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Desde a [[fundação da República Romana]], a [[ditador romano|ditadura]] foi o principal poder emergencial à disposição do Sneado. Em um ''[[senatus consultum]]'', os senadores autorizavam os [[cônsul romano|cônsules romanos]] a nomearem um ditador que receberia o ''[[imperium]] magnum'', um poder ilimitado para agir em períodos de emergência (geralmente militares) até que a crise fosse superada (nunca mais do que seis meses){{sfn|Lintott|2003|pages=109-113}}. A ditadura era a única exceção às regras de [[colegialidade]] e responsabilidade, o que significava que o ditador não podia ser responsabilizado por nenhum ato oficial. Esta situação mudou por volta de 300 a.C., quando, contra a própria natureza do cargo, a ditadura também foi submetida às regras de ''[[provocatio]]'' ("apelação"). Na prática, a [[Assembleia da plebe]] podia ser convocada para anular um ato executivo de um ditador. Por conta disto, a própria ditadura acabou caindo em desuso depois de 202 a.C..
 
O ''senatus consultum ultimum'', que apareceu como alternativa à ditadura no final do século II a.C., não tem um nome específico nas fontes antigas, nas quais ele é geralmente mencionado ''"citando as recomendações de abertura ao magistrado que comandou sua aprovação"''{{sfn|Golden|2013|p=105}} e é desta forma que os SCU foram sendo encontrados ao longo dos anos{{efn|Por exemplo, sabe-se de um SCU aprovado para [[Cícero]] em 63 a.C. por que [[Dião Cássio]] cita o decreto integralmente em sua "História Romana" (em grego)<ref>[[Dião Cássio]], 37, 31, 2-3</ref>: ''"...e eles votaram também tanto a proteção da cidade como de todos os seus afazeres aos cônsules, como era o costume; pois também estava escrito neste decreto que eles deveriam garantir que nenhum dano fosse sofrido pelo estado"''.<ref>Golden (2013), p. 104)</ref>.}}. Seu nome moderno deriva de uma seção de ''[[De Bello Civili]]'', de [[Júlio César]]: ''"[...] decurritur ad illud extremum atque ultimum senatus consultum''".<ref>[[Júlio César]], ''[[Commentarii de Bello Civili]]'' 1,5.</ref>. Como esta é a menção mais abreviada ao decreto disponível nas fontes antigas, ''"o termo [...] parece ter pegado"''{{sfn|Golden|2013|p=105}}. O termo utilizado oficialmente era muito mais longo. Gerhard Plaumann afirma que era ''"de ea re ita censuere: uti [...] rem publicam defendant operamque dent'' [ou ''videant''] ''ne quid res publica detrimenti capiat"''{{sfn|Plaumann|1913|p=325}}, tendo "destilado" esta forma de diversas fontes que citam estes decretos. Ele argumenta, portanto, que ''"senatus consultum de re publica defenda"''{{sfn|Plaumann|1913|p=326}} ou "semi-ditadura"{{sfn|Plaumann|1913|p=351}} seriam termos mais adequados.
 
A natureza vaga do termo é justamente o que fez com que sua própria legalidade fosse questionada. A palavra ''"ultimum"'' ("final") não indica que o decreto seria o último aprovado pelo Senado ou que ele seria um ''"[[ultimatum]]"'', mas que este decreto deveria ser entendido como sendo a "última alternativa"{{sfn|Golden|2013|p=106}}.
== História ==
=== Criação do SCU ===
Já no final do período republicano, o grupo aristocrático dos senadores, conhecido como ''[[optimates]]'', perceberam a necessidade de um novo poder emergencial que não estivesse submetido aos direitos públicos de ''[[provocatio]]'' e ao poder de ''[[intercessio]]'' dos [[tribunos da plebe]] especialmente por causa da proposta de [[reforma agrária]] defendida pelo tribuno [[Tibério Graco]], líder da facção dos ''[[populares]]'', adversária dos ''optimates''.<ref>[[Plutarco]], ''[[Vidas Paralelas (Plutarco)|Vidas Paralelas]]'', ''[[Vida de Tibério Graco]]'' 8</ref>. Até então, não havia como conter um tribuno que apelasse diretamente à [[Assembleia da plebe]] para transformar sua agenda em lei.
 
