Macário de Jerusalém: diferenças entre revisões

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|legenda = A [[Vera Cruz]], com [[Helena de Constantinopla|Santa Helena]] e São Macário.<br /><small>1578. Por [[Tintoretto]], na Igreja de S. Maria Mater Domini, em [[Veneza]].</small>
|títulos = [[Bispo de Jerusalém]]
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|atribuições = Vestes de bispo
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|principal_templo = Capela de Santo Antônio, em [[Pittsburgh]], na [[Pennsylvania]], [[Estados Unidos]], onde estão localizadas as suas [[relíquia]]s, inclusive o seu crânio.
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'''Macário de Jerusalém''' foi [[bispo de Élia Capitolina]] entre 312 e 325. Quando a cidade retomou seu antigo nome, passou a ser [[bispo de Jerusalém]], cargo que manteve até a sua morte por volta de 335, segundo [[Sozomeno]], mais provavelmente 333.
O vigor de sua oposição à nova [[heresia]] é demonstrado pela maneira abusiva com que [[Ário]] fala dele em sua carta a [[Eusébio de Nicomédia]]<ref>{{citar livro|nome=[[Teodoreto]]|título=História Eclesiástica|volume=I|capítulo=4|subtítulo=The Letter of Ariusto Eusebius, Bishop of Nicomedia.|url=http://www.newadvent.org/fathers/27021.htm|língua=inglês}}</ref>. Ele também participou do [[Primeiro Concílio de Niceia]], em 325, e duas conjecturas sobre o seu papel ali merecem ser mencionadas. A primeira é de que houve uma altercação entre ele e seu [[bispo metropolitano]], [[Eusébio de Cesareia]], sobre os direitos de suas respectivas [[sé episcopal|sés]]. O sétimo cânone do concílio - ''"Como a antiga e costumeira tradição mostra que o bispo de [[Élia Capitolina]] [Jerusalém] deva ser honrado, ele deve ter precedência; sem prejuízo, porém, à dignidade que pertence à [[sé metropolitana|metrópole]]"'' - por ser vago sugere que o resultado foi resultado de uma acirrada disputa. A segunda conjectura é que Macário, juntamente com [[Eustácio de Antioquia]], teve papel preponderante na criação do [[credo de Niceia]], finalmente adotado pelo concílio<ref>Para as bases desta conjectura (expressões no credo que lembra os credos de [[credo de Jerusalém|Jerusalém]] e [[credo de Antioquia|Antioquia]]), o leitor pode consultar Hort, "Two Dissertations", etc., 58 sqq.; [[Harnack]], "Dogmengesch.", II (3a edição), 231; Kattenbusch, "Das Apost. Symbol." (índice do vol. II.)</ref>.
 
E das conjecturas, pode vir a ficção. Na "História do Concílio de Niceia", atribuída a [[Gelásio de Cízico]], há diversas disputas imaginárias entre os anciãos do concílio e filósofos pagos por Ário. Em uma dessas disputas, na qual Macário é o porta-voz dos bispos, ele defende a [[Descida de Jesus ao Inferno]]. Esse fato, tendo em vista a questão de se a Descida estava presente no [[credo de Jerusalém]], é interessante, especialmente por que em outros aspectos, a linguagem de Macário é representada em conformidade com a do credo<ref>cf Hahn, "Symbole", 133.</ref>. O nome de Macário aparece em primeiro entre os bispos da [[Síria Palestina|Palestina]] que subscreveram o resultado do concílio; o de Eusébio aparece em quinto. [[Atanásio de Alexandria]], em sua carta encíclica aos bispos do [[Egito (província romana)|Egito]] e da [[Líbia antiga|Líbia]], coloca o nome de Macário (que já havia morrido há muito) entre os mais renomados por sua ortodoxia. [[Sozomeno]]<ref>{{citar livro|nome=[[Sozomeno]]|título=História Eclesiástica|volume=II|capítulo=20|subtítulo=Concerning Maximus, who succeeded Macarius in the See of Jerusalem.|url=http://www.newadvent.org/fathers/26022.htm|língua=inglês}}</ref> relata que Macário apontou Máximo, que seria seu sucessor, como bispo de [[Lida]] e que este apontamento não se realizou por que o povo de Jerusalém se recusou a deixar Máximo partir. Ele também nos conta uma outra versão da história, dizendo que o próprio Macário teria mudado de ideia, por temer que, com Máximo fora do caminho, um bispo não ortodoxo pudesse ser apontado para sucedê-lo. [[Tillemont]]<ref>Mém. Ecclés., VI, 741.</ref> não corrobora esta história: Macário, se o tivesse feito, teria entrado em contravenção com o sétimo cânone de Niceia e Aécio, que era na época do concílio o bispo da Lídia, estava certamente vivo em 331 e, muito provavelmente, em 349. É claro que se Aécio viveu mais que Macário, a história não se sustenta. Contudo, se ele morreu pouco depois de 331, ela pode ser verdadeira. O fato de Macário estar se aproximando de sua morte poderia explicar a relutância, de sua parte ou de seu rebanho, em se afastar de Máximo.
 
== Macário e as relíquias sagradas ==