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===Antecedentes===
 
Alguns autores vêm identificando elementos considerados anarquistas em alguns autores anteriores à segunda metade do {{séc|XIX}}, como por exemplo, [[Lao Zi]], [[Chuang-Tzu]], [[Zenão de Cítio]], [[Diógenes de Sinope]] e os demais [[cinismo|cínicos]], além de [[François Rabelais]], [[Étienne de La Boétie]],{{Sfn|Woodcock|2002a|p=40}} [[William Godwin]]{{Sfn|Pilla Vares|1988|p=20}} e [[Max Stirner]];{{Sfn|Pilla Vares|1988|p=22-23}} também apontam-se elementos do anarquismo em movimentos religiosos como o dos [[anabatista]]s e o dos [[hussitas]],{{Sfn|Woodcock|2002a|p=40}} e em movimentos radicais como o dos ''[[diggersescavadores]]'' de [[Gerrard Winstanley]]{{Sfn|Woodcock|2002a|p=48-58}} e o dos ''[[enragés]]'' de [[Jacques Roux]] na [[Revolução Francesa]].{{Sfn|Woodcock|2002a|p=59-64}} O proeminente anarquista russo [[Piotr Kropotkin]], ao buscar pelas origens do anarquismo, procurou encontrá-las não em [[filosofia|filósofos]] isolados, mas sim nas massas populares anônimas.{{Sfn|Woodcock|2002a|p=39}} Kropotkin afirmava que, através dos tempos, sempre houve duas correntes de pensamento e de ação em conflito nas sociedades humanas, sendo elas, de um lado a tendência ao [[apoio mútuo]], exemplificada pelos costumes [[tribo|tribais]], pelas comunidades [[aldeia|aldeãs]], pelas [[guilda]]s medievais e por todas as outras [[instituição|instituições]] que Kropotkin afirmou serem "criadas e mantidas não através de [[lei]]s mas pelo espírito criativo das massas"; e do outro lado, a tendência ao [[autoritarismo]], representada pelas [[elite]]s e [[governo|governantes]].{{Sfn|Woodcock|2002a|p=39-40}} Para Kropotkin, as raízes do anarquismo remontavam aos tempos [[pré-história|pré-históricos]] e, a partir disso, passou a analisar toda a gama de movimentos [[Rebelião|rebeldes]] até os primeiros [[sindicalismo|sindicalistas]] franceses, ao tentar construir a sua história do anarquismo.{{Sfn|Woodcock|2002a|p=40}} Entretanto, novos historiadores do anarquismo têm criticado tais abordagens, consideradas "ahistóricas",{{Sfn|Corrêa|2012|p=8}} e defendem que a ideologia e o movimento anarquista são fenômenos relacionados ao contexto histórico particular da segunda metade do {{séc|XIX}}.{{Sfn|Corrêa|2012|p=10}} Eles também têm argumentado que muitos dos filósofos considerados "pré-anarquistas", tais como Godwin e Stirner, não tiveram qualquer impacto significativo no desenvolvimento do anarquismo, sendo resgatados pelos militantes anarquistas posteriormente, quando o anarquismo já estava bem estabelecido globalmente.{{Sfn|Corrêa|2014|p=149–150}}
 
[[Imagem:Portrait Pierre-Joseph Proudhon.jpg|thumb|180px|esquerda|O francês [[Pierre-Joseph Proudhon]] é considerado o precursor do anarquismo.]]
 
O [[socialismo utópico]] de [[Charles Fourier]] influenciou fortemente os primeiros anarquistas, inclusive [[Pierre-Joseph Proudhon]],{{Sfn|Corrêa|2014|p=148}} cujo pensamento teve um impacto significativo entre os trabalhadores do {{séc|XIX}} e constituiu as bases do anarquismo.{{Sfn|Corrêa|2014|p=153}} As teorias econômicas de Proudhon criticavam a [[propriedade privada]], a exploração e interpretavam a sociedade de classes e o processo de [[luta de classes]], afirmando que o "regime proprietário", colocando em oposição as classes sociais, tem, como fundamento, a "exploração do homem pelo homem".{{Sfn|Berthier|2008|p=55}} Juntamente com a sua crítica econômica, Proudhon criticou o Estado e o governo, unindo, numa mesma crítica, desde suas primeiras obras, a propriedade capitalista e o estadismo governamentalista, relacionando o capitalismo, a "exploração do homem pelo homem", e o estadismo, "governo do homem pelo homem".{{Sfn|Bancal|1984|p=175}} Há também em Proudhon a crítica à religião e à [[educação]], que, para ele, atuariam como instrumentos de legitimação do capitalismo e do Estado. Para a solução do que chamou de "problema social", Proudhon propõe o [[mutualismo (economia)|mutualismo]] na economia e o [[Federalismo libertário|federalismo]] na política, de modo que os trabalhadores viessem a se organizar em uma sociedade que se autogerisse economicamente e se autoadministrasse politicamente.{{Sfn|Bancal|1984|p=179}} O mutualismo federalista de Proudhon teria ainda, como objetivo, tornar "o trabalho do povo" e "a sociedade trabalhadora" as forças maiores que inverteriam as "fórmulas atuais da sociedade e envolva o capital e o Estado e os subjugue", de modo que os trabalhadores, organizados de baixo para cima em associações mutuais (agrícolas e industriais de produção, de consumo e de crédito), deveriam "simultaneamente inverter as relações do [[capital (economia)|capital]] e do [[Trabalho (economia)|trabalho]] e inverter as relações do governo e da sociedade".{{Sfn|Bancal|1984|p=182}} Entretanto, há aspectos na obra de Proudhon que o distanciam do anarquismo, tais como posturas ambíguas em relação ao processo [[revolução|revolucionário]], ora defendendo a violência e a revolução social e ora defendendo um processo gradual de mudança através de cooperativas mutualistas; ao próprio Estado, que em alguns momentos é duramente criticado e em outros considera-se a sua existência, ainda que de maneira descentralizada;{{Sfn|Corrêa|2014|p=155}} além de ter sustentado, em alguns momentos, conciliações entre a [[burguesia]] e o [[proletariado]].{{Sfn|Berthier|2008|p=85-86}} Entretanto, a crítica da dominação e a defesa da autogestão, além de sua ênfase na organização autogestionária e federalista dos trabalhadores, constituíram as bases do anarquismo, que surge no seio da [[Associação Internacional dos Trabalhadores]] (AIT) no final da década de 1860, com a radicalização do mutualismo proudhoniano.<ref name=corr21b />
 
