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|combatente1 = {{IOb}} [[Império Otomano]]<br />[[Imagem:Mameluke Flag.svg|23px|borda]] [[Mamelucos]]<br />[[Imagem:Union flag 1606 (Kings Colors).svg|23px|borda]][[Reino da Grã-Bretanha|Grã-Bretanha]]
|combatente2 = {{FRAb}} [[Primeira República Francesa]]
|comandante1 = [[Imagem:Mameluke Flag.svg|23px|borda]] [[MuradMurade BeyBei]]<br />[[Imagem:Mameluke Flag.svg|23px|borda]] [[IbrahimIbraim BeyBei]]<br />{{IOb}} [[Selim III]]<br />{{IOb}} [[Mustafa Pasha]]<br />{{IOb}} [[Jezzar Pasha]]<br />[[Imagem:Union flag 1606 (Kings Colors).svg|23px|borda]] [[William Sidney Smith]]<br />[[Imagem:Union flag 1606 (Kings Colors).svg|23px|borda]] [[Ralph Abercrombie]]
|comandante2 = {{FRAb}} [[Napoleão Bonaparte]]<br />{{FRAb}} [[Jean Batista Kleber]] †<br />{{FRAb}} [[Thomas-Alexandre Dumas]]<br />{{FRAb}} [[Jacques-François Menou]] {{Rendição}}
|força1 = {{IOb}} 220 000 (incluindo 80 000 egípcios)<br />[[Imagem:Union flag 1606 (Kings Colors).svg|23px|borda|link=Reino da Grã-Bretanha]] 30 000
No ataque a Alexandria foram feridos os generais Kléber e Menou, embora sem gravidade. Estes oficiais ficaram a comandar as guarnições francesas colocadas em Alexandria e Roseta, respectivamente. O comando das suas divisões foi entregue aos generais [[Charles Dugua]] e [[Honoré Vial]]. A próxima etapa era a conquista do Cairo. Para evitar a passagem de todo o exército em terrenos onde não tinha espaço para manobrar, Napoleão decidiu marchar em duas colunas, de Alexandria até Rahmaneya, na margem esquerda do Nilo, e daí para o Cairo. Uma coluna formada pelas divisões de infantaria de Desaix, Reynier, Vial e Bon, mais um corpo de 300 cavaleiros, seguiu em direção a Damanhour e, daí, para Rahmaneya. Foi uma viagem muito dura, devido ao terreno arenoso, à falta de água, aos uniformes impróprios para aquele clima e à constante ameaça dos Beduínos sobre qualquer um que se separasse da força em que seguia. Houve combates em Damanhour. Dugua seguiu para Roseta com a sua divisão, os elementos de cavalaria que não tinham montadas e toda a artilharia. A coluna de Dugua era acompanhada por uma flotilha de embarcações, em que foram instaladas bocas-de-fogo de artilharia e que assegurava o transporte de bagagens e muitos equipamentos. As duas colunas reuniram-se em Rahmaneya, a 12 de Julho.
 
Em Rahmaneya, Napoleão teve conhecimento de que uma força de Mamelucos, formada por um corpo de cavalaria com cerca 5.000 homens, sob o comando de MuradMurade BeyBei, se encontrava em Chobrakit. Assim que a divisão de Dugua se aproximou de Rahmaneya, Napoleão avançou ao encontro das tropas mamelucas. O confronto deu-se no dia seguinte e, embora não fosse uma batalha importante, deixou demonstrada a superioridade da força francesa, no que respeitava a poder de fogo e disciplina. A superioridade do elemento fogo, dos Franceses, bem como da sua disciplina em combate, sobrepôs-se à superioridade dos elementos choque e movimento, dos Mamelucos (Ver o artigo [[Elementos Essenciais do Combate]]).
 
[[Imagem:Louis-François Baron Lejeune 001.jpg|thumb|esquerda|400px|Batalha das Pirâmides; óleo sobre tela de Louis-François Baron Lejeune, 1808, Musée National des Châteaux de Versailles.]]
 
