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Em 572, [[Alboíno]] foi assassinado em [[Verona]], vítima de uma trama orquestrada por sua esposa, Rosamunda, que posteriormente fugiu para [[Ravena]]. Seu sucessor, [[Clefo]], também foi assassinado após um cruel reinado de dezoito meses. Sua morte deu início a um [[interregno]] de anos, o "[[Domínio dos Duques]]", durante o qual os [[Duque (lombardos)|duques]] não elegeram rei algum, e que é considerado um período de violência e desordem. Em 584, ameaçado por uma invasão franca, os duques elegeram rei o filho de Clefo, [[Autário]]. Em 589, Autário se casou com [[Teodelinda]], filha do [[duque da Bavária]], [[Garibaldo I da Bavária|Garibaldo]]. Teodolinda, católica, era amiga do [[Papa Gregório I]], e pôs em prática a cristianização do reino. Ao mesmo tempo, Autário iniciou uma política de reconciliação interna e tentou reorganizar a administração real. Os duques cederam metade de suas propriedades para a manutenção do rei e de sua corte em Pávia. No campo das relações exteriores, Autário conseguiu romper a perigosa aliança entre os bizantinos e os francos.
 
Autário morreu em 591 Seu sucessor foi [[Agilulfo]], duque de [[Turim]], que em 591 casou-se com a mesma Teodolinda. Agilulfo conseguiu vencer os duques rebeldes do norte da Itália, conquistando [[Pádua]] (601), [[Cremona]] e [[Mântua]] (603), e forçando o [[exarca de Ravena]] a lhe pagar pesados tributos. Agilulfo morreu em 616 e Teodelinda reinou sozinha até 628}, sendo sucedida por [[Adaloaldo]]. [[Arioaldo]], que havia se casado com a filha de Teodelinda, Gundeberga, e chefe da oposição ariana, acabou por depôr Adaloaldo posteriormente.
 
Seu sucessor foi [[Rotário]], tido por muitas autoridades como o mais energético de todos os reis lombardos. Rotário estendeu seus domínios, conquistando a [[Ligúria]] em 643 e parte que restava dos territórios bizantinos do [[Vêneto]] interior, incluindo a cidade romana de [[Opitérgio]] ([[Oderzo]]). Rotário também fez o célebre [[édito]] que leva o seu nome, o [[Édito de Rotário]], que estabelecia em [[latim]] as leis e os costumes de seu povo; o édito não se aplicava aos tributários dos lombardos, que podiam manter suas próprias leis. O filho de Rotário, [[Rodoaldo]], o sucedeu em 652, ainda muito jovem, e foi morto pela facção católica.
[[Imagem:0492 - Pavia - S. Pietro - Tomba di Liutprando - Foto Giovanni Dall'Orto, Oct 17 2009.jpg|thumb|upright=0.9|Tumba de [[Liutprando (rei lombardo)|Liutprando]], na Basílica de São Pedro, em [[Pávia]]]]
 
As disputas religiosas permaneceram sendo uma fonte de conflito nos anos seguintes. O reino lombardo começou a se recuperar apenas sob [[Liutprando, o Lombardo|Liutprando]] (rei a partir de 712, filho de [[Ansprando]] e sucessor do brutal {{lknb|Ariperto|II}}. Liutprando conseguiu reconquistar um centro controle sobre Espoleto e Benevento, e, aproveitando-se das desavenças entre o papa e o [[Império Bizantino|Bizâncio]] em relação à [[Iconoclasmo|reverência aos ícones]], anexou o [[Exarcado de Ravena]] e o ducado de [[Roma]]. Também ajudou o marechal franco, [[Carlos Martel]], a rechaçar os [[árabes]]. Seu sucessor, [[Astolfo]], conquistou Ravena para os lombardos pela primeira vez, porém foi derrotado subsequentemente pelo rei dos francos, {{lknb|Pepino|III}}, convocado pelo papa, e teve de abandoná-la. Com a morte de Astolfo, [[Rachis]] tentou novamente ser rei da Lombardia, sendo deposto no mesmo ano.
 
Após a derrota de Rachis, o último lombardo a governar como rei foi [[Desidério]], duque da Toscana, que conseguiu conquistar Ravena definitivamente, pondo um fim à presença bizantina no norte da Itália. Desidério decidiu reiniciar os conflitos com o papa, que estava apoiando os duques de [[Ducado de Espoleto|Espoleto]] e [[Ducado de Benevento|Benevento]] contra ele, e invadiu Roma em 772, o primeiro rei lombardo a fazê-lo. Quando o [[Papa Adriano I]] convocou a ajuda do poderoso rei [[Carlos Magno]], Desidério foi derrotado em [[Susa (Itália)|Susa]] e sitiado em [[Pávia]], enquanto seu filho [[Adalgis]] foi obrigado a abrir as portas de [[Verona]] para as tropas francas. Desidério se rendeu em 774, e Carlos Magno, numa decisão sem precedentes, adotou o título de "Rei dos Lombardos"; até então os reinos germânicos frequentemente conquistavam-se uns aos outros, porém nenhum conquistador havia adotado o título de rei de outro povo. Carlos Magno então separou parte do território lombardo e transformou-o nos [[Estados Papais]].
Carlos Magno enviou um exército, e seu filho [[Luís, o Piedoso]] também enviou tropas, para tentar forçar o duque de Benevento à submissão, que eventualmente foi aceita. Apesar disso, Aragis e seus sucessores permaneceram independentes ''de facto'', com a única peculiaridade que os duques de Benevento passaram a adotar o título de "príncipe" (''princeps'') no lugar de "rei" (''rex'').
 
Os lombardos da Itália meridional ficaram a partir de então na posição anômala de dominar terras disputadas por dois impérios: o [[Império Carolíngio]], a norte e oeste, e o [[Império Bizantino]], a leste. Apesar das frequentes promessas e garantias de tributo feitas aos carolíngios, permaneceram efetivamente fora do controle franco. Enquanto isso, Benevento cresceu até atingir sua extensão máxima, chegando a impor tributos sobre o [[Ducado de Nápoles]], que continuava leal aao BizâncioImpério Bizantino, e até mesmo chegou a conquistar a cidade napolitana de [[Amalfi]], em 838 A uma determinada altura no reinado de [[Sicardo de Benevento|Sicardo]], o domínio lombardo se estendeu por quase a totalidade do sul da Itália, com exceção da extremidade meridional da [[Apúlia]] e da [[Calábria]] e de Nápoles e suas cidades associadas.
 
Durante o {{séc|IX}}, uma forte presença lombarda conseguiu se entrincheirar na região até então predominantemente [[Gregos|grega]] da Apúlia. Sicardo, no entanto, deixou o sul da península aberto às invasões dos [[sarracenos]] durante sua guerra contra [[André II de Nápoles]]. Quando Sicardo foi assassinado em 839, Amalfi declarou sua independência e duas facções passaram a disputar o poder em Benevento, o que arruinou o principado e tornou ainda mais suscetível a inimigos externos.