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A [[Lutécia (Paris)|Lutécia]], armada e defendida, foi o primeiro obstáculo sério que [[Clóvis]] encontrou, pois a cidade representava para ele a chave do resto do território. O cerco, por falta de meios para um ataque de grande envergadura, acabou por não ser mais que um bloqueio, o qual teve fim com a conversão de Clovis ao [[Cristianismo]].
 
Pode supôr-se a importância que teria para os [[Merovíngios]] um tal campo fortificado. Este célebre "lower" permitia-lhes, mesmo deixando lá apenas algumas tropas, ter a cidade em respeito, cortar-lhes os alimentos e servir de ponto de apoio se estes tentassem eumde um ataque sério.
 
Houve, na sequência desta ocupação persistente, duas cidades face a face: a cidade galo-romana de um lado e a instalação franca, continuamente reforçada, do outro.
Em seguida, Clóvis e os seus sucessores não esqueceram que o seu domínio foi exercido, inicialmente, sobre a margem Norte do [[Sena]]. Enquanto negligenciavam o desenvolvimento de Paris da outra margem, que lhes resistiu por tanto tempo, criaram na margem direita uma cidade rival: uma nova Paris. Taranne, nas suas notas de tradução do [[poema]] de Abbon, faz a seguinte observação: ''Paris, cidade galo-romana, havia crescido consideravelmente a Sul; Paris, cidade franca, estendeu-se mais para Norte''.
 
A cidade crescia a cada dia em direção ao Norte quando se encontrou sob a ameaça de uma outra conquista, da qual só lhe restaria ruínas e desolação. Os [[Normandos]], que podiam subir o Sena sem obstáculos, fizeram de Paris, pelo menos durante cinquenta anos, o seu principal destino de conquista. Para dar um ponto de apoio aos seus ataques - e aproveitando que os parisienses ainda não tinham retomado para a defesa o lugar do qual já se haviam servido para atacá-los - foi no local do antigo campo forte de Clovis (e em volta de Saint-Germain-le-Rond, actual Igreja de Saint-Germain-l'Auxerrois de Paris), que os Normandos se estabeleceram. As suas muralhas constituíam um sólido abrigo. Tratava-se de uma verdadeira fortaleza defendida por largas [[paliçada]]s, uma muralha em pedra e largos fossos. A chegada do Imperador com um exército considerável não mudou nada, e isto mais por covardia que por imposição militar: em lugar de terminar com a invasão com um ataque decisivo, [[Carlos, o Gordo]] negociou com os Normandos. pagou-lhes um tributo desmedido em troca da sua partida! Um resgate, de qualquer forma. No entanto eles regressaraiamregressariam durante vinte anos, até que foi cedido a [[Rollo|Rollon]], o seu chefe, o território actualmente chamado de [[Normandia]] ([[911]] - [[Tratado de Saint-Clair-sur-Epte]]).
 
[[Imagem:Louvre medieval foundations flickr.jpg|thumb|right|300px|As fundações medievais ainda podem ser vistas no interior do museu.]]
 
Mais tarde, próximo do local onde Clovis havia acampado, encontrava-se um dos [[forno]]s mais conhecidos de Paris: "Furnus de Lovres", como é chamado no ''Livre Noir'' (Livro Negro), datado de [[1203]]. Este localizava-se numa grande rua paralela ao Sena, a qual atravessava toda a cidade da margem direiradireita, prolongando-se para Oeste através da cidade nova, onde tomava o nome de Rua Saint-Honoré.
 
Depois da passagem devastadora dos Normandos foi necessário reconstruir, tendo sido pela [[paróquia]] de Saint-Germain l'Auxerrois que essa reconstrução começou. Este edifício fica actualmente situado em frente da colunata do Louvre. Opõe-se simetricamente à actual câmara municipalprefeitura do primeiro [[Arrondissements de Paris|arrondissement]], com um [[campanário]] em estilo gótico flamejante ao centro; imagens, entre tantas outras, do "Pastiche" do [[século XIX]].
 
