Diferenças entre edições de "Algazali"

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{{Info/Biografia
|nome = al-GhazaliAlgazali
|nome_nativo = ابو حامد محمد ابن محمد الغزالی
|bgcolour = #B0C4DE
|largura = 27em
|morte_local = [[Tus]], [[Pérsia]] ([[Império Seljúcida]])
|ocupação = [[filósofo]], [[teologia|teólogo]], [[cosmologia|cosmólogo]], [[jurista]]
|escola = [[sufismo]], [[sunita]] ([[shafichafeismo|chafita]]), [[ashariteaxarita]]
|interesses = [[sufismo]], teologia islâmica, [[sharia]], [[filosofia islâmica]], lógica, jurisprudência islâmica, [[cosmologia]]
|influências = [[Shafi'iChafeismo]], [[Abu al-Hasan al-Ash'ari]], [[al-Juwayni]], [[Avicena]]
|influenciados = [[AverroisAverróis]], [[Nicolas de Autrecourt]], [[Tomás de Aquino]], [[Abdul-Qader Bedil]], [[René Descartes]], [[Maimônides]],<ref>[http://plato.stanford.edu/entries/maimonides-islamic/ The Influence of Islamic Thought on Maimonides] Stanford Encyclopedia of Philosophy, June 30, 2005</ref> [[Ramón Martí]], [[Fakhr al-Din al-Razi]], [[Shah Waliullah]]<ref>[http://www.netmuslims.com/info/philosophy.html Muslim Philosophy], Islamic Contributions to Science & Math, netmuslims.com</ref>
|ideias_notáveis =
}}
{{DISPLAYTITLE:al-Ghazali}}
'''AbūAbul ḤāmidAmide MuḥammadMaomé ibnibne MuḥammadMaomé al-GhazālīAlgazali''' ({{lang-langx|ar|'''ابو حامد محمد ابن محمد الغزالی||''Abū Ḥāmid Muḥammad ibn Muḥammad al-Ghazālī''}}, [[Tus]], 1058 — Tus, [[1111]]), melhor conhecido somente como '''Algazali''',{{sfn|Coelho|1972|p=121}} foi um [[teologia|teólogo]] islâmico, jurista, [[filósofo]], [[cosmólogo]], [[psicólogo]] e [[Sufismo|místico]] de origem [[povo persa|persa]],<ref>{{citar web | url=http://www.bartleby.com/65/gh/Ghazali.html | título= Ghazali | publicado=www.bartleby.com }}, The Columbia Encyclopedia, Sixth Edition 2006</ref><ref>[http://www.iranica.com/newsite/index.isc?Article=http://www.iranica.com/newsite/articles/unicode/v10f4/v10f421a.html] Böwering, Gerhard – verbete ḠAZĀLĪ na Encyclopaedia Iranica</ref> e continua a ser um dos estudiosos mais célebres da história do pensamento islâmico [[sunita]]. É considerado um pioneiro da [[dúvida metódica]] e do [[ceticismo]],<ref name=Najm>{{citation|titulo=The Place and Function of Doubt in the Philosophies of Descartes and Al-Ghazali|primeiro=Sami M.|último=Najm|periódico=Philosophy East and West|volume=16|número=3–4|data=julho–outubro 1966|páginas=133–41}}</ref> e em uma de suas principais obras, ''[[A Incoerência dos Filósofos]]'', mudou o curso da [[filosofia islâmica clássica]], afastando-a de uma metafísica islâmica influenciada pelas filosofias [[filosofia grega|grega]] e [[Helenismo|helenística]], rumando para um filosofia islâmica baseada em [[Causalidade|causa e efeito]] que foram determinados por [[Deus]] ou [[anjos]] intermediários, uma teoria hoje conhecida como [[ocasionalismo]].
 
GhazaliAlgazali por vezes tem sido aclamado por historiadores seculares, tais como [[William Montgomery Watt]] como sendo o maior [[muçulmano]] depois de [[Maomé]]<ref>''The Faith and Practice of Al-Ghazali''. William Montgomery Watt. Publicado em 1953 por George Allen e Unwin Ltd, Londres. Pg 14.</ref> (tradicionalmente entre os muçulmanos, o maior muçulmano depois do [[Profetas do Islão|Profeta]], de acordo com o autêntico ''[[hadithhádice]]'', é a [[Sahaba|geração que lhe era contemporânea]]). Além de seu trabalho que exitosamente mudou o curso da filosofia islâmica — o [[neoplatonismo]] pré-islâmico desenvolvido com base na filosofia helenística, por exemplo, foi de tal modo refutado por GhazaliAlgazali que nunca se recuperou — ele também trouxe o islão [[ortodoxia|ortodoxo]] do seu tempo para um contato próximo com o [[sufismo]].<ref name=autogenerated1>Ibid. Pg 15</ref> Os teólogos ortodoxos ainda seguiram seu próprio caminho, e assim o fizeram os místicos, mas ambos desenvolveram um sentimento de apreço mútuo que garantiu que nenhuma condenação completa poderia ser feita por um em relação às práticas do outro.<ref name=autogenerated1 />
 
