Diferenças entre edições de "Regimento"

10 bytes removidos ,  11h49min de 13 de julho de 2017
m
Corr. erro ortográfico - Península Ibérica *sempre* com maiúsculas, typos fixed: orgãos → órgãos utilizando AWB
m (Corr. erro ortográfico - Península Ibérica *sempre* com maiúsculas, typos fixed: orgãos → órgãos utilizando AWB)
{{Ver desambig|prefixo=Se procura|regimento como conjunto de regras ou leis|Regimento interno}}
[[Imagem:Regiment Nato.png|thumb|right|250px|Símbolo tático da [[OTAN]] para um regimento de infantaria.]]
'''Regimento''' é uma [[unidade militar]] tradicionalmente comandada por um [[coronel]] e composta por um número variável de [[batalhão|batalhões]] ou subunidades equivalentes da mesma arma.
 
Em termos de organização e de funções, os regimentos dos vários [[exército]]s podem ser divididos em dois grandes tipos, correspondentes aos sistemas Regimental e Continental. Os regimentos do primeiro tipo constituem unidades operacionais, empenháveis em combate. Já os do segundo tipo são apenas unidades administrativas, responsáveis pela gestão não operacional das suas subunidades - estas sim, constituindo unidades operacionais - em termos de recursos humanos, de instrução, de mobilização e de reserva.
 
A dimensão, a organização e a função dos regimentos modernos varia bastante de exército para exército, podendo mesmo variar dentro de um mesmo exército. Nalguns exércitos, pode nem sequer existir este tipo de unidade. Nos exércitos que mantêm regimentos de múltiplos batalhões como unidades operacionais de combate, dependendo do país, da arma, da organização e da função, estes têm caraterísticas muito semelhantes às de uma [[brigada (militar)|brigada]], podendo incluir além de subunidades da arma a que estão associados, também subunidades de apoio de outras armas e de serviços. Por outro lado, alguns exércitos, por razões históricas, designam como "regimentos" algumas unidades de dimensões menores, normalmente do escalão de batalhão.
O regimento era essencialmente uma unidade administrativa, correspondendo a um conjunto de tropas sob uma administração e um aquartelamento comuns. A unidade tática era o [[batalhão]], com o regimento a agrupar vários destes. Nalguns exércitos, cada regimento organizava-se taticamente como um único batalhão, confundindo-se com este. Neste caso, o regimento e o batalhão constituíam, respetivamente, a vertente administrativa e a vertente tática da mesma entidade.
 
Os regimentos eram inicialmente constituídos por companhias de piqueiros e de [[arcabuzeiro]]s (estes, mais tarde substituídos por [[mosqueteiro]]s). Com a introdução da [[espingarda|espingarda de pederneira]] com [[baioneta]] no final do [[século XVII]], os piqueiros e mosqueteiros foram substituídos por [[fuzileiro]]s, armados com aquele tipo de arma. Paralelamente, por essa altura, são criadas as companhias regimentais de [[granadeiro]]s, inicialmente com a função de protegerem os flancos das formações de combate através do lançamento de [[granadas de mão]], perdendo depois esta função e transformando-se nas subunidades de elite dos regimentos. Na segunda metade do século XVIII, nos regimentos da maioria dos países europeus são também introduzidas companhias de infantaria ligeira, também consideradas subunidades de elite como os granadeiros.
 
O conceito moderno de regimento fica completamente definido em meados do [[século XVIII]]. No final deste século, os regimentos de infantaria são geralmente constituídos por companhias de linha e por companhias de elite, distribuídas por um ou mais batalhões. As companhias de linha são as de fuzileiros (também conhecidas por companhias do centro ou de batalhão). As companhias de elite (também conhecidas por companhias de flanco ou companhias graduadas) são as de granadeiros e as de infantaria ligeira (estas, nalguns exércitos, conhecidas como [[caçador (militar)|caçadores]], [[atirador]]es ou ''voltigeurs''). Cada batalhão é constituído, em média, por dez companhias, das quais oito de fuzileiros, uma de granadeiros e outra de infantaria ligeira. Nesta altura existem já também regimentos de cavalaria - normalmente organizados em quatro [[esquadrão|esquadrões]], cada um com duas companhias - e regimentos de artilharia.
 
