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* ''Benaratherium'' <small>Gabunia, 1955</small>
}}
'''''Paraceratherium''''' (aportuguesado paraceratério) é um [[Género (biologia)|gênero]] extinto de [[Rhinocerotoidea|rinocerontes]] sem [[cornos]], e um dos maiores [[mamíferos]] terrestres que já existiuexistiram. OcorreuViveu nodurante o período [[Oligoceno]] (Entre 34 e 23 milhões de anos atrás); seus restos foram encontrados na [[Eurásia]], entre a China e os [[Bálcãs]]. É classificado como um membro da família [[Hyracodontidae]] e da subfamília [[Indricotheriinae]]. ''Paraceratherium'' significa "próximo da besta sem corno", em referência ao gênero ''[[Aceratherium]]'', onde a [[espécie-tipo]] ''P.&nbsp;bugtiense'' foi originalmente classificada.
 
O tamanho exato dos paraceratérios é desconhecido por conta da incompletude dos fósseis. Estima-se que seu peso foi no máximo 15 a 20 toneladas (33 000 a 44 000 libras); a altura do ombro foi cerca de {{converter|4.8|metro|pé|o=e}}, e o comprimento cerca de {{converter|7.4|metro|pé|o=e}}. As pernas eram longas e pareciam pilares. O longo pescoço suportava um crânio que tinha cerca de {{Converter|1.3|m|pé|o=e}} de comprimento. Tinham grandes [[incisivo]]s que pareciam presas e incisões nasais que sugerem que tinham um lábio superior [[preênsil]] ou uma [[probóscide]]. O estilo de vida dos paraceratérios pode ter sido similar ao de grandes mamíferos modernos existentes como o [[elefante]] e rinocerontes. Por conta de seu tamanho, teriam poucos predadores e uma taxa baixa de reprodução. Era um animal "ramoneador",<ref name=":0" group="nota">Aqui é usado o termo ''ramoneador'', palavra inexistente em nosso idioma. O termo é usado para expressar a diferença da dieta de ruminantes herbívoros; um animal ''ramoneador'' tem uma dieta composta principalmente de folhas de árvores e arbustos, enquanto um animal pastinheiro (palavra esta existente em nosso idioma) é um animal com uma dieta composta principalmente de pasto, como as vacas.</ref> comendo muitas folhas, plantas suaves e arbustos. Viviam em habitats que variavam de desertos áridos com algumas árvores dispersas a florestas subtropicais. As razões para a extinção destes animais são desconhecidas, mas vários possíveis fatores foram propostos.
 
A [[taxonomia (biologia)|taxonomia]] do gênero e das espécies dentro dele tem uma história longa e complicada. Outros gêneros de indricotérios do Oligoceno, como '''''Baluchitherium''''', '''''Indricotherium''''', e '''''Pristinotherium''''', foram nomeados, mas nenhum espécime completo existe, tornando comparações e classificações difíceis. A maioria dos cientistas modernos consideram esses gêneros sinônimos júnior de ''Paraceratherium'', e que contém pelo menos quatro espécies discerníveis; ''P.&nbsp;bugtiense'', ''P.&nbsp;transouralicum'', ''P.&nbsp;lepidum'', e ''P.&nbsp;huangheense''. A espécie mais completamenteprofundamente conhecida é ''P.&nbsp;transouralicum'', então a maior parte das reconstruções do gênero baseiam-se nela. Diferenças entre ''P.&nbsp;bugtiense'' e ''P.&nbsp;transouralicum'' podem ser devido ao [[dimorfismo sexual]], o que as tornariam a mesma espécie.
 
