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{{Ver desambig}}
[[Imagem:Dharavi India.jpg|thumb|350px|Favela [[Dharavi]], em [[Mumbai]], na [[Índia]], uma das maiores do mundo. Na cidade, 55% da população vive em favelas, que cobrem apenas 6% de seu território.<ref>[http://www.spiegel.de/international/spiegel/0,1518,469031,00.html Slums, Stocks, Stars and the New India]</ref> A taxa de crescimento das favelas de Mumbai é maior do que a taxa de crescimento urbano geral da cidade.<ref>[http://www.macalester.edu/courses/GEOG61/espencer/slums.html Slums]</ref>]]
[[Imagem:Urban population living in slums.svg|thumb|350px|Porcentagem da população urbana por país vivendo em favelas por país.<br />(Fonte: [[UN-Habitat]], 2005) {{dividir em colunas|cols=4}}
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'''Favela''' <sup>([[português brasileiro]])</sup>, '''bairro de lata''' <sup>([[português europeu]])</sup>, '''musseque''' <sup>([[português angolano]])</sup> ou '''caniço''' <sup>([[português moçambicano]])</sup><ref>[http://f.hypotheses.org/wp-content/blogs.dir/415/files/2011/05/favela.pdf Fonte] que cita o [[Houaiss]] de 2001, [http://www.ceg.ul.pt/finisterra/numeros/1999-6768/6768_16.pdf aqui] explicada a origem do termo. Acessado em 7 de março de 2014.</ref> é um assentamento urbano informal [[Densidade populacional|densamente povoado]] caracterizado por moradias precárias e [[miséria]].<ref name=whyslums>[http://www.unhabitat.org/downloads/docs/4625_51419_GC%2021%20What%20are%20slums.pdf What are slums and why do they exist?] UN-Habitat, Kenya (Abril de 2007)</ref> Apesar dasde as favelas diferirem em tamanho e em outras características de país para país, a maioria delas carece de serviços básicos, como [[saneamento]], abastecimento de [[água potável]], [[eletricidade]], [[policiamento]], [[corpo de bombeiros]], além da falta de [[Infraestrutura (engenharia)|infraestrutura]] em geral e de regularização [[Estrutura fundiária|fundiária]], entre outros problemas. As residências desse tipo de assentamento urbano variam de barracos mal construídos até edifícios deteriorados.<ref name="UN-HABITAT 2007 Press Release">[http://www.unhabitat.org/downloads/docs/4625_51419_GC%2021%20What%20are%20slums.pdf UN-HABITAT 2007 Press Release] on its report, "The Challenge of Slums: Global Report on Human Settlements 2003".</ref>
 
As favelas foram um fenômeno comum na história urbana de [[Estados Unidos]], [[Canadá]] e [[Europa]] durante o século XIX e início do século XX.<ref name="Lawrence Vale 2007">Lawrence Vale (2007), From the Puritans to the Projects: Public Housing and Public Neighbors, Harvard University Press, ISBN 978-0674025752</ref><ref name="jech.bmj.com">[http://jech.bmj.com/content/60/8/654.full Back to back housing, courts, and privies: the slums of 19th century England] J.R. Ashton, Journal Epidemiol Community Health 2006; Volume 60, Issue 8, pages 654</ref> A partir da segunda metade do século XX, as favelas passaram a ser encontradas predominantemente em regiões urbanas [[País em desenvolvimento|em desenvolvimento]] e [[País subdesenvolvido|subdesenvolvidas]] do mundo, mas também eram observadas em algumas cidades de [[País desenvolvido|economias desenvolvidas]].<ref name="Slums: Past, Present and Future">[http://www.unhabitat.org/documents/media_centre/sowcr2006/SOWCR%204.pdf Slums: Past, Present and Future] United Nations Habitat (2007)</ref><ref name=grhs2003>[http://www.unhabitat.org/downloads/docs/grhs.2003.key.pdf The challenge of slums - Global report on Human Settlements], United Nations Habitat (2003)</ref>
 
Em 2012, de acordo com ao [[Programa das Nações Unidas para os Assentamentos Humanos]] (UN-HABITAT]]), cerca de 33% da população urbana do [[País em desenvolvimento|mundo em desenvolvimento]] — ou cerca de 863 milhões de pessoas — vivia em favelas.<ref name="UNHABITATswcr1213"/> A proporção da população urbana que vive em favelas foi maior na [[África Subsaariana]] (61,7%), seguida pelo [[Sul da Ásia]] (35%), [[Sudeste da Ásia]] (31%), [[Ásia]] (28,2%), [[Ásia Ocidental]] (24,6%), [[Oceania]] (24,1%), [[América Latina]] e [[Caribe]] (23,5%) e [[Norte da África]] (13,3%). Em 2009, entre todos os países do mundo, a proporção de residentes urbanos que viviam em áreas consideradas como favelas foi maior na [[República Centro-Africana]] (95,9%). Entre 1990 e 2010, o percentual de pessoas vivendo em favelas diminuiu, enquanto a população urbana total aumentou.<ref name="UNHABITATswcr1213">{{Citar web|título=State of the World's Cities Report 2012/2013: Prosperity of Cities|publicado=UNHABITAT| url=http://sustainabledevelopment.un.org/content/documents/745habitat.pdf |acessodata=4 de outubro de 2013}}</ref> A maior favela do mundo está localizada na Cidade do México.<ref>Mike Davis, Planet of Slums [« Le pire des mondes possibles : de l'explosion urbaine au bidonville global »], La Découverte, Paris, 2006 (ISBN 978-2-7071-4915-2)</ref><ref>[http://www.ibtimes.com/5-biggest-slums-world-381338 5 Biggest Slums in the World], International Business Times, Daniel Tovrov, IB Times (December 9, 2011)</ref><ref>Craig Glenday (Editor), Guinness World Records 2013, Bantam, ISBN 978-0-345-54711-8; see page 277</ref>
 
As favelas formam-se e crescem em muitas partes diferentes do mundo e por razões distintas. Entre as causas para o surgimento delas estão o rápido [[êxodo rural]] rumo às áreas urbanas, a [[Estagnação econômica|estagnação]] ou a [[depressão econômica]], o elevado nível de [[desemprego]], a [[pobreza]], a [[economia informal]], a falta de [[planejamento urbano]], os desastres naturais e os conflitos sócio-políticos.<ref name=whyslums/><ref>Patton, C. (1988). Spontaneous shelter: International perspectives and prospects, Philadelphia: Temple University Press</ref><ref name=grhs2011>[http://www.unhabitat.org/downloads/docs/GRHS.2003.2.pdf Assessing Slums in the Development Context] United Nations Habitat Group (2011)</ref> Entre as diversas estratégias que tentaram reduzir, transformar e melhorar favelas em diferentes países, com graus de sucesso distintos, estão uma combinação de processos de remoção e urbanização de favelas, planejamento urbano, grande desenvolvimento de infraestruturas de [[transporte público]] e projetos de [[habitação social]].<ref name=unh2007a>[http://www.unhabitat.org/downloads/docs/4631_46759_GC%2021%20Slum%20dwellers%20to%20double.pdf Slum Dwellers to double by 2030] UN-HABITAT report, Abril de 2007.</ref><ref>[http://www.globalurban.org/GUDMag06Vol2Iss1/Serageldin,%20Solloso,%20&%20Valenzuela.htm Local Government Actions to Reduce Poverty and Achieve The Millennium Development Goals], Mona Serageldin, Elda Solloso, and Luis Valenzuela, Global Urban Development Magazine, Vol 2, Issue 1 (Março de 2006)</ref>
 