=== 133 a.C.: primeiro SCU contra Tibério Graco ===
Depois que Tibério Graco foi reeleito, um rumor se espalhou de que ele pretendia se tornar [[rei de Roma]], um crime capital. Ao saber disto, os senadores se indignaram e a maioria decidiu intervir de forma violenta. Um dos cônsules eleitos, [[Públio Múcio Cévola]] foi contra e argumentou que um ato desta natureza seria contra as leis romanas.<ref name=Tib18>[[Plutarco]], ''[[Vidas Paralelas (Plutarco)|Vidas Paralelas]]'', ''[[Vida de Tibério Graco]]'' 18.</ref>. Apesar de seus protestos, o Senado aprovou um "decreto final".<ref name=Tib18/><ref>Valério Máximo, III, 2, 17</ref>. Cévola se recusou a executar qualquer ato de violência sem que Tibério e seus aliados tivessem eles próprios realizado atos violentos. Diante desta indecisão, o primo de Graco, [[Públio Cornélio Cipião Násica Serapião (cônsul em 138 a.C.)|Públio Cornélio Cipião Násica Serapião]], o [[pontífice máximo]], exclamou: ''"Qui rem publicam salvam esse vult, me sequatur!"'' ("Os que desejam salvar a República, sigam-me!"). O grupo de Cipião Násica Serapião atacou Tibério, que foi morto no confronto,<ref>[[Plutarco]], ''[[Vidas Paralelas (Plutarco)|Vidas Paralelas]]'', ''[[Vida de Tibério Graco]]'' 19.</ref>, uma clara violação da [[sacrossantidade]] dos tribunos da plebe.
 
Alguns estudiosos, como Golden{{sfn|Golden|2013|p=106}} e Lintott/Momigliano{{sfnm|1a1=Lintott|1a2=Momigliano|1y=1996|1p=1388}}, duvidam que este caso corresponda a um SCU propriamente dito, uma vez que o magistrado mais alto da República, o cônsul, tenha decidido não agir com base nele. Plaumann defendeu que este raciocínio segue a lógica falaciosa de que um decreto só seria válido depois que um magistrado o executasse, mesmo admitindo que, na sua opinião, uma relutância em realizá-lo fosse possível{{sfn|Plaumann|1913|p=360}}. O assassinato de Tibério Graco não seria, neste caso, coberto por um SCU, pois não foi o cônsul que o realizou{{sfn|Ungern-Sternberg von Pürkel|1970|p=8}}. Chen Kefeng lembrou que ''"em comparação com períodos posteriores, [este SCU] foi incomum e não conforme com a fórmula ortodoxa por causa da falta de cooperação do magistrado mais alto"''{{sfn|Kefeng|2004|p=128}}.
 
=== 121 a.C.: SCU contra Caio Graco ===
Depois do segundo mandato de Caio Graco como [[tribuno da plebe]], [[Lúcio Opímio]], um conservador, foi eleito cônsul com a missão de lutar contra as propostas de Caio sobre reforma agrária e a expansão da [[cidadania romana]] para todos os [[sócio (Roma Antiga)|aliados latinos]] de Roma. No dia que Opímio planejava repelir as leis propostas por Caio Graco, um de seus aliados foi assassinado numa briga entre os dois grupos, a oportunidade que ele precisava para agir. O Senado passou um SCU<ref>[[Plutarco]], ''[[Vidas Paralelas (Plutarco)|Vidas Paralelas]]'', ''[[Vida de Caio Graco]]'' 14</ref><ref>[[Cícero]], ''[[Filípicas]]'' VIII,4; ''[[Catilinárias]]'' I, 2, 4</ref> e, no dia seguinte, Opímio reuniu os senadores conservadores e seus aliados para expulsar Caio Graco, que acabou assassinado na batalha que se seguiu.<ref>[[Plutarco]], ''[[Vidas Paralelas (Plutarco)|Vidas Paralelas]]'', ''[[Vida de Caio Graco]]'' 17.</ref>.
 
