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== História ==
[[FileImagem:Flag of the NSDAP (1920–1945).svg|thumb|180px|Bandeira do [[Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemães]]]]
[[Adolf Hitler]] chegou ao poder enquanto líder de um partido político, o [[Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemães]] (''Nationalsozialistische Deutsche Arbeiterpartei'' ou NSDAP). Os termos ''nazi'' ou ''nazista'' são [[acrônimo]]s do nome do partido (vem de '''''Na'''tional'' ''So'''zi'''ali'''st'''''). A Alemanha desse período é também conhecida como "[[Alemanha Nazista]]" ("Alemanha Nazi" <sup>[[Português europeu|PE]]</sup>) e os partidários do nazismo eram (e são) chamados nazistas (nazis <sup>[[Português europeu|PE]]</sup>). O nazismo foi proibido na Alemanha moderna, muito embora pequenos grupos de simpatizantes, chamados [[neonazismo|neonazistas]] (neonazis <sup>[[Português europeu|PE]]</sup>), continuem a existir na Alemanha e noutros países. Alguns [[revisionismo histórico|revisionistas históricos]] disseminam [[propaganda]] que nega ou minimiza o [[Holocausto]] (''ver: [[Negacionismo do Holocausto]]'').
 
=== Origens ===
==== Nacionalismo (Völkisch) ====
 
==== Nacionalismo (Völkisch) ====
 
[[Imagem:Johann Gottlieb Fichte.jpg|175px|thumb|[[Johann Gottlieb Fichte]], considerado um dos pais do nacionalismo alemão]]
 
Durante a era da Alemanha Imperial, o [[nacionalismo]] foi ofuscado tanto pelo [[patriotismo]] prussiano e pela tradição federalista dos vários estados que compunham o império.<ref name="Nina Witoszek 2002. pp. 89-90">Nina Witoszek, Lars Trägårdh. ''Culture and Crisis: The Case of Germany and Sweden''. Berghahn Books, 2002. pp. 89-90.</ref> O evento da Primeira Guerra Mundial, incluindo o fim da monarquia prussiana na Alemanha, resultou em uma onda de nacionalismo revolucionário (''ver: [[Revoluções de 1917-23]]'').<ref name="witoszek">Witoszek, Nina and Lars Trägårdh, ''Culture and Crisis: The Case of Germany and Sweden'', Berghahn Books, 2002, p. 89 - 90.</ref> Os nazistas apoiaram tais políticas nacionalistas revolucionárias,<ref name="witoszek"/> e alegaram que a sua ideologia era influenciada pela liderança e políticas do [[Chanceler da Alemanha|chanceler alemão]], [[Otto von Bismarck]], o fundador do [[império alemão]].<ref name="autogenerated14">Gerwarth, Robert, ''The Bismarck Myth: Weimar Germany and the Legacy of the Iron Chancellor'', Oxford, England; New York, New York: Oxford University Press, p. 150.</ref> Os nazistas declararam que eles se dedicariam a continuar o processo da criação de um sistema unificado alemão, o [[Estado-nação]], que Bismarck tinha iniciado.<ref name="chancellor">Gerwarth, Robert, ''The Bismarck Myth: Weimar Germany and the Legacy of the Iron Chancellor'', p. 149.</ref> Apesar de Hitler ser favorável à criação do Império Alemão, ele era crítico da política interna moderada de Bismarck.<ref name="chancellor8">Gerwarth, Robert, ''The Bismarck Myth: Weimar Germany and the Legacy of the Iron Chancellor'', p. 54.</ref> Sobre a questão do apoio de Bismarck de aceitar uma "Alemanha Menor", excluindo a [[Áustria]], ao contrario da "Grande Alemanha" dos nazistas, Hitler declarou que a realização de Bismarck foi o "maior conquista" que ele poderia ter alcançado "dentro dos limites possíveis da época".<ref name="autogenerated12">Gerwarth, Robert, ''The Bismarck Myth: Weimar Germany and the Legacy of the Iron Chancellor'', p. 131.</ref> Em [[Mein Kampf]] (Minha Luta), Hitler apresentou-se como um "segundo Bismarck".<ref name=autogenerated12 />
 
[[FileImagem:VonSchoenerer.jpg|170px|thumb|[[Georg Ritter von Schönerer]]]]
 
Durante sua juventude, na Áustria, Hitler foi politicamente influenciado pelo austríaco [[pangermanismo]] de [[Georg Ritter von Schonerer]], que defendia o radical nacionalismo alemão, o [[antissemitismo]], o [[anticatolicismo]], o anti-eslavismo e visões anti-Habsburgo.<ref name="nicholls">David Nicholls. ''Adolf Hitler: A Biographical Companion''. Chapel Hill, North Carolina, USA: University of North Carolina Press, 2000. pp. 236-237.</ref> Copiando Schonerer e seus seguidores, Hitler adotou para o movimento nazista a saudação do Heil (''ver: [[Saudação nazista]] e [[Sieg Heil]]''), o título de [[Führer]], e o modelo de liderança absoluta do partido.<ref name="nicholls"/> Hitler também ficou impressionado com o anti-semitismo populista e agitação anti-liberal burguesa de [[Karl Lueger]], que como prefeito de [[Viena]] na época de Hitler, usou na cidade um estilo oratório demagógico, apelando para as massas populares.<ref name="nicholls159160">David Nicholls. ''Adolf Hitler: A Biographical Companion''. Chapel Hill, North Carolina, USA: University of North Carolina Press, 2000. pp. 159-160.</ref> Lueger, ao contrário de Schonerer, não era um nacionalista alemão mas um defensor pró-católico dos Habsburgos.<ref name="nicholls159160"/>
 
=== Derrota da Alemanha na Primeira Guerra Mundial e consequências ===
 
Nas palavras de [[Karl Dietrich Bracher]]: "o nazismo, como Hitler, foi o produto da Primeira Guerra Mundial, porém, recebeu sua forma e sua força daqueles problemas básicos da história alemã moderna que caracterizaram a difícil caminhada do movimento democrático".<ref name="bobbio"/> Em [[1917]], a [[Alemanha]] havia derrotado a [[Rússia]], que se retirou da guerra em meio à [[Revolução Bolchevique]]. Entretanto, o povo alemão também estava insatisfeito com a guerra que já durava tempo demais e havia consumido vidas demais. Em [[1918]], tem início na Alemanha uma série de rebeliões populares, de trabalhadores e soldados, que, inspirados na [[Revolução Russa]] de [[1917]], pretendiam derrubar o governo e acabar com a guerra (''ver: [[Revoluções de 1917-23]]''). Os movimentos mais fortes eram justamente os socialistas, organizados pelo grupo chamado de [[Liga Espartaquista]], liderados por [[Rosa Luxemburgo]], que havia convivido com [[Lenin]] quando este morou na Alemanha.
 
 
=== O Programa de 25 pontos do NSDAP ===
 
O "Programa de 25 Pontos", oficialmente "Programa de 25 Pontos do Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemães" (em [[língua alemã|alemão]]: ''Das 25-Punkte-Programm der Nationalsozialistischen Deutschen Arbeiterpartei'') é o nome dado ao programa político do [[Partido dos Trabalhadores Alemães]] (DAP), tal como foi proclamado em [[24 de fevereiro]] de [[1920]], em [[Munique]], por [[Adolf Hitler]]. O programa foi aprovado por uma audiência de duas mil pessoas (segundo a descrição de Hitler em ''[[Mein Kampf]]''), na [[Hofbräuhaus am Platzl|''Hofbräuhaus'']], uma das maiores cervejarias da cidade.
 
 
<div style="border:1px solid #5599FF; {{Round corners}}; margin: 5px;">
# Nós pedimos a constituição de uma Grande Alemanha, que reúna todos os [[alemães]], baseados no direito à [[autodeterminação]] dos [[povos]].
# Pedimos igualdade de direitos para o povo alemão em relação às outras [[Nação|nações]] e a revogação do [[Tratado de Versalhes]] e do [[Tratado de Saint Germain]].
# Pedimos terras e colônias para nutrir o nosso povo e reabsorver a nossa população.
# Só os cidadãos gozam de direitos cívicos. Para ser cidadão, é necessário ser de sangue alemão. A confissão religiosa pouco importa. Nenhum [[judeu]], porém, pode ser [[cidadão]].
# Os não cidadãos só podem viver na Alemanha como hóspedes, e terão de submeter-se à legislação sobre os estrangeiros.
# O direito de fixar a orientação e as leis do Estado é reservado unicamente aos cidadãos. Por isso, pedimos que todas as funções públicas, seja qual for a sua natureza, não possam ser exercidas senão por cidadãos. Nós combatemos a prática parlamentar, origem da [[corrupção]], de atribuição de lugares por relações de partido, sem importar o caráter ou a capacidade.
# Pedimos que o Estado se comprometa a proporcionar meios de vida a todos os cidadãos. Se o país não puder alimentar toda a população, os não cidadãos devem ser expulsos do ''[[Reich]]''.
# É necessário impedir novas imigrações de não alemães. Pedimos que todos os não alemães estabelecidos no ''Reich'', depois de [[2 de agosto]] de [[1914]], sejam imediatamente obrigados a deixar o ''Reich''.
# Todos os cidadãos têm os mesmos direitos e os mesmos deveres.
# O primeiro dever do cidadão é trabalhar, física ou intelectualmente. A atividade do indivíduo não deve prejudicar os interesses do coletivo, mas integrar-se dentro desta e para o bem de todos. É por isso que pedimos:
# A supressão do rendimento dos ociosos e dos que levam uma vida fácil, a supressão da escravidão do [[juro]].
# Considerando os enormes sacrifícios de vidas e de dinheiro que qualquer [[guerra]] exige do povo, o enriquecimento pessoal com a guerra deve ser estigmatizado como um [[crime]] contra o povo. Pedimos por isso o confisco de todos os lucros de guerra, sem exceção.
# Pedimos a nacionalização de todas as empresas que atualmente pertencem a ''trusts''.
# Pedimos uma participação nos [[lucro]]s das grandes empresas.
# Pedimos um aumento substancial das pensões de reforma.
# Pedimos a criação e proteção de uma classe média sã, a entrega imediata das grandes lojas à administração comunal e o seu aluguel aos pequenos comerciantes, a baixo preço. Deve ser dado prioridade aos pequenos comerciantes e industriais nos fornecimentos ao Estado, aos ''Länder'' ou aos municípios.
# Pedimos uma reforma agrária adaptada às nossas necessidades nacionais, a promulgação de uma lei que permite a expropriação, sem indenização, de terrenos para fins de utilidade pública, a supressão de impostos sobre os terrenos e a extinção da especulação fundiária.
# Pedimos uma luta sem tréguas contra todos os que, pelas suas atividades, prejudicam o interesse nacional. Criminosos de direito comum, traficantes, agiotas etc. devem ser punidos com a [[pena de morte]], sem consideração de [[credo]] religioso ou [[raça]].
# Pedimos que o [[direito romano]] seja substituído por um direito público alemão, pois o primeiro é servidor de uma concepção materialista do mundo.
# A extensão da nossa infraestrutura escolar deve permitir a todos os alemães bem dotados e trabalhadores o acesso a uma [[educação superior]] e, através dela, aos lugares de direção (''ver: [[Educação na Alemanha Nazista]]''). Os programas de todos os estabelecimentos de ensino devem ser adaptados às necessidades da vida prática. O espírito nacional deve ser incutido na [[escola]] a partir da idade da razão. Pedimos que o Estado suporte os encargos da instituição superior dos filhos excepcionalmente dotados de pais pobres, qualquer que seja a sua profissão ou classe social.
# O Estado deve preocupar-se em melhorar a saúde pública mediante a proteção da mãe e dos filhos, a introdução de meios idôneos para desenvolver as aptidões físicas, pela obrigação legal de praticar [[desporto]] e [[ginástica]], e um apoio poderoso a todas as associações que tenham por objetivo a educação física da juventude.
# Pedimos a supressão do exército de [[mercenários]] e a criação de um exército nacional.
# Pedimos a luta pela [[lei]] contra a mentira política consciente e a sua propagação por meio da [[imprensa]]. Para que se torne possível a criação de uma imprensa alemã, pedimos que:
## todos os diretores e colaboradores de jornais em língua alemã sejam cidadãos alemães;
## a difusão dos jornais não alemães seja submetida a autorização expressa. Estes jornais não podem ser impressos em [[língua alemã]];
## seja proibida por lei qualquer participação financeira ou de qualquer influência de não alemães em jornais alemães. Pedimos que qualquer infração dessas medidas seja sancionada com o encerramento das empresas de impressão culpadas, bem como pela expulsão imediata, para fora do ''Reich'', dos não alemães responsáveis. Os jornais que forem contra o interesse público devem ser proibidos. Pedimos que se combata pela lei um ensino literário e artístico gerador da desagregação da nossa vida nacional; e o encerramento das organizações que contrariem as medidas anteriores.
# Pedimos a liberdade no seio do Estado para todas as confissões religiosas, na medida em que não ponham em perigo a existência do Estado ou não ofendam o sentimento moral da raça germânica. O partido, como tal, defende o ponto de vista de um [[cristianismo positivo]], sem todavia se ligar a uma confissão precisa. Combate o espírito judaico-materialista no interior e no exterior e está convencido de que a restauração duradoura do nosso povo não se pode conseguir senão partindo do interior e com base no princípio: o interesse geral sobrepõe-se ao interesse particular.
# Para levar tudo isso a bom termo, pedimos a criação de um poder central forte, a autoridade absoluta do gabinete político sobre a totalidade do ''[[Reich]]'' e as suas organizações, a criação de câmaras profissionais e de organismos municipais encarregados da realização dos diferentes ''Länder'', de leis e bases promulgadas pelo Reich.
 