Até ao [[século XIX]], o regimento continua a manter-se apenas como unidade administrativa em quase todos os exércitos, com o batalhão a ser a unidade tática. No entanto, em alguns exércitos, o regimento começa também a ser uma unidade tática, constituída por dois ou mais batalhões. A utilização do regimento como unidade tática dá origem ao que é conhecido como "Sistema Continental" de organização. Em outros exércitos, contudo, apenas o batalhão se mantém como unidade tática, continuando o regimento como unidade administrativa, num sistema de organização que ficará conhecido como "Sistema Regimental".
Outra vantagem do Sistema Regimental é a estabilidade política interna que produz. O exemplo mais claro é o fato do Reino Unido nunca ter sofrido um [[golpe de estado]] militar, nem sequer ter estado planeado algum. Pode atribuir-se isso à natureza "[[tribo|tribal]]" deste sistema, que impede o aparecimento de um líder carismático que obtenha a lealdade de uma parte significativa do exército.
 
O Sistema Regimental, contudo, também tem desvantagens. O sistema produz uma rivalidade entre regimentos, de uma forma que não se dá no Sistema Continental, tornando difícil o intercâmbio de unidades de acordo com as circunstâncias. O sistema leva também a casos de favoritismo entre os membros de um determinado regimento para a nomeação em cargos extrarregimentais.
 
Quando um país tenta mudar de uma forma de organização para outra, normalmente, não consegue ter êxito por causa das diferenças tanto estruturais como filosóficas entre os dois sistemas. Um exército acostumado ao Sistema Continental colocar-se-á em dificuldades logísticas quase insuperáveis para levantar os aquartelamentos, depósitos, elementos administrativos e centros de instrução requeridos para cada regimento. Por outro lado, os membros de um exército organizado segundo o Sistema Regimental irão ressentir-se e protestar em caso de uma mudança para o Sistema Continental que os obrigue a perder as suas tradições, quando alguns regimentos tiverem que se fundir ou ser extintos.
==Regimentos por países==
===Bélgica===
Na [[Componente Terrestre da Bélgica|Componente Terrestre das Forças Armadas Belgas]], o escalão regimento foi abolido, passando a existir apenas batalhões independentes. No entanto, por razões históricas, a grande maioria dos batalhões é designada como "regimento", mantendo o nome e as tradições dos antigos regimentos que lhes deram origem.
 
===Brasil===
Depois da [[Independência do Brasil|Independência]] em [[1822]], continuam as reformas no, agora, [[Exército Brasileiro]]. A primeira grande reorganização pós-Independência dá-se pelo decreto de [[1º de dezembro]] de [[1824]]. Na primeira linha do Exército, deixam de existir regimentos na infantaria e na artilharia. A infantaria passa a ser composta por 30 batalhões independentes, dos quais, um do Imperador, dois de granadeiros e 27 de caçadores. A artilharia passa a ser constituída por 16 "corpos", dos quais, 11 de artilharia de posição e cinco de artilharia a cavalo. Na primeira linha, apenas se mantêm regimentos de cavalaria, dos quais, um da [[Imperial Guarda de Honra]] e sete de cavalaria.
 
A não existência de regimentos, com excepção dos de cavalaria, vai ser uma constante nas sucessivas organizações do Exército Brasileiro, até ao início do [[século XX]].
 
