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Para Inocêncio, o papa também possui poder político direto e indireto. Esse poder é direto nos [[Estados Papais]] e demais reinos que lhe renderam [[vassalagem]], e também indireto, fundado em seu poder espiritual, se estendendo a todos os governos terrestres, permitindo-lhe interferir em matéria política. Esse poder indireto em assuntos sociais, porém, só é exercido ''in ratione peccati'' - “em razão do pecado”, quando o papa pode impor decretos políticos, especialmente, o mais grave de todos, que é depor um senhor (rei, príncipe, imperador etc.) de seu reino e conceder a liderança a um novo senhor.{{sfn|Costa|2017|p=91}} Dessa maneira, o pontificado de Inocêncio, serviu politicamente como a “última instância [[ética]]” da Europa, assim como a [[ONU]] na atualidade.{{sfn|Costa|2017|p=91}}
 
As ideias sobre o poder pontifício de Inocêncio não são novas, porém seu de pensamento é original por ser uma sistematização de concepções preexistentes, expressa por ele de uma forma nova com simbolismos da [[Bíblia]]. Para justificar doutrinariamente esse poder, Inocêncio usou várias passagens bíblicas, especialmente dos [[Evangelhos]], que interpretou de maneira figurada. O caso mais famoso e é a alegoria das “[[Plenitudo potestatis|duas espadas]]”, retirada de Lc 22:38, criada originalmente por [[Bernardo de Claraval|São Bernardo de Claraval]]. Inocêncio defende que Cristo deu a São Pedro, primeiro papa, e por isso a todos os papas, “duas espadas”, que representam o poder temporal e espiritual. O papa só usa a “espada espiritual” diretamente, mas a “espada temporal”, usada pelo imperador e pelos reis deve servir indiretamente para o castigo dos inimigos da Igreja e a salvação das almas.{{sfn|Costa|2017|p=91}}
 
Inocêncio emitiu várias declarações e documentos sobre sua ideia própria do poder dos papas, dos quais pode-se destacar seu sermão de coroação, a bula ''Sicut universitatis'' (1198), ''Apostolicae Sedis Primatus'' (1199), ''Deliberatio Domini Papae Inocentii'' (1200), ''Venerabilem'' (1202).{{sfn|Costa|2017|p=90}} Assim, já no sermão de Inocêncio no dia de sua coroação como papa, ele declarou: