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A vegetação está representada, principalmente, pela [[Latifoliada|Floresta Equatorial Latifoliada]], com variações que favorecem o aparecimento dos subtipos: Floresta Densa Submontana em relevo aplainado e em relevo acidentado e Floresta Aberta Latifoliada. Nas áreas desmatadas, foram plantadas pastagens destinadas à atividade pecuária. Ao longo das margens dos rios e igarapés, encontram-se pequenas faixas de [[Floresta de Galeria]].<ref name="Portal Amazônia"/>
 
As poucas áreas ainda preservadas do município estão ameaçadas e sob forte pressão da [[mineração]] industrial, pois encontram-se nas proximidades dos projetos SeraSerra Leste e Cristalino, havendo maior concentração nas Serras do Buriti e da Estrela.<ref name="Portal Amazônia"/>
 
=== Hidrografia ===
 
== História ==
[[Imagem:Formigas Humanas da Serra Pelada.jpg|thumb|200px|left|O "formigueiro humano" subindo as escadarias da mina da Serra Pelada, nas cercanias do ano de 1983.]]
[[Ficheiro:Rodovia PA-275 em Curionópolis.jpg|thumb|200px|esquerda|Rodovia [[PA-275]], em 2017, no bairro Da Paz, em Curionópolis.]]
O município surgiu de dois povoados distintos, onde um deles formado no km 30<ref name="Alencar">{{citar periódico|autor=Alencar, Eli Carlos de Sousa. |título=Curionópolis: História, Mineração e Desenvolvimento. |periódico=Blog Geógrafo 5 |data=16 de abril de 2011}}</ref> da rodovia estadual [[PA-275]] hoje é a sede de Curionópolis; o outro povoado é a [[Serra Pelada]], formada ao pé da colina de mesmo nome. Ambos formados em 1979, a época pertenciam ao município de Marabá e somente constituíram município em 1988. Quando da emancipação, era parte do município o distrito de Eldorado (ou "Km 100"), que posteriormente formou o município de [[Eldorado do Carajás]]<ref>{{citar web|url=http://www.portalamazonia.com.br/secao/amazoniadeaz/interna.php?id=591 |obra=Amazônia de A a Z |título=Curionópolis, município do Pará |publicado=Portal Amazônia |acessodata=13 de julho de 2018}}</ref>.
 
A intensa migração para a área chamou atenção do [[regime militar no Brasil|governo militar]], que enviou o major [[Sebastião Curió]] para servir como interventor local, indicação conseguida graças a sua experiencia durante a [[Guerrilha do Araguaia]]. Segundo informações de arquivos do governo datados de 1980, até então secretos, o extinto [[Serviço Nacional de Informações]] (SNI) preocupava-se com a jazida de ouro em Serra Pelada<ref>{{citar web|autor=Loyola, Leandro. |url=http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EDR67559-6009,00.html |título=História nas gavetas: Militares negam, mas os arquivos da ditadura estão repletos de documentos e o governo espera oportunidade para liberá-los |publicado=Revista Época |acessodata=13 de julho de 2018}}</ref>. Os militares acreditavam que a presença do major Curió (já cooptado como agente do [[Centro de Informações do Exército|CIE]]-SNI) seria fundamental para identificar pessoas na clandestinidade e militantes da [[esquerda política]] atraídos para o local<ref>{{citar notícia|autor=Luiz, Edson.|url=http://www2.senado.leg.br/bdsf/bitstream/handle/id/56105/noticia.htm?sequence=1 |título=Militares monitoraram garimpo de Serra Pelada |jornal=Correio Braziliense |data=12 de setembro de 2012}}</ref>, além de coibir o grande número de delitos e a crescente violência no local. Na região proliferava a [[prostituição]], e em virtude da existência de grande número de bares, as brigas, tentativas de assassinatos e assassinatos multiplicavam-se.<ref name="Silva 2003">{{citar livro|autor=Silva, Tânia Ribeiro da. |título=Curionópolis: resultado da migração – pós 1980. |data=2003 |obra=Monografia de conclusão de curso apresentada para obtenção do grau de licenciatura em História. |editora=Universidade Federal do Pará |local=Belém}}</ref>
 