Por causa disto, Opímio foi julgado ''"quod indemnatos cives in carcerem coniecisset"'' ("por aprisionar uma pessoa sem julgamento"),<ref>[[Lívio]], ''Periochae [[Ab Urbe Condita libri|Ab Urbe Condita]]'' LXI.</ref>, mas foi absolvido. Com este precedente legal, o SCU como uma medida acima do ''[[provocatio]]'' público entrou para o direito romano (''[[mos maiorum]]''){{sfn|Plaumann|1913|p=363}}.
 
===100 a.C.: Caio Mário contra Saturnino ===
===77 a.C.: SCU contra Lépido ===
{{AP|Revolta de Lépido}}
[[Marco Emílio Lépido (cônsul em 78 a.C.)|Marco Emílio Lépido]], um antigo aliado de [[Lúcio Cornélio Sula]] e dos ''[[optimates]]'', foi eleito ao consulado em 78 a.C.. Já um defensor das teses dos ''[[populares]]'', Lépido rapidamente entrou em conflito com seu colega, [[Quinto Lutácio Cátulo Capitolino]] e os dois chegaram à beira de uma guerra civil. Para acalmar os ânimos, o Senado enviou Lépido no ano seguinte para governar a província da [[Gália Transalpina]], longe de Roma. Porém, ele retornou no ano seguinte com seu exército e um grupo de seguidores. O Senado aprovou um SCU,<ref>[[Salústio]], ''Hist. I, fr. 77</ref>, que foi executado principalmente por Cátulo, já um [[procônsul]], e [[Pompeu]] e não pelos cônsules.<ref>[[Apiano]], ''História Romana'', ''Guerras Civis'' I, 107.</ref>.
 
=== 63 a.C.&ndash;58 a.C.: Ataques ao SCU e a Conspiração Catilinária===
 
==== Julgamento de Rabírio ====
No início de 63 a.C., logo depois que [[Cícero]] assumiu seu cargo de [[cônsul romano|cônsul]], [[Júlio César]] incitou [[Tito Labieno]], um tribuno que havia perdido seu tio durante o tumulto em 100 a.C., a acusar [[Caio Rabírio]] de participar do assassinato de Saturnino e de seus seguidores.<ref>[[Suetônio]], ''[[Vidas dos Doze Césares]]'', ''[[Vida de Júlio César]]'' 12.</ref>. O verdadeiro motivo de César era minar a autoridade dos SCU, limitando sua autoridade para interferir nas decisões soberanas do povo. A importância deste julgamento é ilustrada pelo fato de o próprio Cícero, mesmo sendo cônsul, ter decidido liderar a defesa de Rabírio. O julgamento foi realizado na forma já obsoleta do [[perduélio]], com César e seu primo [[Lúcio Júlio César (cônsul 64 a.C.)|Lúcio Júlio César]] presidindo. Cícero argumentou que mesmo Rabírio sendo um ''[[privatus]]'' (um cidadão sem um cargo no estado) e, portanto, não estando empoderado pelo SCU, ele ainda assim tinha o dever, como cidadão romano, de defender o estado contra seus inimigos com base no antigo princípio romano de auto-ajuda.<ref>[[Theodor Mommsen|Mommsen]], Römisches Staatsrecht, p. 1240.</ref>. Labieno e César argumentaram o inverso: mesmo que o SCU tenha concedido o poder de executar uma pena de morte, ela só deveria ser executada pelo mais alto magistrado. Rabírio foi condenado, mas escapou da punição através de uma artimanha durante a apelação à [[Assembleia da plebe]]. A autoridade dos SCU foi abalada e não houve mais casos de cidadãos comuns atuando com base neles.
 
