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De facto, a influência cartaginesa na [[Península Ibérica]] permitia um expressivo reforço, tanto de suprimentos quanto de homens, a Cartago. A estratégia do [[senado romano]] visava, assim, enfraquecer as forças cartaginesas, afastando os seus exércitos da [[península Itálica]].
 
A derrota dos cartagineses, no entanto, não garantiu a ocupação pacífica da penínsulaPenínsula. A partir de {{AC|194|x}}, registraram-se choques com tribos de nativos, denominados genericamente [[Lusitanos]], conflitos que se estenderam até {{AC|138|x}}, denominados por alguns autores como ''guerra lusitana''. A disputa foi mais acesa pelos territórios mais prósperos, especialmente na região da atual [[Andaluzia]].
 
Ao iniciar-se a [[Império Romano|fase imperial romana]], a ''[[Pax Romana]]'' de [[Augusto]] também se fez sentir na [[Hispânia]]: com o fim das [[Guerras Cantábricas]], a partir de {{AC|19|x}}, as legiões ocuparam a região norte peninsular, mais inóspita, ocupada por povos [[cântabros]] e [[astures]]. Com esta ocupação, asseguravam-se as fronteiras e pacificava-se a região, de modo a que não constituísse ameaça para as populações do vale do [[rio Ebro]] e da chamada ''Meseta'', já em plena [[romanização]].
Ainda no ano de {{AC|216|x}} há registo de combates entre Cneu e Públio contra os [[iberos]], provavelmente de tribos a sul do [[rio Ebro]], embora sem grandes consequências para Roma. Já no ano seguinte, receberam os Cartagineses reforços, encabeçados por [[Himilcão]], dando-se novo combate na foz do Ebro, a [[Batalha de Dertosa]], segundo parece, próximo de [[Amposta]] ou [[Sant Carles de la Ràpita|Sant Carles]]. Para prejuízo de Cartago, deste confronto saíram os Romanos vencedores.
 
A rebelião de [[Sífax]] em {{AC|214|x}}, aliado de Roma, na [[Numídia]] ([[Argel]] e [[Orã]]) obrigaria Asdrúbal a regressar à África com as suas melhores tropas, deixando o caminho livre para a progressão romana. Asdrúbal Barca, já na África, conseguiria o apoio de [[Gala (rei da Numídia)|Gala]], um outro rei [[Numídia|númida]], senhor da região de [[Constantina (Sevilha)|Constantina]] e, com a ajuda deste (e do seu filho, [[Massinissa]]), conseguindo a derrota de [[Sífax]]. Regressou em {{AC|211|x}} à penínsulaPenínsula fazendo-se acompanhar de Massinissa e os seus guerreiros númidas.
 
Algures entre {{AC|214-211|x}}, Cneu e Público regressaram ao Ebro. Sabe-se que em {{AC|211|x}} os "Cipiões" incluíam no seu exército um forte contingente de milhares de mercenários [[celtiberos]]. Estes actuavam, frequentemente, como [[mercenário]]s.
Sabe-se que, desta forma, Asdrúbal cruzou os Pirinéus passando pelo [[País Basco|região basca]], provavelmente na tentativa de conseguir uma aliança com estes embora, em todo o caso, os bascos não dispusessem de grandes meios de oposição faze à força cartaginesa. Asdrúbal acamparia no Sul da [[Gália]] entrando na [[Itália (província romana)|Itália]] em {{AC|209|x}}. No ano seguinte Magão transladou as suas tropas para as [[Baleares]] e Asdrúbal Giscão manteve-se na Lusitânia.
 
Em {{AC|206|x}}, reorganizados os cartagineses e com novos reforços procedentes da África e dirigidos por [[Hanão]], conseguiram recuperar a maior parte do Sul da penínsulaPenínsula. Após a submissão desta zona por Hanão, uniu-se Asdrúbal Giscão na região, e Magão regressou à penínsulaPenínsula. Pouco depois, as forças de Hanão e Magão foram derrotadas pelo exército romano a mando de [[Marco Silano (general em 207 a.C.)|Marco Silano]], de onde resultou a captura de Hanão e a retirada de Giscão e Magão para as principais praças-fortes até receberem novos reforços desde África ({{AC|206|x}}). Entretanto recrutaram contingentes de indígenas e confrontaram-se com os Romanos na [[batalha de Ilipa]] (na zona da actual [[Alcalá del Río]]), na [[província de Sevilha]]. Nesta batalha vence Cipião sem sombra de dúvida, obrigando nova retirada de Magão e Asdrúbal para [[Gades]]. Cipião tornara-se assim dono de todo o sul peninsular, e pôde cruzar a África onde se encontrou com o rei númida Sífax, que já o havia visitado na [[Hispânia]].
 
