Diferenças entre edições de "Dublinenses"

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[[James Joyce]] começou a escrever os contos que compõem os ''Dublinenses'' entre 1903 e 1904, enquanto trabalhava também as primeiras versões de ''Um retrato do artista quando jovem'', que seriam publicadas numa revista mensal irlandesa, ''Dana''. Em junho de 1904, Joyce conheceu quem seria sua futura esposa, Nora Barnacle, com quem deixou a [[Irlanda]] para se instalar na Europa Continental. Em 1905, Joyce e Nora se mudaram para Trieste, no norte da [[Itália]], onde o autor escrevia as primeiras versões dos contos.
 
Em outubro do mesmo ano, Joyce havia completado um conjunto de doze contos que se chamariam ''Os dublinenses'', e apresentou-os a várias editoras, que recusaram publicá-los. Joyce também apresentou sua coletânea para a editora londrina de Grant Richards, que embora tenha considerado o livro bom, pensou que não faria sucesso no mercado uma vez que tratava da Irlanda. Em 20 de fevereiro de 1906, contudo, Joyce e Richards fizeram um acordo, com Joyce acrescentando uma décima terceira história à coletânea (''Two Gallants''). Esse último conto, contudo, foi considerado demasiado obsceno pelos editores, que pediram que Joyce fizesse algumas alterações em ''Two Gallants'', assim como em ''Counterparts'', se possivel suprimindo ''An Encounter''. Joyce defendeu sua liberdade artística de expressão em negociações posteriores, mas não conseguiu convencer Richards, que lhe enviou as provas de volta no dia 26 de outubro, alegando que seria melhor para a reputação de ambos não publicá-las.<ref>{{Citar web |url=http://books.google.com.br/books?id=-f0IAQAAIAAJ&q=dublinenses+contos&dq=dublinenses+contos&hl=pt-BR&ei=tmWuTbHUJ4Hu0gGmodmxCw&sa=X&oi=book_result&ct=result&resnum=3&ved=0CDEQ6AEwAg|título= Joyce, o Romance como forma: ensaio| língua= |autor= Assis Brasil |data= |acessodata=}}</ref>.
 
Em 1909, Joyce tentou publicar seu livro junto a uma editora irlandesa especializada na publicação de novos textos irlandeses. Um dos diretores da firma, contudo, achou as menções a [[Eduardo VII]] em um dos contos preocupante, levando as negociações a um impasse que culminou, em 1911, com Joyce publicando uma carta à imprensa irlandesa na qual expunha suas dificuldades para imprimir os dublinenses. Em setembro de 1912, os editores irlandeses se recusaram terminantemente a publicar a obra de Joyce, com medo de sofrerem represálias pelo conteúdo dos contos.
* Graça (Grace).
* Os mortos (The Dead).<ref>{{Citar web |url=http://www.sebosonline.com/produto_detalhes.aspx?ProdutoID=11896805|título= Dublinenses
| língua= |autor= James Joyce |data= |acessodata=}}</ref>.
 
== Estilo e análise literária ==
 
Joyce dizia que pretendia escrever “um capítulo da história moral de meu país” ao escrever os ''Dublinenses''.<ref>{{Citar web| url=http://www.nytimes.com/books/00/01/09/specials/joyce-gorman.html|título= The man who wrote ‘Ulysses’| língua= |autor= Horace Reynolds|data= 18 de fevereiro de 1940 |acessodata=}}</ref>. Segundo ele, seus contos ofereciam ao irlandês um olhar sobre si mesmo, na forma de “um espelho bem polido”, imagem clássica da abordagem realista.<ref>{{Citar web| url=http://findarticles.com/p/articles/mi_m2455/is_n3_v32/ai_19517917/ | título= Interactive Stories in “Dubliners”| língua= |autor= David G. Right|data= 18 de fevereiro de 1940 |acessodata=}}</ref> Com efeito, o estilo do narrador dos ''Dublinenses'' é o de um realismo neutro, não dizendo ao leitor o que pensar e evitando o uso de linguagem emotiva. No entanto, ao mesmo tempo em que a escrita demonstra uma preocupação com a verossimilhança das estórias, sendo rica em detalhes, parece também querer explorar ao máximo o potencial simbólico de cada imagem e palavra que insere nos textos. Essa característica, marcante na obra de Joyce, é apontada de forma recorrente pelos críticos: a jovem Eveline conhece seu amante de pé, diante da porta de seu alojamento, ao invés de tê-lo conhecido em qualquer outra parte de Dublin, provavelmente porque este homem representa um "portal" para uma nova vida. A data de morte do padre Flynn em ''As irmãs'' (primeiro de julho de 1895) não é mera coincidência, já que o dia primeiro de julho é a festa do preciosíssimo sangue de nosso Senhor e [[1895]] o centenário do mais importante seminário Católico da [[Irlanda]].<ref>{{Citar web| url=http://dubliners.wikispaces.com/ | título= “The Sisters” |língua= |autor= |data= |acessodata=}}</ref>
 
Um dos recursos utilizados por Joyce nos ''Dublinenses'' é o [[discurso indireto livre]]. Frequentemente, em sua obra, a fala do narrador se confunde com o pensamento das personagens, como nas primeiras linhas de ''Os mortos'', quando se diz “Lily, a filha do zelador, estava literalmente esgotada.” A personagem não está “literalmente” esgotada, e nem foi intencionalmente descrita pelo autor como tal. Na verdade, a narrativa assume a linguagem da personagem, apropriando-se de um uso incorreto que lhe é característico.<ref>{{Citar web| url=http://www.amazon.com/Joyces-Voices-Hugh-Kenner/dp/0520039351| título=Joyce’s Voices |língua= |autor= Hugh Kenner|data= |acessodata=}}</ref>
{{Referências}}
 
== {{LinksLigações externos}}externas ==
* {{Link|pt|2=http://www.ufrgs.br/proin/versao_2/joyce/index01.html|3= Alguns Contos de James Joyce.}}