Diferenças entre edições de "Tradição judaico-cristã"

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[[Ficheiro:Jacob-angel.jpg|250px|thumb|180px|direita|''[[Jacó]] lutando com o [[anjo]]'', de [[Gustave Doré]] (1832-1883 uma história judaico-cristã).]]
'''Tradição judaico-cristã''' ou somente '''judaico-cristianismo''' é um termo genérico usado para caracterizar o conjunto de crenças[[crença]]s em comum do [[judaísmo]] e o [[cristianismo]], bem como a herança das [[tradição|tradições]] judaicas herdadas pelos cristãos. Este termo é apropriado para caracterizar, como principal fonte [[doutrina|doutrinária]] das crenças judaicas e cristãs, com o conjunto de livros composto pelo [[Velho Testamento]] e doo [[Novo Testamento]].
 
== Significados múltiplos ==
O termo tradição judaico-cristã, ou somente judaico-cristianismo, foi usado primeiramente pelo ''[[Oxford English Dictionary]]'', edições de [[1899]] e [[1910]], respectivamente, ambas discutindo as origens do cristianismo. Portanto, "judaico-cristão" significaria as [[Cristianismo primitivo|crenças cristãs primitivas]], que seriam, ainda, uma continuação do judaísmo pregado pelos judeus. .<ref>Judæo-, Judeo- in the [[Oxford English Dictionary]], Second Edition. Accessed online 2008-07-21</ref>
O significado atual foi usado pela primeira vez em [[27 de julho]] de [[1939]] pela ''New English Weekly''.<ref>[http://books.google.cz/books?id=7zpSvtOak7AC&pg=PA28&lpg=PA28 See Peter Novick: ''Holocaust in American Life'']</ref>
 
O termo ganhou popularidade mais particularmente na esfera [[política]] a partir dadas décadadécadas de 1920 e 1930, promovido por grupos [[liberalismo|liberais]], que evoluíram para a Conferência Nacional de cristãos e judeus, aliados na luta contra o [[anti-semitismoantissemitismo]] por expressar uma ideia mais abrangente dos [[Estados Unidos da América]] do que a [[retórica]] anteriormente dominante da nação como um país especificamente cristão.<ref name="Silk">Mark Silk (1984), Notes on the Judeo–Christian Tradition in America, ''American Quarterly'' '''36(1)''', 65-85</ref><ref>Sarna, 2004, p.266</ref> Em 1952, o presidente eleito [[Dwight Eisenhower]] falou que o "conceito judaico-cristão" é a [[]] sobre a qual "o nosso (...) governo ... é fundado ".<ref>Dwight D. Eisenhower, speech to the Freedoms Foundation in New York. "Our sense of government has no sense unless it is founded in a deeply religious faith, and I don't care what it is. With us of course it is the Judeo–Christian concept, but it must be a religion that all men are created equal." Quoted by Silk (1984).</ref>
 
== Base de um conceito comum das duas religiões ==
Apoiantes do conceito judaico-cristão ereivindicam aque reivindicação queo cristianismo é o herdeiro do judaísmo, e que toda a lógica do cristianismo como uma religião baseia-se no fato de que elaele foi construída sobre o judaísmo. A maior parte da Bíblia cristã é, na verdade, o [[Tanakh]] judaico, embora em ordem diferente, sendo utilizado como material de ensino [[moral]] e [[espírito|espiritual]] de todo o mundo cristão. Os profetas[[profeta]]s, patriarcas[[Patriarcas bíblicos|patriarca]]s e heróis[[herói]]s das escrituras judaicas são também conhecidos no cristianismo, que utilizam o texto judaico como base para a sua compreensão da dervene da história judaico-cristã, e de figuras como [[Abraão]], [[Elias (profeta)|Elias]] e [[Moisés]]. Como resultado, grande parte dos ensinamentos judaicos e cristãos são baseados em um texto em comum.
 
