Abrir menu principal

Alterações

393 bytes adicionados ,  02h02min de 17 de julho de 2017
m
traduzindo nome/parâmetro nas citações, outros ajustes usando script
[[Imagem:Muratorian Fragment.jpg|thumb|400px|direita|[[Fragmento Muratoriano]], um dos mais antigos exemplos de cânone bíblico conhecidos.]]
{{Bíblia}}
'''Cânone bíblico''' ou '''cânone das Escrituras'''<ref>{{cite bookcitar livro|editor-last1=McDonald |editor-first1=L. M. |editor-last2=Sanders |editor-first2=J. A. |yearano=2002 |lastúltimo =Ulrich |firstprimeiro =Eugene |titletítulo=The Canon Debate |chaptercapítulo=The Notion and Definition of Canon |publisherpublicado=Hendrickson Publishers |pagespáginas=29, 34 |ref=harv| languagelíngua=inglês}}</ref>{{Efn|Ulrich (2002) define ''"cânone"'' como ''"a lista definitiva de livros [[inspiração (teologia)|inspirados]] autoritativos que constituem o [[Corpus linguístico|corpus]] de textos sagrados reconhecidos e aceitos por um grande grupo religioso; esta lista definitiva sendo o resultado de decisões inclusivas e exclusivas decorrentes de importantes deliberações"''.}} é a lista de textos (ou "livros") religiosos que uma determinada comunidade aceita como sendo [[inspiração (teologia)|inspirados por Deus]] e autoritativos. A palavra "cânone" vem do termo [[grego antigo|grego]] {{politônico|κανών}} ("régua" ou "vara de medir"). Os cristãos foram os primeiros a utilizar o termo para fazer referência às suas Escrituras, mas Eugene Ulrich considera que a ideia é derivada do [[judaísmo]].<ref>Ulrich (2002), p. 28</ref><ref>{{cite bookcitar livro|author-last1=McDonald |author-first1=L. M. |author-last2=Sanders |author-first2=J. A. |yearano=2002 |titletítulo=The Canon Debate |chaptercapítulo=Introduction |publisherpublicado=Hendrickson Publishers |pagepágina=13 |ref=harv| languagelíngua=inglês}}</ref>.
 
A maioria dos cânones tratados neste artigo são considerados como "fechados" (ou seja, livros não podem mais ser acrescentados ou removidos),<ref>[[Atanásio de Alexandria]], [http://www.ccel.org/ccel/schaff/npnf204.xxv.iii.iii.xxv.html Epístola 39.6.3].</ref>, o que reflete a crença de que a [[revelação divina]] está encerrada e, portanto, uma pessoa ou grupo de pessoas foi capaz de juntar os textos inspirados aprovados num cânone completo e autoritativo.<ref>Ulrich (2002), p. 30, 32–33.</ref>. Por outro lado, um cânone "aberto" é aquele que permite a adição de novos livros através da [[revelação contínua]].
 
Estes cânones se desenvolveram através do debate<ref>{{citecitar booklivro|último1 last1= Maloney|primeiro1 first1= James| titletítulo= Aletheia Eleutheroo: Truth Warriors of the Supernatural: Establishing the Glory of the Godhead| url= https://books.google.co.uk/books?id=cVkPJnCvDQcC&pg=PA22| publisher publicado= WestBowPress| publicationdata-datepublicacao= 2013| pagepágina= 22| isbn= 9781490800448| quote citação= | language língua= inglês}}</ref> e consenso entre as autoridades religiosas de cada uma das respectivas denominações. Os fieis consideram os livros canônicos como sendo [[inspiração divina|inspirados por Deus]] ou como expressando a história autoritativa da relação entre Deus e seu povo. Alguns livros, como os [[evangelhos judaico-cristãos]], foram excluídos do cânone completamente, mas muitos [[antilegomena|livros disputados]], considerados não canônicos ou [[livros apócrifos|apócrifos]] por alguns, são considerados como sendo [[apócrifos bíblicos]], [[deuterocanônicos]] ou plenamente canônicos por outros. Diferenças existem entre a ''[[Tanakh]]'' judaica e os cânones bíblicos cristãos e entre os cânones das diferentes [[denominações cristãs]]. Critérios e processos de canonização diferentes ditam o que as diversas comunidades consideram como Escrituras inspiradas. Em alguns casos, nos quais diferentes graus de inspiração se acumularam, é prudente discutir textos que só foram elevados ao status de canônico numa única tradição religiosa. Este tema é ainda mais complexo quando se considera os cânones abertos das várias [[Lista de seitas do movimento dos Santos dos Últimos Dias|seitas dos Santos dos Últimos Dias]] ("mórmons") &mdash; que alguns consideram como descendentes do [[cristianismo]] e, portanto, do [[judaísmo]] &mdash; e as revelações recebidas pelos seus diversos líderes ao longo dos anos dentro do próprio movimento.
 
