Abrir menu principal

Alterações

38 bytes removidos, 03h08min de 28 de julho de 2018
sem resumo de edição
| período_fóssil = [[Oligoceno]], {{Período fóssil|34|23}}
| imagem = Indricotherium.jpg
| imagem_legenda = Esqueleto de ''P.  transouralicum'', no [[Museu Nacional de Ciência do Japão]]
| reino = [[Animalia]]
| filo = [[Chordata]]
| subdivisão_nome = espécies
| subdivisão =
* ''P.&nbsp; bugtiense'' <small>(Pilgrim, 1908)</small>
* ''P.&nbsp; transouralicum'' <small>([[Maria Pavlova|Pavlova]], 1922)</small>
* ''P.&nbsp; lepidum'' <small>Xu and Wang, 1978</small>
* ''P.&nbsp; huangheense'' <small>Li et al., 2017</small>
| sinônimos =
* ''Baluchitherium'' <small>Forster-Cooper, 1913</small>
* ''Indricotherium'' <small>Borissiak, 1916</small>
* ''Pristinotherium'' <small>Birkjukov, 1953</small>
* ''Benaratherium'' <small>Gabunia, 1955</small>
}}
'''''Paraceratherium''''' é um [[Género (biologia)|gênero]] extinto de [[Rhinocerotoidea|rinocerontes]] sem [[cornos]], e um dos maiores [[mamíferos]] terrestres que já existiu. Ocorreu no período [[Oligoceno]] (Entre 34 e 23 milhões de anos atrás); seus restos foram encontrados na [[Eurásia]], entre a China e os [[Bálcãs]]. É classificado como um membro da família [[Hyracodontidae]] e da subfamília [[Indricotheriinae]]. ''Paraceratherium'' significa "próximo da besta sem corno", em referência ao gênero ''[[Aceratherium]]'', onde a [[espécie-tipo]] ''P.&nbsp;&nbsp;bugtiense'' foi originalmente classificada.
 
O tamanho exato de ''Paraceratherium'' é desconhecido por conta da incompletude dos fósseis. Estima-se que seu peso foi no máximo 15 a 20 toneladas (33 000 a 44 000 libras); a altura do ombro foi cerca de {{converter|4.8|metro|pé|o=e}}, e o comprimento cerca de {{converter|7.4|metro|pé|o=e}}. As pernas eram longas e pareciam pilares. O longo pescoço suportava um crânio que tinha cerca de {{Converter|1.3|m|pé|o=e}} de comprimento. Tinha grandes [[incisivo]]s que pareciam presas e incisões nasais que sugerem que tinham um lábio superior [[preênsil]] ou uma [[probóscide]]. O estilo de vida de ''Paraceratherium'' pode ter sido similar ao de grandes mamíferos modernos existentes como o [[elefante]] e rinocerontes. Por conta de seu tamanho, teria poucos predadores e uma taxa baixa de reprodução. Era um animal "ramoneador", comendo muitas folhas, plantas suaves e arbustos. Viviam em habitats que variavam de desertos áridos com algumas árvores dispersas a florestas subtropicais. As razões para a extinção do animal são desconhecidas, mas vários fatores foram propostos.
 
A [[taxonomia (biologia)|taxonomia]] do gênero e das espécies dentro dele tem uma história longa e complicada. Outros gêneros de indricotérios do Oligoceno, como '''''Baluchitherium''''', '''''Indricotherium''''', e '''''Pristinotherium''''', foram nomeados, mas nenhum espécime completo existe, tornando comparações e classificações difíceis. A maioria dos cientistas modernos consideram esses gêneros sinônimos júnior de ''Paraceratherium'', e é pensado que contém pelo menos quatro espécies discerníveis; ''P.&nbsp; bugtiense'', ''P.&nbsp; transouralicum'', ''P.&nbsp; lepidum'', e ''P.&nbsp; huangheense''. A espécie mais completamente conhecida é ''P.&nbsp; transouralicum'', então a maior parte das reconstruções do gênero baseiam-se nela. Diferenças entre ''P.&nbsp; bugtiense'' e ''P.&nbsp; transouralicum'' podem ser devido ao [[dimorfismo sexual]], o que as tornariam a mesma espécie.
 
 
 
== Taxonomia ==
[[Imagem:Paraceratherium.jpg|thumb|esquerda|Ilustração de 1911 da mandíbula inferior de ''P.&nbsp; bugtiense'', que foi a base para a sua separação do gênero ''[[Aceratherium]]''.]]
A história [[taxonômica]] do ''Paraceratherium'' é complexa devido à natureza fragmentária dos fósseis conhecidos e porque cientistas ocidentais, soviéticos e chineses passaram grande parte do século XX trabalhando em isolação entre si e publicaram pesquisas principalmente em suas respectivas línguas.<ref name="Prothero 2013 17 34">Prothero, 2013. pp. 17–34</ref><ref>{{citar periódico
|último = Pilgrim |primeiro = G. E. |autorlink = Guy Ellcock Pilgrim
Em 1922, o explorador estadunidense [[Roy Chapman Andrews]] liderou uma expedição bem-documentada para a China e a Mongólia patrocinada pelo [[Museu Americano de História Natural]]. Vários fósseis indricotérios foram encontrados em formações no [[deserto de Gobi]] mongol, incluindo as pernas de um espécime mantido em pé na posição vertical — indicando que havia morrido preso na [[areia movediça]] — bem como, um crânio bastante completo. Esses fósseis foram a base para a descrição de ''Baluchitherium grangeri'', nomeada por Osborn em 1923.<ref name="Prothero 2013 1 16">Prothero, 2013. pp. 1–16</ref><ref>{{citar periódico|último = Osborn |primeiro = H. F. |título= The extinct giant rhinoceros ''Baluchitherium'' of Western and Central Asia |periódico= Natural History | series = 3 | volume = 23 |páginas= 208–228 |ano= 1923 | url = https://archive.org/stream/naturalhistory23amer#page/n233/mode/2up }}</ref>
 
