Diferenças entre edições de "Pena de voo"

3 194 bytes adicionados ,  19h19min de 1 de setembro de 2017
m (ajustando datas, traduzindo nome/parâmetro nas citações, outros ajustes usando script)
Etiquetas: Edição via dispositivo móvel Edição feita através do sítio móvel
 
Os [[pica-pau]]s arborícolas, cujos hábitos vitais dependem em grande parte da sua cauda, e em particular, do forte par central de rectrizes em que apoiam o corpo enquanto se alimentam, têm uma muda de penas da cauda muito particular. Ao invés de mudarem as rectrizes centrais em primeiro lugar, tal como faz a maior parte das aves, retêm estas penas até ao fim da muda. É no segundo par de rectrizes (ambas as penas R2) que começa a muda. (Em algumas espécies dos géneros ''Celeus'' e ''Dendropicos'', cai em primeiro lugar o terceiro par.) O padrão de queda e substituição de penas prossegue da mesma forma já descrita para os passeriformes até que todas as rectrizes tenham sido substituídas; só depois é que as rectrizes centrais são mudadas. Isto permite que as penas em crescimento tenham alguma proteção, já que ficam sempre cobertas pelo menos por uma pena existente, ao mesmo tempo que assegura que a nova cauda, fortalecida por penas recentes, possa lidar melhor com a perda do crucial par central de rectrizes. Espécies de pica-paus que se alimentam no solo, como o [[torcicolo (ave)|torcicolo]], não apresentam esta estratégia de muda; de facto, os toricolosmudam as suas rectrizes distais em primeiro lugar, prosseguindo depois a muda em direção ao par central.
 
==Diferenças consoante a idade==
[[Imagem:Larus occidentalis -San Luis Obispo, California, USA -chick-8.jpg|right|thumb|Cria de [[gaivota-de-pés-rosados]] com cerca de três semanas a bater as suas asas ainda em desenvolvimento.]]
Há frequentemente diferenças substanciais entre as rémiges e as rectrizes de aves adultas e juvenis da mesma espécie. Como a totalidade das penas juvenis cresce ao mesmo tempo, o que representa um enorme gasto de energia para a ave em desenvolvimento, estas são mais frágeis e estragam-se mais rapidamente que as penas equivalentes em aves adultas, cujas mudas decorrem em períodos de tempo mais extensos que podem chegar a vários anos em alguns casos.<ref name= "Forsman9">{{Harvnb|Forsman|1999|p=9}}</ref>
 
Como as penas crescem de forma irregular ao longo do tempo, as variações na taxa de crescimento levam à formação de bandas escuras e claras visíveis na pena totalmente formada. Estas são chamadas de ''barras de crescimento'' e as suas larguras são utilizadas para determinar o estado nutricional diário das aves. Cada par de barras (uma escura e outra clara) corresponde a cerca de 24 horas. Esta técnica é chamada de “ptilocronologia”, analogamente à [[dendrocronologia]].<ref name="grubb">{{harvnb|Grubb|1989}}</ref><ref name=shawkey>{{harvnb|Shawkey|Beck|Hill|2003}}</ref>
 
Em geral, as aves juvenis têm penas mais estreitas e mais pontiagudas na extremidade.<ref name="Forsman16">{{Harvnb|Forsman|1999|p=16}}</ref><ref>{{Harvnb|Jenni|Winkler|1994|p=29}}</ref> Isto é particularmente visível quando a ave está a voar, especialmente no caso das aves de rapina. O bordo de fuga da asa de uma ave juvenil pode ser quase serrado, devido às pontas aguçadas das penas, enquanto que as de uma ave mais velha têm em geral as extremidades mais alinhadas.<ref name="Forsman16"/> As penas de voo de uma ave juvenil são também uniformes no seu comprimento, já que crescem todas ao mesmo tempo. Nos adultos são de tamanhos diversos e com níveis de desgaste diferenciados, com momentos de muda diferentes.<ref name = "Forsman9"/>
 
As penas de voo de adultos e juvenis podem diferir bastante, especialmente no caso das aves de rapina. Em geral, as aves mais jovens têm tendência a terem rectrizes um pouco mais longas e asas mais amplas e curtas, com primárias distais mais curtas e primárias e secundárias proximais mais longas que nas aves mais velhas da mesma espécie.<ref name= "Raptor age"/> Há, contudo, várias excepções. No caso de espécies com cauda mais comprida, como no caso do [[gavião-tesoura]], [[Sagittarius serpentarius|secretário]],<!--ref name = "Raptor age"/--> e [[bútio-vespeiro]], <!--ref name = "Forsman">{{Harvnb|Forsman|1999|p=14}}</ref--> por exemplo, os juvenis têm rectrizes mais curtas que os adultos. Juvenis de algumas espécies do género ''Buteo'' têm asas mais estreitas que os adultos, enquanto que no caso de grandes falcões juvenis, são mais longas. Acredita-se que estas diferenças ajudam as aves mais jovens a compensar a sua inexperiência e inabilidade, bem como músculos de voo mais fracos.<ref name = "Raptor age">{{Harvnb|Ferguson-Lees|Christie|2001|p=39}}</ref>
 
==Notas==