== Cânones judaicos ==
 
=== Judaísmo rabínico===
O [[Judaísmo rabínico]] ({{lang-he|יהדות רבנית}}) reconhece os vinte e quatro livros do [[texto massorético]], geralmente conhecidos como ''[[Tanakh]]'' ({{lang-he|תַּנַ"ךְ}}) ou [[Bíblia hebraica]].<ref>{{cite bookcitar livro|lastúltimo =Darshan |firstprimeiro =G. |chapter-urlcapítulourl=https://www.academia.edu/7021817/The_Twenty-Four_Books_of_the_Hebrew_Bible_and_Alexandrian_Scribal_Methods_in_M.R._Niehoff_ed._Homer_and_the_Bible_in_the_Eyes_of_Ancient_Interpreters_Between_Literary_and_Religious_Concerns_JSRC_16_Leiden_Brill_2012_pp._221_244 |chaptercapítulo=The Twenty-Four Books of the Hebrew Bible and Alexandrian Scribal Methods |editor-lastsobrenome =Niehoff |editor-firstnome =M. R. |titletítulo=Homer and the Bible in the Eyes of Ancient Interpreters: Between Literary and Religious Concerns |locationlocal=Leiden |publisherpublicado=Brill |yearano=2012 |pagespáginas=221–244| language língua= inglês}}</ref>. Evidências sugerem que o proecsso de canonização ocorreu entre 200 a.C. e 200 d.C.; uma ponto de vista popular é que a [[Torá]] foi canonizada por volta de 400 a.C., ''[[Nevi'im]]'' ("Profetas") por volta de 200 a.C. e ''[[Ketuvim]]'' ("Escritos") por volta de 100,<ref>McDonald & Sanders (2002), p. 4.</ref>, talvez no hipotético [[Concílio de Jâmnia]] (que vem sendo cada vez mais considerado fictício pelos estudiosos modernos).<ref>{{cite journalcitar periódico|url=http://biblicalstudies.org.uk/pdf/jts/026_347.pdf |titletítulo=The Jamnia Period in Jewish History |firstprimeiro =Christie |lastúltimo =W. M. |journalperiódico=Journal of Theological Studies |volume=os-XXVI |issuenúmero=104 |pagespáginas=347–364| languagelíngua=inglês}}</ref><ref>{{cite journalcitar periódico|firstprimeiro =Jack P. |lastúltimo =[[Jack P. Lewis|Lewis]] |journalperiódico=Journal of Bible and Religion |volume=32 |issuenúmero=2 |datedata=Abril de 1964 |titletítulo=What Do We Mean by Jabneh? |pagespáginas=125–132 |publisherpublicado=Oxford University Press |jstor=1460205| languagelíngua=inglês}}</ref><ref>{{cite bookcitar livro|editor-lastsobrenome =Freedman |editor-firstnome =David Noel |yearano=1992 |titletítulo=[[Anchor Bible Dictionary]], Vol. III |locationlocal=New York |publisherpublicado=Doubleday |pagespáginas=634–7| languagelíngua=inglês}}</ref><ref>{{cite bookcitar livro|editor-last1=McDonald |editor-first1=L. M. |editor-last2=Sanders |editor-first2=J. A. |yearano=2002 |lastúltimo =Lewis |firstprimeiro =Jack P. |titletítulo=The Canon Debate |chaptercapítulo=Jamnia Revisited |publisherpublicado=Hendrickson Publishers| languagelíngua=inglês}}</ref><ref>McDonald & Sanders (2002), p. 5.</ref><ref>Cited are Neusner's ''Judaism and Christianity in the Age of Constantine'', pages 128–145, and ''Midrash in Context: Exegesis in Formative Judaism'', pages 1–22.</ref>. Segundo [[Marc Zvi Brettler]], as escrituras judaicas além da Torá e ''Nevi'im'' são fluidas, com diferentes grupos considerando diferentes livros como autoritativos.<ref>{{Cite bookcitar livro|lastúltimo =Brettler|firstprimeiro =Marc Zvi|authorlinkautorlink =Marc Zvi Brettler|titletítulo=How To Read The Bible|publisherpublicado=Jewish Publication Society |yearano=2005 |url=https://books.google.co.uk/books?id=39nQafdJ_ssC&pg=PA274 |isbn= 978-0-8276-1001-9 |pagespáginas=274–5| languagelíngua=inglês}}</ref>.
 
O [[Deuteronômio]], parte da Torá, inclui uma proibição contra a adição ou remoção ({{citar bíblia|Deuteronômio|4|2}}, {{citar bíblia|Deuteronômio|12|32}}), o que pode ser aplicado ao livro em si (ou seja, a proibição contra qualquer edição futura pelas mãos dos [[escriba]]s) ou às instruções recebidas por [[Moisés]] no [[monte Sinai]].<ref>{{cite bookcitar livro|editor-last1=McDonald |editor-first1=L. M. |editor-last2=Sanders |editor-first2=J. A. |yearano=2002 |lastúltimo =Blenkinsopp |firstprimeiro =Joseph |titletítulo=The Canon Debate |chaptercapítulo=The Formation of the Hebrew Canon: Isaiah as a Test Case |publisherpublicado=Hendrickson Publishers |pagepágina=60| languagelíngua=inglês}}</ref>. [[II Macabeus]], um livro que não faz parte do cânone judaico, descreve [[Neemias]] ({{ca.}} 400 a.C.) como tendo ''"fundado uma biblioteca e colecionado livros sobre reis e profetas, os textos de [[David]] e as cartas dos reis sobre ofertas votivas"'' ([http://www.bibliacatolica.com.br/biblia-ave-maria/ii-macabeus/2/ II Macabeus 2:13-15]).
 
O [[Livro de Neemias]] sugere que o sacerdote-escriba [[Esdras]] levou a Torá de volta do [[cativeiro na Babilônia]] para [[Jerusalém]], onde foi reconstruído o [[Segundo Templo|Templo]] ({{citar bíblia|Neemias|8}}-{{citar bíblia|Neemias|9}}) por volta da mesma época. Tanto [[I Macabeus|I]] quanto II Macabeus sugerem que [[Judas Macabeu]] ({{ca.}} 167 a.C.) também colecionou livros sagrados ([http://www.bibliacatolica.com.br/biblia-ave-maria/i-macabeus/3/ I Macabeus 3:42-50], [http://www.bibliacatolica.com.br/biblia-ave-maria/ii-macabeus/2/ II Macabeus 2:13-15], [http://www.bibliacatolica.com.br/biblia-ave-maria/ii-macabeus/15/ II Macabeus 15:6-9]), o que levou alguns estudiosos a sugerirem que o cânone judaico teria sido estabelecido pela dinastia dos [[asmoneus]].<ref>{{cite bookcitar livro|editor-last1=McDonald |editor-first1=L. M. |editor-last2=Sanders |editor-first2=J. A. |yearano=2002 |lastúltimo =Davies |firstprimeiro =Philip R. |titletítulo=The Canon Debate |chaptercapítulo=The Jewish Scriptural Canon in Cultural Perspective |publisherpublicado=Hendrickson Publishers |pagepágina=50 |quotecitação=| language língua= inglês}}</ref>. Porém, estas [[fontes primárias]] não sugerem que o cânone estava "fechado" na época e também não deixam claro que os livros sagrados da época eram os mesmos que mais tarde fariam parte do cânone.
 
A "[[Grande Assembleia]]", também conhecida como "Grande Sinagoga", era, segundo a tradição judaica, uma assembleia de 120 escribas, sábios e profetas do final da era dos profetas bíblicos até a época do desenvolvimento do judaísmo rabínico e marcou a transição da época profética para a época dos [[rabino]]s. Ela existiu por cerca de 200 anos e acabou em 70, com a [[destruição de Jerusalém]] pelo [[Império Romano]]. Entre os desenvolvimentos do judaísmo atribuídos a eles está a fixação do cânone, incluindo os livros de [[Livro de Ezequiel|Ezequiel]], [[Livro de Daniel|Daniel]], [[Livro de Ester|Ester]] e dos doze [[profetas menores]]; a introdução da festa do [[Purim]] e a instituição da oração conhecida como [[Amidá|''Shmoneh Esreh'']], além das bençãos, orações e rituais da [[sinagoga]].
[[Imagem:Gerizim Samaritan Torah IMG 2118.JPG|thumb|direita|[[Torá Samaritana]] no [[monte Gerizim]].]]
{{AP|Torá Samaritana}}
Outra versão da Torá, escrita no [[alfabeto samaritano]], também existe e está associada aos [[samaritanos]] ({{lang-he|שומרונים}}; {{lang-ar|السامريون}}), um povo cuja história, nas palavras da [[Enciclopédia Judaica]], ''"começa com a captura da [[Samaria]] pelos [[Império Assírio|assírios]] em 722 a.C."'' (a Samaria corresponde, a grosso modo, com o território do antigo [[Reino de Israel]]).<ref name=Samaritans>{{JewishEncyclopedia|url=http://jewishencyclopedia.com/view.jsp?artid=110&letter=S&search=Samaritan |artigo=Samaritans }}</ref>.
 
