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Dessa forma, assim que Inocêncio tornou-se papa iniciou uma campanha para unir os reinos cristãos e preparar uma nova cruzada para retomar a Terra Santa e ajudar os [[estados cruzados]] remanescentes no Oriente Médio. Inocêncio considerava a reconquista da Terra Santa um objetivo essencial e primordial, e mostrou sua forte vontade de convocar uma cruzada já em seus primeiros documentos como pontífice.{{sfn|Llorca|Garcia-Villoslada|Laboa|2009|p=470}} Inocêncio assim tentou convencer os reis europeus a iniciarem a campanha militar, porém foi ignorado. Em vez disso, desde 1199 um conjunto de nobres poderosos decidiu embarcar na nova cruzada, dos quais se destacam [[Simão IV de Monforte|Simão IV, Senhor de Monforte]], [[Luís I de Blois|Luís I, Conde de Blois]], [[Teobaldo III de Champanhe|Teodoro III, Conde de Champanhe]], [[Godofredo de Villehardouin]], [[Bonifácio I de Monferrato|Bonifácio I, Marquês de Monferrato]] e [[Balduíno de Flandres|Balduíno I, Conde de Flandres]].{{sfn|Llorca|Garcia-Villoslada|Laboa|2009|p=471-472}}
 
[[Imagem:Illustration_from_P._A._Munch,_Samlede_Afhandlinger_4,_page_443.png|miniatura|200px|direita|Um dos [[Sinete|selos]] usados nos documentos papais emitidos por Inocêncio de novembro de 1204 até julho de 1205, em que estava gravado a frase ''Fac mecum domine signum in bonum'' ("Dá-me um sinal da tua bondade, Senhor", do Salmo 86:17), pois o papa acreditava que a tomada do Império Bizantino e sua substituição por um Império Latino era um sinal divino que culminaria na tomada de Jerusalém{{sfn|Ridyard|2004|p=98}}]]
 
Em 1201 o grupo de cruzados foi até Veneza realizar um pacto com seu ''[[Doge de Veneza|doge]]'', [[Enrico Dandolo]], para tornar possível a expedição militar. Assim, Veneza forneceu barcos, marinheiros e cavalos para realizar a cruzada, desde que os cruzados pagassem {{fmtn|85000}} [[Marco (moeda)|marcos]] de prata antes de 1202 pela ajuda, além de metade do [[espólio]] de guerra ficar com os venezianos. Inocêncio aprovou a nova empreitada, desde que os cruzados não ferissem nenhum [[Igreja Ortodoxa|cristão oriental]] na expedição. Dessa forma, a Quarta Cruzada partiu em 1202, comandada por Bonifácio I de Monferrato. Posteriormente, já em 9 de novembro de 1202 os venezianos comandados por Enrico Dandolo saquearam a cidade de [[Zadar|Zara]]{{sfn|Llorca|Garcia-Villoslada|Laboa|2009|p=470}}, crime que foi firmemente condenado por Inocêncio, que excomungou os participantes. Posteriormente, em 1203, quando chegaram a Constantinopla, o Imperador Bizantino [[Aleixo V Ducas]] impediu que os cruzados entrassem na cidade, que então foi [[Cerco de Constantinopla (1204)|cercada pelos cruzados]] em 1204, saqueada, o Imperador Aleixo V Ducas morto, e o [[Império Bizantino]] declarado extinto pelos cruzados e substituído por um novo, o [[Império Latino de Constantinopla]], cujo primeiro imperador foi [[Balduíno I de Constantinopla|Balduíno I]].{{sfn|Llorca|Garcia-Villoslada|Laboa|2009|p=474-477}} Dessa forma, a quarta cruzada nunca chegou, de fato, a Jerusalém.{{sfn|McBrien|2000|p=216}}
 
Balduíno escreveu a Inocêncio, dizendo que fundação do novo Império permitia uma base melhor para lutar contra o Islã, e que a Igreja Oriental poderia finalmente se unir ao papado, aceitando sua autoridade. Inocêncio sentiu uma dor profunda pelo saque de Constantinopla, condenando esse ato, porém, considerou a criação do novo Império Latino um grande triunfo que castigou os cristãos orientais por sua deslealdade ao papado e permitiria recuperar a Terra Santa mais facilmente.{{sfn|Llorca|Garcia-Villoslada|Laboa|2009|p=478}} Dessa maneira, desde novembro de 1204 até julho de 1205 Inocêncio ordenou gravar em todos os documentos papais a frase ''Fac mecum domine signum in bonum'' ("Dá-me um sinal da tua bondade, Senhor", do Salmo 86:17), pois o papa acreditava que a tomada do Império Bizantino e sua substituição por um Império Latino era um milagre e um sinal de Deus de uma nova era de reconciliação e conversão, que culminaria na tomada de Jerusalém pelos cristãos, e, finalmente no [[Juízo Final]].{{sfn|Ridyard|2004|p=98}} Assim, acreditando na eminente tomada da Cidade Santa, desde 1207 Inocêncio tentou organizar uma nova cruzada, a [[Quinta Cruzada|Quinta]], coisa que conseguiu fazer através do IV Concílio de Latrão, porém, somente em 1215, marcando-a para 1217.{{sfn|McBrien|2000|p=216}}
 
===Cruzada Albigente ===
* {{citar livro|sobrenome= Piazzoni |nome= Ambrogio|título= Historia wyboru papieży|volume=|local= Cracóvia |editora= Wydawnictwo M|ano=2003|ref=harv}}
* {{citar livro|sobrenome= Pirie-Gordon |nome= Charles Harry Clinton |título= Innocent the Great : an essay on his life and times |volume=|local= Charleston, EUA|editora= BiblioLife|ano=2015|ref=harv}}
* {{citar livro|sobrenome= Ridyard|nome= Susan J.|título= The Medieval Crusade |volume=|local=Woodbridge, Suffolk, Inglaterra|editora= Boydell Press|ano=2004|ref=harv}}
* {{citar livro|sobrenome= Rops |nome= Daniel |título= A Igreja das Catedrais e das Cruzadas |volume=2|local=São Paulo|editora= Quadrante |ano=2012|ref=harv}}
*{{citar web|primeiro = Leandro Duarte|último = Rust|obra= USP|título= BULAS INQUISITORIAIS: AD ABOLENDAM (1184) E VERGENTIS IN SENIUM (1199)| url = http://www.revistas.usp.br/revhistoria/article/view/48532/52451|data=2012|ref=harv}}