Diferenças entre edições de "Francisco de Almeida (vice-rei da Índia)"

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Diz o cronista: «Partiu de Quiloa na véspera do bem aventurado São Lourenço, em 9 de agosto, para Mombaça, que já se havia armado com muita artilharia assentada no muro e 4 mil soldados. Na véspera da Assunção de Nossa Senhora, mandou incendiar a cidade, e entraram nela recebendo grande dano de pedras, zagunchos e lanças d'arremesso. Saqueou-a e ardeu toda. Não pode ir ver o Rei de Melinde por força do vento, e partiu em 27 de agosto. O de Onor e o alcaide d Cintacora mandaram pedir paz e a concedeu, mas o d Onor a quebrou e foi desbaratado. Depois chegou a Cananor e se chamou Vice-Rei. Mandou o filho à ilha de Maldiva, a 50 léguas de Cochim, e percorreu a costa do Malabar, onde desbaratou armada do Rei de Calecut e desfez a fortaleza Danchediva.»
 
[[Lourenço de Almeida (capitão-mor)|D. Lourenço de Almeida]] seu filho, porém, morreu no rio de Chaul com mais de 80 portugueses. Sua morte foi heróicaheroica: ferido, sentado numa cadeira e amarrado ao mastro, comandou seus homens até que uma segunda bombarda lhe roubasse a vida. Depois que morreu seu filho Lourenço de Almeida em [[Chaul]], o carácter de seu pai mudou para vingativo e cruel; entregou com relutância o governo a [[Afonso de Albuquerque]].
 
Na saborosa língua dos cronistas, «pelas naus de Jorge d'Aguiar, em [[1508]], D Francisco recebeu cartas de el-rei mandando entregar a governança da IndiaÍndia a [[Afonso de Albuquerque]]. Partiu de Cananor para Diu em 12 de dezembro, em busca d Mirhocem, capitão do sultão ou soldão de Babilónia, com 19 velas: pelejou contra ele e contra a armada de Calecut[[Calecute]] e de Miliquias, senhor de Dio ou Diu, e os venceu e desbaratou. Acertou pazes com Miliquias e partiu para Cochim.»
 
Graças ao seu valor como homem do mar e governante esclarecido e incorruptível, o domínio português no [[Oriente]] torna-se completo. Quando, após ser substituído no cargo de vice-rei da Índia por [[Afonso de Albuquerque]], regressou a Portugal em [[1510]], morrendo numa escaramuça com indígenas perto do [[Cabo da Boa Esperança]].
Escreveu ao rei D. Manuel uma carta que é dos documentos mais importantes da história portuguesa:
 
"Toda nossa força seja no mar, desistamos de nos apropriar da terra. As tradições antigas de conquista, o império sobre Reis tão distantes não convemconvêm. Destruamos estas gentes novas (árabes, afgãsafegãs, etíopes, turcomanos) e assentemos as velhas e naturais desta terra e costa: depois iremos mais longe. Se o que queremos são os produtos da Índia, o nosso império marítimo assegurará o monopólio português contra o turco e o veneziano. Imponhamos pesados tributos, exageremos o preço das licenças ([[Cartaz (licença)|cartazes]]) para as naus dos mouros navegarem nos mares da Índia e isso as expulsará. Que tenhamos fortalezas ao longo da costa mas apenas para proteger as feitorias porque a verdadeira segurança delas estará na amizade dos rajásrajas indígenas por nós colocados nos seus tronos, por nossas armadas defendidos. Substituamo-nos ao turco e abandonemos a idéiaideia de conquista para não padecermos das moléstias de Alexandre.»
 
E mais, segundo Cassiano Neves: «Torno a lembrar a Vossa Alteza que nunca sereis bem servido enquanto vossos oficiais de justiça e Fazenda forem tratantes mercadores.»
 
As guerras eram agora contra venezianos e turcos, com esquadra poderosa no mar Vermelho, com pólvora – cruel temeridade. Quando D. Lourenço de Almeida, seu filho, morreu em Chaul (Tschala), fora batido pela esquadra egípcia, a armada do Morocem, capitão-mor do sultão ou Soldão do Grã Cairo e da Babilónia, como se dizia no tempo. Tal esquadra descera do Mar Vermelho, deitando âncora em Diu, na costa do Guzarate. D. Francisco subia ao longo da costa deixando atrás de si rasto de cinzas e sangue. Batalha indescritível entre os pavilhões da cruz e do crescente, disputando com furor o saque da IndiaÍndia, naus vomitando fogo, artilharia de águias, sacres e falcões, pedreiras que arrojavam balas de granito, berços, camelos, colubrinas e esperas, mosqueteiros despejando surriadas de balas. Cena de carnagem que o almirante vice-rei assistiu do chapitéu de sua nau e, percebendo que lhe faltava o filho, «se foi assentar na tolda com um lenço na mão, que não podia estancar as lágrimas que lhe corriam.» Ao passar diante de Kananor, saltou à terra para celebrar vitória mas para acabar de vingar a morte do filho, mandou amarrar os prisioneiros às bocas das bombardas e os crânios e os membros despedaçados dos infelizes iam cair na cidade como pelouros.
 
O «''Ano Histórico''» descreve a batalha para vingar a morte do filho na barra de Diu, onde se achavam 200 velas de Mir Hocém, geneneral do sultão do Cairo, de Melique e do Çamori – uns pelejavam corpo a corpo a botes de lança, a golpes de espada; outros ao longe com armas de arremesso. O zonido das balas atroava os ouvidos e elas despedaçavam os corpos. Muitos, arrojando-se ou sendo arrojados ao mar, lutavam ao mesmo tempo com as ondas e com a morte. A água se via convertida em sangue, o ar em fogo. Tudo confusão medonha, tudo horror, tudo assombro, tudo estrago: durou o conflito das 11 horas da manhã até as duas da noite. Dos nossos morreram pouco mais de 30, dos mouros mais de 1.500. Chegavam à corte noticias pérfidas de seus excessos, e o esperava a masmorra de Duarte Pacheco: porém na viagem de volta ao reino deu à costa da Cafraria e foi morto pelos negros às pedradas e zagunchadas.
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