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'''Vincent Willem van Gogh''' ([[Língua neerlandesa|holandês]]: {{IPA|[ˈvɪnsɛnt ˈʋɪləm vɑn ˈɣɔx]}} ([[Ficheiro:Ltspkr.png|10px|link=]] <small>[[Multimédia:Vincent_willem_van_gogh.ogg|ouça]]</small>); [[Zundert]], [[30 de março]] de [[1853]] – [[Auvers-sur-Oise]], [[29 de julho]] de [[1890]]) foi um [[pintor]] holandês considerado uma das figuras mais famosas e influentes da história da arte ocidental. Ele criou mais de dois mil trabalhos em pouco mais de uma década, incluindo por volta de 860 [[Pintura a óleo|pinturas a óleo]], a maioria dos quais durante seus dois últimos anos de vida. Suas obras abrangem [[Pintura de paisagem|paisagens]], [[Natureza-morta|naturezas-mortas]], [[retrato]]s e [[autorretrato]]s caracterizados por cores dramáticas e vibrantes, além de pinceladas impulsivas e expressivas que contribuíram para as fundações da [[arte moderna]].
 
Van Gogh nasceu numa família de classe média alta e começou a desenhar ainda criança, sendo descrito como alguém sério, quieto e pensativo. Ele trabalhou como vendedor de arte quando jovem e viajou frequentemente, porém entrou em [[Transtorno depressivo maior|depressão]] depois de ser transferido para [[Londres]]. Van Gogh voltou-se para a religião e passou um tempo como missionário protestante na [[Bélgica]]. Ele enfrentou problemas de saúde e solidão até começar a pintar em 1881, mudando-se para a casa de seus pais. Seu irmão mais jovem [[Theo van Gogh (marchand)|Theo]] lhe apoiou financeiramente e os dois mantiveram uma duradoura correspondência. Seus primeiros trabalhos consistiam em naturezas-mortas e representações de camponeses. Van Gogh mudou-se em 1886 para [[Paris]] e se encontrou com [[Vanguarda|vanguardistas]] como [[Émile Bernard]] e [[Paul Gauguin]], que estavam opondo-se à sensibilidade [[Impressionismo|impressionista]]. Ele criou uma nova abordagem para naturezas-mortas e paisagens à medida que produzia suas obras, com suas pinturas ficando com cores mais vivas enquanto desenvolvia um estilo que estabeleceu-se por completo em 1888 na sua estadia em [[Arles]]. Durante esse período Van Gogh também ampliou seus temas para englobar [[oliveira]]s, [[cipreste]]s, campos de [[trigo]] e [[Girassol|girassóis]].
 
Ele sofria de episódios psicóticos e alucinações, temendo por sua estabilidade mental e frequentemente negligenciando sua saúde física, não comendo direito e bebendo muito. Sua amizade com Gauguin terminou em uma briga com uma lâmina quando Van Gogh, em um ataque de raiva, cortou parte de sua própria orelha esquerda. Ele passou um tempo internado em hospitais psiquiátricos, incluindo um período em [[Saint-Rémy-de-Provence]]. Van Gogh ficou sob os cuidados do médico [[Homeopatia|homeopata]] [[Paul Gachet]] depois de ser liberado e mudou-se para o vilarejo de Auvers-sur-Oise. Sua depressão continuou e ele disparou um revólver contra seu peito em 27 de julho de 1890, morrendo de seus ferimentos dois dias depois.
== Biografia ==
=== Início de vida ===
Vincent Willem van Gogh nasceu no dia {{dtlink|30|3|1853}} em [[Zundert]] na província predominantemente católica de [[Brabante do Norte]] no sul dos [[Países Baixos]].<ref> {{harvnb|Pomerans|1997|p=1}} </ref> Era o filho mais velho sobrevivente de Anna Cornelia Carbentus e Theodorus van Gogh, um pastor da [[Igreja Reformada Neerlandesa]]. Van Gogh foi nomeado em homenagem a seu avô e a um irmão natimorto que nascera exatamente um ano antes.{{nota de rodapé|Foi sugerido que receber o mesmo nome de seu falecido irmão mais velho talvez tenha deixado um profundo impacto psicológico no jovem Van Gogh, come que elementos de sua arte, como por exemplo a representação de duplas de figuras masculinas, possivelmentepodem podendo ser traçadas deter voltarecebido parainfluência issodisso.<ref> {{harvnb|Lubin|1972|pp=82–84}} </ref> }} Vincent era um nome comum na família Van Gogh: seu avô Vincent teve seis filhos, três dois quais tornaram-se comerciantes de arte. Este Vincent talvez tenha sido nomeado em homenagem a seu tio-avô, um [[escultor]].<ref> {{harvnb|Erickson|1998|p=9}} </ref>
 
A mãe de Van Gogh vinha de uma família próspera de [[Haia]],<ref> {{harvnb|Naifeh|Smith|2011|pp=14–16}} </ref> enquanto seu pai era o filho mais novo de um pastor.<ref> {{harvnb|Naifeh|Smith|2011|p=59}} </ref> Os dois se conheceram quando Cornelia, a irmã mais nova de Anna, casou-se com Vincent (apelidado de Cent), o irmão mais velho de Theodorus. Os pais de Van Gogh casaram-se em maio de 1851 e mudaram-se para Zundert.<ref> {{harvnb|Naifeh|Smith|2011|p=18}} </ref> Seu irmão mais novo [[Theo van Gogh (comerciante de arte)|Theodorus]] (apelidado de Theo) nasceu em 1 de maio de 1857. Existiam também um irmão chamado Cor e três irmãs: Elisabeth, Anna e [[Wil van Gogh|Willemina]] (apelidada de Wil). Van Gogh permaneceu em contato mais adiante na sua vida apenas com Theo e Wil.<ref> {{harvnb|Walther|Metzger|1994|p=16}} </ref> Sua mãe era uma mulher rígida e religiosa que enfatizava a importância da família ao ponto da claustrofobia daqueles ao seu redor.<ref> {{harvnb|Naifeh|Smith|2011|pp=23–25}} </ref> O salário de seu pai era modesto, porém a igreja fornecia aos Van Gogh uma casa, uma criada, dois cozinheiros, um jardineiro, uma carruagem e um cavalo, com Anna instilando nos filhos um dever de manter a alta posição social da família.<ref> {{harvnb|Naifeh|Smith|2011|pp=31–32}} </ref>
 
[[Ficheiro:Vincent van Gogh at circa 13 years of age cropped.jpeg|thumb|upright|Van Gogh c. {{circa|1866}}, aos treze anos de idade.]]
Van Gogh era uma criança séria e pensativa.<ref> {{harvnb|Sweetman|1990|p=13}} </ref> Foi educado em casa por sua mãe e governanta, sendo enviado em 1860 para uma escola do vilarejo e quatro anos depois colocado em um internato de [[Zevenbergen]],<ref name=tralbaut2535 > {{harvnb|Tralbaut|1981|pp=25–35}} </ref> onde se sentiu abandonado e fez campanha a fim de voltar para casa. Em vez disso seus pais lhe mandaram para uma escola secundária de [[Tilburgo]], onde foi extremamente infeliz.<ref> {{harvnb|Naifeh|Smith|2011|pp=45–49}} </ref> Seu interesse por arte começou bem cedo, sendo encorajando a desenhar ainda criança por sua mãe.<ref> {{harvnb|Naifeh|Smith|2011|pp=36–50}} </ref> Seus primeiros desenhos eram expressivos,<ref name=tralbaut2535 /> porém não chegavam perto da intensidade de seus trabalhos posteriores.<ref> {{harvnb|Hulsker|1980|pp=8–9}} </ref> Constantijn C. Huysmans, que fora um artista bem-sucedido em [[Paris]], ensinava estudantes em Tilburgo. Sua filosofia era rejeitar a técnica em favor de capturar as impressões das coisas, particularmente a natureza e objetos comuns. A profunda infelicidade de Van Gogh parece ter ofuscado as aulas, que aparentemente tiveram poucos efeitos;<ref> {{harvnb|Naifeh|Smith|2011|p=48}} </ref> ele voltou para casa repentinamente em março de 1868. Van Gogh mais tarde escreveu que sua juventude foi "austera, fria e estéril".<ref> {{harvnb|Van Gogh|2009}}, {{citar web|url=http://vangoghletters.org/vg/letters/let403/letter.html|título=403: To Theo van Gogh. Nieuw-Amsterdam, on or about Monday, 5 November 1883.|acessodata=7 de março de 2017 }} </ref>
 
