Diferenças entre edições de "Iemanjá"

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Durante esses fenômenos, o [[orixá]] manifestado apresenta-se respondendo corporalmente a canções que lhe são próprias entoadas por dirigentes do culto, e seguindo os ritmos que são de sua preferência, portam objetos que lhe são característicos, além de emitir pequenos gritos Ilá que lhe identificam conforme verificamos no estudo de R. S. Barbara, sendo que Iemanjá pode rir às gargalhadas<ref group="nb">Essa forma de grito é conhecida por ''Ilá'' e é notável na [[santeria]], inclusive na manifestação de [[Oxum]].</ref> ou gemer, como se estivesse chorando.<ref name="zenicola100">[https://books.google.com.br/books?id=ryZuBgAAQBAJ&pg=PT100&dq=#v=onepage&q&f=false Zenicola, p. 100]</ref> Segundo [[Roger Bastide|Bastide]], as danças religiosas na concepção africana "''constituem a evocação de certos episódios da história dos deuses. São fragmentos de mitos, e o mito deve ser representado ao mesmo tempo que falado, para adquirir todo o poder evocador.''"<ref>[[Roger Bastide|Bastide, Roger]]. ''O Candomblé da Bahia - rito nagô.'' Ed. Nacional, São Paulo, 1978.</ref> Para R. S. Barbara a função da dança dentro da ritualística do [[candomblé]] é múltipla, sendo mimética e litúrgica, entendendo como mimética o ato de imitar os movimentos típicos do [[orixá]]s e litúrgica por sinalizar e suturar todos os momentos do ritual até a expressão e manifestação mística do [[orixá]], onde forma e conteúdo unem-se numa única dimensão, o próprio [[orixá]]..<ref>[http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8132/tde-09082004-085333/publico/1rosamaria.pdf Barbara, p. 137]</ref>
 
[[Ficheiro:CAM00665.jpg|thumb|left|Representações básicas das ferramentas de Iemanjá: 1-''[[Abebé|Abèbè]]''; 2-''Obé''; 3-''Adé'' com ''filá'' (franjas).]]
A dança de Iemanjá reflete em maior parte sua personalidade ligada à maternidade, e seu elemento natural fluídico, a [[água]],<ref>Martins, Suzana. ''A Dança de Yemanjá Ogunté: sob a perspectiva estética do corpo. Egba - Salvador, 2008.</ref> apresentando movimentos evocativos as ondas marinhas e de distribuição que representam, nas palavras de M. Augras, "''germinação constantemente renovada''".<ref>Augras, Monique [[apud]] [https://books.google.com.br/books?id=ryZuBgAAQBAJ&pg=PT99&dq=#v=onepage&q&f=false Zenicola, p. 99]</ref> Seu ritmo predileto é o ''jinka'', que significa "ombros", indicando danças reais de caráter mais lento e que estimulam respeito.<ref>[http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8132/tde-09082004-085333/publico/1rosamaria.pdf Barbara, p. 128]</ref> [[Pierre Verger|P. Verger]] nos diz, "''Na dança, suas [[iaô]]s imitam o movimento das ondas, flexionando o corpo e executando curiosos movimentos com as mãos, levadas alternadamente à teste e à nuca, cujo simbolismo não chegamos a identificar. Manifestada em suas [[iaô]]s, Iemanjá segura um abano de metal branco e é saudade com gritos de:'' 'Odò Ìyá!!!' ''(Mãe do rio)''".<ref name=verger/> [[Reginaldo Prandi|R. Prandi]] e M. Zenicola identificam que os movimentos não entendidos por Verger sejam referência ao seu domínio sobre o [[Ori (yoruba)|Ori]] no [[Brasil]].<ref name=prandi/> F. Eramo acrescenta: "''O ritmo é também parecido com o ritmo dos oceanos, e ''Yemanjá'' dança parecendo acariciar as ondas do mar. Além da leveza e ondulação da água, ''Yemanjá'' representa a fertilidade através de sua dança. Ela movimenta a [[pélvis]] ao [[dança]]r, símbolo da reprodução e germinação. Ao se olhar no espelho, ela representa a beleza, mas uma beleza calma e pacífica. Nas festas públicas observadas, os filhos de santo que incorporam ''Yemanjá'' dançavam com muita leveza, calma e sutileza''".<ref>Eramo, Fabiana. ''Infinita Beleza: o Sétimo Sentido - A linguagem do corpo e a inteligência dos sentidos na performance da dança afro.'' Tese apresentada como dissertação (Pós-Graduação - Departamento de Antropologia da Faculdade de Filosofia da Universidade Federal Fluminense, 2010).</ref> M. Zenicola relata outros movimentos curiosos: "''Outro movimento é estender as mãos em posição que lembra estar implorando, ou melhor, esmolando por caridade e amor''", e prosseguindo na sua análise afirma: "''Na dança de Iemanjá não existem movimentos grandes, ampliados ou mesmo em alta velocidade, possivelmente como reflexo das características do [[orixá]]; os gestual das mãos lembra carícias na água, elemento do qual faz parte, empurrando-a para trás do corpo. Seu deslocamento é suave, ligeiramente contido, como se flutuasse ou caminhasse dentro da [[água]]"''.<ref name="zenicola100"/> Na [[santeria]] apresenta danças vigorosas e com o dramatismo da influência da [[dança]] [[Espanha|espanhola]].