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Nos primeiros anos da década, vários pintores em voga são seduzidos pela [[animação|imagem animada]]. Um deles é [[Francis Picabia]], que se assume como inventor do [[dadaísmo]] : « Inventei o dadaimo tal como como alguém que incendeia o que existe à sua volta, num incêndio em se que ganha, para não se ficar queimado (''J’ai inventé le Dadaïsme ainsi qu’un homme met le feu autour de lui, au cours d’un incendie qui gagne, afin de ne pas être brûlé'') ». <ref>[http://www.lacritiqueparisienne.fr/75/picabia.pdf Picabia – centenário de dada], nota de Raymond e Séverine Benoit na exposição sobre a obra de Picabia no [[Museu das Belas Artes (Zurique)|Museu das Belas Arte de Zurique]], de 5 de junho a 25 de setembo, 2016</ref> Apaixonado pela fotografia e pelo cinema, escreve o argumento para uma [[curta-metragem]] a que dá o nome de [[:fr: Entr'acte (film)|Entr'acte]] para ser exibida no intervalo de uma sessão de [[ballet]] da sua autoria, com música de [[Erik Satie]], em estilo [[burlesco]], intitulado [[:fr: Relâche (ballet)|Relâche]] (Pausa) no [[Teatro dos Campos Elísios]] em Paris . Mantinha-se vivo o legado dos irmãos Laffite. Será o jovem [[René Clair]] (tinha 26 anos) a pessoa escolhida para realizar o filme, oportunidade que este não perde: seria a primeira intervenção do cinema num espectáculo de dança. O espectáculo, em que participam [[Marcel Duchamp]] e [[Man Ray]], tem lugar a 4 de dezembro, causa escândalo e dará a René Clair considerável notoriedade. <ref>[http://www.lefigaro.fr/culture/2014/03/25/03004-20140325ARTFIG00012--relache-la-bombe-a-retardement-de-picabia.php Relâche, la bombe à retardement de Picabia], artigo de
Ariane Bavelier o jornal Le Figaro, 25 de março 2014</ref> <ref>[http://www.lemonde.fr/scenes/article/2016/01/06/picabia-du-pinceau-au-ballet_4842303_1654999.html Francis Picabia, du pinceau au ballet], artigo de Rosita Boisseau no jornal Le Monde, 6 de janeiro de 2016</ref> René Clair filma no ano seguinte o seu primeiro filme sonoro, também uma curta-metragem, [[:fr: Paris qui dort|Paris qui dort]] (Paris que dorme), comédia poética de [[ficção científica]]. O guarda da Torre Eiffel acorda certa manhã e, lá do alto, depara com uma cidade em que nada mexe. Surpreendido, desce e constata que durante a noite todos os parisienses, na ruas ou dentro de casa, ficaram paralisados no mesmo instante por um motivo misterioso, vários deles em situações embaraçosas. Apenas um grupo de pessoas que chega a Paris de avião na manhã desse dia são quem circula junto com ele pelas ruas silenciosas. Desorientados, tentam em vão decifrar o mistério. Reagem no pior dos sentidos, decidindo às tantas tirar partido da situação. Em cada um deles soltam-se instintos lúbricos e primários. Entram num bar cheio de clientes imóveis, saciam apetites, embebedam-se, roubam. De peripécia a peripécia, acabam por descobrir que o autor do fenómeno é um sábio louco que inventou um raio de grande potência que paralisa os seres vivos sem os afectar. Conseguem finalmente dominar a alucinada criatura e tudo volta à normalidade. A obra acaba por ter repercussão internacional e é louvada por notáveis como [[Sergei Eisenstein]] e [[Charlie Chaplin]]. <ref>[http://www.oxfordscholarship.com/view/10.1093/acprof:oso/9780198714170.001.0001/acprof-9780198714170-chapter-15 Stillness and Altitude] – nota de referência ao livro Moving Modernisms: Motion, Technology, and Modernity, Oxford Shcolarsihp Online, [https://www.tor.com/2009/09/07/ancient-rockets-paris-qui-dort/ Ancient Rockets: Paris Qui Dort] – artigo de Kage Baker, TOR.com, 7 de Setembro 2009</ref> René Clair manter-se-á ativo durante cerca de quarenta anos, praticando um cinema em que a poesia, o humor, o gosto de viver, o ser humano, artistas, sonhadores e as classes menos favorecidas são tópicos recorrentes. Será bem acolhido em Hollywood, onde fará três filmes nos primeiros anos da década de quarenta. No filme [[:en: Les Belles de nuit (film)|Les Belles de nuit]] ([[1952]]), um professor de piano, Claude ([[Gérard Philipe]]), sonha todas as noites com mulheres belas e ricas. Em situações românticas ou enfrentando perigos é ele o herói. Ao acordar, tem amargos de boca. Uma das frustrações que tem é representada pela [[Gina Lollobrigida]], em todo o seu fulgor. Por fim, passa a dar-se com uma vizinha, que se parece um tanto com uma mulheres com quem sonha. O filme é cotado a 100% na revista [[Rotten Tomatoes]]. <ref>[https://www.rottentomatoes.com/m/beauties_of_the_night/ Beauties of the Night]</ref> Em [[1957]] filma [[:fr: Porte des Lilas (film)|Porte des Lilas]], num bairro popular da periferia leste de Paris, filme focado na relação amorosa do capitão de uma barcaça do [[Sena]] (''[[:enfr: péniche|péniche]]''), a partir do dia em que se casa com a Maria e a leva para a embarcação. Comédia dramática, é iluminada pela irreverência de adultos e garotos, de gente do povo como os colegiais de [[Zéro de conduite]], com ódios e cumplicidades algo semelhantes às do filme de [[Jean Vigo]], acrescidas de crises de ciúmes do capitão, causadas por quem lhe corteja a esposa. Uma das figuras populares da intriga é “O Artista” ([[Georges Brassens]]), que canta, toca guitarra e que cai numa embrulhada por causa de um bandido armado perseguido pela polícia que se refugia em casa um amigo boémio e sempre bem disposto, o Juju.
 
[[Luís Buñuel]] e [[Salvador Dalí]] realizam juntos [[Um Cão Andaluz]] e [[A Idade do Ouro]], filmes motivados pela efervescência da [[Paris|cidade da luz]], denunciando a hipocrisia da classe [[burguesia|burguesa]], oscilando entre [[psicanálise]] e [[socialismo]], em narrativa não linear e provocatoriamente descomprometida. <ref>[http://www.esquerda.net/artigo/memorias-luis-bunuel/47206 Luís Buñuel e Salvador Dali] - artigo de António José André, [http://www.esquerda.net/ Esquerda.net],24 de fevereiro 2017</ref> <ref>[http://www.ucs.br/etc/revistas/index.php/conexao/article/viewFile/2106/1468 Mulheres inatingíveis, distantese detentoras de amores latentes: a dimensão do desejo em Luis Buñuel reiterada no grotesco e no carnaval medieval] - texto de Ricardo Zani, Professor na Universidade de Sorocaba, SP, Brasil, Comunicação e Cultura. UCS, Caxias do Sul – v. 11, n. 22, jul./dez. 2012</ref>
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