Diferenças entre edições de "Pompeu"

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|local da morte =[[Pelúsio]]
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'''Cneu Pompeu Magno''' (106&ndash;{{AC|48|x}}; {{langx|la|''Gnaeus Pompeius Magnus''}}), conhecido simplesmente como '''Pompeu''' ou '''Pompeu Magno''',<ref>Smith, Pompeius (10).</ref>, foi um político da [[gente (Roma Antiga)|gente]] [[Pompeus|Pompeia]] da [[República Romana]] eleito [[Cônsul (Roma Antiga)|cônsul]] por três vezes, em 70, 55 e {{AC|52|x}}, com [[Marco Licínio Crasso]] nas duas primeiras vezes e [[Quinto Cecílio Metelo Pio Cipião Násica]] na última, com um período de um mês no qual não teve parceiro com poderes extraordinários. Pompeu era oriundo de uma rica família provincial e seu pai, [[Cneu Pompeu Estrabão]], cônsul em {{AC|89|x}}, foi o primeiro de sua família a alcançar a posição consular. Seu imenso sucesso como general ainda muito jovem abriu caminho para que ocupasse seu primeiro consulado sem seguir o caminho normal do ''[[cursus honorum]]'', a carreira esperada de um [[magistratura romana|magistrado]]. Foi também um vitorioso comandante durante a [[Segunda Guerra Civil de Sula]], que conferiu-lhe o [[cognome]] "Magno" ("o Grande"). Celebrou três [[triunfo romano|triunfos]] por conta de suas vitórias.
 
Em meados da década de {{AC|60|x}}, Pompeu se juntou a Crasso e a [[Júlio César]] na aliança político-militar extra-oficial conhecida como [[Primeiro Triunvirato]], selado com o casamento de Pompeu com a filha de César, [[Júlia (filha de Júlio César)|Júlia]]. Depois das mortes de Júlia e Crasso, Pompeu se aliou ao partido dos ''[[optimates]]'', a facção conservadora do [[senado romano]]. Pompeu e César lutaram então pela liderança do Estado Romano, o que levou à [[Segunda Guerra Civil da República Romana|guerra civil]] entre os dois. Quando Pompeu foi derrotado na [[Batalha de Farsalos]] ({{AC|52|x}}), ele tentou se refugiar no [[Reino Ptolemaico|Egito]], mas foi assassinado ao chegar. Sua carreira e sua derrocada final foram eventos importantes na transformação da [[República Romana]] no [[Principado romano|Principado]], a fase inicial do [[Império Romano]].
== Primeiros anos e início da carreira política ==
[[Imagem:Picenum.jpg|thumb|direita|upright=1|Mapa da região de [[Piceno]], a base de poder de Pompeu e de seu pai, o famoso general [[Cneu Pompeu Estrabão]]]]
A família de Pompeu alcançou a posição consular em {{AC|89|x}}. O pai de Pompeu, [[Cneu Pompeu Estrabão]], era um rico [[Cidadania romana|cidadão romano]] proprietário de terras na região de [[Piceno]]. Seguindo o tradicional ''[[cursus honorum]]'', tornou-se [[questor]] em {{AC|104|x}}, [[pretor]] em {{AC|92|x}} e cônsul em {{AC|89|x}}. Durante sua vida política conseguiu uma reputação de ganância, pelo jogo duplo na política e pela crueldade militar. Ele apoiou o grupo tradicionalista dos ''[[optimates]]'' liderado por [[Sula]] contra o grupo dos ''[[populares]]'' de [[Caio Mário]] na [[Primeira Guerra Civil da República Romana|guerra civil entre os dois]].<ref name="penelope.uchicago.edu">[[Apiano]], ''Guerras Civis'' [http://penelope.uchicago.edu/Thayer/E/Roman/Texts/Appian/Civil_Wars/1*.html 1.9.80]</ref>.
 
Estrabão morreu durante o cerco de Mário contra Roma em {{AC|87|x}}, seja por causa de uma epidemia, ou atingido por um raio ou ainda por uma combinação dos dois efeitos.<ref name="penelope.uchicago.edu"/>. No relato de [[Plutarco]], seu corpo foi arrastado de seu esquife pela multidão.<ref>[[Plutarco]], ''[[Vidas Paralelas (Plutarco)|Vidas Paralelas]]'', [http://penelope.uchicago.edu/Thayer/E/Roman/Texts/Plutarch/Lives/Pompey*.html ''Pompeu'', 1.]</ref><ref>[[Veleio Patérculo]], [http://penelope.uchicago.edu/Thayer/E/Roman/Texts/Velleius_Paterculus/2A*.html#21 ''História Romana'' 2, 21.]</ref>. Pompeu, com vinte e um anos na época, herdou suas propriedades, sua afiliação política e, principalmente, a lealdade das legiões comandadas por Estrabão.
 
Pompeu havia servido dois anos sob o comando do pai e participou dos movimentos finais da [[Guerra Social (91–88 a.C.)|Guerra Social]] contra as [[Lista de povos itálicos|tribos itálicas]]. Ele voltou a Roma e foi processado por ter sido acusado de apropriação indébita dos saques, mas seu noivado com uma das filhas do juiz do caso, [[Antístia]], assegurou sua rápida absolvição.<ref>[[Plutarco]], ''[[Vidas Paralelas (Plutarco)|Vidas Paralelas]]'', pg 126</ref>.
 
Nos anos seguintes, os [[Caio Mário|marianos]] [[Regnum Cinnanum|tomaram posse]] da [[Itália (província romana)|Itália]].<ref>Boak, History of Rome, pgs 145-6</ref>. Quando Sula retornou de [[Primeira Guerra Mitridática|sua campanha]] contra{{lknb|Mitrídates|VI|do Ponto}}, em {{AC|83|x}}, Pompeu arregimentou três legiões em Piceno para apoiá-lo contra o regime mariano comandado por [[Cneu Papírio Carbão]].<ref>[[Dião Cássio]] descreve esse alistamento como de um "pequeno bando": [[Dião Cássio]], [http://penelope.uchicago.edu/Thayer/E/Roman/Texts/Cassius_Dio/30-35*.html ''História Romana'' 33, frag. 107]</ref>.
 
Sula e seus aliados expulsaram os marianos da Itália em Roma e Sula, já [[ditador romano|ditador]] (o primeiro em mais de um século), ficou impressionado com o desempenho e auto-confiança do jovem Pompeu. Sula chamou-o de ''[[imperator]]'' e ofereceu-lhe sua enteada, [[Emília Escaura]], em casamento. Emília &mdash; já casada e grávida &mdash; divorciou-se de seu marido e Pompeu, de Antístia, sua primeira esposa{{Efn|O primeiro marido de Emília já era desafeto de Sula por tê-lo criticado.}}. Embora Emília tenha morrido no parto logo em seguida, o casamento confirmou a lealdade de Pompeu e ajudou muito na sua carreira.<ref>[[Plutarco]], ''[[Vidas Paralelas (Plutarco)|Vidas Paralelas]]'', pg. 136</ref>.
 
== Sicília e África ==
{{AP|Segunda Guerra Civil de Sula}}
Com a guerra na Itália encerrada, Sula enviou Pompeu para enfrentar os marianos na [[Sicília romana|Sicília]] e na [[África (província romana)|África]].<ref>[[Plutarco]], ''[[Vidas Paralelas (Plutarco)|Vidas Paralelas]]'', pg. 141</ref>. Em {{AC|82|x}}, Pompeu conquistou a Sicília, o que garantia os [[suprimentos de cereais da cidade de Roma]], executando imediatamente [[Cneu Papírio Carbão]] e seus aliados, o que provavelmente lhe garantiu a alcunha de ''"adulescens carnifex"'' ("açougueiro adolescente").<ref>[[Valério Máximo]], [http://www.thelatinlibrary.com/valmax6.html Facta et dicta memorabilia'', 6.2.8]</ref>. Em {{AC|81|x}}, Pompeu seguiu para a África e derrotou [[Cneu Domício Enobarbo (morto em 81 a.C.)|Cneu Domício Enobarbo]], genro de [[Cina]], e o [[rei númida]] Hiarbas depois de uma dura batalha.<ref>[[Plutarco]], ''[[Vidas Paralelas (Plutarco)|Vidas Paralelas]]'', pgs. 143-5</ref>.
 