O movimento anarquista, nesse período, também consolidou-se nas Américas; no [[México]], já em 1868 foi fundada uma organização específica anarquista, ''La Social'', e entre 1877 e 1878, os anarquistas constituíram hegemonia no movimento operário mexicano, articulados no ''Gran Círculo de Obreros en México'' (GCOM).<ref name=corr32b />{{Sfn|Corrêa|2012|p=33}} O anarquismo também surgiu em [[Cuba]] entre 1883 e 1885, com a formação de organizações específicas anarquistas e organizações operárias; os anarquistas cubanos também tomaram parte na luta anticolonial e na [[Guerra de Independência Cubana]] nesse período.{{Sfn|Corrêa|2012|p=33}} Na parte sul do continente, o anarquismo surgiu no [[Uruguai]] e no [[Chile]] em 1872, a partir da constituição de seções da AIT nesses países, e começa a se desenvolver logo em seguida.{{Sfn|Corrêa|2012|p=32-33}} Na [[Argentina]], o movimento anarquista surge em 1876, com a fundação do ''Centro de Propaganda Obrera'' e, depois, do ''Círculo Comunista Anárquico''; visitas de anarquistas italianos ao país em 1887 possibilitaram a fundação do sindicato dos padeiros e também trouxeram para a Argentina o debate acerca do organizacionismo e antiorganizacionismo.{{Sfn|Corrêa|2012|p=33}}
 
[[Imagem:HaymarketRiot-Harpers.jpg|thumb|Representação artística da [[Revolta de Haymarket]].]]
Nos [[Estados Unidos]], o movimento anarquista consolidou-se com o Congresso de Pittsburgh, em 1883, e com a fundação da ''International Working People's Association'' (IWPA), mais conhecida como [[Internacional Negra]], expressão de massas anarquista que, em 1886, chegou a ter {{fmtn|2500}} militantes e contar com {{fmtn|10000}} colaboradores; outros marcos significativos foram a fundação, em 1884, da ''[[Central Labor Union]]'' (CLU), que somente em [[Chicago]] chegou a ter 28&nbsp;mil trabalhadores em 1886, e a greve pelas oito horas de trabalho ocorrida em maio daquele mesmo ano, que envolveu cerca de 300&nbsp;mil trabalhadores ao redor dos EUA e terminou com a condenação à morte de cinco militantes anarquistas em Chicago, após o incidente que ficou conhecido como [[Revolta de Haymarket]].{{Sfn|Corrêa|2012|p=33-34}} Em 1889, o Primeiro de Maio foi estabelecido pela [[Segunda Internacional]] como o [[Dia Internacional dos Trabalhadores]], em homenagem aos cinco militantes anarquistas mortos, que ficaram conhecidos como Mártires de Chicago.<ref name=corr34b />
 
