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Alterações

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[[File:Horario CRCFP Linhas do Norte e Leste 1876.jpg|thumb|Horários das Linhas do Norte e do Leste em 1876.]]
====Planeamento e construção====
Com o advento da [[Regeneração (história)|Regeneração]], em 1851, [[Fontes Pereira de Melo]] iniciou um ambicioso programa de obras públicas para desenvolver o país, no qual os transportes públicos desempenharam um papel essencial; assim, foram retomadas as iniciativas para a construção de caminhos de ferro, cuja prioridade era ligar Lisboa ao Porto e a Espanha.<ref name=Gazeta1561>{{Citar jornal|autor=ABRAGÃO, Frederico de Quadros|pagina=393-400|titulo=A ligação de Lisboa com o Porto por Caminho de Ferro|data=1 de Janeiro de 1953|numero=1561|volume=65|jornal=Gazeta dos Caminhos de Ferro|url=http://hemerotecadigital.cm-lisboa.pt/OBRAS/GazetaCF/1953/N1561/N1561_master/GazetaCFN1561.pdf|acessadoem=17 de Maio de 2015}}</ref> Um decreto de 30 de Agosto de 1852 autorizou o governo a construir uma linha, originalmente denominada de ''Caminho de Ferro do Norte'', que deveria sair do Caminho de Ferro do Leste, de Lisboa à fronteira, e terminar no Porto; em 9 de Novembro desse ano, uma portaria enunciou as instruções para uma comissão que seria encarregada de estudar o percurso da linha.<ref name=Gazeta1650/> Foram avançadas duas hipóteses para o percurso entre Coimbra e o Porto, uma passando pela bacia de Aveiro, e outra circulando pelo interior, servindo outras povoações importantes do distrito.<ref name=Gazeta1650/> Em 1856, o engenheiro Wattier foi encarregado pelo governo de estudar o traçado geral das linhas do Norte e do Leste, enquanto que os engenheiros [[Francisco Maria de Sousa Brandão]] e John Rennie deviam ser responsáveis por analisar a fundo o percurso entre Coimbra e o Porto.<ref name=Gazeta1650/> Wattier analisou as duas opções possíveis para o percurso a Norte de Coimbra, tendo apontado que, caso a linha fosse servir Aveiro, o melhor traçado seria ao longo do vale do [[Rio Cértima]], atravessando depois o [[Rio Vouga]] perto de [[Angeja]] e dirigindo até [[Vila Nova de Gaia]] por [[Estarreja]] e [[Ovar]].<ref name=Gazeta1650/> No entanto, o projecto estudado por Wattier não fazia a linha passar directamente por Aveiro.<ref name=CMAveiro/> Se por outro lado fosse escolhido um caminho mais anterior, a linha podia partir de [[Avelãs de Caminho]] e seguir a estrada real por [[Albergaria-a-Velha|Albergaria]], [[Oliveira de Azeméis]] e [[Grijó (Vila Nova de Gaia)|Grijó]], descendo depois até ao [[Rio Douro]] pelo vale de [[Avintes]].<ref name=Gazeta1650/> Wattier preferia a primeira opção, pelo litoral, devido aos menores custos de construção, e porque deixava a linha em melhores condições de servir as docas do Porto e os futuros prolongamentos até ao Alto Douro e à [[Galiza]].<ref name=Gazeta1650>{{Citar jornal|pagina=407-424|autor=[[Frederico de Quadros Abragão|ABRAGÃO, Frederico de Quadros]]|titulo=No Centenário dos Caminhos de Ferro em Portugal: Algumas notas sobre a sua história|data=16 de Setembro de 1956|numero=1650|volume=69| jornal=Gazeta dos Caminhos de Ferro|url=http://hemerotecadigital.cm-lisboa.pt/OBRAS/GazetaCF/1956/N1650/N1650_master/GazetaCFN1650.pdf|acessadoem=25 de Setembro de 2017}}</ref>
 
Entretanto, em 28 de Outubro de 1856 foi inaugurado o primeiro lanço de via férrea em Portugal, de Lisboa ao [[Estação de Carregado|Carregado]].<ref name=Gazeta1652/> Entre 1859 e 1860, a [[Companhia Real dos Caminhos de Ferro Portugueses]] foi contratada pelo governo para construir as duas linhas até ao Porto e à fronteira.<ref name=Gazeta1648/> Quando o projecto foi apresentado ao governo, foi aprovado depois de terem sido feitas várias modificações, como na terceira secção da Linha do Norte, onde o percurso da via férrea entre [[Coimbra]] e o [[Rio Vouga]] foi alterado de forma a passar mais perto de Aveiro.<ref name=Gazeta1648>{{Citar jornal|titulo=No Centenário dos Caminhos de Ferro em Portugal: Algumas notas sobre a sua história|autor=[[Frederico de Quadros Abragão|ABRAGÃO, Frederico de Quadros]]|pagina=375-382|jornal=Gazeta dos Caminhos de Ferro|volume=69|numero= 1648|data=16 de Agosto de 1956|url=http://hemerotecadigital.cm-lisboa.pt/OBRAS/GazetaCF/1956/N1648/N1648_master/GazetaCFN1648.pdf| acessodata=2 de Outubro de 2017}}</ref> Esta modificação foi conseguida por influência do deputado [[José Estêvão Coelho de Magalhães]], que pretendia que a cidade fosse servida pelo caminho de ferro.<ref name=CMAveiro/> Em Novembro de 1876, Sousa Brandão criticou o traçado da Linha do Norte, em especial o facto de se ter abandonado o projecto original de Wattier entre Estarreja e Mogofores, seguindo pelo Cértima A Companhia Real propôs uma alteração no projecto, de forma a aproximar a via férrea de Aveiro, que ficaria a cerca de um quilómetro de distância, e evitar os pântanos de [[Fermentelos]] e [[Frossos (Albergaria-a-Velha)|Frossos]], que foi aprovada pelo Conselho de Obras Públicas em 25 de Janeiro de 1861.<ref name=Gazeta1650/> O parecer do Conselho descreve que esta modificação alongava a Linha do Norte em alguns quilómetros, mas traria grandes vantagens técnicas e económicas, por servir melhor a cidade de Aveiro e o seu [[Porto de Aveiro|porto]], e recomendava a Companhia Real a aproximar ainda mais a linha da cidade, de forma a ficar a uma distância de apenas 500 metros, alteração que seria fácil de fazer devido às condições do terreno.<ref name=Gazeta1650/> Por outro lado, o engenheiro Sousa Brandão criticou o novo traçado, considerando superior o antigo projecto de Wattier, que fazia a linha circular directamente entre Estarreja e Mogofores pelo Cértima: «''desde Estarreja a Mogofores, deixou o vale do Cértima, para procurar Aveiro, aumentando o seu desenvolvimento em 7 quilómetros, além de maior extensão de rampas importantes.''».<ref name=Gazeta1650/>
Em 18 de Novembro de 1891, o [[Rei D. Carlos]] e a [[Rainha D. Amélia]] viajaram de Lisboa para o Porto para uma visita ao Norte de Portugal, tendo o comboio real parado na estação de Aveiro durante cerca de meia hora.<ref>RAMOS, 2013:91</ref>
 
Em 1893, previa-se que fosse pedida a concessão para um caminho de ferro do tipo [[Carro Americano|americano]], ligando a estação de Aveiro à cidade.<ref>{{Citar jornal|pagina=81-85|titulo=Efemérides|volume=51|numero=1226|jornal=Gazeta dos Caminhos de Ferro|data= 16 de Janeiro de 1939|url=http://hemerotecadigital.cm-lisboa.pt/OBRAS/GazetaCF/1939/N1226/N1226_master/GazetaCFN1226.pdf| acessadoem=4 de Abril de 2014}}</ref>
 
