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[[Errico Malatesta]], anarquista italiano, define o [[Estado]] como sendo "um conjunto de [[instituição|instituições]] políticas, legislativas, judiciárias, militares e financeiras".{{Sfn|Malatesta|2001|p=15}} Para os anarquistas, o Estado é responsável por alguns tipos de dominação, como a coação física e a dominação político-burocrática.<ref name=corr107a /> Há, na crítica anarquista ao Estado, uma dupla perspectiva: primeiro, uma oposição à hierarquia, e segundo, uma ligação entre o Estado e as classes sociais. Nesses dois casos, o Estado constitui um meio para que uma minoria governe uma maioria.{{HarvRef|name=corr108a|Corrêa|2014|p=108}}
[[Imagem:Bakunin Nadar.jpg|thumb|180px|O russo [[Mikhail Bakunin]], em sua obra ''[[Estatismo e Anarquia]]'', de 1873, desenvolve sua teoria do Estado. Sua crítica ao estatismo se estende para todas as suas formas, desde as mais [[autoritarismo|autoritárias]] até as mais [[liberalismo|liberais]].]]
Na teoria do Estado desenvolvida pelos anarquistas, constata-se que a dominação política existe tanto pelo [[Monopólio da violência|monopólio da força]], quanto pelo monopólio das tomadas de decisão da sociedade. Para os anarquistas, Estado e dominação são indissociáveis;<ref name=corr107a /> posição enfatizada por Bakunin ao afirmar que "quem diz Estado, diz necessariamente dominação e, em consequência, escravidão; um Estado sem escravidão, declarada ou disfarçada, é inconcebível; eis porque somos inimigos do Estado".{{Sfn|Bakunin|2003|p=114}} Os anarquistas sustentam que o Estado submete as classes dominadas que estão sob sua jurisdição à coação física, utilizada quando sua legitimidade não é suficiente; além disso, sustentam que as classes dominadas estão submetidas também a uma dominação político-burocrática, responsável por sua [[alienação]] política, que se evidencia na hierarquia existente entre governantes e governados, a qual implica na existência de um grupo que toma as decisões para uma dada população. Essa crítica anarquista ao Estado estendeu-se amplamente, para todas as suas formas e seus distintos sistemas de governo, desde os mais autoritários até os mais liberais.<ref name=corr108a />
 
Para os anarquistas, o Estado é um elemento central na estrutura social que caracteriza os sistemas de dominação. Essa crítica à dominação política protagonizada pelo Estado é um fundamento central do anarquismo, principalmente por razão de o Estado não ser considerado um simples reflexo das relações que se dão na esfera econômica; para os anarquistas, o Estado é, ao mesmo tempo, consequência e causa do capitalismo, ao possibilitar elementos para sua constituição, ao mesmo tempo em que por ele é constituído.{{HarvRef|name=corr109a|Corrêa|2014|p=109}} Ao defender tal posição, Kropotkin afirmou que o Estado é a "proteção da exploração, da [[especulação]], da propriedade privada", e que o proletário, "que só possui como riqueza seus braços, nada tem a esperar do Estado", encontrando nele "apenas uma organização feita para impedir a qualquer preço sua emancipação".{{Sfn|Kropotkin|2005|p=30}} Por acreditarem nessa relação de interdependência entre o Estado e o capitalismo, constituindo um elemento central no sistema de dominação, os anarquistas sustentam que a tomada ou participação nas instâncias do Estado não podem constituir meios de luta para o estabelecimento de poderes autogestionários e sistemas de autogestão.<ref name=corr109a />
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