Diferenças entre edições de "Mosteiro de São Bento (São Paulo)"

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== História ==
[[Ficheiro:Monasterio de São Bento roof, São Paulo, Brazil.jpg|thumb|Mural no teto]]
A história dos [[beneditinos]] em São Paulo começa em 1598 (ano em que chegaram na cidade)<ref>{{Citar web|url=http://www.cidadedesaopaulo.com/sp/br/o-que-visitar/atrativos/pontos-turisticos/205-mosteiro-de-sao-bento|titulo=Mosteiro de São Bento|acessodata=2017-04-26|obra=www.cidadedesaopaulo.com|ultimo=Omuro|primeiro=Adriana|lingua=pt-br}}</ref>, quando [[frei Mauro Teixeira]], religioso paulista de [[São Vicente (São Paulo)|São Vicente]], levantou uma modesta igreja dedicada a [[São Bento]], com fundos de uma doação realizada pelo [[capitão-mor]] Jorge Correia.<ref>{{citar tese |grau=Doutorado |sobrenome=Souza |nome= Jorge V. A. |tipo=Tese|titulo=Para além do Claustro: Uma história social da inserção beneditina na América Portuguesa (1580-1690). |url=http://www.historia.uff.br/stricto/td/1330.pdf |editora= Universidade Federal Fluminense |ano=2011 |lingua=}}</ref> O terreno escolhido era um dos melhores da povoação, localizando-se no alto do morro, entre o [[rio Anhangabaú]] e o [[rio Tamanduateí]], onde antes havia residido a casa do [[cacique]] [[Tibiriçá]].<ref name="arqui">[http://www.arquisp.org.br/regiaose/paroquias/mosteiros-igrejas-historicas-oratorios-da-regiao-se/basilica-nossa-senhora-da-assuncao-mosteiro-de-sao-bento Basílica Nossa Senhora da Assunção - Mosteiro de São Bento]. Portal da Arquidiocese de São Paulo.</ref> A construção começou a ser levantada a partir de 1600, quando a [[Câmara Municipal de São Paulo|Câmara Municipal]] validou oficialmente a carta de [[sesmaria]], que concedia permissão do governo de Portugal para o uso de tais terras. Em seu teor, a carta especifica:
{{Citação2|bq=s|cinza=s| <center>'''“Carta de chãos de sesmaria, para o sítio do convento”'''</center><br>Por “constar ser como o dito padre diz e alega, por serviço de Deus Nosso Senhor e de seu servo, o bem aventurado São Bento”, “os quais chãos serão para o convento, mosteiro, ou casa do dito santo, fôrros livres e isentos de todo tributo e pensão, de hoje até o fim do mundo”.<ref name="arqui" />}}
 
OAo fim de 1634, as obras foram concluídas e pode ser constituída a Abadia. Inicialmente a pequena capela foi dedicada a São Bento, mais tarde, a pedido do Governador da [[Capitania de São Vicente]], D. [[Francisco de Sousa]], foi alterado o patrono para [[Virgem de Montserrat|Nossa Senhora de Montserrat]] e, em 1720, a capela passou a chamar [[Nossa Senhora da Assunção]], título que conserva até hoje.<ref>{{citar tese |grau=Mestrado |sobrenome=Tavares |nome= Cristiane |tipo=Tese|titulo=Ascetismo e Colonização: o labor missionário dos beneditinos na América Portuguesa (1580-1656). |url=http://www.poshistoria.ufpr.br/documentos/2007/Cristianatavares.pdf |editora= Universidade Federal do Paraná |ano=2007 |lingua=}}</ref> Contudo, o conjunto era inicialmente muito modesto, composto pela pequena e velha igreja e quatro [[cela]]s.<ref name="SP">''[http://www.aprenda450anos.com.br/450anos/vila_metropole/2-1_mosteiro_saobento.asp# Mosteiro de São Bento (1598-1600)]'' no sítio ''São Paulo 450 anos''</ref>
 
Em 1641, o mosteiro foi palco importante do episódio histórico conhecido como [[Aclamação de Amador Bueno]]. Com o fim da [[União Ibérica]], [[João IV de Portugal|D. João]], na época [[Duque]] de Bragança, foi coroado [[rei]] de [[Portugal]]. Em São Paulo, um grupo de [[Colono|colonos]] - em grande parte [[Reino de Castela|castelhanos]] - quis que a [[Capitanias do Brasil|Capitania]] não reconhecesse o novo rei, e ofereceram o título de "Rei de São Paulo" a [[Amador Bueno]]. No entanto, este não quis aceitar a oferta, refugiando-se no Mosteiro de São Bento para se proteger da fúria popular. Finalmente, com a ajuda dos monges, os ânimos se acalmaram e D. João acabou sendo reconhecido pelos paulistas como o novo rei de Portugal.<ref name="arqui" />
[[Ficheiro:Oscar Pereira da Silva - 1931 - Aclamação de Amador Bueno.jpg|thumb|left|[[Amador Bueno]] não aceitando a coroa, foi perseguido pelos paulistas e se refugiou no Mosteiro de São Bento, em [[São Paulo]]. Óleo de [[Oscar Pereira da Silva]].]]
 