O [[Roberto II de França|Rei Roberto]] reconstruiu esta [[basílica]], cujas ruínas haviam sido muito mal reparadas. O quarteirão, do qual Saint-Germain era o centro, tinha-se tornado uma espécie de Paris nova unida aos flancos da antiga.
Durante o reinado de [[Filipe III de França|Filipe III]], o castelo conheceu uma importante ampliação; foram construídas novas salas sem um real fim defensivo, como a Sala São Luís ([[1230]]-[[1240]]). Este monarca transferiu, igualmente, o tesouro Real, dando um novo carácter à fortaleza.
 
Contudo, seria apenas no reinado de [[Carlos V de França|Carlos V]] que o palácio se tornaria definitivamente residência Real. Depois de ter reprimido a revolta do [[preboste]] dos mercadores, [[Étienne Marcel]], o monarca terminou uma nova muralha para proteger a cidade, a qual já se encontrava consideravelmente desenvolvida extra-muros. O Louvre, anteriormente situado fora das muralhas de Filipe II, fica incluído neste novo sistema defensivo. O palácio toma agora uma dupla função: além do seu papel protetor, torna-se numa das residências do Rei, juntamente com o [[CcasteloCastelo de Vincennes]] entre outras.
 
Arquitetonicamente, aparecem novidades, nomeadamente uma grande escadaria helicoidal inserida na parede da torre de menagem, chamada de ''la grande vis'' (o grande parafuso), a qual foi decorada com esfinges da Família Real. O Louvre abre-se, assim, sobre a cidade que se torna nesta época um importante centro de luxo. Carlos V, grande amante das artes, transferiu uma parte da sua [[biblioteca]] para a torre da Livraria. De acordo com um inventário de [[1373]], esta compreende mais de 12.000 manuscritos e divide-se em três salas: uma consagrada aos tratados governamentais, outra aos romances e a última aos livros religiosos. Uma outra parte da biblioteca de Carlos V encontrava-se no Château de Vincennes.
[[Catarina de Médici]] retomou em seguida a restauração do palácio, permitindo a criação de importantes jardins e do Palácio das Tulherias. Este último palácio foi iniciado em [[1564]], fora do recinto de Carlos V, cerca de um ano depois do resgate do terreno às fábricas de telhas que o ocupavam, daí o seu nome. O arquitecto, [[Philibert de l'Orme]], começou o projeto, sendo substituído após a sua morte, em [[1570]], por [[Jean Bullant]], igualmente conceptor do [[Castelo d'Écouen]]. Este criou um grande pavilhão de ângulo (o actual Pavilhão de Flora) e a pequena galeria.
 
Durante as [[Guerras religiosas na França|Guerras de Religião da França]], o palácio serviu de local de residência à Família Real quando esta se deslocava a Paris, nomeadamente aquando do casamento de [[Margarida de Valois]] ([[1553]]-[[1615]]), o qual decorreu sobre o [[Massacre da noite de São Bartolomeu]]. A partir do reinado de [[Henrique III de França|Henrique III]], o Palácio do Louvre tornou-se a residência principal do Rei da França, assim permanecendo até ao final do reinado de [[Luís XIII de França|Luís XIII]].
 
== Henrique IV e o Louvre: o nascimento do Grande Propósito ==
* expropriar os quarteirões entre o Louvre e as Tulherias.
 