Seu tio Cent conseguiu em julho de 1869 um trabalho para Van Gogh na comerciadora de arte [[Goupil & CieCia.]] em [[Haia]].<ref> {{harvnb|Walther|Metzger|1994|p=20}} </ref> Ele completou seu treinamento em 1873 e foi transferido para a filial da empresa em [[Londres]], passando a morar no [[87 Hackford Road|nº 87 da Rua Hackford]] em [[Stockwell]].<ref> {{harvnb|Van Gogh|2009}}, {{citar web|url=http://vangoghletters.org/vg/letters/let007/letter.html|título=007: To Theo van Gogh. The Hague, Monday, 5 May 1873.|acessodata=7 de março de 2017 }} </ref> Este foi um período feliz para Van Gogh: estava tendo sucesso no trabalho e aos vinte anos de idade ganhava mais que seu pai. [[Johanna van Gogh-Bonger]], a esposa de Theo, posteriormente afirmou que este foi o melhor período da vida de seu cunhado. Ele se apaixonou por Eugénie Loyer, a filha de sua senhoria, porém foi rejeitado depois de confessar seus sentimentos; Loyer estava secretamente noiva de um ex-inquilino. Van Gogh acabou ficando cada vez mais isolado e fervoroso religiosamente. Seu pai e tio conseguiram fazer em 1875 com que fosse transferido para Paris, onde ficou ressentido por questões como o grau em que a firma mercantilizava arte, sendo demitido um ano depois.<ref> {{harvnb|Tralbaut|1981|pp=35–47}} </ref>
 
[[File:Cuesmes JPG001.jpg|thumb|left|A casa de Van Gogh em Cuemes, onde Vincent decidiu tornar-se artista.]]
Van Gogh voltou para o [[Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda|Reino Unido]] em abril de 1876 a fim de assumir um trabalho não remunerado como professor substituto em um internato de [[Ramsgate]]. O proprietário pouco depois mudou-se para [[Isleworth]] perto de Londres e Van Gogh foi junto.<ref> {{harvnb|Pomerans|1997|p=xxvii}}; {{harvnb|Van Gogh|2009}}, {{citar web|url=http://vangoghletters.org/vg/letters/let088/letter.html|título=088: To Theo van Gogh. Isleworth, Friday, 18 August 1876.|acessodata=7 de março de 2017 }} </ref> Este arranjo não funcionou e ele foi embora para se tornar o assiste de um pastor [[Igreja Metodista|metodista]].<ref> {{harvnb|Tralbaut|1981|pp=47–56}} </ref> Enquanto isso seus pais mudaram-se para [[Etten-Leur|Etten]];<ref> {{harvnb|Naifeh|Smith|2011|p=113}} </ref> Van Gogh voltou para casa no natal daquele ano e permaneceu por lá durante seis meses, trabalhando em uma livraria de [[Dordrecht]]. Ele foi infeliz no cargo e passava seu tempo rabiscando ou traduzindo passagens da [[Bíblia]] para [[Língua inglesa|inglês]], [[Língua francesa|francês]] e [[Língua alemã|alemão]].<ref> {{harvnb|Callow|1990|p=54}} </ref> Van Gogh mergulhou-se na religião e tornou-se cada vez mais devoto e monástico.<ref> {{harvnb|Naifeh|Smith|2011|pp=146–147}} </ref> De acordo com Paulus van Görlitz, seu colega de quarto na época, ele comia frugalmente e evitava comeringerir carne.<ref> {{harvnb|Sweetman|1990|p=175}} </ref>
 
Sua família lhe enviou em 1877 para viver em [[Amesterdão|Amsterdã]] junto com seu tio [[Johannes Stricker]], um respeitado teologista, por quererem apoiar suas convicções religiosas e seu desejo de tornar-se pastor.<ref> {{harvnb|Erickson|1998|p=23}}; {{harvnb|McQuillan|1989|p=26}} </ref> Van Gogh preparou-se para o vestibular de teologia da [[Universidade de Amsterdã]],<ref> {{harvnb|Grant|2014|p=9}} </ref> porém não conseguiu passar e deixou a casa de seu tio em julho do ano seguinte. Ele participou e também falhou em um curso de três meses de uma escola missionária protestante em [[Laeken]] na [[Bélgica]].<ref> {{harvnb|Hulsker|1990|pp=60–62, 73}} </ref>
 
Van Gogh assumiu em janeiro de 1879 um cargo de missionário em [[Petit Wasmes]] no distrito belga de Borinage.<ref> {{harvnb|Sweetman|1990|p=101}} </ref> Ele deixou que um sem teto vivesse nos seus confortáveis aposentos em uma padaria com o objetivo de demonstrar apoio para sua congregação empobrecida, indo morar em uma pequena cabana onde dormia na palha.<ref> {{harvnb|Fell|2015|p=17}} </ref> Suas condições de vida esquálidas não agradaram as autoridades da igreja, que o dispensaram por "minar a dignidade do sacerdócio". Van Gogh então caminhou 75 [[quilômetro]]s até [[Bruxelas]]<ref> {{harvnb|Callow|1990|p=72}} </ref> e permaneceu brevemente em [[Cuesmes]], porém cedeu às pressões de seus pais para que voltasse para Etten. Ele ficou lá até por volta de março de 1880,{{nota de rodapé|O historiador [[Jan Hulsker]] sugere que Van Gogh voltou para Borinage e depois novamente para Etten durante esse período.<ref> {{harvnb|Geskó|2006|p=48}} </ref> }} o que causou preocupação e frustração em seus pais. Seu pai ficou especialmente frustrado e aconselhou que o filho deveria ser internado em um manicômio em [[Geel]].<ref> {{harvnb|Naifeh|Smith|2011|pp=209–210, 488–489}}; {{harvnb|Van Gogh|2009}}, {{citar web|url=http://vangoghletters.org/vg/letters/let186/letter.html|título=186: To Theo van Gogh. Etten, Friday, 18 November 1881.|acessodata=8 de março de 2017 }} </ref>
 
Van Gogh retornou a Cuesmes em agosto de 1880, indo morar com um mineiro até outubro.<ref> {{harvnb|Van Gogh|2009}}, {{citar web|url=http://vangoghletters.org/vg/letters/let156/letter.html|título=156: To Theo van Gogh. Cuesmes, Friday, 20 August 1880.|acessodata=8 de março de 2017 }} </ref> Ele ficou interessado nas pessoas e cenas ao seu redor, registrando-as em desenhos depois de Theo lhe ter sugerido que começasse uma carreira artística rapidamente. Van Gogh viajou para Bruxelas mais tarde no mesmo ano, seguindo a recomendação do irmão para que estudasse com o artista [[Willem Roelofs]], que lhe persuadiu – apesar de seu desgosto por escolas de arte formais – a ir estudar na [[Academia Real de Belas-Artes de Bruxelas|Academia Real de Belas-Artes]]. Ele se matriculou em novembro, estudando anatomia e as regras padrão de [[sombreamento]] e [[Perspectiva (gráfica)|perspectiva]].<ref> {{harvnb|Tralbaut|1981|pp=67–71}} </ref>
 
=== Etten, Drente e Haia ===
====Nuenen e Antuérpia====
[[Ficheiro:Van-willem-vincent-gogh-die-kartoffelesser-03850.jpg|thumb|left|250px|''Os Comedores de Batata'', 1885.]]
Ele focou-se no desenho e pintura em [[Nuenen]]. Van Gogh trabalhava ao ar livre e rapidamente, completando esboços e pinturas de tecelões e suas cabanas.<ref> {{harvnb|Sweetman|1990|p=174}} </ref> Margot Begemann, a filha dez anos mais nova de um vizinho, juntou-se a ele nessas incursões em agosto de 1884; ela se apaixonou e ele retribuiu, mas de forma menos entusiasmada. Eles queriam se casar, entretanto ambas as famílias não eram a favor. Margot ficou perturbada e teve uma overdose de [[estricnina]], sobrevivendo apenas porque Van Gogh foi capaz de levá-la para um hospital local.<ref name=tralbaut107 /> O pai dela morreu de um ataque do coração em 26 de março de 1885.<ref> {{harvnb|Tralbaut|1981|p=154}} </ref>
 
