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{{{Info/Biografia/Wikidata|data_nascimento=[[20 de março]] de [[1915]]|local_morte=[[Moscovo|Moscou]]}}
[[Imagem:RICHTER 2.jpg|200px|direita|thumb|Sviatoslav Richter em [[Carcóvia]], 1966.]]
'''Sviatoslav Teofilovich Richter''' ([[Jitomir]], [[20 de março]] de [[1915]] {{mdash}}– [[Moscovo|Moscou]], [[1 de agosto]] de [[1997]]) foi um [[pianista]] [[União Soviética|soviético]]. Considerado um [[virtuoso]], Richter tinha um repertório muito amplo, variando de [[Bach]] e [[Haydn]] até [[Debussy]] e [[Shostakovich]]. É também tido como um dos mais importantes pianistas do [[século XX]].<ref>[[:en:Great Pianists of the 20th Century|Great Pianists of the 20th Century]]</ref>. Seu nome em [[Língua ucraniana|ucraniano]] é Святослав Теофілович Ріхтер e em [[Língua russa|russo]] Святосла́в Теофи́лович Ри́хтер.
 
Richter tinha um espírito independente, preferia seguir os seus instintos a aprender com outros pianistas e, por isso, as suas interpretações são únicas. No entanto, ele podia interpretar uma obra magnificamente bem ou, segundo ele mesmo admitia, como um aluno medíocre. A sua obsessão pela qualidade e perfeccionismo tornou-o um crítico feroz, sobretudo dele mesmo.
 
== Vida e carreira ==
A sua primeira apresentação em público aconteceu em 19 de fevereiro de [[1934]], em [[Odessa]]; o repertório incluía obras a solo de [[Chopin]], como a Balada nº 4, [[Polonaise-fantaisie]], e [[Scherzo]] em Mi Maior, e uma seleção de [[noturno (música)|noturno]]s, [[estudo (música)|estudos]], [[prelúdio]]s, todas obras de grande dificuldade. O recital foi um sucesso e sua carreira como virtuoso havia começado.
 
Em [[1937]], Richter partiu de Odessa para [[Moscou]] para estudar com o grande pianista e pedagogo [[Heinrich Neuhaus]]; ele não havia feito o exame para o ingresso no Conservatório, apenas perguntou para Neuhaus se ele poderia ser seu tutor. Após Neuhaus ouvi-lo tocar, ele declarou: "Aqui está o aluno que estive esperando durante toda minha vida. Na minha opinião, um gênio". Neuhaus declarou ainda que ele nada tinha a ensinar a Richter, mas mesmo assim o aceitou como seu pupilo.
 
Em 26 de novembro de [[1940]], quando ainda era um estudante do [[Conservatório de Moscou]], Richter fez a sua estreia na cidade. Em sua primeira apresentação para o público, ele interpretou a [[Sonata]] No. 6 de [[Prokofiev]], que causou uma grande impressão da plateia e do próprio compositor. Quando Prokofiev acabou de escrever a sua Sétima Sonata, em [[1942]], ele a deu para Richter estrear. Em janeiro do ano seguinte, Richter a executou, sendo que aprendeu essa peça complexa em apenas 4 dias. A partir daí, nasceu uma amizade que duraria até a morte de Prokofiev, em 5 de março de [[1953]]; Richter também estreou as últimas Sonatas No. 8 e 9 de Prokofiev, os quais foram dedicados pelo compositor ao pianista.
 
A primeira vitória em competições aconteceu em [[1945]], no "Encontro dos Estudantes da União (Soviética)". O júri era encabeçado pelo compositor [[Dmitri Shostakovich]], que mais tarde escreveu: "Richter é um fenômeno extraordinário. Toda arte musical é acessível para ele".
 
Em [[1949]], Richter venceu o [[Prêmio Stalin]], recebendo todos os tipos de reconhecimentos não-oficiais do governo soviético.
Por causa do seu sucesso, Richter passou a ser muito solicitado para apresentações e gravações. Ele viajou pelo mundo todo e atuou nas orquestras mais importantes, mas rapidamente decidiu que não queria continuar com este estilo de vida. Estava contra a sua natureza assumir compromissos com anos de antecipação. Ele preferiu seguir a sua intuição e assim explorar novos repertórios.
 
Em [[1964]], a família [[van de Velde]], Richter e o produtor de gravação da [[EMI]], [[Jacques Leiser]], criaram um festival anual na [[França]], [[Fêtes Musicales en Touraine]] em [[Meslay]]. Assim, Richter deveria passar cada verão em companhia francesa para dar alguns recitais com seus colegas músicos, como [[Benjamim Britten]], [[David Oistrakh]] e [[Pierre Fournier]]; Richter gostava tanto da [[França]] que passou cerca de trinta verões ali.
 
