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Caxias foi reenterrado em 1959. Eu estava lá.
[[Imagem:Monumento ao Duque de Caxias, de Victor Brecheret 01.JPG|thumb|[[Monumento a Duque de Caxias|Monumento a Caxias]] em São Paulo, erguido por [[Victor Brecheret]]]]
 
Caxias só começou a ser considerado como a principal figura militar da história brasileira por volta da década de 1920. Depois de sua morte a honra tinha ficado com [[Manuel Luís Osório|Manuel Luís Osório, Marquês do Herval]]. Caxias era considerado uma figura menor quando comparada a Herval.{{sfn|Doratioto|2008|p=15, 21}} Sua reputação cresceu lentamente e em 1923 o Ministério do Exército criou uma celebração anual em sua homenagem. Seu nascimento se tornou oficialmente em 1925 o "[[Dia do soldado|Dia do Soldado]]", sendo comemorado por todo o exército brasileiro.{{sfn|name=Cas20|Castro|2002|p=15–17, 20}}{{sfn|name=Dor21|Doratioto|2008|p=21}} Seus restos, junto com os de sua esposa, foram exumados em 25 de agosto de 19491959 e reenterrados no [[Panteão Duque de Caxias]] no Rio de Janeiro.{{sfn|Souza|2008|p=27–28}} Ele se tornou em 13 de março de 1962 o patrono do exército, transformando-se na figura mais importante da tradição militar brasileira.<ref name=Dor21 /> De acordo com Adriana Barreto de Souza,{{sfn|Souza|2008|p=28}} [[Francisco Doratioto]]{{sfn|Doratioto|2008|p=22}} e Celso Castro,<ref name=Cas20 /> Caxias suplantou Herval por ser visto como um oficial leal e obediente que poderia servir como modelo para uma república brasileira tomada desde seu nascimento em 1889 por insubordinações, revoltas e golpes. "Seu nome", disse o historiador Thomas Whigham, "se tornou sinônimo de um oficial e cidadão correto que nunca infringe a lei – assim vem o termo popular ''caxias'', que se refere a indivíduos que seguem as normas sem desconfiança, dúvida ou evasão".<ref name=Whi429 />
 
A historiografia é frequentemente positiva em relação a Caxias e vários historiadores o colocam como o maior oficial militar da história do Brasil.{{nota de rodapé|A historiografia marxista construída na [[América Latina]] durante as décadas de 1960 e 1970 oferece um enorme contraste com essa visão tradicional. Apesar de quase inteiramente descreditada atualmente, essa narrativa histórica revisionista foi aceita por muitos durante esse período. A alegação mais séria contra Caxias diz que em uma suposta carta escrita pelo próprio na Guerra do Paraguai, ele afirma ter "deliberadamente espalhado [[cólera]] por Corrientes e outras províncias [argentinas] hostis para o esforço de guerra ao ter corpos infectados jogados nos rios".{{sfn|name=Kra18|Kraay|2004|p=18}} Os historiadores Hendrik Kraay, Thomas Whigham e Ricardo Salles descartaram essa alegação já que não existem provas sobre a existência dessa carta.<ref name=Sa87 /><ref name=Kra18 /> }} Para o historiador [[Nelson Werneck Sodré]], ele foi "não apenas o maior comandante militar de seu continente em seu tempo, mas [também] um grande político". Entretanto, para ele o personagem histórico de Caxias sofre as mesmas deficiências que Pedro II: ambos sempre foram representados como homens irrepreensíveis. Apesar de não serem indignos, para o historiador a faceta humana de ambas as figuras foi perdida durante o tempo e deram lugar a "esta figura preta e branca, modelo de virtudes individuais".{{sfn|Sodré|2004|p=134, 137}} Doratioto escreveu que Caxias "no Paraguai teve dúvidas, orgulho, ressentimento e cometeu erros; em suma, ele foi um personagem real ... Caxias, entretanto, foi capaz de superar suas limitações, impor em si mesmo grandes sacrifícios pessoais e incorporar a responsabilidade de alcançar o objetivo ... Nesse contexto, Caxias foi, certamente, um herói; ele carregava consigo, é verdade, os preconceitos sociais e políticos de seu tempo, mas ninguém pode exigir do passado a observação dos valores do presente".{{sfn|Doratioto|2002|p=392–393}}
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