Van Gogh pintou em 1885 vários grupos [[Natureza-morta|naturezas-mortas]].<ref> {{harvnb|Hulsker|1980|pp=196–205}} </ref> Ele completou diversos desenhos e aquarelas durante sua estadia de dois anos em Nuenen, além de quase duzentas pinturas. Sua paleta de cores consistia principalmente de tons terrosos sombrios, especialmente [[marrom]] escuro, mostrando nenhum indício das cores vívidas que distinguem seus trabalhos posteriores.<ref name=tralbaut123160 > {{harvnb|Tralbaut|1981|pp=123–160}} </ref>
|}
 
Ele mudou-se para [[Antuérpia]] em novembro e alugou um quarto sobre uma loja de artigos de pintura na Rua das Imagens.<ref> {{harvnb|Callow|1990|p=181}} </ref> Van Gogh viveu na pobreza e comia pouco, preferindo gastar o dinheiro enviado por Theo em materiais e modelos. Pão, café e tabaco tornaram-se sua dieta padrão. Ele escreveu ao irmão em fevereiro de 1886 que se lembrava de ter comido apenas seis refeições quentes desde maio do ano anterior. Seus dentes ficaram soltos e doloridos.<ref> {{harvnb|Callow|1990|p=184}} </ref> Ele dedicou-se na Antuérpia ao estudo da [[teoria das cores]] e passava tempo dentro de museus, particularmente estudando as obras de [[Peter Paul Rubens]], ampliando sua paleta para incluir [[carmim]], [[azul-cobalto]] e [[verdeVerde-paris|verde-esmeralda]]. Van Gogh comprou xilogravuras [[ukiyo-e]] japonesas nas docas, posteriormente incorporando elementos desse estilo no fundo de algumas de suas pinturas.<ref> {{harvnb|Hammacher|1985|p=84}} </ref> Ele passou a beber muito outra vez<ref> {{harvnb|Callow|1990|p=253}} </ref> e foi hospitalizado entre fevereiro e março de 1886,<ref> {{harvnb|Naifeh|Smith|2011|p=477}} </ref> possivelmente também tendo sido tratado por [[sífilis]].<ref> {{harvnb|Arnold|1992|p=77}} </ref>{{nota de rodapé|As únicas evidências disso vem de entrevistas com o neto do médico.<ref> {{harvnb|Naifeh|Smith|2011|p=477}}; {{harvnb|Tralbaut|1981|pp=177–178}} </ref>}}
 
Apesar de sua antipatia com estudos acadêmicos, Van Gogh fez o difícil vestibular de admissão na [[Academia Real de Belas -Artes da Antuérpia]] após se recuperar, matriculando-se em janeiro de 1886 nos cursos de pintura e desenho. Ele acabou ficando doente e exausto por tanto trabalho, dieta ruim e fumo excessivo.<ref> {{harvnb|Tralbaut|1981|p=173}} </ref> Van Gogh rapidamentelogo brigou com o diretor da academia e professor [[Charles Verlat]] por causa de seu estilo não-convencional de pintura. Ele também teve confrontos com seus instrutores de desenho [[Frans Vinck]] e [[Eugène Siberdt]], com este último porque Van Gogh não seguiu o requerimento de Siberdt de que os desenhos precisavam expressar o contorno e concentrar-se nas linhas. Van Gogh deixou a academia e foi para Paris após mais uma briga com Siberdt por causa de um desenho da [[Vênus de Milo]].<ref> {{harvnb|Naifeh|Smith|2011|pp=448–489}} </ref>
 
==== Paris ====
[[Ficheiro:Toulouse-Lautrec de Henri Vincent van Gogh Sun.jpg|thumb|230px|''Retrato de Vincent van Gogh'', 1887, por Henri de Toulouse-Lautrec.]]
Van Gogh mudou-se em março de 1886 para Paris onde dividiu um apartamento com Theo na Rua Laval em [[Montmartre]], indo estudar no estúdio de [[Fernand Cormon]]. Os irmãos foram viver em junho em um apartamento maior no nº 54 da [[Rue Lepic|Rua Lepic]].<ref> {{harvnb|Tralbaut|1981|pp=187–192}} </ref> Van Gogh pintou em Paris vários retratos de amigos e conhecidos, pinturas de natureza-morta, vistas do Moinho da Galette e cenas de Montmartre, Asnières e ao longo do [[Rio Sena]]. Ele usou as xilogravuras ukiyo-e japonesas que comprara na Antuérpia para decorar as paredes de seu estúdio, colecionando outras centenas durante seu tempo em Paris. Van Gogh tentou fazer [[japonismo]]s, desenhando umaa figura da ''Cortesã'', obra de [[Keisai Eisen]], a partir de uma reprodução vista na capa da revista ''Paris Illustre'' que depois ampliou graficamente em uma pintura.<ref> {{harvnb|Pickvance|1984|pp=38–39}} </ref>
 
Ele adotou uma paleta mais brilhante e pinceladas mais fortes, particularmente em pinturas como ''[[:Ficheiro:Van Gogh - Fischerboote bei Saintes-Maries1.jpeg|Paisagem Marinha em Saintes-Maries]]'', depois de ver um retrato de [[Adolphe Monticelli]] na Galeria Delareybarette.<ref> {{harvnb|Sweetman|1990|p=135}}; {{harvnb|Van Gogh|2009}}, {{citar web|url=http://vangoghletters.org/vg/letters/let853/letter.html|título=853: To Albert Aurier. Saint-Rémy-de-Provence, Sunday, 9 or Monday, 10 February 1890.|acessodata=9 de abril de 2017 }} </ref> Van Gogh e Theo dois anos depois pagaram para a publicação de um livro com as pinturas de Monticelli, com Van Gogh comprando alguns dos trabalhos dele para sua coleção.<ref> {{harvnb|Naifeh|Smith|2011|pp=520–522}} </ref>
 
Van Gogh tinha ouvido falarsoube do [[ateliê]] de Cormon compor Theo.<ref> {{harvnb|Naifeh|Smith|2011|p=702}} </ref> Elee lá trabalhou no estúdio entre abril e maio de 1886,<ref name=walther710 > {{harvnb|Walther|Metzger|1994|p=710}} </ref> onde frequentou o círculo do artista australiano [[John Peter Russell]]<ref> {{harvnb|Pickvance|1986|pp=62–63}} </ref> e conheceu os colegas alunos [[Émile Bernard]], [[Louis Anquetin]] e [[Henri de Toulouse-Lautrec]], este último lhe pintando um retrato em pastel. Eles se encontravam na loja de pintura de Julien Tanguy,<ref name=walther710 /> na época o único lugar onde as obras de [[Paul Cézanne]] eram exibidas. Duas grandes exibições foram realizadas lá em 1886, mostrando [[pontilhismo]] e [[neo-impressionismo]] pela primeira vez, dando destaque para [[Georges Seurat]] e [[Paul Signac]]. Theo mantinha um estoque de pinturas impressionistas em sua galeria de Montmartre, porém Van Gogh foi lento em reconhecer os novos desenvolvimentos da arte.<ref> {{harvnb|Tralbaut|1981|pp=212–213}} </ref>
 