Aproveitando uma convalescença de Cipião, algumas unidades do exército aproveitaram-se para amotinar-se exigindo os salários em atraso, o "[[motim de Sucro]]". Por sua vez, a oportunidade foi aproveitada pelos Ilergetes (a mando de Indíbil) e pelos [[Ausetanos]] (a mando de [[Mandónio]]) que [[Revolta de Indíbil e Mandônio|iniciariam uma rebelião]] dirigida, sobretudo, aos [[procônsul]]es [[Lúcio Cornélio Lêntulo (cônsul em 199 a.C.)|Lúcio Cornélio Lêntulo]] e [[Lúcio Mânlio Acidino]]. Cipião soube conter o motim, colocando um ponto final na revolta dos ibéricos. Indíbil foi morto em combate e Mandónio foi preso e executado ({{AC|205|x}}).
Magão e Asdrúbal abandonaram Gades com todos os seus barcos e tropas para acudir a Aníbal, já na Itália. Roma tornava-se assim senhora de todo o Sul da Hispânia, dos [[Pirenéus]] ao [[Algarve]], no seguimento da costa e, para o interior, de [[Huesca]] em direcção ao Sul até ao [[rio Ebro]] e para leste em direcção ao mar.
 
A partir de então, iniciou-se a administração romana da penínsulaPenínsula, inicialmente com o caráter de ocupação militar, com o fim de manutenção da ordem e de exploração dos recursos naturais das regiões ocupadas, doravante integradas no território controlado pela [[República Romana]]. Assim, a porção ocupada ficava desde já dividida em duas províncias: a [[Hispânia Citerior|Citerior]], a Norte, e [[Hispânia Ulterior|Ulterior]], a Sul, com capital em [[Córdova (Espanha)|Córdova]]. A administração ficava incumbida a dois [[pretor]]es bianuais, que nem sempre se cumpriam.
 
==A resistência==
Nesse contexto, destaca-se um grupo de Lusitanos liderados por [[Viriato]], eleito por aclamação. Esse grupo infligiu duras derrotas às tropas romanas na região da periferia [[Andaluzia|andaluz]], tornando Viriato um mito da resistência peninsular.
 
Em {{AC|150|x}} o pretor Sérvio [[Sérvio Sulpício Galba (cônsul em 144 a.C.)|Galba]] aceitou um acordo de paz com a condição de entregarem as armas, aproveitando depois para os chacinar. Isto fez lavrar ainda mais a revolta e durante oito anos os romanos sofreram pesadas baixas, culminando no assassínio de Viriato por três aliados tentados pelo ouro romano. Mas a luta não parou e Roma enviou à penínsulaPenínsula o cônsul [[Décimo Júnio Bruto Galaico]], que pactuou e fortificou [[Olisipo]], estabeleceu a base de operações em [[Móron]] próximo de Santarém, e marchou para o Norte, matando e destruindo tudo o que encontrou até à margem do [[Rio Lima]]. Mas nem assim Roma conseguiu a submissão total e o domínio do norte da Lusitânia só foi conseguido com a tomada de [[Numância]], na Celtibéria que apoiava os castros de noroeste. Em {{AC|60|x}}, Júlio César dá o golpe de misericórdia aos lusitanos.
 
No século I, consegue-se a ''Pax Augusta'': a Hispânia é dividida em três províncias. Neste período o geógrafo [[Estrabão]], e o historiador universal [[Trogo Pompeu]] descrevem assim os seus habitantes:
{{Quote|Os hispanos [da Hispânia] têm o corpo preparado para a abstinência e fadiga, e ânimo para a morte: uma dura e austera sobriedade para todos[3]. […] Em tantos séculos de guerra com Roma, não tiveram nenhum outro capitão a não ser Viriato, um homem de tal virtude e continência que, depois de vencer os exércitos consulares durante 10 anos, nunca quis distinguir-se no seu modo de vida de qualquer soldado raso|[[Trogo Pompeu]]}}. Outro historiador romano, : {{Quote|Ágil, belicoso, inquieto. A Hispânia é distinta da Itálica, mais disposta para a guerra por causa do agreste terreno e do génio dos homens|[[Tito Lívio]] ({{AC|59|x}}-{{DC|17|x}}), sobre o carácter do homem hispânico}}
 
Ao se iniciar a fase imperial romana, a pacificação de [[Augusto]] também se fez sentir na penínsulaPenínsula: com a finalização das [[Guerras Cantábricas]], a partir de {{AC|19|x}}, as suas legiões ocuparam a região norte peninsular, mais inóspita, ocupada por povos [[cântabros]] e [[astures]]. Com esta ocupação, asseguravam-se as fronteiras naturais e pacificava-se essa região mais atrasada, de modo a que não constituísse ameaça para as populações do vale do [[rio Ebro]] e da chamada ''Meseta'', já em plena fase de [[romanização]].
 