A partir de 1650, a estrutura passou por uma grande ampliação, graças ao [[bandeirante]] [[Fernão Dias Pais]], conhecido como "caçador de [[esmeraldas]]".<ref name="SP" /> Em troca do apoio financeiro, os monges lhe concederam o privilégio de após a sua morte ser sepultado na [[Capela-Mor|capela-mor]] da igreja do mosteiro, assim como seus parentes e descendentes.<ref>{{citar nametese |grau="SP"Mestrado |sobrenome=Arruda |nome= Valdir |tipo=Tese|titulo=Tradição e renovação: a arquitetura dos mosteiros beneditinos contemporâneos no Brasil. |url= http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/16/16133/tde-14052010-103415/pt-br.php |editora= Universidade de São Paulo |ano=2007 |lingua=|doi=10.11606/D.16.2007.tde-14052010-103415}}</ref> Até hoje seus restos mortais repousam na [[cripta]] da igreja.<ref name="HISTORICO">''[http://mosteiro.org.br/o-mosteiro/ Histórico do Mosteiro]'' no sítio oficial</ref> Datam dessa mesma época as imagens de barro de [[Bento de Núrsia|São Bento]] e [[Santa Escolástica]], feitas por [[frei Agostinho de Jesus]] (c. 1600-1661) e conservadas até a atualidade expostas no [[altar-mor]] da igreja.<ref name="BEURON" />
 
Na primeira metade do século XIX, uma lei do governo imperial determinou a extinção dos [[Noviciado|noviciados]] no Brasil, impedindo a renovação dos velhos monges por religiosos mais jovens. A decadência inevitável causada por essa lei fez com que se cogitasse a transferência do mosteiro ao tesouro público.<ref name="BEURON">João Baptista Barbosa Neto, OSB. ''[http://bibliotecadomosteiro.com.br/o-mosteiro-de-sao-bento-de-sao-paulo-e-a-arte-beuronense/ O Mosteiro de São Bento e a Arte Beuronense]'' no sítio da Biblioteca do Mosteiro</ref> Essa situação só foi revertida pela ação do [[abade]] [[Miguel Kruse|D. Miguel Kruse]] (1864-1929), religioso alemão que renovou o mosteiro. Em 1903, Kruse fundou o Colégio de São Bento, de ensino secundário, e em 1908 ainda criou a Faculdade de [[Filosofia]], considerada a primeira do tipo no Brasil.<ref name="HISTORICO" />
 
Também por iniciativa de D. Miguel Kruse foram demolidas a igreja e o mosteiro da época colonial para a construção de um edifício mais moderno e grandioso.<ref name="HISTORICO" /> A edificação atual, visando acompanhar o processo de [[urbanização]] da cidade, começou a ser erguida em [[1910]], seguindo o projeto do arquiteto Richard Berndl, ex-professor da [[Universidade de Munique]], e com decoração assinada pelo beneditino dom Adalbert Gressnigt.<ref>{{Citar periódico|ultimo=Tau|primeiro=Felipe|data=5 de julho de 2011|titulo=Mosteiro de São Bento restaura basílica centenária|jornal=Estadão|volume=|numero=|paginas=|issn=|doi=|url= http://sao-paulo.estadao.com.br/noticias/geral,mosteiro-de-sao-bento-restaura-basilica-centenaria-imp-,740682}}</ref> O atual prédio é a quarta construção desde sua instalação na cidade de São Paulo.<ref name="arqui" />
 
== Arquitetura ==
[[Ficheiro:Mosteiro de São Bento (SP, 1860).jpg|200px|thumb|esquerda|O mosteiro por volta de 1860 (fotografia de [[Militão de Azevedo]])]]
O mosteiro tem sua arquitetura originada tipicamente do século XVII. As obras para a construção do atual Mosteiro de São Bento ocorreram entre 1910 e 1922, seguindo o projeto do arquiteto alemão [[Richard Berndl]], natural de [[Munique]].<ref name="SP" /><ref name="BEURON" /> O estilo geral segue a tradição da [[arquitetura eclética]] germânica.<ref name="BEURON" /> A maior parte da decoração interna, como os murais, foi planejada e executada pelo monge [[Adalbert Gressnicht|D. Adalbert Gressnicht]] (1877-1956), holandês que chegou ao Brasil em 1913 especialmente para essa responsabilidade. Adalbert veio originalmente da [[Abadia de Maredsous]] na [[Bélgica]]. Gressnicht era seguidor da Escola de Arte Beuron, uma tradicional escola de Praga<ref>{{Citar web|url=http://www.cidadedesaopaulo.com/sp/br/o-que-visitar/atrativos/pontos-turisticos/205-mosteiro-de-sao-bento|titulo=Mosteiro de São Bento|acessodata=2017-04-26|obra=www.cidadedesaopaulo.com|ultimo=Omuro|primeiro=Adriana|lingua=pt-br}}</ref> e realizou pinturas, [[Vitral|vitrais]], murais, [[Afresco|afrescos]] e decoração escultória no estilo da [[Abadia de Beuron]], na [[Alemanha]].<ref name="BEURON" />
 
