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Alteração feita na administração de justiniano e em seus feitos.
=== A Revolta de Nika ===
{{Artigo principal|Revolta de Nika}}
Logo no início de seu reinado (532), Justiniano teve de enfrentar uma grave revolta, a Revolta de Nika. [[Teodora (esposa de Justiniano)|Teodora]], mulher pequena, mas bem proporcionada, de rosto pálido, iluminado por dois grandes olhos negros, dominou Justiniano e o ajudou a sufocar a revolta. O que causou esta revolta foi o descontentamento com os altos impostos e a miséria.<ref>{{citar livro|título=Império Bizantino|ultimo=FRANCO JR.|primeiro=Hilário|ultimo2=FILHO|primeiro2=Ruy de Oliveira Andrade|editora=Coleção Tudo é História, nº 107, Ed. Brasiliense|ano=|local=|páginas=|acessodata=}}</ref>
 
Em Bizâncio, existiam organizações esportivas rivais, que defendiam suas cores no hipódromo. Eram os Verdes, os Azuis, os Brancos e os Vermelhos. Esses grupos haviam se transformado em partidos políticos. Os '''Azuis''' reuniam representantes dos grandes proprietários rurais e da ortodoxia religiosa. Já os '''Verdes''' tinham, em suas fileiras, altos funcionários nativos das províncias orientais, comerciantes, artesãos e adeptos da [[monofisismo|doutrina monofisista]].
 
Até então, os imperadores tinham tentado enfraquecer um grupo, apoiando o outro. Justiniano recusou essa solução, o que provocou a união dos Verdes e Azuis, que se rebelaram. Aos gritos de Nika (vitória), os rebeldes massacraram a guarda real e dominaram quase toda a cidade, proclamando um novo imperador. Justiniano pensou em fugir, mas foi demovido por Teodora. A altiva imperatriz teria dito:
 
{{cquote|''Ainda mesmo que a fuga seja a única salvação, não fugirei, pois aqueles que usam a coroa não devem sobreviver à sua perda. Se queres fugir, César, foge; eu ficarei, pois a púrpura é uma bela mortalha.''}}
 
Justiniano ficou e encarregou o general [[Belisário]] de cercar o hipódromo e aniquilar os revoltosos. Foi uma verdadeira carnificina, pois 35&nbsp;mil pessoas foram massacradas. Esmagada a oposição, Justiniano pôde, a partir de então, reinar como um [[autocracia|autocrata]].
Para garantir a centralização administrativa, Justiniano combateu o poder local dos grandes proprietários de terra e estabeleceu leis sólidas e eficazes, cujo cumprimento era rigorosamente fiscalizado pela burocracia, que contava com os militares.
 
Em seu governo, foi redigido o [[Código de Justiniano]], um sistema de leis básico que afirmava o poder ilimitado do imperador e, ao mesmo tempo, garantia a submissão dos escravos e colonos a seus senhores. Em seu governo, o regime político do império pode ser caracterizado como [[Autocracia|autocrático]] e [[Burocracia|burocrático]]. Autocrático, porque o imperador controlava todo o sistema político e religioso. Burocrático, porque uma vasta camada de funcionários públicos, dependentes e obedientes ao imperador, vigiava e controlava todos os aspectos da vida dos habitantes do império. Esse poder não chegava a ser totalitário, porque o império era vasto e composto por povos de naturalidades e línguas diferentes, que conseguiam escapar do controle das autoridades imperiais e manter certas tradições culturais particulares.
 