Houve conflitos entre os irmãos; Theo afirmou no final de 1886 que viver junto com Van Gogh era "quase insuportável".<ref name=walther710 /> Os dois fizeram as pazes no início de 1887 e Van Gogh mudou-se para o subúrbio de Asnières no norte de Paris, onde conheceu Signac. Ele adotou elementos do pontilhismo, técnica em que vários pontos coloridos são aplicados na tela para criar uma mistura ótica de tons quando vista à distância. O estilo salienta a habilidade das [[cores complementares]] a fim de criar contrastes vibrantes.<ref name=vanuitert29 /><ref name=walther710 />
Van Gogh procurou em fevereiro de 1888 um refúgio em [[Arles]] por estar doente devido bebedeiras e tosse de cigarro.<ref name=hughes143 /> Ele aparentemente mudou-se com a intenção de fundar uma colônia de artistas. O pintor dinamarquês Christian Mourier-Petersen tornou-se seu companheiro por dois meses e inicialmente a cidade lhe parecia exótica. Ele descreveu o local em uma carta como um país estrangeiro: "Os [[zuavo]]s, os bordéis, a adorável pequena Arlesiana indo para sua Primeira Comunhão, o padre em seu sobrepeliz, que parece um rinoceronte perigoso, as pessoas bebendo absinto, todas me parecem criaturas de outro mundo".<ref name=hughes144 > {{harvnb|Hughes|1990|p=144}} </ref>
 
O tempo passado em Arles foi um dos períodos mais prolíficos da carreira de Van Gogh: ele completou duzentas pinturas e mais de cem desenhos e aquarelas.<ref> {{harvnb|Pickvance|1984|p=11}} </ref> Ele ficou encantado pela paisagem local e a luz; seus trabalhos nesse período são ricos em [[amarelo]], [[azul ultramarino]] e [[malva (cor)|malva]]. Seus quadros incluem colheitas, campos de [[trigo]] e marcos rurais gerais da área, como por exemplo ''O Velho Moinho'', uma estrutura pitoresca acima dos campos de trigo. Esta foi uma de sete telas enviadas para [[Pont-Aven]] em troca de obras de Gauguin, Bernard, [[Charles Laval]] e outros.<ref name=pickvance177 > {{harvnb|Pickvance|1984|p=177}} </ref>
 
As representações das paisagens de Arles são informadas pelo crescimento holandês de Van Gogh; os detalhes dos campos e avenidas parecem achatados e sem perspectiva, porém excedem no uso das cores.<ref> {{harvnb|Hughes|1990|pp=143–144}} </ref> Sua recém encontrada apreciação é vista no escopo abrangente de seu trabalho. Ele pintou paisagens em março de 1888 utilizando um "quadro perspectiva" gradeado; três obras foram mostradas na exibição anual da [[Société des Artistes Indépendants|Sociedade dos Artistas Independentes]]. Ele foi visitado em abril pelo artista norte-americano [[Dodge MacKnight]], que estava vivendo na vizinha [[Fontvieille (Bocas do Ródano)|Fontvieille]].<ref> {{harvnb|Pickvance|1986|p=129}}; {{harvnb|Pomerans|1997|p=348}} </ref> Van Gogh alugou a ala leste da [[A Casa Amarela|Casa Amarela]] em 1 de maio de 1888 pelo valor de quinze [[Franco francês|francos]] por mês. Os aposentos não estavam mobiliados e estavam desocupados havia meses.<ref> {{harvnb|Nemeczek|1999|pp=59–61}} </ref>
 
Van Gogh mudou-se do Hotel Carrel para o Café da Gare em 7 de maio,<ref> {{harvnb|Gayford|2006|p=16}} </ref> tendo ficado amigo dos proprietários Joseph e Marie Ginoux. A Casa Amarela precisava ser mobiliada antes que ele pudesse mudar-se por completo, porém mesmo assim ele conseguia usar o estúdio.<ref> {{harvnb|Callow|1990|p=219}} </ref> Van Gogh queria uma galeria onde pudesse exibir seus trabalhos, começando uma série de pinturas que eventualmente levaram a ''[[:Ficheiro:Vincent Willem van Gogh 138.jpg|Cadeira de Van Gogh]]'', ''[[Quarto em Arles]]'', ''[[O Café à Noite na Place Lamartine|O Café à Noite]]'', ''[[Terraço do Café à Noite]]'', ''[[Noite Estrelada Sobre o Ródano]]'' e ''[[Doze Girassóis numa Jarra|Natureza-Morta: Vaso com Doze Girassóis]]'', todos feitos em 1888 com a intenção de servirem de decoração para a Casa Amarela.<ref> {{harvnb|Pickvance|1984|pp=175–176}} </ref>
 
Ele escreveu que desejava "expressar a ideia que o café é um lugar onde alguém pode arruinar-se, ficar louco ou cometer um crime" com o quadro ''O Café à Noite''.<ref> {{harvnb|Tralbaut|1981|p=266}} </ref> Van Gogh visitou [[Saintes-Maries-de-la-Mer]] em junho e deu aulas para o segundo-tenente zuavo Paul-Eugène Milliet, também pintando os barcos do vilarejo. MacKnight lhe apresentou a [[Eugène Boch]], um pintor belga que às vezes ficava em Fontvieille, com os dois trocando visitas em julho.<ref> {{harvnb|Pomerans|1997|pp=356, 360}} </ref>
 
{| border="0" align="center" width="100%"
Van Gogh comprou duas camas em preparação para a visita de Gauguin seguindo o conselho do supervisor postal Joseph Roulin, cujo retrato ele também pintou. Ele passou sua primeira noite na Casa Amarela em 17 de setembro.<ref> {{harvnb|Gayford|2006|p=18}}; {{harvnb|Nemeczek|1999|p=61}}; {{harvnb|Van Gogh|2009}}, {{citar web|url=http://vangoghletters.org/vg/letters/let677/letter.html|título=677: To Theo van Gogh. Arles, Sunday, 9 September 1888.|acessodata=9 de abril de 2017 }}; {{citar web|url=http://vangoghletters.org/vg/letters/let681/letter.html|título=681: To Theo van Gogh. Arles, Sunday, 16 September 1888.|acessodata=9 de abril de 2017 }} </ref> Van Gogh começou a trabalhar na ''Decoração para a Casa Amarela'', provavelmente o esforço artística mais ambicioso da sua vida, quando Guaguin concordou em viver em Arles com ele.<ref> {{harvnb|Dorn|1990}} </ref> Ele completou dois pinturas de cadeiras: ''Cadeira de Van Gogh'' e ''Cadeira de Gauguin''.<ref> {{harvnb|Pickvance|1984|pp=234–235}} </ref>
 
Gauguin finalmente chegou em 23 de outubro depois de vários pedidos de Van Gogh, com os dois começando a pintar juntos no mês seguinte. Gauguin representou Van Gogh em ''[[O Pintor de Girassóis]]'', enquanto Van Gogh seguiu a sugestão do colega e pintou imagens apenas da memória. Dentre esses quadros "imaginativos" estavamestava ''[[:Ficheiro:Vincent Willem van Gogh 098.jpg|Memória do Jardim em Etten]]''.<ref> {{harvnb|Hulsker|1980|pp=374–376}} </ref>{{nota de rodapé|"Tenho trabalhado em duas telas ... Uma reminiscência de nosso jardim em Etten com alfaces, ciprestes, dálias e figuras ... Gauguin me dá coragem para imaginar, e as coisas da imaginação realmente assumem uma personalidade mais misteriosa".<ref> {{harvnb|Van Gogh|2009}}, {{citar web|url=http://vangoghletters.org/vg/letters/let719/letter.html|título=719:To Theo van Gogh. Arles, Sunday, 11 or Monday, 12 November 1888.|acessodata=9 de abril de 2017 }} </ref>}} A primeira saída dos dois para opintar ao ar livre foi em [[Alyscamps]], com os elesonde produzindoproduziram um par de obras cada.<ref> {{harvnb|Gayford|2006|p=61}} </ref>
 
Van Gogh e Gauguin visitaram [[Montpellier]] em dezembro de 1888, onde viram os trabalhos de [[Gustave Courbet]] e [[Eugène Delacroix]] no [[Museu Fabre]].<ref> {{harvnb|Pickvance|1984|pp=195}} </ref> A relação dos dois começou a deteriorar; Van Gogh admirava Gauguin e queria ser tratado como um igual, porém Gauguin era arrogante e dominador, o que frustrou Van Gogh. Eles brigavam frequentemente e Van Gogh passou a temer que o colega fosse deserdá-lo, com a situação, que ele descreveu como "tensão excessiva", rapidamente escalando.<ref> {{harvnb|Gayford|2006|pp=274–277}} </ref>
 