[[Imagem:Pompeius Magnus 83-81.png|thumb|esquerda|upright=1.3|Mapa das Campanhas de Pompeu contra os [[Caio Mário|marianos]] entre 83 e {{AC|81|x}}, na África e na Sicília]]
 
Depois desta série de vitórias, Pompeu foi proclamado ''[[imperator]]'' por suas tropas no campo de batalha africana. De volta a Roma, recebeu uma entusiástica recepção popular e foi chamado de "Magno" ("o Grande") &mdash; provavelmente como reconhecimento de suas inquestionáveis vitórias e à sua popularidade. Porém, parece evidente a relutância de Sula ao fazê-lo. O jovem general era, oficialmente, ainda um mero ''"[[privatus]]"'' ("cidadão privado") e não havia ocupado ainda nenhum cargo oficial no ''[[cursus honorum]]''. O título pode também ter sido uma forma de reduzir o sucesso de Pompeu, que o utilizou apenas mais para frente em sua carreira.<ref>[[Plutarco]], ''[[Vidas Paralelas (Plutarco)|Vidas Paralelas]]'', pg 148&nbsp;– 149.</ref>.
 
Quando Pompeu exigiu um [[triunfo romano|triunfo]] por suas vitórias africanas, Sula recusou, pois seria um ato sem precedentes e até ilegal homenagear um jovem ''privatus'' &mdash; legalmente, Pompeu sequer poderia ter legiões privadas. Pompeu se recusou a aceitar esse desfecho e apareceu nos portões de Roma esperando a homenagem, obrigando Sula a ceder e conceder-lhe a homenagem.<ref>[[Plutarco]], ''[[Vidas Paralelas (Plutarco)|Vidas Paralelas]]'', pg. 149</ref>. Porém, Sula também realizou seu próprio triunfo primeiro, depois permitiu que [[Quinto Cecílio Metelo Pio]] realizasse o dele e deixou o triunfo extra-legal de Pompeu em terceiro lugar na sucessão de triunfos{{Efn|A idade, seu [[ordem equestre|status equestre]] e sua vitória sobre inimigos romanos já seriam suficientes para desqualificar seu triunfo. O consentimento de Sula, formalizado pelo obediente senado na forma de uma "permissão republicana", tornou o ato "não tradicional" e, no sentido estrito, ilegal, mas um triunfo ainda assim.<ref>Mary Beard, The Roman Triumph, The Belknapp Press, 2007. 16&nbsp;– 17.</ref>.}}.
 
No dia da realização do triunfo, Pompeu tentou brilhar mais que seus companheiros mais seniores desfilando numa carruagem triunfal puxada por um [[elefante africano|elefante]], representando suas vitórias na exótica África. Os elefantes, porém, não passavam pelo portão e algum replanejamento de momento foi necessário, o que acabou embaraçando Pompeu e divertindo a plateia.<ref>[[Plutarco]], ''[[Vidas Paralelas (Plutarco)|Vidas Paralelas]]'', pg. 151</ref>. Os historiadores acreditam que sua recusa em ceder aos pedidos quase amotinados de suas tropas por recompensas em dinheiro teriam impressionado Sula e os conservadores em Roma, o que ajudou ainda mais a sua ascensão na hierarquia política e militar romana.
 
== Sertório e Espártaco ==
{{AP|Terceira Guerra Servil}}
A carreira de Pompeu parece ter sido orientada pelo desejo de glória militar e pelo seu desprezo pelas tradições políticas vigentes.<ref>Holland, Rubicon, pgs. 141-42</ref>. Num ato político muito comum na época, Pompeu casou-se com a enteada de Sula, [[Múcia Tércia]].<ref>{{Citecitar journalperiódico|title título= Pompey|url = http://www.ancient.eu/pompey/}}</ref>. Porém, nas eleições consulares de {{AC|78|x}}, Pompeu apoiou [[Marco Emílio Lépido (cônsul em 78 a.C.)|Marco Emílio Lépido]] contra a vontade de Sula, que o removeu de seu testamento. Sula morreu no mesmo e, quando Lépido se revoltou, foi Pompeu que sufocou sua rebelião a pedido do Senado. Logo depois, Pompeu pediu ao senado um [[governador romano|governo]] [[procônsul|proconsular]] na [[Hispânia]] para lidar com o último general ''popular'', [[Quinto Sertório]], que vinha resistindo já havia três anos às investidas de [[Quinto Cecílio Metelo Pio]], um dos mais habilidosos generais sulanos.<ref name="Plutarch, Life of Pompey, pg. 158">[[Plutarco]], ''[[Vidas Paralelas (Plutarco)|Vidas Paralelas]]'', pg. 158</ref>.
 
A aristocracia romana o rejeitou, pois passou a temer o jovem, popular e vitorioso general, que se mostrou ser também ambicioso. Pompeu resolveu resistir e se recusou a desmobilizar suas legiões até que seu pedido fosse atendido.<ref name="Plutarch, Life of Pompey, pg. 158"/>. O senado relutantemente concordou, concedendo-lhe o título e poderes de procônsul, iguais aos de Metelo, e enviou-o a Hispânia.<ref>Boak, History of Rome, pg. 152</ref>. No caminho, Pompeu passou um ano subjugando tribos rebeldes no sul da [[Gália]] e organizando a [[província romana|província]].<ref>[[Cícero]], ''Pro lege Manilia''</ref>.
 
Pompeu ficou na Hispânia entre 76 e {{AC|71|x}} e, por um longo tempo, não conseguiu encerrar a [[Guerra Sertoriana]] por conta das tática de [[guerrilha]] de Sertório. Apesar de não ter conseguido derrotar decisivamente o general rebelde, Pompeu venceu várias campanhas contra seus oficiais subordinados e gradualmente assumiu a vantagem sobre ele numa dura [[guerra de atrito]]. Sertório foi se enfraquecendo cada vez mais e, por volta de {{AC|74|x}}, Metelo e Pompeu estavam conquistando cidade após cidade numa sequência de vitórias.<ref name="Boak, History of Rome, pg. 153">Boak, History of Rome, pg. 153</ref>. Em {{AC|72|x}}, os sertorianos controlavam pouco mais do que a [[Lusitânia]] e muitos de seus soldados estavam desertando.
 
Pompeu conseguiu finalmente esmagar os ''populares'' depois que Sertório foi assassinado por um de seus próprios oficiais, [[Marco Perperna Ventão]], que foi derrotado por Pompeu em sua primeira batalha. No início de {{AC|71|x}}, todo o exército da Hispânia se rendeu.<ref name="Boak, History of Rome, pg. 153"/>. Pompeu revelou então se talento para a organização eficiente e administração justa da província conquistada, estendendo seu [[patrocínio na Roma Antiga|patrocínio]] por toda a Hispânia e no sul da Gália.<ref>Holland, Rubicon, pg. 142</ref>. Em algum momento do mesmo ano, partiu para a Itália com seu exército.
 
Enquanto isto, Crasso estava lutando contra [[Espártaco]] para sufocar a [[Terceira Guerra Servil]]. Crasso derrotou-o, mas, em sua marcha até Roma, Pompeu encontrou alguns remanescentes do exército dele. Depois de capturar cerca de {{fmtn|5000}} deles, Pompeu reivindicou para si a glória pelo fim da revolta, o que enfureceu Crasso.<ref>Holland, Rubicon, pgs. 150-51</ref>.
 
