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Além da pesquisa requisitou-se a participação das escolas como instrumentos de preservação e disseminação do folclore, acreditando-se que o caráter intervencionista e "artificial" dessa medida seria compensado pelas possibilidades de vivência "real" do folclore nas festas e brincadeiras infantis, fomentando a inclusividade, o engajamento na defesa de tradições ameaçadas e a formação de um senso de "fraternidade folclórica", como queriam Renato Almeida e outros que viam o movimento quase como uma missão sagrada. O movimento folclórico brasileiro produziu enfim um projeto paradoxal de ciência, na qual não havia diferença marcante entre leigo e cientista, entre objeto e sujeito, entre participação efetiva e observação impessoal.<ref name="Travassos"/> Essas ideias e posturas tinham seus riscos e contradições, e deram margem a críticas que alegavam que a interferência ativa do Estado na interpretação e no fomento do folclore servia como uma cortina de fumaça para esconder problemas sociais apresentando-os como realidades folclóricas.<ref>Da Matta, Roberto. [http://books.google.com/books?id=50T-mafvqZcC&pg=PA29&dq=%22folclore%22&hl=pt-BR&ei=LA5STcmNIonMgQfm8bGCCA&sa=X&oi=book_result&ct=result&resnum=2&ved=0CDAQ6AEwATjIAQ#v=onepage&q=%22folclore%22&f=false ''Nação e Região: em torno do significado cultural de uma permanente dualidade brasileira'']. IN Schlee, Aldyr Garcia; Schüler, Fernando Luis & Bordini, Maria da Glória. ''Cultura e identidade regional''. EDIPUCRS, 2004. Volume 2003, p. 29</ref>
 
De qualquer maneira, os trabalhos desses pesquisadores fizeram evoluir as concepções brasileiras sobre o que é o folclore. Reunidos no [[Rio de Janeiro (estado)|Rio de Janeiro]] em 1951, no I Congresso Brasileiro de Folclore, publicaram a ''[[Carta do Folclore Brasileiro]]'', onde se definiu o folclore como ''"as maneiras de pensar, sentir e agir de um povo, preservadas pela tradição popular e pela imitação e que não sejam diretamente influenciadas pelos círculos eruditos e instituições que se dedicam ou à renovação e conservação do patrimônio científico e artístico humano ou à fixação de uma orientação religiosa e filosófica"''. Benjamin diz que se estabeleceu também como folclore os fatos sem o fundamento da tradição, bastando que fossem de aceitação coletiva e essencialmente populares, anônimos ou não, derrubando os requisitos de antiguidade, oralidade e anonimato e relativizando a condição de tradicionalidade.<ref name="Benjamin">Benjamin, Roberto. [http://cmfolclore.sites.uol.com.br/index.htm#folclore21 ''Folclore no Terceiro Milênio'']. IV Seminário de Ações Integradas em Folclore. Comissão Maranhense de Folclore. Boletim n.º 21, dezembro de 2001</ref>
 
A partir de 1961 os folcloristas passaram a contar com um importante meio de divulgação e discussão, a ''Revista do Folclore Brasileiro'', que circulou até 1976 totalizando 41 volumes, e se tornando um catalisador de pesquisas. Mas apesar das conquistas do folclorismo nacional, ainda lhe faltava credibilidade, o que só seria conseguido, como pensava Almeida, quando ele penetrasse nas universidades. Em meio à polêmica que cercava o tema, o folclore foi gradativamente sendo alijado do modelo acadêmico que se consolidava. Embora muitos de seus estudiosos permanecessem ligados às universidades, a disciplina foi se cristalizando como um subcampo das ciências sociais. A situação ficou pior com o [[golpe militar de 1964]], que ocasionou a demissão de Edison Carneiro, o principal folclorista daquele momento, do cargo de diretor da Campanha, fechada no dia primeiro de abril com um cartaz na porta que dizia: ''"Fechado por ser um antro de [[comunista]]s"''. Com isso se encerrava todo um ciclo do folclorismo brasileiro.<ref>Centro Nacional de Folclore e Cultura Popular. [http://www.cnfcp.gov.br/pdf/50anosCNFCP.pdf ''Em busca da tradição nacional, 1947-1964'']. Rio de Janeiro, 2008, pp. 16-19</ref>
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