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O artigo é pobre. Falta conteúdo em grande proporções, se comparado à outros artigos internacionais sobre o assunto, não só no Wikipedia. Deve-se começar a investigar e editar mais sobre o assunto
[[Imagem:Survivors liberation dachau.jpg|thumb|direita|250px|Prisioneiros sobreviventes no [[campo de concentração de Dachau]] no dia da liberação em [[1945]]. Dos 2.600 clérigos católicos que foram presos lá durante a [[Segunda Guerra Mundial]] devido ao anticatolicismo da [[Alemanha nazista]], 2000 foram mortos.<ref>''Vidmar, John'' (2005). ''The Catholic Church Through the Ages. Paulist Press.'' ISBN 0809142341.</ref>]]
 
O '''anticatolicismo''' (também chamado de '''catofobia'''<ref>{{Citar livro|url=https://books.google.com/books?id=VWpxHAAACAAJ&dq=Catholicophobia&hl=pt_BR&sa=X&ved=0ahUKEwiUtJirn9TUAhXkLcAKHaUlCaAQ6AEIJjAA|título=Antidotes to Cure the Catholicophobia, and Iernephobia: Efficacious to Eradicate the Horrors Against Catholics and Irishmen, Early Early Instilled Prejudices ; and Incessant Inoculation of Calumnies, Lately Circulated in Various Forms : a Correspondence Between Two Noble Lords, &c. &c. &c. : Calculated to Promote Conciliation, Peace, and Harmony, Between All Sects and Parties|ultimo=Taaffe|primeiro=Dennis|data=1804|editora=author|lingua=en}}</ref> ou '''católico-fobia'''<ref>{{Citar livro|url=https://books.google.com/books?id=KMSNhxNwfGwC&pg=PA369&dq=Catholicophobia&hl=pt_BR&sa=X&ved=0ahUKEwiUtJirn9TUAhXkLcAKHaUlCaAQ6AEILzAC#v=onepage&q=Catholicophobia&f=false|título=A Controversy on the Infallibility of the Church of Rome: And the Doctrine of Article VI. of the Church of England|data=1852|editora=T. Richardson and Son|lingua=en}}</ref>) é um termo genérico para a [[discriminação]], hostilidade ou [[preconceito]] contra o [[catolicismo]], e especialmente contra a [[Igreja Católica]], seus [[padre]]s ou dos seus adeptos. O termo também se aplica à [[perseguição religiosa]] [[anticlerical]] aos católicos ou a uma "orientação religiosa que se opõe ao catolicismo".<ref>anti-catholicism. Dictionary.com. WordNet 3.0. Princeton University. http://dictionary.reference.com/browse/anti-catholicism (accessed: November 13, 2008).</ref>
 
No início da [[Idade Moderna]], a Igreja Católica Romana achou-se envolvida em conflitos para conservar o seu tradicional poder político e religioso mantido durante todo esse período contra o nascente [[secularismo]] na [[Europa]]. Como resultado, simultaneamente a hostilidade contra o poder [[político]], [[social]], [[espiritual]] e religioso do [[Papa]] e do [[clero]] católico ganharam força.
 
Esta tendência ao [[anticlericalismo]] foi agravada pela alegada crise da autoridade espiritual do Papa no tempo da [[Reforma católica]] e da [[Reforma Protestante]], levando à fragmentação do catolicismo e, consequentemente, à ruptura da unidade do [[Cristianismo|Cristianismo Ocidental]]. Alimentado pelo desenvolvimento das [[Humanismo|doutrinas humanistas]] e da ciência contemporânea, o anticatolicismo assumiu um papel predominante nas guerras religiosas que varreram a Europa no {{séc|XVII|x}}, o que viria a definir o novo mapa religioso europeu. Assim sendo, muitos países da Europa abandonaram o catolicismo e aderiram aos princípios da Reforma Protestante.
 
== Em países de maioria protestante ==
[[Ficheiro:Birth and Origin of the Pope by Lucas Cranach.jpg|miniaturadaimagem|Exemplo de catofobia; Demonização da origem do papado; pintura feita por ''[[Lucas Cranach, o Jovem|Lucas Cranach]]'' e encomendada por [[Martinho Lutero|Lutero]].]]
Muitos reformadores protestantes como [[Martinho Lutero]], [[João Calvino|Calvino]], [[John Wycliffe]], [[Tomás Cranmer]], [[John Knox|João Knox]], [[Cotton Mather]], [[John Wesley]] e [[Roger Williams]] identificavam o [[Papa]] como o [[Anticristo]], conforme pode-se notar na quinta rodada de conversas nas notas do 'Diálogo Católico Romano-Luterano', do [[Concílio Vaticano II|Concílio Vaticano II,]]<blockquote>Ao chamar o Papa de o "anticristo", os primeiros luteranos mantinham-se numa tradição do século XI. Não somente os dissidentes e hereges, mas também os santos o chamavam de "anticristo" como forma de castigo à seu abuso de poder<ref>{{Citar livro|url=https://books.google.com.br/books?id=ICCi66SNBUoC&pg=PA140&redir_esc=y#v=onepage&q&f=false|título=Building Unity: Ecumenical Dialogues with Roman Catholic Participation in the United States|ultimo=Burgess|primeiro=Joseph A.|ultimo2=Gros|primeiro2=Jeffrey|data=1989|editora=Paulist Press|lingua=en|isbn=9780809130405}}</ref></blockquote>A maioria dos protestantes dos séculos XVI e XVIII, identificaram o Papa como o anticristo.
 