Em 2017, uma nova espécie, ''P.&nbsp; huangheense'', foi nomeada baseada em elementos de mandíbula da formação de Hanjiajing na província de [[Gansu]], na China; o nome é uma alusão ao [[rio Amarelo]], também conhecido como Huang He.<ref name="huangheense">{{citar periódico|autor1 =Yong-Xiang Li |autor2 =Yun-Xiang Zhang |autor3 =Ji Li |autor4 =Zhi-Chao Li |autor5 =Kun Xie |ano=2017 |título=New fossils of paraceratheres (Perissodactyla, Mammalia) from the Early Oligocene of the Lanzhou Basin, Gansu Province, China |periódico=Vertebrata PalAsiatica |volume=55 |número=4 |páginas=367–381 |url=http://www.ivpp.cas.cn/cbw/gjzdwxb/xbwzxz/201709/t20170922_4863426.html |doi=10.19615/j.cnki.1000-3118.170922 }}</ref> Uma multidão de outras espécies e gêneros— a maior parte baseada em diferenças de tamanho, tamanho de focinho e o arranjo do dente da frente— foram criados, baseados em vários restos de indricotérios. Fósseis atribuíveis ao gênero ''Paraceratherium'' continuam sendo descobertos através da Eurásia, mas a situação política no Paquistão se tornou muito instável para a ocorrência de novas escavações.<ref name="Prothero 2013 35 52" />
 
=== Espécies e sinônimos ===
[[Imagem:Paraceratherium transouralicum skull.jpg|thumb|esquerda|Otto Falkenbach com um crânio de ''P.&nbsp; transouralicum'' (espécime AMNH 18650), formalmente atribuído a ''Baluchitherium grangeri'', [[Museu Americano de História Natural]].]]
Em 1936, os paleontólogos americanos [[Walter W. Granger|Walter Granger]] e [[William K. Gregory]] propuseram que o ''Baluchiterium osborni'' de Foster-Cooper seria um tipo de sinônimo júnior porque os espécimes foram coletados na mesma localidade e eram possivelmente parte de uma mesma espécie morfologicamente variável.<ref name="Granger & Gregory">{{citar periódico|último = Granger |primeiro = W. |último2 = Gregory |primeiro2 = W. K. |título= Further notes on the gigantic extinct rhinoceros, ''Baluchitherium'', from the Oligocene of Mongolia |periódico= Bulletin of the American Museum of Natural History | url = http://digitallibrary.amnh.org/dspace/handle/2246/363 | volume = 72 |páginas= 1–73 |ano= 1936 }}</ref> [[William Diller Matthew]] e o próprio Forster-Cooper expressaram dúvidas similares alguns anos antes. Apesar de já ter sido declarado um sinônimo júnior, a nomenclatura ''Baluchiterium'' para o gênero permanece popular na mídia por conta da publicidade em torno da espécie ''B. grangeri'' de Osborn.
<ref name="Prothero 2013 67 86"/><ref name="auto"/>
[[Imagem:Paraceratherium bugtiense incisors.jpg|upright|thumb|Ilustração de 1911 de um incisivo de ''P.&nbsp; bugtiense'' em duas perspectivas.]]
 
Em 1989, os paleontólogos [[Spencer G. Lucas]] e Jay C. Sobus publicaram uma revisão da classificação taxonômica dos indricotérios, que é seguida pela maioria dos cientistas ocidentais atualmente. Eles concluíram que ''Paraceratherium'', como o nome mais antigo, era o único gênero válido de indricotério do Oligoceno, e continha quatro espécies válidas: ''P.&nbsp; bugtiense'', ''P.&nbsp; transouralicum'' (originalmente em ''Indricotherium''), ''P.&nbsp; prohorovi'' (originalmente em ''[[Aralotherium]]''), e ''P.&nbsp; orgosensis'' (originalmente em ''[[Dzungariotherium]]''). Eles classificaram a maioria dos outros nomes como sinônimos júnior desse táxon, ou como [[nomen dubium]], baseado em restos muito fragmentários para identificar devidamente. Analisando as diferenças presumidas entre os gêneros e as espécies descritas, Lucas e Sobus concluíram que provavelmente eram variações dentro das mesmas populações e que a maioria dessas características não poderia ser distinguida entre um espécime e outro, como fora apontado na década de 1930. O crânio côncavo único atribuído a ''P.&nbsp; transouralicum'' ou ''Indricotherium'' — enquanto os outros tinham a parte superior plana — foi atribuída ao [[dimorfismo sexual]]. Portanto, existe a possibilidade de que os fósseis de ''P.&nbsp; bugtiense'' representem a fêmea, enquanto os de ''P.&nbsp; transouralicum'' representam o macho de uma mesma espécie.<ref name="Prothero 2013 67 86"/><ref name="Lucas & Sobus" /><ref>{{citar periódico|último = Zhan-Xiang |primeiro = Q. |título= A new genus of giant rhinoceros from oligocene of Dzungaria, Sinkang |periódico= Vertebrata PalAsiatica | series = 11 | volume = 2 |páginas= 182–191 |ano= 1973 |url=http://www.ivpp.cas.cn/cbw/gjzdwxb/xbwzxz/200905/W020090813377744137121.pdf|língua=Chinese, English}}</ref>
 