== Taxonomia ==
Embora o nome do gênero ''Indricotherium ''seja agora um sinônimo júnior de ''Paraceratherium'', o nome da subfamília Indricotheriinae ainda está em uso porque a sinonímia do nome do gênero não afeta os nomes dos táxons de nível superior derivados deles. Membros da subfamília ainda são, portanto, comumente referidos como indricotérios.<ref name="Antoine 2008">{{citar periódico| doi = 10.1111/j.1096-3642.2007.00366.x|título= A giant rhinocerotoid (Mammalia, Perissodactyla) from the Late Oligocene of north-central Anatolia (Turkey)|periódico= Zoological Journal of the Linnean Society| volume = 152|número= 3|páginas= 581–592|ano= 2008|último1 = Antoine |primeiro1 = P. O. |último2 = Karadenizli |primeiro2 = L. |último3 = Saraç |primeiro3 = G. E. |último4 = Sen |primeiro4 = S. }}</ref>
 
Em contraste com a revisão de Lucas e Sobus, um papel de 2003 de pesquisadores chineses sugeriu que ''Indricotherium'' e ''Dzungariotherium'' eram gêneros válidos, e que ''P.&nbsp;prohorovi'' não pertencia a ''Paraceratherium''. Eles também reconheceram a validade de espécies como ''P.&nbsp;lipidus'', ''P.&nbsp;tienshanensi'', e ''P.&nbsp;sui''.<ref name="Ye et al 2003">{{citar periódico|último = Ye |primeiro = Y. |último2 = J. |primeiro2 = Meng |último3 = Yu |primeiro3 = W. W. |título= Discovery of ''Paraceratherium'' in the northern Junggar Basin of Xinjiang |periódico= Vertebrata PalAsiatica | series = | volume = 41 |páginas= 220–229 |língua= Chinese, English |ano= 2003 |url=http://www.ivpp.cas.cn/cbw/gjzdwxb/xbwzxz/200901/W020090813371608948244.pdf}}</ref> Um papel de 2004 dos paleontólogos chineses [[Tao Deng]] e seus colegas também reconheceu três gêneros distintos.<ref name="Qui et al 2004">{{citar periódico|último1 =Qui|primeiro1 =Zhan-Xiang|último2 =Wang|primeiro2 =Ban-Yue|último3 =Deng|primeiro3 =Tao|ano=2004|título= Indricotheres (Perissodactyla, Mammalia) from Oligocene in Linxia Basin, Gansu, China|periódico= Vertebrata PalAsiatica|volume=42|número=3|páginas=177–192|língua=Chinese, English|url=http://www.ivpp.cas.cn/cbw/gjzdwxb/xbwzxz/200810/W020090813368533129427.pdf}}</ref> Alguns escritores ocidentais similarmente têm usado nomes considerados inválidos desde a revisão de 1989, mas sem fornecer uma análise detalhada e uma justificaçãojustificativa.<ref name="Prothero 2013 67 86"/>
 
=== Evolução ===
 
[[Imagem:Indricotherium transouralicum hind foot.jpg|thumb|upright|Pata posterior de ''P.&nbsp;transouralicum'', AMNH]]
Os membros eram grandes e robustos para suportar o grande peso do animal e eram, de certa forma, semelhantes e [[Convergência evolutiva|convergentes]] com os dos elefantes e dinossauros saurópodes, que também eram animais pesados que se moviam lentamente. Contrastando com esses animais, que tendem a ter os ossos dos membros superiores longos enquanto os membros inferiores, mãos e ossos dos pés encurtados, fundidos e comprimidos — os paraceratérios tinham ossos dos membros superiores curtos e ossos das mãos e dos pés longos — exceto pelas [[falange]]s em forma de disco — similarsimilarmente aos rinocerontes corredores dedos quequais descendem. Alguns ossos tinham quase {{Converter|50|cm|pol|o=e}} de comprimento. Os ossos das coxas tipicamente mediam {{converter|1.5|m|pé|o=e}}, um tamanho excedido apenas pelos de alguns elefantes e dinossauros. Os ossos das coxas eram como pilares e muito mais grossos e mais robustos que os de outros rinocerontes, e os três [[trocanter]]es nos lados eram muito reduzidos, já que esta robustez diminuiu sua importância. Os membros eram dispostos em uma postura de coluna em vez de curvados, como em animais menores, o que reduziu a necessidade de grandes músculos nos membros.<ref name="Prothero 2013 87 106"/> As pernas posteriores tinham três dedos nos pés.<ref>{{citar periódico| doi = 10.1016/j.jaes.2003.09.005|título= New remains of the baluchithere ''Paraceratherium bugtiense'' from the Late/latest Oligocene of the Bugti hills, Balochistan, Pakistan|periódico= Journal of Asian Earth Sciences| volume = 24|páginas= 71–77|ano= 2004|último1 = Antoine |primeiro1 = P. O. |último2 = Ibrahim Shah |primeiro2 = S. M. |último3 = Cheema |primeiro3 = I. U. |último4 = Crochet |primeiro4 = J. Y. |último5 = Franceschi |primeiro5 = D. D. |último6 = Marivaux |primeiro6 = L. |último7 = Métais |primeiro7 = G. G. |último8 = Welcomme |primeiro8 = J. L. | bibcode = 2004JAESc..24...71A}}</ref>
 
