Diferenças entre edições de "Isoptera"

6 bytes adicionados ,  01h09min de 25 de outubro de 2017
m
rm link para a própria página, outros ajustes usando script
(Ordem)
m (rm link para a própria página, outros ajustes usando script)
| subdivisão_nome = Famílias
}}
'''Isoptera''' é uma [[Ordem (biologia)|ordem]] de [[insetos]] [[Eussocialidade|eussociais]], conhecidos por isópteros, que inclui as espécies popularmente designadas por '''cupim''' (no [[Brasil]]),<ref>FERREIRA, A. B. H. ''Novo dicionário da língua portuguesa''. 2ª edição. Rio de Janeiro. Nova Fronteira. 10986. p. 510.</ref> '''térmite''' ou '''térmita''' (em [[Portugal]]), '''salalé''' (em [[Angola]])<ref>[http://www.dicio.com.br/salale/ Dicio.com - Salalé], acessado em 13 de fevereiro de 2016.</ref> e '''muchém''' (em [[Moçambique]]).<ref>[http://www.lexico.pt/muchem/ Lexico.pt - Significado de Muchém], acessado em 13 de Fevereiro de 2016.</ref>. Com cerca de 2 800 [[espécie]]s catalogadas no mundo, esses insetos são notórios pelos prejuízos econômicos que causam como [[Praga (organismo)|pragas]] de [[Madeira (material)|madeira]] e de outros materiais [[celulose|celulósicos]], ou ainda como pragas agrícolas, apesar de apenas cerca de 10% das espécies conhecidas de cupim possuir estas características.
 
Em número de espécies, a ordem Isoptera deve ser considerada intermediária entre os insetos; já em termos de [[biomassa]] e abundância, os cupins apresentam enorme significância e podem ser comparados às [[formiga]]s, [[minhoca]]s, [[mamíferos]] [[herbívoro]]s das [[savana]]s africanas ou seres humanos, por exemplo, e estão entre os mais abundantes [[invertebrados]] de solo de [[ecossistema]]s [[Clima tropical|tropicais]]. Esta grande abundância dos cupins nos ecossistemas, aliada à existência de diferentes [[Simbiose|simbiontes]], confere, a estes insetos, a possibilidade de desempenhar papéis como o de "[[Decompositor|super decompositores]]" e auxiliares no balanço [[carbono]]-[[nitrogênio]] (Higashi & Abe, 1997).
 
== Etimologia ==
"Cupim" originou-se do termo [[Língua tupi|tupi]] ''kopi'i''.<ref>FERREIRA, A. B. H. ''Novo Dicionário da Língua Portuguesa''. Segunda edição. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1986. p.510</ref>. Outro nome usado no Brasil, "itapicuim", originou-se da junção dos termos tupis ''i'tá'' ("pedra") e ''piku'i'' ("o tenro de dentro").<ref>FERREIRA, A. B. H. ''Novo dicionário da língua portuguesa''. 2ª edição. Rio de Janeiro. Nova Fronteira. 1986. p. 975.</ref> "Térmite" origina-se do termo [[Latim|latino]] ''tarmite'', "verme".<ref>FERREIRA, A. B. H. ''Novo Dicionário da Língua Portuguesa''. Segunda edição. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1986. p.1 667</ref>.
 