== Histórico ==
[[Imagem:Jacob Riis - Bandits' Roost.jpg|thumb|esquerda|Fotografia de uma das ruas da favela de [[Five Points (Manhattan)|Five Points]], em [[Nova York]], por [[Jacob Riis]] (ca''[[circa]]'' 1890).]]
Favelas eram comuns nos [[Estados Unidos]] e na [[Europa]] antes do início do século XX. Em 1825, foi criada na cidade de [[Nova York]] a favela de [[Five Points (Manhattan)|Five Points]], que se acredita ter sido o primeiro assentamento urbano informal do tipo no mundo.<ref name="jech.bmj.com"/><ref name=nyt2001>[http://www.nytimes.com/2001/09/30/books/the-first-slum-in-america.html The First Slum in America] Kevin Baker, The New York Times (30 de setembro de 2001)</ref> A favela ficava onde anteriormente existia um lago poluído chamado Collect.<ref name=nyt2001/><ref>Solis, Julia. ''New York Underground: The Anatomy of a City''. p. 76.</ref> Five Points foi ocupada por sucessivas ondas de [[Escravidão nos Estados Unidos|escravos]] libertos e depois por [[Imigração italiana nos Estados Unidos|imigrantes italianos]], chineses e [[Imigração irlandesa nos Estados Unidos|irlandeses]]. O local era o lar de pessoas pobres, famílias rurais que [[êxodo rural|migravam para a cidade]] e de povos perseguidos na [[Europa]] que chegavam a Nova York. Bares[[Bar]]es, [[Prostíbulo|bordéis]], cortiços[[cortiço]]s miseráveis ​​e sem luz forravam suas ruas. A violência e o crime eram cotidianos. Hoje, o local da antiga favela transformou-se nonos bairrobairros de [[Little Italy (Manhattan)|Little Italy]] e [[Chinatown (Manhattan)|Chinatown]].<ref name="Lawrence Vale 2007"/><ref name=nyt2001/> Five Points não foi a única favela dos Estados Unidos.<ref>Suttles, Gerald D. 1968. The Social Order of the Slum. Chicago: University of Chicago Press</ref><ref>Gans, Herbert J. 1962. The Urban Villagers. New York: The Free Press</ref> [[Jacob Riis]], [[Walker Evans]], [[Lewis Hine]] e outros fotografaram assentamentos informais desse tipo muitos antes da [[Segunda Guerra Mundial]] e favelas eram encontradas em todas as grandes regiões urbanas do país no início do século XX, antes e durante a [[Grande Depressão]] (ver ''[[hooverville]]'').<ref>[http://affordablehousinginstitute.org/blogs/us/2008/10/history-of-us-public-housing-part-3-the-slum-clearance-era.html HISTORY OF US PUBLIC HOUSING] Affordable Housing Institute, United States (2008); See Part 1, 2 and 3</ref>
 
Na Europa, as favelas também eram comuns.<ref>Eckstein, Susan. 1990. Urbanization Revisited: Inner-City Slum of Hope and Squatter Settlement of Despair. World Development 18: 165-181</ref><ref>Encyclopedia of the City (2005), Editor: Roger W. Caves, ISBN 978-0415252256, (page 410); also see Encyclopædia Britannica (2001), article on Slum</ref> Em 1850, o cardeal católico Wiseman descreveu a área conhecida como ''Devil's Acre'' ("[[Acre (unidade)|Acre]] do [[Diabo]]") em [[Westminster]], em [[Londres]], como segue:
 
{{quote|"Próximo à [[Abadia de Westminster]] há labirintos escondidos de travessas e penicos[[penico]]s, becos e vielas, ninhos de ignorância, [[vício]], depravação e crime, bem como de imundice, miséria e doença; cuja atmosfera é [[tifo]], cuja ventilação é cólera…"[[cólera]]...|<ref>{{citar livro|último = Ward|primeiro = Wilfrid Philip|título= The Life and Times of Cardinal Wiseman, Volume 1|ano= 2008|local= BiblioBazaar|páginas= 568| url =http://books.google.com/?id=M4mhP5Dc9NMC&dq=%22cardinal+wiseman%22+slum | isbn =978-0-559-68852-2}}</ref>}}
[[Imagem:Zoniers d'Ivry (1913).jpeg|thumb|Cortiço em [[Ivry-sur-Seine]], a 5 kmquilômetros do [[1.º arrondissement de Paris|centro de [[Paris]], em 1913. Favelas existiram na [[periferia]] da cidade até os [[anos 1950]].<ref>Rosemary Wakeman, The Heroic City: Paris, 1945-1958, University of Chicago Press, ISBN 978-0226870236; see pages 45-61</ref><ref>Courgey (1908), Recherche et classement des anormaux: enquête sur les enfants des Écoles de la ville d’Ivry-sur-Seine, International Magazine of School Hygiene, Ed: Sir Lauder Brunton, 395-418</ref>]]
 
Favelas são frequentemente associadas com a [[Era Vitoriana|Grã-Bretanha vitoriana]], particularmente com as cidades industriais do [[norte da Inglaterra|norte inglês]], além de cidades [[Escócia|escocesas]] e [[Dublin]], na [[Irlanda]]. [[Engels]] descreveu esses bairros britânicos como "galpões de gado para seres humanos".<ref>[http://www.theguardian.com/science/2009/aug/28/archaeology-manchester-victorian-slums Unearthing Manchester's Victorian slums] Mike Pitts, The Guardian (August 27, 2009)</ref> Estas comunidades pobres ainda foram habitadas até a década de 1940, quando o governo britânico começou um processo de remoção de favelas e construiu novas [[moradias sociais]], conhecidas como ''[[council house]]''.<ref>[http://fet.uwe.ac.uk/conweb/house_ages/council_housing/section4.htm The History of Council Housing] University of the West of England, Bristol (2008)</ref>
 