De volta a Roma, Pompeu era muito popular. Em 31 de dezembro de {{AC|71|x}}, celebrou seu segundo [[triunfo romano|triunfo]], desta vez por suas vitórias na Hispânia e, pela primeira vez, legalmente. Para seus aliados, Pompeu era o mais brilhante general de sua época, claramente merecedor da graça divina e um possível campeão dos direitos dos romanos. Ele havia enfrentado [[Sula]] e seu senado com sucesso e ele, ou sua influência, eram vistos como os únicos capazes de restaurar os direitos e privilégios da [[plebe romana|plebe]] perdidos durante a ditadura de Sula.
[[Imagem:Bellum piraticum Pompeii 67 aC.png|thumb|upright=1.3|Mapa da [[Campanha de Pompeu contra os piratas]] em {{AC|67|x}}]]
 
Dois anos depois de seu consulado, Pompeu recebeu o comando de uma força-tarefa naval cujo objetivo era eliminar a [[pirataria]] no [[mar Mediterrâneo]]. Os ''[[optimates]]'', a facção conservadora do senado se mostrou desconfiada e desgostosa em relação a esta nomeação, que parecia, novamente, ilegal ou, pelo menos, extraordinária.<ref name="Boak, History of Rome, pg. 160">Boak, History of Rome, pg. 160</ref>. Os aliados de Pompeu neste caso, incluindo [[Júlio César]], eram a minoria, mais o apoio mais amplo foi conseguido pelo [[tribuno da plebe]] [[Aulo Gabínio]], que propôs a ''[[Lex Gabinia]]'', pela qual Pompeu assumiria o controle do mar e das costas até cinquenta [[milha romana|milhas]] para o interior. Esta lei colocou Pompeu acima de todos os demais líderes militares no oriente e passou, apesar de uma veemente oposição, no senado.
 
Segundo os historiadores romanos, piratas frequentemente saqueavam as cidades costeiras da Grécia, da [[Ásia (província romana)|Ásia]] e da própria Itália. A natureza e a proporção da ameaça são questionáveis, mas qualquer ameaça ao [[Suprimentos de cereais da cidade de Roma|suprimento de cereais para Roma]] costumava tomar grandes proporções na época. A opinião pública na capital e os aliados de Pompeu podem ter exagerado o problema justamente para conseguir uma resposta exagerada. Vários povoados, povos e [[cidade-estado|cidades-estado]] na costa do Mediterrâneo haviam coexistido por diversos séculos e a maioria operava flotilhas para a guerra ou para o comércio de bens, inclusive de escravos. A aliança entre elas era vaga e temporária; apenas algumas se enxergarem como nações ''per se''.<ref name="books.google.co.uk">De Souza, 149&nbsp;– 179. Versão online limitada em [https://books.google.com/books?id=SOK-Jh1Zuk4C&pg=PA176&lpg=PA176&dq=Pompey+pirates+Cilicia&source=bl&ots=hQQD-ajV8Z&sig=0ZBzK2OAZJ_p_JFPYgKp4motCTg&hl=en&ei=xn5wS72eAcK7jAeM_NzqBg&sa=X&oi=book_result&ct=result&resnum=5&ved=0CBMQ6AEwBDge#v=onepage&q=Pompey%20pirates%20Cilicia&f=false]</ref>.
 
Com a crescente hegemonia romana, as economias marítimas ainda independentes no Mediterrâneo se viram em posição cada vez mais marginal e um bom número delas pode de fato ter recorrido à pirataria. Enquanto elas conseguissem atender à demanda crescente de Roma por escravos, deixassem seus aliados e territórios em paz e não ajudassem seus inimigos, eram toleradas. Algumas delas desistiram.<ref name="books.google.co.uk"/>. Mas medo da pirataria era forte &mdash; e estes mesmos piratas, como mais tarde se alegaria, haviam ajudado Sertório.
 
No final do inverno, os preparativos estavam encerrados. Pompeu alocou um [[legado]] em cada uma das treze áreas determinadas e enviou-lhes com suas frotas. Em quarenta dias, o Mediterrâneo ocidental estava livre.<ref name="Boak, History of Rome, pg. 160"/>. [[Dião Cássio]] relata que as linhas de comunicação entre Hispânia, África e Itália foram re-estabelecidas{{efn|Provavelmente uma referência ao suprimento de cereais; a extensão desta interrupção antes da campanha de Pompeu é desconhecida. Esta referência à Hispânia pode estar relacionada com a revolta e resistência de Sertório &mdash; ajudado, em alguns relatos por "[[piratas cilicianos]]" &mdash; ou o resultado de seu fim.}} e que Pompeu, em seguida, voltou sua atenção para a maior e mais poderosa destas alianças marítimas, localizada na costa da [[Cilícia]]{{Efn|Uma região que compreende, a grosso modo, à costa sul da moderna Turquia. Antes uma província [[Império Selêucida|selêucida]], na época de Pompeu e por algum tempo ainda, era um território semi-independente cuja soberania era debatida pelos estados gregos vizinhos. A região resistia a qualquer reivindicação, mas acabou sendo incorporada à [[República Romana]].}}. Depois de derrotar sua frota, Pompeu forçou a região à rendição com promessas de perdão. Depois de assentar muitos piratas capturados em [[Soli (Cilícia)|Soli]], a cidade foi rebatizada como "Pompeiópolis".<ref>[[Dião Cássio]], ''História Romana'', pg. 63</ref>.
 
De Souza afirma que Pompeu já havia oficialmente retornado os cilicianos às suas próprias cidades (e não a Soli), que eram bases ideais para a pirataria e não, como afirmou Dião, pela honorável reforma de piratas em fazendeiros. Toda a campanha de Pompeu seria, desta forma, colocada em questão e sua descrição como uma "guerra" seria uma [[hipérbole (figura de estilo)|hipérbole]]. Alguma forma de tratado ou suborno é mais provável, tendo Pompeu na figura de principal negociador, uma prática comum, mas pouco gloriosa e raramente reconhecida, pois dos generais romanos esperava-se que lutassem e vencessem guerras. Uma década depois, nos anos {{AC|50|x}}, os cilicianos e os piratas em geral continuavam a ser uma ameaça às rotas comerciais de Roma.<ref>De Souza, 176 ff.</ref>.
 
Em Roma, porém, Pompeu virou um herói; novamente ele garantiu o suprimento de cereais da cidade. Segundo [[Plutarco]], no final do verão de {{AC|66|X}}, suas forças já haviam removido do Mediterrâneo todas as ameaças. Pompeu foi aclamado como o maior dos romanos, ''"[[primus inter pares]]"'' ("primeiro entre iguais"). [[Cícero]] não conseguiu resistir e escreveu um [[panegírico]]:
{{Citação2|Pompeu realizou seus preparativos para a guerra no final do inverno, iniciou-a no começo da primavera e terminou-a no meio do verão.|[[Cícero]]|''pro Lege Manilia'', 12<ref>[[Cícero]], ''pro Lege Manilia'', 12 ou ''De Imperio Cn. Pompei'' (favorável à [[Lex Manilia]]'' sob o comando extraordinário de Pompeu"''), 66 BC.</ref>}}
 
A rapidez e eficiência de sua campanha provavelmente garantiram a Pompeu seu próximo e ainda mais impressionante comando, o da antiga guerra contra [[Mitrídates VI do Ponto|Mitrídates VI]] do [[Reino do Ponto|Ponto]]. Na década de {{AC|40|x}}, [[Cícero]] comentaria de forma menos favorável sobre a campanha contra os piratas e, especialmente, sobre o fracassado "assentamento" em Soli (Pompeiópolis): ''"damos imunidade aos piratas e fazemos nossos aliados pagarem o preço"''.<ref>[[Cícero]], ''Sobre os Deveres'' 3.49; citado em De Souza, 177.</ref>.
 
== Pompeu no oriente ==
[[Imagem:Roma in Oriente 62aC.png|thumb|upright=1.3|Mapa do oriente depois das campanhas de Pompeu, já mostrando as novas províncias criadas por ele]]
 
Pompeu passou o resto do ano e começo do próximo visitando as cidades das [[Cilícia]] e da [[Panfília]] ajudando no estabelecimento do governos dos territórios recém-conquistados. Em sua ausência de Roma ({{AC|66|x}}), foi nomeado para suceder a [[Lúcio Licínio Lúculo]] como comandante da [[Terceira Guerra Mitridática]] contra {{lknb|Mitrídates|VI|do Ponto}}, o [[rei do Ponto]]. A troca do comando foi proposta pelo [[tribuno da plebe|tribuno]] [[Caio Manílio]] em sua ''[[Lex Manilia]]'', apoiada por César e justificada por [[Cícero]] em seu discurso, ainda existente, ''"[[Pro Lege Manilia]]"''.<ref>Pompey, the Roman Alexander,P Greenhalg p101-4</ref>. Seu cunhado, [[Quinto Cecílio Metelo Céler]] serviu sob seu comando e seguiu-o em suas vitórias no oriente. Como no caso da ''Lex Gabinia'', esta lei também foi duramente criticada pela aristocracia, mas acabou aprovada ainda assim.
 
