Diferenças entre edições de "Ácido valérico"

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: * Usual: Ácido valérico
 
==Propriedades==
Valeriana
 
A Valeriana Conhecida também por amantila, bardo selvagem, erva gata, valaricana e badarina, para os botânicos somente Valeriana officinalis, cujo habitat natural é a Europa e norte da Ásia, estando presente nos bosques e na encostas dos Alpes e dos Apeninos, mais freqüentemente a mais de 2.000 metros de altitude.
 
A planta é elegante, com mais de 1 m de altura, caule reto, robusto e escalonado, com folhas compostas por 10, 15, 20 folhinhas e de um verde intenso. Suas flores brancas e rosas se abrem de maio a junho e se tornam muito evidentes sobre a vegetação circundante, é de odor penetrante e não muito agradável. Gosta de lugares frescos, pouco úmidos e é comum na Europa, na Ásia, Sibéria e Japão, entretanto, sempre em grandes altitudes.
 
Em latim Valeriana quer dizer valer, que significa "ter força", provavelmente devido à eficácia no dessa planta curar pessoas no passado. Uma lenda medieval recomendava que no 7º dia da lua, assim que o Sol se põe, colhe-se uma flor de valeriana e repitam-se uns dizeres mágicos com a flor nas mãos, e a planta curava qualquer doença.
 
Lendas a parte, o médico italiano Andrea Mattiolo observou, desde o século VI, que esta planta causava estranhos efeitos sobre ao comportamento de seres humanos e dos animais. Pouco depois, no século VII a partir a cura da de Fabio Collona, descobriu-se o poder antiepiléptico, não por muito tempo, na verdade, até que este morresse "louco".
 
Mais recentemente, o médico Monpellier Lazàre Rivière, depois de experimentar a planta em seus pacientes, concluiu que ela diminuía a sensibilidade nervosa e era dotada de um perceptível efeito sobre o sistema nervoso central e que, portanto, poderia controlar a epilepsia.
 
Pensava-se que o princípio ativo responsável pela ação da Valeriana fosse o Ácido Valeriânico livre, mas hoje se atribui a ação sedativa característica da Valeriana a alguns ésteres e a outras substâncias glicosadas e alcoolizadas.
 
Acredita-se que as virtudes medicinais da Valeriana tenham sido comentadas pela primeira vez por um médico egípcio do século IX. Em torno do ano 1.000, falava-se da Valeriana como um medicamento capaz de curar uma série de doenças, sobretudo, o nervosismo, a epilepsia, e superestimava-se a planta atribuindo-lhe até poderes divinos.
 
Fabio Collona, príncipe romano do século XVI e portador de graves ataques de epilepsia, conforme a história, livrou-se dos ataques depois do uso da Valeriana. De fato essa planta sempre teve uma grande simpatia terapêutica, tanto devido sua ação sedativa, como pelo fato de servir também contra a febre.
 
Atualmente fala-se da Valeriana, planta de história milenar, como eficaz contra ansiedade, angustia, leves desequilíbrios do Sistema Nervoso, sem contra indicações, e sem provocar conseqüências danosas.
 
Componentes
Como todas as espécies aromático-medicinais, a Valeriana é caracterizada quimicamente por um óleo essencial, o qual atinge concentração de até 0,5%, com odor característico, e contendo ésteres provenientes dos ácidos nele contidos. É também interessante observar que a Valeriana é um dos maiores exemplos do sinergismo de todo o reino vegetal, ou seja, de uma ação combinada e eficaz entre todos os seus componentes, onde cada um deles concorre para tornar o outro mais eficaz e, assim, produzir uma cadeia terapêutica continua.
 
Para completar, a Valeriana possui em seu tecido, além dos óleos, também o ácido valérico, ácido málico, ácido tânico, alcalóides, catinina, valerianina, mucilagina, resina, amido, açucares e enzimas, como por ex. a lipase.
 
Assim sendo, os princípios ativos da Valeriana são, em primeiro lugar os valepropiatos (valtrato, isovaltrato e dehidrovaltato), um grupo químico instável de ésteres possuindo atividade sedativa. A ação desses produtos no organismo é, basicamente, isenta de efeitos colaterais nas doses recomendadas e eles não são potencializados pelo álcool.
 
O extrato aquoso da Valeriana contém suficiente quantidade de GABA (ácido gama amino butírico), um neurotransmissor relacionado aos efeitos sedativos dessa erva.
 
Componentes Ativos:
1 - valepotriatos = ésteres não-glicosídeos
valtrato, isovaltrato, acevaltrato presentes em todas as partes da planta e em maior concentração nas raízes.
2 - ácido valérico
3 - pequeno número de alcalóides
actinidina
isovaleramida
valerianina
valerina
catinina
4 - óleo volátil contendo sesquiterpenas ativas
 
Efeitos
O extrato de Valeriana tem demonstrado um efeito sedativo comparado, segundo alguns autores, aos efeitos de pequenas doses do diazepam e clorpromazina (7). Há também observações significativas quanto à melhora da qualidade do sono na dose de 120 mg, com aumento da atividade REM e um despertar agradável. Esse efeito indutor do sono aparece de 2 a 3 horas depois de ingerido (11). Os efeitos anti-convulsivantes e miorelaxantes da Valeriana são descritos como muito discretos e fracos (7,9).
As várias espécies
 