== Distribuição geográfica ==
== Taxonomia ==
[[Ficheiro:cupim rainha.jpg|left|thumb|250px|Rainha]]
Os cupins são insetos [[Hemimetabolismo|hemimetábolos]], com [[metamorfose]] gradual, e [[aparelho bucal]] mastigador; são [[Orthoptera|ortopteroides]] e formam um grupo [[Filo|monofilético]] com as [[baratas]] e [[Louva-a-deus|louva-deuses]], os [[Dictyoptera]]= ([[Blattaria]] + [['''Isoptera]]''') + [[Mantodea]]. Muito vem sendo discutido a respeito das relações internas dentro de Dictyoptera, inclusive se a ordem [['''Isoptera]]''' deve ou não continuar sendo utilizada, já que um [[Género (biologia)|gênero]] de baratas que vivem em madeira (''Cryptocercus'') é filogeneticamente mais próximo dos cupins do que das demais baratas.<ref>Eggleton ''et al''., 2007</ref><ref>Daegan Inward, George Beccaloni & Paul Eggleton "Death of an order: a comprehensive molecular phylogenetic study confirms that termites are eusocial cockroaches". Biol. Lett. (2007) 3, 331–335. doi:10.1098/rsbl.2007.0102 </ref><ref>LO, Nathan; TOKUDA, Gaku; WATANABE, Hirofumi; ROSE, Harley; SLAYTOR, Michael; MAEKAWA, Kiyoto; BANDI, Claudio & NODA, Hiroaki. “Evidence from multiple gene sequences indicates that termites evolved from wood-feeding cockroaches” Current Biology 2000, 10:801–804.</ref> Desta forma, as baratas seriam um grupo [[parafilético]], mas também poder-se-iam considerar os cupins como uma epifamília (denominada Termitoidae<ref>[http://bugguide.net/node/view/601964 Epifamily Termitoidae - Termites].</ref>) dentro de [[Blattaria]]: ''Blattaria'' = outras baratas + (''Cryptocercus'' + ''Termitoidae'').<ref>Inward ''et al''. (2007)</ref>
 
A classificação mais recente divide a ordem Isoptera em onze famílias<ref>ENGEL, Michael S.; GRIMALDI, David A. & KRISHNA, Kumar. “Termites (Isoptera): Their Phylogeny, Classification, and Rise to Ecological Dominance”. New York : American Museum Novitates, 2009. Nº 3650:1-27. DOI: http://dx.doi.org/10.1206/651.1. URL: http://www.bioone.org/doi/full/10.1206/651.1 </ref>:
 
* [[Cratomastotermitidae]] faz parte de um grupo fóssil (em [[âmbar]]) encontrado no Brasil, com claras características morfológicas de proximidade com as baratas-da-madeira.
* [[Mastotermitidae]] possui atualmente um único representante vivo, na Austrália (''Mastotermes darwiniensis''); ainda guarda várias características em comum com as baratas-da-madeira, inclusive a simbiose com as [[Blattabacterium]] spp; esta simbiose é posteriormente perdida pelos grupos posteriores de cupins.
[[FileImagem:Mastotermes darwiniensis.jpg|thumb|Mastotermes darwiniensis|alt=Mastotermes darwiniensis.jpg]]
Abaixo começa o clado EUISOPTERA<ref>KRISHNA, Kumar; GRIMALDI, David A.; KRISHNA, Valerie & ENGEL, Michael S. “Treatise On The Isoptera Of The World” vol. 1. Bulletin of the American Museum of Natural History nº 377, 2013. New York:American Museum of Natural History. ANSI/NISO Z39.48-1992</ref>:
* [[Termopsidae]]
Acima estão as famílias que compreendem os "cupins inferiores", que apresentam [[protozoário]]s [[simbionte]]s do Filo [[Metamonada]]; essa "classificação" tem carácter [[parafilético]].
 
* [[Termitidae]] é bastante diversificada, e compreende cerca de 85% das espécies de cupins conhecidas do Brasil e mais de 70% das espécies de cupins no mundo; são os chamados "cupins superiores"; diferentes de todas as outras famílias, não possuem os flagelados simbiontes<ref>DEITZ, L. L.; NALEPA, C.; & KLASS, K. “Phylogeny of the Dictyoptera Re-examined (Insecta)”. Entomologische Abhandlungen 2003 61 (1): 69–91. ISSN 0373-8981.</ref> e tudo indica que também produzem celulase em quantidades maiores que as outras famílias.<ref>BIGNELL, David Edward; ROISIN, Yves; LO, Nathan. “Biology of Termites: A Modern Synthesis” New York:Springer, 2006. 576 pg. e-ISBN 978-90-481-3977-4</ref>. Dentre os Termitidae, alguns são comedores de madeira, de folhas, de [[húmus]], e também cultivadores de [[fungo]] (e que não ocorrem no Brasil); muitos constroem ninhos grandes e complexos.
 