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Não se sabe a exata sequência de eventos que levaram à mutilação da orelha esquerda de Van Gogh. Gauguin afirmou quinze anos depois que houve várias instâncias na noite anterior de um comportamento fisicamente ameaçador.<ref> {{harvnb|McQuillan|1989|p=66}} </ref> A relação de ambos era complexa e Theo talvez devesse dinheiro para Gauguin, que suspeitava que os dois irmãos estavam lhe explorando financeiramente. É provável que Van Gogh tenha percebido que Gauguin planejava ir embora.<ref> {{harvnb|Druick|Zegers|2001|p=266}} </ref> Os dias anteriores foram muitos chuvosos, o que fez com que os dois homens ficassem presos dentro da Casa Amarela. Gauguin relatou que saiu para caminhar e foi seguido por Van Gogh, que "correu na minha direção, uma lâmina na mão".<ref name=sweetman290 > {{harvnb|Sweetman|1990|p=290}} </ref> Este relato não é corroborado;<ref> {{harvnb|Sweetman|1990|p=1}} </ref> Gauguin quase certamente não estava na casa durante aquela noite, mais provavelmente tendo ficado em um hotel.<ref name=sweetman290 />
 
Van Gogh voltou para a Casa Amarela depois de ter brigado com Gauguin, [[Alucinação auditiva|ouvindo vozes]] e cortando sua orelha esquerda com uma lâmina, não se sabe se parcialmente ou totalmente,{{nota de rodapé|Theo e sua esposa Johanna, Paul Gachet e seu filho, e Signac, que todos viram Van Gogh depois dos curativos terem sido retirados, afirmaram que apenas o [[lóbulo da orelha]] fora cortado.<ref name=rewald243248 > {{harvnb|Rewald|1978|pp=243–248}} </ref> Victor Doiteau e Edgard Leroy dizem que o corte diagonal retirou o lóbulo e provavelmente um pouco mais.<ref> {{harvnb|Doiteau|Leroy|1928}} </ref> Tanto o policial quanto Félix Rey afirmaram que Van Gogh cortou toda sua aurícula;<ref name=rewald243248 /> Rey repetiu a história em 1930, escrevendo uma nota ao romancista Irving Stone que incluía um esboço da linha de incisão.<ref name=orelha > {{citar web|url=http://theartnewspaper.com/news/news/name-of-mystery-woman-who-recieved-van-gogh-s-ear-revealed-for-first-time/|título=Name of mystery woman who received Van Gogh's ear revealed for first time|data=20 de julho de 2016|autor=Bailey, Martin|obra=The Art Newspaper|acessodata=9 de abril de 2017 }} </ref> }} causando um sangramento sério.<ref name=rewald243248 /> Ele enfaixou a ferida, enrolou a orelha em papel e enviou o pacote para Gabrielle Berlatier, criada de um bordel que frequentava com Gauguin.<ref name=rewald243248 /><ref name=orelha /> Van Gogh foi encontrado inconsciente na manhã seguinte por um policial e levado ao hospital,<ref> {{harvnb|Gayford|2006|p=277}}; {{harvnb|Sund|2002|p=235}} </ref> onde foi tratado por Félix Rey, um jovem médico ainda em treinamento. A orelha foi entregue no hospital, porém Rey não tentou recolocá-la pois muito tempo já tinha passado.<ref name=sweetman290 />
 
Van Gogh não tinha memórias do incidente, o que sugere que talvez tenha passado por um surto mental agudo.<ref> {{harvnb|Naifeh|Smith|2011|pp=707–708}} </ref> O diagnóstico do hospital foi "mania aguda com delírio generalizado",<ref> {{harvnb|Naifeh|Smith|2011|p=249}} </ref> com a polícia local ordenando dias depois que ele fosse deixado nos cuidados do hospital.<ref name=ref149 > {{harvnb|Van Gogh|2009}}, {{citar web|url=http://vangoghletters.org/vg/documentation.html|título=Concordance, lists, bibliography: Documentation|acessodata=9 de abril de 2017 }} </ref><ref> {{harvnb|Sund|2002|p=237}} </ref> Gauguin imediatamente notificou Theo, que em 24 de dezembro havia pedido em casamento [[Johanna van Gogh-Bonger|Johanna Bonger]], irmã de seu amigo Andries Bonger.<ref> {{harvnb|Rewald|1986|p=37}} </ref> Ele correu para a estação na mesma tarde e pegou um trem noturno para Arles. Theo chegou na manhã de natal e confortou o irmão, que parecia semi-lúcido. Ele retornou para Paris naquela tarde.<ref> {{harvnb|Naifeh|Smith|2011|pp=704–705}} </ref>
Van Gogh chamou por Gauguin repetidas vezes sem sucesso durante os primeiros dias de tratamento; Gauguin tinha pedido ao policial encarregado do caso para "ser gentil o bastante, senhor, de acordar este homem com grande cuidado, e se ele perguntar por mim lhe diga que fui para Paris; a visão de mim talvez mostre-se fatal para ele".<ref> {{harvnb|Gayford|2006|p=284}} </ref> Ele fugiu de Arles e nunca mais viu Van Gogh. Os dois mesmo assim continuaram a se corresponder e Gauguin chegou a propor em 1890 que eles formassem um estúdio na Antuérpia. Outros visitantes incluíram Marie Ginoux e Joseph Roulin.<ref> {{harvnb|Pickvance|1986|p=62}} </ref>
 
Apesar dos diagnósticos pessimistas, Van Gogh recuperou-se e voltou para a Casa Amarela em 7 de janeiro de 1889.<ref> {{harvnb|Naifeh|Smith|2011|p=713}} </ref> Ele passou os meses seguintes entre hospital e casa, sofrendo alucinações e delírios de envenenamento.<ref> {{harvnb|Sweetman|1990|p=298–300}} </ref> A política fechou sua casa em março depois de uma petição assinada por trinta pessoas, incluindo a família Ginoux, lhe ter descrito como "o louco ruivo".<ref name=ref149 /> Van Gogh voltou para o hospital. Signac o visitou duas vezes em março<ref> {{harvnb|Sweetman|1990|p=300}} </ref> e no mês seguinte Van Gogh se mudou para quartos que eram propriedade de Rey, já que uma inundação tinha danificado algumas de suas pinturas na sua casa própria.<ref> {{harvnb|Pickvance|1986|pp=239–242}}; {{harvnb|Tralbaut|1981|pp=265–273}} </ref> Ele deixou Arles dois meses depois e se internou voluntariamente em um hospício de [[Saint-Rémy-de-Provence]].<ref name=hughes145 > {{harvnb|Hughes|1990|p=145}} </ref> Van Gogh deu a Rey seu ''[[:Ficheiro:Vincent van Gogh - Portrait of Doctor Félix Rey (F500).jpg|Retrato do Doutor Félix Rey]]'', porém o médico não gostou doda quadroobra e oa usou para concertar um galinheiro antes de dar-lola emboraa outrem.<ref name=cluskey > {{citar web|url=http://www.irishtimes.com/news/world/europe/gun-used-by-vincent-van-gogh-to-kill-himself-goes-on-display-1.2719415|título=Gun used by Vincent van Gogh to kill himself goes on display|data=12 de julho de 2016|autor=Cluskey, Peter|obra=The Irish Times|acessodata=9 de abril de 2017}} </ref> Van Gogh por volta da mesma época escreveu: "Às vezes humores de indescritível angústia, às vezes momentos em que o véu do tempo e a fatalidade das circunstâncias parecem ser despedaçados por um instante.<ref name=hughes145/>
 