Os dirigentes do partido prometem envidar todos os seus esforços para a realização dos pontos antes enumerados, sacrificando, se for preciso, a sua própria vida.
[[Munique]], [[24 de Fevereiro]] de [[1920]]. </div>
 
=== Motivos da ascensão do nacional-socialismo ===
{{APArtigo principal|vt=s|Ascensão de Hitler ao poder|Ascensão do nazismo}}
 
{{AP|vt=s|Ascensão de Hitler ao poder|Ascensão do nazismo}}
{{Mais informações|Período entreguerras}}
{{Sem-fontes|sociedade=sim|Esta seção|pol|hist-eu|data=dezembro de 2013}}
 
{{Sem-fontes|Esta seção|pol|hist-eu|data=dezembro de 2013}}
 
Uma questão importante sobre o nacional-socialismo tem a ver com os fatores que promoveram a sua ascensão, não só na Alemanha mas também noutros países europeus e do continente americano (podiam encontrar-se movimentos nacional-socialistas na [[Suécia]], [[Grã-Bretanha]], [[Itália]], [[Espanha]], [[Checoslováquia]], [[Estados Unidos]], [[Argentina]] e [[Chile]] nos [[Década de 1920|anos 1920]] e [[Década de 1930|30]]).
 
Esses fatores podem ter sido:
* a devastação [[economia|econômica]] em toda a [[Europa]], depois da [[Primeira Guerra Mundial]];
* a falta de orientação em muitas pessoas depois da queda da [[monarquia]] em muitos países europeus;
* a fama de envolvimento [[judeu|judaico]] em aproveitamentos ilegítimos com a [[Primeira Guerra Mundial]];
* a rejeição do [[comunismo]];
* a influência das comunidades de língua alemã;
* a dificuldades das classes trabalhadores e a crise econômica.
 
=== Efeitos ===
{{Sem-fontes|sociedade=sim|Esta seção|pol|hist-eu|data=dezembro de 2013}}
 
{{Sem-fontes|Esta seção|pol|hist-eu|data=dezembro de 2013}}
 
[[Imagem:Wobbelin Concentration Camp.jpg|thumb|Na condição de [[escravo]]s do nazismo, judeus e outros perseguidos políticos no [[campo de concentração]] de Wobbelin foram libertados pelos [[Aliados.]]]]
 
As teorias nazistas foram utilizadas para justificar uma [[agenda política]] [[totalitarismo|totalitária]] de ódio racial e de supressão da [[dissidência]] com o uso de todos os meios do Estado. Como outros regimes [[fascista]]s, o regime nazista punha ênfase no [[anticomunismo]] e no chamado princípio do líder (''Führerprinzip''). Esse é um princípio-chave na ideologia fascista, segundo o qual se considera o líder como a corporização do movimento e da nação. Ao contrário de outras ideologias fascistas, o nazismo era virulentamente [[racismo|racista]]. Algumas das manifestações do racismo nazista foram:
 
* [[anti-semitismo]]/[[antijudaísmo]], que culminou no [[Holocausto]];
* [[nacionalismo étnico]], incluindo a noção dos alemães como o ''Herrenvolk'' ("raça-mestra") e o ''[[Übermensch]]'' ("super-homem");
* Uma crença na necessidade de purificar a "raça alemã" através da [[eugenia]], que culminou na [[eutanásia]] não voluntária de pessoas deficientes (''ver: [[Aktion T4]]'').
 
O [[anticlericalismo]] faz parte da ideologia nazista, o que é mais um ponto de divergência com outros fascismos. Talvez o efeito intelectual mais importante do nazismo tenha sido o descrédito, durante pelo menos duas [[geração|gerações]], das tentativas de utilizar a [[sociobiologia]] para explicar ou influenciar assuntos sociais.{{careceCarece de fontes|sociedade=sim|data=abril de 2017|pol|hist-eu}}
 
=== Líderes ===
 
O nazista mais importante foi [[Adolf Hitler]], que governou a [[Alemanha Nazi]] de [[30 de Janeiro]] de [[1933]] até o seu [[suicídio]] a [[30 de Abril]] de [[1945]] (''ver: [[Morte de Adolf Hitler]]''). Ele levou o [[Reich]] alemão à [[Segunda Guerra Mundial]]. Com Hitler, o nacionalismo étnico e o racismo juntaram-se numa ideologia [[militarismo|militarista]]. Depois da guerra, muitos nazis de primeiro plano foram condenados por [[crimes de guerra]] e [[crimes contra a humanidade]] no [[Julgamento de Nuremberg]]. O símbolo nazista é a [[suástica]] orientada no sentido dos ponteiros do [[relógio]], sendo desenhada em um plano 5x5.
 
