Diferenças entre edições de "Uldino"

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== Etimologia ==
 
O nome de desse monarca huno é registrado como '''Uldes''' (Ουλδης) por [[Sozomeno]], '''Uldin''' por [[Orósio]] e '''Huldin''' pelo [[Conde Marcelino]]. Como as variantes [[latim|latinos]] mostram, terminou em -n, não com o sufixo [[língua grega|grego]] -s. A raiz do étimo é o verbo ''öl-'', que sobreviveu no [[língua mongol|mongol]] ''olje, ol-jei'' ("auspício, felicidade, boa sorte"). O sufixo médio ''jei'' era originalmente ''*di + ge'', assim ''*öl-jige > öl-dige''.{{harvrefsfn|Pritsak|1982|p=436}} No lugar do ''ge'' mongol, o [[língua huna|huno]] tem um sufixo ''n''. A forma reconstruída é ''*öl-di-n'' (auspício, feliz, sortudo, afortunado).{{harvrefsfn|Pritsak|1982|p=437}}
 
== Vida ==
[[Imagem:Stilicho - detail from diptych.jpg|thumb|upright=1.05|[[Estilicão]] num detalhe de seu [[díptico]]]]
 
Em 400, Uldino governou a [[Muntênia]], na moderna [[Romênia]] Oriental do [[rio Olt]].{{harvrefsfn|name=Ma59|Maenchen-Helfen|1973|p=59}} A extensão de seu reino ao norte e leste é desconhecida, mas para oeste provavelmente alcançou as margens do [[Danúbio]] onde os [[hunos]] acamparam desde 378-380.{{harvrefsfn|Maenchen-Helfen|1973|p=59, 61}} Quando [[Gainas]], antigo [[mestre dos soldados na presença]], com seus apoiantes [[godos]], fugiu através das fronteiras do [[Império Bizantino]] para "sua terra natal", Uldino "não achou seguro permitir um bárbaro com um exército seu ocupar habitações além do Danúbio", e atacou-o. Os hunos foram vitorioso, e Gainas foi morto, e 11 dias depois sua cabeça foi exibida em [[Constantinopla]] para deleite do [[imperador bizantino|imperador]] [[Arcádio]] {{nwrap|r.|395|408}}.<ref name=Ma59 />
 
Mais adiante, no outono de 404 e em 405, segundo Sozomeno:
 
{{Citação2|bq=s|cinza=s|
1=Sobre este tempo as dissenções pelas quais a Igreja foi agitada foram acompanhadas, como é frequentemente o caso, por distúrbios e comoções no Estado. Os hunos cruzaram o Íster [Danúbio] e devastaram a [[Trácia]]. Os salteadores na [[Isáuria]], reunidos em grande força, atacaram as cidades e vilas entre a [[Cária]] e [[Fenícia]].{{harvrefsfn|Maenchen-Helfen|1973|p=62}}}}
 
Em 406, Uldino e {{lknb|Saro,|o Godo}} foram convocados pelo mestre dos soldados do [[Império Romano Ocidental]] [[Estilicão]] para ajudar a derrotar a invasão da [[Itália (província romana)|Itália]] encabeçada pelos godos liderados pelo rei [[Radagaiso]].{{harvrefsfn|name=Ma60|Maenchen-Helfen|1973|p=60}} Orósio calculou {{formatnumfmtn|200000}} godos.{{harvrefsfn|Maenchen-Helfen|1973|p=61}} Na [[Batalha de Fésulas (406)|Batalha de Fésulas]] (406), auxiliares hunos circundaram uma parcela significativa dos godos, e Radagaiso tentou escapar, mas foi capturado e executado em abril de 406.<ref name=Ma60 /> Considera-se que os godos de Radagaiso haviam fugido das terras hunas, que por sua vez foram empurrados mais a oeste por outras tribos nômades do Oriente.{{harvrefsfn|Maenchen-Helfen|1973|p=61, 63}}
 
No verão de 408, os hunos foram informados que Estilicão não repeliria os [[visigodos]] de [[Alarico I]] da [[Prefeitura pretoriana da Ilíria]] e que as tropas romanas orientais haviam sido transferidas para a fronteira com o [[Império Sassânida]] e aproveitaram-se disso para entrar nos Bálcãs e Trácia.{{harvrefsfn|Maenchen-Helfen|1973|p=63–64}} Os hunos capturaram o [[Castro de Marte]] (''Castra Martis'') na [[Dácia Ripense]].{{harvrefsfn|Maenchen-Helfen|1973|p=64}} O teólogo [[Jerônimo]] mencionou-os como "povos ferozes" (''feras gentes'') "cuja face e língua são terríveis, que exibem rostos femininos e profundamente cortados, e que perfuram as costas de homem de barba enquanto fugiam".{{harvrefsfn|Maenchen-Helfen|1973|p=64–65}}
 