 
No [[leste europeu]], os anarquistas macedônios tiveram uma atuação determinante na [[revolta de Ilinden-Preobrazhenie]], um levante armado contra o [[Império Otomano]] liderado pela [[Organização Revolucionária Interna da Macedônia]] (ORIM) que se dividiu em dois episódios: o primeiro, em 2 de agosto, no qual os rebeldes haviam tomado a região de [[Kruševo]], estabelecendo um governo provisório revolucionário; e em 19 de agosto, após a captura de Kruševo, os rebeldes tomaram a região de Strandzha, proclamando uma comuna revolucionária.<ref name=corr38b /> A [[Comuna de Strandzha]] estabeleceu uma série de experiências de [[autogestão]] durante vinte e seis dias, constituindo assim a primeira tentativa local de construir uma nova sociedade baseada nos princípios do [[comunismo libertário]]. Após a repressão que culminou no fim das revoltas e das experiências por ela estabelecidas, grupos anarquistas vieram a fundar a Federação dos Anarco-Comunistas da Bulgária (FAKB) em 1919.{{HarvRef|name=corr39b|Corrêa|2012|p=39}}
[[Imagem:Makhno group.jpg|thumb|180px|[[Nestor Makhno]] ao lado de membros do [[Exército Insurgente Makhnovista]].]]
Na Rússia, os anarquistas participaram das revoluções de [[Revolução Russa de 1905|1905]] e de [[Revolução Russa de 1917|1917]]. Em um primeiro momento, os anarquistas dividiram-se entre insurrecionalistas e anarcossindicalistas; participaram da fundação dos [[soviete]]s de [[São Petersburgo]] e [[Moscovo|Moscou]], além de terem fundado a [[Cruz Negra Anarquista]] para auxiliar presos políticos, organização que se espalhou por diversos países. Durante a [[Revolução de Outubro]], os anarquistas participaram ativamente das atividades revolucionárias em Moscou e Petrogrado; em 1918, destacaram-se conferências sindicalistas impulsionadas pelos anarquistas.<ref name=corr39b /> Na [[Revolução Ucraniana|Ucrânia]], destacou-se a experiência do [[Exército Insurgente Makhnovista]], articulado com a [[Confederação Anarquista Ucraniana]] (''Nabat''), que chegou a 110&nbsp;mil voluntários em 1918 e que protagonizou lutas decisivas contra o [[Exército Branco]] durante a [[Guerra Civil Russa]]; o exército de [[Nestor Makhno]] também realizou grandes expropriações de terras para os camponeses e teve em seu controle uma área bastante ampla da Ucrânia, onde a articulação política se dava por meio de Congressos de Camponeses, Operários e Insurgentes, que era a instância de base responsável pelas decisões do movimento.{{Sfn|Corrêa|2012|p=39-40}} O movimento makhnovista foi duramente reprimido pelos bolcheviques durante o fim da Guerra Civil Russa e após a [[Revolta de Kronstadt]], em 1921, que contou com uma participação anarquista relevante, os bolcheviques consolidam-se no poder e o anarquismo praticamente desaparece dentro do território soviético.{{HarvRef|name=corr40b|Corrêa|2012|p=40}}
 
Nas Américas, a fundação da ''[[Industrial Workers of the World]]'' (IWW) nos Estados Unidos em 1905 e no [[Canadá]] em 1906, com influência anarquista significativa em ambas as localidades e defendendo um sindicalismo revolucionário e combativo, constitui uma das experiências mais relevantes do movimento operário da [[América do Norte]].<ref name=corr40b /> O movimento operário nos Estados Unidos, entretanto, passou por um momento de dura repressão após a Revolução Russa, quando um crescente temor diante da possibilidade de uma revolução mundial fez com que o governo tomasse uma série de medidas contra o movimento sindical e em especial contra os socialistas e anarquistas, medidas que atingiram seu ponto máximo com os [[Atos de Exclusão Anarquista]] de 1918 e as ''[[Palmer Raids]]'' de 1919,{{Sfn|Woodcock|2002b|p=285}} acompanhadas por uma série de [[prisão|prisões]] e [[deportação|deportações]] de militantes anarquistas.{{Sfn|Woodcock|2002b|p=285-286}}
[[Imagem:Tijuana Tierra y Libertad 1911.jpg|thumb|left|180px|Guerrilheiros [[magonismo|magonistas]] com a bandeira "Tierra y Libertad" em [[Tijuana]], 1911.]]
Em Cuba, o anarquismo continuou a ser força hegemônica nos sindicatos durante esse período, enquanto no México, os anarquistas protagonizaram episódios relevantes durante a [[Revolução Mexicana]], iniciada em 1910. O [[Partido Liberal Mexicano]], fundado alguns anos antes pelos irmãos [[Enrique Flores Magón|Enrique]] e [[Ricardo Flores Magón]], já em 1908 era uma organização específica anarquista, e colocou-se à frente da [[rebelião da Baixa Califórnia]], em 1911, que se estendeu a outras cidades e recebeu o apoio da IWW. [[Emiliano Zapata]], um dos principais líderes da Revolução Mexicana, foi fortemente influenciado pelo anarquismo e, em 1915, contava com um exército de 70&nbsp;mil combatentes.<ref name=corr40b />
 