==== Cícero expõe a Conspiração Catilinária ====
{{AP|Segunda Conspiração Catilinária}}
Durante seu consulado, Cícero atrapalhou uma conspiração liderada por [[Lúcio Sérgio Catilina]] com o objetivo de derrubar a República Romana. Empoderado por um SCU aprovado pelo Senado em 21 de outubro,<ref>[[Salústio]], ''Catil.'' 29</ref><ref>[[Dião Cássio]], ''História Romana'' 37, 31, 2</ref><ref>[[Plutarco]], ''[[Vidas Paralelas (Plutarco)|Vidas Paralelas]]'', ''[[Vida de Cícero]]''15</ref><ref>[[Cícero]], ''[[Catilinárias]]'' I, 3.</ref>, Cícero proferiu quatro discursos contra Catilina (as "[[Catilinárias]]") e conseguiu expulsar os conspiradores da cidade. Os aliados de Catilina, porém, iniciaram um tumulto na cidade para disfarçar uma marcha de Catilina à frente de um exército. Catilina tentou ainda envolver os [[alóbroges]] em sua revolta, mas Cícero trabalhou com eles para apresentar as cartas enviadas por Catilina a eles como evidência perante o Senado. Enquanto os conspiradores eram mantidos prisioneiros, o Senado passou a discutir seu destino. Provavelmente por causa da experiência negativa durante o julgamento de Rabírio, Cícero, que podia ter agido por contra própria por causa do SCU, preferiu buscar o apoio dos demais senadores exatamente como [[Caio Mário]] havia feito em 100 a.C.. Depois que a maioria da casa se pronunciou a favor da execução dos envolvidos, [[Júlio César]] conseguiu convencer muitos propondo que eles fossem exilados para diferentes cidades italianas até que a revolta terminasse e um julgamento pudesse ser realizado. Ele argumentou que executar os conspiradores iria contra a ''Lex Sempronia'',<ref>[[Salústio]], ''Catil.'' 51.</ref>, mais uma tentativa de César de limitar o poder dos SCU subjugando-os às leis do ''provocatio''{{sfn|Meier|1968|p=104}}. [[Catão, o Jovem]], tomou a palavra e convenceu finalmente a casa a permitir a execução da pena de morte.<ref>[[Salústio]], ''Catil.'' 55.</ref>. Os conspiradores foram retirados do [[Tuliano]], onde estavam presos, e estrangulados. Apesar de ter recebido o título honorário de ''[[Pater Patriae]]''" por seus atos, muito populares entre o povo, Cícero temia uma punição por ter executado cidadãos romanos sem um julgamento{{sfn|Sage|1920|p=186}}.
 
==== Cícero é exilado ====
Depois do consulado de [[Júlio César]] em 59 a.C., ele ajudou [[Públio Clódio Pulcro]] a assumir o posto de [[tribuno da plebe]] antes de partir para suas [[província romana|províncias]].<ref>[[Suetônio]], ''[[Vidas dos Doze Césares]]'', ''[[Vida de Júlio César]]'' 20,4</ref><ref>[[Plutarco]], ''[[Vidas Paralelas (Plutarco)|Vidas Paralelas]]'', ''[[Vida de Júlio César]]'' 14,17.</ref>. Clódio, um inimigo antigo de Cícero, usou seu poder para bani-lo alegando que ele teria violado a ''Lex Sempronia'' ao executar os conspiradores sem julgamento.<ref>[[Dião Cássio]], ''História Romana'' 38,14,5-6</ref><ref>[[Plutarco]], ''[[Vidas Paralelas (Plutarco)|Vidas Paralelas]]'', ''[[Vida de Cícero]]'' 32.</ref>. O plano maior de César para minar os SCU e subjugá-lo às leis do ''[[provocatio]]'' parecia ter dado certo até que Cícero retornou, 15 meses depois, celebrado pelo povo.<ref>[[Plutarco]], ''[[Vidas Paralelas (Plutarco)|Vidas Paralelas]]'', ''[[Vida de Cícero]]'' 33,8.</ref>.
 
===52 a.C.: SCU após o assassinato de Clódio Pulcro ===
Em 19 de janeiro de 52 a.C., um SCU foi aprovado pelo Senado depois que a opinião pública se voltou contra os senadores por causa dos tumultos ocorridos depois da morte do tribuno [[Públio Clódio Pulcro]], assassinado naquele dia por [[Tito Ânio Milão]] no caminho de volta a Roma.<ref>[[Dião Cássio]], ''História Romana'' 40, 49, 5; [[Cícero]], ''Mil.'' 23, 61.</ref><ref>[[Apiano]], ''História Romana'', ''Guerras Civis'' 23,84.</ref>. O decreto foi endereçado contra os tribunos [[Quinto Pompeu Rufo (tribuno da plebe em 52 a.C.)|Quinto Pompeu Rufo]], [[Tito Munácio Planco]] e [[Caio Salústio Crispo]], aliados de Clódio, que haviam ateado fogo ao corpo dele dentro Cúria, queimando-a até o chão{{sfn|Plaumann|1913|p=336}}. Quando Pompeu foi declarado ''"consul sine collega"'', dois dias depois, o decreto foi unitilizado, pois a emergência iminente (os tumultos que impediam a realização das eleições) já haviam terminado{{sfn|Plaumann|1913|p=349}}.
 