Nos tempos livres, Richter dedicava-se à pintura. Pintou algumas explêndidas aquarelas. Richter não era apegado a bens materiais, sendo que doou dezenas de seus quadros ao [[Museu Pushkin]], no qual atualmente se encontram na [[Sala Richter]]. Richter viveu uma vida precária e segundo [[Francis van de Velde]], "quando ele necessitava de dinheiro, ele dava um concerto". Certa vez, disse que "a música deve ser dada de graça àqueles que a amam", mas logo completou: "os empresários não vão gostar da idéia".
Nas obras de [[Beethoven]], [[Brahms]], [[Scriabin]] ou [[Shostakovich]], encontra-se sempre o pensamento e a voz do compositor nas interpretações de Richter. Nenhum outro pianista foi tão apto e flexível para entrar em contato com a essência de obras tão diferentes em si.
 
Seu conceito sobre a função do intérprete era utópico. Richter acreditava na tese de que o pianista, ao invés de "contaminar" a música com sua personalidade, deveria ser o mero espelho da partitura e incorporar as intenções emocionais do compositor.
 
Richter tinha uma excelente capacidade de [[leitura à primeira vista]], além de possuir uma memória extraordinária, e podia tocar imediatamente peças que ele nunca ouvira antes; possuía um repertório que incluia 80 programa de recitais e que, somente na temporada de [[1978]]-[[1979]], realizou 200 concertos, executando 226 peças. Em [[1980]], Richter sofreu embaraçosos lapsos de memória em público durante concertos no [[Japão]] e na [[França]] e, desde então, passou a sempre tocar com uma [[partitura]] à vista.
 
Richter possui um vasto repertório; possui gravações de obras de diversos compositores, como [[Bach]], [[Haydn]], [[Stravinsky]], [[Hindemith]], [[Rachmaninov]], [[Schubert]], [[Beethoven]], [[George Gershwin|Gershwin]]. No entanto, ele era muito seletivo; por exemplo, nunca tocou o [[Concerto para Piano No 3]] de [[Rachmaninov]] e nem o [[Concerto para Piano No 5]] de Beethoven, pois em ambos os casos, ele dizia que já havia outros intérpretes que as tocaram tão bem que nessas obras ele nada iria acrescentar de novo. Richter também não tocou todas as [[Sonatas]] de [[Beethoven]], nem todos os [[Estudos (música)|Estudos]] de [[Chopin]] e nem os [[Prelúdio]]s de [[Rachmaninov]]. Ao mesmo tempo, ele se dedicava no estudo de obras menos populares que, segundo ele, mereciam atenção. Talvez os melhores exemplos são as Sonatas de [[Schubert]]: Richter interpretou a maioria delas numa época em que poucos pianistas as tinham feito. Ele também interpretou algumas Sonatas de [[Haydn]], obras comumente desconhecidas, para a surpresa e delírio de sua plateia.
 
Richter não gostava de fazer gravações e normalmente as fazia durante a noite; gravava longas tomadas e refazia movimentos completos ao invés de fazê-las em sessões menores. Embora Richter tenha feito inúmeras gravações em estúdio, as melhores interpretações vieram de sua performance com platéia. Entre elas, podemos destacar a "Pictures at an Exibition" de [[Mussorgsky]] tocada em [[Sofia]], [[Bulgária]] (apesar da baixa qualidade sonora e dos ruídos do auditório), o programa dedicado a [[Scriabin]] em [[Varsóvia]], as Sonatas completas para [[violoncelo]] e piano de [[Beethoven]], executadas com o violoncelista [[Mstislav Rostropovich]], tocadas em [[Edimburgo]]. Suas gravações de estúdio eram mais formais e precisas, mais apropriadas para ouvir diversas vezes, porém nelas se encontra menos excitação e não existe a sensação de risco que a gravação em público proporcionava. Também podemos destacar a sua interpretação das primeiras gravações do [[Concerto para Piano n.º 1 (Tchaikovsky)|Concerto para Piano n.º 1]] de [[Tchaikovsky]], sua versão cheia de força do [[Concerto para Piano n.º 1] (Prokofiev)|] de Prokofiev, e sua deslumbrante interpretação do [[Estudo Transcendental]] de [[Liszt]].
* [http://www.imdb.com/title/tt0180096/ Bruno Monsaigeon, The Enigma (film biography of Richter)]
 
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[[Categoria:Pianistas da Ucrânia]]