Diferenças entre edições de "Nobreza da Itália"

24 bytes removidos ,  17h43min de 25 de outubro de 2017
m
rm link para a própria página, outros ajustes usando script
m (rm link para a própria página, outros ajustes usando script)
[[Imagem:The Lady with an Ermine.jpg|thumb|left|Cecilia Gallerani, nobre italiana do Renascimento, na pintura ''[[Dama com Arminho]]'', de [[Leonardo da Vinci]], c. 1490. [[Museu Czartoryski]].]]
 
Na [[Idade Média]], quando os [[Imperador Romano-Germânico|imperadores romano-germânicos]] do dominavam boa parte da [[península Itálica]], a nobreza nem sempre foi hereditária, os nobres em geral não tinham títulos específicos, e eram na maioria das vezes chefes militares e administradores imperiais de [[feudo]]s e cidades, os condes, ''signori'' (senhores) ou ''domini'', na versão latina.<ref name="Mendola">Mendola, Louis. "Italian Titles of Nobility". In: Heraldry Society. ''The Coat of Arms'', 1997</ref>
 
Depois do fim do [[Reino Itálico]] (século XI), houve um período de anarquia, e muitas cidades italianas se reorganizaram como [[república]]s independentes ou semi-independentes, criando um sistema de [[patriciado]] semelhante ao da [[Roma Antiga]]. Continuava a ser a classe governante, e apesar da constituição republicana das cidades, era uma forma de nobreza, de caráter hereditário e familiar. Com isso definiam-se os dois tipos de nobreza italiana: a de origem monárquica, e a de origem cívica, que ao longo das eras interagiram em frequente conflito, disputando a primazia do poder, mas em outros momentos atuaram em concerto. Nessas cidades as lutas intestinas foram uma constante na Idade Média e Moderna, formavam-se partidos de acirrada e mortal rivalidade, e não poucas guerras nasceram disso. Várias formas de governo foram tentadas para alcançar um equilíbrio justo de influência entre os partidos, como a instituição da ''[[podestà|Podesteria]]'' e da ''[[Signoria]]'', na qual pessoas de boa formação jurídica e cultural, em regra extraídas da nobreza, eram convidadas pelos conselhos para assumir a chefia do Executivo por mandatos temporários, que em geral eram de um ou dois anos. Neste posto elas podiam escolher uma equipe de assessores, como notários, juízes, advogados, oficiais e chefes militares, formando uma Cúria ou Conselho. Os ''podestà'' e ''signori'' em geral eram nativos de outras cidades, a fim de que suas ligações familiares não interferissem na administração da Justiça e no governo. Seus auxiliares na Idade Média também em geral eram nobres de nascença, pois só a nobreza tinha meios de financiar uma educação sólida intelectual e militar para seus filhos. Mas com a consolidação dos patriciados urbanos, esses patrícios também enriqueceram e se qualificaram, voltando a disputar as principais posições com os nobres, e não demorou muito para o patriciado conseguir impedir totalmente o acesso ao governo para os nobres em grande número de cidades, enquanto estes permaneciam mais influentes na zona rural, onde tinham seus feudos. Por outro lado, é um indicativo da tensão permanente o fato de que muitos ''podestà'' e ''signori'' acabaram tomando o poder de forma vitalícia, e mais tarde hereditária, fundando dinastias que transformavam as cidades-estado em novos reinos, condados ou ducados, e as cúrias que os assessoravam se tornavam suas cortes.<ref>"Podestà". Enciclopedia Treccani</ref><ref>Milani, Giuliano. [http://www.treccani.it/enciclopedia/signoria_%28Enciclopedia-dei-ragazzi%29/ "Signoria"]. In: ''Enciclopedia dei Ragazzi''. Treccani, 2006</ref><ref> [http://www.treccani.it/enciclopedia/signoria_%28Dizionario-di-Storia%29/ "Signoria"]. In: ''Dizionario di Storia''. Treccani, 2011</ref>
Ao longo da história,a nobreza foi sempre se reestruturando para acompanhar o curso dos acontecimentos e as mudanças sociais, invariavelmente monopolizando os principais cargos administrativos, jurídicos e eclesiásticos e detendo muitos outros privilégios. Algumas famílias vieram a se tornar “reinos” maiores que reinos, com extenso número de membros, títulos e posses espalhados por toda a península Itálica e mesmo no estrangeiro, formando uma rede de sólidos relacionamentos de parentesco e interesse que ultrapassava largamente as fronteiras geográficas do seu Estado de origem e influía nos destinos de grandes regiões, de fato, criando boa parte da História dessas regiões, como observou Campanile.<ref>Campanile, Filiberto. ''L'armi, ouero Insegne de' nobil, Oue sono i discorsi d'alcune famiglie nobili, così spente, come viue del regno di Napoli''. Longo, 1610</ref><ref>Visconti, A. ''L’Italia nell’ epoca della Controriforma dal 1516 al 1713''. Milão, 1958</ref>
 
Eram vários os critérios para que uma família ou indivíduo fossem enobrecidos, mas cada um dos muitos estados existiram na península Itálica estabeleceu suas próprias regras. Na maioria dos estados, os nobres precisavam atestar por várias gerações o não envolvimento direto com atividades mecânicas e rudes, consideradas indignas da nobreza; em geral era exigida também tradição familiar consolidada e uma riqueza expressiva, baseada em geral na posse hereditária da terra, mas também podiam ser enobrecidos [[Plebe|plebeusplebe]]us que se distinguissem nas armas, nas carreiras jurídicas e eclesiásticas, e mesmo no comércio e nas artes. Ao longo dos séculos, muito se discutiu quais desses critérios eram mais ou menos justificáveis, se a mulher podia ser fonte de nobreza, e se a nobreza moral era equiparável à nobreza tradicional. A nobreza não estava necessariamente associada à riqueza ou à posse hereditária de um feudo, e muitas vezes não esteve. Como as honras oficiais e a maior parte das riquezas das famílias nobres passavam em geral aos homens, em particular ao primogênito, a concentração da herança na primogenitura fez com que muitos [[Ramo cadete|ramos cadetes]] empobrecessem. Isso podia acarretar a perda do estatuto. Da mesma maneira como havia exigências para enobrecimento, havia critérios para a perda da nobreza, como a decadência moral, empobrecimento além de certo nível, envolvimento em crimes graves ou traição ao governo.<ref>Muzio, Girolamo. ''Il Gentilhuomo''. Valuassori & Micheli, 1575</ref><ref name="Visconti"/><ref>Lyman, Theodore. ''The Political State of Italy''. Wells and Lilly, 1820</ref><ref name="Ranke">Ranke, Leopold von. ''The history of the popes, their church and state and especially of their conflicts with Protestantism in the sixteenth & seventeenth centuries'', Volume 2. Henry G. Bohn, 1853</ref>
 
A nobreza italiana foi numerosa. Von Ranke calculava que no século XVIII havia cerca de nove mil famílias nobres na Itália, com um total estimado de 144 mil indivíduos nobres, mas ele refere que eram poucos em relação a outros estados europeus, como a [[Espanha]], que tinha uma população comparável mas quase três vezes mais nobres. Mesmo assim, sempre foi uma classe minoritária, e somente [[Milão]] na época tinha cerca de 100 mil habitantes.<ref name="Ranke"/>
* [[Nobreza da Hungria|Hungria]]
* [[Nobreza da Islândia|Islândia]]
* [[Nobreza da '''Itália|Itália]]'''
* [[Nobreza da Irlanda|Irlanda]]
* [[Nobreza da Lituânia|Lituânia]]
210 108

edições