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'''Cine-Teatro Garrett''', primitivamente e historicamente denominado '''Teatro Garrett''' ou '''Theatro Garrett''', é um [[teatro]] localizado na cidade da [[Póvoa de Varzim]], em [[Portugal]]. Localiza-se junto ao [[Largo David Alves]] no número 13 na que é hoje denominada rua José Malgueira, antiga rua da Senra.
 
O Garrett foi entre os teatros da Póvoa o que teve maior impacto social e longevidade. No final do século XX, com a popularidade dos cinemas, passou a designar-se Cine-Teatro Garrett, designação escolhida pelo município, se bem que tenha sido sempre conhecido apenas como Garrett.
 
Pelo Garrett passaram o que havia de melhor no teatro português: [[João Villaret]], [[Laura Alves]], [[Ruy de Carvalho]] e o brasileiro [[Procópio Ferreira]]. Actuavam também no Teatro Garrett, osquestras ligeiras e sinfónicas, tunas, espectáculos de variedades e grandes comícios políticos e conferências.<ref name="poveirinhos">{{Referência acitar livro | autor = Azevedo, José de | título = Poveirinhos pela Graça de Deus | editora = Na Linha do horizonte - Biblioteca Poveira CMPV | ano = 2007}}</ref>
 
==História==
===Origens e apogeu===
[[File:Companhia de Variedades.jpg|thumb|Apresentação de artista da Companhia de Variedades, do Águia d'Ouro, Porto, no Teatro Garrett durante o final de Agosto de 1913. Durante esse mês, o Garrett recebeu espetaculos das Companhias «Grande Guignol» e do [[Teatro da Avenida|Theatro d`Avenida]], ambas de Lisboa, além de artistas estrangeiros.]]
O primitivo Teatro Almeida Garrett surgiu por iniciativa de uma sociedade de cinco cidadãos do [[Porto]], que levou à edificação do teatro num elegante edifício de madeira em 22 de Agosto de 1873 na [[Praça do Almada]].<ref name="monograf">{{Referência acitar livro | autor = Baptista de Lima, João | título = Póvoa de Varzim - Monografia e Materiais para a sua história | editora = Na Linha do horizonte - Biblioteca Poveira CMPV | ano = 2008}}</ref> O Teatro homenageia [[Almeida Garrett]], impulsionador do teatro em Portugal, cuja ligação à Póvoa advém do seu amigo pessoal, o poveiro [[Francisco Gomes de Amorim]]. Na sua estadia na Póvoa, Garrett encontrou inspiração para escrever [[Frei Luís de Sousa (peça teatral)|Frei Luís de Sousa]].<ref name="monograf"/> Em 4 de Setembro de 1876, foi construído, também em madeira, o Teatro Sá da Bandeira. Este teatro funciona no gaveto da Rua do Norte (hoje Rua da Alegria) com o Largo do Rego (hoje Largo David Alves). A popularidade da Póvoa de Varzim como eminente instância balnear, leva à construção de um edifício perene para o teatro, o ''Theatro Garrett'', em 1890, em terreno próximo do velho Teatro Sá da Bandeira, levando à demolição deste. Para o Teatro Garrett transitaram quase todos os grandes actores portugueses e artistas com fama mundial .
 
Um espaço fundamental para a sociedade poveira da época, com impacto também no Norte de Portugal, que à Póvoa vinham a banhos, muitos foram os que assistiram no Teatro Garrett, pela primeira vez nas suas vidas, a peças de teatro, cinema e concertos. Várias acções beneméritas foram ali organizadas. O antigo e célebre monumento ao [[Cego do Maio]], um herói local condecorado pelo Rei [[Luis I de Portugal|D. Luís I]], erigida em 1906, foi construída com o dinheiro necessário obtido localmente por meio de subscrições e de espectáculos organizados pelo [[Clube Naval Povoense]] no Teatro Garrett.
 
===O Orfeon Povoense===
[[FileImagem:Teatro Garrett-Panfleto.jpg|thumb|Panfleto do Teatro Garrett apresentando o Orfeon Povoense em 1915.]]
No dia 25 de Abril de 1915, o [[Orfeon Povoense]] (mais tarde Orfeão Poveiro), dirigido por [[Josué Trocado]], fez a sua primeira apresentação em público no Teatro Garrett. O espectáculo abre com a Tuna dos Empregados do Comércio na marcha ''O Poveiro'' de Josué Trocado. Na segunda parte prossegue com o Orfeon Povoense, com a "''Cantata''", hino do Orfeão, a "''A Bailadeira Oriental''" de H. Weyts, a "''A Vindima''" de [[Josué Trocado]] e a tradução por Josué Trocado do "''Coro dos Caçadores''", de [[Der Freischütz]] de [[Carl Maria von Weber|Weber]]. Na terceira parte, teatro com a comédia "o Caloiro" pelo Colégio Povoense.
 
Na verdade, o Orfeon Povoense, tinha surgido, literalmente, de um sonho de Viriato Barbosa "''Era no Garrett!''", contava. "''Estavam as bancadas… ocupadas por toda a rapaziada, a fina flor da nossa Póvoa que em orfeão entoava a «overture» do «Navio Fantasma» de Wagner… Ao centro do palco… destacava-se a correcta regência daquele orfeon, um cavalheiro que… se evidenciou na originalidade da sua música… Seguia-se um trecho alegre de Rossini…, depois de Weber…, e logo um desespero de Schumann…; e ainda Chopin… Acordei e depois desse sonho fantasiei-o em realidade! Sim. Tornei esse meu sonho d'um Orfeon Povoense, um facto, e daí desejando provas palpáveis, escrevi-o, procurando insuflá-lo no espírito de quem ler, e incuti-lo em quem se julgue de ânimo forte para o realizar.''" E, essa pessoa foi Josué Trocado.<ref>[Auto de Colocação da 1ª Pedra (de 20 de Novembro de 1921] - Arquivo Municipal da Póvoa de Varzim</ref>
 
===Teatro de Revista===
O teatro ligeiro era especialmente popular e o Teatro Garrett teve muitas noites de sucesso graças a esta forma teatral cuja matéria-prima era a crítica ao poder e a face anedótica da política local e nacional. Se nomes nacionais como Laura Alves, [[Ivone Silva]] e [[Eugénio Salvador]] faziam vibrar o público, era a poveira Clarice Marques, uma mulher do povo sem formação dramática, que causava grande impacto entre o público local e que popularizou este género teatral na Póvoa de Varzim.<ref name="poveirinhos"/>
 
Descendente de pescadores poveiros e nascida na [[Rua dos Ferreiros]], Clarice era conhecida pelo seu sotaque poveiro, o vocabulário local e os perfeitos trejeitos de uma verdadeira pescadeira e com um humor notável criava grande impacto entre o público, merecendo elogios do encenador António Pedro e de profissionais brasileiros como [[Lucinha Lins]] e [[Ary Fontoura]] que contracenaram com a actriz amadora em 1988 em ''Esta Póvoa que eu Amo''. Foi na opereta ''Maria'', com apenas 16 anos, que começou no teatro. A sua estreia deu-se em 1961 com a Revista ''Espera que já comes..'', levando ao riso a plateia. No ano seguinte, leva a plateia às lágrimas durante o monólogo ''Aquela Música'', com a ''Serenata de Schubert'' como música de fundo. Numa nova revista onde o seu nome constava, o Teatro Garrett esgotava.<ref name="poveirinhos"/>
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