 
No seu livro de 1939, [[Alemanha: Jekyll & Hyde]], o escritor [[Sebastian Haffner]] chama o nazismo de "uma primeira (autónoma e nova) forma de [[niilismo]] radical, que nega simultaneamente ''todos'' os [[Valor (filosofia)|valores]], sejam eles valores capitalistas e burgueses, sejam eles proletários". É bem verdade que esse ponto de vista acaba por desconsiderar o projeto de crescimento industrial e de manutenção da ordem social estabelecida, como se percebe na Alemanha sob poder nazista, e um repúdio seletivo a elementos da "cultura burguesa tipicamente inglesa" e não apenas burguesa (visto o repúdio aos judeus, parte visível da [[burguesia]] na época).
 
=== A essência do nazismo: totalitarismo e racismo ===
{{Vertambém|Nazismo e raça}}
 
=== O papel da ideologia da superioridade racial no Nazismo ===
 
[[Imagem:Stamp RAD.jpg|thumb|<center>Selo que engrandece o trabalhador nazista.</center>]]
 
; Hitler e a obra ''Mein Kampf''
 
De acordo com o livro ''[[Mein Kampf]]'' ("Minha Luta"), Hitler desenvolveu as suas teorias políticas pela observação cuidadosa das políticas do [[Império Austro-Húngaro]]. Ele nasceu como [[cidadão]] do Império e acreditava que a sua diversidade [[Grupo étnico|étnica]] e [[linguística]] o enfraquecera. Também via a [[democracia]] como uma força desestabilizadora, porque colocava o poder nas mãos das minorias étnicas, que tinham incentivo para enfraquecer e desestabilizar mais o Império, diferentemente da ditadura, que colocava o poder nas mãos de indivíduos restritos e intelectualmente favoráveis.
 
O nazismo também defendia um forte [[intervencionismo]] do Estado na economia para manter o capitalismo e evitar uma crise mais profunda que permitisse a ascensão dos comunistas como havia acontecido na Rússia em 1917 e quase aconteceu na Alemanha em 1918. Dessa forma, o nazismo pode ser considerado uma ideologia contrária ao [[livre mercado]] e ao [[liberalismo|liberalismo econômico]].<ref>[[Ludwig von Mises|VON MISES, Ludwig]] - ''[http://www.mises.org/etexts/mises/anticap.asp A mentalidade anticapitalista]''. Rio de Janeiro: J. Olympio Editor, 1988</ref> O próprio socialista [[George Orwell]] reconheceu que o nazismo era uma forma de capitalismo que utilizava o modelo econômico socialista. <ref>{{citar livro |autor= [[George Orwell]] | título="The Lion and the Unicorn: Socialism and the English Genius" |capitulo=Shopkeepers At War|url=http://www. http://gutenberg.net.au/ebooks03/0300011h.html |acessodata=5 de novembro de 2013|ano=1990 |editora=Penguin Book Ltd |ISBN=978-0140182378 |língua=en }} Socialism is usually defined as ‘common ownership of the means of production’. Crudely: the State, representing the whole nation, owns everything, and everyone is a State employee. … Fascism, at the German version, is a form of capitalism that borrows from Socialism just such features as will make it efficient for war purposes.</ref>
 
É relevante ressaltar que, após a [[Primeira Guerra Mundial]], mas especialmente após a [[Crise de 1929]], a maior parte dos novos movimentos políticos assumiram um discurso antiliberal, tanto no plano político como no econômico, e isso inclui desde grupos [[conservador]]es, passando por grupos moderados e defensores da [[democracia]] e da intervenção do Estado na economia, como [[keynesianos]] e [[sociais-democratas]], até movimentos [[revolucionários]] [[anticapitalista]]s [[socialistas]] ou [[comunistas]].{{Carece de fontes|sociedade=sim|pol|hist-eu|data=dezembro de 2008}}
 
Alguns [[economista]]s reconhecem que tanto a Alemanha de Hitler como os Estados Unidos e a Inglaterra só se recuperaram economicamente da [[Crise de 1929]] quando implementaram políticas fortemente intervencionistas, associadas a uma acelerada [[Militarismo|militarização]] da sociedade e da economia. Essa militarização da economia se traduziu no direcionamento de vários setores da indústria para atender às enormes encomendas militares, além do fim do [[desemprego]] pelo [[recrutamento]] de [[soldado]]s.
 
=== A política econômica ===
{{Sem-fontes|sociedade=sim|Esta seção|pol|hist-eu|data=março de 2013}}
 
{{Sem-fontes|Esta seção|pol|hist-eu|data=março de 2013}}
 
{{Principal|Economia da Alemanha Nazista}}
 
A [[teoria econômica]] nazista preocupou-se com os assuntos domésticos imediatos e, em separado, com as concepções ideológicas da [[economia]] internacional. A política econômica doméstica concentrou-se em três objetivos principais:
 
* eliminação do [[desemprego]];
* eliminação da [[hiperinflação]];
* expansão da produção de [[bem de consumo|bens de consumo]] para melhorar o nível de vida das [[classe média|classes média]] e [[classe baixa|baixa]]
 
Todos esses objetivos pretendiam contrariar aquilo que era visto como os defeitos da [[República de Weimar]] e solidificar o apoio doméstico ao partido. Nisso, os nazistas foram bastante bem sucedidos. Entre [[1933]] e [[1936]], o [[Produto Interno Bruto|PIB]] alemão cresceu a uma taxa média anual de 9,5% e a taxa de crescimento da indústria foi de 17,2%. Alguns economistas defendem que a expansão da economia alemã nesse período não foi resultado da ação do partido nazista, mas sim uma consequência das políticas econômicas dos últimos anos da República de Weimar, que começaram então a ter efeito. Tal ponto de vista é contestado visto que pouquíssimo se fez para a manutenção da economia, chegando Hugenberg a afirmar que a política ao seu alcance era uma política que não pretende lutar contra a [[miséria]], mas aprender a conviver lado a lado com ela.
 