Lúculo, um nobre de [[plebe romana|família plebeia]], ficou furioso por ser substituído por um descendente de um "[[homem novo]]" como Pompeu e os dois trocaram insultos. Lúculo chamou Pompeu de "abutre", por se alimentar do trabalho de outros, uma referência não apenas ao recém-conquistado comando da guerra contra Mitrídates, mas também por sua alegação de ter terminado a [[Guerra Servil de Espártaco]], que foi vencida principalmente pelas campanhas de [[Crasso]].<ref>Pompey, the Roman Alexander,P Greenhalg p107</ref>.
 
Com a aproximação de Pompeu, Mitrídates estrategicamente recuou suas forças. Porém, Pompeu conseguiu cercar seu acampamento, mas não pôde evitar que inimigo rompesse sua linha de cerco para avançar mais fundo para o oriente. Mas, depois, perto da [[Reino da Armênia (Antiguidade)|Armênia]], Pompeu conseguiu surpreender o exército pôntico com um corajoso ataque noturno e praticamente destruiu-o, deixando o rei sem outra opção que não a fuga desordenada. [[Tigranes, o Grande]], rei da Armênia, concedeu-lhe refúgio e ajudou-o a chegar aos seus próprios domínios no [[Estreito de Querche|Bósforo Cimério]]. Pompeu assegurou um tratado com Tigranes e, no ano seguinte, retomou a perseguição a Mitrídates, mas [[Campanha de Pompeu na Ibéria e Albânia|encontrou resistência]] entre os [[Reino da Ibéria|iberos]] e [[Albânia caucásica|albaneses]] [[Cáucaso|caucasianos]]. Os romanos venceram uma série de vitórias decisivas sobre eles perto dos rios Abas e Ciro (''"Cyrus"'') e em [[Seusamora]], destruindo seus exércitos.<ref>''Pompey'', Eric Teyssier</ref>. Pompeu seguiu então até [[Falis (cidade)|Falis]], na [[Cólquida]], e reuni-se com seu [[legado]] Servílio, o almirante da [[marinha romana|frota]] [[Ponto Euxino|euxina]] ("Mar Negro"), antes de derrotar definitivamente Mitrídates.<ref name="Boak, History of Rome, pg. 161">Boak, History of Rome, pg. 161</ref>.
 
A partir daí, Pompeu voltou pelo caminho que chegou, passou o inverno no [[Reino do Ponto]], que transformou na nova [[província romana]] do [[Ponto (província romana)|Ponto]]. Em {{AC|64|x}}, Pompeu marchou até a [[Síria selêucida]], depôs seu rei, [[Antíoco XIII Asiático]], e também transformou o território numa nova província.<ref name="Boak, History of Rome, pg. 161"/>. Em {{AC|63|x}}, Pompeu seguiu para o sul e consolidou a supremacia romana na [[Fenícia romana|Fenícia]] e na [[Celessíria]]{{Efn|As cidades helênicas da região, especialmente as cidades da [[Decápole (Palestina)|Decápole]], utilizavam um calendário que iniciava a contagem de datas a partir da conquista de Pompeu (vide [[Era de Pompeu]]).}}.
 
Na [[Reino da Judeia|Judeia]], Pompeu interveio na guerra civil entre [[Hircano II]], que apoiava os [[fariseus]], e [[Aristóbulo II]], que apoiava os [[saduceus]]. Os exércitos de Pompeu e Hircano II [[cerco de Jerusalém (63 a.C.)|cercaram Jerusalém]] e, depois de três meses, conquistaram a cidade{{Efn|Apesar disto, Aristóbulo II sobreviveria tempo suficiente para usurpar, por um curto período de tempo, a coroa de Hircano II, que acabou sendo executado muito mais tarde, em {{AC|31|x}}, pelo [[Herodes, o Grande|rei Herodes I]].}}.
[[Imagem:Pompée dans le Temple de Jérusalem.jpg|thumb|esquerda|upright=1|Pompeu no interior do [[Segundo Templo|Templo de Jerusalém]]. Apesar de ter entrado no [[Santo dos Santos]], o mais sagrado recinto do Templo, Pompeu deixou intactos os tesouros e costumes do Templo.<br><small>{{ca.}} 1470. Por [[Jean Fouquet]]</small>]]
 
Durante a guerra na Judeia, Pompeu soube do suicídio de Mitrídates; seu exército o havia desertado para apoiar seu filho, [[Fárnaces II do Ponto|Fárnaces]].<ref name="Boak, History of Rome, pg. 161"/>. No total, Pompeu anexou quatro novas províncias à [[República Romana]] em sua campanha: [[Bitínia e Ponto]], [[Síria (província romana)|Síria]], [[Cilícia (província romana)|Cilícia]] e [[Creta (província romana)|Creta]]. Os protetorados romanos na Ásia passaram a se estender até o mar Negro e o Cáucaso. As vitórias militares de Pompeu, seus assentamentos políticos e anexações territoriais criaram uma nova fronteira romana no oriente.
 
== Volta a Roma e terceiro triunfo ==
Já existia um culto a Pompeu em [[Delos]] e ele era reverenciado como "salvador" em [[Samos]] e em [[Mitilene]]. [[Plutarco]] cita um ''[[graffiti]]'' numa parede em [[Atenas]] citando Pompeu: ''"Quanto mais você sabe que é um homem, mais você se torna um deus"''. Na Grécia, estas honras eram o padrão para os benfeitores de uma cidade; em Roma, elas pareceriam perigosamente monárquicas.<ref>In Beard, M., North, J., Price, S., ''Religions of Rome, Vol. 1, a history'', Cambridge University Press, 1998, 147.</ref>. Mas as notícias das vitórias de Pompeu no oriente &mdash; e provavelmente de suas honras divinas &mdash; chegaram a Roma antes dele.
 
Na ausência de Pompeu, seu antigo aliado, [[Cícero]], havia conseguido o consulado. Seu antigo inimigo e colega de função, [[Crasso]], apoiava César. No senado e na política por trás das cortinas, Pompeu era igualmente admirado, temido e excluído, enquanto que, nas ruas, estava no auge de sua popularidade. Suas vitórias no oriente valeram-lhe um terceiro [[triunfo romano|triunfo]] e, em seu quadragésimo-quinto aniversário, em {{AC|61|x}}, Pompeu dirigiu sua carruagem triunfal, posando como um magnífico deus-rei, mas em forma republicana, lembrando ritualisticamente a todos de sua mortalidade e impermanência. Ainda assim, Pompeu se fez acompanhar por um gigantes busto pintado de si próprio decorado com pérolas{{Efn|Os relatos tradicionais exageram, algo certo no caso do ouro, prata e donativos em moeda. [[Apiano]], por exemplo, cita uma quantia muito duvidosa de "{{fmtn|75100000}}" de [[dracma (moeda)|dracma]]s sendo carregadas na procissão, uma quantia que, em sua própria estimativa, correspondia a uma vez e meia toda a receita anual de impostos da República Romana<ref>[[Apiano]], ''Mitrídates'' 116.</ref><ref name="Mary Beard 2007, p9">Mary Beard, ''The Roman Triumph'', The Belknap Press of Harvard University Press, 2007, p.9.</ref>}}<ref name="ReferenceA">Beard, 16; [[Plutarco]], ''[[Vidas Paralelas (Plutarco)|Vidas Paralelas]]'', ''Sertório'' [http://penelope.uchicago.edu/Thayer/E/Roman/Texts/Plutarch/Lives/Sertorius*.html18, 2]; [[Cícero]], ''Pro Lege Manilia'' 61; [[Plínio, o Velho|Plínio]], ''[[História Natural (Plínio)|História Natural]] 7, 95.</ref>
 