=== 49 a.C.: SCU contra César ===
Durante seus últimos anos na [[Gália]], [[Júlio César]] com razão temia que o Senado pudesse colocá-lo em julgamento por ilegalidades cometidas durante o seu consulado. Para evitar isso, César planejou concorrer ao consulado uma vez mais, mas não quis voltar para Roma enquanto um reles ''[[privatus]]'' (cidadão sem cargo eletivo). Para isto, o Senado precisaria autorizar que ele concorresse ''[[in absentia]]'', uma lei proposta pelo leal [[tribuno da plebe]] [[Caio Escribônio Curião, o Jovem|Caio Escribônio Curião]]. Depois de duros debates durante todo o ano de 50 a.C., uma minoria no senado simbolicamente entregou a [[Pompeu]] uma espada em 1 de dezembro de 50 a.C. como um pedido simbólico para que ele convocasse um exército para defender Roma de César se ele atacasse a cidade quando suas exigências fossem negadas.<ref>[[Plutarco]], ''[[Vidas Paralelas (Plutarco)|Vidas Paralelas]]'', ''[[Vida de Pompeu]]'' 59.</ref>.
 
Em 1 de janeiro do ano seguinte, Curião retornou a Roma vindo do acampamento de César portando uma carta que os novos tribunos aliados dele, [[Marco Antônio]] e [[Lúcio Cássio Longino (procônsul)|Lúcio Cássio]], leram para os senadores. Logo depois, o Senado mais uma vez votou uma lei que retirou o comando de César e ordenou que ele voltasse imediatamente para Roma.<ref>[[Dião Cássio]]'', ''História Romana'' 41,2,2.</ref>. Imediatamente começaram as negociações entre os dois grupos lideradas por [[Cícero]], que esperava do lado de fora da cidade por seu [[triunfo romano|triunfo]]. Depois que as negociações fracassaram, o Senado repetiu a votação em 7 de janeiro, que foi imediatamente vetada pelos dois tribunos.<ref>[[Júlio César]], ''[[Da Guerra Civil]]'' 1,2,7-8</ref><ref>[[Plutarco]], ''[[Vidas Paralelas (Plutarco)|Vidas Paralelas]]'', ''[[Vida de Marco Antônio]]'' 5.</ref>. Foi nestas condições que o Senado aprovou um SCU com o objetivo de vencer a resistência dos tribunos e garantir que algo fosse feito em relação a César, que foi também declarado [[inimigo do estado]]{{sfn|Raaflaub|1974|p=77}}. Alertados sobre o destino de seus predecessores depois da aprovação de um SCU, os dois tribunos fugiram de Roma na mesma noite.<ref>[[Júlio César]], ''[[Da Guerra Civil]]'' 1,5</ref><ref>[[Dião Cássio]]'', ''História Romana'' 41,3,2</ref><ref>[[Cícero]], ''Fam.'' 16,11,2.</ref>. César soube dos eventos em 10 de janeiro quando estava em [[Ravena]]. No dia seguinte, ele cruzou o [[Rubicão]] e tomou [[Arímino]], onde se encontrou com Antônio e Cássio. Lá, César discursou para seus homens e usou os tribunos como provas vivas da legitimidade de seus atos; ele também chamou o SCU de um "novo exemplo" ({{lang-la|''"novum exemplum"''}}) de desacordo com o [[direito romano]]. César argumentou que nem mesmo [[Sula]] havia ousado tocar no direito de um tribuno de [[intercessio|interpor seu veto]] como o Senado havia feito daquela vez com a ameaça de violência armada<ref>[[Júlio César]], ''[[Da Guerra Civil]]'' 1,7,2.</ref>{{efn|[[Cícero]] contradiz esta afirmação e escreveu que os ''"[os tribunos] tendo sido expulsos da casa, sem nenhuma violência, deixaram a cidade com Curião para se juntarem a César"'' ({{lang-la|''"nulla vi expulsi ad Caesarem cum Curione profecti erant"''}}).<ref>[[Cícero]], ''Fam.'' 16,11,2</ref>. Ainda assim, ele admite que o Senado tinha permissão de usar de violência contra os tribunos.<ref>[[Cícero]], ''[[Filípicas]]'' 2,53</ref>.}}. Estes eventos resultaram na [[Guerra Civil de César|Grande Guerra Civil]] da [[República Romana]].
 