De acordo com Lucas e Sobus, a [[espécie-tipo]] ''P.&nbsp; bugtiense'' do Oligoceno tardio do Paquistão inclui um sinônimo júnior tal como ''B. osborni'' e ''P.&nbsp; zhajremensis''. ''P.&nbsp; transouralicum'' do Oligoceno tardio do Cazaquistão, Mongólia e Norte da China inclui ''B. grangeri'' e ''I. minus''.<ref name="Lucas & Sobus">{{Citation |último1 = Lucas |primeiro1 = S. G. |autorlink1 = |autorlink2 = |último2 = Sobus |primeiro2 = J. C. |capítulo= The Systematics of Indricotheres |editor-sobrenome1 = Prothero |editor-nome1 = D. R. |editor-sobrenome2 =Schoch|editor-nome2 =R. M.|título= The Evolution of Perissodactyls |publicado= [[Oxford University Press]] |ano= 1989 |local= New York, New York & Oxford, England |páginas= 358–378 | url = https://www.google.com/books?id=08YPAQAAMAAJ | doi = | id = | isbn = 978-0-19-506039-3 | oclc = 19268080}}</ref> Em 2013, o paleontólogo americano [[Donald Prothero]] sugeriu que ''P.&nbsp; orgosensis'' pode ser distinto o suficiente para justificar o seu nome original no gênero ''Dzungariotherium'', mas essa posição requer avaliação. ''P.&nbsp; prohorovi'' do Oligoceno tardio do Cazaquistão pode estar muito incompleto em relação às outras espécies para ser resolvido; o mesmo se aplica às espécies propostas, tal como ''I. intermedium'' e ''P.&nbsp; tienshanensis'', assim como o gênero ''Benaratherium''.<ref name="Prothero 2013 67 86"/><ref name="Lucas & Sobus" />
Embora o nome do gênero ''Indricotherium ''seja agora um sinônimo júnior de ''Paraceratherium'', o nome da subfamília Indricotheriinae ainda está em uso porque a sinonímia do nome do gênero não afeta os nomes dos táxons de nível superior derivados deles. Membros da subfamília ainda são, portanto, comumente referidos como indricotérios.<ref name="Antoine 2008">{{citar periódico| doi = 10.1111/j.1096-3642.2007.00366.x|título= A giant rhinocerotoid (Mammalia, Perissodactyla) from the Late Oligocene of north-central Anatolia (Turkey)|periódico= Zoological Journal of the Linnean Society| volume = 152|número= 3|páginas= 581–592|ano= 2008|último1 = Antoine |primeiro1 = P. O. |último2 = Karadenizli |primeiro2 = L. |último3 = Saraç |primeiro3 = G. E. |último4 = Sen |primeiro4 = S. }}</ref>
 
Em contraste com a revisão de Lucas e Sobus, um papel de 2003 de pesquisadores chineses sugeriu que ''Indricotherium'' e ''Dzungariotherium'' eram gêneros válidos, e que ''P.&nbsp; prohorovi'' não pertencia a ''Paraceratherium''. Eles também reconheceram a validade de espécies como ''P.&nbsp; lipidus'', ''P.&nbsp; tienshanensi'', e ''P.&nbsp; sui''.<ref name="Ye et al 2003">{{citar periódico|último = Ye |primeiro = Y. |último2 = J. |primeiro2 = Meng |último3 = Yu |primeiro3 = W. W. |título= Discovery of ''Paraceratherium'' in the northern Junggar Basin of Xinjiang |periódico= Vertebrata PalAsiatica | series = | volume = 41 |páginas= 220–229 |língua= Chinese, English |ano= 2003 |url=http://www.ivpp.cas.cn/cbw/gjzdwxb/xbwzxz/200901/W020090813371608948244.pdf}}</ref> Um papel de 2004 dos paleontólogos chineses [[Tao Deng]] e seus colegas também reconheceu três gêneros distintos.<ref name="Qui et al 2004">{{citar periódico|último1 =Qui|primeiro1 =Zhan-Xiang|último2 =Wang|primeiro2 =Ban-Yue|último3 =Deng|primeiro3 =Tao|ano=2004|título= Indricotheres (Perissodactyla, Mammalia) from Oligocene in Linxia Basin, Gansu, China|periódico= Vertebrata PalAsiatica|volume=42|número=3|páginas=177–192|língua=Chinese, English|url=http://www.ivpp.cas.cn/cbw/gjzdwxb/xbwzxz/200810/W020090813368533129427.pdf}}</ref> Alguns escritores ocidentais similarmente têm usado nomes considerados inválidos desde a revisão de 1989, mas sem fornecer uma análise detalhada e uma justificação.<ref name="Prothero 2013 67 86"/>
 
