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Inocêncio também lançou as bases jurídicas que permitiriam posteriormente a fundação da [[Inquisição|Inquisição pontifícia]]{{sfn|Lindberg|2008|p=132}} por seu sobrinho, o Papa Gregório IX, em 1231. Inocêncio criou uma instituição antecessora da Inquisição propriamente dita, conhecida como "Inquisição dos legados pontifícios" em 1199 pela bula ''Vergentis in senium''.{{sfn|Rust|2012|p=143}} Inocêncio determinou que funcionários nomeados pelo papa (os "[[Legado papal|legados pontifícios]]"), escolhidos normalmente entre os membros da [[Ordem Cisterciense]], seriam enviados temporariamente para julgar e condenar hereges onde os bispos não estavam trabalhando apropriadamente na extermínio da heresia.{{sfn|Rops|2012|p=607}} Posteriormente, o Cânon 3 do IV Concílio de Latrão de 1215, redigido por Inocêncio, tornou obrigatório que todos os hereges identificados numa região fossem entregues aos poderes públicos, onde caso não se arrependessem, teriam seus bens confiscados e sofreriam várias punições.{{sfn|Rops|2012|p=607}} Esses documentos escritos por Inocêncio, porém, dão ênfase a punições anti-heréticas de caráter patrimonial (confisco de bens, expulsão de cargos públicos e exílio), e não aplicam a pena de morte originalmente.{{sfn|Rust|2012|p=144}}
 
De fato, o historiador brasileiro especialista no papado, [[Leandro Duarte Rust]], aponta que é um erro considerar Inocêncio o fundador de uma nova forma de repressão dentro da Igreja e da Europa, pois a Inquisição estabelecida pela ''Vergentis in senium'' surgiu justamente como um mecanismo para refrear a violência socialmente difundida contra os hereges, e conceder um processo jurídico justo para seu julgamento.{{sfn|Rust|2012|p=143-144}} Antes de Inocêncio era comum senhores e monarcas como [[Afonso II de Aragão]] sentenciarem a morte hereges sem qualquer julgamento. Dessa forma, além de instituir um tribunal e um processo legal para julgar os hereges, Inocêncio também não incluiu na sua legislação anti-herética a pena de morte (nem mesmo a pena pela fogueira), mas apenas punições patrimoniais, o que dificultou a condenação a morte de hereges durante seu reinado.{{sfn|Rust|2012|p=144}} De fato, Inocêncio era abertamente contra a pena de morte aplicada aos hereges, e em 1209 no decreto ''Novimus dice'' ordenou que a Igreja intercedesse a favor da vida do réu em caso de condenação.{{sfn|Llorca|Garcia-Villoslada|Laboa|2012|p=742}} A "Inquisição pontifícia" de fato, fundada por Gregório IX, transformou a Inquisição em um tribunal permanente, fundindo a ideia de Inocêncio de um tribunal independente dos bispos e que recorre a punições do Estado, somente aí então, adotando a pena morte.
 
A concepção de poder dos papas e a [[teologia política]] de Inocêncio, por sua vez, será defendida ferozmente pelos papas que o sucederam, e, apesar das mudanças históricas, sobreviverá na mente do papado e da hierarquia da Igreja até o {{séc|XIX}} e XX, durando, portanto, em torno de 700 anos.{{sfn|Costa|2017|p=132}} Assim, por exemplo, quando o [[Papa Alexandre VI]], em 1493, divide as [[América]]s entre Portugal e Espanha (ato predecessor do [[Tratado de Tordesilhas]]) ou o [[Papa Pio V]] depõe a rainha [[Isabel I de Inglaterra|Isabel I da Inglaterra]], em 1570, esses pontífices estavam seguindo a ideia de poder papal de Inocêncio.{{sfn|Costa|2017|p=132}}