Em vez de ser o estado a requerer bens das empresas industriais e a colocar nelas as [[matérias-primas]] necessárias à [[produção]] (como em sistemas socialistas/comunistas), o estado pagava por esses bens. Isso permitia que o preço desempenhasse um papel essencial no fornecimento de informação sobre a escassez dos materiais ou nas principais necessidades em [[tecnologia]] e mão de obra (incluindo a [[educação]] de [[mão de obra]] qualificada) para a produção de bens. Além disso, o papel que os [[sindicato]]s deviam desempenhar nas relações de trabalho nas empresas era outro ponto de contato entre fascismo e nazismo. Tanto o partido nazista alemão como o [[partido fascista italiano]] tiveram inícios ligados ao [[sindicalismo]] e encaravam o controle estatal como forma de eliminar o conflito nas relações laborais.
 
=== Similaridades econômicas entre o nazismo e socialismo ===
{{artigo principal|Comparação entre nazismo e stalinismo}}
[[Ludwig von Mises]] cita: "O governo diz a estes supostos empreendedores o que e como produzir, a quais preços e de quem comprar, a quais preços e a quem vender... A autoridade, não os consumidores, direciona a produção, todos os cidadãos não são nada mais que funcionários públicos. Isto é socialismo com a aparência externa de capitalismo".<ref>{{citar web |url= http://www.mises.org.br/Article.aspx?id=98/ |publicado=Mises.org |título=''Por que o Nazismo era Socialismo e por que o Socialismo é Totalitário.'' |data=19 de maio de 2008 |acessodata=1 de novembro de 2013}}}</ref>
 
O próprio Hitler e [[Joseph Goebbels]] chegaram a afirmar, em alguns de seus discursos, que o nacional-socialismo era uma vertente do socialismo, não na forma tradicional do socialismo marxista, mas sim interpretando o socialismo como "exaltação do social".<ref>[[Joseph Goebbels]]. Why Are We Socialists? (em en). Internet achive. Página visitada em 1 de novembro 2013. We are ''socialists'' because we see in socialism, that is the union of all citizens, the only chance to maintain our racial inheritance and to regain our political freedom and renew our German state''.]</ref> Já o socialismo histórico e marxista sempre defendeu o fim da [[propriedade privada]] dos [[meios de produção]] através da [[luta de classes]] como forma para se chegar ao [[socialismo científico]] [[marxismo-leninismo]].<ref>[http://www.pcb.org.br/portal/docs/classessociais.pdf]</ref>
 
=== O anticapitalismo nazista ===
 
Os nazistas acreditavam que o [[capitalismo]] causava danos às nações pelo controle das finanças internacionais, pelo domínio econômico das grandes empresas e pela influência dos judeus.<ref name=autogenerated20>{{en}} Bendersky, Joseph W. ''A History of Nazi Germany: 1919-1945''. 2nd ed. Burnham Publishers, 2000. p. 72.</ref> Cartazes de [[propaganda nazista]], nos bairros de classe populares, exaltavam o [[anticapitalismo]]. Em um deles, estava escrito: "Manter um sistema industrial podre não tem nada a ver com nacionalismo. Eu posso amar a Alemanha e odiar o capitalismo".<ref>{{en}} Bendersky, Joseph W. ''A History of Nazi Germany: 1919-1945''. 2nd ed. Burnham Publishers, 2000. pp. 58-59</ref>
 
