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'''Cientificismo''' ou '''cientismo''' é a postura que afirma que a melhor maneira de investigar como as coisas são, sejam [[Natureza|naturais]], [[sociedade|sociais]], artificiais ou [[conceito|conceituais]], é pela adoção do [[método científico]].<ref name ="Mario Bunge UR">{{citar web|titulo= Como é a filosofia de Mario Bunge? Uma síntese conceitual|publicado=Universo Racionalista | ano= 2014| url= http://universoracionalista.org/como-e-a-filosofia-de-mario-bunge-uma-sintese-conceitual/ | accessodata acessodata= 16 de janeiro de 2015}}</ref><ref name=Shermer>{{Citar livro |sobrenome= Shermer|nome=Michel |título= The Shamans of Scientism |local= |editora=[[Scientific American]] |ano=2002 |página= |isbn= }}</ref> Segundo Karl Popper, o cientificismo é a crença dogmática na autoridade do método científico e nos seus resultados. O termo também implica a atitude de valorização altamente positiva do papel da [[ciência]] no desenvolvimento da [[cultura]] em particular, e da sociedade em geral.<ref name ="Cientificismo UR">{{citar web|titulo= Cientificismo sim, positivismo não! Denúncia de arrogância filosófica por ignorância científica!|publicado=Universo Racionalista | ano= 2015| url= http://universoracionalista.org/cientificismo-sim-positivismo-nao-denuncia-de-arrogancia-filosofica-por-ignorancia-cientifica/ | accessodata acessodata= 16 de janeiro de 2015}}</ref><ref name ="Cientificismo Medium">{{citar web|titulo= Diálogos sobre Cientificismo |publicado= Douglas Rodrigues | ano= 2015| url= https://medium.com/@DouglasRodrigues/dialogos-sobre-cientificismo-8965b054a463 | accessodata acessodata= 16 de janeiro de 2015}}</ref> No entanto esta tendência muitas vezes é entendida de modo pejorativo, como uma forma extrema de valorização da ciência<ref name=Haack>{{citar web |ultimo=Haack |primeiro=Susan |url=http://lihs.org.br/artigos/Haack_Seis_Sinais_de_Cientificismo_LiHS_2012.pdf |título=Seis Sinais de Cientificismo |data=2012 |formato=PDF |publicado=Liga Humanista Secular do Brasil |página=5-6}}</ref> ou relacionada significativamente com o [[positivismo lógico]],<ref>{{Cite journalcitar periódico| lastúltimo = Rey |primeiro first= Abel | titletítulo= Review of ''La Philosophie Moderne'' | journal periódico= The Journal of Philosophy, Psychology and Scientific Methods |volume= 6.2 |yearano= 1909 | pagespáginas= 51–3}}</ref><ref>{{Citation | firstprimeiro = Abraham | lastúltimo = Maslow | quote citação= There are criticisms of orthodox, 19th Century scientism and I intend to continue with this enterprise | title título= Toward a Psychology of Being | chapter capítulo= Preface | edition edição= 1st}}</ref> por ter sido usado por cientistas sociais como [[Friedrich Hayek]],<ref>{{Citation | lastúltimo = Hayek | title título= The Counter Revolution of Science: Studies on the Abuse of Reason | publisher publicado= Liberty Fund |data=1 datede =junho June 1,de 1980}}</ref>, [[filosofia da ciência|filósofos da ciência]] como [[Karl Popper]],<ref name = Popper-Hacohen>{{cite bookcitar livro|lastúltimo = Hacohen|firstprimeiro = Malachi Haim| titletítulo= Karl Popper: the formative years, 1902–1945: politics and philosophy in interwar Vienna | year ano= 2002| publisher publicado= Cambridge University Press| isbn= 978-0-521-89055-7}}</ref> e filósofos como [[Hilary Putnam]]<ref name= Putnam>{{citecitar booklivro|último last= Putnam|primeiro first= Hilary | title título= Renewing Philosophy |yearano=1992|publisherpublicado=Harvard University Press|locationlocal=Cambridge, MA|pagespáginas=x}}</ref> e [[Tzvetan Todorov]]<ref>"Scientism does not eliminate the will but decides that since the results of science are valid for everyone, this will must be something shared, not individual. In practice, the individual must submit to the collectivity, which "knows" better than he does." [[Tzvetan Todorov]]. ''The Imperfect Garden: the legacy of humanism''. Princeton University Press. 2001. Pg. 20</ref> para descrever um apoio dogmático ao método científico e da redução de todo o conhecimento a tudo o que é mensurável.<ref name=Outhwaite22>{{Citation | lastúltimo = Outhwaite | firstprimeiro = William | origyear anooriginal= 1988 | title título= Habermas: Key Contemporary Thinkers | publisher publicado= Polity Press | edition edição= 2nd | year ano= 2009 | page página= 22}}</ref> Esta tendência intelectual de matriz positivista preconiza a adoção do método científico, tal como é aplicado às [[ciências naturais]], em todas as áreas do saber e da cultura ([[filosofia]], [[ciências humanas]], artes, etc.), e tem sido criticada e geralmente interpretada de maneira depreciativa.<ref name=Haack/><ref name=Barbosa>{{Citar livro |sobrenome= Borba|nome=Francisco da Silva |título=Dicionário UNESP do português contemporâneo |local=São Paulo |editora=UNESP |ano=2004 |página=281 |isbn=9788571395763}}</ref>
 