Na [[França]], as favelas eram generalizadas em [[Paris]] e em todas as áreas urbanas francesas do século XIX, sendo que muitas continuaram habitadas até a primeira metade do século XX. A primeira [[epidemia]] de [[cólera]], em 1832, desencadeou um debate político, e o estudo de [[Louis René Villermé]]<ref>Nancy Krieger, Historical roots of social epidemiology, Int. Journal Epidemiol. (2001) 30 (4): 899-900</ref> sobre vários [[Arrondissements de Paris|''arrondissements'' parisienses]] demonstrou as diferenças e as conexões entre as favelas, a pobreza e a falta de saúde.<ref>Ann-Louise Shapiro (1985), Housing the Poor of Paris, 1850-1902, ISBN 978-0299098803</ref> Na década de 1950, a França lançou a iniciativa ''Habitation à Loyer Modéré''<ref name="URO habitat">[http://www.convergence-lr.fr/evenement/1/hlm-ideesrecues-2012.pdf 10 idées reçues sur les HLM], Union sociale pour l'habitat, February 2012</ref><ref>[http://www.housingeurope.eu/publication/social-housing-country-profiles/social-housing-in/fr France - public housing] European Union</ref> para financiar e construir habitações sociais e remover favelas.<ref>[http://www.connexionfrance.com/Livret-savers-interest-rate-Banque-ceiling-tax-14884-view-article.html Livret A rate falls to 1.25%] The Connexion (18 de julho de 2013)</ref>
 
A cidade do [[Rio de Janeiro (cidade)|Rio de Janeiro]] documentou a sua primeira favela no censo de 1920. Por volta dos anos 1960, mais de 33% da população do Rio, 45% da população da [[Cidade do México]] e de [[Ancara]], 65% da de [[Argel]], 35% da de [[Caracas]], 25% dos habitantes de [[Lima]] e [[Santiago (Chile)|Santiago]] e 15% dos de [[Singapura]] viviam em favelas. Nos anos 1980, havia cerca de 25 mil favelas em diferentes países da [[América Latina]].<ref>Janice Perlman (1980), The Myth of Marginality: Urban Poverty and Politics in Rio de Janeiro; University of California Press, ISBN 978-0520039520; pages 12-16</ref>
 
== Características ==
[[Imagem:SLUMS BREED CRIME. UNITED STATES HOUSING AUTHORITY - NARA - 515429.jpg|thumb|180px|esquerda|Um [[cartaz]] associando favela àa [[violência]], usado pela Autoridade Habitacional dos EUAEstados Unidos em 1940. Os governos locais nos EUAEstados Unidos criaram muitos cartazes e lançaram uma campanha [[Meios de comunicação social|midiática]] para obter o apoio dos cidadãos para a remoção de favelas e planejamento da habitação pública.<ref>[http://www.theatlanticcities.com/design/2011/11/public-housing-posters-new-york-city/407/#slide1 How New York City Sold Public Housing] Mark Byrnes, The Atlantic (November 2, 2011)</ref>]]
 
As características associadas a favelas variam de um lugar para outro. Favelas são normalmente caracterizadas pela degradação urbana, elevadas taxas de [[pobreza]] e [[desemprego]]. Elas normalmente são associadas a problemas sociais como o [[crime]], [[toxicodependência]], [[alcoolismo]], elevadas taxas de [[Doença mental|doenças mentais]] e [[suicídio]]. Em muitos países pobres, elas apresentam elevadas taxas de [[doença]]s devido às péssimas condições de [[saneamento]], [[desnutrição]] e falta de cuidados básicos de [[saúde]]. Um grupo de peritos[[perito]]s das [[Nações Unidas]] criou uma definição operacional de uma favela como uma área que combina várias características: acesso insuficiente à [[água potável]], ao [[saneamento básico]] e a outras [[Infraestrutura (engenharia)|infraestruturas]]; má qualidade estrutural de habitação; superlotação; e estruturas residenciais inseguras.<ref name="UN-HABITAT 2007 Press Release"/> Pode-se acrescentar o baixo estado socioeconômico de seus residentes.<ref>Measure Evaluation / NIPORT (2006) Slums of urban Bangladesh: mapping and census, 2005. Centre for Urban Studies / Measure Evaluation / National Institute of Population Research and Training. Accessed 9 June 2007 [http://www.cpc.unc.edu/measure/publications/pdf/tr-06-35.pdf]</ref>
 
Como a construção desses assentamentos é informal e não guiada pelo [[planejamento urbano]], há uma quase total ausência de redes formais de [[rua]]s, ruas numeradas, rede de [[esgoto]]s, [[Energia elétrica|eletricidade]] ou [[telefone]]. Mesmo quando esses recursos estão presentes, eles são susceptíveis a serem desorganizados, velhos ou inferiores. As favelas também tendem à falta de serviços básicos presentes nos assentamentos mais formalmente organizados, incluindo o [[Polícia|policiamento]], os [[Hospital|serviços médicos]] e de [[Bombeiro|combate]] a [[incêndio]]s. Os incêndios são um perigo especial para as favelas, não só pela a falta de postos de combate a incêndios e de caminhões de [[bombeiros]], que não conseguem acessar as estreitas ruas e vielas,<ref>{{citar web|url=http://www.eluniversal.com/2009/07/04/ccs_art_solo-tres-unidades-d_1460015.shtml|título=Sólo tres unidades de bomberos atienden 2 mil barrios de Petare|autor=Jorge Hernández |língua3=es}}</ref> mas também devido à proximidade dos edifícios e da inflamabilidade dos materiais utilizados na construção.<ref>See the report on shack fires in South Africa by Matt Birkinshaw [http://abahlali.org/files/Big_Devil_Politics_of_Shack_Fire.pdf] as well as the wider collection of articles in fires in shanty towns at [http://web.archive.org/web/20130528151712/http://www.abahlali.org/taxonomy/term/841]</ref> Um incêndio que varreu as colinas de Shek Kip Mei, em [[Hong Kong]], no final de 1953, deixou 53 mil moradores de favelas sem-abrigo, levando o governo colonial a instituir um sistema imobiliário de reassentamento.
 
=== Risco de doenças ===
[[Imagem:A_young_boy_sits_over_an_open_sewer_in_the_Kibera_slum,_Nairobi.jpg|thumb|Menino ao lado do esgoto na favela de [[Kibera]], em [[Nairóbi]], no [[Quênia]], uma das maiores do mundo]]
[[Imagem:Cite Soleil - Home to 500 000.JPG|thumb|Menino em meio ao lixo na favela [[Cité Soleil]], em [[Porto Príncipe]], no [[Haiti]]]]
 
