedia>{{citar web |url=http://www.infopedia.pt/$clara-pinto-correia |título=Clara Pinto Correia |acessodata=16 de Abril de 2012 |autorlink=Infopédia |língua=português }}</ref>. Filha de [[José Manuel Pinto Correia]], Grande-Oficial da [[Ordem Militar de Sant’Iago da Espada]] a título póstumo a 10 de Junho de 1991, e de sua mulher Maria Adelaide da Cunha e Vasconcelos de Carvalho Amado.
 
Viveu vários anos da sua infância em [[Angola]], onde o pai, o professor de Medicina [[José Pinto Correia]], foi obrigado a cumprir serviço militar como médico durante a Guerra colonial ([[Guerra colonial portuguesa|Guerra do Ultramar]]). Aí lhe nasceu a paixão pela [[Biologia]]. Foi uma excelente aluna, primeiro frequentou o Liceu Francês Charles Lepierre, depois o Liceu Rainha D. Leonor.
 
Como escritora, é autora de uma vasta obra, que iniciou em 1983. O seu mais conhecido romance é ''Adeus, princesa'', que publicou aos 25 anos de idade, no qual retrata a alma da juventude do Alentejo no final da tentativa de [[Reforma agrária]]. Tem meia centena de títulos publicados, incluindo ficção, literatura infantil, ensaios, biografia, crónicas de opinião, divulgação científica e estudos de História da ciência.
 
==Formação e actividade académica==
 
Motivada pelo sonho de um dia vir a ser ''Park Ranger'' numa reserva africana (nas revistas que o pai assinava, nomeadamente a [[National Geographic (revista)|''National Geographic'']], fascinavam-na (particularmente as fotos de [[Jane Goodall]] com os chimpanzés), Clara Pinto Correia vai estudar biologia para a [[Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa]].<ref name=Infopedia />. Aí termina a licenciatura em 1984. No ano seguinte integra o corpo docente da [[Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa]] como assistente estagiária de biologia celular e histologia e embriologia e, simultaneamente, como doutoranda no Laboratório de Biologia Celular do [[Instituto Gulbenkian de Ciência]], em ambos os casos sob orientação do professor J. David-Ferreira. Deixa-se ficar aí até 1989, ano em que vai para o Estados Unidos como ''visiting scientist'' do laboratório de Sabina Sobel, na [[Universidade de Nova Iorque]] em [[Buffalo]] para execução do projecto de doutoramento. Em Outubro de 1992 foi-lhe conferido, com distinção e louvor por unanimidade, o grau de Doutor em Biologia Celular pelo Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar da [[Universidade do Porto]].<ref name=Infopedia /> Regressa aos EUA, agora como ''postdoctoral fellow'' no laboratório de [[James Robl]], no Department of Veterinary and Animal Sciences da University of Massachusetts at Amherst, para desenvolver um projecto de investigação relacionado com as interacções nucleo-citoplasmáticas na clonagem de embriões de mamíferos. Em 1994 trocou o trabalho de bancada por um contrato de dois anos para fazer uma especialização em História das Ciências no Department of History of Science da Harvard University, e escrever um livro sobre História das Teorias da Reprodução, em ambos os casos sob orientação de [[Stephen Jay Gould]] e supervisão de [[Everett Mendelshon]]. Publicado o livro "The Ovary of Eve - Egg & Sperm & Preformation", em 1996 regressou a Portugal para criar na Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias a licenciatura em Biologia e o mestrado em Biologia do Desenvolvimento. Paralelamente foi contratada como «research associate» de Stephen Jay Gould no Museum of Comparative Zoology da Harvard University, cargo que manteve até 2002, e como «adjunt professor» no Department of Veterinary and Animal Sciences da University of Massachusetts at Amherst, que manteve até 2001. Em 2004 prestou provas de agregação em História e Filosofia das Ciências na Universidade de Lisboa. Actualmente é professora catedrática da Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias, onde dirige a licenciatura em Biologia e o mestrado em Biologia do Desenvolvimento. Lecciona em ambos os cursos os módulos associados à história do pensamento biológico e à história das teorias da reprodução. É também «research associate» de [[John Murdoch]] no Department of History of Science da Harvard University e investigadora do Centro de Estudos de História das Ciências Naturais e da Saúde do [[Instituto Rocha Cabral]].
 