=== Evolução ===
 
== Descrição ==
[[Imagem:Patagotitan vs Mammals Scale Diagram SVG Steveoc86.svg|thumb|Tamanho estimado de ''P.&nbsp; transouralicum'' (verde-oliva) comparado com os humanos, outros grandes mamíferos, e o dinossauro ''[[Patagotitan]]''.]]
''Paraceratherium'' é um dos maiores animais mamíferos terrestres que já existiram conhecidos, mas seu tamanho exato não está claro por conta da falta de espécimes completos. As estimativas antigas de {{Converter|30|t|lb|o=e}} agora são consideradas exageradas; seu tamanho poderia ser no máximo na faixa de 15 a 20 toneladas (33 000 a 44 000 libras), e o mínimo {{Converter|11|t|lb|o=e}} na média. Os cálculos se basearam principalmente nos fósseis de ''P.&nbsp; transouralicum'' porque esta espécie tem os restos mais completos conhecidos.<ref name="Prothero 2013 87 106"/> As estimativas têm se baseado no crânio, nos dentes e nas medições dos ossos das patas, mas os elementos do osso conhecidos são representados por individuais ou diferentes tamanhos, então todas as reconstruções esqueléticas são extrapolações compostas, resultando em várias variações de tamanho.<ref name="Fortelius">{{citar periódico| doi = 10.1111/j.1096-3642.1993.tb02560.x|título= The largest land mammal ever imagined|periódico= Zoological Journal of the Linnean Society| volume = 108|páginas= 85–101|ano= 1993|último1 = Fortelius |primeiro1 = M. |último2 = Kappelman |primeiro2 = J. }}</ref><ref>{{citar periódico| doi = 10.4202/app.2011.0067 |título=Estimating body mass from the astragalus in mammals |periódico=Acta Palaeontologica Polonica |data=2012 |páginas= 259–265|primeiro =T. |último =Tsubamoto}}</ref> O tamanho total de seu corpo foi estimado em 8,7 metros (28,5 pés) da frente para trás por Granger e Gregory em 1936, e 7,4 metros (24,3 pés) por [[Vera Gromova]] em 1959, mas a estimativa antiga agora é considerada exagerada. O peso de ''Paraceratherium'' era similar ao de alguns [[proboscídeos]] extintos, com o mais esqueleto completo conhecido pertencendo ao [[mamute-da-estepe]] (''Mammuthus trogontherii'').<ref name="Fortelius"/><ref name=probos_mass>{{citar periódico|último1 = Larramendi |primeiro1 = A. |último2 = |primeiro2 = |ano= 2016 |título= Shoulder height, body mass and shape of proboscideans |periódico= Acta Palaeontologica Polonica | volume = 61 |número= |páginas= |publicado= | jstor = | doi = 10.4202/app.00136.2014 | url = https://www.app.pan.pl/archive/published/app61/app001362014.pdf |formato= |acessodata= }}</ref> Apesar da massa mais ou menos equivalente, ''Paraceratherium'' pode ter sido mais alto que qualquer outro proboscídeo.<ref name="Prothero 2013 87 106"/> A altura de seu ombro foi estimada em 5,25 metros (17,2 pés) nos ombros por Granger e Gregory, mas 4,8 metros (15,7 pés) por [[Gregory S. Paul]] em 1997.<ref name="GSP 1997">{{citar periódico|último = Paul |primeiro = G. S. |título= Dinosaur models: The good, the bad, and using them to estimate the mass of dinosaurs |periódico= Dinofest International Proceedings | series = | volume = |páginas= 129–142 | url = http://gspauldino.com/Models.pdf |ano= 1997 }}</ref> A extensão do pesconço foi estimada em 2 a 2,5 metros (6,6 a 8,2 pés) por [[Michael P. Taylor]] e Mathew J. Wedel em 2013.<ref name=Taylor&Wedel2013>{{citar periódico|último1 = Taylor |primeiro1 = M. P.|último2 = Wedel |primeiro2 = M. J.| doi = 10.7717/peerj.36|título= Why sauropods had long necks; and why giraffes have short necks|periódico= PeerJ| volume = 1|páginas= e36|ano= 2013| pmid = 23638372| pmc =3628838}}</ref> ''P.&nbsp; huangheense'' difere de ''P.&nbsp; bugtiense'' apenas na anatomia da porção posterior da mandíbula, e também por seu tamanho maior.<ref name="huangheense"/>
[[Imagem:Indricotherium11.jpg|thumb|leftesquerda|Restauração de ''P.&nbsp; transouralicum.'']]
Nenhum conjunto completo de [[vértebras]] e costelas de ''Paraceratherium'' foi encontrado ainda e a cauda é completamente desconhecida. As vértebras [[atlas (anatomia)|atlas]] e [[áxis]] do pescoço são mais amplas que na maior parte dos rinocerontes modernos, com espaço para grandes ligamentos e músculos que seriam necessários para segurar a grande cabeça. O resto das vértebras eram também bastante amplas, e tinham extensas zigoapófises com muito espaço para músculos, tendões, ligamentos e nervos, para suportar a cabeça, pescoço e espinha. Os [[vértebra|espinhos neurais]] eram longos e formavam uma longa "corcunda" ao longo das costas, onde os músculos da cabeça e os ligamentos da nuca para sustentar o crânio estavam afixados. As costelas eram similares às dos rinocerontes modernos, mas a caixa torácica iria aparentar menor em proporção às longas pernas e grandes corpos, porque os rinocerontes modernos comparativamente tem pernas mais curtas. A última vértebra da parte inferior da coluna vertebral foi fundida ao [[sacro]], uma característica encontrada nos rinocerontes avançados.<ref name="Prothero 2013 87 106"/> Como os [[saurópodes]], ''Paraceratherium'' tinha cavidades na vértebra pré-sacral, que provavelmente auxiliou para aliviar o esqueleto.<ref>{{citar periódico| doi = 10.1111/j.1469-185X.2010.00137.x| pmid = 21251189|título= Biology of the sauropod dinosaurs: The evolution of gigantism|periódico= Biological Reviews| volume = 86|número= 1|páginas= 117–55|ano= 2011|último1 = Sander |primeiro1 = P. M. |último2 = Christian |primeiro2 = A. |último3 = Clauss |primeiro3 = M. |último4 = Fechner |primeiro4 = R. |último5 = Gee |primeiro5 = C. T. |último6 = Griebeler |primeiro6 = E. M. |último7 = Gunga |primeiro7 = H. C. |último8 = Hummel |primeiro8 = J. R. |último9 = Mallison |primeiro9 = H. |último10 = Perry |primeiro10 = S. F. |último11 = Preuschoft |primeiro11 = H. |último12 = Rauhut |primeiro12 = O. W. M. |último13 = Remes |primeiro13 = K. |último14 = Tütken |primeiro14 = T. |último15 = Wings |primeiro15 = O. |último16 = Witzel |primeiro16 = U. | pmc = 3045712}}</ref>
 