Segundo a historiadora Tânia Silva, no período mais movimentado da economia do ouro, chegaram a existir cerca de cinco mil mulheres trabalhando em Curionópolis como prostitutas, e; o estigma da violência foi tão forte que, naquele período, as pessoas referiam-se aao Curionópolisvilarejo como "30 de dia e 38 à noite", numa clara alusão à violência e ao [[.38 Smith & Wesson Special|revólver calibre 38]], de porte comum à época.<ref name="Silva 2003"/>
 
O major Curió ordenou a ocupação territorial na região separando as funções dos dois vilarejos, especializando o "Trinta" em centro residencial, comercial e administrativo, devendo receber as mulheres e suas famílias<ref name="ibge cidade">{{citar web|url=https://cidades.ibge.gov.br/brasil/pa/curionopolis/historico |título=História de Curionópolis |publicado=IBGE Cidades |data=2005}}</ref>, tendo para isso organizado os arruamentos do local e distribuído gratuitamente títulos de posse de terrenos urbanos<ref name="unb"/>. O vilarejo do Trinta foi separado em dois setores, sendo o primeiro (km 30) eminentemente residencial e comercial, e o segundo (conhecido como km 31) para abrigar os prostíbulos, bares e outros comércios. No caso da Serra Pelada, o segundo vilarejo, Curió proibiu a presença de mulheres e bebidas no local, sob a justificativa de diminuir as brigas e mortes constantes.<ref name="unb"/>
Em 1980 as atividades garimpeiras na Serra Pelada começaram seu período áureo, onde somente neste ano seriam extraídas 7 toneladas de ouro. Inevitavelmente a corrida ao ouro saiu do controle das autoridades locais, e a intervenção federal tornou-se mais intensa, com o fechamento da região do garimpo pela Polícia Federal para impedir a entrada de mais pessoas no local. Como medida para evitar a evasão e o contrabando do ouro, o governo montou na própria vila uma [[Caixa Econômica Federal]], que seria a única compradora legalizada do metal precioso. Para coibir a entrada de mais garimpeiros ilegais, as áreas de lavra e os garimpeiros foram registrados pela Receita Federal; e a área do garimpo e da vila do Trinta (a época já com nome de Curionópolis) foi dotada de infraestrutura de [[Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos|Correios]] e de um armazém da [[Companhia Brasileira de Alimentação|Cobal]], para que não fosse necessário o deslocamento constante de pessoas pela região.<ref name="Mathis"/>
 
Em 1981, os depósitos de ouro na superfície se esgotaram, sendo necessário adequar o local para prorrogar a extração manual. Neste mesmo ano a Serra Pelada passa a abrigar 80 mil garimpeiros, com a exploração caindo para 2,5 toneladas de ouro. O declínio tornou-se acentuado e, em 1984, a cava do garimpo jé alcançava 200 metros de profundidade, tornado inviável a exploração. Desde este ano a produção foi caindo até que, em 1991, extraiu-se somente 13 quilos de ouro, quando a exploração foi vetada.<ref>{{citar web|url=http://www.bcb.gov.br/htms/museu-espacos/pepitas/historiaspelada.asp?idpai= |título=Pepitas de Ouro: Garimpo de Serra Pelada |publicado=Banco Central do Brasil |acessodata=24 de abril de 2014}}</ref>
 
A decadência da garimpagem na vila de Serra Pelada refletiu na vida econômica da região, que caiu em grande ostracismo econômico e político, observado pela grande pobreza e concentração de renda.<ref name="Teixeira de Souza">{{citar livro|autor=Teixeira de Souza, Mateus. |título=Análise dos Municípios do Corredor Logístico da Estrada de Ferro Carajás: Impactos da Gestão Fiscal no Desenvolvimento Regional |obra=Monografia de Conclusão de Curso para Obtenção do Grau de Bacharel em Economia. |local=Belém |editora=Faculdade de Ciências Econômicas da [[Universidade Federal do Pará]] |data=2014}}</ref> Na segunda metade da década de 1980, a vida econômica da Vila de Curionópolis - que sobrevivia do comércio de motores, combustíveis, equipamentos, venda de alimentos, bebidas, entre outros - passou a orbitar em torno da cooperativa dos garimpeiros [[Cooperativa Mista de Garimpeiros de Serra Pelada|COOMIGASP]], que é mergulhada em disputas políticas.<ref name="Mathis"/>
 