==Investigação==
'''Biologia'''
 
No laboratório do Prof. [[James Robl]] na University of Massachusetts, que trabalhava com o objectivo de clonar bovinos transgénicos em grande número, Clara Pinto Correia introduziu novas técnicas de localização de estruturas intra-celulares por imunofluorescência que tinha aprendido durante os seus trabalhos de doutoramento. Era consensual entre todos os cientistas, pois era isso que ensinavam os livros de biologia celular e do desenvolvimento, que o centrossoma que preside à organização do primeiro ciclo celular era de origem materna. Até então o modelo usado era única e exclusivamente o rato e a extrapolação parecia natural. Acontece que Clara Pinto Correia, depois de usar como modelo o coelho, descobriu que o centrossoma que preside à organização do primeiro ciclo celular era de origem paterna. Usando como modelo o bovino obteve os mesmos resultados. Entretanto outros grupos de investigação internacionais à medida que ensaiavam outros modelos chegavam à mesma conclusão. Os livros foram mesmo reescritos.
 
'''História das ciências'''
 
O interesse de Clara Pinto Correia pela História da Biologia vem dos tempos de estudante. Porém, terá sido Stephen Jay Gould o seu guru intelectual, que a levou pelos caminhos da história das ciências. Foi com ele que Clara Pinto Correia fez a sua primeira grande investigação sobre história das teorias da reprodução, na Harvard University que viria a culminar na edição do livro "The Ovary of Eve - Egg & Sperm & Preformation". Esta investigação levou-a a fazer a sua segunda grande descoberta, sobre a história da [[preformação]]. Tudo começou com o pressuposto de que os preformacionistas do século XVII tinham desenhado pessoas pequeninas enroscadas dentro do núcleo do espermatozóide. E estas pessoas tinham até um nome. Eram os "homúnculos". Porém, quando Clara Pinto Correia começou a investigar as fontes, nomeadamente o precioso ''Traité de Dioptrique'' de [[Nicholas Hartsoeker]] (1694), não encontrou o termo em lado algum. A investigadora acabaria por concluir que o termo "homúnculo" nunca foi usado pelos preformacionista dos séculos XVII e XVIII mas trata-se antes de uma invenção da literatura secundária dos anos 1930. Esta descoberta, modesta na sua grandiosidade pois não salvou vidas nem deu a paz ao mundo, acabaria por obrigar a uma revisão dos livros de texto. Um deles foi o conhecido ''Developmental Biology'' de [[Scott Gilbert]] que na sua 4ª edição apresentava o famoso espermatozóide de Hartsoeker com o seu "homúnculo" em posição fetal, mas que na edição seguinte já tinha segregado o termo "homúnculo".
 
Actualmente, Clara Pinto Correia é investigadora responsável pelo projecto MAPA MUNDI - O impacto das viagens imaginárias na organização do pensamento ocidental (sécs. XIV-XVIII), a decorrer no Centro de Estudos de História das Ciências Naturais e da Saúde do Instituto Rocha Cabral. Este projecto visa proceder a uma análise inter-disciplinar (Ciências naturais/Estudos do género/Psicologia/Tradição oral portuguesa/Cartografia) de quatro grandes clássicos europeus da narrativa de viagens, como "As viagens de John Mandeville", "O Livro do Infante D.Pedro" de Gil de Santisteban, a Terra Austral Conhecida, de Gabriel de Foigny, e o Suplemento à viagem de Bougainville, de Denis Diderot.
 
==Principais publicações em Biologia==
==Outras actividades==
=== Como escritora ===
* [[1983]] - ''Anda uma mãe a criar filhas para isto''.<ref>{{citar web |url=http://books.google.pt/books/about/Anda_uma_m%C3%A0e_a_criar_filhas_para_isto.html?id=Nxo8HAAACAAJ&redir_esc=y |título=Anda uma màe a criar filhas para isto ! |acessodata=16 de Abril de 2012 |autorlink=googlebooks |língua=português }}</ref>. A Regra do Jogo
* [[1984]] - ''Agrião!''<ref name=Infopedia /> Relógio d'Água
* [[1985]] - ''Um esquema''. Rolim
* [[1985]] - ''Adeus, princesa''.<ref name=Infopedia />. Relógio d'Água/Círculo de Leitores
* [[1985]] - ''Não podemos obrigá-los a amarem-se'' em co-autoria com Margarida Bon de Souza. Relógio d'Água
* [[1986]] - ''O sapo Francisquinho''. Contexto
* [[1986]] - ''E se tivesse a bondade de me dizer porquê? ''em co-autoria com [[Mário de Carvalho]].<ref name=Infopedia />. Rolim
* [[1987]] - ''O príncipe imperfeito''.
* [[1987]] - ''Campos de morangos para sempre''. Rolim
210 190

edições