 
Um número de nazistas tinha profundas convicções socialistas e anticapitalistas, em particular, [[Ernst Röhm]], o líder da [[Sturmabteilung]] (SA).<ref>{{en}} Nyomarkay, Joseph, ''Charisma and Factionalism in the Nazi Party'', Minnesota University Press, 1967. p. 132</ref> Röhm alegou que os nazistas chegaram ao poder constituindo uma revolução nacional, mas ele declarou enfaticamente que uma "segunda revolução [[socialista]]" era necessária para que a ideologia nazista fosse completada.<ref name="Nyomarkay, Joseph 1967 p. 130">{{en}} Nyomarkay, Joseph, ''Charisma and Factionalism in the Nazi Party'', Minnesota University Press, 1967. p. 130</ref> Outro nazista de alta patente, o ministro da Propaganda [[Joseph Goebbels]], afirmou categoricamente o caráter socialista do nazismo ao escrever em seu diário que, se ele tivesse que escolher entre o [[Bolchevique|bolchevismo]] e o capitalismo, "seria melhor para nós ir para baixo com o bolchevismo do que viver na escravidão eterna do capitalismo".<ref>{{en}} Read, Anthony, ''The Devil's Disciples: Hitler's Inner Circle'', 1st American ed. New York, New York: W. W. Norton & Company, 2004. p. 142</ref>
===O anticomunismo nazista===
Os historiadores [[Ian Kershaw]] e [[Joachim Fest]] argumentam que, na Alemanha pós-[[Primeira Guerra Mundial]], os nazistas foram um dos muitos partidos políticos nacionalistas e fascistas em disputa pela liderança do [[anticomunismo]] alemão. Os nazistas alegavam que o comunismo era perigoso para o bem-estar das nações por causa de sua intenção de dissolver a [[propriedade privada]], por apoiar a [[luta de classes]], sua agressão contra a [[classe média]], sua hostilidade para com os pequenos empresários, e seu [[ateísmo]].<ref>Bendersky, Joseph W. A History of Nazi Germany: 1919–1945. 2nd ed. Burnham Publishers, 2000. p. 72</ref> O nazismo rejeitava o conceito de [[luta de classes]] e também o [[igualitarismo]], favorecendo uma economia [[estratificação social|estratificada]], com as [[classe social|classes sociais]] definidas tendo por base o mérito e o talento, mantendo [[propriedade privada]], bem como criando uma espécie de solidariedade nacional que transcenderia a distinção de classe.<ref>Bendersky, Joseph W. A History of Nazi Germany: 1919–1945. 2nd ed. Burnham Publishers, 2000. p. 40.</ref> <br /> Ao longo da década de 1920, Hitler apelou às diferentes facções nazistas para que se unissem em oposição ao "bolchevismo judeu".<ref>"They must unite, [Hitler] said, to defeat the common enemy, Jewish Marxism." A New Beginning, Adolf Hitler, Völkischer Beobachter. February 1925. Cited in: Toland, John (1992). Adolf Hitler. Anchor Books. p. 207. ISBN 0-385-03724-4.</ref> Hitler afirmava que os "três vícios" do "judeu [[marxista]]" foram a [[democracia]], o [[pacifismo]] e [[internacionalismo]].<ref>Kershaw, Ian (2008). Hitler, the Germans, and the Final Solution. Yale University Press. p. 53. ISBN 0-300-12427-9.</ref> Em 1930, Adolf Hitler disse: "..<i>Nosso termo adotado “socialista” não tem nada a ver com o [[socialismo marxista]], Marxismo é anti-propriedade; enquanto o verdadeiro socialismo não é!</i>".<ref> Carsten, Francis Ludwig The Rise of Fascism, 2nd ed. University of California Press, 1982. p. 137. Quoting: Hitler, A., Sunday Express, September 28, 1930.</ref> Em conversas particulares datadas de 1942, Hitler afirmou: “<i>Eu absolutamente insisto em proteger a [[propriedade privada]]; ... nós devemos incentivar a [[iniciativa privada]]</i>"<ref>Hitler, A.; transl. Norman Cameron, R. H. Stevens; intro. H. R. Trevor-Roper (2000). "March 24, 1942". Hitler's Table Talk, 1941–1944: His Private Conversations. Enigma Books. pp. 162–163. ISBN 1-929631-05-7.</ref> Nos últimos anos da década de 30 e início dos anos 40, os grupos e regimes anticomunistas que apoiaram o nazismo incluíam a [[Falange Espanhola]]; o [[França de Vichy|Regime Vichy]] na França e; na Grã-Bretanha foram apoiados por [[E. F. L. Wood, 1.º Conde de Halifax|Lord Halifax]], [[Cliveden Set]], pela [[União Britânica de Fascistas]] de [[Oswald Mosley|Sir Oswald Mosley]], e por associados de [[Neville Chamberlain]] <ref> Carroll Quigley, Tragedy and Hope, 1966. p. 619.</ref>
 
=== NazismoO eanticomunismo fascismonazista ===
Os historiadores [[Ian Kershaw]] e [[Joachim Fest]] argumentam que, na Alemanha pós-[[Primeira Guerra Mundial]], os nazistas foram um dos muitos partidos políticos nacionalistas e fascistas em disputa pela liderança do [[anticomunismo]] alemão. Os nazistas alegavam que o comunismo era perigoso para o bem-estar das nações por causa de sua intenção de dissolver a [[propriedade privada]], por apoiar a [[luta de classes]], sua agressão contra a [[classe média]], sua hostilidade para com os pequenos empresários, e seu [[ateísmo]].<ref>Bendersky, Joseph W. A History of Nazi Germany: 1919–1945. 2nd ed. Burnham Publishers, 2000. p. 72</ref> O nazismo rejeitava o conceito de [[luta de classes]] e também o [[igualitarismo]], favorecendo uma economia [[estratificação social|estratificada]], com as [[classe social|classes sociais]] definidas tendo por base o mérito e o talento, mantendo [[propriedade privada]], bem como criando uma espécie de solidariedade nacional que transcenderia a distinção de classe.<ref>Bendersky, Joseph W. A History of Nazi Germany: 1919–1945. 2nd ed. Burnham Publishers, 2000. p. 40.</ref> <br /> Ao longo da década de 1920, Hitler apelou às diferentes facções nazistas para que se unissem em oposição ao "bolchevismo judeu".<ref>"They must unite, [Hitler] said, to defeat the common enemy, Jewish Marxism." A New Beginning, Adolf Hitler, Völkischer Beobachter. February 1925. Cited in: Toland, John (1992). Adolf Hitler. Anchor Books. p. 207. ISBN 0-385-03724-4.</ref> Hitler afirmava que os "três vícios" do "judeu [[marxista]]" foram a [[democracia]], o [[pacifismo]] e [[internacionalismo]].<ref>Kershaw, Ian (2008). Hitler, the Germans, and the Final Solution. Yale University Press. p. 53. ISBN 0-300-12427-9.</ref> Em 1930, Adolf Hitler disse: "..<i>''Nosso termo adotado “socialista” não tem nada a ver com o [[socialismo marxista]], Marxismo é anti-propriedade; enquanto o verdadeiro socialismo não é!</i>''".<ref> Carsten, Francis Ludwig The Rise of Fascism, 2nd ed. University of California Press, 1982. p. 137. Quoting: Hitler, A., Sunday Express, September 28, 1930.</ref> Em conversas particulares datadas de 1942, Hitler afirmou: “<i>''Eu absolutamente insisto em proteger a [[propriedade privada]]; ... nós devemos incentivar a [[iniciativa privada]]</i>''"<ref>Hitler, A.; transl. Norman Cameron, R. H. Stevens; intro. H. R. Trevor-Roper (2000). "March 24, 1942". Hitler's Table Talk, 1941–1944: His Private Conversations. Enigma Books. pp. 162–163. ISBN 1-929631-05-7.</ref> Nos últimos anos da década de 30 e início dos anos 40, os grupos e regimes anticomunistas que apoiaram o nazismo incluíam a [[Falange Espanhola]]; o [[França de Vichy|Regime Vichy]] na França e; na Grã-Bretanha foram apoiados por [[E. F. L. Wood, 1.º Conde de Halifax|Lord Halifax]], [[Cliveden Set]], pela [[União Britânica de Fascistas]] de [[Oswald Mosley|Sir Oswald Mosley]], e por associados de [[Neville Chamberlain]] <ref> Carroll Quigley, Tragedy and Hope, 1966. p. 619.</ref>
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== Nazismo e fascismo ==
{{Sem-fontes|sociedade=sim|Esta seção|pol|hist-eu|data=dezembro de 2013}}
{{Principal|Nazifascismo}}
 