 
Na Europa, houve uma série de experiências relevantes nesse período; na Bulgária, a FAKB protagonizou experiências envolvendo sindicalismo urbano e rural, cooperativas, guerrilha e mobilização da juventude. Durante esse período, o anarquismo constituiu a terceira maior força política de esquerda do país, e a FAKB adotou a ''[[Plataformismo|Plataforma]]'' do grupo [[Dielo Truda]]. Entre 1941 e 1944, uma poderosa guerrilha anarquista combateu o fascismo, aliando-se à [[Frente Patriótica]] na organização da [[Golpe de Estado na Bulgária em 1944|insurreição de setembro de 1944]], contra a ocupação nazista. Lutando, ao mesmo tempo, contra os fascistas e contra o comunismo, o fim da terceira onda do movimento anarquista no país foi marcada pela repressão [[stalinismo|stalinista]] e cerca de mil militantes da FAKB acabaram nos [[Campo de concentração|campos de concentração]] comunistas.{{Sfn|Corrêa|2012|p=46}}
[[Imagem:CNT-AIT-FAI.jpg|thumb|180px|Manifestação em [[Barcelona]] em 1936, onde trabalhadores seguram uma faixa do periódico ''Solidaridad Obrera'', ligado à [[Confederação Nacional do Trabalho|CNT]]-[[Associação Internacional dos Trabalhadores (anarcossindicalista)|AIT]].]]
Na [[Espanha]], após um [[Golpe de Estado na Espanha em julho de 1936|tentativa de golpe de Estado]] em 1936 que desencadeou a [[Guerra Civil Espanhola]], os trabalhadores tomaram o controle de [[Barcelona]] e de grandes [[zona rural|áreas rurais]] da Espanha, dando início à [[Revolução Espanhola]]; os anarquistas, que haviam se articulado na ''[[Confederação Nacional do Trabalho|Confederación Nacional del Trabajo]]'' (CNT) e na [[Federação Anarquista Ibérica]] (FAI), estabeleceram fortalezas na [[Catalunha]], [[Aragão]] e [[Valência (Espanha)|Valência]].{{HarvRef|name=corr47b|Corrêa|2012|p=47}} Segundo Woodcock:{{Sfn|Woodcock|2002b|p=152}}
 
 
Apesar do relativo sucesso das experiências libertárias na Espanha, no decorrer da guerra civil os anarquistas foram perdendo espaço em uma luta cada vez mais dura com os stalinistas. Tropas lideradas pelo [[Partido Comunista de Espanha|Partido Comunista da Espanha]] (PCE) suprimiram as áreas coletivizadas e perseguiram tanto os anarquistas como os [[Marxismo|marxistas]] dissidentes do [[Partido Operário de Unificação Marxista]] (POUM); além disso, o avanço do fascismo, a problemática guerra-revolução e a própria participação de alguns anarquistas no governo deram um fim ao processo revolucionário.<ref name=corr47b />
[[Imagem:Members of the Maquis in La Tresorerie.jpg|thumb|left|Os ''[[Maquis (resistência)|maquis]]'' franceses resistiram à [[ocupação da França pela Alemanha nazista]].]]
 
Dentre outra experiências europeias importantes, destacaram-se a [[resistência francesa|resistência contra a ocupação nazista na França]]<ref>{{citar web |url= http://flag.blackened.net/revolt/anarchism/texts/war/anarFranceWW2.html|título= Anarchist Activity in France during World War Two|acessodata=12 de setembro de 2015|publicado= blackened.flag.net}}</ref> e a resistência contra o fascismo na Itália;<ref>{{Citar web|url=http://libcom.org/history/articles/italian-resistance-anarchist-partisans-1943|título=1943–1945: Anarchist partisans in the Italian Resistance|publicado=libcom.org|acessodata=12 de setembro de 2015}}</ref> nesses dois países, também foram formados sindicatos com bases sindicalistas revolucionárias e federações anarquistas.{{Sfn|Corrêa|2012|p=47-48}} Na Alemanha, militantes anarquistas proeminentes, como [[Erich Mühsam]], foram [[assassinato|assassinados]] pelo [[Alemanha Nazi|regime nazista]]; após o fim da guerra, os anarquistas reorganizaram-se em sindicatos e em organizações específicas anarquistas.{{HarvRef|name=corr48b|Corrêa|2012|p=48}} Na [[Ucrânia]], a ''Nabat'' foi restabelecida e protagonizou um levante armado em 1943, que teve continuidade até 1945; também há indícios da existência de uma organização maknhovista secreta dentro do [[Exército Vermelho]] do pós-guerra.{{Sfn|Corrêa|2012|p=448}}
 
[[Errico Malatesta]], anarquista italiano, define o [[Estado]] como sendo "um conjunto de [[instituição|instituições]] políticas, legislativas, judiciárias, militares e financeiras".{{Sfn|Malatesta|2001|p=15}} Para os anarquistas, o Estado é responsável por alguns tipos de dominação, como a coação física e a dominação político-burocrática.<ref name=corr107a /> Há, na crítica anarquista ao Estado, uma dupla perspectiva: primeiro, uma oposição à hierarquia, e segundo, uma ligação entre o Estado e as classes sociais. Nesses dois casos, o Estado constitui um meio para que uma minoria governe uma maioria.{{HarvRef|name=corr108a|Corrêa|2014|p=108}}
[[Imagem:Bakunin Nadar.jpg|thumb|180px|O russo [[Mikhail Bakunin]], em sua obra ''[[Estatismo e Anarquia]]'', de 1873, desenvolve sua teoria do Estado. Sua crítica ao estatismo se estende para todas as suas formas, desde as mais [[autoritarismo|autoritárias]] até as mais [[liberalismo|liberais]].]]
Na teoria do Estado desenvolvida pelos anarquistas, constata-se que a dominação política existe tanto pelo [[Monopólio da violência|monopólio da força]], quanto pelo monopólio das tomadas de decisão da sociedade. Para os anarquistas, Estado e dominação são indissociáveis;<ref name=corr107a /> posição enfatizada por Bakunin ao afirmar que "quem diz Estado, diz necessariamente dominação e, em consequência, escravidão; um Estado sem escravidão, declarada ou disfarçada, é inconcebível; eis porque somos inimigos do Estado".{{Sfn|Bakunin|2003|p=114}} Os anarquistas sustentam que o Estado submete as classes dominadas que estão sob sua jurisdição à coação física, utilizada quando sua legitimidade não é suficiente; além disso, sustentam que as classes dominadas estão submetidas também a uma dominação político-burocrática, responsável por sua [[alienação]] política, que se evidencia na hierarquia existente entre governantes e governados, a qual implica na existência de um grupo que toma as decisões para uma dada população. Essa crítica anarquista ao Estado estendeu-se amplamente, para todas as suas formas e seus distintos sistemas de governo, desde os mais autoritários até os mais liberais.<ref name=corr108a />
 
