Diferenças entre edições de "Trilha das Lágrimas"

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A '''Trilha ou Caminho das Lágrimas''' foi o nome dado pelos [[nativos americanos|nativos]] às viagens de [[transferência populacional|recolocações e migrações forçadas]], impostas pelo governo dos [[Estados Unidos da América]] às diversas tribos de [[índio]]s que seriam reunidas no chamado "[[Território Indígena]]" (atual Estado de [[Oklahoma]]), consoante a política de [[remoção indígena]]. Os índios habitavam as regiões ao sul da União.A referência à "Trilha das Lágrimas" foi retirada de uma descrição de um nativo da Nação Choctaw em 1831 .<ref>{{citecitar web
| url = http://www.tc.umn.edu/~mboucher/mikebouchweb/choctaw/trtears.htm
| title título= Choctaw Removal was really a "Trail of Tears"
| accessdate acessodata= 28-04-08
| author autor = Len Green
| publisher publicado= Bishinik, mboucher, University of Minnesota
|archiveurl arquivourl= http://web.archive.org/web/20080604005108/http://www.tc.umn.edu/~mboucher/mikebouchweb/choctaw/trtears.htm |archivedate arquivodata= 04-06--2008}}
</ref>. [[Ficheiro:Trails of Tears en.png|thumb|600px|As rotas das tribos Choctaw, Seminole, Muscogee/Creeks, Chickasaw e Cherokee nas remoções no sudeste americano (Legendas em Inglês)]]
Os nativos sofreram muito com as remoções e vários morreram durante as viagens e acampamentos forçados: estima-se que, da tribo Cherokee, de uma população de 15.000 vieram a falecer cerca de 4.000 índios.<ref name="books.google.com">http://books.google.com/books?id=Rk7NPRm_nB0C&pg=PA543&lpg=PA543&dq=african+american+slaves+trail+of+tears&source=web&ots=pru7VDnMir&sig=FH0QQpG0GtW3oCQ1kM6uCV5MTOg&hl=en&sa=X&oi=book_result&resnum=2&ct=result#PPA543,M1</ref>
 
 
Em 1830, as nações [[Cherokee]], [[Chickasaw]], [[Choctaw]], [[Creek]] e [[Seminole]], chamada por alguns de " [[Cinco tribos civilizadas|As Cinco Tribos Civilizadas]]", viviam com autonomia política e deveriam ser considerados americanos do sul. O processo de "transformação cultural" proposto por [[George Washington]] e [[Henry Knox]], já ocorria com muita força, principalmente entre os Cherokees e os Choctaw.<ref name=perdue>
{{citecitar booklivro
| last último = Perdue
| first primeiro = Theda
| title título= Mixed Blood Indians: Racial Construction in the Early South
| origdate = 2003
| publisher publicado= The University of Georgia Press
| chapter capítulo= Chapter 2 "Both White and Red"
| page página= 51
| id isbn= ISBN 0-8203-2731-X
}}
</ref>
 
[[Ficheiro:Five-Civilized-Tribes-Portraits.png|350px|left|thumb|Representação de nativos das cinco tribos indígenas civilizadas]]
 
Tinha-se que a remoção dos índios fora proposta pioneiramente por [[Thomas Jefferson]].{{carece de fontes|data=Setembro de 2008}}. [[Andrew Jackson]] foi o primeiro presidente americano a de fato implementar uma mudança desse tipo com a aprovação da Lei de 1830, o "[[Indian Removal Act]]". Em 1831 a tribo Choctaw inaugurou a remoção e com isso foi criado o modelo aplicado às demais. Depois dos Choctaw foi a vez dos Seminole (1832), dos Creeks (1834), Chickasaw (1837) e finalmente os Cherokee (1838).{{carece de fontes|datedata=Abril de 2008}}
 
== Remoção voluntária dos Choctaw ==
[[Ficheiro:Louisiana Indians Walking Along a Bayou.jpg|left|325px|thumb| Pintura ''Louisiana Indians Walking Along a Bayou'' de Alfred Boisseau de 1846, faz referência a remoção dos Choctaw.]]
 
A nação Choctaw ou Chacta vivia no que atualmente são os estados americanos de [[Alabama]], [[Mississippi]] e [[Louisiana]]. Depois de uma série de tratados iniciados em 1801, os territórios dos índios estavam reduzidos a 45.000 Km2. O Tratado de Dancing Rabbit Creek cedeu à União os antigos territórios selvagens. O Tratado foi ratificado em 1831.
 
O Secretário da Guerra [[Lewis Cass]] foi indicado por George Gaines para gerenciar a remoção. Gaines decidiu que a remoção se daria em três fases, de 1831 a 1833: A primeira começou em 1 de novembro de 1831 com os grupos sendo reunidos em [[Memphis (Tennessee)|Memphis]] e [[Vicksburg]]. Inicialmente os índios Choctaws foram transportados em carroções mas as nevascas do inverno dificultaram esse procedimento. Com a diminuição da comida, os moradores de Vicksburg e Memphis ajudaram e conseguiram cinco barcos a vapor (o Walter Scott, o Brandywine, o Reindeer, o Talma e o Cleopatra). O grupo de Memphis viajou pelo Arkansas por 95&nbsp;km. Com a temperatura abaixando e os rios congelando, a viagem parou por semanas. A comida foi racionada. Quarenta carroções do governo foram enviados à Arkansas Post e levaram os nativos para [[Little Rock]]. Foi ao chegar a esse local que o chefe (Thomas Harkins ou Nitikechi) disse ao jornal ''Arkansas Gazette'' que a remoção fora uma "''trail of tears and death''" (uma trilha de lágrimas e morte).<ref name=chris_watson>
{{citecitar web
| url = http://www.thebicyclingguitarist.net/studies/trailoftears.htm
| title título= The Choctaw Trail of Tears
| accessdate acessodata= 2008-04-29
| author autor = Chris Watson
| format formato= HTML
| publisher publicado=
}}
</ref> O grupo de Vicksburg teve um guia incompetente e se perdeu nos pântanos do [[Lake Providence]].
 
[[Ficheiro:Alexis de tocqueville.jpg|right|thumb|200px|Alexis de Tocqueville, político, historiador e pensador francês]]
 
O filósofo francês [[Alexis de Tocqueville]] testemunhou a remoção Choctaw em [[Memphis (Tennessee)|Memphis]] (1831)(tradução aproximada):
 
{{cquote|''Pairava no ar um sentimento de ruína e destruição, o fim dos atraiçoados e um inexorável ''adieu''; ninguém poderia assistir aquilo sem sentir um aperto no coração. Os índios estavam quietos, sombrios e taciturnos. A um deles que falava inglês eu perguntei porque os Chactas estavam deixando suas terras. "Para ser livre," o nativo me respondeu. Nós... assistíamos era a expusão... de um dos mais famosos e antigos povos americanos.''|20px|20px|- Alexis de Tocqueville, ''Democracy in America''<ref name=tocqueville>
{{citecitar web
| url = http://xroads.virginia.edu/~HYPER/DETOC/race/indian.html
| title título= Tocqueville and Beaumont on Race
| accessdate acessodata= 2008-04-28
| author autor = Alexis de Tocqueville
| last último = de Tocqueville
| first primeiro = Alexis
| date data= 1835-1840
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}}
</ref>}}
 
Cerca de 15.000 Choctaws foram para o "Território Indígena" ( atual [[Oklahoma]]).<ref name=wells-tubby>
{{citecitar booklivro
| last último = Satz
| first primeiro = Ronald
| editor = Samuel J. Wells and Roseanna Tuby
| title título= After Removal: The Choctaw in Mississippi
| origdate = 1986
| publisher publicado= University Press of Mississippi
| chapter capítulo= The Mississippi Choctaw: From the Removal Treaty of the Federal Agency
| page página= 7
| isbn = 0878052895
}}
 
Entre 2.500 e 6.000 índios morreram durante a remoção. De 5.000 a 6.000 Choctaws permaneceram no Mississippi em 1831.<ref name=david_baird>
{{citecitar booklivro
| last último = Baird
| first primeiro = David
| title título= The Choctaw People
| origdate = 1973
| publisher publicado= Indian Tribal Series
| location local= United States
| chapter capítulo= The Choctaws Meet the Americans, 1783 to 1843
| page página= 36
| id = Library of Congress 73-80708
}}
</ref><ref name=peterson>
{{citecitar booklivro
| last último = Walter
| first primeiro = Williams
| title título= Southeastern Indians: Since the Removal Era
| origdate = 1979
| publisher publicado= University of Georgia Press
| location local= Athens, Georgia
| chapter capítulo= Three Efforts at Development among the Choctaws of Mississippi
}}
</ref>
 
Os Choctaws que escolheram ficar foram objeto de intimidação legal e perseguição. Os índios tiveram suas casas derrubadas e queimadas e o gado debandado".<ref name=peterson />.
 
== Resistência Seminole ==
A [[Flórida]] foi adquirida pelo governo americano após o [[Tratado de Adams-Onís]] firmado com os espanhois e se tornou uma [[possessão imobiliária|possessão]] em 1821. Em 1832 os Seminoles foram chamados para um encontro em Payne's Landing no [[Rio Oklawaha]]. Ali foi negociado o tratado da remoção dos índios para o Oeste. Eles deveriam ficar nas reservas Creek. Os Seminoles pertenceram à tribo Creek originalmente, mas depois se separaram, sendo então considerados desertores. Devido à isso eles não queriam se mudar para o Oeste pois certamente entrariam em conflito com sua antiga tribo. A delegação de sete caciques que deveria inspecionar a nova reserva não deixaria a Flórida até outubro de 1832. Depois de percorrer a área e contatar os Creeks, os chefes assinaram o documento em 28 de março de 1833, aceitando as novas terras. Mas ao voltar para a Flórida, muitos deles negaram o documento, dizendo que não o haviam assinado ou foram forçados a fazê-lo. Diziam não ter o poder de decidir por todas as tribos e bandos que moravam na reserva. Mas os nativos da área do Rio Apalachicola acabaram sendo persuadidos e se foram para o Oeste em 1834.<ref>Missall. Pp. 83-85.</ref> Em 28 de dezembro de 1835&nbsp;um grupo de Seminoles e escravos fugidos emboscaram uma companhia do exército americano que tentava forçar a remoção dos Seminoles resistentes. De 110 militares apenas três sobreviveram, o que deu início a Segunda Guerra Seminole.
 
A Flórida começou a se preparar para a guerra. A milícia de St. Augustine pediu ao Departamento da Guerra 500 [[mosquete]]s emprestados. Quinhentos voluntários foram reunidos pelo Brigadeiro General [[Richard K. Call]]. Os guerreiros índios percorreram fazendas e povoados, obrigando as famílias a fugirem para as cercanias dos fortes, cidades maiores ou saírem do território. O líder guerreiro [[Osceola]] atacou um trem de suprimentos, matando oito dos guardas da milícia e ferindo seis outros. A maior parte dos suprimentos foi recuperado pela milícia após uma luta, dias depois. Plantações de cana na costa sul do Atlântico, em St. Augustine, foram destruídas e os escravos se juntaram aos Seminoles.<ref>Missall. Pp. 93-94.</ref>
 
Os líderes guerreiros [[Halleck Tustenuggee]], Jumper e os Seminoles negros Abraham e John Horse prolongaram a resistência nativa e enfrentaram o exército. A guerra terminou dez anos depois de iniciada, em 1842. O governo americano estimou ter gastado 20.000.000 de dolares com o conflito, uma soma astronômica para a época. Muitos índios foram forçados ao [[exílio]] para as terras Creek, ao Oeste do Mississippi; outros ficaram isolados nos [[Everglades]]. No fim, o governo desistiu de perseguir os Seminoles que ficaram nos Everglades (cerca de 100) e deixou-os em paz.<ref>Covington, James W. 1993. The Seminoles of Florida. Gainesville, Florida: University Press of Florida. ISBN 0-8130-1196-5. Pp. 145-6</ref>
 
 
Depois da [[Guerra de 1812]], alguns líderes Muscogee como [[William McIntosh]] assinaram tratados que cediam terras na Geórgia. Em 1814, com o Tratado do [[Forte Jackson]], a Nação Creek seria dividida em facções, bem como todas as tribos do Sul.<ref name=remini_expansion_and_removal>
{{citecitar booklivro
| last último = Remini
| first primeiro = Robert
| title título= Andrew Jackson
| origdate = 1977, 1998
| publisher publicado= History Book Club
| chapter capítulo= The Creek War: Victory
| page página= 231
| isbn = 0965063106
}}</ref>
 
Líderes Creeks amigáveis aos colonos americanos tais como Selocta e Grande Guerreiro, apelaram pela manutenção da paz ao presidente Andrew Jackson. Jackson endureceu as negociações com os resistentes e ignorou partes do Tratado de Ghent que beneficiavam as nações indígenas.
O conselho Creek, liderado por [[Opothleyahola|Opothle Yohola]], protestou junto ao governo americano, chamando o tratado de fraudulento. O presidente [[John Quincy Adams]] concordou em tornar nulo o tratado e um novo acordo foi assinado, o Tratado de Washington (1826). [http://digital.library.okstate.edu/kappler/Vol2/treaties/cre0264.htm].
 
Entretanto, o governador Troup da Georgia ignorou o novo documento e começou a pressionar os índios para que deixassem as terras. De início, o presidente Adams interveio com tropas federais, mas o governador chamou a milícia. Adams, temendo uma guerra civil, cedeu.
 
Forçados a sair da Georgia, os Creeks foram para o [[Território Indígena]]. Cerca de 20.000 nativos dessa tribo permaneciam no Alabama. Então houve uma mudança da lei que obrigava os índios a se submeterem as regras do estado. Opothle Yohola apelou ao presidente Andrew Jackson por proteção no estado, sem sucesso. Então foi assinado o Tratado de Cusseta em 24 de março de 1832, que dividiu as terras Creek em assentamentos individuais. [http://digital.library.okstate.edu/kappler/Vol2/treaties/cre0341.htm]. Com o tratado os Creeks poderiam vender seus assentamentos e conseguir dinheiro, inclusive para se mudarem para o Oeste. Especuladores de terras e aproveitadores começaram a expulsar os índios e a violência levou a chamada "Guerra Creek de 1836". O Secretário da Guerra [[Lewis Cass]] enviou o general [[Winfield Scott]] para colocar termo ao conflito e forçar a remoção dos índios para o Território Indígena ao Oeste do Rio Mississippi.
== A remoção forçada Cherokee ==
 
Em 1838, a nação [[Cherokee]] foi removida de suas terras na Georgia para a atual Oklahoma, o que resultou na morte de aproximadamente 4.000 índios.<ref>Cherokee Nation of Oklahoma: http://www.cherokee.org/Culture/CulInfo/TOT/58/Default.aspx</ref>
 
Na linguagem Cherokee, o evento é chamado de ''Nunna daul Isunyi''—“O caminho onde eles choraram”. A trilha Cherokee das lágrimas foi resultado do Tratado de New Echota, documento com base na lei de 1830 (''Indian Removal Act''). O tratado assinado pelo Partido Ridge nunca foi aceito pelos líderes ou a maioria da tribo Cherokee, representada no Partido Ross.
 
As tensões entre a Georgia e os Cherokees se acirraram com a descoberta de ouro nas proximidades de [[Dahlonega]] Georgia, em 1829. Foi a primeira [[febre do ouro|corrida do ouro]] na história dos EUA.
 
A Georgia estendeu as leis do estado para as tribos Cherokee em 1830, o que gerou conflito legal e chegou a Corte Suprema em 1831 como o pleito ''Nação Cherokee vs. Georgia''. O juiz [[John Marshall]] não reconheceu a nação Cherokee e recusou-se a continuar com o caso. Contudo, em ''Worcester vs. Estado da Georgia'' (1832), a Corte sentenciou que o estado não poderia impor leis no território Cherokee. Apenas o governo federal teria essa autoridade.
Com a lei de 1830, o Congresso deu ao presidente Jackson a autoridade para negociar a remoção dos índios. E pressionado pela disputa com a Georgia, o presidente forçaria os índios a assinar o tratado de remoção.<ref>Remini, ''Andrew Jackson'', p. 257, Prucha, ''Great Father'', p. 212.</ref>
 
Com o Tratado de New Echota e a resistência ao mesmo, o sucessor de Jackson, o presidente [[Martin Van Buren]] organizou as milícias da Georgia, [[Tennessee]], [[Carolina do Norte]] e [[Alabama]] para manter 13.000 Cherokees acampados até que fossem enviados para o Oeste. A maioria das mortes ocorreu por difterias, infecções e gripes que assolaram esses acampamentos. Um dos soldados da operação sob as ordens do general Winfield Scott, escreveu:
 
{{cquote|''Eu lutei nas guerras entre paises e atirei em muitos homens, mas a remoção Cherokee foi o trabalho mais cruel que eu conheci.''|20px|20px|- Soldado da Georgia que participou da remoção,<ref name="The Earth Shall Weep">{{citecitar booklivro
| last último = Remini
| first primeiro = Robert
| title título= The Earth Shall Weep: A History of Native America
| origdate = 2000
| publisher publicado= Grove Press
| chapter capítulo= Invasion
| page página= 170
| id isbn= ISBN 0-8021-3680-X
}}</ref> }}
 
* ''[[The Trail of Tears: Cherokee Legacy]]'' (2006) -dirigido por Chip Richie com James Earl Jones
 
=={{Ligações externas}}==
* [http://www.cts.bia.edu/trail_of_tears/index.htm Remote Sensing Technology to Understanding the Choctaw Removals]
* [http://www.nps.gov/trte/index.htm Trail of Tears National Historic Trail (U.S. National Park Service)]