Os moradores de favelas geralmente experimentam uma alta taxa de doenças,<ref name="measles">{{citar periódico|último =Desai|primeiro =V.K.|coautor=el al.|título=Study of measles incidence and vaccination coverage in slums of Surat city|periódico=Indian Journal of Community Medicine|ano=2003|volume=28|issue=1}}</ref> como [[cólera]],<ref>{{Citar web|último=Nossiter|primeiro=Adam|título=Cholera Epidemic Envelops Coastal Slums in West Africa|url=http://www.nytimes.com/2012/08/23/world/africa/cholera-epidemic-envelops-coastal-slums-in-west-africa.html?_r=1&|publicado=New York Times |acessodata=20 de novembro de 2013}}</ref><ref>[http://www.africa-health.com/articles/september_2012/Newsdesk.pdf Cholera epidemic envelops coastal slums in West Africa, Africa Health], page 10 (Setembro de 2012)</ref> [[HIV]]/[[AIDS]],<ref>[http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC3427858/ Are slum dwellers at heightened risk of HIV infection than other urban residents? Evidence from population-based HIV prevalence surveys in Kenya] Nyovani Madise et al., Health Place. 2012 September; 18(5): 1144–1152</ref><ref>Burns, P. A., & Snow, R. C. (2012). The built environment & the impact of neighborhood characteristics on youth sexual risk behavior in Cape Town, South Africa. Health & Place, 18(5), 1088-1100</ref> [[sarampo]],<ref>[http://medind.nic.in/ibl/t08/i3/iblt08i3p168.pdf MEASLES OUTBREAK – A STUDY IN MIGRANT POPULATION IN ALIGARH] Najam Khalique et al, Indian J. Prev. Soc. Med. Vol. 39 No.3& 4 2008</ref> [[malária]],<ref>Bhattacharya, S. K., Sur, D., Dutta, S., Kanungo, S., Ochiai, R. L., Kim, D. R., … & Deen, J. (2013). Vivax malaria and bacteraemia: a prospective study in Kolkata, India. Malaria journal, 12(1), 176-178</ref> [[dengue]],<ref>Alzahrani, A.G. et al. (2013). Geographical distribution and spatio-temporal patterns of dengue cases in Jeddah Governorate from 2006–2008. Transactions of The Royal Society of Tropical Medicine and Hygiene, 107(1), 23-29</ref> [[febre tifoide]],<ref>Corner, R. J., Dewan, A. M., & Hashizume, M. (2013). Modelling typhoid risk in Dhaka Metropolitan Area of Bangladesh: the role of socio-economic and environmental factors. International journal of health geographics, 12(1), 13.</ref> [[tuberculose]] resistente a medicamentos<ref>[http://www.biomedcentral.com/1471-2458/12/536 Socio-demographic determinants and prevalence of Tuberculosis knowledge in three slum populations of Uganda] Ekwaro Obuku et al, BMC Public Health 2012, 12:536</ref><ref>[http://www.worldbank.org/en/news/feature/2013/05/09/india-battling-tb-in-indias-slums India: Battling TB in India’s slums] The World bank (9 de maio de 2013)</ref> e outras [[epidemia]]s.<ref>Victoriano, A. et al. (2009). Leptospirosis in the Asia Pacific region. BMC Infectious Diseases, 9(1), 147</ref><ref>Sampaio et al, (2010), [http://www.plosntds.org/article/info%3Adoi%2F10.1371%2Fjournal.pntd.0000877 Risk factors for death in children with visceral leishmaniasis], PLoS neglected tropical diseases, 4(11), e877</ref> Estudos que analisaram a saúde de crianças em favelas abordaram que a cólera e a [[diarreia]] são especialmente comuns nessas localidades.<ref name="cholera">{{citar periódico|último =Sur|primeiro =Dipika|coautor=et al.|título=The burden of cholera in the slums of Kolkata, India: data from a prospective, community based study|periódico=Archives of disease in childhood|ano=2005|volume=90|issue=11|páginas=1175–1181}}</ref><ref>{{citar periódico|último =Deen|primeiro =Jacqueline L.|coautor=et al.|título=The high burden of cholera in children: comparison of incidence from endemic areas in Asia and Africa|periódico=PLoS neglected tropical diseases|ano=2008|volume=2|issue=2|página=173}}</ref> Além da vulnerabilidade das crianças a doenças, muitos estudiosos também apontam a alta prevalência de HIV/AIDS entre mulheres que moram em favelas,<ref>{{citar periódico|último =Ghosh|primeiro =Jayati|coautor=et al.|título=Vulnerability to HIV/AIDS among women of reproductive age in the slums of Delhi and Hyderabad, India|periódico=Social Science & Medicine|ano=2009|volume=68|issue=4|páginas=638–642}}</ref><ref>{{citar periódico|último =Odek|primeiro =Willis Omondi|coautor=et al.|título=Effects of micro-enterprise services on HIV risk behaviour among female sex workers in Kenya’s urban slums|periódico=AIDS and Behavior|ano=2009|volume=13|issue=3|páginas=449–461}}</ref> visto que a [[desigualdade de gênero]] aumenta o risco das mulheres contrair HIV/AIDS. A [[monogamia]] mútua ou o uso de [[preservativo]]s são duas das principais formas de prevenção do HIV/AIDS, mas algumas mulheres podem não ser capazes de modificar seus comportamentos devido a autoridade ou a violência por parte dos homens.<ref>{{citar periódico|último =Piot|primeiro =P.|título=A gendered epidemic: Women and the risks and burdens of HIV|periódico=Journal of the American Medical Womens Association|ano=2001|volume=56|páginas=90–91}}</ref> Além disso, doenças podem levar a uma alta taxa de mortalidade em favelas. De acordo com um estudo realizado em favelas de [[Nairóbi]], no [[Quênia]], o HIV/AIDS e a tuberculose atribuídos a cerca de 50% do índice de mortalidade dessas regiões.<ref>{{citar periódico|último =Kyobutungi|primeiro =Catherine|coautor=et al.|título=The burden of disease profile of residents of Nairobi's slums: Results from a Demographic Surveillance System|periódico=Population Health Metrics|ano=2008|volume=6|issue=1}}</ref>
 
=== Desemprego e economia informal ===
[[Imagem:Musseque vertical, Luanda.JPG|thumb|esquerda|upright|Favela vertical em [[Luanda]], em [[Angola]]]]
Devido à falta de estudo, bem como de mercados de trabalho competitivos,<ref name="Gupta">{{citar periódico|último =Gupta|primeiro =Indrani|coautor=Arup Mitra|título=Rural migrants and labour segmentation: Micro-level evidence from Delhi slums.|periódico=Economic and Political Weekly|ano=2002|páginas=163–168}}</ref> muitos moradores de favelas enfrentam altas taxas de [[desemprego]].<ref>[http://www.who.int/gho/urban_health/determinants/slum_residence_text/en/ Slum residence] World Heath Organization (2010)</ref> As oportunidades de trabalho limitadas fazem com que muitos deles busquem empregos na [[economia informal]], dentro da favela ou em áreas urbanas desenvolvidas próximas da favela. Isto às vezes pode ser envolver atividades lícitas ou ilícitas, sem qualquer tipo de [[segurança social]]. Algumas dessas pessoas continuam a buscar emprego e acabam por encontrar empregos na economia formal depois de ganhar algumas habilidades profissionais em setores informais da economia.<ref name="Gupta" />
 