Pela organização do Exército introduzida pelo Decreto n.º 6971 de [[1908]] acaba a tradicional organização brasileira em batalhões independentes, com a introdução de regimentos ternários na infantaria e na artilharia, segundo um modelo em voga na maioria dos exércitos estrangeiros da época. Os novos regimentos de infantaria são constituídos por três batalhões e os de artilharia por três grupos. Passam a existir 15 regimentos de infantaria e cinco regimentos de artilharia montada, além dos nove regimentos de cavalaria divisionária. Esta é a base da organização regimental que se irá manter até à [[década de 1970]].
===França===
[[Imagem:Garde étendard 511 RT.jpg|300px|right|thumb|Guarda ao estandarte do 511º Regimento de Trem do Exército de Terra Francês.]]
O regimento é a unidade base do [[Exército de Terra Francês]], sendo tanto uma unidade operacional como administrativa.
 
O regimento francês atual organiza-se como uma unidade de tamanho intermédio entre o tradicional regimento e o batalhão. Cada regimento é composto por elementos projetáveis e por elementos não projetáveis. Os elementos projetáveis constituem a componente operacional do regimento, operando como um [[agrupamento tático]] e incluem uma companhia de comando e logística, quatro ou cinco companhias de combate, uma companhia de esclarecimento e apoio, podendo ainda ter outros elementos especializados como uma companhia de apoio anticarro. Os elementos não projetáveis destinam-se a assegurar a manutenção da base ou aquartelamento regimental, bem como a instrução e a mobilização de reservistas e incluem normalmente uma companhia de administração e suporte e uma ou mais companhias de reserva.
Em [[1707]], estando o [[Exército Português]] empenhado na [[Guerra da Sucessão de Espanha]], o Rei [[D. João V]] decreta uma reforma militar profunda, que inclui a criação dos regimentos segundo a moda europeia. Os anteriores terços pagos passam a designar-se "regimentos de infantaria", mantendo aproximadamente a mesma organização, que incluía um estado-maior e 10 companhias, uma das quais de [[granadeiro]]s. Os antigos mestres de campo passam a designar-se "coronéis" e passam a ser coadjuvados por [[tenente-coronel|tenentes-coronéis]]. São também criados regimentos de cavalaria ligeira e regimentos de [[dragão (militar)|dragões]]. Posteriormente, virão também a ser criados regimentos de artilharia, com o primeiro a ser organizado em [[1708]], englobando 12 companhias, incluindo uma de barcas e outra de mineiros. Mantém-se, no entanto, os terços auxiliares, como unidades de 2ª linha.
 
Em [[1735]], perante a possibilidade de uma nova guerra, o Exército Português é aumentado e reorganizado. Os regimentos de infantaria passam a incluir dois batalhões, cada qual com 10 companhias.
 
Em [[1763]], cada regimento de infantaria passa a ter um único batalhão de sete companhias. Portanto, volta-se a um conceito semelhante ao que existia antes de 1735, em que o batalhão e o regimento são as vertentes, respetivamente, tática e administrativa da mesma unidade e não uma subdivisão uma da outra. Por outro lado, deixa de existir distinção entre dragões e cavalaria ligeira, passando a haver regimentos homogéneos de cavalaria, constituídos por oito companhias agrupadas aos pares em quatro [[esquadrão|esquadrões]]. Em [[1777]], os regimentos de infantaria voltam a ter 10 companhias, mantendo-se um único batalhão. Em [[1793]], desaparecem de vez os terços, quando os terços auxiliares são transformados em [[Tropas Auxiliares e Milícias de Portugal|regimentos de milícias]].
No âmbito da reforma do Exército Português de [[1911]] em que, de acordo com a doutrina republicana, se passa de um exército permanente (profissional) para um exército miliciano (não profissional), os regimentos passam a ser simples esqueletos, compostos apenas por um reduzido quadro de oficiais e sargentos, que se destinava a enquadrar os milicianos mobilizados no âmbito do novo [[serviço militar obrigatório]]. O número de regimentos é aumentado significativamente, passando a existir 35 regimentos de infantaria, 11 regimentos de cavalaria, oito regimentos de artilharia montada, dois regimentos de artilharia de montanha e um [[Regimento de Engenharia Nº 1|regimento de sapadores-mineiros]], além de um grande número de outras unidades menores. De destacar o fim da existência de unidades de caçadores.
 