A relação da Torá samaritana com o [[texto massorético]] ainda é tema de disputas. Algumas diferenças são menores, como as idades das diferentes pessoas mencionadas nas listas [[genealogia|genealógicas]], mas outras são maiores, como o mandamento da [[monogamia]], que só existe na versão samaritana. Mais importante, o texto samaritano também diverge do massorético ao afirmar que Moisés recebeu os [[Dez Mandamentos]] no [[monte Gerizim]] (e não no [[monte Sinai]]) e que foi no alto desta montanha que os sacrifícios deveriam ser feitos a Deus (e não no [[Templo de Jerusalém]]). Apesar disto, os estudiosos consultam a versão samaritana para apoiar na determinação do texto original da Torá e também para retraçar o desenvolvimento das [[família textual|famílias textuais]]. Alguns [[rolo (manuscrito)|rolo]] entre os [[Manuscritos do Mar Morto]] foram identificados como sendo do [[tipo textual|texto-tipo]] proto-samaritano da Torá.<ref>{{cite bookcitar livro|editor-last1=McDonald |editor-first1=L. M. |editor-last2=Sanders |editor-first2=J. A. |yearano=2002 |lastúltimo =VanderKam |firstprimeiro =James C. |titletítulo=The Canon Debate |chaptercapítulo=Questions of Canon through the Dead Sea Scrolls |publisherpublicado=Hendrickson Publishers |pagepágina=94| language língua= inglês}}</ref>. Comparações também já foram feitas entre a Torá samaritana e o Pentateuco da ''[[Septuaginta]]'' [[grego koiné|grega]].
 
Os samaritanos consideram a Torá como sendo escritura [[inspiração divina|inspirada]], mas não aceitam nenhuma outra parte da Bíblia, uma posição provavelmente defendida pelos históricos [[saduceus]].<ref>{{JewishEncyclopedia|url=http://jewishencyclopedia.com/view.jsp?artid=40&letter=S&search=Sadducees | artigo = Sadducees}}</ref>. Além disto, o cânone não foi expandido pelo acréscimo de nenhum texto unicamente samaritano. Há um [[Livro de Josué (samaritano)|Livro de Josué samaritano]], mas trata-se de uma crônica popular escrita em [[língua árabe|árabe]] e não é considerado canônico. Outros textos religiosos não canônicos incluem o ''"Memar Markah" ("Doutrina de Markah") e o ''"Defter"'' ("Livro de Orações"), ambos do século IV ou depois.<ref>{{cite bookcitar livro|titletítulo=Samaritan Documents, Relating To Their History, Religion and Life |authorautor =Bowman, John (trans.) (ed.) |series=Pittsburgh Original Texts & Translations Series No. 2 |yearano=1977| language língua= inglês}}</ref>.
 
Os descendentes modernos dos samaritanos que vivem nos estados modernos de [[Israel]] e [[Autoridade Palestina|Palestina]] consideram sua versão da Torá como completa e autoritativa.<ref name=Samaritans/>. Eles se auto-definem como "verdadeiros guardiões da Lei", uma reivindicação reforçada pela alegação da comunidade de [[Nablus]] (tradicionalmente associada à antiga cidade bíblica de [[Siquém]]) de estarem de posse da mais antiga cópia sobrevivente da Torá, que eles acreditam ter sido escrita por Abisha, um neto de [[Aarão]].<ref>Crown, Alan D. (October 1991). "The Abisha Scroll – 3,000 Years Old?". ''Bible Review'' {{en}}</ref>.
 
== Cânones bíblicos cristãos ==
=== Cristianismo primitivo ===
==== Primeiras comunidades cristãs ====
A [[Igreja antiga]] utilizava o [[Antigo Testamento]], especificamente a ''[[Septuaginta]]'' (''LXX'')<ref>{{cite bookcitar livro|editor-last1=McDonald |editor-first1=L. M. |editor-last2=Sanders |editor-first2=J. A. |yearano=2002 |lastúltimo =Sanders |firstprimeiro =J. A. |titletítulo=The Canon Debate |chaptercapítulo=The Issue of Closure in the Canonical Process |publisherpublicado=Hendrickson Publishers |pagepágina=259 |quotecitação=| language língua= inglês}}</ref> entre os falantes do [[grego koiné|grego]]. Os [[Apóstolos]] não deixaram um conjunto definido de novas Escrituras e o [[Desenvolvimento do cânone do Novo Testamento|Novo Testamento se desenvolveu ao longo do tempo]].
 
Textos atribuídos aos Apóstolos circulavam livremente entre as primeiras comunidades cristãs. As [[epístolas paulinas]] já circulavam de forma conjunta no final do século I. [[Justino Mártir]], no início do século II, menciona as ''"memórias dos Apóstolos"'', que os cristãos chamaram de "evangelhos", e que eram consideradas tão autoritativas quando o Antigo Testamento.<ref>{{cite bookcitar livro|editor-last1=McDonald |editor-first1=L. M. |editor-last2=Sanders |editor-first2=J. A. |yearano=2002 |lastúltimo =Ferguson |firstprimeiro =Everett |titletítulo=The Canon Debate |chaptercapítulo=Factors leading to the Selection and Closure of the New Testament Canon |publisherpublicado=Hendrickson Publishers |pagespáginas=302–3 |postscript=none |ref=harv| language língua= inglês}}</ref>.
 
==== Lista de Marcião ====
[[Imagem:Marcion teaching.jpg|thumb|esquerda|[[Marcião de Sinope]], o primeiro líder cristão a propor um cânone bíblico. Ele depois foi condenado por [[heresia cristã|heresia]].]]
[[Marcião de Sinope]] ({{ca.}} 140) foi o primeiro líder cristão histórico a propor e delinear um cânone unicamente cristão (apesar de depois ter sido considerado [[heresia cristã|herético]]).<ref>{{cite bookcitar livro|lastúltimo =Metzger |firstprimeiro =Bruce |authorlinkautorlink =Bruce Metzger |titletítulo=The Canon of the New Testament |yearano=1997 |publisherpublicado=Oxford University Press |pagepágina=98 |quotecitação=| language língua= inglês|ref=harv}}</ref>. Ela excluiu todos os livros do Antigo Testamento e incluiu apenas dez [[epístolas paulinas]] e uma versão do [[Evangelho de Lucas]] conhecida como "[[Evangelho do Senhor]]". Ao fazê-lo, Marcião estabeleceu uma forma de analisar textos religiosos que ainda hoje permanece no pensamento cristão.<ref name = "Harnack">{{cite bookcitar livro|lastúltimo =von Harnack |firstprimeiro =Adolf |chapter-urlcapítulourl=http://www.ccel.org/ccel/harnack/origin_nt.v.vi.html |chaptercapítulo=Appendix VI |titletítulo=Origin of the New Testament |yearano=1914| language língua= inglês}}</ref>.
 