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==== Saint-Rémy ====
[[Ficheiro:Van Gogh - Starry Night - Google Art Project.jpg|thumb|260px|''A Noite Estrelada'', junho de 1889.]]
Van Gogh se internou no hospício de Saint-Paul-de-Mausole em 8 de maio de 1889 acompanhado por seu cuidador Frédéric Salles, um clérigo protestante. O local ficava menos de trinta quilômetros de Arles. Van Gogh tinha duas celas com janelas gradeadas, uma das quais ele usou como estúdio.<ref> {{harvnb|Callow|1990|p=246}} </ref> A clínica e seu jardim tornaram-se temas de seus quadros. Ele realizou vários estudos dos interiores do hospital como ''[[:Ficheiro:Vincent van Gogh - Corridor in the Asylum.JPG|Corredor no Hospício]]'' e ''[[:Ficheiro:Vincent Van Gogh 0012.jpg|Entrada do Hospício]]''. Algumas de suas obras da época foram caracterizadas por redemoinhos, por exemplo ''[[A Noite Estrelada]]''. Era -lhe permitido pequenas caminhadas supervisionadas, que levaram a pintura de [[cipreste]]s e [[oliveira]]s, incluindo ''[[:Ficheiro:Van Gogh The Olive Trees..jpg|Oliveiras com Alpilles ao Fundo]]'', ''[[:Ficheiro:Vincent van Gogh - Wheat Field with Cypresses - Google Art Project.jpg|Campo de Trigo com Ciprestes]]'' e ''[[:Ficheiro:Van Gogh - Country road in Provence by night.jpg|Estrada com Cipreste à Noite]]''. Ele produziu outras duas versões de ''Quarto em Arles'' em setembro de 1889.<ref> {{harvnb|Pickvance|1984|pp=102–103}} </ref>
 
O acesso limitado à vida fora da clínica resultou na escassez de temas a serem retratados. Restou a Van Gogh trabalhar em interpretações das pinturas de outros artistas, como ''[[:Ficheiro:Vincent Willem van Gogh 025.jpg|O Semeador]]'' e ''[[:Ficheiro:Noon, rest from work - Van Gogh.jpeg|Meio-Dia, Descanso do Trabalho]]'', apósoriginais de [[Jean-François Millet]], além de variações de seus próprios trabalhos antigos. Ele era admirador do [[realismo]] de Millet, [[Jules Breton]] e [[Gustave Courbet]],<ref> {{harvnb|van Uitert|van Tilborgh|van Heugten|1990|p=23}} </ref> comparando suas cópias com um músico interpretando [[Ludwig van Beethoven]].<ref> {{harvnb|Pickvance|1986|pp=154–157}} </ref> ''A Roda de Prisioneiros'' foi pintada apóscomo uma recriação de [[:Ficheiro:Newgate-prison-exercise-yard.jpg|uma gravura]] de [[Gustave Doré]]. O historiador Marc Edo Tralbaut sugere que o rosto do prisioneiro destacado no centro olhando para o observador éseria o do próprio Van Gogh,<ref> {{harvnb|Tralbaut|1981|p=286}} </ref> porém [[Jan Hulsker]] discorda.<ref> {{harvnb|Hulsker|1990|p=434}} </ref>
 
Van Gogh sofreu uma severa entre fevereiro e abril de 1890. Ele ficou depressivo e incapaz de escrever, porém ainda assim conseguiu pintar e desenhar um pouco,<ref name=hulsker440 > {{harvnb|Hulsker|1990|p=440}} </ref> mais tarde escrevendo a Theo que fizera algumas pequenas telas "da memória ... reminiscências do Norte".<ref name=ref169 > {{harvnb|van Gogh|2009}}, {{citar web|url=http://vangoghletters.org/vg/letters/let863/letter.html|título=863: To Theo van Gogh. Saint-Rémy-de-Provence, Tuesday, 29 April 1890.|acessodata=10 de abril de 2017 }} </ref> Dentre essas estava ''Duas Camponesas Cavando em um Campo Coberto ao Pôr do Sol''. Hulsker acredita que esse pequeno grupo de pinturas formou os núcleos de muitos desenhos e estudos representando paisagens e pessoas com quem Van Gogh trabalhou durante esse tempo. Ele comentou que este pequeno período foi a única época que a doença de Van Gogh afetou sua arte.<ref> {{harvnb|Hulsker|1990|pp=390, 404}} </ref> Van Gogh pediu a sua mãe e irmão para que lhe enviassem desenhos e esboços que tinha feito no início da década de 1880 para que assim pudesse trabalhar em obras novas a partir delas.<ref> {{harvnb|Rewald|1978|pp=326–329}} </ref> Pertencente a esse período é ''Velho Triste ("No Portão da Eternidade")'', um estudo colorido que Hulsker descreve como "outra recordação inconfundível de tempos passados".<ref name=naifeh820 > {{harvnb|Naifeh|Smith|2011|p=820}} </ref><ref> {{harvnb|Hulsker|1990|pp=390, 404}}; {{harvnb|Tralbaut|1981|p=287}} </ref> Suas últimas pinturas mostram um artista no auge de suas habilidades, "ansiando por concisão e graça" segundo o crítico [[Robert Hughes (crítico)|Robert Hughes]].<ref name=hughes144 />
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[[Albert Aurier]] elogiou os trabalhos de Van Gogh em janeiro de 1890 no jornal ''Mercure de France'', descrevendo-o como "um gênio".<ref> {{harvnb|Pickvance|1986|pp=310–315}} </ref> Ele pintou cinco versões de ''[[:Ficheiro:Vincent Willem van Gogh 059.jpg|A Arlesiana (Madame Ginoux)]]'' baseado em um esboço de carvão que Gauguin tinha produzido em novembro de 1888 enquanto os dois ainda trabalhavam juntos.<ref> {{harvnb|Pickvance|1986|pp=175–177}} </ref>{{nota de rodapé|A versão que seria para Ginoux se perdeu. Foi uma tentativa de entregar a pintura a ela em Arles que precipitou sua recaída de fevereiro.<ref name=hulsker440 /> }} Van Gogh foi convidado no mesmo mês pela ''[[Les XX]]'', uma sociedade de pintores [[Vanguarda|vanguardistas]] de Bruxelas, a participar de sua exposição anual. Henry de Groux, um dos membros da sociedade, insultou as obras de Van Gogh durante o jantar de abertura. Toulouse-Lautrec exigiu uma satisfação e Signac declarou que continuaria a lutar pela honra de Van Gogh caso Lautrec se rendesse. de Groux se desculpou e deixou o grupo. Posteriormente, [[Claude Monet]] viu obras de Van Gogh exibidas pelos Artistas Independentes em Paris e afirmou que eram os melhores quadros da exposição.<ref> {{harvnb|Rewald|1978|pp=346–347, 348–350}} </ref> Van Gogh escreveu após o nascimento de seu sobrinho: "Eu comecei imediatamente a fazer uma pintura para ele, para prender no quarto dele, ramos de uma [[:Ficheiro:Vincent van Gogh - Almond blossom - Google Art Project.jpg|flor de amêndoa branca]] contra um céu azul".<ref> {{harvnb|Tralbaut|1981|p=293}} </ref>
 
==== Auvers-sur-Oise ====
 
[[Ficheiro:Van Gogh The Olive Trees..jpg|thumb|left|260px|''Oliveiras com Alpilles ao Fundo'', 1889]]
Theo criticou ''Os Comedores de Batata'' por sua paleta sombria, achando que era inadequada para um estilo moderno.<ref> {{harvnb|van Uitert|van Tilborgh|van Heugten|1990|p=18}} </ref> Van Gogh tentou aprimorar uma paleta mais colorida durante sua estadia em Paris entre 1886 e 1887. Seu ''[[:Ficheiro:Van Gogh - Portrait of Pere Tanguy 1887-8.JPG|Retrato de Père Tanguy]]'' mostra seu sucesso na nova paleta, sendo evidência de seu estilo pessoal em evolução.<ref> {{harvnb|van Uitert|van Tilborgh|van Heugten|1990|pp=18–19}} </ref> O tratado de Charles Blanc sobre cores muito lhe interessou, levando-o a trabalhar com cores complementares. Ele passou a acreditar que os efeitos das cores iam além do descritivo, dizendo: "cores expressam algo por si próprias".<ref name=sund666 > {{harvnb|Sund|1988|p=666}} </ref><ref> {{harvnb|Van Gogh|2009}}, {{citar web|url=http://vangoghletters.org/vg/letters/let537/letter.html|título=537: To Theo van Gogh. Nuenen, on or about Wednesday, 28 October 1885.|acessodata=11 de abril de 2017 }} </ref> Hughes comentou que Van Gogh enxergava as cores como um "peso psicológico e moral", exemplificado pelos vermelhos e verdes espalhafatosos de ''[[O Café à Noite na Place Lamartine|O Café à Noite]]'', uma obra em que ele desejava "expressar as terríveis paixões da humanidade".<ref> {{harvnb|Hughes|2002|p=7}} </ref> O amarelo era sua cor mais importante pois simbolizava a verdade emocional. Ele usava amarelo como um símbolo de luz do sol, vida e Deus.<ref> {{harvnb|Hughes|2002|p=11}} </ref>
 