Destacam-se ainda as imagens da [[Nave (arquitetura)|nave]] realizadas entre 1919 e 1922 pelo escultor e pintor belga [[Adrian Henri Vital van Emelen]] (1868-1943), do [[Liceu de Artes e Ofícios]]. De 1921 data o conjunto escultório localizado numa trave sobre a capela-mor, da autoria de [[Anton Lang]] (1875–1938).<ref name="BEURON" /> Por fim, o altar-mor em si é feito de [[mármore]] da região do [[Lago Maggiore]] na [[Itália]].<ref name="BEURON" />
Em julho de 1900, se iniciou um novo período na história do mosteiro, quando se deu início as obras do colégio (então chamado de ginásio), que ficou pronto em 1903, contando, entre seus professores fundadores, com [[Afonso d'Escragnolle Taunay]]. Após isso, em 1908, foi fundada a Faculdade de Filosofia, que viria a ser a primeira do Brasil e embrião da atual [[Pontifícia Universidade Católica de São Paulo]].<ref name="arqui" />
 
Foi nessa mesma época, que também se iniciou o projeto de uma nova abadia e um novo mosteiro. Em 1910, teve início a construção, segundo projeto do arquiteto Richard Berndl, da cidade de [[Munique]], na [[Alemanha]]. Quatro anos mais tarde, em 1914, estava completo o conjunto tal como é conhecido hoje, abrigando a Basílica de Nossa Senhora da Assunção, o Mosteiro e o Colégio de São Bento.<ref name="arqui" /> O Colégio de São Bento é uma das principais escolas para chineses fora da [[China]], tanto que metade dos alunos são de origem chinesa.<ref>{{Citar periódico|ultimo=Colletta|primeiro=Denise D.|data=29 de abril de 2013|titulo=Programa de domingo: missa|jornal=Revista Época|volume=|numero=|paginas=|issn=|doi=|url= http://colunas.revistaepocasp.globo.com/centroavante/tag/mosteiro-de-sao-bento/}}</ref>
 
A [[Faculdade de São Bento]] ainda hoje retém sua tradição educacional oferecendo curso de licenciatura em filosofia, além de cursos línguas clássicas, como [[Língua grega antiga|grego]] e [[latim]].<ref>[http://faculdadedesaobento.com.br/114/25/detalhe-do-curso/curso-de-linguas.html Curso de Línguas]. Portal da Faculdade São Bento.</ref>
 
O acervo contém 581 títulos publicados antes do [[século XIX]], entre eles seis raros [[incunábulo]]s. O mais antigo é um [[Novo Testamento]] datado de 1496. Possui ainda, uma curiosa coleção de [[Manuscrito|manuscritos]] minúsculos, com menos de um centímetro de [[Lombada (livro)|lombada]], que contém uma [[Bíblia|passagem bíblica]] ou uma oração, além de edições raras de livros que foram proibidos pela [[Igreja Católica]].<ref name="livro">{{Citar periódico|ultimo=Veiga|primeiro=Edison|data=30 de março de 2016|titulo=Os livros censurados do Mosteiro de São Bento|jornal=Estadão|volume=|numero=|paginas=|issn=|doi=|url= http://sao-paulo.estadao.com.br/blogs/edison-veiga/os-livros-censurados-do-mosteiro-de-sao-bento/}}</ref>
 
A aquisição dos livros pela biblioteca do Mosteiro se deu tanto pela compra, como também como herança dos livros de uso pessoal dos próprios monges, que são incorporados ao acervo após o falecimento do monge. Pressupõe-se que, no século XVIII, a biblioteca do Mosteiro também era um cartório e arquivo.<ref>{{citar tese |grau=Mestrado |sobrenome=Araujo |nome= André |tipo=Tese|titulo=Dos livros e da leitura no Claustro. |url=http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8138/tde-10022009-124405/pt-br.php |editora= Universidade de São Paulo |ano=2008 |lingua=|doi=10.11606/D.8.2008.tde-10022009-124405}}</ref>
 
O acesso ao acervo é restrito aos monges e alunos, mas pesquisadores e estudiosos podem solicitar uma permissão especial.<ref name="livro"/>
{{Cidade de São Paulo}}
 
{{Portal3|Catolicismo|São Paulo|Arquitetura|Turismo}}
 
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