Depois de Marcião, o cristianismo começou a dividir seus textos entre os que se alinhavam adequadamente com o "cânone" (no sentido da "régua") do pensamento teológico aceito e os que deveriam ser considerados [[heresia cristã|heréticos]]. Esta visão teve um papel fundamental na finalização da estrutura da coleção de livros que viria a ser conhecida como "[[Bíblia]]". E o ímpeto inicial para esta empreitada foi dado pela necessidade de propor uma alternativa ao cânone de Marcião.<ref name="Harnack"/>.
 
==== Pais da Igreja ====
Um cânone com quatro [[evangelhos canônicos]] foi afirmado por [[Ireneu de Lyon]] (m. 202).<ref>Ferguson (2002), p. 301; cf. [[Ireneu de Lyon]], ''[[Adversus Haereses]]''. 3.11.8.</ref>. No início do século III, teólogos como [[Orígenes]] podem ter utilizado &mdash; ou pelo menos conhecia &mdash; os mesmos 27 livros presentes nas modernas edições do Novo Testamento, embora ainda houvessem disputas sobre a canonicidade de algumas obras (vide [[desenvolvimento do cânone do Novo Testamento]]).<ref>{{cite bookcitar livro|lastúltimo =Noll |firstprimeiro =Mark A. |yearano=1997 |titletítulo=Turning Points |publisherpublicado=Baker Academic |pagespáginas=36–37| language língua= inglês}}</ref>. Da mesma forma, o [[Fragmento Muratori]] revela que, já em 200, existia um conjunto de textos cristãos bem similar ao moderno Novo Testamento, incluindo os quatro evangelhos.<ref>{{cite bookcitar livro|lastúltimo =de Jonge |firstprimeiro =H. J. |chaptercapítulo=The New Testament Canon |editor-last1=de Jonge |editor-first1=H. J. |editor-last2=Auwers |editor-first2=J. M. |titletítulo=The Biblical Canons |publisherpublicado=Leuven University Press |yearano=2003 |pagepágina=315| languagelíngua=inglês}}</ref>. Desta forma, apesar de certamente terem havido numerosos debates sobre o cânone do Novo Testamento no período do cristianismo primitivo, as principais obras já eram consideradas aceitas em meados do século III.<ref>{{cite bookcitar livro|editor-last1=Ackroyd |editor-first1=P. R. |editor-last2=Evans |editor-first2=C. F. |yearano=1970 |titletítulo=The Cambridge History of the Bible, Vol. 1 |publisherpublicado=Cambridge University Press |pagepágina=308 |ref={{harvid|Ackroyd|Evans|1970}}| languagelíngua=inglês}}</ref>.
 
=== Igreja Oriental ===
====Pais alexandrinos ====
[[Orígenes]] ({{ca.}} 184&ndash;{{ca.}} 253), um dos primeiros estudiosos cristãos envolvidos na codificação do cânone bíblico, teve uma boa educação tanto na [[teologia]] cristã quanto na filosofia pagã, mas acabou sendo postumamente condenado no [[Segundo Concílio de Constantinopla]] (553) por causa de algumas obras que foram consideradas heréticas. O seu cânone incluía todos os livros do moderno cânone do Novo Testamento, com exceção de quatro livros: [[Epístola de Tiago|Tiago]], [[II Pedro]], [[II João]] e [[III João]].<ref>{{1913CE|Origen and Origenism}}</ref>. Ele também incluiu o [[Pastor de Hermas]], uma obra que depois foi descartada. O estudioso [[Bruce Metzger]] descreveu os esforços de Orígenes assim: ''"o processo de canonização representada por Orígenes ocorreu através de seleção, partindo de muitos candidatos para a inclusão para poucos"''.<ref>Metzger (1997), p. 141.</ref>.
 
Esta foi uma das primeiras grandes tentativas de compilação de certos livros e epístolas como parte de um cânone autoritativo e inspirado para a Igreja antiga, embora não seja claro se esta era a intenção da lista de Orígenes. Em sua [[Carta Festiva]] de 367, o [[patriarca de Alexandria|patriarca]] [[Atanásio de Alexandria]] forneceu uma lista idêntica para os livros do Novo Testamento<ref name="Lindberg 2006 15">{{Citecitar booklivro|titletítulo=A Brief History of Christianity|firstprimeiro =Carter|lastúltimo =Lindberg|pagepágina=15|yearano=2006|publisherpublicado=Blackwell Publishing|isbn=1-4051-1078-3}}</ref> e usou o termo "canonizados" (''"kanonizomena"'') para se refererir a eles.<ref>{{cite journalcitar periódico|lastúltimo =Brakke |firstprimeiro =David |titletítulo=Canon Formation and Social Conflict in Fourth Century Egypt: Athanasius of Alexandria's Thirty Ninth Festal Letter |journalperiódico=Harvard Theological Review |volume=87 |issuenúmero=4 |datedata=1994 |pagespáginas=395–419 |doi=10.1017/s0017816000030200| languagelíngua= inglês}}</ref>. Seu cânone para o Antigo Testamento incluía os [[livros protocanônicos]] da [[Bíblia Hebraica]], acrescentando a [[Epístola de Jeremias]] e o [[Livro de Baruque]] e excluindo o [[Livro de Ester]].
 