O exército miliciano segundo a organização republicana de 1911 mostrou-se pouco eficiente e de pouca operacionalidade. Assim, logo depois da [[Revolução Nacional]] de [[1926]], o Exército Português é reorganizado passando a ser de um tipo semi-permanente, com unidades que só seriam completadas por mobilização de milicianos e com outras mantidas permanentemente em elevado estado de prontidão. Passam a existir 22 regimentos de infantaria, nove regimentos de cavalaria, cinco regimentos de artilharia ligeira, dois regimentos de artilharia pesada, dois regimentos de sapadores-mineiros, um [[Regimento de Engenharia Nº 1|regimento de sapadores dos caminhos de ferro]] e um [[Regimento de Transmissões|regimento de telegrafistas]].
 
Na Segunda Guerra Mundial, são organizados regimentos de natureza tática, que integram as divisões mobilizadas para defesa de Portugal Continental, bem como as forças mobilizadas para defesa dos [[Açores]].
No período compreendido entre [[1975]] e [[1977]], ocorre uma abrangente reorganização do Exército Português que leva à extinção de bastantes unidades e à mudança de designação da maioria dos regimentos que foram mantidos. Os regimentos voltam a ser designados pelo nome das localidades onde estavam aquartelados. É abolida a designação "caçadores", sendo as unidades deste tipo ainda existentes transformadas em regimentos ou batalhões independentes de infantaria. É criado o [[Regimento de Comandos]]. Em [[1993]], os regimentos voltarão a ser numerados.
 
Atualmente, de acordo com a Lei Orgânica do Exército Português, publicada em [[2009]], os regimentos constituem a unidade base do Exército, sendo identificados pela arma ou serviço e pelo indicativo numérico. Tal como os restantes orgãosórgãos de base, os regimentos têm por missão a formação, a sustentação e o apoio geral do Exército. Presentemente, existem sete regimentos de infantaria, um [[Regimento de Lanceiros Nº 2|regimento de lanceiros]], dois regimentos de cavalaria, dois regimentos de artilharia, um [[Regimento de Artilharia Antiaérea Nº 1|regimento de artilharia antiaérea]], dois regimentos de engenharia, um regimento de transmissões, três regimentos de guarnição, um [[Regimento de Transportes|regimento de transportes]] e um [[Regimento de Manutenção|regimento de manutenção]].
 
===Reino Unido e ''Commonwealth''===
Nos exércitos da ''Commonwealth'', segundo o sistema britânico, o regimento é a maior unidade permanentemente organizada. Acima do escalão regimental, a organização pode ser alterada de modo a lidar com as situações que ocorram. Devido à sua natureza permanente, muitos regimentos têm longas histórias, algumas com vários [[século]]s. O regimento britânico mais antigo ainda em existência é a ''Honourable Artillery Company'', estabelecida em [[1537]]. O ''Royal Scots'', formado em [[1633]], era até há bem pouco tempo, o mais antigo regimento de infantaria, tendo agora sido absorvido pelo novo ''Royal Regiment of Scotland''.
 
De observar que, na maioria das armas que não a infantaria, as unidades táticas equivalentes ao batalhão são designadas "regimentos", muitas vezes referidos como "regimentos táticos" para os distinguir dos regimentos administrativos de múltiplos batalhões. Assim, um regimento administrativo pode conter vários regimentos táticos. A título de exemplo, a arma de artilharia constitui um único regimento administrativo (o ''Royal Regiment of Artillery'') que inclui vários regimentos táticos equivalentes a batalhões.
 
No Sistema Regimental britânico, o batalhão (ou o regimento tático) é a unidade funcional básica e o seu comandante tem uma autonomia muito maior que no Sistema Continental. Os comandantes divisionários ou de brigada, normalmente não interferem com a gestão e o funcionamento do batalhão no dia-a-dia. O [[sargento-mor]] regimental, existente em cada batalhão, é outra figura-chave na organização, sendo responsável perante o comandante, pela disciplina do batalhão e pelo comportamento dos sargentos ou praças graduados.
214 754

edições