Por outro lado, os defensores do cientificismo, entre eles o filósofo da ciência [[Mario Bunge]],<ref name ="Mario Bunge UR"/><ref name ="Cientificismo UR"/> o historiador da ciência [[Michael Shermer]]<ref name=Shermer/> e o filósofo [[Daniel Dennett]],<ref>{{Citation | url = http://www.newstatesman.com/200604100019 | firstprimeiro = Sholto | lastúltimo = Byrnes | title título= When it comes to facts, and explanations of facts, science is the only game in town | newspaper jornal= New Statesman |data=10 datede = 10abril Aprilde 2006}}</ref> afirmam que a postura não é uma doutrina que quer aplicar a ciência em todos os níveis, mas a visão de que a ciência é a melhor metodologia que existe para conhecer o mundo e possibilitar o [[tecnologia|desenvolvimento tecnológico]].<ref name ="Cientificismo UR"/><ref name ="Cientificismo Medium"/>
 
==História==
O termo "cientificismo" surgiu no começo do [[século XIX]]. Inicialmente, tinha um sentido neutro, significando, simplesmente, hábitos e modos de se expressar de um homem da [[ciência]]. Na época, o termo "ciência" tinha perdido seu sentido mais generalizado, que se aplicava a qualquer forma de conhecimento mais ou menos sistematizada, passando a se aplicar apenas às [[ciências naturais]], mas não às [[ciências humanas]].
 
Naquele momento, as ciências naturais já haviam obtido expressivo sucesso na aplicação do [[método científico]], com seus métodos de investigação e controle.<ref name=Haack/> Inspirado nesse sucesso, surge, ainda na primeira metade do século XIX, o [[positivismo]], [[corrente filosófica]] interessada em substituir as explicações [[filosófica]]s, [[teleologia|teleológicas]] ou de [[senso comum]], pelas quais até então a maioria das pessoas entendiam a [[realidade]]. O positivismo reconhecia que os meios reguladores do [[mundo físico]] e do [[sociedade|mundo social]] diferiam quanto à sua essência: o primeiro dizia respeito a acontecimentos externos ao ser humano, e o segundo, era relativo às questões humanas. No entanto a crença na [[naturalismo (filosofia)|origem natural]] de ambos os aproximavam. Usando como referência o método de investigação das ciências da natureza, os positivistas procuraram identificar, na vida social, as mesmas relações e os mesmos princípios com os quais os cientistas explicavam a vida natural.<ref name=Costa>{{Citar livro |sobrenome=Costa |nome=Cristina |título=Sociologia: Introdução á ciência da sociedade |local=São Paulo |editora=Editora Moderna |ano= 2000 |página=46-7 |isbn=9788516016630}}</ref>
 
Nas primeiras décadas do [[século XX]], essa tentativa de aplicar os métodos das ciências naturais aos outros campos de estudo passou a ser chamada de cientificismo, e o termo começou a ganhar um tom negativo.<ref name=Haack/><ref name=Outhwaite/> Cientificismo passou a denotar a ampliação da ciência ou do método científico além do seu âmbito científico, isto é, das ciências naturais. Logo começou a ser denunciado como cientificismo, toda tentativa de subordinar disciplinas tais como a [[psicologia]], [[sociologia]], [[antropologia]] etc., ao regime metodológico científico característico, até então, apenas das ciências naturais.<ref name=Outhwaite>{{Citar livro |sobrenome=Outhwaite |nome=William |título=Dicionário do pensamento social do século XX |local=Rio de Janeiro |editora=Zahar |ano=1996 |página=86 |isbn=9788571103450}}</ref>
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