==== Cânones orientais ====
[[Imagem:Peter Paul Rubens - St Augustine.JPG|thumb|direita|[[Agostinho de Hipona]], responsável pelos concílios no norte da África nos séculos IV e V que afirmaram o cânone bíblico que depois seria confirmado pelo [[Concílio de Trento]], em 1546.<br><small>1636-8. Por [[Peter Paul Rubens]], na [[Galeria Nacional de Praga]].</small>]]
As igrejas orientais sentiram, de modo geral, menos a necessidade de delinear claramente o que seria o cânone do que as ocidentais. Elas eram mais conscientes da gradação da qualidade espiritual entre os livros que aceitavam (como a classificação feita por [[Eusébio de Cesareia]]) e geralmente se dispunham menos a afirmar que os livros que elas rejeitavam não possuíam nenhuma qualidade espiritual. O [[Concílio Quinissexto]] (692), rejeitado pelo [[papa Sérgio I]], mas aceito pela Igreja Ortodoxa,<ref>{{cite bookcitar livro|lastúltimo =Ekonomou |firstprimeiro =Andrew J. |yearano=2007 |url=https://books.google.com/books?id=zomZk6DbFTIC&pg=PA222 |titletítulo=Byzantine Rome and the Greek Popes |publisherpublicado=Lexington Books |isbn=978-0-73911977-8 | language língua= inglês|pagepágina=222}}</ref>, endossou as seguintes listas de obras canônicas: os [[Cânones dos Apóstolos]] ({{ca.}} 385), o [[Sínodo de Laodiceia]] ({{ca.}} 363), o [[Concílio de Cartago (397)]] e a [[Carta Festiva|39ª Carta Festiva de Atanásio]] (367).<ref>{{cite bookcitar livro|chapter-urlcapítulourl=http://www.newadvent.org/fathers/3814.htm |chaptercapítulo=Council in Trullo |titletítulo=Nicene and Post-Nicene Fathers, Second Series, Vol. 14 |editor1=Schaff, Philip |editor2=Wace, Henry| languagelíngua=inglês}}</ref>.
 
Porém, as listas das diversas denominações ortodoxas não concordam entre si. O cânone do Novo Testamento da [[Igreja Ortodoxa Síria]], [[Igreja Apostólica Armênia]], [[Igreja Ortodoxa Georgiana]], [[Igreja Ortodoxa Copta de Alexandria]] e da [[Igreja Ortodoxa Etíope]] apresentam diferenças menores, mesmo que cinco destas igrejas façam parte da [[Igreja Ortodoxa]]{{Sfn | Metzger | 1987}}. O [[Apocalipse]] é um dos livros mais diputados, pois, no oriente, movimentos como o [[quiliasmo]] e o [[montanismo]] levantaram suspeitas sobre ele.<ref>[https://books.google.com/books?id=AmMEhsEYHUsC&printsec=frontcover&dq=%22Eastern+Orthodox%22+Apocalypse&hl=en&sa=X&ei=fAx3VKzwGc2I7Aa54YCYCQ&redir_esc=y#v=onepage&q=%22Eastern%20Orthodox%22%20Apocalypse&f=false Eugenia Scarvelis Constantinou (editor) ''Commentary on the Apocalypse''] by Andrew of Caesarea (CUA Press 2011 ISBN 978-0-81320123-8), p. 3 {{en}}</ref>. Ele só foi traduzido para o [[língua georgiana|georgiano]] no século X e jamais foi incluído no [[lecionário]] oficial da [[Igreja Ortodoxa]], em tempos [[bizantinos]] ou modernos. Porém, seu status canônico não é disputado.<ref>{{citecitar web|url=http://www.pravoslavieto.com/docs/eng/Orthodox_Catechism_of_Philaret.htm#ii.xv.iii.i.p41|titletítulo=The Longer Catechism of The Orthodox, Catholic, Eastern Church • Pravoslavieto.com|publisherpublicado=| language língua= inglês}}</ref>.
 
=== Igreja ocidental ===
 
==== Pais latinos ====
O primeiro [[concílio]] a aceitar o moderno cânone católico (o [[Cânone de Trento]]) pode ter sido o [[Sínodo de Hipona]] (393), no norte da África. Um breve sumário de seus atos foi lido e aceito pelo [[Concílio de Cartago (397)]] e pelo [[Concílio de Cartago (419)]].<ref>{{cite bookcitar livro|author-last1=McDonald |author-first1=L. M. |author-last2=Sanders |author-first2=J. A. |yearano=2002 |titletítulo=The Canon Debate |chaptercapítulo=Appendix D-2 |publisherpublicado=Hendrickson Publishers |atem=Note 19 |quotecitação=| language língua= inglês}}</ref>. Estes concílios foram realizados sob a autoridade de [[Agostinho de Hipona|Agostinho]], que considerava o cânone como já fechado na época.<ref>Ferguson (2002), p. 320; {{cite bookcitar livro|firstprimeiro =F. F. |lastúltimo =Bruce |titletítulo=The Canon of Scripture |publisherpublicado=Intervarsity Press |yearano=1988 |pagepágina=230 |ref=harv| language língua= inglês}}</ref>. O [[Concílio de Roma (382)]], do [[papa Dâmaso I]], proclamou um cânone idêntico, se é que é possível relacionar o ''[[Decretum Gelasianum]]'' a ele.<ref name="Lindberg 2006 15" /><ref>Bruce (1988), p. 234.</ref>. Da mesma forma, a encomenda de Dâmaso de uma versão em [[latim]] da Bíblia (a ''[[Vulgata]]''), por volta de 383, foi instrumental para a fixação do cânone no ocidente.<ref>Bruce (1988), p. 225.</ref>.
 
Por volta de 405, o [[papa Inocêncio I]] enviou uma lista de livros sagrados ao bispo [[Gália|gaulês]] [[Exupério de Toulouse]].<ref>{{citecitar web |url=http://www.bible-researcher.com/innocent.html |titletítulo=Innocent I |publisherpublicado=Bible Research |accessdateacessodata=| languagelíngua= inglês}}</ref>. Os estudiosos cristãos afirmam que, quando bispos e concílios tratavam do tema, eles não estavam tratando de algo novo e sim ''"ratificando o que já havia se tornado o pensamento da Igreja"''.<ref>Ferguson (2002), p. 320; Metzger (1997), p. 237–238; Bruce (1988), p. 97.</ref>.
 
Assim, a partir do século IV já existia uma unanimidade no [[cristianismo ocidental|ocidente]] sobre o cânone do Novo Testamento (como é hoje)<ref>Bruce (1988), p. 215.</ref> e, no século V, o [[cristianismo oriental|oriente]], com umas poucas exceções, passou a aceitar o [[Apocalipse]], harmonizando o reconhecimento do cânone.<ref>Ackroyd & Evans (1970), p. 305; cf. {{1913CE|Canon of the New Testament}}</ref>.
 