== Biografia ==
GhazaliAlgazali contribuiu significativamente para o desenvolvimento de uma visão sistemática do [[Sufismo]] e sua integração e aceitação no Islã tradicional. Ele era um estudioso do Islã sunita, pertencendo à escola [[Shafi'iChafeismo|chafista]] de [[jurisprudência]] islâmica e à escola [[AshariteAxarita]] de [[teologia]]. GhazaliAlgazali recebeu muitos títulos como ''Sharaful A'emma'' ({{lang-ar|شرف الأئمّة}}), ''Zainuddin'' (árabe: زين الدين), ''Hujjatul Islã'', que significa "Prova do Islã" (árabe: حجّة الاسلام). É visto como o membro-chave da influente escola Ashariteaxarita da antiga filosofia muçulmana e o contestador mais importante dos [[Mutazilite]]s. No entanto, escolheu uma posição ligeiramente diferente em comparação com os asharitesaxaritas; suas crenças e pensamentos diferem, em alguns aspectos, da escola Ashariteaxarita.<ref>R.M. Frank, ''Al-Ghazali and the Ash'arite School'', Duke University Press, London 1994</ref>
 
=== Vida ===
GhazaliAlgazali nasceu em 1058 em Tus, uma cidade na província de [[Coração (Irã)|Coração]], na Pérsia. Seu pai, um tradicional sufi, morreu quando ele e seu irmão, [[{{ilc|Amade Algazali||Ahmad Ghazali]]}}, ainda eram jovens. Um dos amigos de seu pai educou-os nos anos seguintes. Em 1070, GhazaliAlgazali e seu irmão foram para [[Gorgan]] para se inscreverem em uma [[madrassamadraça]] (seminário islâmico). Lá, ele estudou [[fiqh]] (jurisprudência islâmica) ao lado de AhmadAmade ibnibne MuhammadMaomé RādkānīRadcani and Abu'l QāsimAlcacim JurjānīJurjani. Depois de estudar por aproximadamente 7 anos retornou a Tus.
 
Sua primeira viagem importante a [[Nixapur]] ocorreu por volta de 1080 quando ele tinha quase 23 anos. Tornou-se aluno do famoso estudioso muçulmano [[{{ilc|Abul Maali Juaini||Al-Juwayni|Abu'l Ma'ālī Juwaynī]]}}, conhecido como ''Imamimame al-HaramaynAlharamaim''. Após a morte de Al-JuwayniJuaini em 1085, GhazaliAlgazali foi convidado para ir para a corte de [[{{ilc|Nizam Almuque|Nizam Almuque de Tus|Nizam al-Mulk|Nizamul Mulk Tusi]]}}, o poderoso vizir dos sultões [[Turcos seljúcidas|seljúcidas]]. O vizir ficou tão impressionado com os conhecimentos de GhazaliAlgazali que, em 1091, nomeou-o como professor-chefe do [[{{ilc|Nizamia de Bagdá||Al-Nizamiyya de Bagdá]]}}. Ele costumava palestrar para mais de 300 alunos e sua participação nos debates e discussões islâmicas fê-lo popular em todo o território islâmico.
 
Passou por uma crise espiritual em 1095, abandonou sua carreira e deixou Bagdá sob o pretexto de ir em peregrinação a [[Meca]]. Dispondo de seus bens para sua família, passou a adotar a vida de um sufi pobre. Depois de algum tempo em [[Damasco]] e [[Jerusalém]], com uma visita ao [[Medina]] e Meca em 1096, estabeleceu-se em Tus para passar os próximos anos em reclusão. Terminou sua reclusão para um curto período de docência no [[{{ilc|Nizamia||Nizamiyyah]]}} de Nixapur em 1106. Mais tarde, voltou a Tus onde permaneceu até sua morte em 19 de dezembro de 1111. Teve um filho chamado Abdu'lAbdul RahmanRamane AllamAlam.
 
== Principais obras ==
[[Ficheiroimagem:Alchemy of Happiness.png|thumb|200px|A edição persa de 1308 da Alquimia da Felicidade.]]
 