== Críticas ==
Dois livros notáveis abordaram as relações entre o judaísmo e o cristianismo contemporâneo, ''Where Judaism Differs'', de Abba Hillel Silver, e ''Judaism and Christianity'', de Leo Baeck, ambos motivados pelo desejo de esclarecer as relações inter-religiosas "em um mundo onde o termo judaico-cristão tinha obscurecido diferenças essenciais entre as duas religiões." <ref>Sarna, Jonathan. American Judaism, A History. Yale University Press, 2004. p281</ref> Reagindo contra a ofuscação das diferenças [[teologia|teológicas]], o [[rabino]] Eliezer Berkovits escreveu que "o judaísmo é judaísmo porque rejeita o cristianismo, e o cristianismo é cristianismo porque rejeita o judaísmo".<ref>Disputation and Dialogue: Readings in the Jewish Christian Encounter, Ed. F.E. Talmage, Ktav, 1975, p. 291.</ref> O teólogo e romancista Arthur A. Cohen, em “The''The Myth of the Judeo–Christian Tradition”Tradition'', questionou a validade teológica da herança judaico-cristã, e sugeriu que era essencialmente uma invenção das relações [[Ecumenismo|ecumênicas]] e políticas, enquanto Jacob Neusner, em ''Jews and Christians: The Myth of a Common Tradition'', escreve que “as"as duas fés são direcionadas para pessoas diferentes falando sobre coisas diferentes (...)".<ref>Jacob Neusner (1990), ''Jews and Christians: The Myth of a Common Tradition''. New York and London: Trinity Press International and SCM Press. p. 28</ref>
 
O professor de direito Stephen M. Feldman questiona a validade da tradição judaico-cristã:
 
<blockquote> "Uma vez que se reconhece que o Cristianismocristianismo tem historicamente enraizado o anti-semitismoantissemitismo (...). Para os cristãos, o conceito de uma tradição judaico-cristã confortavelmente sugere que o judaísmo progride no cristianismo - que o judaísmo é algo concluído no cristianismo. O conceito de fluxos de tradição judaico-cristã a partir da teologia cristã ensina, que a [[Aliança (Bíblia)|Aliança]] Cristã (ou Testamento) com Deus substitui a Aliança judaica. O cristianismo, de acordo com este [[mito]], reforma e substitui o judaísmo. O mito, portanto, implica, em primeiro lugar, que o judaísmo necessita de reforma e substituição, e, segundo, que o judaísmo moderno permanece apenas como uma "relíquia". O mais importante é que o mito da tradição judaico-cristã insidiosamente obscurece as diferenças reais e significativas entre o judaísmo e o cristianismo ".<ref>Stephen M. Feldman (1998), ''Please Don't Wish Me a Merry Christmas: A Critical History of the Separation of Church and State''</ref></blockquote>
 
== Judaico-cristão-muçulmano ==
O filósofo esloveno [[Slavoj Zizek]] alegou que o termo judaico-muçulmano para descrever a cultura do [[Oriente Médio]] contra a cultura cristã ocidental seria mais adequado atualmente,<ref>[http://www.lacan.com/zizarchives.htm Slavoj Zizek—A Glance into the Archives of Islam]</ref> afirmando que uma influência da cultura judaica no mundo ocidental foi minimizada devido à perseguição e à exclusão histórica da [[minoria]] judaica. (Embora haja também uma perspectiva diferente sobre a contribuição judaica e sua influência<ref>{{Citar web|título=Jewish Nobel Prize winners|url=http://www.jinfo.org/Nobel_Prizes.html|obra=Jinfo.org}}</ref>). O conceito de tradição Judaico-cristã-muçulmana refere-se, assim, às três principais religiões [[monoteísmo|monoteístas]], vulgarmente conhecidas como a [[religiões abraâmicas]]. O intercâmbio formal entre as três religiões, modelado através do diálogo inter-gruposintergrupos, tornou-se comum com a [[globalização]].
 
{{Referências}}