===Século XX===
====Décadas de 1900 e 1910====
=====Construção do novo edifício=====
Originalmente, a estação estava instalada num edifício pequeno e simples, que nos princípios do Século XX já se tinha tornado insuficiente para o movimento de passageiros e mercadorias, o que levou à sua ampliação entre 1915 e 1916.<ref name=CMAveiro/> Em Fevereiro de 1916, as obras estavam muito adiantadas, e em Abril podiam-se considerar quase terminadas.<ref>{{citar jornal|titulo= Efemérides|pagina=202-204|volume=51|numero=1231|data=1 de Abril de 1939|jornal=Gazeta dos Caminhos de Ferro|url= http://hemerotecadigital.cm-lisboa.pt/OBRAS/GazetaCF/1939/N1231/N1231_master/GazetaCFN1231.pdf|acessodata=8 de Março de 2014}}</ref> O novo edifício foi construído no estilo tradicional português<ref name=Gazeta1476>{{Citar jornal|autor=[[José de Sousa Nunes|NUNES, José]]|pagina=418-422|titulo=A Via e Obras nos Caminhos de Ferro em Portugal|jornal=Gazeta dos Caminhos de Ferro|volume=62|numero= 1476|data=16 de Junho de 1949|url=http://hemerotecadigital.cm-lisboa.pt/OBRAS/GazetaCF/1949/N1476/N1476_master/GazetaCFN1476.pdf| acessodata=14 de Novembro de 2014}}</ref>, tendo sido enfeitado em 1916 com vários painéis de azulejos, seguindo a tendência que se verificava nessa altura para decorar as gares ferroviárias.<ref name=CMAveiro/> Esta intervenção foi levada a cabo por Licínio Pinto e Francisco Pereira, utilizando azulejos da Fábrica Fonte Nova.<ref>PEREIRA, 1995:418-419</ref> A remodelação foi envolta em polémica, devido ao facto do plano original incluir, lado a lado, retratos de [[José Estêvão Coelho de Magalhães|José Estevão]] e Manuel Firmino; assim, decidiu-se retratar apenas este último e D. José de Salamanca y Mayol, que possuía a concessão das obras na [[Linha do Norte]].<ref name=CMAveiro>{{citar web|url=http://www.cm-aveiro.pt/www/templates/GenericDetail.aspx?id_object=27881&TM=2408S2582S2587&id_class=1575|título=Painéis Azulejares da Estação de Caminhos de Ferro de Aveiro|acessodata=4 de Abril de 2014| publicado= Câmara Municipal de Aveiro}}</ref>
 
Entretanto, a via férrea foi duplicada de [[Estação de Estarreja|Estarreja]] a Aveiro em 17 de Maio de 1907<ref name=Gazeta1652/>, e em Setembro de 1913 entrou ao serviço o [[Ramal do Canal de São Roque]].<ref name=CFR1996:252>MARTINS ''et al'', 1996:252</ref> Também em 1913, a estação tinha carreiras de diligências até à vila de Aveiro, [[Eixo (Aveiro)|Eixo]], Cova da Areia, [[Esgueira]], [[Ílhavo]], [[Vagos]], [[Verdemilho]] e Arouca.<ref>{{Citar jornal|pagina=152-155|titulo=Serviço de Diligencias|jornal=Guia official dos caminhos de ferro de Portugal|volume=39|numero=168|data=Outubro de 1913|url=http://purl.pt/276|acessodata=20 de Fevereiro de 2018}}</ref>
Por alvarás de 11 de Julho de 1889 e 23 de Maio de 1901, Francisco Pereira Palha foi autorizado a construir um caminho de ferro de via estreita entre [[Estação Ferroviária de Torredeita|Torredeita]], na [[Linha do Dão]], e [[Estação de Espinho|Espinho]], na Linha do Norte, com um ramal para Aveiro; o projecto foi aprovado em 30 de Outubro de 1903, e a concessão foi passada para a [[Compagnie Française pour la Construction et Exploitation des Chemins de Fer à l'Étranger]] por um decreto de 17 de Março de 1906.<ref name=Gazeta1686/> O traçado foi posteriormente alterado, e em 8 de Setembro de 1911 entrou ao serviço o troço de [[Estação Ferroviária de Albergaria-a-Velha|Albergaria-a-Velha]] a Aveiro.<ref name=Gazeta1686/> Quando foi planeado o troço da [[Linha do Vouga|rede ferroviária do Vouga]] até Aveiro, ficou programado que a estação já existente iria ficar comum a ambas as linhas, não estando previstos quaisquer ramais até à [[Ria de Aveiro]].<ref name=Gazeta1144/>
 