Van Gogh procurou ser um pintor da natureza e da vida rural,<ref> {{harvnb|van Uitert|1981|p=232}} </ref> usando sua nova paleta durante seu primeiro verão em Arles a fim de pintar paisagens e a vida rural tradicional.<ref> {{harvnb|van Uitert|van Tilborgh|van Heugten|1990|p=20}} </ref> Sua crença na existência de um poder por trás do natural o levou a tentar capturar uma sensação desse poder ou a essência da natureza, algumas vezes por meio do uso de símbolos.<ref name=hughes89 > {{harvnb|Hughes|2002|pp=8–9}} </ref> Suas representações do semeador, inicialmente copiadas de [[Jean-François Millet]], refletem as crenças religiosas de Van Gogh: o semeador é Cristo semeando a vida sob o sol escaldante.<ref> {{harvnb|Sund|1988|p=668}} </ref> Estes eram temas e motivos condutores que ele frequentemente revisitou e retrabalhou.<ref> {{harvnb|van Uitert|1981|p=236}} </ref> Suas pinturas de flores eram repletas de simbolismos, porém criou uma própria [[iconografia]] em vez de empregar a cristã, onde a vida é vivida sob o sol e o trabalho é uma alegoria da vida.<ref> {{harvnb|Hughes|2002|p=12}} </ref> Ele ganhou confiança em Arles após pintar as flores da primavera e aprender a representar a luz do sol, estando pronto para pintar ''[[:Ficheiro:Vincent Willem van Gogh 025.jpg|O Semeador]]''.<ref name=sund666 />
|<center>''Autorretrato'', agosto de 1889</center>
|<center>''Autorretrato'', setembro de 1889</center>
|<center>''Autorretrato Sem Barba'', c. {{circa|setembro de 1889}}{{nota de rodapé|Este talvez tenha sido o último autorretrato de Van Gogh. Ele o deu para sua mãe como presente de aniversário.<ref> {{harvnb|Pickvance|1986|p=131}}; {{harvnb|Van Gogh|2009}}, {{citar web|url=http://vangoghletters.org/vg/letters/let806/letter.html#n-16|título=806: To Theo van Gogh. Saint-Rémy-de-Provence, Saturday, 28 September 1889.|acessodata=11 de abril de 2017 }} </ref> }}</center>
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<!-- {{VT|Girassóis (série de Van Gogh)|Amendoeiras em flor}} -->
[[Ficheiro:Vincent Willem van Gogh 127.jpg|thumb|left|190px|''Natureza-Morta: Vaso com Quinze Girassóis'', agosto de 1888]]
Van Gogh pintou muitas paisagens floridas com [[rosa]]s, [[Syringa|lilases]], [[Iris (género)|lírios]] e [[girassol|girassóis]]. Algumas refletem seu interesse na linguagem cromática e no [[ukiyo-e]].<ref> {{harvnb|Pickvance|1986|pp=80–81, 184–187}} </ref> Ele criou duas séries de girassóis morrendo. A primeira foi pintada em 1887 em Paris e exibe as flores repousadas no solo. A segunda foi concluída no ano seguinte em Arles, retratando buquês em vaso, dispostos à luz da alvorada.<ref> {{harvnb|Walther|Metzger|1994|p=413}}</ref> Ambas foram concebidas com o uso de [[impasto]], o que evoca a "textura de cabeças de girassol recheadas de sementes" de acordo com a Galeria Nacional de Londres.<ref> {{citar web|url=https://www.nationalgallery.org.uk/paintings/vincent-van-gogh-sunflowers|título=Sunflowers: 1888, Vincent van Gogh|obra=Galeria Nacional de Londres|acessodata=11 de abril de 2017 }} </ref>
 
Van Gogh nessas séries não estava interessado em preencher suas pinturas com subjetividade e emoção. Os dois conjuntos foram criados para que pudesse exibir sua habilidade técnica e método de trabalho a Gauguin, que estava para visitá-lo.<ref name=walther411 > {{harvnb|Walther|Metzger|1994|p=411}} </ref> Os quadros de 1888 foram pintados em um período de raro otimismo, sobre o qual Van Gogh escreveu para Theo em agosto de 1888 dizendo: "Estou pintando com o entusiasmo de um marselhês a comer ''bouillabaisse'', o que não lhe surpreenderá por ser este o caso de pintar grandes girassóis ... Se eu executar mesmo esse plano, haverá uma dúzia de telas. O conjunto será então uma sinfonia de azul e amarelo. Eu trabalho nisso todas as manhãs, a partir do nascer do sol. Pois as flores murcham rapidamente e é uma questão de fazer tudo de uma vez".<ref> {{harvnb|Van Gogh|2009}}, {{citar web|url=http://vangoghletters.org/vg/letters/let666/letter.html|título=666: To Theo van Gogh. Arles, Tuesday, 21 or Wednesday, 22 August 1888.|acessodata=11 de abril de 2017 }} </ref>
<!-- {{VT|Oliveiras (série de Van Gogh)}} -->
[[Ficheiro:Vincent van Gogh - Wheat Field with Cypresses - Google Art Project.jpg|thumb|270px|''Campo de Trigo com Ciprestes'', 1889.]]
Van Gogh pintou quinze quadros retratando [[Cipreste-italiano|ciprestes]], um tipo de árvore que despertou-lhe fascínio em Arles.<ref name=pickvance101189191 > {{harvnb|Pickvance|1986|pp=101, 189–191}} </ref> Ele deu vida a essas árvores, que eram vistas tradicionalmente como símbolos da morte;<ref name=hughes89 /> ele as pintava à distância, como se fossem quebra-ventos nos campos. Van Gogh procurou representá-las em primeiro plano enquanto esteve em Saint-Rémy.<ref> {{harvnb|Pickvance|1986|p=110}} </ref> Ele escreveu para Theo em maio de 1889 que "Ciprestes ainda me preocupam. Eu gostaria de fazer algo com elas semelhante ao que fazia nas minhas telas de girassóis"; declarando então: "Elas são belas em linha e proporção como um obelisco egípcio".<ref> {{harvnb|Rewald|1978|p=311}} </ref>
 
Van Gogh pintou na metade de 1889 várias versões menores de ''Campo de Trigo com Ciprestes'', atendendo um pedido de sua irmã Wil.<ref>
[[Ficheiro:Jo van Gogh-Bonger, by Woodbury and Page-2.jpg|thumb|left|Johanna van Gogh-Bonger, 1889|alt=Uma fotografia, retrato em preto e branco à altura do peito, de uma jovem mulher com expressão leve.]]
 