[[File:Termite mound Nyassa lake.JPG|thumb|left|Termiteiro em Chiuanga, na beira moçambicana do [[lago Niassa]]]]
 
==Simbiose==
[[FileImagem:Mixotricha paradoxa.png|thumb|''Mixotricha paradoxa'', simbionte do ''Mastotermes darwiniensis''|alt=Mixotricha paradoxa.png]]
Como acima mencionado, a família de cupins Mastotermitidae e a família de baratas-da-madeira Cryptocercidae possuem em comum a simbiose com as Blattabacterium spp, que é comum à todas as baratas (com exceção de um único gênero). Essa bactéria fabrica aminoácidos a partir de dejetos nitrogenados do hospedeiro. Por conta dessa importante relação com simbiontes, que se inicia nas baratas e toma rumos surpreendentes na história evolutiva dos cupins, alguns pesquisadores defendem que essa relação simbiótica foi fundamental para grandes eventos na evolução de Isoptera.<ref> DIETRICH, Carsten; KÖHLER, Tim & BRUNE, Andreas. “The Cockroach Origin of the Termite Gut Microbiota: Patterns in Bacterial Community Structure Reflect Major Evolutionary Events” “Applied and Environmental Microbiology” 2014. Vol. 80, nº 7, p. 2261–2269.</ref>.
 
Além das Blattabacterium, os cupins (com a única exceção dos Termitidae) possuem simbiose com flagelados do Filo [[Metamonada]], mais especificamente dos clados [[Oxymonadida]], [[Cristamonadea]] e [[Trichonymphea]].<ref>ADL, S.M.; SIMPSON, A.G.B.; LANE, C.E.; LUKES, J.; BASS, D.; BOWSER, S.S.; BROWN, M.W.; BURKI, F.; DUNTHORN, M.; HAMPL, V.; HEISS, A.; HOPPENRATH, M.; LARA, E.; GALL, L.L.; LYNN, D.H.; MCMANUS, H.; MITCHELL, E.A.D.; MOZLEY-STANRIDGE, S.E.; PARFREY, L.W.; PAWLOWSKI, J.; RUECKERT, S.; SHADWICK, L.; SCHOCH, C.L.; SMIRNOV, A. & SPIEGEL, F.W. “The revised classification of eukaryotes” Journal Eukaryot. Microbiol., 2012. 59:pp. 429-493.</ref>. Pesquisadores sugerem que essa relação simbiótica foi a origem da eussociabilidade dos cupins; uma vez que eles perdem os flagelados quando realizam [[ecdise]], apenas por realizarem [[trofalaxia]] é que os recuperam, sendo assim necessário que o obtivessem de terceiros.<ref>BELL, William J. Bell; ROTH, Louis M.; NALEPA, Christine A. “Cockroaches: ecology, behavior, and natural history”. Cap. 9: “Termites as Social Cockroaches”. Baltimore:The Johns Hopkins University Press, 2007.</ref>.
 
Essa relação simbiótica permitiu aos especialistas produzirem co-[[cladogramas]] dos seres simbiontes (sejam as bactérias, sejam os flagelados) que são por vezes idênticas aos cladogramas dos próprios hospedeiros.<ref>OHKUMA, Moriya; NODA, Satoko; HONGOH, Yuichi; NALEPA, Christine A. & INOUE, Tetsushi “Inheritance and diversification of symbiotic trichonymphid flagellates from a common ancestor of termites and the cockroach Cryptocercus” Proc. R. Soc. B (2009) 276, 239–245.</ref><ref>BIGNELL, David Edward; ROISIN, Yves; LO, Nathan. “Biology of Termites: A Modern Synthesis” New York:Springer, 2011. 576 pg. e-ISBN 978-90-481-3977-4</ref>.
 
== Colônia ==
==Cupins como alimento dos nativos das Américas==
 
Os cupins, assim como outros [[invertebrado]]s serviam como fonte de alimento para os [[ameríndios]].<ref>CAVALCANTE, Messias S. '''Comidas dos Nativos do Novo Mundo'''. Barueri, SP. Sá Editora. 2014, 403p.ISBN 9788582020364</ref>.
 