Entre os exemplos de atividades lícitas de economia informal estão a venda ambulante, empresas familiares, montagem e embalagem de produtos, produção de [[artesanato]]s, trabalho doméstico, polimento ou reparo de sapatos, condução de veículos sem regularização, como [[tuk-tuk]], entre outros.<ref>[http://www.citiesalliance.org/sites/citiesalliance.org/files/CAFiles/Projects/Final_Annexure_20.pdf Taj Ganj Slum Housing], Cities Alliance (2012)</ref><ref>[http://water.tkk.fi/English/wr/research/global/myth/10_Heinonen_Informal_Myths-of-Mekong.pdf The hidden role of informal economy] Ulla Heinonen, Helsinki University of Technology, Finland (2008); ISBN 978-951-22-9102-1</ref>
 
Em algumas favelas, as pessoas separam e [[Reciclagem|reciclam]] lixo de diferentes tipos para ganhar a vida. Normalmente, essas [[Economia informal|economias informais]] lícitas exigem que os pobres paguepaguem, regularmente algum tipo de [[suborno]] para policiais e funcionários do governo local.<ref>[http://www.ucl.ac.uk/dpu-projects/Global_Report/pdfs/Karachi.pdf The case of Karachi, Pakistan] Urban Slum Reports, A series on Slums of the World (2011); see page 13</ref>
 
Entre as atividades de economia informal ilícitas, estão o [[Narcotráfico|tráfico de substâncias ilegais]] e de [[Tráfico de armas|armas]], a produção de drogas[[droga]]s ou de bebidabebidas alcoólicas, [[prostituição]] e, [[jogos de azar]], e todas as atividades que envolvem riscos para o indivíduo, família e sociedade.<ref>[http://allafrica.com/stories/201301071790.html Uganda: slum areas, posh pubs biggest drug hubs] All Africa News (January 7, 2013)</ref><ref name=economist>{{citar jornal| url=http://www.economist.com/research/articlesBySubject/displaystory.cfm?subjectid=348945&story_id=16018262|título=African Moonshine: Kill Me Quickly|publicado=[[The Economist]] |data=2010-04-29}}</ref><ref>Larry Whiteaker (1997), Seduction, Prostitution, and Moral Reform in New York, 1830-1860, ISBN 978-0815328735, page 29</ref>
 
Os relatórios recentes que refletem as atividades econômicas informais ilícitas incluem o comércio e a distribuição de drogas em favelas do [[Brasil]], a produção de produtos falsificados nas ''colonias'' de [[Tijuana]], no [[México]], o contrabando em favelas de [[Karachi]], no [[Paquistão]], ou a produção de [[Droga sintética|drogas sintéticas]] nos ''[[Township (África do Sul)|townships]]'' de [[Joanesburgo]], na [[África do Sul]].<ref>Vanda Felbab-Brown, [http://www.brookings.edu/~/media/research/files/papers/2011/12/05%20latin%20america%20slums%20felbabbrown/1205_latin_america_slums_felbabbrown Bringing the State to the Slum: Confronting Organized Crime and Urban Violence in Latin America - Lessons for Law Enforcement and Policymakers] Brookings Institute (December 2011)</ref>
 
Os favelados em economias informais correm muitos riscos. O setor informal, por sua própria natureza, significa insegurança de renda e falta de [[mobilidade social]]. Há também ausência de contratos legais, de proteção dos [[direitos trabalhistas]] e de regulamentos em empregos informais.<ref>{{citar livro|último =Breman|primeiro =J.|título=The labouring poor in India: Patterns of exploitation, subordination, and exclusion|ano=2003|publicado=Oxford University Press|local=New Delhi}}</ref>
 
== Causas ==
[[Imagem:Mexico City suburbs Cuautepec.JPG|thumb|Favela em Cuautepec, na [[Cidade do México]].]]
[[Imagem:Belgrade slum.jpg|thumb|Favela de [[Belgrado]], na [[Sérvia]].]]
Favelas surgem e permanecem por uma combinação de razões demográficas, sociais, econômicas e políticas. Entre as causas mais comuns, estão o rápido [[êxodo rural]], a falta de planejamento urbanos, períodos de depressão ou estagnação econômica, a [[pobreza]], o [[desemprego]] elevado, a [[economia informal]], o [[colonialismo]] e a segregação ([[Segregação racial|racial]] ou [[Segregação social|social]]), [[desastres naturais]] e guerras.
 
=== Êxodo rural ===
 
=== Urbanização ===
[[Imagem:Just another way to bath @ Saigon.jpg|thumb|esquerda|Favela na [[Cidade de Ho Chi Minh]], no [[Vietnã]]]]
[[Imagem:Sulukule.JPG|thumb|esquerda|Um ''[[gecekondu]]'' de [[Sulukule]], em [[Fatih]], em [[Istambul]], supostamente o bairro [[Ciganos|cigano]] mais antigo da Europa]]
A formação de favelas está intimamente ligada ao processo de [[urbanização]].<ref name="Davis">{{citar livro|último =Davis|primeiro =Mike|título=Planet of Slums|ano=2006|publicado=Verso}}</ref> Em 2008, mais de 50% da população mundial vivia em áreas urbanas. Por exemplo, em 2007 estimava-se que na [[China]] a população que vive em áreas urbanas iria aumentar em 10% dentro da década seguinte de acordo com suas taxas de urbanização.<ref>{{citar livro|título=State of the world population 2007: unleashing the potential of urban growth|ano=2007|publicado=United Nations Population Fund|local=New York}}</ref> A [[UN-Habitat]] afirma que 43% da população urbana nos [[países em desenvolvimento]] e 78% das pessoas que vivem em cidades de [[países menos desenvolvidos]] são moradores de favelas.<ref name=grhs2003 />
 
 
=== Falta de planejamento urbano ===
[[Imagem:Slum in Cairo.jpg|thumb|Favela no [[Cairo]], no [[Egito]]]]
[[Imagem:Barrio de Caracas.jpg|thumb|Favela em [[Caracas]], na [[Venezuela]]]]
A falta de habitações de baixo custo acessíveis e o mau [[planejamento urbano]] incentivam a criação de favelas.<ref name=lse>[http://lsecities.net/media/objects/articles/istanbuls-gecekondus Istanbul's Gecekondus] Orhan Esen, London School of Economics and Political Science (2009)</ref> Os [[Objetivos de Desenvolvimento do Milênio]], propostos pelas [[Nações Unidas]], propõem que os países membros devem fazer uma "melhora significativa nas vidas de pelo menos 100 milhões de moradores de favelas" até 2020.<ref>{{citar periódico|último =United Nations|título=United Nations Millennium Declaration|periódico=United nations millennium summit|ano=2000|url=http://www.un.org/millennium/declaration/ares552e.pdf}}</ref> Se os países membros conseguirem alcançar este objetivo, 90% dos moradores de favelas do mundo podem permanecer nesses assentamentos precários até 2020.<ref name=Choguill>{{citar periódico|último =Choguill|primeiro =Charles L.|título=The search for policies to support sustainable housing|periódico=Habitat International|ano=2007|volume=31|issue=1|páginas=143–149}}</ref> Choguill afirma que o grande número de moradores de favelas indica uma deficiência da política de habitação na prática.<ref name=Choguill /> Sempre que há uma lacuna entre uma significativa e crescente demanda por habitação e uma oferta insuficiente de habitação acessível, esta demanda é geralmente suprida em parte pelas favelas.<ref name=lse />
 