GhazaliAlgazali escreveu mais de 70 livros sobre as ciências, antiga filosofia islâmica, psicologia islâmica, [[Kalam]] e sufismo. Seu livro do século {{séc|XI}} intitulado ''[[A Incoerência dos Filósofos]]'' marca uma virada importante na [[epistemologia]] islâmica, quando GhazaliAlgazali efetivamente descobriu o [[ceticismo filosófico]] que não seria comumente visto no Ocidente até [[René Descartes]], [[George Berkeley]] e [[David Hume]]. O encontro com ceticismo levou GhazaliAlgazali a abraçar uma forma de [[ocasionalismo]] teológico e fanatismo religioso, ou a crença de que todos os eventos causais e as interações não são o produto de conjunções materiais, mas sim a vontade imediata e presente de Deus.
 
=== A Incoerência dos Filósofos ===
''A Incoerência dos Filósofos'' marcou um ponto de virada na filosofia islâmica, em sua veemente rejeição de [[Aristóteles]] e [[Platão]]. O livro tinha como alvo o ''falsafa'', um grupo vagamente definido de filósofos islâmicos dos séculos VIII ao XI (os mais notáveis dentre eles eram [[Avicena]] e [[Al-Farabi]]) que se baseava intelectualmente nos gregos antigos. GhazaliAlgazali amargamente denunciou Aristóteles, [[Sócrates]] e outros escritores gregos como não-crentes e rotulou aqueles que empregavam os seus métodos e ideias como corruptores da fé islâmica.
 
''A Incoerência dos Filósofos'' é famoso por propor e defender a teoria ashariteaxarita do ocasionalismo. GhazaliAlgazali famosamente alegou que quando o fogo e o algodão são colocados em contato, o algodão é queimado diretamente por Deus e não pelo fogo, uma alegação que ele defendeu usando a [[Lógica na filosofia islâmica|lógica]]. Argumentou que, porque Deus é geralmente visto como racional, ao invés de arbitrário, o seu comportamento em geral causando eventos na mesma sequência (isto é, o que nos parece ser a causa eficiente) pode ser entendido como trabalhando naturalmente de forma mais intensa que esse princípio da razão que eles descrevem como as [[leis da natureza]]. Propriamente falando, no entanto, estas não são leis da natureza, mas as leis pelas quais Deus escolhe para reger o seu comportamento (sua autonomia, em sentido estrito) - em outras palavras, a sua vontade racional.
 
== Influência ==
GhazaliAlgazali teve uma influência importante em ambos os filósofos [[muçulmano]]s e [[cristão]]s [[medieval|medievais]]. [[Margaret Smith]] escreve em seu livro hagiografico ''Al-Ghazali: The Mystic'': "Não pode haver dúvida de que as obras de Al-GhazaliAlgazali seria uma das primeiras a atrair a atenção desses estudiosos europeus". Então, ela enfatiza: "O maior desses escritores cristãos que foi influenciado por Al-GhazaliAlgazali foi [[São Tomás de Aquino]] (1225-1274), que fez um estudo sobre escritores árabes e admitiu sua dívida para com eles. Ele estudou na [[Universidade de Nápoles Federico II|Universidade de Nápoles]], onde a influência da literatura e cultura árabe era predominante na época." Além disso, o interesse de Tomás de Aquino relativos por estudos islâmicos pode ser atribuída à infiltração de '[[averroísmo]] latino' no [[século {{séc|XIII]]}}, especialmente na [[Universidade de Paris]].<ref>Smith, Margaret. [[Londres]], 1944. pg. 220.</ref>
 
A influência de Al GhazaliAlgazali foi comparado à obra de São Tomás de Aquino na [[teologia]] cristã, mas os dois diferiram muito em métodos e crenças. Considerando que GhazaliAlgazali rejeitou os [[filósofo]]s não-islâmicos como [[Aristóteles]] e e vendo-se este apto a descartar os ensinamentos deles com base na sua "incredulidade", de fato, Aquino abraçou-os e incorporou o pensamento grego antigo e latino em seus escritos filosóficos.
 
[[Neil deGrasse Tyson]], numa de suas conferências, imputa o declínio brutal das ciências islâmicas à influência da posição de al-GhazaliAlgazali.
 
GhazaliAlgazali também desempenhou um papel muito importante na integração [[Sufismo]] com a [[charia]]. Ele combinou os conceitos do Sufismo muito bem com as leis da sharia. Foi o primeiro a apresentar uma descrição formal do Sufismo em suas obras. Suas obras também reforçaram o status de [[sunita]] contra outras escolas islãs.
 
{{Referências}}
{{Portal-filosofia}}
 
== Bibliografia ==
== Referências bibliográficas ==
 
* {{Citar livro|sobrenome=Coelho|nome=António Borges|título=Portugal Na Espanha Árabe: Organização, Prólogo E Notas de António Borges Coelho, Volumes 3-4|ano=1972|editora=Seara Nova|local=Lisboa|ref=harv}}
 
* {{Citation
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