== Estados Unidos ==
John Higham descreveu o anti-catolicismo como "a mais luxuriante e tenaz tradição de agitação paranóica na história americana".<ref>{{Citar livro|url=https://www.worldcat.org/oclc/50410476|título=The new anti-Catholicism : the last acceptable prejudice|ultimo=1952-|primeiro=Jenkins, Philip,|data=2003|editora=Oxford University Press|local=Oxford|isbn=9780195176049|oclc=50410476}}</ref>
 
O anti-catolicismo britânico foi exportado para os Estados Unidos. Dois tipos de retórica anti-católica existiam na sociedade colonial. A primeira, derivada da herança da Reforma Protestante e das guerras religiosas do século XVI ,consistiu na acusação de nomes como "Anti-Cristo" e "Prostituta da Babilônia" e dominou o pensamento anti-católico até o final do século XVII. A segunda era uma acusação mais secular: a de que os católicos tinham uma suposta conspiração de estender o absolutismo da idade média em todo o mundo.<ref>{{citar livro|título=American Anti-Catholicism and its Literature|ultimo=MANNARD|primeiro=Joseph|editora=|ano=25/10/09|local=|páginas=|acessodata=}}</ref>
 
O historiador Arthur Schlesinger Sr. chamou o anti-catolicismo "o viés mais profundo na história do povo americano".<ref>{{citar livro|título="The Coming Catholic Church". By David Gibson. HarperCollins: Published 2004.|ultimo=|primeiro=|editora=|ano=|local=|páginas=|acessodata=}}</ref>
 
==== Era colonial ====
O anti-catolicismo americano tem suas origens na Reforma Protestante, que gerou propaganda anti-católica por várias razões políticas e dinásticas. Já que a Reforma Protestante se justificou como um esforço para corrigir os erros e os excessos da Igreja Católica, formou posições fortes contra os bispos católicos e o Papado em particular. Estas posições foram trazidas para os EUA por colonos ingleses que eram predominantemente puritanos. Eles opuseram não só à Igreja Católica, mas também à Igreja da Inglaterra que, devido à perpetuação de algumas doutrinas e práticas católicas, foi considerada insuficientemente "reformada". Além disso, a identidade inglesa e escocesa em grande parte foi baseada na oposição ao catolicismo. "Ser inglês era ser anti-católico", escreve Robert Curran.<ref>{{Citar periódico|data=2017-12-21|titulo=Anti-Catholicism|url=https://en.wikipedia.org/w/index.php?title=Anti-Catholicism&oldid=816422430|jornal=Wikipedia|lingua=en}}</ref>
 
Muitos dos colonos britânicos, como os puritanos e os congregacionistas , estavam fugindo da perseguição religiosa pela Igreja da Inglaterra, grande parte da cultura religiosa americana anterior exibia a tendência anti-católica mais extrema dessas denominações protestantes. ''Monseñor John Tracy Ellis'' escreveu que "um viés anti-católico universal foi levado a ''Jamestown'' em 1607 e vigorosamente cultivado em todas as treze colônias de Massachusetts para a Geórgia". <ref>{{citar livro|título=Ellis, John Tracy (1956). American Catholicism.|ultimo=|primeiro=|editora=|ano=|local=|páginas=|acessodata=}}</ref> As cartas e leis coloniais geralmente continham proscrições específicas contra católicos. Por exemplo, a segunda carta de Massachusetts de 7 de outubro de 1691 decretou "que, para sempre, haverá liberdade de consciência permitida na adoração de Deus a todos os cristãos, exceto Papistas (católicos) , habitantes ou que habitarão ou serão residentes dentro dessa Província ou Território ". <ref>{{Citar livro|url=https://books.google.com.br/books?id=XWm4m6P-X1cC&pg=PP15&dq=%22worship+of+god+to+all+christians+except+papists%22&hl=en&ei=ViYUTbqUI8G78gbRg6WLAQ&sa=X&oi=book_result&ct=result&redir_esc=y#v=onepage&q=%22worship%20of%20god%20to%20all%20christians%20except%20papists%22&f=false|título=The Charter Granted by Their Majesties King William and Queen Mary, to the Inhabitants of the Province of the Massachusetts-Bay in New-England|data=1759|editora=S. Kneeland|lingua=en}}</ref>
 
''Monsenhor Ellis'' observou que um ódio comum à Igreja Católica poderia unir clérigos anglicanos e ministros puritanos , apesar de suas diferenças e conflitos. Um dos atos intoleráveis aprovados pelo Parlamento britânico que ajudou a alimentar a Revolução Americana foi o Ato de Quebec de 1774, pois dava liberdade de culto aos católicos romanos no Canadá.
 