A fama de Van Gogh passou a crescer de forma gradual entre artistas, críticos, comerciantes e colecionadores após as primeiras exibições de suas obras ao fim da década de 1880.<ref> {{harvnb|Rewald|1986|pp=244–254}} </ref> [[André Antoine]] exibiu trabalhos do pintor em 1887 conjuntamente aos de [[Georges Seurat]] e [[Paul Signac]] no [[Théâtre Libre|Teatro Livre]] de Paris. Alguns deles foram adquiridos por Julien Tanguy.<ref name=sund305 >
{{harvnb|Sund|2002|p=305}} </ref> Sua obra foi descrita em 1889 por [[Albert Aurier]] no jornal ''[[Le Moderniste Illustré]]'' como caracterizada por "chama, intensidade e luz do sol".<ref> {{harvnb|Sund|2002|p=307}} </ref> Dez de seus quadros foram exibidos em janeiro de 1890 em Bruxelas pela Sociedade de Artistas Independentes.<ref name=mcquillan72 > {{harvnb|McQuillan|1989|p=72}} </ref>
 
Exibições memoriais foram realizadas em Bruxelas, Paris, Haia e Antuérpia após a morte de Van Gogh. Seu trabalho foi mostrado em várias exibições de renome, incluindo seis quadros na ''Les XX''. Uma exibição de retrospectiva ocorreu em Bruxelas em 1891.<ref name=mcquillan72 /> [[Octave Mirbeau]] escreveu em 1892 que o suicídio do pintor fora uma "perda infinitamente triste para a arte ... mesmo a população não lotando no magnífico funeral, e o pobre Vincent van Gogh, cujo falecimento significa a extinção da bela chama de um gênio, tenha partido em meio à obscuridade e negligência experienciadas em vida".<ref name=sund305 />
 
[[Ficheiro:Vincent Van Gogh 0013.jpg|thumb|''O Pintor na Estrada de Tarascon'', agosto de 1888, pintura destruída por fogo durante a Segunda Guerra.|alt=Um homem usando chapéu de palha, carregando uma tela e um estojo de tinta, caminhando para a esquerda, numa estrada rural coberta por folhas e ladeada por duas árvores em segundo plano.]]
Émile Bernard organizou em 1892 uma pequena mostra solo de pinturas de Van Gogh em Paris, enquanto Julien Tanguy exibiu quadros na sua propriedade junto com outros remetidos por Johanna para que ficasse aos seus cuidados. A [[Paul Durand-Ruel|Galeria Durand-Rue]] de Paris concordou em abril de 1894 em guardar em consignação dez pinturas do patrimônio de Van Gogh.<ref name=rewald245 /> O [[Fauvismo|pintor fauvista]] [[Henri Matisse]], então um estudante de arte desconhecido, visitou [[John Peter Russell]] em [[Belle Île]] em 1896.<ref> {{harvnb|Spurling|1998|pp=119–138}}</ref><ref name=abc>{{citar web|url=http://www.abc.net.au/radionational/programs/booktalk/the-unknown-matisse/3627290|título=The Unknown Matisse...|data=5 de agosto de 2005|obra=ABC Online|acessodata=10 de abril de 2017 }}</ref> Russell tinha sido um amigo próximo de Van Gogh e apresentou Matisse ao trabalho do pintor holandês, presenteando-o ainda com um dos desenhos de Van Gogh. Matisse influenciou-se em Van Gogh e abandonou sua paleta de cores terrosas em favor de tonalidades mais vivas.<ref name=abc/><ref> {{harvnb|Spurling|1998|p=138}} </ref>
 
Uma grande exposição retrospectiva foi realizada em 1901 em Paris na Galeria Bernheim-Jeune, que animou [[André Derain]] e [[Maurice de Vlaminck]] e contribuiu para a emergência do fauvismo.<ref name=rewald245 /> Importantes exibições ocorreram em 1912 juntamente aos trabalhos de artistas da Sonderbund de [[Colônia (Alemanha)|Colônia]], além do [[Armory Show]] em 1913 em [[Nova Iorque]] e outra em [[Berlim]] em 1914.<ref> {{harvnb|Dorn|Leeman|1990}} </ref> Henk Bremmer foi fundamental ensinando e falando sobre Van Gogh,<ref> {{harvnb|Rovers|2007|p=262}} </ref> tendo apresentado Helene Kröller-Müller à obra do pintor. Esta foi uma ávida colecionadora destes trabalhos.<ref> {{harvnb|Rovers|2007|p=258}} </ref> Pintores da fase inicial do [[expressionismo alemão]] como [[Emil Nolde]] reconheceram uma dívida a Van Gogh.<ref> {{harvnb|Selz|1968|p=82}} </ref> Bremmer ajudou Jacob-Baart de la Faille, cujo catálogo ''L'Oeuvre de Vincent van Gogh'' foi divulgado em 1928.<ref> {{harvnb|Faille|1928}}; {{citar web|url=https://dictionaryofarthistorians.org/faillej.htm|título=Faille, J[acob]-B[aart] de la|obra=Dictionary of Art Historians|acessodata=10 de abril de 2017}} </ref>{{nota de rodapé|Cada trabalho de Van Gogh foi numerado no catálogo de 1928. Esses números precedidos pela letra "F" são frequentemente usados na referência a uma pintura ou desenho particular.<ref>
 
[[Francis Bacon (artista)|Francis Bacon]] tomou por base reproduções da tela ''O Pintor na Estrada de Tarascon'' para a elaboração em 1957 de uma série de pinturas. A obra original de Van Gogh havia sido destruída durante [[Segunda Guerra Mundial]]. Bacon buscou inspiração na imagem que descrevia como "assombrosa", considerando o pintor holandês um estranho alienado, definição esta que estava em sintonia com a visão que Bacon tinha de si. Ele identificava-se com as teorias de arte de Van Gogh e citou um trecho de uma carta enviada para Theo: "Pintores de verdade não pintam as coisas como elas são ... Eles pintam como sentem que são".<ref> {{harvnb|Farr|Peppiatt|Yard|1999|p=112}} </ref>
 
As obras de Van Gogh estão entre as mais caras do mundo. Entre as vendidas por mais que cem milhões de [[Dólar dos Estados Unidos|dólares]] estão ''Retrato do Dr. Gachet'',<ref> {{citar web|url=http://www.artnet.com/magazine_pre2000/features/decker/decker11-4-98.asp|título=The Silent Boom|data=5 de novembro de 1998|autor=Decker, Andrew|obra=Artnet|acessodata=10 de abril de 2017 }} </ref> ''[[:Ficheiro:Vincent van Gogh - Portrait of Joseph Roulin.jpg|Retrato de Joseph Roulin]]'' e ''[[:Ficheiro:VanGoghIrises2.jpg|Irises]]Lírios''. A versão de ''[[:Ficheiro:Wheat-Field-with-Cypresses-(1889)-Vincent-van-Gogh-Met.jpg|Campo de Trigo com Ciprestes]]'' do [[Metropolitan Museum of Art|Museu Metropolitano de Arte]] foi adquirida em 1993 por 57 milhões.<ref> {{citar web|url=http://www.nytimes.com/1993/05/25/arts/annenberg-donates-a-van-gogh-to-the-met.html|título=Annenberg Donates A van Gogh to the Met|data=25 de maio de 1993|autor=Kimmelman, Michael|obra=[[The New York Times]]|acessodata=10 de abril de 2017 }} </ref> ''[[:Ficheiro:Van gogh lallee des alyscamps.jpg|A Entrada de Alyscamps]]'' vendeu por 66,3 milhões em 2015, excedendo o estimado de quarenta milhões.<ref> {{citar web|url=https://news.artnet.com/market/led-66m-van-gogh-sothebys-impressionist-modern-sale-robustly-kicks-off-season-294831|título=Mysterious Asian Buyer Causes Sensation at Sotheby’s $368 Million Impressionist Sale|data=5 de maio de 2015|autor=Boucher, Brian|obra=Arnet News|acessodata=10 de abril de 2017 }} </ref>
 
===Museu Van Gogh===
* {{citar livro|ultimo1=Druick|primeiro1=Douglas|ultimo2=Keyes|primeiro2=George|ano=2000|título=Van Gogh Face to Face: The Portraits|editora=Thames & Hudson|isbn=978-0-89558-153-2|ref=harv }}
* {{citar livro|ultimo1=Druick|primeiro1=Douglas|ultimo2=Zegers|primeiro2=Pieter|ano=2001|título=Van Gogh and Gauguin: The Studio of the South|editora=Thames & Hudson|isbn=978-0-500-51054-4|ref=harv }}
* {{citar livro|ultimo1=Edwards|primeiro1=Cliff|ano=1989|título=Van Gogh and God: A Creative Spiritual Quest|editora=Loyola University Press|isbn=978-0-8294-0621-4|ref=harv }}
* {{citar livro|ultimo1=Erickson|primeiro1=Kathleen Powers|ano=1998|título=At Eternity's Gate: The Spiritual Vision of Vincent van Gogh|editora=Eerdmans|isbn=978-0-8028-4978-6|ref=harv }}
* {{citar livro|ultimo1=Faille|primeiro1=Jacob-Baart de la|ano=1928|título=L'Oeuvre de Vincent van Gogh: Catalogue Raisonnée|editora=G. van Oest|oclc=3312853|ref=harv }}
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