[[Imagem:Solidus Honorius 402 76001657.jpg|thumb|upright=1.05|esquerda|[[Soldo (moeda)|Soldo]] de [[Honório]] {{nwrap|r.|395|423}}]]
[[Imagem:Theodosius Solidus 83000404.jpg|thumb|upright=1.05|esquerda|[[Soldo (moeda)|Soldo]] de [[Teodósio I]] {{nwrap|r.|378|395}}]]
 
Sozomeno reconta uma séria situação quando o comandante romano propôs uma paz com Uldino, que respondeu-lhe "apontando para o sol nascente e declarando que seria fácil para ele, se ele assim desejasse, subjugar cada região da terra iluminada por aquele astro". Enquanto Uldino procurou um grande tributo para evitar o deflagar da guerra, seus ''[[Oikéiosis|oikeioi]]'' e [[locago]] refletiram na forma romana de governo, a filantropia do imperador e a prontidão em recompensar os melhores homens.{{harvrefsfn|Maenchen-Helfen|1973|p=65}} Um número suficientemente grande de hunos uniu-se aos romanos, ao passo que Uldino teve altas baixas e perdeu a tribo inteira dos [[esciros]] (principalmente infantes), o que forçou-o a recruzar o Danúbio em 23 de março de 409.{{harvrefsfn|Maenchen-Helfen|1973|p=65–66}} No verão ou outono de 409, as forças militares da [[Dalmácia romana|Dalmácia]], [[Panônia Prima]], [[Nórica]] e [[Récia]] foram confiadas pelo [[imperador romano ocidental|imperador ocidental]] [[Honório]] {{nwrap|r.|395|423}} ao [[conde (Roma Antiga)|conde]] pagão [[Generido]] para que repelisse os raides hunos.{{harvrefsfn|Maenchen-Helfen|1973|p=70–71}}
 
Este evento mostra que o poder real de Uldino gradualmente enfraqueceu em seus últimos anos. Entre 408-410 registra-se uma inatividade dos hunos e a razão para eles não atacarem os visigodos de Alarico I na [[Panônia Secunda]] e [[Panônia Sávia]], apesar de serem aliados do [[Império Romano Ocidental]], deveu-se ao fato dos últimos terem lutado sob Uldino na Ilíria e Trácia.{{harvrefsfn|Maenchen-Helfen|1973|p=67}} Algumas guarnições hunas foram incorporadas no exército romano ocidental liderado por Estilicão, bem como em [[Ravena]]. No verão de 409, um força de {{formatnumfmtn|10000}} soldados hunos foi convocada para assistir Honório, mas foi provavelmente de apenas alguns milhares para não conseguir parar Alarico I de [[Saque de Roma (410)|saquear Roma]] em 410. [[Zósimo]] relata que no final de 409, alguns grupos de hunos uniram-se na Panônia Prima aos visigodos que montaram rumo a Itália.{{harvrefsfn|Maenchen-Helfen|1973|p=69}}
 
No mesmo período a aliança huno-[[alanos|alana]] terminou. Em 394, apenas os alanos transdanubianos liderados por [[Saul (general)|Saul]] (não o [[língua hebraica|hebreu]], mas o [[língua persa|iraniano]] Σαυλιος) uniram-se ao imperador {{lknb|Teodósio|I}} {{nwrap|r.|378|395}}, em 398 serviram Estilicão e ainda sob Saul em 402. Desde 406, os alanos não são mencionados como aliados dos hunos, e muitos deles uniram-se aos [[vândalos]] que [[Travessia do Reno|cruzaram]] o [[Reno]] no final de 406 e foram para a [[Gália]], [[Hispânia]] e [[África Proconsular]]. Isso poderia ser explicado por Orósio que reconta para 402: "Eu nada sei dos muitos conflitos intestinos entre os bárbaros, quando duas cunhas dos godos, e então os alanos e hunos, destruíram uns aos outros em abate mútuo".{{harvrefsfn|Maenchen-Helfen|1973|p=71}} Os nobres hunos possuíam nomes turquizados ou germanizados, e muito poucos alanizados. Alguns alanos provavelmente ficaram, mas desempenharam um papel menor entre os hunos.{{harvrefsfn|Maenchen-Helfen|1973|p=72}}
 
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