Seja como for, este terceiro triunfo superou os anteriores; dois dias foram destacados para o desfile e os [[ludi|jogos]], algo sem precedentes. Espólios, prisioneiros, exércitos e estandartes retratando cenas de batalhas estavam por toda a rota triunfal, entre o [[Campo de Marte (Roma)|Campo de Marte]] e o [[Templo de Júpiter Capitolino]]. Para concluir, o próprio Pompeu ofereceu um imenso banquete triunfal e dinheiro para o povo de Roma, além de prometer um novo [[teatro romano|teatro]].<ref name="ReferenceA"/><ref name="Mary Beard 2007, p9"/>. Plutarco afirma que este triunfo representou o domínio de Pompeu (e de Roma) sobre o todo o mundo, uma conquista que superaria inclusive a de [[Alexandre, o Grande]].<ref>Beard, 15–16, citando [[Plutarco]], ''[[Vidas Paralelas (Plutarco)|Vidas Paralelas]]'', ''Pompeu'' 45, 5.</ref><ref name="ReferenceA"/>.
 
Neste ínterim, Pompeu prometeu aos seus veteranos [[ager publicus|terras públicas]] para se assentarem e debandou seus exércitos. Era um gesto tradicional e reconfortador para as tropas, mas o senado permaneceu desconfiado. Os senadores debateram e adiaram a criação de seus assentamentos no oriente<ref>[[Dião Cássio]], ''História Romana'', pg. 178</ref> e as prometidas concessões de terras. A partir daí, Pompeu parece ter trilhado por uma linha fina entre os seus entusiasmados aliados entre a população e os conservadores, que pareciam relutantes em reconhecer suas claras e indiscutíveis vitórias. O resultado seria um conjunto inesperado de alianças políticas.
Embora Pompeu e Crasso não confiassem um no outro, os proprietários de terra [[Cliente (Roma Antiga)|clientes]] de Crasso estavam sendo destratados ao mesmo tempo que os veteranos de Pompeu estavam sendo ignorados, o que os levou, já em {{AC|61|X}}, a uma aliança com [[Júlio César]], que era seis anos mais novo que Pompeu e estava retornado de seu mandato na [[Hispânia]] e pronto para concorrer ao consulado de {{AC|59|x}}. A aliança entre os três, posteriormente conhecida como "[[Primeiro Triunvirato]]", era benéfica aos três. Pompeu e Crasso fariam de César o novo cônsul e este, por sua vez, utilizaria seus novos poderes para avançar as causas que interessavam aos dois no Senado.
 
O consulado de César em {{AC|59|x}} conseguiu liberar as terras para os veteranos de Pompeu, confirmou seus assentamentos asiáticos e valeu-lhe uma nova esposa. [[Júlia (esposa de Pompeu)|Júlia]] era filha de César e as fontes afirmam que Pompeu se apaixonou por ela.<ref>Boak, History of Rome, pg. 167</ref>. No mesmo ano, [[Públio Clódio Pulcro|Clódio]] renunciou ao seu status de [[patrício romano|patrício]], foi adotado por uma [[gente romana|gente]] [[plebe romana|plebeia]] e foi eleito [[tribuno da plebe]]. No final de seu mandato consular, César assegurou para si um comando [[procônsul|proconsular]] na [[Gália]], seu grande desejo. Pompeu recebeu o [[governo romano|governo]] da [[Hispânia Ulterior]], mas permaneceu em Roma para supervisionar o [[suprimento de cereais para Roma|suprimento de cereais]] como [[curador da anona]].<ref name="Boak, History of Rome, pg. 169">Boak, History of Rome, pg. 169</ref>.
 
Apesar de sua preocupação com sua nova esposa, Pompeu gerenciou bem o suprimento de cereais de Roma. Mas sua habilidade política não era tão evidente. Quando Clódio se virou para ele, Pompeu se defendeu apoiando a volta de Cícero do exílio ({{AC|57|x}}). Uma vez em Roma, Cícero abandonou seu papel de defensor de Pompeu e de antagonista de Clódio, o que fez com que Pompeu se retraísse para sua amada e jovem esposa e para os grandiosos planos que tinha para seu novo teatro; não se esperava este tipo de comportamento de um jovem e brilhante general romano.<ref name="Boak, History of Rome, pg. 169"/>.
 
É possível que Pompeu estivesse igualmente obcecado, exausto e frustrado. Seu próprio partido não o perdoou por ter permitido a expulsão de Cícero e alguns tentaram persuadi-lo de que Crasso estava planejando matá-lo. Enquanto isso, César parecia estar claramente ultrapassando os dois, tanto no comando militar quanto na popularidade.
[[Imagem:Campus Martius - Theatre of Pompeius.jpg|thumb|esquerda|upright=1.5|Maquete do [[Teatro de Pompeu]], uma das principais obras de Pompeu em [[Roma]]]]
 
Em {{AC|56|x}}, os laços entre os três triúnviros estavam se rompendo.<ref name="Boak, History of Rome, pg. 169"/>. César convocou primeiro Crasso e, depois, Pompeu para um encontro secreto, conhecido depois como [[Concílio de Luca]], realizado na cidade italiana de [[Luca]], para que os três repensassem uma estratégia conjunta. Eles concordaram que Pompeu e Crasso concorreriam novamente para o consulado de {{AC|55|x}} e, uma vez eleito, os dois tratariam de estender o comando de César na Gália por mais cinco anos. No final do ano consular conjunto dos dois, Crasso teria para si o lucrativo e influente governo da [[Síria (província romana)|Síria]], e poderia utilizá-lo como base de sua planejada conquista do [[Império Parta]]. Pompeu manteria a Hispânia ''[[in absentia]]'', como já vinha fazendo.
 
No ano seguinte, Pompeu e Crasso foram eleitos cônsules num cenário de subornos, revoltas e violência eleitoral<ref>Boak, History of Rome, pg. 170</ref>O novo "[[Teatro de Pompeu]]" foi inaugurado no mesmo ano e foi o primeiro teatro permanente de Roma, uma gigantesca e arriscada obra arquitetônica, um complexo auto-suficiente no [[Campo de Marte (Roma)|Campo de Marte]], com lojas, edifícios multi-serviços, jardins e o [[Templo da Vênus Victrix]], uma deusa que ligava seu doador a [[Eneias]], um lendário descendente de Vênus e ascendente de Roma. No [[pórtico]], as estátuas, pinturas e as riquezas pessoais de reis estrangeiros podiam ser admirados pelo público, uma forma de manter vivo o "triunfo de Pompeu".<ref>Beard, 22-3.</ref>. Obviamente, seu teatro era o local ideal para encontros entre seus aliados, especialmente nas guerras civis subsequentes.
 
== Do confronto à guerra ==
[[Imagem:Pom004.jpg|thumb|upright=.75|O mais famoso busto de Pompeu, localizado na [[Gliptoteca Ny Carlsberg]], em [[Copenhague]], na [[Dinamarca]]]]
 
Em {{AC|54|x}}, Júlia, a única filha de César e esposa de Pompeu, morreu no parto juntamente com o bebê. Os dois compartilharam o luto e as condolências, mas a morte de Júlia acabou com o laço familiar que os unia.<ref>Holland, Rubicon, pg. 287</ref>. No ano seguinte, [[Crasso]], seu filho, [[Públio Licínio Crasso (filho do triúnviro)|Públio]] e a maior parte do exército romano que eles conduziam foram aniquilados pelos [[partas]] na [[Batalha de Carras]]. César, não Pompeu, transformou-se no novo grande general romano e o frágil equilíbrio de poder entre eles foi ameaçado. Mas a ansiedade popular acabou transbordando depois que rumores circularam de que Pompeu receberia uma proposta para se tornar [[ditador romano|ditador]] para manter a lei e a ordem.
 