 
=== Colonialismo e segregação ===
[[Imagem:Soweto township.jpg|thumb|Favela em [[Soweto]], em [[Joanesburgo]], na [[África do Sul]]]]
[[Imagem:Kowloon Walled City.jpg|thumb|Vista da [[cidade murada de Kowloon]], em [[Hong Kong]], demolida em 1994]]
Algumas das favelas no mundo de hoje são um produto da urbanização trazida pelo [[colonialismo]]. Por exemplo, os [[europeus]] chegaram ao [[Quênia]] no século XIX e criaram centros urbanos, como [[Nairóbi]], principalmente para servir os seus interesses financeiros. Eles consideravam os [[povos africanos]] como migrantes temporários e precisavam deles apenas como [[força de trabalho]]. A política habitacional com o objetivo de acomodar esses trabalhadores não foi bem executada e o governo construiu assentamentos na forma de ocupações individuais. Devido ao alto custo de tempo e dinheiro em seu movimento entre áreas rurais e urbanas, as famílias migrantes gradualmente migraram para os centros urbanos. Como elas não podiam comprar casas, favelas foram assim formadas.<ref>{{citar periódico|último =Obudho|primeiro =R. A.|coautor=G. O. Aduwo|título=Slum and squatter settlements in urban centres of Kenya: Towards a planning strategy|periódico=Journal of Housing and the Built Environment|ano=1989|volume=4|issue=1|páginas=17–30}}</ref>
 
=== Infraestrutura deficiente, exclusão social e estagnação econômica ===
[[Imagem:Slum in Lagos.jpg|thumb|esquerda|Makoko, em [[Lagos (Nigéria)|Lagos]], na [[Nigéria]], uma das favelas mais antigas da [[África]] construídas sobre [[palafita]]s.]]
A exclusão social e a infraestrutura deficiente obrigam os pobres a se adaptar a condições fora do seu controle. As famílias pobres que não podem pagar por transporte ou aqueles que simplesmente não têm qualquer acesso a uma forma de [[transporte público]], geralmente acabam em assentamentos informais a uma curta distância ou perto o suficiente do local de seu emprego formal ou informal.<ref name=lse/> Ben Arimah cita esta exclusão social e a infraestrutura urbana precária como causas do surgimentos de inúmeras favelas em cidades africanas.<ref name=barimslum>[http://www.oecd.org/dev/pgd/46837274.pdf Slums as Expressions of Social Exclusion: Explaining the Prevalence of Slums in African Countries] Ben Arimah, United Nations Human Settlements Programme, Nairobi, Kenya</ref> Ruas de má qualidade e não pavimentadas incentivam o aparecimento de favelas; um aumento de 1% no número de estradas asfaltadas, afirma Arimah, reduz a taxa de incidência de favelas em cerca de 0,35 %. O transporte público acessível e de qualidade e uma infraestrutura econômica eficiente capacita as pessoas pobres a se mover pela cidade e a não considerar as favelas como opções de moradia.<ref>[http://www.irinnews.org/report/84803/africa-improved-infrastructure-key-to-slum-upgrading-un-official Africa: Improved infrastructure key to slum upgrading - UN Official] IRIN, United Nations News Service (11 de junho de 2009)</ref><ref>[http://www.gsd.harvard.edu/academic/fellowships/wheelwright/images/Slum%20Upgrading_Elisa%20Silva.pdf LATIN AMERICAN SLUM UPGRADING EFFORTS] Elisa Silva, Arthur Wheelwright Traveling Fellowship 2011, Harvard University</ref>
 
 
== Crescimento e distribuição ==
[[Imagem:Principaux Bidonvilles.png|thumb|350px|Mapa indicando as favelas mais populosas do mundo.]]
As favelas existem em todos os países e tornaram-se um fenômeno global.<ref name="Working paper">{{citar periódico|último =Arimah|primeiro =Ben C.|título=The face of urban poverty: Explaining the prevalence of slums in developing countries, Working paper|periódico=World Institute for Development Economics Research|ano=2010|volume=30}}</ref> Um relatório da [[UN-Habitat]] afirma que, em 2006, havia cerca de 1 bilhão de pessoas vivendo em favelas na maioria das cidades de [[América Latina]], [[Ásia]] e [[África]], e um número menor nas cidades da [[Europa]] e [[América do Norte]].<ref>{{citar livro|último =UN-HABITAT (2006b)|título=State of the World’s Cities 2006/2007: The Millennium Development Goals and Urban Sustainability|ano=2006|publicado=Earthscan|local=London}}</ref> Em 2012, de acordo com a UN-Habitat, cerca de 863 milhões de pessoas no [[País em desenvolvimento|mundo em desenvolvimento]] viviam em favelas. Destes, a população urbana em favelas em meados do ano foi de cerca de 213 milhões na [[África Subsariana]], 207 milhões na [[Ásia Oriental]], 201 milhões no [[Sul da Ásia]], 113 milhões na [[América Latina]] e [[Caribe]], 80 milhões no Sudeste da Ásia, 36 milhões na [[Ásia Ocidental]] e 13 milhões de pessoas no [[Norte da África]]. Entre os países, a proporção de residentes urbanos que vivem em áreas de favelas em 2009 era maior na [[República Centro-Africana]] (95,9%), [[Chade]] (89,3%), [[Níger]] (81,7%) e [[Moçambique]] (80,5%).<ref name="UNHABITATswcr1213"/>
 
A distribuição de cortiços dentro de uma cidade varia ao longo do mundo. Na maioria dos [[países desenvolvidos]], é mais fácil de distinguir as áreas de favelas das áreas estruturadas. Nos Estados Unidos, os moradores das favelas são geralmente encontrados em bairros degradados da cidade e em [[subúrbio]]s, enquanto na [[Europa]], eles são mais comuns em habitações nas periferias urbanas. Em muitos países em desenvolvimento, as favelas são predominantes assentamentos informais densamente construídos e distribuídos pelas zonas urbanas.<ref name="Working paper"/> Em algumas cidades, especialmente nos países do sul da Ásia e da África Subsariana, as favelas não são apenas bairros marginalizados que abrigam uma pequena população; as favelas nessas regiões não são apenas comuns, como são o lar de uma grande parte da população urbana. Estas às vezes são chamados de cidades-favelas.<ref>{{citar livro|título=Slum Cities and Cities with Slums" States of the World’s Cities 2008/2009|publicado=UN-Habitat}}</ref>
[[Imagem:Villamiseria4.JPG|thumb|esquerda|Favela [[Villa 31]], em [[Buenos Aires]], na [[Argentina]]]]
 