Quando se fala de Valeriana, normalmente se pensa em Valeriana officinalis, que é a mais difundida no nosso meio, mas existem 150 espécies de Valeriana. De qualquer forma, são 6 as espécies com finalidade medicinal, relacionadas por ordem de importância curativa: Valeriana officinalis, que se colhe de março a maio, de agosto a outubro, presente em toda a península italiana e Sicília; Valeriana palustre, típica de lugares mais úmidos, cuja florada se dá de abril a junho; Valeriana grande , usada e colhida como a Valeriana officinalis; Valeriana céltica, que nasce nos rochedos dos Alpes; Valeriana saliunca, também nativa dos Alpes e Apeninos; e Valeriana marina, que dá, sobretudo, em colinas de terras calcárias.
 
Como remédio caseiro e uso folclórico
Sem mencionar exageros populares, como o caso dos índios do México, os quais mastigavam folhas de Valeriana contra a preguiça e para atenuar qualquer tipo de sofrimento, podemos confiar com sensatez nas virtudes curativas da Valeriana, com a segurança de se obter resultados satisfatórios para alguns estados de insônia e ansiedade.
 
Entretanto, a medicina caseira pode recomendar a Valeriana da seguinte maneira:
- Em Chá: Preparado com 2 g de raiz de Valeriana, colocados em fusão em 100 g de água e fervendo por 15 min. Adoça-se com mel para se beber 3 copos por dia. Esse tipo de utilização é recomendado contra ansiedade, estado depressivo e também para induzir ao sono.
 
- Como Vinho Aromático: Deixar curtir por 2 semanas 2 g de raiz em 100 g de vinho branco e seco, filtrar e beber um copo pequeno depois das refeições. Essa apresentação é recomendada para evitar dificuldades digestivas.
- Na forma de Suco: Espremer a parte aérea e fresca da flor, colhida de maio a junho, para se obter um suco, o qual deve ser ingerido de 2 a 3 g por dia, para ação sedativa.
 
O folclore popular, superestimando ou não as qualidades terapêuticas da Valeriana tem indicado seu uso para vasta lista de problemas:
 
· enxaqueca
· insônia
· cólicas intestinais
· problemas digestivos
· náuseas
· transtornos urinários
· tensão pré-menstrual
· tensão muscular do estresse
· depressão
 
Indicações Médicas Atuais
Atualmente a medicina alopática tem indicado a Valeriana principalmente para Ansiedade, e como Indutor do Sono. Alguns preparados podem ser úteis para úlcera péptica, gastrite, dispepsia, doenças inflamatórias intestinais crônicas, colo irritável, como antiespasmódico e mio-relaxante.
 
Efeitos colaterais
Com a descoberta dos princípios ativos contidos na Valeriana, notou-se que ela não apenas tinha uma ação efetivamente específica sobre o sistema nervoso central, mas também, que poderia produzir ofuscamento da vista e convulsões quando usada em dosagem muito elevada. Esse seria um dos motivos pelo qual se aconselha utilizar a Valeriana em doses menores, mais como um sedativo brando.
 
O fato de tratar-se de um produto "natural" não significa que a droga é completamente inócua e destituída de qualquer perigo. Altas doses podem causar problemas e ela pode, mesmo em doses recomendadas, potencializar outras substâncias com ação no Sistema Nervoso Central. Mal utilizada a Valeriana pode causar vômito, estupor, tremores, dor de cabeça, palpitação e depressão emocional, quando em altas doses e por muito tempo.
 
Também não se recomenda utilizar a Valeriana conjuntamente com barbitúricos, devido ao excesso de sedação que pode ocorrer por potencialização. Em uso tópico, extratos de Valeriana piodem Ter utilidade como cicatrizante e antibacteriano.
 
Alguns Ensaios Clínicos
Estudo duplo-cego com 27 pessoas portadoras de dificuldades do sono. O teste utilizou a extrato da raiz de Valeriana contendo sestiterpenas ativas comparado com placebo. O estudo mostrou que a Valeriana pode ser uma boa alternativa como indutor do sono, destituída de efeitos colaterais.
 
Estudo constatando a eficácia da Valeriana como sedativo e promovendo melhora na qualidade do sono através de questionários respondidos por pacientes. As alterações clínicas puderam ser constatadas por eletroencefalograma (EEG) durante o sono. Outro estudo randomizado com 8 voluntários portadores de insônia, divididos em 3 grupos que receberam respectivamente, placebo, 450 e 900 mg de extrato aquoso de Valeriana. Doses maiores de 450 mg não produziram melhora proporcional à qualidade do sono mas, nessa dose, os resultados foram muito superiores ao placebo.
 
Outros ensaios clínicos, apesar de constatarem eficácia da Valeriana para a insônia, ressaltam a maior utilidade dessa erva para os casos de insônia não-crônica e, de preferência, de grau leve, outros autores recomendam a necessidade de avaliações mais completas para atestar a eficácia definitiva desses fitoterápicos com segurança.
 
Fonte: http://www.psiqweb.med.br/farmaco/fitot.html
 
==Obtenção==
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