César tentou uma segunda aliança matrimonial com Pompeu, oferecendo sua sobrinha neta, [[Otávia Menor|Otávia]] (irmã do futuro imperador [[Augusto]]). Desta vez, porém, Pompeu recusou. Em {{AC|52|x}}, ele se casou com [[Cornélia Metela (esposa de Pompeu)|Cornélia Metela]], viúva, ainda muito jovem de Públio, filho de Crasso, e filha de [[Metelo Cipião Násica]], um dos maiores inimigos de César. Pompeu estava, lentamente, voltando para a facção dos ''[[optimates]]'' e, presume-se, que estes acreditavam que ele seria o "menor dos dois males".
No mesmo ano, [[Públio Clódio Pulcro|Clódio]] foi assassinado. Quando seus aliados incendiaram a [[Cúria Hostília]], que servia de câmara senatorial em retaliação, o senado chamou Pompeu, que reagiu com eficiência cruel. Cícero, defendendo [[Tito Ânio Milão]], acusado de assassinato, ficou tão abalado pela visão de um [[Fórum Romano]] repleto de soldados armados que não conseguiu completar sua defesa.
 
Depois de restaurada a ordem, o senado e [[Catão, o Jovem]], conseguiram evitar que Pompeu recebesse a ditadura &mdash; eles lembraram de Sula e suas sangrentas [[proscrição|proscrições]] &mdash; e fizeram dele um cônsul solitário, o que lhe deu um poder amplo, mas limitado: um ditador não podia ser legalmente punido por medidas tomadas durante seu mandato, mas Pompeu, como cônsul, era responsável por seus atos na função. Este mandato extraordinário durou apenas um mês, o chamado "[[mercedônio|mês intercalar]]", e, no resto do ano, [[Metelo Cipião]] foi cônsul com ele.<ref name=Abb114>Abbott, 114</ref>.
 
Enquanto César lutava contra [[Vercingetórix]] na [[Gália]], Pompeu levou adiante sua agenda legislativa para Roma. Os detalhes sugerem uma aliança secreta com os inimigos de César: entre suas várias reformas legais e políticas estava uma lei que permitir o processo retroativo por suborno eleitoral. Os aliados de César interpretaram, corretamente, esta lei como uma ameaça a César assim que seu ''[[imperium]]'' terminasse. Pompeu também proibiu César de concorrer ao consulado ''[[in absentia]]'', um ato já ocorrido, sob as mesmas leis, no passado.
No começo da guerra, Pompeu se gabou de que poderia derrotar César e alistar seus exércitos apenas batendo seu pé em solo italiano, mas, na primavera de {{AC|49|x}}, com César [[travessia do Rubicão|atravessando o Rubicão]] e suas legiões marchando rapidamente pela península em direção a Roma, Pompeu ordenou que a capital romana fosse abandonada. Suas legiões recuaram para [[Brundísio]], mais ao sul, onde Pompeu pretendia recuperar suas forças para travar uma guerra contra César no oriente, utilizando seus recursos estratégicos lá e também a sua superior força naval. No processo de fuga, nem Pompeu e nem o senado pensaram em levar o vasto [[Erário de Roma|tesouro romano]] consigo, provavelmente por acreditar que César não teria coragem de tomá-lo para si. E ele estava convenientemente depositado no [[Templo de Saturno]] quando César entrou em Roma.
 
Escapando por pouco de César em Brundísio, Pompeu cruzou para o [[Epiro]], onde, durante a campanha hispânica de César, Pompeu juntou uma grande força por toda a [[Macedônia (província romana)|Macedônia]], composta por nove [[legião romana|legiões]] reforçadas por [[auxiliares romanos|auxiliares]] enviados pelos aliados no oriente.<ref name="Boak, History of Rome, pg. 176">Boak, History of Rome, pg. 176</ref>. Sua frota, recrutada entre as cidades marítimas do oriente, controlava o [[Adriático]], mas, ainda assim, César conseguiu atravessar para o Epiro em novembro de {{AC|49|x}} e capturou [[Apolônia (Ilíria)|Apolônia]], que tornou-se a sua base.<ref name="Boak, History of Rome, pg. 176"/>.
 
Pompeu chegou a tempo de salvar [[Dirráquio]] e, em seguida, tentou cercar César durante o [[Batalha de Dirráquio (48 a.C.)|cerco de Dirráquio]], conseguindo uma vitória. Ainda assim, ao não perseguir César neste momento crucial no qual ele estava derrotado, Pompeu desperdiçou a chance de destruir o exército de César, muito menor que o seu. Como disse depois o próprio César, ''"hoje o inimigo teria vencido se tivesse um comandante vencedor"''.<ref>[[Plutarco]], ''[[Vidas Paralelas (Plutarco)|Vidas Paralelas]]'', ''Pompeu'' p;65E</ref>.
 
Segundo [[Suetônio]], foi neste ponto que César teria dito que ''este homem [Pompeu] não sabe como vencer uma guerra''. Com César em sua retaguarda, os conservadores liderados por Pompeu fugiram para a [[Grécia (província romana)|Grécia]]. César e Pompeu finalmente tiveram seu confronto definitivo na [[Batalha de Farsalos]], em {{AC|48|x}}, um confronto amargo para ambos os lados e que Pompeu era tido como favorito, especialmente pela sua superioridade numérica. Contudo, as brilhantes táticas e a habilidade de combate muito superior dos veteranos de César resultaram numa derrota retumbante para Pompeu. Ele fugiu e foi ter com sua esposa, [[Cornélia Metela (esposa de Pompeu)|Cornélia Metela]], seu filho na ilha de [[Mitilene]], sem saber ao certo para onde seguir. A decisão final que mostrar-se-ia trágica, foi tentar refúgio no mais poderoso dos reinos orientais aliados de Roma, o [[Reino Ptolemaico|Egito ptolemaico]].
 
Depois de sua chegada no Egito, o destino de Pompeu foi selado pelos conselheiros do jovem rei [[Ptolemeu XIII]]. Enquanto Pompeu esperava para desembarcar, eles argumentaram que o custo de oferecer-lhe refúgio com César já a caminho do Egito atrás dele seria muito alto, uma argumentação liderada pelo [[eunuco]] [[Potino]]. Nas passagens finais de sua biografia, [[Plutarco]] relata Cornélia assistindo ansiosa a partir do [[trirreme]] enquanto Pompeu remava com um taciturno e silencioso grupo de aliados num bote seguindo para o que parecia ser um grupo preparado para recepcioná-lo na costa de [[Pelúsio]]. Conforme Pompeu se levantava para desembarcar, foi esfaqueado até a morte por traidores, liderados por [[Áquila (assassino de Pompeu)|Áquila]], [[Lúcio Sétimo|Sétimo]] e Sálvio.<ref name="Plutarch, Pompey, 79–80">
[[Plutarco]], ''[[Vidas Paralelas (Plutarco)|Vidas Paralelas]]'', ''Pompeu'' p.79–80</ref>.
 
Plutarco narra que Pompeu enfrentou seu destino com grande dignidade no dia de seu aniversário. Seu corpo permaneceu na costa e seria cremado por seu leal [[liberto (Roma Antiga)|liberto]] Filipe utilizando as pranchas podres de madeira de um velho navio pesqueiro. Sua cabeça e seu [[sinete]] foram entregues a César, que, segundo Plutarco, lamentou este insulto à grandeza de seu antigo aliado e genro e puniu seus assassinos e seus co-conspiradores egípcios, mandando executar tanto Áquila quanto Fotino. As cinzas de Pompeu foram finalmente entregues a Cornélia, que as levou de volta à propriedade da família perto de [[Alba Longa|Alba]].<ref name="Plutarch, Pompey, 79–80"/>.
 