No dia a seguir à vitória sobre os Mamelucos em Chobrakit, a 13 de Julho, Napoleão marchou em direção ao Cairo. As forças egípcias estavam divididas em dois corpos: um sob o comando de [[IbrahimIbraim BeyBei]], no Cairo e arredores; outro sob o comando de [[MuradMurade BeyBei]], na margem esquerda do Nilo, na planície entre Guizé e Imbaba. Foi com esta força que os Franceses se defrontaram, no dia 21 de Julho, naquela que ficou conhecida como a [[Batalha das Pirâmides]]. Ao fim do dia, o exército de MuradMurade BeyBei estava em fuga para o Alto Egito e o de IbrahimIbraim BeyBei em direção ao istmo de Suez. No dia 22 uma força militar francesa entrava no Cairo. Napoleão entrou na cidade a 24 de Julho.
 
[[Imagem:Seeschlacht bei Abukir.jpg|thumb|direita|300px|Com a Batalha do Nilo (também chamada Batalha Naval de Abukir) os Franceses perderam a maior parte da frota que garantia a sua linha de comunicações com o Sul de França.]]
 
O Egito ainda não estava conquistado. Apenas a região do Delta tinha caído em poder dos Franceses. Sem dúvida a mais importante, mas o Alto Egito abrigava as forças ainda muito consideráveis de MuradMurade BeyBei. O General Desaix foi encarregue de perseguir e neutralizar ou destruir as forças de MuradMurade BeyBei. A perseguição estendeu-se até onde o Nilo era navegável, isto é, até à Primeira Catarata. Registaram-se vários combates e MuradMurade BeyBei foi obrigado a uma fuga constante das tropas francesas. O seu exército acabou, em grande parte, por ser disperso e, pelo menos durante algum tempo, não constituiu um perigo apreciável para o domínio francês.
 
No entanto, os Franceses não tiveram apenas de enfrentar os exércitos de MuradMurade BeyBei e IbrahimIbraim BeyBei. A frota britânica, sob o comando de Horatio Nelson, surpreendeu os Franceses em Aboukir. A batalha naval que se seguiu, a 1 de Agosto, ficou conhecida como [[Batalha do Nilo]] e o resultado foi a destruição de grande parte da frota francesa. O Exército do Oriente ficou encurralado no Egito, pois os Franceses perderam a capacidade de manter a linha de comunicações com o Sul de França.<ref>Solé, pp. 120 a 132.</ref> Por outro lado, as relações entre a França e o Império Otomano estavam, há muito, deterioradas. A invasão do Egito foi a gota de água que levou o Sultão a aproximar-se dos Britânicos e a declarar guerra à França, a 2 de Setembro de 1798{{nota de rodapé|9 de Setembro segundo Robert Solé, contra o que se encontra indicado nas restantes obras consultadas.}}. Neste sentido, começou a ser preparado um exército na [[Síria otomana|Síria]], que tinha como destino o Egito e como objectivo repor a soberania otomana. Para além da declaração de guerra, houve um apelo à [[guerra santa]], que mobilizou muitos árabes em apoio dos Egípcios e provocou numerosas revoltas. A mais importante destas revoltas foi a que se verificou no Cairo, a 21 de Outubro, e foi reprimida com grande violência. Foi durante estes acontecimentos que o General Dubuy foi mortalmente ferido.<ref>Solé, pp. 161 a 167; Harvey, pp. 298 e 301 a 304.</ref>
 
=== Incursão na Palestina e na Síria ===
Após o regresso ao Egito, Napoleão empenhou-se em reorganizar rapidamente o seu exército. Britânicos e Turcos preparavam uma ofensiva a Oriente (istmo de Suez) e um desembarque a Norte (costa mediterrânica). Napoleão escreveu ao Diretório a pedir reforços, mas sabia que os Britânicos dominavam o Mediterrâneo e a sua correspondência nem sempre chegava ao destino. Num despacho de 28 de Junho de 1799, dirigido ao Diretório, Napoleão afirmava que, se não lhes fosse possível enviarem os socorros que ele solicitou, então seria necessário fazer a paz.<ref>Solé, pp. 284 e 285.</ref>
 
MuradMurade BeyBei reapareceu. Os Franceses reagiram e as tropas mamelucas refugiaram-se novamente no Alto Egito. Sem capacidade para derrotar os Franceses, não deixavam de ser uma ameaça permanente, que os obrigava a dispersar forças. No dia 15 de Julho, Napoleão teve conhecimento de que uma frota britânica, que transportava um exército turco, se aproximou da costa mediterrânica e decidiu ir ao seu encontro com o máximo de forças disponíveis. As tropas francesas reuniram-se em Rahmaneya e aguardaram até saberem onde se daria o desembarque. Entretanto, os Turcos desembarcam em Abukir, consolidam ali as suas posições e, dia após dia, foram reforçados. Napoleão decide passar ao ataque e, no dia 25 de Julho, na [[Batalha de Abukir (1799)|Batalha de Abukir]], as tropas turcas sofrem uma derrota esmagadora. Os sobreviventes refugiaram-se no forte e resistiram até 2 de Agosto. O controlo do Egito estava assegurado, para os Franceses, por mais algum tempo.<ref>Solé, pp. 286 a 293; Chandler, p. 2; Connelly, p. 103.</ref>
 
A instabilidade política em França agravava-se. O Diretório tinha cada vez mais dificuldade em controlar a situação. A Guerra da [[Segunda Coligação]] também não estava a correr a favor dos Franceses. Depois da Batalha de Abukir, Napoleão mandou preparar duas pequenas embarcações para o transportarem a ele e a alguns dos seus subordinados até França. No dia 14 de Agosto, depois de entregar o comando do Exército do Oriente ao General Kléber, Napoleão partiu para França, onde chegou após uma viagem de seis semanas, em que conseguiu iludir a frota britânica. Napoleão desembarcou em [[Fréjus]] a 9 de Outubro de 1799 e dirigiu-se para Paris, onde já tinham chegado as notícias da vitória em Abukir. Não teve qualquer escrúpulo em abandonar o seu exército no Egito. O seu objectivo agora era “salvar” a França, isto é, assumir o poder e ganhar a guerra (da Segunda Coligação). Mais tarde, poderia preocupar-se com as suas tropas no Egito.<ref>Connelly, ''The Frensh Revolution and Napoleonic Era'', p. 197; Solé, pp. 299 a 309.</ref>
[[Imagem:Guerin general Jean-Baptiste Kleber.JPG|thumb|esquerda|250px|O General Jean-Baptiste Kléber substituiu Napoleão Bonaparte no comando do Exército do Oriente.]]
 
Reunida a assembleia egípcia, o [[Divã (instituição)|divã]], Maomé Aga apresentou duas decisões do [[Grão-Vizir]]: ele (Maomé Aga) ficou responsável pelas alfândegas e foi ordenada uma colecta para financiar a partida dos Franceses. Entretanto, pequenos grupos de soldados turcos foram entrando no Cairo. Comportavam-se como conquistadores e não como libertadores. O descontentamento aumentou e Kléber acabou, a 5 de Abril, por conseguir um aliado: MuradMurade BeyBei. Por outro lado, a Convenção de Alarixe não tinha sido assinada pelos Britânicos. Lord Keith, comandante em chefe das forças britânicas no Mediterrâneo, informou Kléber que o governo britânico só aceitaria uma capitulação das forças francesas no Egito se estas depusessem as armas, se entregassem como prisioneiros de guerra e entregassem aos Britânicos e Turcos todos os navios, munições e armas do porto e cidade de Alexandria. Kléber não conseguiu o apoio dos Turcos contra as pretensões britânicas e não aceitou estas condições. A 19 de Março, enviou uma carta ao Grão-Vizir, afirmando que a Convenção de Alarixe não podia ser aplicada e, portanto, deviam considerar-se em estado de guerra. No dia seguinte, cerca de 12.000 Franceses enfrentaram uma força de cerca de 40.000 Mamelucos, Beduínos e ''Fellahin'' na [[Batalha de Heliopolis (1800)|Batalha de Heliopolis]] ou de Matarieh, que foi uma vitória francesa. O Grão-vizir Youssef Pasha refugiou-se na Síria e uma parte das tropas turcas refugiou-se no Cairo.<ref>Solé, pp. 342 a 346; Smith, p. 178.</ref>
 