==A romanização==
Na [[Península Ibérica]], a [[romanização]] ocorreu concomitantemente com a conquista, tendo progredido desde a costa [[mar Mediterrâneo|mediterrânica]] até ao interior e à costa do [[oceano Atlântico]]. Para esse processo de aculturação foram determinantes a expansão do [[latim]] e a fundação de várias [[cidade]]s, tendo como agentes, a princípio, os [[Legião romana|legionários]] e os comerciantes.
 
Os primeiros, ao se miscigenarem com as populações nativas, constituíram famílias, fixando os seus usos e costumes, ao passo que os segundos iam condicionando a vida econômica, em termos de produção e consumo. Embora não se tenha constituído uma sociedade homogênea na penínsulaPenínsula, durante os seis séculos de romanização registraram-se momentos de desenvolvimento mais ou menos acentuado, atenuando, sem dúvida, as diferenças étnicas do primitivo povoamento.
 
A [[língua latina]] acabou por se impor como língua oficial, funcionando como factor de ligação e de comunicação entre os vários povos. As povoações, até aí predominantemente nas montanhas, passaram a surgir nos vales ou planícies, habitando casas de [[tijolo]] cobertas com [[telha]]. Como exemplo de cidades que surgiram com os Romanos, temos [[Braga]] (''[[Bracara Augusta]]''), [[Beja]] (''[[Pax Iulia]]''), Santiago do Cacém ([[Miróbriga]]), [[Conímbriga]] e [[Chaves (Portugal)|Chaves]] (''[[Aquae Flaviae]]'').
*[[Lusitânia]], com capital em [[Emerita Augusta]] (atual [[Mérida (Espanha)|Mérida]]), estendia-se entre os rios [[rio Douro|Douro]] e [[rio Guadiana|Guadiana]].
 
Registra-se neste período uma etapa de paz e prosperidade econômica, marcada pela construção de cidades e de uma rede de [[estrada romana|vias]], talvez o elemento mais marcante da administração imperial romana. A maioria das cidades na penínsulaPenínsula adquiriu progressivamente a sua autonomia, vindo posteriormente a se constituir em sede de [[município]]s.
 
===Aspectos económicos===
[[Imagem:Fábrica romana de Salga 05.jpg|thumb|Fábrica romana de [[salga]], [[Setúbal]], Portugal]]
 
Durante a [[romanização]] da penínsulaPenínsula, a economia de subsistência das primitivas tribos foi paulatinamente substituída por grandes unidades de exploração agrícola em regime intensivo (as [[vila romana|vilas]]), produzindo [[azeite]], [[cereal|cereais]], [[vinho]] e [[pecuária]], ao mesmo tempo em que o primitivo [[artesanato]] deu lugar a [[indústria]]s especializadas como as da [[cerâmica]] e da [[mineração]]. A actividade agro-pecuária localizava-se, particularmente, ao Sul do [[rio Tejo]] sendo a terceira região que mais produzia grãos perdendo para apenas as penínsulas africanaAfricana e as itálicaItálica. Também houve desenvolvimento na actividade [[pesca|pesqueira]], produzindo o valorizado [[Garum]] que por sua vez demandava o desenvolvimento da extracção de [[sal]] e das actividades de [[construção naval]].
Sendo uma das regiões mais romanizadas e controláveis do império, era moradia de várias famílias populares em Roma e até mesmo de imperadores, o que contribuiu muito ao desenvolvimento da região.
 
No tocante à exploração mineral, na qual a penínsulaPenínsula era particularmente rica, todas as minas passaram a pertencer ao [[senado romano]], sendo exploradas por escravos. Entre elas destacava-se a região que se estende de [[Grândola]] a [[Alcoutim]], de onde era extraído o [[cobre]] e a [[prata]].
 
Para esse desenvolvimento, muito contribuiu a circulação da moeda romana.
===Aspectos arquitectónicos e religiosos===
 
Assim como em diversas outras regiões do [[Império Romano]], também foram erguidas na penínsulaPenínsula [[ponte]]s, [[Teatro romano|teatros]], [[Termas romanas|termas]], [[templo]]s, [[aqueduto]]s e todo o tipo de edifícios públicos e privados, civis e militares. No campo da religião, regista-se a sobrevivência de divindades primitivas ao lado de [[Mitologia Romana|divindades romanas]], por vezes, também adoradas.
 
==Bibliografia==
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