A percentagem da população urbana que vive em favelas no mundo em desenvolvimento vem caindo com o crescimento econômico, mesmo enquanto a população urbana total tem vindo a aumentar. Em 1990, 46% da população urbana vivia em favelas, em 2000, esse percentual caiu para 39%, que diminuiu para 32% em 2010.<ref>{{Citar web|título=State of the World's Cities Report 2012/2013: Prosperity of Cities|publicado=UNHABITAT| url=http://sustainabledevelopment.un.org/content/documents/745habitat.pdf|página=127}}</ref>
Nos últimos anos, tem sido observado um grande crescimento no número de favelas devido ao aumento da população urbana em [[País em desenvolvimento|países em desenvolvimento]] e [[País subdesenvolvido|subdesenvolvidos]]. Em abril de 2005, o diretor da [[UN-HABITAT]], afirmou que a comunidade global ficou aquém das [[Metas de Desenvolvimento do Milênio]] que visavam melhorias significativas para os moradores de favelas, sendo que nos dois anos anteriores o número de pessoas a viver em favelas tinha aumentado em 50 milhões.<ref>[http://www.unhabitat.org/content.asp?cid=1744&catid=312&typeid=6&subMenuId=0 Millenium Development Goals - News, 5 de abril 2005]</ref> De acordo com um relatório de 2006 da UN-HABITAT, 327 milhões de pessoas vivem em favelas em países da ''[[Commonwealth]]'' - quase um em cada seis cidadãos dessa comunidade. Em um quarto dos países da ''Commonwealth'' (11 [[África|africanos]], 2 [[Ásia|asiáticos]] e 1 do [[Oceano Pacífico|pacífico]]), mais do que dois em cada três habitantes urbanos vive em favelas e muitos destes países estão se urbanizando rapidamente.<ref>Comhabitat: [http://web.archive.org/web/20120425150012/http://www.comhabitat.org/struct_docs/CSOBriefingPaper.pdf Briefing paper produced for the Commonwealth Civil Society Consultation, Marlborough House, London, Wednesday, 15 de novembro de 2006]</ref> O número de pessoas vivendo em favelas na [[Índia]] mais do que dobrou nas últimas duas décadas e agora excede ao de toda a população do [[Reino Unido]], segundo anúncio do governo indiano.<ref>{{citar web| url=http://www.timesonline.co.uk/tol/news/world/asia/article1805596.ece | publicado=The Times | local=London |título=Indian slum population doubles in two decades | nome=Jeremy | sobrenome=Page |data=18/05/2007 |acessodata=23/05/2010}}</ref>
 
Na [[Índia]] e na [[África do Sul]], esses povoamentos são frequentemente chamados de ''squatter camps'' ou ''imijondolo''; nas [[Filipinas]] e na [[Venezuela]], são conhecidos como ''barrios''; no [[Brasil]], como ''favelas''; na [[Jamaica]] e em [[Trinidad e Tobago]], como ''shanty town''; no [[México]], como "cidades perdidas" ou "assentamentos irregulares"; no [[Peru]], como ''pueblos jóvenes''; no [[Haiti]], como ''bidonvilles'' e, na [[Turquia]], têm o nome de ''[[gecekondu]]''.<ref>{{Citar web |url=http://ejts.revues.org/index45.html |titulo=Gecekondu |primeiro=Jean-François |ultimo=Pérouse |acessodata=14 de julho de 2011 |ano=2004 |mes=janeiro |obra=ejts.revues.org |publicado=European Journal of Turkish Studies |lingua2=fr}}</ref>
 
=== Brasil ===
[[Imagem:1 rocinha night 2014 panorama.jpg|thumb|upright=1.5180px|A favela da [[Rocinha]], no [[Rio de Janeiro (cidade)|Rio de Janeiro]], fica ao lado de [[arranha-céu]]s e de regiões nobres da cidade. Com uma população de cerca de setenta mil habitantes, é a maior favela do Brasil.<ref>{{citar web |url=http://noticias.r7.com/rio-de-janeiro/noticias/rocinha-e-a-maior-favela-do-brasil-afirma-ibge-20111221.html |título=Rocinha é a maior favela do Brasil, afirma IBGE |editor=[[R7]] |data=21 de dezembro de 2011 |acessodata=29 de dezembro de 2011}}</ref>]]
{{Artigo principal|Favelas no Brasil}}
{{Anexo|Lista de favelas do Brasil}}
 
=== Países desenvolvidos ===
[[Imagem:20150209-20150214최광모C132.JPG|thumb|esquerda|Favela na [[Coreia do Sul]].]]
Nos [[País desenvolvido|países mais desenvolvidos]], apesar das favelas serem bem menos comuns e, geralmente, muito menores em termos de área e população quando comparadas àquelas presentes em [[países subdesenvolvidos]] e [[País em desenvolvimento|em desenvolvimento]], existem algumas cidades que sofrem com o aparecimento deste tipo de assentamento humano informal.
 
Na [[Europa]], o crescente afluxo de [[Imigração ilegal|imigrantes ilegais]] tem alimentado favelas em cidades comumente usadas como pontos de entrada da [[União Europeia]], como [[Atenas]] e [[Patras]], na [[Grécia]].<ref>{{citar web |url=http://www.telegraph.co.uk/news/worldnews/europe/greece/6147072/Greek-immigration-crisis-spawns-shanty-towns-and-squats.html |título=Greek immigration crisis spawns shanty towns and squats |editor=[[The Daily Telegraph]] |data=7 de setembro de 2009 |acessodata=23 de fevereiro de 2014}}</ref> Em [[Madri]], na [[Espanha]], uma localidade chamada ''La Cañada Real'' é considerada uma favela. No local, não há [[escola]]s ou [[Posto de saúde|postos de saúde]] há [[entulho]] e [[lixo]] por toda parte e algumas casas não têm água corrente.<ref>{{citar web |url=http://www.reuters.com/article/2009/07/28/us-spain-shantytown-idUSTRE56R0P020090728 |título=Madrid calls time on "shameful" shanty town |editor=[[Reuters]] |data=28 de julho de 2009 |acessodata=23 de fevereiro de 2013}}</ref> Outros assentamentos em países desenvolvidos que são comparáveis às favelas, incluem [[subúrbio]]s de classe baixa em [[Paris]], na [[França]]. Em [[Portugal]], favelas conhecidas como "bairro de lata" ou "barracas" são geralmente compostas por imigrantes das ex-colônias do [[Império Português]] e de países do [[Leste Europeu]]. Os assentamentos são tão precários que podem ser comparados a favelas de [[países em desenvolvimento]] e [[País subdesenvolvido|subdesenvolvidos]].<ref>{{citar web |url=http://web.archive.org/web/20130822082549/http://siloam.org.uk/002.htm |título=Desire to reach the Poor |editor=Siloam Christian Ministries |data=2005 |acessodata=23 de fevereiro de 2013}}</ref><ref>{{citar web |url=http://www4.fe.uc.pt/fontes/trabalhos/2006006.pdf |título=Pobreza Urbana em Portugal |editor=[[Universidade de Coimbra]] |autor=Ana Maria Bernardo Maia |data=Dezembro de 2006 |acessodata=23 de fevereiro de 2013}}</ref><ref>{{citar web |url=http://www.diplomatique.org.br/acervo.php?id=22 |título=Portugal erradica suas favelas |editor=[[Le Monde Diplomatique]] |data=1 de janeiro de 2000 |acessodata=10 de setembro de 2014 |autor=Emmanuel Vaillant}}</ref>
 