==== Nova nação ====
O medo do Papa agitou alguns dos fundadores dos EUA . Por exemplo, em 1788, ''John Jay'' exortou o Legislativo de Nova Yorka para '''proibir os católicos de ocuparem cargos'''. A legislatura recusou, mas aprovou uma lei destinada '''a alcançar o mesmo objetivo ao exigir que todos os titulares de cargos renunciem às autoridades estrangeiras "em todos os assuntos eclesiásticos e civis'''". <ref>{{Citar web|url=https://web.archive.org/web/20080327032730/http://www.archives.gov/nhprc/annotation/march-2002/religion-founding-fathers.html|titulo=Annotation|data=2008-03-27|acessodata=2017-12-24}}</ref> Thomas Jefferson , olhando para a Igreja Católica na França, escreveu: "A história, creio eu, não fornece nenhum exemplo de padre que mantenha um governo civil livre",<ref>{{citar livro|título=Letter to Alexander von Humboldt, December 6, 1813|ultimo=|primeiro=|editora=|ano=|local=|páginas=|acessodata=}}</ref>e "Em todos os países e em todas as épocas, o padre tem sido hostil à liberdade. Ele sempre está em aliança com o déspota, instigando seus abusos em troca de proteção para os seus".<ref>{{citar livro|título=Jefferson letter to Horatio G. Spafford, March 17, 1814|ultimo=|primeiro=|editora=|ano=|local=|páginas=|acessodata=}}</ref>
 
==== 1840-1850 ====
[[Ficheiro:Klantreerome.jpg|alt=Na ilustração, a catofobia está presente referindo-se de maneira geral à Igreja Católica como Roma.|miniaturadaimagem|Ilustração de Branford Clarke em ''[[:en:The_Ku_Klux_Klan_In_Prophecy|The Ku Klux Klan In Prophecy 1925]]'' por Bishop Alma White, publicada pela Pillar of Fire Church em Zarephath, NJ.]]
Os medos anti-católicos atingiram um pico no século XIX quando a população protestante ficou alarmada com '''o influxo de imigrantes católicos'''. Alguns alegaram que a Igreja Católica era a Meretriz da Babilônia no Livro da Revelação.<ref>{{Citar livro|url=https://www.worldcat.org/oclc/12556849|título=Urban religion and the Second Great Awakening : church and society in early national Baltimore|ultimo=D.|primeiro=Bilhartz, Terry|data=1986|editora=Fairleigh Dickinson University Press|local=Rutherford|isbn=9780838632277|oclc=12556849}}</ref> O movimento "nativista", foi atingido em um frenesi de anti-catolicismo que levou à violência da máfia em várias cidades. Por exemplo, o ''Philadelphia Nativist Riot ''e'' Bloody Monday'' . Nos ''Orange Riots'', em Nova York, em 1871 e 1872, os católicos irlandeses atacaram protestantes irlandeses.<ref>{{citar livro|título=Michael Gordon, The Orange riots: Irish political violence in New York City, 1870 and 1871 (1993)|ultimo=|primeiro=|editora=|ano=|local=|páginas=|acessodata=}}</ref>Esse medo foi alimentado por afirmações de que os católicos estavam '''destruindo a cultura dos Estados Unidos'''. O movimento nativista encontrou expressão em um movimento político nacional denominado Partido do Não Conhecer de 1850, que (sem sucesso) executou o ex-presidente Millard Fillmore como candidato presidencial em 1856.
 