=== Da emancipação à década de 1990 ===
 
O declínio do ouro e o ostracismo econômico experimentado a partir de 1985, levou Curionópolis a se organizar no intuito de emancipar-semse em relação a [[Marabá]]. A associação de moradores da vila, com o apoio da cooperativa de garimpeiros e de figuras locais influentes como o major Curió, conseguiram pleitear a realização de um plebiscito. O escrutínio mostrou um resultado superior a 90% de aprovação pela emancipação, número que viabilizou a emancipação local.
 
Com tal resultado, em 10 de maio de 1988, através da Lei Estadual nº 5.444, Curionópolis foi elevado à condição de município. Sua instalação ocorreu em 1 de janeiro de 1989, com a posse do prefeito Salatiel Almeida, eleito em 15 de novembro de 1988.<ref name="ibge cidade"/> Na data da instalação, a Vila de Curionópolis foi escolhida como sede, em detrimento da Vila de Serra Pelada e da Vila de Eldorado, por ter melhor infraestrutura que as outras últimas.<ref name="ibge cidade"/>
 
Pela Lei nº 5.687, estatuída pela Assembleia Legislativa do Estado do Pará e sancionada pelo Governador Jader Barbalho, no dia 13 de dezembro de 1991, foi criado o município de [[Eldorado do Carajás]], com área desmembrada do município de Curionópolis.<ref>{{citar web|url=http://www.pge.pa.gov.br/sites/default/files/repositorio/1991/lo5687.pdf |título=Lei nº 5.687, de 13 de dezembro de 1991 |publicado=Governo do Estado do Pará |autor=Barbalho, Jader Fontenelle |data=13 de dezembro de 1991}}</ref> Assim, o município perdia quase metade de suas terras e população antes de completar 3 anos de instalado.
 
Embora sua história não seja lembrada pelo [[Massacre de Eldorado do Carajás]], foi em Curionópolis que ocorreram os movimentos que antecederam o episódio fatídico. Em 8 de novembro de 1995, cerca de 3.000 famílias de trabalhadores sem terra -aproximadamente 15 mil pessoas- acamparam no Centro Agropastoril de Curionópolis (CAC), pertencente à prefeitura e ao governo federal. Os trabalhadores cobravam a desapropriação de áreas para assentamento. Sua reivindicação foi tratada com apatia e desdém pelos órgãos responsáveis, fato que levou a ocorrer o episódio no município vizinho, no ano seguinte, com os mesmos trabalhadores que invadiram o CAC.<ref>{{citar notícia|url=https://www1.folha.uol.com.br/fsp/1995/11/09/brasil/28.html |título=Três mil famílias invadem área pública no sul Pará |autor=Maria, Estanislau. |data=9 de novembro de 1995 |jornal=Folha de S. Paulo}}</reF><ref>{{citar notícia|url=https://noticias.uol.com.br/politica/ultimas-noticias/2011/04/17/apos-15-anos-dois-unicos-condenados-pelo-massacre-de-eldorado-dos-carajas-continuam-soltos.htm |título=Após 15 anos, dois únicos condenados pelo massacre de Eldorado dos Carajás continuam soltos |autor=Balza, Guilherme. |jornal=UOL Notícias |local=São Paulo |data=17 de abril de 2011}}</ref>
 
=== Década de 2000 ===
 
== Infraestrutura ==
[[Ficheiro:Rodovia PA-275 em Curionópolis.jpg|thumb|200px|esquerda|Rodovia [[PA-275]], em 2017, no bairro Da Paz, em Curionópolis.]]
=== Acessos ===
As principais vias de acesso do do município são as rodovias [[PA-275]], que permitem ligação com Parauapebas e Eldorado do Carajás, e; a [[PA-160]], que corta a extremidade sul de Curionópolis.