[[Dião Cássio]] descreve a reação de César com ceticismo e considera que os próprios erros políticos de Pompeu e não esta traição é que levaram à sua derrocada.<ref>[[Dião Cássio]], ''História Romana'' [http://penelope.uchicago.edu/Thayer/E/Roman/Texts/Cassius_Dio/42*.html#4.2 42,4–5]</ref>. No relato de [[Apiano]] sobre a guerra Civil, César mandou enterrar a cabeça decepada de Pompeu em [[Alexandria]] num terreno reservado para um novo templo dedicado à [[deusa romana]] [[Nêmesis (mitologia)|Nêmesis]], entre cujas funções estava a punição de [[Húbris]].<ref>[[Apiano]], ''Bella Civilia'' II&nbsp;90, citado em Michael B. Hornum, ''Nemesis, the Roman state and the games'', Brill, 1993, p.15.</ref>. Para [[Plínio, o Velho|Plínio]], o final humilhante de Pompeu foi antecipado pelo desmesurado orgulho de seu enorme busto, decorado inteiramente com pérolas e levado em procissão em seu maior [[triunfo romano|triunfo]] (o terceiro).<ref>[[Plínio, o Velho|Plínio]], ''[[História Natural (Plínio)|História Natural]]'' 37, 14–16.</ref>. [[Suetônio]], porém, afirmou que César ''chegou mesmo a restaurar aos seus locais originais as estátuas de [[Sula]] e de Pompeu que haviam sido derrubadas pelo povo comum''.<ref>[[Suetônio]], ''[[As Vidas dos Doze Césares]]'', trad. de Catherine Edwards", 34.</ref>.
 
== General ==
[[Imagem:Battle of Pharsalus, 48 BC.png|thumb|upright=1.3|Diagrama da Batalha final de Pompeu, a [[Batalha de Farsalos]] ({{AC|48|x}}), a derrota final de Pompeu nas mãos de César]]
 
A glória militar de Pompeu não teve paralelos por décadas. Ainda assim, suas habilidades eram ocasionalmente criticadas por seus contemporâneos. [[Sertório]] ou [[Lúculo]], por exemplo, fora especialmente críticos. Suas táticas eram geralmente eficientes, mesmo sem ser particularmente inovadoras ou engenhosas, mas poderiam ser insuficientes contra grandes táticos da época. Porém, Farsalos foi sua única derrota decisiva.<ref>''Pompey the great'', John Leach</ref>. Por vezes, Pompeu se mostrava relutante demais para arriscar uma [[batalha campal]]. Apesar de não ser imensamente carismático, Pompeu mostrava, quando queria, tremenda bravura e habilidades de combate no campo de batalha, o que certamente inspirava seus homens.<ref name="Pompey the great, John Leach">Pompey the great, John Leach</ref>. Apesar de ser um comandante genial, Pompeu também conquistou a reputação de roubar as vitórias de outros generais.<ref>Brice, pg. 145</ref>.
 
Por outro lado, Pompeu é geralmente considerado um excepcional estrategista e administrador, que podia vencer campanhas sem precisar demonstrar genialidade no campo de batalha, mas simplesmente por manobrar consistentemente melhor que seus oponentes levando-os gradualmente a uma situação desesperadora.<ref>John Leach</ref>. Pompeu planejava muito adiante e tinha uma tremenda habilidade organizacional, o que permitia que ele criasse grandes estratégias e liderasse efetivamente grandes exércitos.<ref>''Farsalos'', Si Sheppard</ref>. Durante suas campanhas no oriente, Pompeu atuou como uma britadeira, perseguindo incansavelmente seus inimigo e sempre escolhendo o melhor local para travar suas batalhas.
 
Acima de tudo, Pompeu era geralmente capaz de se adaptar aos seus inimigos. Em muitas ocasiões, ele agia rapidamente e decisivamente, como foi o caso de suas campanhas na Sicília e na África ou contra os [[piratas cilicianos]]. Durante a [[Guerra Sertoriana]], por outro lado, Pompeu foi derrotado várias vezes por Sertório, um tático superior. Portanto, ele decidiu empregar uma demorada [[guerra de exaustão]], na qual ele podia evitar as batalhas campais contra seu principal adversário enquanto tentava gradualmente recuperar a superioridade estratégica capturando suas fortalezas e cidades e derrotando seus oficiais mais juniores.<ref name="Pompey the great, John Leach"/>. Algumas vezes, Sertório aparecia e forçava Pompeu a abandonar um cerco, mas apenas para vê-lo novamente atacando num lugar diferente. Esta estratégia não era espetacular, mas levou a um ganho territorial constante e fez muito para desmoralizar as forças sertorianas. Em {{AC|72|x}}, ano de seu assassinato, Sertório já estava numa situação desesperadora e seus soldados estavam desertando em massa. Contra [[Marco Perpena Vento|Perpena]], assassino e sucessor de Sertório, um tático muitíssimo inferior, Pompeu decidiu retomar uma campanha direta e agressiva e conseguiu rapidamente uma vitória decisiva que encerrou a guerra definitivamente.
 
Contra César também, sua estratégia era boa. Durante a campanha na Grécia, Pompeu conseguiu recuperar a iniciativa, juntar suas forças com as de [[Metelo Cipião]] &mdash; o que César tentou de toda forma impedir &mdash; e encurralar seu inimigo. Sua posição estratégica era, portanto, muito melhor que a de César e ele poderia ter matado o exército de fome. Porém, ele foi compelido a lutar uma batalha campal por seus aliados e suas controversas táticas não eram páreo para as de César e suas tropas muito melhor treinadas.
[[Imagem:Cn Pompeius denarius 92000854.jpg|thumb|upright=0.9|Denário do verão de {{AC|48|x}}, cunhado por [[Pompeu]] com a efígie de [[Numa Pompílio]] numa das faces. Na outra, um [[quinquerreme]] com o texto <small>MAGN</small> acima e <small>PRO • COS</small> abaixo, uma referência a Pompeu]]
 
Para os historiadores, antigos e modernos, Pompeu serve perfeitamente ao papel de um grande homem que alcançou triunfos extraordinários pelos seus esforços, mas que caiu do poder e foi, no final, assassinado depois de ser traído. Foi um herói da República, que chegou a ter o mundo romano na palma de suas mãos, mas que foi derrubado por César. Pompeu foi idealizado como um herói trágico quase que imediatamente depois de Farsalos e seu assassinato. Plutarco retratou-o como um [[Alexandre, o Grande|Alexandre]] romano, puro de mente e coração, destruído pelas ambições cínicas dos que estavam à sua volta. Este retrato sobreviveu até os períodos [[arte renascentista|renascentista]] e [[arte barroca|barroco]], como, por exemplo, na peça "[[A Morte de Pompeu]]" (1642), de [[Pierre Corneille]]. Apesar de sua guerra contra César, Pompeu ainda era amplamente celebrado durante todo o período imperial como o conquistador do oriente. Na procissão funeral de [[Augusto]], retratos dele foram carregados, pois ele ainda era amplamente considerado como o grande conquistador do oriente. Como triunfador ({{lang-la|''"triumphator"''}}), Pompeu também tinha numerosas estátuas em Roma, uma das quais no [[Fórum de Augusto]]. Apesar de o poder imperial não homenageá-lo tanto exceto na figura de um arqui-inimigo que era considerado um deus, sua reputação entre muitos aristocratas e historiadores era igual ou até superior à de César.<ref>Pompey, Eric Teyssier</ref>.
 