 
Para o fim do [[século XX]], surgiram movimentos [[neonazismo|neonazistas]] em vários países, incluindo os [[Estados Unidos]] e várias nações europeias. O neonazismo inclui qualquer grupo ou organização que exibe uma ligação ideológica com o nazismo. É frequentemente associado à subcultura juvenil ''[[skinhead]]'', apesar de nem todos membros desta cultura estarem ligados à ideologia nazista. Alguns partidos políticos da orla do espectro como, nos EUA, o [[Partido Verde Nacional Socialista Libertário]] (LNSGP, ou ''Libertarian National Socialist Green Party''), adotaram ideias nazistas.
 
== Nazismo e romantismo ==
{{Sem-fontes|sociedade=sim|Esta seção|pol|hist-eu|data=dezembro de 2013}}
 
{{Sem-fontes|Esta seção|pol|hist-eu|data=dezembro de 2013}}
 
De acordo com [[Bertrand Russell]], o nazismo provém de uma tradição diferente quer do [[capitalismo]] liberal quer do [[comunismo]]. E, por isso, para entender os [[Valor (filosofia)|valores]] do nazismo, é necessário explorar essa ligação sem trivializar o movimento tal como ele era no seu auge, nos [[anos 1930]], e o descartar como pouco mais que [[racismo]]. Muitos [[historiador]]es dizem que o elemento antissemítico, que também existe nos movimentos-irmãos do nazismo, os [[fascismo]]s de [[Itália]] e [[Espanha]] (mesmo que em formas e medidas diferentes), foi adaptado por Hitler para obter popularidade para o seu movimento.
 
 
== Nazismo e religião ==
{{revisãoparcial|sociedade=sim|Esta seção|hist-eu|pol|data=dezembro de 2013}}
 
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{{Principal|Religião na Alemanha Nazista}}
{{APArtigo principal|vt=s|Visão religiosa de Adolf Hitler}}
 
[[Imagem:Slave laborers at Buchenwald.jpg|thumb|leftesquerda|Estado deplorável de judeus e outros contrários ao nazismo, no final da guerra, [[campo de concentração]] de Buchenwald]]
 
As relações iniciais entre o nazismo e o [[cristianismo]] podem ser descritas como complexas e controversas. Nas igrejas protestantes, a revolução nazista foi no início acolhida com "benévola simpatia".<ref>N. Micklem, ''O Nacional-Socialismo e a Cristandade'', Lisboa, 1940, p. 4</ref> Tendo o nazismo procurado identificar-se com o patriotismo alemão, algumas personalidades protestantes, como o Dr. [[Martin Niemöller]], votaram inicialmente em favor dos nacional-socialistas.<ref name="N. Micklem, 1940, p. 5">N. Micklem, ''O Nacional-Socialismo e a Cristandade'', Lisboa, 1940, p. 5</ref> Em julho de [[1933]], os representantes das [[igrejas protestantes]] alemães escreveram uma constituição para a criação de uma ''Reichskirche'' ([[Igreja do Reich]]), que foi criada a partir da fusão das 28 [[Luteranismo|igrejas luteranas e reformistas]] alemães, que englobavam em torno de 48 milhões de adeptos,<ref name="Terceiro Reich">''Ascensão e queda do Terceiro Reich - Triunfo e Consolidação 1933-1939''. Volume I. William L. Shirer. Tradução de Pedro Pomar. Agir Editora Ldta., [[2008]]. ISBN 978-85-220-0913-8</ref> e que era considerada a "igreja oficial" do regime.<ref>''História das Religiões. Crenças e práticas religiosas do século XII aos nossos dias''. Grandes Livros da Religião. Editora Folio. [[2008]]. Pág.: 123. ISBN 978-84-413-2489-3</ref>
Quando Hitler aceitou uma [[Concordata]] com o [[Vaticano]] (''[[Reichskonkordat]]''), houve alguns católicos que ainda hesitaram. Os três inimigos mortais da Alemanha, tal como os nazistas afirmavam na sua propaganda interna, eram, porém, claramente identificados: [[marxismo]], [[judaísmo]] e [[cristianismo]]. A "incompatibilidade fundamental do nacional-socialismo com a religião cristã era manifesta",<ref name="N. Micklem, 1940, p. 5"/> passando todos os [[cristão]]s, tanto protestantes como católicos, ao ataque sistemático ao nazismo.<ref>N. Micklem, ''National Socialism and Christianity'', Oxford, 1939 ; idem, ''National Socialism and the Roman Catholic Church'', Oxford, 1938; A. S. Duncan-Jones, ''The Struggle for Religious Freedom in Germany'', Londres, 1938; Michael Powers, ''Religion in the Third Reich'', Nova Iorque, 1939; Hugh Martin et al, ''Christian Counter-Attack'', Nova Iorque, 1944; Johan M. Snoek, ''The Grey Book - a Collection of Protests against anti-Semitism and the Persecution of the Jews issued by non-Roman Catholic Churches and Church Leaders during Hitler's Rule'', Assen, van Gorcum, 1969</ref>
 
Apesar disso, as relações do Partido Nazista com a [[Igreja Católica Romana|Igreja Católica]] têm sido apresentadas por alguns autores{{Carece de fontes|sociedade=sim|pol|hist-eu|data=Dezembro de 2008}} como controversa. Argumentam não saber se Hitler se considerava, ou não, cristão, e que a hierarquia da Igreja, representada pelo [[Papa Pio XI]], se teria mantido basicamente silenciosa (''ver: [[Vaticano durante a Segunda Guerra Mundial]]''). A existência de um Ministério de Assuntos da Igreja, instituído em 1935 e liderado por [[Hanns Kerrl]], teria sido quase ignorada por ideólogos como [[Alfred Rosenberg]] e por outros decisores políticos.
 