=== Exemplos adicionais e obsolescência ===
Abreviações para fontes antigas segue a lista apresentada em ''[[Realencyclopädie der Classischen Altertumswissenschaft|Der Neue Pauly]]'', Enzyklopädie der Antike (DNP). Ed. Hubert Cancik. Metzler: Stuttgart 1996–2003 (16 volumes em 19 sub-volumes mais 3 volumes suplementatres). ISBN 3-476-01470-3:
{{refbegin|2}}
*App. civ. = {{citecitar web|authorautor =[[Apiano]]|titletítulo=Roman History. The Civil Wars|url=http://www.loebclassics.com/view/appian-roman_history_civil_wars/1913/pb_LCL004.3.xml?result=10&rskey=2fBLGW|doi=10.4159/DLCL.appian-roman_history_civil_wars.1913|languagelíngua=inglês}}
*Caes. civ. = {{citecitar web|authorautor =[[Júlio César]]|titletítulo=The Civil Wars|url=http://www.loebclassics.com/view/caesar-civil_wars/1914/pb_LCL039.3.xml?rskey=etxtVh&result=1|doi=10.4159/DLCL.caesar-civil_wars.1914|languagelíngua=inglês}}
*Cass. Dio. = {{citecitar web|authorautor =[[Dião Cássio]]|titletítulo=Roman History|url=http://www.loebclassics.com/view/dio_cassius-roman_history/1914/pb_LCL032.3.xml?rskey=2kW2Ag&result=1|doi=10.4159/DLCL.dio_cassius-roman_history.1914|languagelíngua=inglês}}
*Cic. Catil. = {{citecitar web|authorautor =[[Cícero]]|titletítulo=In Catilinam 1-4|url=http://www.loebclassics.com/view/marcus_tullius_cicero-in_catilinam_i_iv/1976/pb_LCL324.33.xml?rskey=oV2MRG&result=1|doi=10.4159/DLCL.marcus_tullius_cicero-in_catilinam_i_iv.1976|languagelíngua=inglês}}
*Cic. fam. = {{citecitar web|authorautor =Cícero|titletítulo=Epistulae ad Familiares|url=http://perseus.uchicago.edu/perseus-cgi/citequery3.pl?dbname=PerseusLatinTexts&getid=1&query=Cic.%20Fam.|languagelíngua=inglês}}
*Cic. Mil. = {{citecitar web|authorautor =Cícero|titletítulo=Pro Milone|url=http://www.loebclassics.com/view/marcus_tullius_cicero-pro_milone/1931/pb_LCL252.7.xml?rskey=3o7aa6&result=60|doi=10.4159/DLCL.marcus_tullius_cicero-pro_milone.1931|languagelíngua=inglês}}
*Cic. Phil. VIII = {{citecitar web|authorautor =Cícero|titletítulo=Philippic 8|url=http://www.loebclassics.com/view/marcus_tullius_cicero-philippic_8/2010/pb_LCL507.35.xml?rskey=JpL9LT&result=14|doi=10.4159/DLCL.marcus_tullius_cicero-philippic_8.2010|languagelíngua=inglês}}
*Cic. Rab. perd. = {{citecitar web|authorautor =Cícero|titletítulo=Pro Rabirio Perduellionis|url=http://www.loebclassics.com/view/marcus_tullius_cicero-pro_rabirio_perduellionis/1927/pb_LCL198.453.xml?result=2&rskey=B22AkM|doi=10.4159/DLCL.marcus_tullius_cicero-pro_rabirio_perduellionis.1927|languagelíngua=inglês}}
