Diferenças entre edições de "Samuel Wainer"

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'''Samuel Wainer''' ([[Bessarábia]], [[Império Russo]], {{nascimento|19|12|1910}} — [[São Paulo (cidade)|São Paulo]], {{morte|2|9|1980}}) foi um [[Jornalismo|jornalista]] e [[empresário]] [[russo-brasileiro]], fundador, editor-chefe e diretor do [[jornal]] ''[[Última Hora]]''. Foi casado com a modelo e jornalista [[Danuza Leão]] e teve três filhos: a artista plástica [[Débora "Pinky" Wainer]], o cineasta [[Bruno Wainer]] e o jornalista [[Samuel Wainer Filho]].
 
== Biografia ==
Wainer imigrou para o Brasil com 2 anos de idade, junto com seus pais, judeus russos da região da Bessarabia[[Bessarábia]], que se radicaram na capital paulista. Originariamente um jornalista da esquerda não comunista, ligado ao grupo de intelectuais congregados em torno da revista ''[[Diretrizes]]'', fundada por ele. Mais tarde, Wainer tornou-se repórter dos [[Diários Associados]] de [[Assis Chateaubriand]], quando veio a entrevistar [[Getúlio Vargas]] durante a campanha eleitoral de [[1950]]. A amizade política entre eles, movida à base de interesses mútuos, viria a resultar na criação do [[Última Hora]].
 
Vargas havia concebido a necessidade de um órgão de imprensa que pudesse sustentar as posições do [[populismo]] varguista contra uma imprensa [[populismo|antipopulista]] e antivarguista. Sabendo da insatisfação de Wainer com o trabalho nos Diários Associados, onde estava sujeito às humilhações quotidianas que implicava o trato diário com Assis Chateaubriand e suas práticas amorais, Vargas sabia poder contar com a lealdade pessoal daquele a quem havia apelidado de "Profeta". Para tal, uma vez eleito, garantiu que o [[Banco do Brasil]] fornecesse um crédito a Wainer para a constituição do jornal em condições privilegiadas.
A oposição a Vargas, comandada por [[Carlos Lacerda]], não podendo impugnar a legalidade do empréstimo favorecido que viabilizara o jornal (como lembraria o próprio Wainer em suas memórias, toda a imprensa brasileira beneficiava-se de tais créditos irregulares) procurou impugnar o próprio Wainer.
 
Coube a Carlos Lacerda a tarefa de procurar negar a Wainer o direito de dirigir um jornal, alegando que o jornalista teria nascido na [[Bessarábia]] (a atual [[Moldávia]], na época um território disputado entre a [[Roménia]] e a [[URSS]]), em [[1910]] e que haveria recebido uma certidão de nascimento falsa em território brasileiro, que o daria como nascido em [[1912]]. Sendo brasileiro [[naturalização|naturalizado]], e não nato, Wainer estaria, nos termos da lei, impedido de ser proprietário de um jornal (a [[Constituição de 1946]] proibia que estrangeiros fossem donos de empresas jornalísticas). A campanha contra Wainer &mdash; que combinava direitismo antigetulista e um toque de [[antissemitismo]] &mdash; levou a uma longa batalha judicial que prolongou-se para além do suicídio de Vargas, em [[1954]], e terminou com a absolvição de Wainer da acusação de falsidade ideológica. Somente 25 anos após sua morte, na edição completa de seu livro autobiográfico "Minha Razão de Viver", Wainer reconhece que nascera realmente fora do Brasil.
 
Foi o único jornalista brasileiro a cobrir o [[Julgamento de Nuremberg]].
Samuel Wainer permaneceu uma figura jornalística importante no Brasil pré-[[Golpe militar de 1964|1964]], sempre ligado ao populismo e contando com a simpatia dos presidentes [[Juscelino Kubitschek]] e [[João Goulart]]. Foi também um mundano consumado, cuja reputação de ''[[dândi]]'' foi muito beneficiada pelo seu casamento com [[Danuza Leão]], então uma jovem modelo, figura cara à alta burguesia do [[Rio de Janeiro]] e musa boêmia da época.
 
Em 23 de abril de 1964 é publicado discurso do deputado Rubens Requião, feito na
Em
23 de abril de 1964 é publicado discurso do deputado Rubens Requião, feito na
assembleia legislativa, no Diário do Paraná. O deputado ataca o ''Última Hora''
nos seguintes termos: ''Ainda agora soubemos que importou o jornal papel de
Até o [[Golpe Militar de 1964]], Samuel Wainer havia conseguido estruturar um verdadeiro império jornalístico, com várias edições regionais do seu jornal. Foi o único diário a defender o governo de [[João Goulart]] em 1° de abril de 1964, nas primeiras horas após o [[golpe militar]] que o depôs.<ref name=ditesc>{{Citar livro |autor=[[Elio Gaspari|Gaspari, Elio]]|título=A Ditadura Escancarada |subtítulo= |língua= |formato= |edição= 2|local=Rio de Janeiro |editora= Editora Intrínseca|ano=2014 |página= |páginas=526 |isbn= 978-85-8057-408-1}}</ref> Teves suas sedes do Rio de Janeiro e do Recife invadidas e depredadas.<ref name=ditesc/> Samuel Wainer se exilou no [[Chile]] e lá recebeu proposta de compra do jornal de um grupo de empresários especializados em obras públicas.<ref name=ditesc/> Negociou a venda de seu jornal em [[Paris]], tendo vendido em [[1971]] para a [[Grupo Folha|Empresa Folha da Manhã S/A]] que também era dona do jornal [[Folha de S.Paulo]].<ref name=ditesc/> Wainer ainda voltou ao Brasil com a esperança de recuperar a Última Hora do Rio de Janeiro, tentou conquistar a confiança dos militares sem sucesso, até que o comandante do I Exército pediu que publicasse na primeira página um poema de resposta a canção ''Caminhando'' de [[Geraldo Vandré]].<ref name=ditesc/> Ele publicou o poema, mas decidiu vender o resto de sua participação aos empreiteiros que haviam comprado o [[Correio da Manhã]].<ref name=ditesc/>
 
Em [[1975]], passou a residir em [[São Paulo]], trabalhando como jornalista assalariado da [[Folha de S.Paulo]], protegido por Frias até sua morte em [[1980]].
 
Deixou um livro de memórias intitulado ''Minha Razão de Viver'', editado postumamente por sua filha, a artista plástica [[Pinky Wainer|Débora ("Pinky") Wainer]].
 
==Referências==
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edições