==== Cânone protestante ====
[[Imagem:LZB in Flensburg - Niederdeutsche Lutherbibel von 1574-1580, Bild 05.JPG|thumb|direita|[[Bíblia de Lutero]] (1574-80).]]
{{AP|Cânone de Lutero}}
[[Martinho Lutero]] se incomodava com quatro livros do Novo Testamento, chamados de ''"[[antilegomena]]"'': [[Epístola de Judas|Judas]], [[Epístola de Tiago|Tiago]], [[Epístola aos Hebreus|Hebreus]] e o [[Apocalipse]]. Por isto, ele os posicionou numa posição secundária em relação aos demais, mas não os excluiu. Ele propôs removê-los do cânone<ref>{{citecitar web|url=http://www.wels.net/sab/qa/luther-03.html |titletítulo=Martin Luther |publisherpublicado=WELS |deadurl=yes |archiveurlarquivourl=https://web.archive.org/web/20080322080915/http://www.wels.net/sab/qa/luther-03.html |archivedatearquivodata=22 de março de 2008|df= | language língua= inglês}}</ref><ref>{{citecitar web |url=http://www.bible-researcher.com/antilegomena.html |titletítulo=Luther's Treatment of the 'Disputed Books' of the New Testament| language língua= inglês}}</ref> ecoando a opinião de diversos católicos &mdash; como o [[cardeal Caetano]] e [[Erasmo de Roterdão|Erasmo]] &mdash; e, parcialmente, por causa de ensinamentos que ele percebia como sendo contrário às doutrinas protestantes como a ''[[sola gratia]]'' e a ''[[sola fide]]'', uma tese que não é geralmente aceita por seus seguidores. Ainda hoje estes livros aparecem em último lugar na [[Bíblia de Lutero]] [[língua alemã|alemã]].<ref>{{citecitar web|url=http://www.bibelcenter.de/bibel/lu1545/ |titletítulo=Gedruckte Ausgaben der Lutherbibel von 1545 |deadurl=yes |archiveurlarquivourl=https://archive.is/20100419071230/http://www.bibelcenter.de/bibel/lu1545/ |archivedatearquivodata=19 de abril de 2010| language língua= inglês|df= }}</ref><ref>{{citecitar web |url=http://www.bible-researcher.com/links10.html |titletítulo=German Bible Versions | publisher publicado= Bible researcher| language língua= inglês}}</ref>.
 
=== {{Âncora|Livros da Bíblia}}Cânones das várias tradições cristãs ===
pesar disto, articulações plenamente [[dogma|dogmáticas]] sobre o cânone só foram feitas no [[Cânone de Trento]] (1546) para a [[Igreja Católica]],<ref name="CathEncyc-NTCanon">{{1913CE| Canon of the New Testament}}</ref>, a [[Confissão Gálica da Fé]] (1559) para o [[calvinismo]], os [[Trinta e Nove Artigos]] (1563) para a [[Igreja da Inglaterra]] e o [[Sínodo de Jerusalém (1672)]] para a [[Igreja Ortodoxa]]. Outras tradições, apesar de defenderem cânones fechados, não estabeleceram uma data exata para sua fixação. As tabelas seguintes refletem a situação atual dos diversos cânones.
 
==== Antigo Testamento ====
Alguns livros, listados nas tabelas abaixo, como [[Testamentos dos Doze Patriarcas]] para a [[Igreja Apostólica Armênia]], podem ter sido um dia uma parte vital da tradição bíblica e podem ainda hoje ter um lugar de honra, mas não são mais considerados como parte da Bíblia. Outros, como a [[Prece de Manassés]] para a [[Igreja Católica]], podem ter aparecido em [[manuscrito]]s, mas jamais chegaram a ter um status de canônico naquela tradição. O nível de proeminência de algumas obras, como os [[Salmos 152 a 155]] e os [[Salmos de Salomão]] para o [[cristianismo sírio]], permanece obscuro.
 
Com relação ao [[cânone bíblico etíope]], é fundamental lembrar que: (i) [[Livro das Lamentações|Lamentações]], [[Livro de Jeremias|Jeremias]], [[Livro de Baruque|Baruque]], [[Epístola de Jeremias]] e [[IV Baruque]] são considerados canônicos, mas é incerto como estes livros estão divididos e organizados; em algumas listas, eles aparecem simplesmente como "Jeremias" e, em outras, estão divididos em vários livros separados; (ii) [[Livro dos Provérbios|Provérbios]] está dividido em dois livros &mdash; ''Messale'' (caps. 1-24) e ''Tägsas'' (caps. 25–31); (iii) os livros de [[Livro dos Jubileus|Jubileus]] e [[Livro de Enoque|Enoque]] são bem conhecidos dos estudiosos ocidentais, os três livros conhecidos como ''[[Meqabyan]]'' ("Macabeus etíope") não são. O seu conteúdo é completamente diferente dos [[Livros de Macabeus]] de outras tradições; (iv) o Livro de José ben Gurion ou [[Josippon|Pseudo-Josefo]] é uma história do povo judeu que se acredita ter sido baseada nas obras de [[Flávio Josefo]]{{Efn|"[[Guerra dos Judeus]]" e "[[Antiguidades Judaicas]]" são considerados muito importantes pelos cristãos por apresentarem valiosas informações sobre o judaísmo e o cristianismo primitivo no século I. Além disto, em "Antiguidades", Josefo faz duas referências a Jesus que tiveram um papel crucial na determinação do chamado "[[Jesus histórico]]".}}. A versão etíope (''Zëna Ayhud'') tem oito partes e é parte do cânone etíope{{Efn|O cânone ampliado etíope completo, que inclui o cânone estrito mais nove livros, não foi publicado ainda de forma unificada. Alguns livros, apesar de canônicos, são difíceis de encontrar e não estão amplamente disponíveis nem sequer na [[Etiópia]]. Apesar do cânone estrito já ter sido publicado, não há nenhuma distinção "êmica" real entre os dois, especialmente no que tange à inspiração divina e à autoridade escritural. A ideia destas duas classificações pode ser nada mais do que uma conjectura taxonômica [[Êmica e ética|ética]].}}.<ref>{{citar web|url = http://www.ethiopianorthodox.org/english/canonical/books.html| título = The Bible| publicado = Ethiopian Orthodox Tewahedo Church| ano = 2003| língua = inglês}}</ref>.
 