 
====Imperialismo, dominações de gênero e de raça====
[[Imagem:Emma Goldman seated.jpg|thumb|180px|A anarquista lituana [[Emma Goldman]] elaborou muitas críticas à dominação de gênero.]]
Ainda que o anarquismo afirme a centralidade da luta de classes, ele se opõe à dominação de maneira geral. Três outros tipos de dominação foram, e ainda são, objeto da crítica anarquista: o [[imperialismo]], as dominações de [[género (sociedade)|gênero]] e de [[raça]].<ref name=corr113a /> Historicamente, os anarquistas estiveram envolvidos em lutas contra essas opressões mais específicas. Ao integrarem essas lutas, os anarquistas, em geral, apresentam programas próprios de ações, visando a ligar essas lutas com o objetivo da revolução social e dar, a elas, um caráter classista e [[internacionalismo|internacionalista]].{{Sfn|Corrêa|2014|p=142}}
 
 
==== Socialização da propriedade====
[[Imagem:General_Autobus_Company_1936.jpg|thumb|left|A socialização dos meios de transporte urbanos na [[Revolução Espanhola]] foi uma bem-sucedida experiência de autogestão econômica sob os moldes anarquistas.]]
Os anarquistas defendem a socialização da [[propriedade privada]] dos [[meios de produção]] como um aspecto central na defesa da autogestão econômica. Isso implicaria, necessariamente, na [[coletivização]] das [[máquina]]s, equipamentos, ferramentas, tecnologias, instalações, fontes de energia, meios de transporte, [[matéria-prima|matérias-primas]] e [[Terra (economia)|terra]].<ref name=corr116a /> O anarquista luso-brasileiro [[Neno Vasco]], nesse sentido, afirmou que tal socialização significa "confiar a produção ao trabalho coletivo organizado", sendo que "os meios de produção devem ser postos à disposição de todos" em "uma sociedade em que o trabalho, tendendo à satisfação das necessidades dos indivíduos, seja escolhido por cada um e organizado pelos próprios trabalhadores".{{Sfn|Vasco|1984|p=20}} Os anarquistas sustentam que, com a autogestão econômica, a lógica condutora do trabalho não seria a busca do lucro, envolvendo a exploração levada a cabo por meio da apropriação de parte do trabalho realizado pelos trabalhadores pelos proprietários; o trabalho assalariado, da maneira como funciona nos sistemas capitalistas, deixaria de existir.{{HarvRef|name=corr117a|Corrêa|2014|p=117}} Como afirmou Berkman, uma sociedade fundada nos princípios anarquistas reorganizaria a produção "com base nas necessidades do povo".{{Sfn|Berkman|2003|p=225}} As necessidades populares norteariam a economia autogestionária. Sob a autogestão econômica, sustentam os anarquistas, os trabalhadores usufruiriam de todos os frutos de seu trabalho, e seu envolvimento nos processos decisórios econômicos seria realizado de maneira proporcional a quanto eles são afetados.<ref name=corr117a />
 