[[Imagem:Indricotherium transouralicum hind foot.jpg|thumb|upright|Pata posterior de ''P.&nbsp; transouralicum'', AMNH]]
Os membros eram grandes e robustos para suportar o grande peso do animal e eram, de certa forma, semelhantes e [[Convergência evolutiva|convergentes]] com os dos elefantes e dinossauros saurópodes, com suas construções graviportais (pesadas e lentas). Ao contrário desses animais, que tendem a alongar os ossos dos membros superiores enquanto encurtando, fundindo e comprimindo o membro inferior, mãos, e ossos dos pés, ''Paraceratherium'' tinha ossos dos membros superiores curtos e longos ossos das mãos e dos pés&mdash;excetopés—exceto pelas [[falange]]s em forma de disco&mdash;disco— similar aos rinocerontes corredores de que descendem. Alguns ossos tinham quase de {{Converter|50|cm|pol|o=e}} comprimento. Os ossos das coxas tipicamente mediam {{converter|1.5|m|pé|o=e}}, um tamanho excedido apenas por aqueles de alguns elefantes e dinossauros. Os ossos das coxas eram como pilares e muito mais grosso e mais robusto que aqueles de outros rinocerontes, e os três [[trocanter]]es nos lados eram muito reduzidos, como esta robustez diminuiu sua importância. Os membros eram dispostos em uma postura de coluna em vez de curvados, como em animais menores, o que reduziu a necessidade de grandes músculos nos membros.<ref name="Prothero 2013 87 106"/> Os membros da frente tinham três dedos nos pés.<ref>{{citar periódico| doi = 10.1016/j.jaes.2003.09.005|título= New remains of the baluchithere ''Paraceratherium bugtiense'' from the Late/latest Oligocene of the Bugti hills, Balochistan, Pakistan|periódico= Journal of Asian Earth Sciences| volume = 24|páginas= 71–77|ano= 2004|último1 = Antoine |primeiro1 = P. O. |último2 = Ibrahim Shah |primeiro2 = S. M. |último3 = Cheema |primeiro3 = I. U. |último4 = Crochet |primeiro4 = J. Y. |último5 = Franceschi |primeiro5 = D. D. |último6 = Marivaux |primeiro6 = L. |último7 = Métais |primeiro7 = G. G. |último8 = Welcomme |primeiro8 = J. L. | bibcode = 2004JAESc..24...71A}}</ref>
 
[[Imagem:Paraceratherium restorations 1923.jpg|thumb|leftesquerda|Reconstruções esqueléticas de 1923 de ''P.&nbsp; transouralicum'' (então ''B. grangeri''), em versões semelhantes a rinocerontes outra mais esbelta.]]
Devido à natureza fragmentária dos fósseis conhecidos de ''Paraceratherium'', o animal tem sido reconstruído de várias maneiras diferentes desde sua descoberta.<ref>{{citar periódico|último = Granger |primeiro = W. |último2 = Gregory |primeiro2 = W. K. |título= A revised restoration of the skeleton of ''Baluchitherium'', gigantic fossil rhinoceros of Central Asia |periódico= American Museum Novitates | series = | volume = 787 |páginas= 1–3 | url = http://digitallibrary.amnh.org/dspace/handle/2246/2123 |ano= 1935 }}</ref> Em 1923, W. D. Matthew supervisionou um artista para desenhar uma reconstrução do esqueleto basead nos espécimes até menos completos de ''P.&nbsp; transouralicum'' conhecidos por eles, usando as proporções de um rinoceronte moderno como guia.<ref name="Osborn 1923">{{citar periódico|último = Osborn |primeiro = H. F. |título= ''Baluchitherium grangeri'', a giant hornless rhinoceros from Mongolia |periódico= American Museum Novitates | series = | volume = 78 |páginas= 1–15 | url = http://digitallibrary.amnh.org/dspace/handle/2246/3262 |ano= 1923 }}</ref> O resultado foi muito desproporcional e compacto, de modo que Osborn o fez desenhar uma versão mais esguia naquele mesmo ano. Algumas restaurações posteriores mostraram o animal muito magro, com pouca atenção ao esqueleto subjacente.<ref name="Prothero 2013 87 106"/> Gromova publicou uma recontrução esquelética mais completa em 1959, baseada no esqueleto de ''P.&nbsp; transouralicum'' da formação de Aral, mas essa também faltou com várias vértebras do pescoço.<ref>{{citar periódico|último = Gromova |primeiro = V. L. |título= Gigantskie nosorogi |periódico= Trudy Paleontology Institut Akademii Nauk SSSR | series = | volume = 71 |páginas= 154–156 |língua= Russian |ano= 1959 }}</ref>
 