Nos [[Estados Unidos]], algumas cidades como [[Camden (Nova Jérsei)|Camden]], em [[Nova Jersey]], sofrem de altos índices de [[pobreza]], que atingem mais de 10% da população e levam à criação de assentamentos geralmente temporários chamados "cidades de tendas" ({{langx|en|''[[tent city]]''}}).<ref>{{citar web |url=http://www.nbcnews.com/id/37001384/#.USg1MDDU9BQ |título=Tent City closes as homeless go to hotel |editor=[[NBC]] |data=5 de junho de 2010 |acessodata=23 de fevereiro de 2013}}</ref>
<center>
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Imagem:El Gallinero Shanty town Madrid Spain May 2011.jpg|''Cañada Real'', em [[Madrid]], na [[Espanha]]
Imagem:Kamagasaki Riot20080614 2211.JPG|Kamagasaki, em [[Osaka]], no [[Japão]]
Imagem:Shanty Route N3 Bobigny France March 2010.jpg|Favela perto da rodovia N3 em [[Bobigny]], na [[França]]
Imagem:Nickelsville at T-107 Park 01.jpg|''[[:en:Tent city#Homeless people|Tent city]]'' em [[Seattle]], nos [[Estados Unidos]]
</gallery>
</center>
 
== Formas de controle e erradicação ==
[[Imagem:Shibati Yuzong Chongqing China Slum Shantytown Area Overview November 2010.jpg|thumb|esquerda|Favela em Chongqing, na [[China]], que está sendo removida e seus moradores realocados pelo governo.]]
Muitos governos ao redor do mundo têm tentado resolver os problemas das favelas através de despejos e [[Desapropriação|desapropriações]] e sua substituição por habitações modernas e com [[saneamento]] muito melhor. A deslocação de favelas é beneficiada pelo fato de que muitos destes assentamentos precários não têm direitos de propriedade e, portanto, não são reconhecidos pelo [[Estado]]. Este processo é especialmente comum em [[países em desenvolvimento]]. A remoção de favelas muitas vezes toma a forma de [[desapropriação]] e de projetos de [[renovação urbana]], e muitas vezes os ex-moradores não são bem-vindos na nova habitação. Por exemplo, na favela [[Filipinas|filipina]] de ''Smokey Mountain'', localizada em [[Tondo (Manila)|Tondo]], em [[Manila]], projetos têm sido aplicados pelo governo e por [[organização não governamental|organizações não- governamentais]] para permitir o reassentamento urbano dos moradores da favela.<ref>{{citar web |url=http://web.archive.org/web/20070203123937/http://www.dailyherald.com/special/philippines/part1.asp |título=‘It breaks your heart’ |editor=Daily Herald |data=17 de abril de 2005 |acessodata=23 de fevereiro de 2014}}</ref> De acordo com um relatório da UN-HABITAT, mais de 2 milhões de pessoas nas Filipinas moram em favelas,<ref>{{citar web |url=http://showbizandstyle.inquirer.net/lifestyle/lifestyle/view/20070630-73994/High_transaction_costs,_rent_control_linked_to_RP_slums |título=High transaction costs, rent control linked to RP slums |editor=The Inquire |data=30 de junho de 2007 |acessodata=23 de fevereiro de 2014}}</ref> sendo que apenas na cidade de Manila, 50% dos mais de 11 milhões de habitantes vivem em áreas consideradas favelas.<ref>{{citar web |url=http://web.archive.org/web/20050324094840/http://home.earthlink.net/~lordprozen/PUF/bahang/state.html |título=State of the Philippine Urban System |editor=Philipine Urban Forum |data=2007 |acessodata=23 de fevereiro de 2014}}</ref><ref>{{citar web |url=http://www.globalpropertyguide.com/investment-analysis/Housing-Sales-and-Rental-Markets-in-Asia |título=Housing Sales and Rental Markets in Asia |editor=Global Property Guide |data=10 de julho de 2008 |acessodata=23 de fevereiro de 2014}}</ref>
 
Em alguns países, os governantes abordaram a situação resgatando os direitos de propriedade rural para apoiar a [[agricultura]] sustentável tradicional, no entanto essas ações têm sofrido forte oposição de corporações. Essas ações do governo também tendem a ser relativamente impopulares entre as comunidades faveladas em si, uma vez que envolve mover os moradores de volta ao campo, uma inversão da [[Urbanização|migração rural-urbana]] que originalmente trouxe muitos deles para a cidade. Os críticos argumentam que as desapropriações de favelas tendem a ignorar os problemas sociais que causam a favelização e simplesmente redistribuem a [[pobreza]] para regiões de menor valor imobiliário. Quando as comunidades são retiradas das áreas de favelas para uma nova habitação, a coesão social pode ser perdida. Se a comunidade original for movida de volta em novas habitações, depois desta ter sido construída no mesmo local, os moradores das novas casas enfrentam os mesmos problemas de pobreza e impotência. Há um crescente movimento para exigir uma proibição global dos programas de remoção de favelas e outras formas de expulsões em massa.<ref>[http://www.informaworld.com/smpp/section?content=a777236588&fulltext=713240928 See [[Robert Neuwirth]]'s article 'Squatters and the Cities of Tomorrow']</ref> Um relatório da [[ONU]], relativo a 2010, apontou que 227 milhões de pessoas deixaram de viver em favelas na última década. Na [[Índia]], a redução da população favelizada no mesmo período foi de 125 milhões.<ref name="onu">[http://g1.globo.com/Noticias/Rio/0,,MUL1536525-5606,00-QUATRO+CAPITAIS+BRASILEIRAS+ESTAO+ENTRE+AS+MAIS+DESIGUAIS+DO+MUNDO+DIZ+ONU.html Quatro capitais brasileiras estão entre as mais desiguais do mundo, diz ONU] - ''[[G1]]'', 19 de março de 2010 (visitado em 19-3-2010)</ref>
 
=== Melhora da infraestrutura urbana e moradias sociais ===
[[Imagem:Passeio de Helicóptero em São Paulo02.jpg|thumb|[[Conjunto habitacional]] em [[São Paulo (cidade)|São Paulo]], construído no local de uma antiga favela.]]
[[Imagem:London Underground with Greater London map.svg|thumb|Mapa da rede de 400&nbsp;kmquilômetros de extensão do [[Metrô de Londres]]. Sistemas de transporte público eficientes e acessíveis são boas ferramentas na erradicação de favelas.]]
{{Vertambém|Habitação social}}