*Liv. per. = {{citecitar web|authorautor =[[Lívio]]|titletítulo=Summaries|url=http://www.loebclassics.com/view/livy-history_rome_summaries/1959/pb_LCL404.7.xml?result=2&rskey=TFV8tV|doi=10.4159/DLCL.livy-history_rome_summaries.1959|languagelíngua=inglês}}
*Plut. Ant. = {{citecitar web|authorautor =[[Plutarco]]|titletítulo=Lives. Antony|url=http://www.loebclassics.com/view/plutarch-lives_antony/1920/pb_LCL101.139.xml?rskey=pvPc7C&result=1|doi=10.4159/DLCL.plutarch-lives_antony.1920|languagelíngua=inglês}}
*Plut. Caes. = {{citecitar web|authorautor =Plutarco|titletítulo=Lives. Caesar|url=http://www.loebclassics.com/view/plutarch-lives_caesar/1919/pb_LCL099.443.xml?rskey=RFxZc3&result=1|doi=10.4159/DLCL.plutarch-lives_caesar.1919|languagelíngua=inglês}}
*Plut. Cic. = {{citecitar web|authorautor =Plutarco|titletítulo=Lives. Cicero|url=http://www.loebclassics.com/view/plutarch-lives_cicero/1919/pb_LCL099.83.xml?rskey=tAxHl3&result=1|doi=10.4159/DLCL.plutarch-lives_cicero.1919|languagelíngua=inglês}}
*Plut. Pomp. = {{citecitar web|authorautor =Plutarco|titletítulo=Lives. Pompey|url=http://www.loebclassics.com/view/plutarch-lives_pompey/1917/pb_LCL087.117.xml?rskey=bKLlw6&result=1|doi=10.4159/DLCL.plutarch-lives_pompey.1917|languagelíngua=inglês}}
*Plut. Tib. Gracch. / C. Gracchus = {{citecitar web|authorautor =Plutarco|titletítulo=Lives. Tiberius and Gaius Gracchus|url=http://www.loebclassics.com/view/plutarch-lives_tiberius_gaius_gracchus/1921/pb_LCL102.145.xml?rskey=sTHXVZ&result=1|doi=10.4159/DLCL.plutarch-lives_tiberius_gaius_gracchus.1921|languagelíngua=inglês}}
*Sall. Catil. = {{citecitar web|authorautor =[[Salústio]]|titletítulo=The War with Catiline|url=http://www.loebclassics.com/view/sallust-war_catiline/2013/pb_LCL116.21.xml?rskey=2uc2cP&result=1|doi=10.4159/DLCL.sallust-war_catiline.2013|languagelíngua=inglês}}
*Sall. hist. = {{citecitar web|authorautor =Salústio|titletítulo=Fragments of Histories|url=http://www.attalus.org/translate/sallust.html|languagelíngua=inglês}}
*Suet. Caes. = {{citecitar web|authorautor =[[Suetônio]]|titletítulo=Lives of the Caesars 1. The Deified Julius|url=http://www.loebclassics.com/view/suetonius-lives_caesars_book_i_deified_julius/1914/pb_LCL031.37.xml?rskey=ZHHVkY&result=1|doi=10.4159/DLCL.suetonius-lives_caesars_book_i_deified_julius.1914|languagelíngua=inglês}}
*Val. Max. = {{citecitar web|authorautor =[[Valério Máximo]]|titletítulo=Memorable Doings and Sayings|url=http://www.loebclassics.com/view/valerius_maximus-memorable_doings_sayings/2000/pb_LCL492.13.xml?rskey=i5UXyd&result=1|doi=10.4159/DLCL.valerius_maximus-memorable_doings_sayings.2000|languagelíngua=inglês}}
{{refend}}
 