Não há indicações da cor ou textura da pele do animal porque não é conhecida nenhuma múmia ou impressão cutânea. A maior parte das restaurações exibem a pele da criatura como grossa, enrugada, cinza e sem pelos, baseada nos rinocerontes modernos. Porque os pelos retêm o calor corporal, grandes mamíferos modernos como elefantes e rinocerontes são amplamente sem pelos. Prothero propôs que, ao contrário da maioria das representações, ''Paraceratherium'' tinham grandes orelhas como as dos elefantes que serviam para a [[termorregulação]]. As orelhas dos elefantes ampliam a área da superfície corporal e são preenchidas com vasos sanguíneos, fazendo a dissipação de excesso de calor mais facilmente. Ele aponta os ossos robustos ao redor das aberturas das orelhas como prova disso.<ref name="Prothero 2013 87 106">Prothero, 2013. pp. 87–106</ref> Os paleontólogos Pierre-Oliver Antoine e [[Darren Naish]] expressaram ceticismo em relação a essa hipótese.<ref>{{citar periódico|último = Antoine |primeiro = P. O. |autorlink = |título= There were giants upon the earth in those days (Book Review) |periódico= Palaeovertebrata | series = | volume = 38 |páginas= 1–3 |ano= 2014 |url=http://palaeovertebrata.com/Articles/sendFile/53/published_article}}</ref><ref>{{citar web|autor =Naish, D.|título=Tet Zoo Bookshelf: van Grouw's ''Unfeathered Bird'', Bodio's ''Eternity of Eagles'', Witton's ''Pterosaurs'', Van Duzer's ''Sea Monsters on Medieval and Renaissance Maps''!|data=29 de junho de 2013|acessodata=5 de outubro de 2014|obra=blogs.scientificamerican.com/tetrapod-zoology|url=http://blogs.scientificamerican.com/tetrapod-zoology/2013/06/29/tet-zoo-bookshelf/}}</ref>
===Crânio===
[[Imagem:Indricotherium transouralicum.jpg|thumb|Crânio de ''P.&nbsp; transouralicum'' (espécime AMNH 18650)]]
Os maiores crânios de ''Paraceratherium'' têm cerca de {{Converter|1.3|m|pé|o=e}} de comprimento, 33 a 38 centímetros (13 a 15 polegadas) atrás do crânio, e {{Converter|61|cm|pol|o=e}} de largura entre os [[arco zigomático|arcos zigomáticos]]. ''Paraceratherium'' tinha uma longa testa, que era lisa e sem a área rugosa que serve com um ponto de encaixe dos chifres de outros rinocerontes. Os ossos acima da região nasal são longos e a incisão nasal é profunda dentro do crânio. Isto indica que ''Paraceratherium'' tinha um lábio superior preênsil similar àqueles dos [[rinocerontes-negros]] e [[rinocerontes-indianos]], ou uma curta [[probóscide]] ou tromba como nos [[tapir]]es. A parte traseira do crânio era baixa e estreita, sem as grandes cristas lambdoides no topo e ao longo da [[crista sagital]], que são encontradas em animais com cornos e presas que precisam de músculos fortes para empurrar e lutar. Eles também tinham uma fenda profunda para o encaixe dos ligamentos da nuca, que seguravam o crânio automáticamente. O [[côndilo occipital]] era muito amplo e ''Paraceratherium'' aparentemente tinham grandes e fortes músculos no pescoço, que permitiam-lhes baixar a cabeça fortemente enquanto se alimentavam dos galhos.<ref name="Prothero 2013 87 106"/> Um crânio de ''P.&nbsp; transouralicum'' tinha uma testa côncava, enquanto outros espécimes tinham testas lisas, possivelmente por conta do dimorfismo sexual.<ref name="Lucas & Sobus"/> Um molde endocraniano do cérebro de ''P.&nbsp; transouralicum'' mostra que ocupava apenas 8% do comprimento do crânio, enquanto o cérebro dos rinocerontes-indianos ocupava 17,7% do comprimento de seu crânio.<ref name="Granger & Gregory"/>
 
=== Crânio ===
[[File:Paraceratherium transouralicum teeth.JPG|left|thumb|Molares superiores de ''P.&nbsp; transouralicum'', [[Museu Nacional de História Natural (França)]]]]
[[Imagem:Indricotherium transouralicum.jpg|thumb|Crânio de ''P.&nbsp; transouralicum'' (espécime AMNH 18650)]]
As espécies de ''Paraceratherium'' são discerníveis principalmente através das características do crânio. ''P.&nbsp; bugtiense'' tem características como um [[maxilar]] e pré-maxilar relativamente mais esbeltos, dermatocrânio pouco profundo, processos mastoide-paraoccipitais que são relativamente finos e localizados na parte de trás do crânio, uma crista lambdoide menos extensa, e um côndilo occipital com uma orientação horizontal, característica compartilhada com ''Dzungariotherium''. ''P.&nbsp; transouralicum'' tem máxilar e pré-maxilar robustos, [[ossos zigomáticos]] apontando para cima, [[osso frontal|ossos frontais]] abobadados, processos mastoide-paraoccipitais grossos, uma crista lambdoide que se extende atrás, e côndilos occipitais com uma orientação vertical.<ref name="Prothero 2013 67 86"/>
Os maiores crânios de ''Paraceratherium'' têm cerca de {{Converter|1.3|m|pé|o=e}} de comprimento, 33 a 38 centímetros (13 a 15 polegadas) atrás do crânio, e {{Converter|61|cm|pol|o=e}} de largura entre os [[arco zigomático|arcos zigomáticos]]. ''Paraceratherium'' tinha uma longa testa, que era lisa e sem a área rugosa que serve com um ponto de encaixe dos chifres de outros rinocerontes. Os ossos acima da região nasal são longos e a incisão nasal é profunda dentro do crânio. Isto indica que ''Paraceratherium'' tinha um lábio superior preênsil similar àqueles dos [[rinocerontes-negros]] e [[rinocerontes-indianos]], ou uma curta [[probóscide]] ou tromba como nos [[tapir]]es. A parte traseira do crânio era baixa e estreita, sem as grandes cristas lambdoides no topo e ao longo da [[crista sagital]], que são encontradas em animais com cornos e presas que precisam de músculos fortes para empurrar e lutar. Eles também tinham uma fenda profunda para o encaixe dos ligamentos da nuca, que seguravam o crânio automáticamente. O [[côndilo occipital]] era muito amplo e ''Paraceratherium'' aparentemente tinham grandes e fortes músculos no pescoço, que permitiam-lhes baixar a cabeça fortemente enquanto se alimentavam dos galhos.<ref name="Prothero 2013 87 106"/> Um crânio de ''P.&nbsp; transouralicum'' tinha uma testa côncava, enquanto outros espécimes tinham testas lisas, possivelmente por conta do dimorfismo sexual.<ref name="Lucas & Sobus"/> Um molde endocraniano do cérebro de ''P.&nbsp; transouralicum'' mostra que ocupava apenas 8% do comprimento do crânio, enquanto o cérebro dos rinocerontes-indianos ocupava 17,7% do comprimento de seu crânio.<ref name="Granger & Gregory"/>
 