===== Tabela do Antigo Testamento =====
| [[Livros de Crônicas|I e II Crônicas]] || {{Sim1}} || {{Sim1}} || {{Sim1}} || {{Sim1}} || {{Sim1}} || {{Sim1}} || {{Sim1}} || {{Sim1}} || {{Sim1}} || {{Sim1}}
|-
| [[Prece de Manassés]] || style="background:#FFA6C9; text-align:center;"| Não <br>(Apócrifo)<br><ref group=O name=Apocrypha>Os apócrifos da [[Igreja da Inglaterra]] incluem a [[Prece de Manassés]], [[I Esdras]], [[II Esdras]], [[Adições em Ester]], [[Livro de Tobias|Tobias]], [[Livro de Judite|Judite]], [[I Macabeus]], [[II Macabeus]], [[Livro da Sabedoria]], [[Sirácida]], [[Livro de Baruque|Baruque]], [[Epístola de Jeremias]] e as [[Adições em Daniel]]. Os apócrifos da [[Igreja Luterana]] omite desta lista I e II Esdras. Algumas bíblias protestantes incluem [[III Macabeus]] como parte dos apócrifos. Porém, muitas igrejas no protestantismo &mdash; na definição ampla utilizada neste artigo &mdash; rejeitam completamente os apócrifos, não os consideram úteis e não os incluem em suas Bíblias</ref> || style="background:#fc9; text-align:center;"| Não – inc. em alguns mss. || {{Sim1}} (?)<br>(parte de [[Livro de Odes|Odes]])<br><ref group=O name=Manasseh>A [[Prece de Manassés]] está incluída como parte do [[Livro de Odes]], o livro seguinte aos [[Salmos]] nas Bíblias ortodoxas. O restante do Livro de Odes consiste de passagens repetidas de outras partes da Bíblia.</ref> || {{Sim1}} (?) (?)<br>(parte de [[Livro de Odes|Odes]])<br><ref group=O name=Manasseh/> || {{Sim1}} (?)<br>(parte de [[Livro de Odes|Odes]])<br><ref group=O name=Manasseh/> || {{Sim1}} (?) || {{Sim1}} (?) || {{Sim1}} (?) || {{Sim1}}<br>(parte de [[II Crônicas]]) || {{Sim1}} (?)
|-
| [[Livro de Esdras|Esdras<br>(I Ezra)]] || {{Sim1}} || {{Sim1}} <br>I Esdras || {{Sim1}} <br>Esdras B' || {{Sim1}} <br>I Esdras || {{Sim1}}<br>I Esdras || {{Sim1}}<br>I Esdras || {{Sim1}} || {{Sim1}} || {{Sim1}} || {{Sim1}}
|-
| [[Paralipômenos de Baruque|Lamentações etíope (7:1–11,63)<br>(''Säqoqawä Eremyas'')]] || {{Não3}} || {{Não3}} || {{Não3}} || {{Não3}} || {{Não3}} || {{Não3}} || {{Não3}} || {{Não3}} || {{Sim1}}<br>(parte de [[Paralipômenos de Baruque|''Säqoqawä Eremyas'']])<br><ref group=O name=ethlam/> || {{Não3}}
|-
| [[Livro de Baruque|Baruque]] || style="background:#FFA6C9; text-align:center;"| Não <br>(Apócrifos) || {{Sim1}} || {{Sim1}} || {{Sim1}} || {{Sim1}} || {{Sim1}} || {{Sim1}} || {{Sim1}} || {{Sim1}}<br><ref group=O name=ebar>A versão etíope de Baruque tem cinco capítulos, mas é mais curta que o texto da ''[[Septuaginta]]''.</ref><ref group=O name=ebar6>Algumas traduções de Baruque podem incluir a tradicional "[[Epístola de Jeremias]]" como sexto capítulo.</ref>|| {{Sim1}}
|-
O cânone do Novo Testamento é geralmente consensado entre as várias [[denominações cristãs]]: vinte e sete livros. Porém, a forma como estes livros estão organizados varia de tradição para tradição. Por exemplo, nas tradições luterana, eslavônica, ortodoxa etíope, ortodoxa síria e armênia, o Novo Testamento está ordenado de forma diferente do que se considera a forma padrão. As bíblias protestantes na Rússia e na Etiópia geralmente seguem a ordenação ortodoxa local dos livros. A [[Igreja Ortodoxa Síria]] e a [[Igreja Assíria do Oriente]] aderem à tradição litúrgica da ''[[Peshitta]]'', que, historicamente, exclui cinco livros do Novo Testamento (''[[antilegomena]]''): [[II João]], [[III João]], [[II Pedro]], [[Epístola de Judas|Judas]] e [[Apocalipse]]. Porém, estes livros estão incluídos nas bíblias modernas destas tradições.
 
Outras obras do Novo Testamento que geralmente são consideradas como [[apócrifos do Novo Testamento|apócrifas]], aparecem em algumas bíblias e manuscritos. Por exemplo, a [[Epístola aos Laodicenses]] aparece em diversos manuscritos latinos da ''[[Vulgata]]'', em dezoito bíblias alemãs anteriores à [[Bíblia de Lutero]] e também em diversas bíblias inglesas antigas, incluindo a tradução de [[João Wycliffe]]; em datas tão recentes quanto 1728, [[William Whiston]] a considerava como sendo genuinamente paulina. Da mesma forma, [[III Coríntios]]{{Efn|A "[[III Coríntios|Terceira epístola aos Coríntios]]" aparece como uma seção dos "[[Atos de Paulo]]", que sobreviveu apenas em fragmentos.}} já foi considerada parte da [[Bíblia armênia]],<ref>{{citecitar web |lastúltimo =Saifullah |firstprimeiro =M. S. M. |titletítulo=Canons & Recensions of the Armenian Bible |publisherpublicado=Islamic Awareness |url=http://www.islamic-awareness.org/Bible/Text/Canon/armenianlist.html |accessdateacessodata=| language língua= inglês}}.</ref>, mas não aparece mais nas edições modernas. Na tradição ortodoxa síria ela também já foi muito importante. Tanto [[Afraates (escritor)|Afraates]] quanto [[Efrém da Síria]] a estimavam muito e a tratavam como canônica.<ref>Metzger (1997), pp. 219, 223; cf. 7, 176, 182. Citado em {{cite bookcitar livro|editor-last1=McDonald |editor-first1=L. M. |editor-last2=Sanders |editor-first2=J. A. |yearano=2002 |lastúltimo =Epp |firstprimeiro =Eldon Jay |titletítulo=The Canon Debate |chaptercapítulo=Issues in the Interrelation of New Testament Textual Criticism and Canon |publisherpublicado=Hendrickson Publishers |pagepágina=492 |ref=harv| language língua= inglês}}</ref>. Porém, ela não entrou no cânone da ''Peshitta'' e acabou excluída do cânone.
 