Um gigantesco estaleiro foi então montado entre [[1594]] e [[1610]]. Este último ano viu a conclusão da ''grandeGrande galerie'' (Grande Galeria) ou ''galerieGalerie du bord de l'eau'' (Galeria à beira da água), que realizou a junção entre o Louvre e as Tulherias. Com um comprimento de sessenta metros e uma largura de nove, este edifício eleva-se sobre dois níveis e foi obra de vários arquitetos, como por exemplo [[Jacques Androuet du Cerceau]]. Embora o grosso da obra estivesse terminado em [[1600]], ainda faltavam realizar muitas das obras de decoração, a qual se conjugou em volta das efígies dos Reis de França, desde [[Faramundo]] até Henrique IV, segundo um programa de [[Antoine de Laval]]. No rés-do-chão abriam-se lojas ao Norte, enquanto que os alojamentos se situavam no entre-solo, uma passagem para o primeiro andar. Foi igualmente durante o reinado de Henrique IV que a pequena galeria foi terminada. No entanto, a morte deste monarca veio retardar os trabalhos, enquanto que o quarteirão se tornava cada vez mais denso. O Louvre medieval permanecia no lugar.
 
== O reinado de Luís XIII (1610-1643) ==
A ausência de trabalhos durante a regência de [[Maria de Médici]] permitiu a instalação no quarteirão de hôteishôtels (no sentido de residências apalaçadas) particulares dos grandes do reino, alinhados sobre ruas estruturadas, compreendendo cada um uma entrada a partir da rua e um jardim. De igual forma, quando [[Luís XIII de França|Luís XIII]] retomou a ideia do grande propósito, esta parecia difícil de prosseguir, exactamente como a ideia de Henrique IV.
 
É então que o arquitecto [[Jacques Lemercier]] se vê encarregado da modernização do velho Louvre. Este começou por fazer prosseguir o pátio quadrado, respeitando ao mesmo tempo o estilo inicial de Lescot e dando um papel importante aos pavilhões. Reproduziu a Norte a ala Lescot para manter uma simetria harmoniosa. Os [[escultor]]es [[Jacques Sarazin]], [[Gilles Guérin]] e [[Philippe de Brister]] executaram a decoração dos novos corpos do edifício. Quanto à decoração da galeria à beira da água, foi chamado [[Poussin]] para executá-la segundo um programa bastante tradicional imaginado por Lemercier, em redor das cidades de França. No entanto, o pintor regressou a [[Roma]] em [[1642]], um ano depois de ter iniciado o seu trabalho, o qual deixou largamente incompleto. Luís XIII faleceu um ano mais tarde sem que qualquer nova decisão tenha sido tomada.
A concepção revolucionária de museu compreendia uma visão pedagógica e a ideia de um lugar aberto a todos, mas a comissão devia concretizar esses ideais respeitando ao mesmo tempo os artistas, como o influente David que insistia num acesso reservado às coleções, a fim de poder estudá-las com lazer. Novas personagens, como o ''marchand'' Jean-Baptiste Pierre Lebrun, entraram na reflexão. Assim, nas suas ''reflexões sobre o museu nacional'', este reclamava um especialista em [[História da Arte]] à cabeça do museu, e pedia uma classificação por escola, iniciando uma das mais importantes reflexões sobre a profissionalização do museu. depois de uma primeira abertura, por algumas semanas, no dia [[19 de Novembro]] de [[1793]], numerosas críticas voltaram-se contra os responsáveis pelo museu, julgados como incapazes. Havia sido redigido um catálogo: Objetos contidos nas galerias do museu francês.
 
A reabertura teve lugar em Fevereiro de [[1794]], enquanto um afluxo de obras provenientes das apreensões revolucionárias cobria o museu. Um conservatório, dirigido por [[Jacques-Louis David]], foi erigido, tendo por missão a proteção, seleção, exposição, redação de um catálogo racionalizado e a marcação das obras de arte. No entanto, David foi envolvido na queda de [[Maximilien de Robespierre|Robespierre]] e o conservatório teve que prosseguir com cinco membros.
 
O trabalho do conservatório não parou de ser criticado, nomeadamente por Lebrun, o qual iniciou um protótipo do trabalho museográfico, preconizando a divisão em nove secções, a necessidade de um catálogo mais científico e de trabalhos na grande galeria.
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