Pode-se resumir a politica de Justiniano em dois objetivos, duas ideias. Como imperador romano, trazer prosperidade ao reino e como imperador cristão, impor sua organização à igreja. Durante seu reinado ele foi responsável por abrir todo o império com fortificações, para exigir menos de seus soldados. Além de restaurar ou construir grande quantidade de obras pelas províncias, formando naturalmente uma enorme linha de defesa que protegia todos os pontos estratégicos. A chamada “ciência do governo dos bárbaros”, hábil diplomacia feita por Justiniano, completava seu estratégico fortalecimento defensivo. Apesar de sua politica externa de [[Queda do Império Romano do Ocidente|reconquista do ocidente]], os territórios reconquistados estavam em um estado econômico miserável o que gerou fragilidade ao império. Justiniano logo se vê enfraquecido devido aos persas que avançavam em direção ao mediterrâneo. Foi necessário um pesado tributo para renovar o acordo de paz e conte-los temporariamente. Além das periódicas invasões dos hunos e eslavos, que mesmo sendo rechaçados enfraqueciam o reino aos poucos.
 
Justiniano também se destacou como construtor: fortificações em torno de todas as fronteiras, [[estrada]]s, [[ponte]]s, [[templo]]s e edifícios públicos foram algumas de suas obras.<ref>{{citar livro|título=História de Bizâncio|ultimo=LEMERLE|primeiro=Paul|editora=Martins Fontes|ano=1991|local=São Paulo|páginas=|acessodata=}}</ref>
 
[[Revolta de nika|A revolta de 532]], ''Nika'' (em grego “vitória”), mostrou a Justiniano a necessidade de uma reforma. A reforma administrativa está contida principalmente nos dois decretos de 535, que se resume ao conjunto de medidas para melhorar o império, através da eliminação de postos inúteis, supressão da venalidade dos cargos, aumento do vencimento, criação de alguns agente especiais ou “justinianos”, que reuniam poderes militares e civis. Tais medidas visavam aumentar a dependência dos funcionários para com o imperador. Em outra medida, ele buscou impedir os abusos dos grandes proprietários de bens de raiz, que acreditava serem seus piores inimigos. Como resultado ele teve de infringir suas próprias [[Corpus Juris Civilis|leis]]. Devido à necessidade constante de dinheiro com as enormes despesas com a guerra, Justiniano aumentou taxas, criou impostos, vendeu cargos, alterou a moeda, dando exemplo de mau administrador.
Justiniano também se destacou como construtor: fortificações em torno de todas as fronteiras, [[estrada]]s, [[ponte]]s, [[templo]]s e edifícios públicos foram algumas de suas obras.
 
Internamente, os maiores problemas enfrentados pelo império foram os senhores locais e as heresias. Estas quebravam a unidade da [[Patriarcado Ecumênico de Constantinopla|Igreja de Constantinopla]] e, em geral, surgiam em províncias do império, adquirindo, assim, um caráter de luta autonomista diante do poder central.
 
== Os assuntos religiosos ==
== O ''corpus juris civilis'' ==
{{Artigo principal|[[Corpus juris civilis]]}}
Ao lado da religião, o [[direito romano]] ajudou a manter a unidade e a ordem imperial. Justiniano percebeu a importância de salvaguardar a herança do direito romano e, aproveitando a prosperidade econômica e comercial que lhe proporcionavam as novas conquistas, empreendeu um importante trabalho legislativo e de recompilação jurídica. A recompilação e reorganização das leis romanas tornou-se um dos marcos mais notáveis de sua administração, confiado a um colégio de dez juristas dirigido por Triboniano, cujos trabalhos duraram dez anos<ref>{{citar livro|autor=César Fiuza|título=Direito Civil curso completo|editora=Del Rey|ano=2008|páginas=62|id=978-85-7308-963-9}}</ref>. Essa obra ficou conhecida como ''[[Corpus Juris Civilis|corpus juris civilis]]'', composta de quatro partes<ref>{{citar livro|título=História Do Direito - Geral E Do Brasil|ultimo=CASTRO|primeiro=Flávia Lages de|editora=Lumen Juris|ano=2017|local=São Paulo|páginas=570|acessodata=}}</ref>:
* '''Código de Justiniano (''Codex'')''': Reunião de todas as constituições imperiais editadas desde o governo do [[Públio Élio Trajano Adriano|imperador Adriano]] ([[117]] a [[138]]);
* '''''Digesto''''' ou '''''Pandectas''''': Continha os comentários dos grandes juristas romanos.
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