Em muitas cidades, e especialmente no Cairo, surgiram revoltas, não só contra os Franceses, mas contra todos os Cristãos. O General Belliard reocupou Damieta e, de igual forma, foram reocupadas outras povoações. No dia 5 de Abril, Kléber e MuradMurade BeyBei fazem um acordo: o chefe Mameluco foi reconhecido como príncipe governador do Alto-Egito e, em troca, pagava um tributo à República Francesa. No dia 15 de Abril foi feito um ataque a Boulaq, o porto do Cairo. No dia 18 foi feito o ataque ao Cairo. A resistência foi forte e as baixas elevadas. Quando terminaram os combates, mais de 400 casas estavam calcinadas. Yassouf Pasha e IbrahimIbraim BeyBei renderam-se no dia 20 de Abril. Otomanos e Mamelucos evacuaram a cidade no dia 25 de Abril. Dois dias depois, Kléber fez uma entrada triunfal no Cairo.<ref>Solé, pp. 345 a 360.</ref> No dia 14 de Junho de 1800, no entanto, Kléber foi assassinado por um homem de 24 anos, Solimão, natural de Alepo.<ref>Solé, pp. 370 e 371.</ref>
 
Com a morte de Kléber, o comando do Exército do Oriente passou para o General Menou. Seguiu-se um período de paz, dedicado à reorganização civil e militar. As relações entre a sociedade egípcia e os Franceses melhoraram consideravelmente.<ref>Solé, pp. 395 a 402.</ref>
[[Imagem:Jacques-François Menou General.jpg|thumb|direita|250px|O General Jacques-François Menou substituiu o General Kléber após a morte deste em 14 de Junho de 1800.]]
 
No Cairo, a notícia da derrota levou Belliard a tomar medidas defensivas. Para além de muitos problemas, surgiu um surto de peste bubónica. Os franceses foram agrupados na cidadela e nos fortes. Para lá foram transportados todos os documentos do estado-maior e as coleções dos membros da Comissão das Ciências e das Artes. Cerca de 50 destes membros deixaram o Cairo no dia 6 de Abril e dirigiram-se para Alexandria, a fim de embarcarem para França. Os britânicos avançaram lentamente, pois aguardavam reforços. No dia 8 de Maio, um exército otomano, vindo da Síria, ocupou Belbeis. Tropas britânicas, vindas da Índia, desembarcaram em Qosseir e em Suez. MuradMurade BeyBei morreu de peste e os Franceses não puderam contar com o apoio do seu sucessor. Britânicos e Otomanos organizaram o bloqueio ao Cairo. Os Franceses dispunham de cerca de 11.000 combatentes e víveres e munições para resistirem dois meses, mas Belliard não desejava manter uma situação que sabia estar perdida. Reuniu um conselho de guerra e a maioria dos intervenientes considerou que não seria razoável resistir.<ref>Solé, pp. 441 a 443.</ref>
 
Foi negociada uma capitulação, assinada em 27 de Junho de 1801, em termos mais favoráveis do que aqueles que o general Kléber tinha recusado. Nos termos do acordo estabelecido, os Franceses deviam abandonar o Cairo no espaço de 50 dias, com armas e bagagens. Seriam transportados para França em dez navios britânicos. Os habitantes do Egito que decidissem acompanhar os Franceses, eram livres de o fazer. No dia 14 de Julho, cerca de 13.500 Franceses deixaram o Cairo, acompanhados de 438 [[Coptas]], 221 Gregos e cerca de 100 Sírios e outros que tinham colaborado com eles. A urna do General Kléber foi colocada numa embarcação, com toda a solenidade. Estavam presentes todas as tropas disponíveis e foram executados tiros de salva de artilharia dos Franceses, dos Britânicos e dos Turcos.<ref>Solé, pp. 443 a 445.</ref>