=== Fontes secundárias ===
{{refbegin|2}}
*{{citecitar booklivro|last1último1 =Golden|first1primeiro1 =Gregory K.|titletítulo=Crisis Management During the Roman Republic. The Role of Political Institutions in Emergencies|datedata=2013|publisherpublicado=Cambridge University Press|locationlocal=Cambridge|isbn=978-1-107-03285-9|language língua= inglês| ref=harv}}
*{{citecitar booklivro|last1último1 =Hardy|first1primeiro1 =Ernest George|titletítulo=Some Problems in Roman History - 10 essays bearing on the administrative and legislative work of Julius Caesar|datedata=1924|locationlocal=Oxford|isbn=1-58477-753-2|ref=harv|language língua= inglês}}
*{{citecitar journalperiódico|last1último1 =Kefeng|first1primeiro1 =Chen|titletítulo=A Perspective of the ''senatus consultum ultimum'' in the Late Roman Republic from the Constitutional Point of View|journalperiódico=Journal of Ancient Civilizations|yearano=2004|volume=19|pagespáginas=125–132|ref=harv|language língua= inglês}}
*{{citecitar booklivro|last1último1 =Lintott|first1primeiro1 =Andrew|titletítulo=Violence in Republican Rome|datedata=1999|publisherpublicado=Oxford University Press|locationlocal=Oxford|isbn=0198152825|ref=harv|language língua= inglês}}
*{{citecitar encyclopediaenciclopédia| last1último1 = Lintott| first1primeiro1 = Andrew|last2último2 =Momigliano|first2primeiro2 =Arnaldo| editor-last1 = Hornblower| editor-first1 = Simon| editor-last2 = Spawforth| editor-first2 = Antony| title título= ''senatus consultum ultimum''| encyclopedia enciclopédia= Oxford Classical Dictionary | pages páginas= 1388–1389| publisher publicado= Oxford University Press| location local= Oxford/New York| date data= 1996|ref=harv|language língua= inglês}}
*{{citecitar booklivro|last1último1 =Lintott|first1primeiro1 =Andrew|titletítulo=The Constitution of the Roman Republic|datedata=2003|publisherpublicado=Oxford University Press|locationlocal=Oxford|isbn=0199261083|editionedição=new|url=https://books.google.de/books?id=yaFPohP2lB8C|accessdateacessodata=19 Mayde maio de 2015|ref=harv|language língua= inglês}}
*{{citecitar journalperiódico|last1último1 =Martin|first1primeiro1 =Jochen|titletítulo=Die Provokation in der klassischen und späten Republik|journalperiódico=Hermes|yearano=1970|volume=98|pagespáginas=72–96|ref=harv|language língua= alemão}}
*{{Citation| lastúltimo = Meier | firstprimeiro = Christian | contribution contribuição= Ciceros Consulat | year ano= 1968 | title título= Cicero - ein Mensch seiner Zeit. Acht Vorträge zu einem geistesgeschichtlichen Phänomen | editor-lastsobrenome = Radke | editor-firstnome = Gerhard | pages páginas= 61–116 | place local= Berlin|isbn=3111182711|language língua= Alemão}}
*{{citecitar journalperiódico|last1último1 =Plaumann|first1primeiro1 =Gerhard|titletítulo=Das sogenannte Senatus consultum ultimum, die Quasidiktatur der späteren römischen Republik|journalperiódico=Klio|yearano=1913|volume=13|pagespáginas=321–386|ref=harv|language língua= alemão}}
*{{citecitar booklivro|last1último1 =Raaflaub|first1primeiro1 =Kurt|titletítulo=Dignitatis contentio - Studien zur Motivation und politischen Taktik im Bürgerkrieg zwischen Caesar und Pompeius|datedata=1974|publisherpublicado=Beck|locationlocal=München|isbn=3406047904|ref=harv|language língua= alemão}}
*{{citecitar journalperiódico|last1último1 =Sage|first1primeiro1 =Evan T.|titletítulo=The Senatus Consultum Ultimum|journalperiódico=Classical Weekly|yearano=1920|volume=13|pagespáginas=185–189|ref=harv|language língua= inglês}}
*{{citecitar booklivro|last1último1 =Ungern-Sternberg von Pürkel|first1primeiro1 =Jürgen Baron|titletítulo=Untersuchungen zum spätrepublikanischen Notstandsrecht - Senatusconsultum ultimo und hostis-Erklärung|datedata=1970|locationlocal=München|isbn=3-406-03094-7|ref=harv|language língua= alemão}}
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