 
Juntamente com as propostas para a economia e a política, o anarquismo, historicamente, preocupou-se com questões ideológicas e culturais. Para os anarquistas, se a religião, a educação e a [[mídia]] vêm sendo responsáveis por legitimar a dominação, os anarquistas devem propor uma cultura distinta, que legitime sua proposta de autogestão.{{Sfn|Corrêa|2014|p=123}} Então, para além da autogestão econômica e política, os anarquistas propõe a criação de uma cultura autogestionária, forjada em bases ideológicas e em uma [[ética]] pautada em valores, capaz de sustentar seu projeto econômico e político. Essa ética anarquista é o elemento universal promovido transversalmente em todos os contextos, pautada nos seguintes valores: [[liberdade]] individual e coletiva, no sentido do desenvolvimento pleno das faculdades, capacidades e [[pensamento crítico]] de cada um e de todos; [[igualdade]], em termos econômicos, políticos e sociais, promovida por meio da autogestão e incluindo questões de gênero e [[raça]]; [[solidariedade]] e [[apoio mútuo]], sustentando relações fraternas e colaborativas entre as pessoas e não de individualismo e [[competição]]; estímulo permanente à [[felicidade]], à motivação e à vontade. A intervenção dos anarquistas de acordo com esses valores éticos deve fortalecer as associações voluntárias, de maneira a promover a cultura autogestionária defendida pelos anarquistas.{{HarvRef|name=corr124a|Corrêa|2014|p=124}}
[[Imagem:Francisco Ferrer Guardia.jpg|thumb|180px|[[Francesc Ferrer|Francisco Ferrer y Guardia]] foi um dos maiores defensores da [[pedagogia libertária]] e fundou a [[Escola Moderna]] em [[Barcelona]], na [[Espanha]], em 1901.]]
Um dos aspectos muito desenvolvidos no anarquismo foi a educação, por meio da discussão sobre a [[pedagogia libertária]].<ref name=corr124a /> Para o francês [[Élisée Reclus]], "o ideal dos anarquistas não é suprimir a [[escola]], ao contrário, é fazê-la crescer, fazer da própria sociedade um imenso organismo de ensinamento mútuo, onde todos seriam simultaneamente alunos e [[professor]]es".{{Sfn|Reclus|2002|p=108}} Para os anarquistas, essa ampliação da educação, estendendo-a ao conjunto da sociedade, é fundamental para estimular os valores condizentes com a prática da autogestão.<ref name=corr124a /> Essa educação seria integral, pois buscaria fortalecer completamente o desenvolvimento individual; intelectualmente, por meio do conhecimento [[ciência|científico]] das distintas áreas da vida e do estímulo permanente à cultura; [[técnica|tecnicamente]], preparando para o trabalho e capacitando para a realização de tarefas manuais e intelectuais; fisicamente, tendo, por objetivo, promover a [[saúde]] e o [[bem-estar]].<ref name=corr124a /> O espanhol [[Francesc Ferrer|Francisco Ferrer y Guardia]] enfatizou que o objetivo anarquista na educação seria criar "homens capazes de evoluir incessantemente; capazes de destruir, de renovar constantemente os meios, renovar-se a si mesmos; homens cuja independência intelectual seja a força suprema, que nunca se sujeitem ao que quer que seja, dispostos a aceitar sempre o melhor, feliz pelo triunfo das novas ideias e que aspirem a viver vidas múltiplas em uma única vida".{{Sfn|Ferrer y Guardia|2006|p=67-68}}
 
 
====Coletivismo ou comunismo====
[[Imagem:Peter_Kropotkin_circa_1900.jpg|thumb|180px|O russo [[Piotr Kropotkin]] foi um dos maiores defensores do que se convencionou a chamar de [[anarquismo comunista]]. Para ele, o coletivismo, na medida em que defendia a remuneração baseada no trabalho realizado, seria inadmissível, e que o modo de distribuição comunista seria o mais adequado em uma sociedade libertária.]]
O debate entre anarquistas que defendem o coletivismo e os que defendem o comunismo como modo de distribuição, evidenciou-se, marcadamente, em meados da década de 1870 e teve, depois disso, algum impacto entre os anarquistas.{{Sfn|Corrêa|2014|p=161-162}} Até aquela época, a maioria dos anarquistas defendia o coletivismo, sistema de remuneração baseado no trabalho realizado, reconhecido na máxima "a cada um segundo seu trabalho".{{Sfn|Corrêa|2014|p=162}} [[Mikhail Bakunin]], que sustentou essa perspectiva, afirmou que na sociedade libertária "cada um deverá trabalhar para viver, cada um será livre para morrer de fome por não trabalhar, a menos que encontre uma associação ou uma comuna que consinta alimentá-lo por piedade", excluindo, entretanto, crianças, velhos e pessoas sem condições para o trabalho.{{Sfn|Bakunin|2009|p=85}} O comunismo, modo de distribuição reconhecido pela máxima "de cada um segunda suas possibilidades, a cada um segundo suas necessidades", passou a ser defendido por alguns anarquistas entre 1874 e 1876, e a partir de 1880, tornou-se hegemônico. Nesse sistema, defendido por anarquistas notáveis, como [[Piotr Kropotkin]], cada um trabalharia nas medidas de suas possibilidades e consumiria nas medidas de suas necessidades, exigindo um aprofundamento ético sem precedentes e a garantia de que se cooperará em tal sentido. Cientes disso, houve anarquistas que defenderam posições intermediárias, como [[James Guillaume]] e [[Errico Malatesta]], aceitando o coletivismo em uma primeira fase da sociedade libertária e tentando-se chegar progressivamente ao comunismo.{{HarvRef|name=corr163a|Corrêa|2014|p=163}}
 
 
Tratando do local mais adequado para a articulação das instâncias políticas da sociedade autogestionária, há, fundamentalmente, três perspectivas: uma que defende a articulação pelo local de moradia (comunas), outra, que defende a articulação pelo local de trabalho (sindicatos), e uma terceira, que sustenta uma perspectiva moderada entre ambas.<ref name=corr163a />
[[Imagem:Murray Bookchin.jpg|thumb|left|180px|O anarquista americano [[Murray Bookchin]] foi um defensor da organização política no local de moradia, tendo como base o município. Seu conjunto de ideias ficou conhecido como [[municipalismo|municipalismo libertário]].]]
Defensor da primeira perspectiva, [[Murray Bookchin]] sustentava que o município deveria ser a base para relações sociais diretas, servindo como base para uma "[[democracia]] frontal" e para a "intervenção pessoal do indivíduo", "para que as freguesias, comunidades e cooperativas convirjam na formação de uma nova esfera pública".{{Sfn|Bookchin|1999|p=33-44}} Para ele, somente uma [[confederação]] desses municípios poderia lançar um movimento popular capaz de produzir condições para a abolição do Estado.{{Sfn|Bookchin|1999|p=33-44}} Sua defesa da organização comunitária como um poder popular dual, que se antagoniza com o poder estatal, marca sua crença exclusiva na mobilização em nível comunitário.{{HarvRef|name=corr164a|Corrêa|2014|p=164}}
 