[[Imagem:Paraceratherium restorations 1923.jpg|thumb|esquerda|Reconstruções esqueléticas de 1923 de ''P.&nbsp;transouralicum'' (então ''B. grangeri''), em versões semelhantes a rinocerontes e outra mais magra.]]
== Distribuição e habitat ==
[[Imagem:Paraceratherium distrbution.png|thumb|200px|esquerda|Localização dos fósseis encontrados.]]
Restos atribuíveis ao gênero ''Paraceratherium'' foram encontrados nas formações do início ao fim do período Oligoceno (34–26 milhões de anos atrás) na Eurásia, nos dias atuais, [[China]], [[Mongólia]], [[Índia]], [[Paquistão]], [[Cazaquistão]], [[Geórgia]], [[Turquia]], [[Romênia]], [[Bulgária]] e nos [[Bálcãs]].<ref name="Prothero 2013 35 52" /> Sua distribuição pode ser correlatadacorrelacionada com o desenvolvimento [[paleogeográfico]] do cinturão de montanhas alpino-himalaio. A distribuição dos fósseis de paraceratérios encontrados implica que eles habitaram uma massa terrestre contínua com um ambiente similar em todas elas, mas isto é contraditório porque os mapas paleogeográficos mostram que essa área teve várias barreiras marinhas, então o gênero foi bem-sucedido em ser amplamente distribuído apesar disto.<ref>{{citar periódico| doi = 10.1007/s00114-011-0786-z| pmid = 21465174|título= Giant rhinoceros ''Paraceratherium'' and other vertebrates from Oligocene and middle Miocene deposits of the Kağızman-Tuzluca Basin, Eastern Turkey|periódico= Naturwissenschaften| volume = 98|número= 5|páginas= 407–423|ano= 2011|último1 = Sen |primeiro1 = S. |último2 = Antoine |primeiro2 = P. O. |último3 = Varol |primeiro3 = B. |último4 = Ayyildiz |primeiro4 = T. |último5 = Sözeri |primeiro5 = K. | bibcode = 2011NW.....98..407S}}</ref> A fauna que coexistiu com os paraceratérios inclui outros rinocerontes, [[artiodátilo]]s, roedores, [[cães-urso]], furões, [[hienodontídeos]], [[nimravidíos]] e felinos.<ref name="Prothero 2013 107 121" />
 