Hitler e os outros líderes nazistas procuraram utilizar o [[simbolismo]] e a emoção cristã para propaganda junto ao público alemão, esmagadoramente cristão. Enquanto que autores não cristãos{{Carece de fontes|sociedade=sim|pol|hist-eu|data=Dezembro de 2008}} puseram ênfase na utilização externa da [[doutrina]] cristã, sem dar importância ao que poderia ter sido a [[mitologia]] interna do partido, os cristãos, baseando-se nos livros dos chefes nazis e nos folhetos de propaganda nazista que estes lançavam contra o cristianismo, tipificaram Hitler como [[ateísmo|ateu]] ou [[ocultismo|ocultista]] — ou mesmo um [[Satanismo|satanista]].
 
Declarações públicas e oficiais produzidas por autoridades católicas sobre o nazismo existem pelo menos desde o ano de 1930, bem antes da chegada de Hitler ao poder, quando o Ordinário de [[Mogúncia]], em nome do seu bispo, declarou: "O que acabamos de dizer (sobre o nazismo), responde às três perguntas que nos foram postas: a) pode um católico ser membro do partido hitleriano?; b) está um sacerdote católico autorizado a consentir que os adeptos desse partido tomem parte em cerimônias eclesiásticas, incluindo funerais?; c) pode um católico fiel aos princípios do partido ser abrangido pelos sacramentos? Devemos responder 'não' a tais perguntas". <ref>N. Micklem, ''O Nacional socialismo e a Cristandade'', Lisboa, 1940, p. 12</ref>
 
=== Nazismo e paganismo ===
 
{{Principal|Misticismo nazi}}
 
 
=== Vítimas religiosas ===
 
[[Imagem:Buchenwald corpse trailer ww2-181.jpg|thumb|Corpos de prisioneiros dos nazistas encontrados pelas tropas americanas em [[Weimar]], [[Alemanha]]]]
 
Chama-se a atenção também para o fato de as [[Testemunhas de Jeová]] terem sido vítimas por opção (''ver: [[Testemunhas de Jeová e o Holocausto]]''). "A guerra nazista contra os judeus visava à sua aniquilação e os deixou com poucas opções para escapar", explicou o Dr. Abraham J. Peck, Diretor Executivo do Museu do Holocausto de [[Houston]], [[Texas]], EUA. "A perseguição nazista contra as Testemunhas de Jeová visava à erradicação da [[religião]]. Por conseguinte, as Testemunhas de Jeová recebiam dos nazistas a oferta de [[liberdade]], caso renunciassem à sua [[fé]]. A maioria das Testemunhas preferiu sofrer e enfrentar a morte junto com as outras vítimas do nazismo a apoiar a [[ideologia]] nazista de ódio e violência."{{Carece de fontes|sociedade=sim|pol|hist-eu|data=Dezembro de 2008}}
 
Como judeu polonês, o Dr. [[Ben Abraham]], agora Vice-presidente da [[Associação Mundial dos Sobreviventes do Nazismo]], passou cinco anos e meio em campos de concentração, onde conheceu pessoalmente várias Testemunhas de Jeová. Ele disse: "A diferença entre as Testemunhas e todos os outros prisioneiros é que, se renunciassem à sua fé e se comprometessem a denunciar os outros que praticavam a mesma crença, seriam soltas na hora. Mas preferiam permanecer presas a renunciar à fé".{{Carece de fontes|sociedade=sim|pol|hist-eu|data=Dezembro de 2008}}
 
== O termo "nazista" na cultura popular ==
{{Sem-fontes|sociedade=sim|Esta seção|pol|hist-eu|data=dezembro de 2013}}
 
As [[atrocidade]]s cometidas pelo regime nazista e a sua ideologia [[extremismo|extremista]] tornaram o nazismo importante de nota na linguagem popular como na história. O termo "nazista" (no [[português do Brasil]]), ou "nazi" (no [[português europeu]]), é frequentemente utilizado para descrever grupos de pessoas que tentam impor soluções impopulares ou extremistas à população em geral, ou que cometem [[crime]]s e outros tipos de violações sobre terceiros sem mostrar remorso.
 
 
== Ver também ==
 
* [[Antifascismo]]
* [[Nazismo no Brasil]]
{{Referências|Notas e referências|col=2}}
 
=== Bibliografia ===
* {{citar livro|último =Evans |primeiro =Richard J. |ano=2005 |título=The Third Reich in Power |publicado=Penguin |local=New York |isbn =978-0-14-303790-3 |ref=harv}}
* {{citar livro|último =Fritzsche |primeiro =Peter |título=Rehearsals for Fascism: Populism and Political Mobilization in Weimar Germany |local=New York |publicado=Oxford University Press |ano=1990 |isbn=0-19-505780-5}}
* Redles, David (2005). ''Hitler's Millennial Reich: Apocalyptic Belief and the Search for Salvation''. New York: University Press. ISBN 0-8147-7524-1.
* [[Richard Steigmann-Gall|Steigmann-Gall, Richard]] (2003). ''The Holy Reich: Nazi Conceptions of Christianity, 1919–1945''. Cambridge: Cambridge University Press.
* Steinweis, Alan. ''Studying the Jew: Scholarly Antisemitism in Nazi Germany''. Harvard University Press, 2008
 
== Ligações externas ==
}}
{{Refbegin}}
* {{Link|en|2=http://www.fsmitha.com/h2/ch16.htm|3=''Hitler Takes Power: Hitler Appointed Chancellor: Germany Recovers from the Depression''. MacroHistory.}}
* {{Link|en|2=http://www.vatican.va/holy_father/pius_xi/encyclicals/documents/hf_p-xi_enc_14031937_mit-brennender-sorge_sp.html|3=Encíclica papal Mit brennender Sorge (condenação do nazismo), 1937}}
{{Refend}}
 
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