O "[[Didaquê]]", o "[[Pastor de Hermas]]" e outras obras atribuídas aos [[Padres Apostólicos]] já foram consideradas canônicas por vários [[Pais da Igreja]] e ainda são consideradas como textos de grande status em algumas tradições. Porém, certos livros canônicos na tradição etíope traçam sua origem aos textos dos Padres Apostólicos e também às [[Ordenamentos da Igreja Antiga]]. Estes oito livros estão incluídos no "cânone ampliado": quatro livros de Sínodos, dois livros da Aliança, Clemente Etíope e a ''Didascalia'' Etíope.<ref>{{cite journalcitar periódico|lastúltimo =Cowley |firstprimeiro =R. W. |yearano=1974 |titletítulo=The Biblical Canon of the Ethiopian Orthodox Church Today |journalperiódico=Ostkirchliche Studien |volume=23 |pagespáginas=318–323 |url=http://www.islamic-awareness.org/Bible/Text/Canon/ethiopican.html| language língua= inglês}}</ref>.
===== Tabela do Novo Testamento =====
Ms.="Manuscrito; Mss.="Manuscritos".
| [[Atos dos Apóstolos|Atos]]<ref group=N name=Addition/> || {{Sim1}} || {{Sim1}} || {{Sim1}} || {{Sim1}} || {{Sim1}} || {{Sim1}} || {{Sim1}}
|-
| [[Atos de Paulo e Tecla]]<ref group=N name=AoP>Os "[[Atos de Paulo e Tecla]]", a "[[Epístola dos Coríntios a Paulo]]" e a "[[Terceira Epístola aos Coríntios]]" são todos partes da narrativa maior dos "[[Atos de Paulo]]", que parte de um católogo [[esticometria|esticométrico]] do cânone do Novo Testamento encontrado no ''[[Codex Claromontanus]]'', mas que sobreviveu apenas em fragmentos. É possível, porém, que partes destas obras tenham se desenvolvido de forma separada.</ref><ref>{{cite journalcitar periódico|last1último1 =Burris |first1primeiro1 =Catherine |last2último2 =van Rompay |first2primeiro2 =Lucas |yearano=2002 |titletítulo=Thecla in Syriac Christianity: Preliminary Observations |journalperiódico=Hugoye: Journal of Syriac Studies |volume=5 |issuenúmero=2 |pagespáginas=225–236 |url=http://www.bethmardutho.org/index.php/hugoye/volume-index/143.html|language língua= inglês}}</ref><ref>{{citation |lastúltimo =Carter |firstprimeiro =Nancy A. |yearano=2000 |titletítulo=The Acts of Thecla: A Pauline Tradition Linked to Women |url=https://gbgm-umc.org/umw/Coríntios/theclabackground.stm |publisherpublicado=Conflict and Community in the Christian Church |archiveurlarquivourl=https://web.archive.org/web/20120213054326/http://gbgm-umc.org/umw/Coríntios/theclabackground.stm |archivedatearquivodata=13 de fevereiro de 2012| language língua= inglês}}</ref> || {{Não3}} || {{Não3}} || {{Não3}} || style="background:#FFA6C9; text-align:center;"| Não<br>(tradição antiga) || {{Não3}} || {{Não3}} || style="background:#FFA6C9; text-align:center;"| Não<br>(tradição antiga)
|-
| colspan="8" style="text-align:center;"|''[[Epístolas paulinas]]''
{{refbegin|2}}
* ''Ante-Nicene Fathers''. Eerdmans Press.
* {{cite bookcitar livro|editor1=Lightfoot, Joseph |editor2=Harmer, John |editor3=Holmes, Michael |yearano=1992 |titletítulo=The Apostolic Fathers |publisherpublicado=Barker Book House |isbn=978-0-8010-5676-5| language língua= inglês}}
* ''Encyclopedia of the Early Church''. Oxford.
* {{cite bookcitar livro|lastúltimo =Beckwith |firstprimeiro =R. T. |yearano=1986 |titletítulo=The Old Testament Canon of the New Testament Church and Its Background in Early Judaism |publisherpublicado=Eerdmans Publishing Company |isbn=978-0-8028-3617-5| language língua= inglês}}
* {{citar livro| editor-sobrenome = Barnstone| editor-nome = Willis| ano = 1984| título = The Other Bible: Ancient Alternative Scriptures| editora = HarperCollins| isbn = 978-0-7394-8434-0| língua = inglês}}
* {{citar livro| sobrenome = Childs| editor-nome = Brevard S.| ano = 1984| título = The New Testament as Canon: An Introduction|editora = SCM Press| isbn = 0-334-02212-6| língua = inglês}}
* {{cite bookcitar livro|lastúltimo =Davis |firstprimeiro =L. D. |yearano=1983 |titletítulo=The First Seven Ecumenical Councils (325-787): Their History and Theology |publisherpublicado=Liturgical Press |isbn=978-0-8146-5616-7| language língua= inglês}}
* {{cite bookcitar livro|lastúltimo =Ferguson |firstprimeiro =Everett |titletítulo=Encyclopedia of Early Christianity| language língua= inglês}}
* {{cite bookcitar livro|lastúltimo =Fox |firstprimeiro =Robin Lane |titletítulo=The Unauthorized Version: Truth and Fiction in the Bible |publisherpublicado=Penguin Books |yearano=1992| language língua= inglês}}
* {{cite bookcitar livro|lastúltimo =Gamble |firstprimeiro =Harry Y. |yearano=2002 |titletítulo=The New Testament Canon: Its Making and Meaning |publisherpublicado=Wipf & Stock Publishers |isbn=1-57910-909-8| language língua= inglês}}
* Hennecke-Schneemelcher. ''NT Apocrypha'' {{en}}
* {{cite bookcitar livro|lastúltimo =Jurgens |firstprimeiro =W. A. |titletítulo=Faith of the Early Fathers| language língua= inglês}}
* {{citar livro| sobrenome = McDonald| nome = Lee Martin| ano = 2009| título = Forgotten Scriptures. The Selection and Rejection of Early Religious Writings| editora = Westminster John Knox Press| isbn = 978-0-664-23357-0| língua = inglês}}
* {{citar livro| sobrenome = McDonald| nome = Lee Martin| ano = 1988| título = The Formation of the Christian Biblical Canon| editora = Abingdon Press| isbn = 0-687-13293-2| língua = inglês}}
* {{citar periódico| sobrenome = Souter| nome = Alexander| ano = 1954| título = The Text and Canon of the New Testament| edição = 2ª.| jornal = Studies in Theology| número = 25| local = London| editora = Duckworth| língua = inglês}}
* {{citar livro| sobrenome = Stonehouse| nome = Ned Bernhard| ano = 1929| título = The Apocalypse in the Ancient Church: A Study in the History of the New Testament Canon| editora = Oosterbaan & Le Cointre| língua = inglês}}
* {{cite bookcitar livro|lastúltimo =Sundberg |firstprimeiro =Albert |titletítulo=The Old Testament of the Early Church |publisherpublicado=Harvard Press |yearano=1964| language língua= inglês}}
* {{citar livro| sobrenome = Taussig| nome = Hal| ano = 2013| título = A New New Testament: A Bible for the 21st Century Combining Traditional and Newly Discovered Texts| editora = Houghton Mifflin Harcourt| língua = inglês}}
* {{citar livro| sobrenome1 = Wall| nome1 = Robert W.| sobrenome2=Lemcio| nome2=Eugene E. | ano = 1992| título = The New Testament as Canon: A Reader in Canonical Criticism| editora = JSOT Press| isbn = 1-85075-374-1| língua = inglês}}
210 093

edições