[[FileImagem:Paraceratherium transouralicum teeth.JPG|leftesquerda|thumb|Molares superiores de ''P.&nbsp; transouralicum'', [[Museu Nacional de História Natural (França)]]]]
As espécies de ''Paraceratherium'' são discerníveis principalmente através das características do crânio. ''P.&nbsp; bugtiense'' tem características como um [[maxilar]] e pré-maxilar relativamente mais esbeltos, dermatocrânio pouco profundo, processos mastoide-paraoccipitais que são relativamente finos e localizados na parte de trás do crânio, uma crista lambdoide menos extensa, e um côndilo occipital com uma orientação horizontal, característica compartilhada com ''Dzungariotherium''. ''P.&nbsp; transouralicum'' tem máxilar e pré-maxilar robustos, [[ossos zigomáticos]] apontando para cima, [[osso frontal|ossos frontais]] abobadados, processos mastoide-paraoccipitais grossos, uma crista lambdoide que se extende atrás, e côndilos occipitais com uma orientação vertical.<ref name="Prothero 2013 67 86"/>
 
Ao contrário da maioria dos rinocerontes primitivos, os dentes frontais de ''Paraceratherium'' eram reduzidos a um único par de dentes incisivos em cada mandíbula, que eram grandes e cônicos, e têm sido descritos como presas. Os incisivos superiores eram apontados para baixo; os inferiores eram mais curtos e apontados para frente. Entre todos os rinocerontes conhecidos, este arranjamento é pertencente apenas ao ''Paraceratherium'' e à espécie relacionada ''Urtinotherium''. Os incisivos podem ter sido maiores em machos. Os [[dente canino|dentes caninos]] geralmente encontrados atrás dos incisivos foram perdidos. Os incisivos eram separados da fileira de dentes pós-caninos por um grande [[diastema]].<ref name="Prothero 2013 87 106"/> Esta característica é encontrada em mamíferos onde os incisivos e dentes pós-caninos têm diferentes funções.<ref name="Prothero 2013 53–66"/> Os molares superiores, exceto o terceiro molar superior que tinha forma de V, tinham uma forma de pi (π) como padrão e um metastilo reduzido. Os pré-molares apenas parcialmente formaram o padrão de pi. Cada molar tinha o tamanho de um punho humano; tamanho excedido apenas pelos proboscídeos, embora eles fossem pequenos em relação ao tamanho do crânio. Os dentes pré-molares inferiores tinham forma de L, o que é típico de rinocerontes.<ref name="Prothero 2013 87 106"/>
 
== Palaeobiologia ==
[[FileImagem:Paraceratherium transouralicum.jpg|thumb|Restauração de um par de ''P.&nbsp; transouralicum'', com dois [[hienodonte]]s abaixo.]]
O zoólogo [[Robert M. Alexander]] sugeriu que o superaquecimento pode ter sido um problema sério para os ''Paraceratherium'' devido ao seu tamanho.<ref name=Alexander1998>{{citar periódico|último = Alexander|primeiro = R. M. |ano= 1998 |título=All-time giants: the largest animals and their problems|periódico= Palaeontology|volume=41|número=6|páginas= 1231–1245|url=https://www.palass.org/publications/palaeontology-journal/archive/41/6/article_pp1231-1245}}</ref> De acordo com Prothero, os melhores animais vivos análogos aos ''Paraceratherium'' podem ser grandes mamíferos, como elefantes, rinocerontes e hipopótamos. Para auxiliar a termorregulação, esses animais esfriavam durante o dia descansando na sombra ou chafurdando na água ou na lama. Eles também se alimentavam e se moviam principalmente à noite. Por conta de seu grande tamanho, ''Paraceratherium'' não podiam correr ou se mover rapidamente, mas eles tinham que ser capazes de cruzar grandes distâncias, o que era necessário em uma ambiente com escassez de alimentos. Eles podem, portanto, ter tido largas áreas de habitat e ter sido migratórios.<ref name="Prothero 2013 87 106"/> Prothero sugere que animais grandes como indricotérios necessitariam habitar áreas muito extensas ou territórios de pelo menos 1000km² e que, por conta da escassez de recursos, haveria pouco espaço na Ásia para muita população ou uma multitude de espécies e gêneros quase idênticos. Este princípio é chamado [[Lei de Gause]]; é usado para explanar como os rinocerontes-negros e [[rinocerontes-brancos]] exploraram diferentes nichos nas mesmas áreas da África.<ref name="Prothero 2013 67 86"/>
 