'''O anti-catolicismo entre os judeus americanos''' aumentou ainda mais na década de 1850 durante a controvérsia internacional sobre o caso Edgardo Mortara , quando um menino judeu batizado nos Estados papais foi removido de sua família e se recusou a retornar a eles. <ref>{{Citar livro|url=http://archive.org/details/in.ernet.dli.2015.214564|título=The Protestant Crusade 1800-1860|ultimo=Allen|primeiro=Ray Billington|data=1938}}</ref>
[[Ficheiro:KKK - St Patricks Dau.jpg|miniaturadaimagem|Neste desenho de 1927, a ''Ku Klux Klan'' persegue a Igreja Católica Romana, sendo mandada embora da américa. Entre as "cobras" estão vários supostos atributos negativos da Igreja, como superstição, união de igreja e estado, controle de escolas públicas e intolerância.]]
Depois de 1875, muitos estados aprovaram provisões constitucionais, chamadas " Emendas Blaine ", proibindo que o dinheiro do imposto seja usado para '''financiar escolas paroquiais'''.<ref>{{citar web|url=http://www.blaineamendments.org/|titulo=Blaine|data=|acessodata=|publicado=|ultimo=|primeiro=}}</ref><ref>{{Citar web|url=https://swap.stanford.edu/20100424001857/http://www.firstamendmentcenter.org/analysis.aspx?id=11498|titulo=firstamendmentcenter.org: analysis|acessodata=2017-12-24|obra=swap.stanford.edu}}</ref>Em 2002, o Supremo Tribunal dos Estados Unidos viciou parcialmente essas alterações, quando decidiram que os vouchers eram constitucionais se os dólares dos impostos seguissem uma criança para uma escola, mesmo que a escola fosse religiosa.<ref>{{citar livro|título=Bush, Jeb (March 4, 2009). NO:Choice forces educators to improve. The Atlanta Constitution-Journal.|ultimo=|primeiro=|editora=|ano=|local=|páginas=|acessodata=}}</ref>
 
Século 20
 
O anti-catolicismo desempenhou um papel importante na derrota de Al Smith , o candidato democrata à presidente em 1928. Smith ficou popular entre os católicos, mas mal no sul e nas áreas luteranas do norte. Sua candidatura também foi prejudicada por seus estreitos laços com a notória máquina política de Tammany Hall em Nova York e sua forte oposição à proibição. Sua causa era, em qualquer caso, subida, enfrentando uma liderança republicana popular em um ano de paz e prosperidade sem precedentes. <ref>{{citar livro|título=Edmund Moore, A Catholic Runs for President (1956)|ultimo=|primeiro=|editora=|ano=|local=|páginas=|acessodata=}}</ref>
 
A adoção da 18<sup>a</sup> emenda em 1919, o culminar de um meio século de agitação anti-licor, também impulsionou o sentimento anti-católico. A proibição gozava de um forte apoio entre os protestantes pietistas secos e uma oposição igualmente forte por católicos, episcopais e luteranos alemães molhados. Os drys concentraram sua desconfiança sobre os católicos e deram pouca atenção popular à aplicação das leis de proibição e, quando a Grande Depressão começou em 1929, havia um sentimento crescente de que o governo precisava da receita fiscal que a revogação da Proibição traria. <ref>{{citar livro|título=David E. Kyvig, Repealing national prohibition (Kent State University Press, 2000)|ultimo=|primeiro=|editora=|ano=|local=|páginas=|acessodata=}}</ref>
 
Mais de 10 milhões de soldados protestantes que serviram na Segunda Guerra Mundial entraram em contato com soldados católicos; eles se comportaram bem e, após a guerra, eles desempenharam o papel central na disseminação de altos níveis de tolerância étnica e religiosa para os católicos entre outros americanos brancos. <ref>{{Citar livro|url=https://books.google.com.br/books?id=YRaZmrVQh-MC&pg=PA214&redir_esc=y#v=onepage&q&f=false|título=A Nation Forged in War: How World War II Taught Americans to Get Along|ultimo=Bruscino|primeiro=Thomas A.|data=2010-05-08|editora=Univ. of Tennessee Press|lingua=en|isbn=9781572336957}}</ref> Embora '''o sentimento anti-católico nos EUA tenha diminuído na década de 1960''', depois que John F. Kennedy se tornou o primeiro presidente católico dos EUA <ref>{{Citar periódico|ultimo=Carroll|primeiro=Rory|data=2015-09-12|titulo=America's dark and not-very-distant history of hating Catholics|url=http://www.theguardian.com/world/2015/sep/12/america-history-of-hating-catholics|jornal=The Guardian|lingua=en-GB|issn=0261-3077}}</ref>, ele persiste na mídia e na cultura popular. <ref>{{citar livro|título=Phillip Jenkins. The New Anti-Catholicism: The Last Acceptable Prejudice. Oxford University Press, 2003.|ultimo=|primeiro=|editora=|ano=|local=|páginas=|acessodata=}}</ref>
 
Em tempos mais recentes, o anticatolicismo assumiu várias formas, incluindo a perseguição de católicos como membros de uma minoria religiosa em algumas localidades, agressões por parte dos governos contra eles, discriminação, profanação de igrejas e santuários, e ataques virulentos ao clero e [[leigo]]s.
 
== Referências ==
<references />
 
== Ver também ==
* [[Anticristianismo]]
* [[Mártir]]
 
{{referências}}
 
{{Igreja Católica2}}
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