Após a inauguração do Ramal de Aveiro, verificou-se que o transporte de sal e outras mercadorias desde a margem até à estação se fazia com muita dificuldade, num percurso de quase 2 quilómetros em carros de bois, pelo que em 1912 entrou ao serviço um ramal até à ria.<ref name=Gazeta1144>{{Citar jornal|titulo=As Obras da Barra de Aveiro| pagina=347-349|autor=[[José Fernando de Sousa|SOUSA, José Fernando de]]|data=16 de Agosto de 1935|jornal=Gazeta dos Caminhos de Ferro|volume=47|numero=1144|url= http://hemerotecadigital.cm-lisboa.pt/OBRAS/GazetaCF/1935/N1144/N1144_master/GazetaCFN1144.pdf|acessadoem=8 de Agosto de 2013}}</ref> O Decreto 12.682, de 15 de Novembro de 1926, adicionou ao plano ferroviário do Norte do Mondego duas vias férreas a sair da estação de Aveiro; a primeira seria até [[Estação de Cantanhede|Cantanhede]], constituindo a continuação do Ramal de Aveiro, e a segunda iria [[Ramal do Canal de São Roque|até ao Canal de São Roque]].<ref name=Gazeta1686>{{Citar jornal|autor=TORRES, Carlos Manitto|titulo=A evolução das linhas portuguesas e o seu significado ferroviário|pagina=133-140|data=16 de Março de 1958|jornal= Gazeta dos Caminhos de Ferro|volume=71|numero=1686|url=http://hemerotecadigital.cm-lisboa.pt/OBRAS/GazetaCF/1958/N1686/N1686_master/GazetaCFN1686.pdf|acessadoem=4 de Abril de 2014}}</ref><ref>PORTUGAL. [http://dre.pt/pdf1sdip/1926/11/25800/19171917.pdf Decreto n.º 12:682], de 15 de Novembro de 1926. ''Ministério do Comércio e Comunicações - Direcção Geral de Caminhos de Ferro - Divisão Central e de Estudos'', Paços do Governo da República. Publicado no Diário da República n.º 258, Série I, de 18 de Novembro de 1926.</ref>
 
Num artigo na Gazeta dos Caminhos de Ferro em 1956, o jornalista [[José da Guerra Maio]] criticou a forma como as gares de via estreita foram integradas na estação de Aveiro, uma vez que ficaram demasiado longe das plataformas de via larga, pelo que os passageiros que quisessem mudar de comboio tinham de atravessar várias vias de resguardo.<ref>{{Citar jornal|autor=[[José da Guerra Maio|MAIO, Guerra]]|pagina=122-123|titulo=Anomalias Ferroviárias|jornal=Gazeta dos Caminhos de Ferro|volume=68| numero=1637|data=1 de Março de 1956|url=http://hemerotecadigital.cm-lisboa.pt/OBRAS/GazetaCF/1956/N1637/N1637_master/GazetaCFN1637.pdf|acessodata=28 de Março de 2017}}</ref>
Em Maio de 2006, o presidente da Câmara de Aveiro, Élio Maia, anunciou que se iria instalar uma Colecção de Arte Contemporânea no antigo edifício da Estação de Aveiro.<ref>{{citar web|url=http://www.oln.pt/noticias.asp?id=9257&secc=1|titulo=Estação recebe Colecção de Arte Contemporânea|acessodata=21 de Maio de 2010|data=12 de Maio de 2006| publicado=On Line News}}</ref> No entanto, em Abril de 2010 este processo ainda se encontrava na fase de negociações, estando nesta altura previsto um acordo para breve.<ref>{{citar web|url=http://dn.sapo.pt/inicio/portugal/interior.aspx?content_id=1541185&seccao=Centro|titulo=Avenida da arte está à espera de cedência da estação da cp|acessodata=21 de Maio de 2010|autor=ALMEIDA, Júlio|data=11 de Abril de 2010|publicado=Diário de Notícias}}</ref>
 
A antiga estação fez parte do circuíto turístico City Tour, organizado pela Região de Turismo de Aveiro em Julho de 2006.<ref>{{citar web|titulo=City tour procurado por 2500 turistas em Julho|url=http://jn.sapo.pt/paginainicial/interior.aspx?content_id=563019|acessodata=21 de Maio de 2010|autor=MAXIMINO, José|data=3 de Agosto de 2006| publicado=Jornal de Notícias|datali=9 de Setembro de 2017}}</ref>
 
A ligação ferroviária de Alta Velocidade a Aveiro foi discutida em Outubro de 2006, tendo-se previsto uma decisão sobre este assunto apenas no final desse ano; porém, demonstrou-se que era exequível utilizar a estação ferroviária já existente como interface para os serviços de alta velocidade.<ref>{{citar web|url=http://economia.publico.pt/Noticia/tgv-terceira-travessia-do-tejo-podera-vir-a-ser-tambem-rodoviaria_1274840|titulo=TGV: terceira travessia do Tejo poderá vir a ser também rodoviária|acessodata=21 de Maio de 2010| data=28 de Outubro de 2006|publicado=Público}}</ref>