 
O debate sobre a questão da organização no anarquismo envolve três posições fundamentais: o antiorganizacionismo, dos anarquistas que são contrários à organização e que defendem, de modo geral, a atuação individual ou em pequenas redes ou grupos informais; o sindicalismo e o comunitarismo, dos anarquistas que sustentam que a organização dos anarquistas deve se dar somente no nível social e de massas, e que criar organizações específicas anarquistas seria algo redundante na medida em que os movimentos populares poderiam levar a cabo toda a estratégia anarquista; e o dualismo organizacional, que sustenta serem necessárias, além das organizações de massa, as organizações específicas para promover o anarquismo de maneira mais consistente.<ref name=corr168a />
[[Imagem:Lugi_Gallean2.jpg|thumb|180px|O ítalo-americano [[Luigi Galleani]] foi um dos mais notórios anarquistas antiorganizacionistas. Para ele, os anarquistas deveriam atuar por meio da educação, da propaganda e da ação violenta.]]
Os antiorganizacionistas sustentam que qualquer organização política, ainda que fosse anarquista, conduziria necessariamente a uma hierarquia de tipo governamental, violando a liberdade individual, e sustentam também que os anarquistas deveriam se associar em redes pouco orgânicas, quase informais, pois a organização conduziria, necessariamente, à dominação.{{HarvRef|name=corr169a|Corrêa|2014|p=169}} Tais posições são assumidas também em relação aos movimentos populares. [[Luigi Galleani]], notório antiorganizacionista, afirmava que "o movimento anarquista e o movimento operário percorrem caminhos paralelos e a constituição geométrica de linhas paralelas é feita de maneira que elas nunca possam se encontrar ou coincidir", sendo o anarquismo e o movimento operário corpos distintos, ainda para Galleani, as organizações operárias seriam vítimas de um "conservadorismo cego e parcial", responsável por "estabelecer um obstáculo, muitas vezes um perigo" aos objetivos anarquistas.<ref>{{citar web|url=http://theanarchistlibrary.org/pdfs/a4/Luigi_Galleani__The_End_of_Anarchism__a4.pdf|título=The End of Anarchism?|autor=Galleani, Luigi|acessodata=26 de setembro de 2015|publicado=The Anarchist Library}}</ref> Em geral, os antiorganizacionistas sustentam que os anarquistas deveriam atuar por meio da educação, da propaganda e da ação violenta.<ref name=corr169a /> Muitas vezes, as posições dos antiorganizacionistas foram sustentadas tendo, como base, alguns argumentos individualistas de origem exterior ao anarquismo, em especial de autores como Stirner e [[Friedrich Nietzsche|Nietzsche]].{{HarvRef|name=corr170a|Corrêa|2014|p=170}}
[[Imagem:ErricoMalatesta.gif|thumb|180px|left|O italiano [[Errico Malatesta]] defendeu o organizacionismo dual. Para ele, os anarquistas deveriam se organizar no nível social, dos sindicatos, como trabalhadores, e no nível político, como anarquistas.]]
Os sindicalistas e comunitaristas acreditam que o movimento popular possui as condições de abarcar posições libertárias, de maneira a cumprir todas as funções estratégicas necessárias a um processo revolucionário, opondo-se à criação de organizações específicas anarquistas. Entre os anarquistas que defendem as organizações exclusivamente comunitárias, posições relevantes encontram-se na obra de Bookchin, que defendia mobilizações de massa exclusivamente no campo comunitário, envolvendo trabalhadores, camponeses, profissionais e técnicos e superando os interesses corporativos e setoriais, vinculados necessariamente aos sindicatos. Entre os anarquistas que defendem o sindicalismo, encontram-se, ainda, duas estratégias fundamentais: o [[anarcossindicalismo]] e o [[sindicalismo revolucionário]]. A primeira defende uma vinculação programática entre o anarquismo e o sindicalismo, enquanto a segunda sustenta fundamentalmente a neutralidade, a independência e a autonomia dos sindicatos, não vinculando-se a nenhuma ideologia específica.<ref name=corr170a />
 
