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Essa visão atravessou a [[Idade Média]], mas, no [[Renascimento]], iniciou-se uma mudança, separando-se os ofícios produtivos e as [[ciência]]s das artes propriamente ditas e incluindo-se, pela primeira vez, a poesia no domínio artístico. A mudança foi influenciada pela [[tradução]] para o [[língua italiana|italiano]] da ''[[Poética]]'' de Aristóteles e pela progressiva ascensão social do artista, que buscava um afastamento dos [[artesanato|artesãos]] e artífices e uma aproximação dos [[intelectual|intelectuais]], cientistas e [[filosofia|filósofos]]. O objeto artístico passou a ser considerado tanto fonte de prazer como meio de assinalar distinções sociais de [[poder]], [[riqueza]] e prestígio, incrementando-se o [[mecenato]] e o [[colecionismo]].<ref>Tatarkiewicz (2002), p. 43.</ref> Começaram a aparecer também diversos [[tratado (estudo)|tratados]] sobre as artes, como o ''[[De pictura]]'', ''[[De statua]]'' e ''[[De re aedificatoria]]'', de [[Leon Battista Alberti]], e os ''Comentários'' de [[Lorenzo Ghiberti]]. Ghiberti foi o primeiro a periodizar a [[história da arte]], distinguindo a [[arte clássica]], a [[arte medieval]] e a [[arte renascentista]].<ref>Beardsley e Hospers, p. 44.</ref>
 
O Renascimento e o [[Maneirismo]] assinalam o início da arte moderna. O conceito de [[beleza]] se relativizou, privilegiando-se a visão pessoal e a imaginação do artista em detrimento do conceito mais ou menos unificado e de índole científica do Renascimento. Também se deu valor ao fantástico e ao [[grotesco]]. Para [[Giordano Bruno]], havia tantas artes quantos eram os artistas, introduzindo o conceito de [[novidade|originalidade]], pois, para ele, a arte não tem normas, não se aprende e procede da inspiração.<ref>Tatarkiewicz, Władysław. ''Historia de la estética III. La estética moderna 1400-1700''. Madrid: Aka, 1991, vol. III, p. 367-368.</ref>
 
No século XVIII, começou a se consolidar a [[estética]] como um elemento-chave para a definição de arte como hoje a entendemos - a despeito da vagueza e inconsistências do conceito. Até então, toda a arte do ocidente estava indissociavelmente ligada a uma ou mais funções definidas, ou seja, era uma atividade essencialmente utilitária: servia para a transmissão de conhecimento, para a estruturação e decoração de [[ritual|rituais]] e [[festa|festividades]], para a [[invocação]] ou mediação de poderes espirituais ou mágicos, para o embelezamento de [[edifício]]s, locais e cidades, para a distinção social, para a recordação da história e a preservação de [[tradição|tradições]], para a educação [[moral]], [[civismo|cívica]], [[religião|religiosa]] e cultural, para a consagração e perpetuação de [[valor (ética)|valores]] e [[ideologia]]s socialmente relevantes, e assim por diante.<ref>Guignon, pp. 27-28</ref>
 
Esta mudança de [[paradigma]] estava ligada a transformações culturais desencadeadas pelo [[cientificismo]] e pelo [[iluminismo]]. Estas correntes de pensamento passaram a defender a tese de que a arte não era uma [[ciência]], não podia descrever com exatidão a realidade, e por isso não poderia ser um veículo adequado para o conhecimento verdadeiro. Não sendo uma ciência, a arte passou para a esfera da [[emoção]], da [[[[Sistema sensorial|sensorialidade]] e do [[sentimento]]. A própria origem da palavra "estética" deriva de um termo [[língua grega|grego]] que significa "[[sensação]]". Em trabalhos de [[Jean-Baptiste Dubos]], [[Friedrich von Schlegel]], [[Arthur Schopenhauer]], [[Théophile Gautier]] e outros, nasceu o conceito de [[arte pela arte]], onde ela tinha um fim em si mesma, despojando-a de toda a sua antiga funcionalidade e utilidade prática e associações com a moral. Ao mesmo tempo em que isso abriu um novo e rico campo filosófico, gerou dificuldades importantes: perdeu-se a capacidade de se entender a arte antiga em seu próprio contexto, onde ela era toda funcional - um testemunho desta tendência é a proliferação de [[museu]]s no século XIX, instituições onde todos os tipos de arte são apresentados fora de seu contexto original -, e criaram-se conceitos inteiramente baseados na subjetividade, tornando cada vez mais difícil encontrar-se pontos objetivos em comum que pudessem ser aplicados a qualquer tipo de arte, tanto para defini-la quanto para valorá-la ou interpretar seu significado. O [[esteticismo]] foi um dos elementos teóricos básicos para a emergência do [[Romantismo]], que rejeitou o utilitarismo da arte e deu um valor principal à [[criatividade]], à [[intuição]], à [[liberdade]] e à visão individuais do artista, erigindo-o ao ''status'' de [[demiurgo]] e [[profeta]] e fomentando, com isso, o culto do [[Gênio (pessoa)|gênio]]. Por outro lado, o esteticismo ofereceu uma alternativa para a descrição de aspectos do mundo e da vida que não estão ao alcance da ciência e da razão.<ref>Guignon, pp. 28-30</ref><ref>Eco, Umberto. ''Historia de la belleza''. Barcelona: Lumen, 2004, pp. 329-333</ref> [[Charles Baudelaire]] foi um dos primeiros a analisar a relação da arte com o progresso e a era industrial, prefigurando a noção de que não existe beleza absoluta, mas que ela é relativa e mutável de acordo com os tempos e com as predisposições de cada indivíduo. Baudelaire acreditava que a arte tinha um componente eterno e imutável - sua [[alma]] - e um componente circunstancial e transitório - seu corpo. Este dualismo nada mais do que expressava a [[dualidade]] inerente ao homem em seu anelo pelo [[idealismo|ideal]] e seu enfrentamento da realidade concreta.<ref>Bozal, Valeriano et alii. ''Historia de las ideas estéticas y de las teorías artísticas contemporáneas''. Madrid: Visor, 2000, vol. I, p. 324-329.</ref>
[[Imagem:Malevich.black-square.jpg|thumb|esquerda|[[Kazimir Malevich]]: ''Quadrado negro sobre fundo branco'', uma das obras paradigmáticas da escola abstrata.]]