Os vários tipos de formações geológicas onde os fósseis foram encontrados sugerem que os paraceratérios ocupavam diferentes habitats dependendo da área em questão.<ref name="Prothero 2013 107 121"  /> A [[formação de Hsanda Gol]] da Mongólia representa uma bacia árida e desértica, acredita-se que o ambiente tenha tido poucas árvores altas e uma cobertura limitada de arbustos, tal como a fauna consistia principalmente de animais que se alimentavam da copa das árvores ou perto do solo.<ref>{{citar periódico| doi = 10.1038/28603|ano= 1998|último1 = Meng |primeiro1 = J. |título= Faunal turnovers of Palaeogene mammals from the Mongolian Plateau|periódico= Nature| volume = 394|número= 6691|páginas= 364–367|último2 = McKenna |primeiro2 = M. C. | bibcode = 1998Natur.394..364M}}</ref> Um estudo de pólen fóssil mostrou que grande parte da China era arbustiva lenhosa, com plantas como ''[[Atriplex]]'', ''[[Ephedra]]'' e ''[[Nitraria]]'', todas adaptadas a ambientes áridos. Árvores eram raras, e concentradas próximas a lençóis freáticos.<ref>{{Citation |último1 = Leopold |primeiro1 = E. B. |autorlink1 = |autorlink2 = |último2 = Liu |primeiro2 = G. |último3 = Clay-Poole |primeiro3 = S. |capítulo= Low-Biomass Vegetation in the Oligocene? |editor-sobrenome1 = Prothero |editor-nome1 = D. R. | editor1-link = Donald R. Prothero |editor-sobrenome2 = Berggren |editor-nome2 = W.A. | editor2-link = |título= Eocene-Oligocene Climatic and Biotic Evolution |publicado= Princeton University Press |ano= 1992 |local= Princeton |páginas= 399–420 | url =| doi = | id = | isbn = 978-0-691-02542-1 | oclc = }}</ref> As partes da China onde os paraceratérios viviam tinha [[lagos secos]] e abundantes [[dunas]], e os fósseis vegetais mais comuns são folhas adaptadas ao deserto ''[[Palibinia]]''. As espécies de árvores na Mongólia e na China incluíam [[bétula]]s, [[ulmeiro]]s, [[carvalho]]s e outras árvores [[Caducifólia|decídua]]s, enquanto a Sibéria e o Cazaquistão também tinham árvores nogueiras.<ref name="Prothero 2013 107 121" /> Dera Bugti no Paquistão tinha florestas secas, temperasde temperadas a subtropicais.<ref name="2011 isotopes">{{citar periódico| doi = 10.1016/j.palaeo.2011.07.010|título= Pakistan mammal tooth stable isotopes show paleoclimatic and paleoenvironmental changes since the early Oligocene|periódico= Palaeogeography, Palaeoclimatology, Palaeoecology| volume = 311|páginas= 19–29|ano= 2011|último1 = Martin |primeiro1 = C.|último2 = Bentaleb |primeiro2 = I.|último3 = Antoine |primeiro3 = P. -O. }}</ref>
 
== Extinção ==
[[Imagem:Paraceratherium herd.jpg|thumb|200px|Manada de ''P.&nbsp;transouralicum'' se alimentando, por Elizabeth Rungius Fulda, 1923.]]
As espécies do gênero ''Paraceratherium'' foram extintas após cerca de 11 milhões de anos de existência, por razões desconhecidas, mas é improvável que seja devido a apenas uma causa.<ref name="Prothero 2013 107 121" /> Possíveis razões incluem mudança climática, taxa baixa de reprodução, e a invasão de [[proboscídeo]]s da família ''[[Gomphotheriidae]]'', oriundos da África, no final do período [[Oligoceno]] (entre 28 e 23 milhões de anos atrás). Esses invasores podem ter sido capazes de mudar radicalmente os habitats em que se instalavam, na mesma forma em que os [[elefantes-africanos]] fazem atualmente, destruindo árvores e tornando florestas em regiões de vegetação rasteira. À medida em que sua fonte de alimentação foi rareando, a sua população foi diminuindo numericamente, se tornando mais vulnerável a outras ameaças.<ref>{{citar periódico|último = Putshkov |primeiro = P. V. |autorlink = |título= "Proboscidean agent" of some Tertiary megafaunal extinctions |periódico= Terra degli elefanti Congresso internazionale: the world of elephants | series = | volume = |páginas= 133–136 |ano= 2001 }}</ref> GrandeGrandes predadores como ''[[Hyaenaelurus]]'' e ''[[Amphicyon]]'' também vieram da África para a Ásia durante o [[Mioceno]] recente (cerca de 23 a 16 milhões de anos atrás), e podem também ter predado os filhotes dos paraceratérios. Outros herbívoros também invadiram a Ásia durante esse período.<ref name="Prothero 2013 107 121">Prothero, 2013. pp. 107–121</ref>
{{Notas}}{{Referências}}
 
* {{citar livro|último = Prothero |primeiro = D. |título= Rhinoceros Giants: The Palaeobiology of Indricotheres|publicado= Indiana University Press |ano= 2013 |edição= |local= Indiana | isbn = 978-0-253-00819-0}}
{{controlo de autoria}}
 
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[[Categoria:Perissodáctilos pré-históricos]]