 
Posições impossibilistas foram defendidas constantemente entre os anarquistas e, em alguns contextos, tiveram expressões bastante significativas. Anarquistas que defendem tais posições argumentam que as greves seriam eficazes apenas se tivessem por objetivo imediato a revolução social;<ref name=corr173a /> nesse sentido, [[Emma Goldman]] criticou os operários norte-americanos que lutavam pela jornada de oito horas, dizendo que isso era "uma perda de energia e de tempo" e que seria uma "estupidez os trabalhadores lutarem por tão pouco".<ref>{{Citar web|url=http://theanarchistlibrary.org/library/emma-goldman-living-my-life.pdf|título=Living My Life|acessodata=26 de setembro de 2015|autor=Goldman, Emma|publicado=The Anarchist Library}}</ref> Os impossibilistas defendem diferentes meios para a atuação anarquista; enquanto uns defendem a [[propaganda pelo ato]] e sustentam que a utilização da violência por meio de atentados deveria ser a principal estratégia anarquista, outros defendem estratégias insurrecionais distintas, além da propaganda e da educação popular como meio de atuação.{{HarvRef|name=corr174a|Corrêa|2014|p=174}}
[[Imagem:F-exhibiciones-ciudad-libertaria-9.jpg|thumb|Manifestação da [[Federação Operária Regional Argentina|FORA]] pela jornada de oito horas de trabalho.]]
Posições possibilistas também foram bastante comuns entre os anarquistas, muitos dos quais envolvidos com a militância sindical ou comunitária.<ref name=corr174a /> Para esses anarquistas, as lutas reivindicativas podem ser responsáveis pelo desenvolvimento daquilo que alguns chamam de "ginástica revolucionária" e, dependendo de como forem levadas a cabo, podem contribuir com o objetivo revolucionário anarquista. Malatesta foi um defensor dessa posição, ao afirmar que os anarquistas deveriam tomar ou conquistar as eventuais reformas "no mesmo espírito daquele que arranca pouco a pouco do inimigo o terreno que ele ocupa, para avançar cada vez mais".{{Sfn|Malatesta|1989|p=146}} Entretanto, a participação dos anarquistas em lutas de curto prazo não significa a adoção de uma postura reformista; Neno Vasco, nesse sentido, afirmou que os anarquistas deveriam favorecer "as reformas ou melhoramentos que sejam uma vantagem verdadeira para o proletariado ou que pelo menos não contrariem ou retardem o fim essencial",{{Sfn|Vasco|1984|p=108}} devendo os anarquistas defender lutas classistas, combativas, autônomas, construídas pela base por mecanismos autogestionários e com uma perspectiva revolucionária.<ref name=corr174a />
 
====Momento e contexto da utilização da violência====
[[Imagem:Gadewar.jpg|thumb|left|O momento e o contexto da utilização da violência têm gerado debates relevantes entre os anarquistas.]]
A maioria dos anarquistas considera que, muito provavelmente, a violência deverá ser utilizada, em maior ou menor grau, para promover a transformação revolucionária desejada. De qualquer forma, há um debate fundamental em relação ao momento e ao contexto da utilização da violência, envolvendo seus objetivos. Nesse debate, existem duas posições fundamentais: uma, que sustenta que a violência funciona como uma ferramenta para criar movimentos revolucionários, sendo ela uma forma de propaganda que inspira os membros das classes populares a ingressarem em um processo revolucionário de luta; e outra, que defende que a violência deve ser utilizada a partir de movimentos populares previamente estabelecidos, de maneira a aumentar sua força nos conflitos de classe, sendo a violência, nesse caso, uma ferramenta para favorecer as lutas de massas já existentes.{{Sfn|Corrêa|2014|p=176}}
 
===Anarquismo insurrecionário===
{{Artigo principal|Anarquismo insurrecionário}}
[[Imagem:Ravachol_-_Arrestation_crop.jpg|thumb|Representação artística da segunda prisão de [[Ravachol]], após um de seus atentados. Embora historicamente minoritário, o anarquismo insurrecionário foi a corrente anarquista que mais se difundiu no imaginário popular e que ficou forjada na imagem do anarquista conspirador e terrorista.]]
O anarquismo insurrecionário, segundo Michael Schmidt e Lucien van der Walt,
 
===Anarquismo social ou de massas===
{{Artigo principal|Anarquismo social}}
[[Imagem:São_Paulo_(Greve_de_1917).jpg|thumb|Operários e anarquistas marcham portando bandeiras negras pela cidade de [[São Paulo]] durante a [[Greve Geral de 1917|greve de 1917]]. O anarquismo social ou de massas sustenta que os anarquistas devem participar dos movimentos populares de massa para radicalizá-los e transformá-los em alavancas para a transformação revolucionária.]]
O anarquismo social ou de massas, como definido por Michael Schmidt e Lucien van der Walt,
 
 
==Críticas==
[[Ficheiroimagem:Murray Rothbard.jpg|thumb|180px|direita|[[Murray Rothbard]]]]
 
As críticas mais comuns ao anarquismo sustentam que este seria uma ideologia [[utopia|utópica]] e inviável, na medida em que, para esses críticos, as forças repressivas seriam absolutamente necessárias para a manutenção da ordem social, relacionando o anarquismo com a destruição, o caos, a desorganização e com posturas antissociais e desagregadoras, geralmente violentas ou [[crime|criminosas]].<ref name=corr42a /> Também são comuns críticas no sentido de que o anarquismo se trataria de uma ideologia [[juventude|juvenil]], visto que por razão da idade, os jovens estariam mais naturalmente envolvidos em problemas com a [[autoridade]] e em revolta contra as concepções [[moral|morais]] e sociais dos mais velhos.{{Sfn|Joll|1970|p=330}}