A maior parte dos predadores terrestres em seu habitat não eram maiores que um [[lobo]] moderno e não representavam uma ameaça a ''Paraceratherium''.<ref name="Prothero 2013 107 121"/> Indivíduos adultos eram maiores que qualquer predador terrestre, mas indivíduos jovens estavam vulneráveis. Marcas de mordidas em ossos encontrados em Bugti indicam que até mesmo adultos podem ter sido predados por crocodilos de 10 a 11 metros (33 a 36 pés) de comprimento, ''[[Crocodylus bugtiensis]]''. Como em elefantes, o período gestacional de ''Paraceratherium'' pode ter sido longo e os indivíduos podem ter tido um longo período de vida.<ref name="Prothero 2013 87 106"/> ''Paraceratherium'' podem ter vivido em pequenos rebanhos, provavelmente consistindo de fêmeas e seus bezerros, que elas protegiam de predadores.<ref name="Prothero 2013 107 121"/> Foi proposto que {{Converter|20|ton|lb|o=e}} pode ser o peso máximo possível para mamíferos terrestres, e ''Paraceratherium'' chegou perto desse limite.<ref>{{citar periódico| doi = 10.1007/s00442-003-1254-z| pmid = 12712314|título= The maximum attainable body size of herbivorous mammals: Morphophysiological constraints on foregut, and adaptations of hindgut fermenters|periódico= Oecologia| volume = 136|número= 1|páginas= 14–27|ano= 2003|último1 = Clauss |primeiro1 = M.|último2 = Frey |primeiro2 = R.|último3 = Kiefer |primeiro3 = B.|último4 = Lechner-Doll |primeiro4 = M.|último5 = Loehlein |primeiro5 = W.|último6 = Polster |primeiro6 = C.|último7 = Rössner |primeiro7 = G. E.|último8 = Streich |primeiro8 = W. J.| bibcode = 2003Oecol.136...14C}}</ref> As razões por que os mamíferos não podem alcançar o tamanho muito maior dos dinossauros saurópodes são desconhecidas. A razão pode ser ecológica em vez de biomecânicas, e provavelmente relacionadas a estratégias de reprodução.<ref name="Fortelius"/> Movimentos, sons, e outros comportamentos exibidos em documentários feitos com [[imagens geradas por computador|por computação gráfica]] como ''[[Walking With Beasts]]'' da [[BBC]] são totalmente conjecturais.<ref name="Prothero 2013 87 106"/>
 
=== Dieta ===
[[Imagem:Paraceratherium skull AMNH.jpg|thumb|Visão de ângulo baixo de um molde de crânio de ''P.&nbsp; transouralicum'' (espécime AMNH 18650)]]
 
Os dentes simples de coroa baixa indicam que ''Paraceratherium'' era um navegador com uma dieta consistindo de folhas e arbustos relativamente suaves. Os rinocerontes posteriores eram pastinheiros, com dentes de coroa alta porque suas dietas continham grãos que desgastavam seus dentes rapidamente. Estudos de meso desgaste nos dentes de ''Paraceratherium'' confirmam que as criaturas tinham uma dieta de folhas suaves; estudos de micro desgaste ainda não foram conduzidos.<ref name="Prothero 2013 87 106"/> As [[Espectrometria de massa|análises isotópicas]] mostram que ''Paraceratherium'' alimentavam-se principalmente de [[Fotossíntese C3|plantas C3]], que são principalmente folhas.<ref name="2011 isotopes">{{citar periódico| doi = 10.1016/j.palaeo.2011.07.010|título= Pakistan mammal tooth stable isotopes show paleoclimatic and paleoenvironmental changes since the early Oligocene|periódico= Palaeogeography, Palaeoclimatology, Palaeoecology| volume = 311|páginas= 19–29|ano= 2011|último1 = Martin |primeiro1 = C.|último2 = Bentaleb |primeiro2 = I.|último3 = Antoine |primeiro3 = P. -O. }}</ref><ref>{{citar periódico| doi = 10.1016/j.epsl.2005.05.006|título= A 25 m.y. Isotopic record of paleodiet and environmental change from fossil mammals and paleosols from the NE margin of the Tibetan Plateau|periódico= Earth and Planetary Science Letters| volume = 236|páginas= 322–338|ano= 2005|último1 = Wang |primeiro1 = Y. |último2 = Deng |primeiro2 = T. | bibcode = 2005E&PSL.236..322W}}</ref> Como seus parentes perissodátilos, os cavalos, tapires e outros rinocerontes, ''Paraceratherium'' teriam feito fermentação intestinal; extrairia relativamente pouca nutrição de sua comida e teria que comer grandes volumes para sobreviver. Como outros grandes herbívoros, ''Paraceratherium'' teriam tido um trato digestivo grande.<ref name="Prothero 2013 87 106"/>
 
== Extinção ==
[[Imagem:Paraceratherium herd.jpg|thumb|200px|Manada de ''P.&nbsp; transouralicum'' se alimentando, por Elizabeth Rungius Fulda, 1923.]]
As espécies do gênero ''Paraceratherium'' foram extintas após cerca de 11 milhões de anos de existência, por razões desconhecidas, mas é improvável que seja devido a apenas uma causa.<ref name="Prothero 2013 107 121" /> Possíveis razões incluem mudança climática, taxa baixa de reprodução, e a invasão de [[proboscídeo]]s da família ''[[Gomphotheriidae]]'', oriundos da África, no final do período [[Oligoceno]] (entre 28 e 23 milhões de anos atrás). Esses invasores podem ter sido capazes de mudar radicalmente os habitats em que se instalavam, na mesma forma em que os [[elefantes-africanos]] fazem atualmente, destruindo árvores e tornando florestas em regiões de vegetação rasteira. À medida que sua fonte de alimentação foi rareando, a sua população foi diminuindo numericamente, se tornando mais vulnerável a outras ameaças.<ref>{{citar periódico|último = Putshkov |primeiro = P. V. |autorlink = |título= "Proboscidean agent" of some Tertiary megafaunal extinctions |periódico= Terra degli elefanti Congresso internazionale: the world of elephants | series = | volume = |páginas= 133–136 |ano= 2001 }}</ref> Grande predadores como ''[[Hyaenaelurus]]'' e ''[[Amphicyon]]'' também vieram da África para a Ásia durante o [[Mioceno]] recente (cerca de 23 a 16 milhões de anos atrás), e podem também ter predado os filhotes de ''Paraceratherium''. Outros herbívoros também invadiram a Ásia durante esse período.<ref name="Prothero 2013 107 121">Prothero, 2013. pp. 107–121</ref>