[[FileImagem:Castas do cupim.pdf|thumb|Castas do cupim|300px]]
 
Indígenas do [[noroeste]] [[amazônico]] incluiam em suas [[diet]]as os cupins. Os cupins também eram adicionados aos seus alimentos e desempenham o papel de [[sal]], uma vez que apresentam [[sabor]] salgado.<ref name="katz">KATZ, Esther. '''Prefácio'''. p. 9-16. In: COSTA NETO, Eraldo Medeiros. Antropoentomofagia: Insetos na alimentação humana. Feira de Santana. UEFS Editora. 2011, 255 p.</ref>. Os índios Desâna e outras [[etnia]]s, das [[margens]] do [[rio Uaupés]] e seus afluentes, coletavam os insetos enfiando um [[funil]] feito de [[folha]] de bananeira-brava (''[[Heliconia]]'' spp.) no orifício do [[cupinzeiro]].<ref>COSTA NETO, Eraldo Medeiros. Antropoentomofagia: sobre o consumo de insetos. P. 17-37. In: COSTA NETO, Eraldo Medeiros. '''Antropoentomofagia: Insetos na alimentação humana'''. Feira de Santana. UEFS Editora. 2011, 255 p</ref> <ref name="silva">SILVA, Alcionilio Bruzzi Alves da (1901-1987). '''A civilização indígena dos Uaupés'''. São Paulo, Linográfica Editora. 1962, 496 p.</ref>. Muito apreciados eram uns cupins amarelos que eram comidos vivos ou assados após saírem dos buracos em dias de chuva. Outro tipo, sem asas, era ingerido de maneira semelhante .<ref name="silva"/>.
 
Os índios [[Enawenê-nawê]], do [[Mato Grosso]], consumiam o cupim subterrâneo do [[Género (biologia)|gênero]] ''Syntermes'' após colocá-lo em recipiente com água e depois removendo-o e o aquecendo levemente sobre um prato de [[cerâmica]] levado ao [[fogo]]. A [[coleta]] era feita introduzindo [[vareta]] fina nas [[galeria]]s e [[olheiro]]s. Os insetos ferroavam a vareta e nela ficavam presos. Para coletar cupins do gênero ''Nasutitermes'' que constroem [[ninho]]s em troncos de árvores, primeiro era feita a identificação da [[espécie]] para saber se era [[comestível]]. Para isto, quebravam pequena porção de um dos túneis que saiam do ninho e se dirigiam para outras partes da árvore. A seguir esfregava o dedo na secção quebrada e, pelo [[odor]], sabia se o inseto podia ser comido. Em caso positivo era feito [[andaime]] ao longo do tronco até atingir o [[ninho]]. Este era quebradoado e as partes que caiam no chão eram esmigalhadasadas em [[tabuleiro]] de madeira. Adultos e [[pupa]]s eram recolhidos em folhas de [[palmeira]]s colocadas abaixo do tabuleiro e nelas empacotados. Posteriormente era feito um [[espeto]] com os [[pacote]]s. O pacote era levado ao [[fogo]] e os insetos ficavam prontos para o [[consumo]].<ref name="santos">SANTOS, Gilton Mendes dos. '''Nem humanos nem insetos. Aspectos de cosmologia e formas alimentares indígenas: O caso Enawene da Amazônia Meridional'''. p. 155-169. In: COSTA NETO, Eraldo Medeiros. Antropoentomofagia: Insetos na alimentação humana. Feira de Santana. UEFS Editora. 2011, 255 p.</ref>.
 
Os [[Maué]] do estado do [[Amazonas]] embrulhavam os cupins em folha de bananeira e os secavam no [[:wikt:moquém|moquém]] para posterior [[ingestão]].<ref name="bastos"/> <ref name="pereira"/>. Índios do [[Rio Negro (Amazonas)|rio Negro]] apreciavam ao menos três espécies de cupins, por eles chamados de maniuara, exkó e buxtuá e que eram ingeridos crus ou assados.<ref name="pereira">PEREIRA, Nunes (1892-1985). '''Os índios Maués'''. Rio de Janeiro, Organização Simões. 1954, 174 p.</ref>.
 
Indígenas do [[Departamento]] de [[Vaupés]], na [[Colômbia]], também consumiam cupins.<ref name="bastos">BASTOS, Abguar. '''A pantofagia ou as estranhas práticas alimentares da selva: Estudo na região amazônica'''. São Paulo, Editora Nacional; Brasília DF, INL. 1987, 153 p.</ref>.
 
Voce pode também ver uma curiosidade do filme o [[O Cupim|cupim. é um filmes brasileiro]] que pode lhe ajudar a dar um pouco de risadas
210 104

edições