== Casamentos e filhos ==
{{Dividir em colunas|2}}
*{{AC|106|x}} &ndash; Em 29 de setembro, nasce em [[Piceno]];
*{{AC|83|x}} &ndash; Alinha-se com [[Lúcio Cornélio Sula|Sula]] assim que ele retorna de sua [[Primeira Guerra Mitridática]] contra o rei [[Mitrídates VI do Ponto]] e alista uma legião e uma cavalaria na esperança de juntar-se a ele;<ref>Goldsworthy, p. 174</ref>;
*{{AC|82|x}} &ndash; Casa-se com [[Emília Escaura]] a pedido de Sula. Ela já estava grávida e morre durante o parto;<ref name=G179>Goldsworthy, p. 179</ref>;
*82–{{AC|81|x}} &ndash; Derrota os aliados de [[Caio Mário]] na Sicília (outono de {{AC|82|x}}) e na África no início do ano seguinte. Retorna a Roma e celebra seu primeiro [[triunfo romano|triunfo]];
* {{AC|80|x}} &ndash; Casa-se com [[Múcia Tércia]], da família dos [[Múcios|Múcios Escévola]];<ref name=G179/>;
*{{AC|79|x}} &ndash; Pompeu apoia a eleição de [[Marco Emílio Lépido (cônsul em 78 a.C.)|Marco Emílio Lépido]], que se revolta abertamente contra o Senado meses depois. Pompeu sufoca a revolta com seu exército de Piceno, mandando executar o [[legado]] mais sênior envolvido, [[Marco Júnio Bruto, o Velho|Marco Júnio Bruto]], pai de [[Marco Júnio Bruto|Bruto]], o futuro [[assassinato de Júlio César|assassino de César]];<ref>Goldsworthy, p. 180</ref>;
*76–{{AC|71|x}} &ndash; [[Guerra Sertoriana|Campanha na Hispânia]] contra [[Quinto Sertório]];
*{{AC|71|x}} &ndash; Retorna para a Itália e participa dos movimentos finais da [[Terceira Guerra Servil|revolta de escravos]] liderada por [[Espártaco]]. Celebra seu segundo triunfo;
*{{AC|52|x}} &ndash; Serve como cônsul sozinho pelo [[mercedônio|mês intercalar]]<ref name=Abb114/> e como cônsul ordinário, com [[Metelo Cipião]] pelo resto do ano. Casa-se com [[Cornélia Metela]];
*{{AC|51|x}} &ndash; Proíbe César (na Gália) de concorrer a um consulado ''[[in absentia]]'';
*{{AC|50|x}} &ndash; Fica muito doente de uma febre na [[Campânia]], mas é salvo ''"pelas preces do povo"'';<ref>[[Juvenal]], Sátira X, 283</ref>;
*{{AC|49|x}} &ndash; César [[travessia do Rubicão|cruza o rio Rubicão]] e invade a Itália. Pompeu recua para a Grécia com os conservadores;
*{{AC|48|x}} &ndash; César derrota o exército de Pompeu na [[Batalha de Farsalos]], na Grécia. Pompeu foge para o Egito e é assassinado por traidores em [[Pelúsio]].
* Na série de televisão "[[Xena: A Princesa Guerreira]]", seu papel foi representado pelo ator [[Jeremy Callaghan]].
* [[Chris Noth]] representou Pompeu na minissérie [[Júlio César (minissérie)|Júlio César]] em 2002.
* Na primeira temporada da série televisiva [[Roma (série de TV)|Roma]], Pompeu foi representado pelo ator [[Kenneth Cranham]].
* Na série de TV ''"[[Spartacus: War of the Damned]]"'', Pompeu é retratado pelo ator [[Joel Tobeck]].
 
== Bibliografia ==
{{refbegin|2}}
* {{citar livro| sobrenome=Abbott|nome = Frank Frost|ano = 1901| título = A History and Description of Roman Political Institutions| editora = Elibron Classics| id=iSBN 0-543-92749-0| language língua= inglês}}
* {{citar livro| sobrenome= Antonelli|nome=Giuseppe |título=Pompeo. Il grande antagonista di Giulio Cesare|editora=Newton & Compton editori|local=Roma|ano=2005|idisbn=ISBN 88-541-0291-1| língua = italiano}}
* {{citar livro| sobrenome=Boak|nome = Arthur E.R.| título = A History of Rome to 565 A.D.| editora = MacMillan| local = Nova Iorque| ano = 1922| language língua= inglês}}
* {{citar livro| sobrenome=Brice|nome = Lee L.| título = Warfare in the Roman Republic: From the Etruscan Wars to the Battle of Actium: From the Etruscan Wars to the Battle of Actium| editora = ABC-CLIO, 2014| id=iSBN 9781610692991| language língua= inglês}}
* {{citar livro| sobrenome=Broughton|| nome=T. Robert S. título=The Magistrates of the Roman Republic| subtítulo=Volume II, 99 B.C. - 31 B.C.| ano=1952| editora=The American Philological Association| número = | local=Nova Iorque |páginas=578| língua = inglês}}
* {{citar livro| sobrenome=De Souza|nome = P.| título = Piracy in the Graeco-Roman World| editora = Cambridge University Press| ano = 2002| id=iSBN 978-0-521-01240-9| language língua= inglês}}
* {{citar livro| sobrenome= Goldsworthy|nome =Adrian| autorlink=Adrian Goldsworthy| título = In the name of Rome: The Men Who Won the Roman Empire''| local = Londres | editora = Weidenfeld & Nicolson| ano = 2004 | id=iSBN 0-297-84666-3| language língua= inglês}}
* {{citar livro| sobrenome=Greenhalgh|nome =Peter| título = Pompey The Republican Prince| editora = George Weidenfield and Nicolson Ltd| ano = 1981| id=iSBN 0-297-77881-1| language língua= inglês}}
* {{citar livro| sobrenome=Hillman|nome =Thomas P.| título = The Reputation of Cn. Pompeius Magnus among His Contemporaries from 83 to 59 B.C.| editora = Diss| local = New York 1989| language língua= inglês}}
* {{citar livro| sobrenome=Holland|nome =Tom.| título = Rubicon&nbsp;– The Triumph and Tragedy of the Roman Republic| editora = Abacus| local = Londres| ano = 2004| id=iSBN 0-349-11563-X| language língua= inglês}}
* {{citar livro| sobrenome= Leach|nome=John |título=Pompeo. Il rivale di Cesare|editora=Rizzoli|local=Milano|ano=1983|idisbn=ISBN 88-17-36361-8| língua = italiano}}
* {{citar livro| sobrenome= Mommsen|nome=Theodor| autorlink=Theodor Mommsen|título=Storia di Roma antica|volume=II, tomo I|editora=Sansoni|local=Milão|ano=2001|idisbn=ISBN 978-88-383-1882-5| língua = italiano}}
* {{citar livro| sobrenome=Nicols|nome =Marianne Schoenlin.| título = Appearance and Reality. A Study of the Clientele of Pompey the Great| editora = Diss. Berkeley/Cal. 1992| language língua= inglês}}
* {{citar livro| sobrenome=Seager|nome =Robin.| título = Pompey the Great: A Political Biography| local = Oxford| editora = Blackwell Publishing| ano = 2002 | id=iSBN 0-631-22720-2| language língua= inglês}}
* {{citar livro| sobrenome=Scullard|nome=Howard H.| título=Storia del mondo romano. Dalle riforme dei Gracchi alla morte di Nerone|editora=BUR|volume=vol. II|local=Milano|ano=1992|idisbn=ISBN 88-17-11574-6| língua = italiano}}
* {{citar livro| sobrenome=Southern|nome =Pat.| título = Pompey the Great: Caesar's Friend and Foe|local = Stroud, Gloucestershire, UK| editora = Tempus Publishing| ano = 2002 | id=iSBN 0-7524-2521-8| language língua= inglês}}
* {{citar periódico| sobrenome=Stockton|nome =David.| título = The First Consulship of Pompey| jornal = Historia| número = 22| ano = 1973| páginas = 205-218| language língua= inglês}}
* {{citar livro|nome=Ronald|sobrenome= Syme |autorlink= Ronald Syme| título= La rivoluzione romana | editora= Einaudi | local= Turim| ano= 2014 |id=978-88-06-22163-8| língua = italiano}}
* {{citar periódico| sobrenome=Tröster|nome =Manuel.| título = Roman Hegemony and Non-State Violence. A Fresh Look at Pompey’s Campaign against the Pirates| jornal = Greece & Rome| número = 56| ano = 2009| páginas = 14-33| language língua= inglês}}
* {{citar livro| sobrenome=Van Ooteghem|nome =J.| título = Pompée le Grand. Bâtisseur d’Empire| local = Brussels| ano = 1954| language língua= francês}}
* {{citar periódico| sobrenome=Wylie|nome =Graham J.| título = Pompey Megalopsychos| jornal = Klio| número = 72| ano = 1990| páginas = 445-456| language língua= inglês}}
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