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clean up, replaced: <ref>[http://www.answers.com/topic/vegetarianism-research-and-general-acceptance]</ref> →
[[Ficheiro:Soy-whey-protein-diet.jpg|thumb|direita|300px]]
 
'''Vegetarianismo''' ou '''vegetarismo''' é um [[Dieta|regime alimentar]] baseado no consumo de alimentos de origem [[Plantae|vegetal]]. Define-se como a prática de não comer qualquer tipo de animal, com ou sem uso de [[laticínio]]s e [[ovo]]s. <ref name="FERREIRA, A. B. H. 1986. p. 1">FERREIRA, A. B. H. ''Novo dicionário da língua portuguesa''. 2ª edição. Rio de Janeiro. Nova Fronteira. 1986. p. 1 758.</ref>
<ref>''União Vegetariana Internacional''. Disponível em http://www.ivu.org/portuguese/faq/definitions.html. Acesso em 26 de setembro de 2014.</ref>
 
 
== Etimologia ==
Embora algumas fontes sugiram que a palavra deriva do [[Latim]] ''vegetus'' (que significa "vigoroso"), não existem quaisquer provas que suportem essa teoria. A confusão parece resultar de uma passagem de um livro escrito em 1906 em que o autor analisa a palavra de um ponto de vista etimológico, para concluir que a mesma não deriva directamente do Latim. <ref>{{Citar web |url=http://www.vegsource.com/john-davis/the-vegetus-myth.html |título=The Vegetus Myth |língua= |autor= |obra= |data= |acessodata=}}</ref> Na verdade, o termo já estava em uso desde 1840, e o [[dicionário]] de [[Língua inglesa|Inglês]] [[Oxford English Dictionary|Oxford]], entre outros, refere que a palavra foi formada a partir de "vegetable" (vegetal) e do [[sufixo]] "-arian".<ref>''OED'' vol. 19, second edition (1989), p. 476; ''Webster’s Third New International Dictionary'' p. 2537; ''The Oxford Dictionary of English Etymology'', Oxford 1966, p. 972; ''The Barnhart Dictionary of Etymology'' (1988), p. 1196; Colin Spencer, ''The Heretic's Feast. A History of Vegetarianism'', London 1993, p. 252.</ref> A palavra terá entrado no vocabulário geral devido à criação da Vegetarian Society, em Ramsgate, em 1847.
 
A versão mais curta ("vegetarismo") é derivada do termo [[Língua francesa|francês]] ''végétarisme''.<ref> name="FERREIRA, A. B. H. ''Novo dicionário da língua portuguesa''. 2ª edição. Rio de Janeiro. Nova Fronteira. 1986. p. 1 758.<"/ref>
 
== Formas de vegetarianismo ==
[[Imagem:Vegetarian.png|thumb|250px|direita|Outro dos símbolos do vegetarianismo]]
 
A britânica [[Anna Kingsford]] é considerada a mãe do vegetarianismo no [[Ocidente]].<ref> [http://www.kingsford.com.br/ Anna Kingsford, The Mother of Vegetarianism] </ref> Depois de seis anos de estudo, conquistou [[diploma]] em Paris ([[1880]]), quando pôde, então, exercer a advocacia pelos animais com maior autoridade. A sua [[tese]] final, ''L'Alimentation Végétale de l'Homme'' ("A alimentação Vegetal Humana"), foi uma das obras fundamentais sobre os benefícios do vegetarianismo, tendo sido publicada com o título em inglês ''The Perfect Way in Diet'' (1881).<ref> Rudacille, Deborah. The Scalpel and the Butterfly. University of California Press, 2000, pp. 31, 46 </ref> <ref> [http://www.anna-kingsford.com/portugues/obras_de_anna_kingsford/textos/01-OAKM-P-PwayDiettxt.htm Livrp online] </ref> Fundou a ''Food Reform Society'' nesse ano e viajou à [[Europa]] para divulgar a dieta do vegetarianismo na [[Inglaterra]]; e a [[Paris]], [[Gênova]] e [[Lausanne]] para falar do [[Testes com animais|uso de animais em experimentos científicos]].<ref> Rappaport, Helen. "Kingsford, Anna," Encyclopedia of Women Social Reformers, 2001 </ref>
 
== Vegetarianismo e nutrição ==
Dietas vegetarianas normalmente são ricas em [[proteína]],<ref> [http://saude.terra.com.br/conheca-10-fontes-de-proteinas-que-podem-substituir-a-carne,bc888c3d10f27310VgnCLD100000bbcceb0aRCRD.html Saúde, Terra] </ref> [[carboidratos]], [[fibras dietéticas]], [[magnésio]], [[potássio]], [[folato]], [[antioxidantes]] (como vitaminas C e E) e fitoquímicos, além de apresentarem baixa ingestão de [[gordura saturada]] e [[colesterol]], fornecendo diversos benefícios nutricionais.<ref>American Dietetic Association, Dietitians of Canada. Position of the American Dietetic Association and Dietitians of Canada: vegetarian diets. Can J Diet Pract Res. 2003; 64(2):62-81.</ref> Por outro lado, dietas vegetarianas podem apresentar menor ingestão de [[vitamina B12]], [[vitamina D]], [[cálcio]], [[selênio]], [[iodo]], [[ferro]], [[zinco]] o que pode causar efeitos negativos sobre o organismo.
[[File:Au Grain de Folie, 24 Rue la Vieuville, 75018 Paris 2004.jpg|esquerda|thumb|280px|Restaurante vegetariano em [[Paris]]]]
 
 
==== Vitamina B12 ====
Deficiência de vitamina B12 pode causar anemia e danos ao sistema nervoso.<ref name="vegsoc-b12">{{Citar web |url=http://www.vegansociety.com/food/nutrition/b12/ |título=What every vegan should know about vitamin B12 |língua= |autor= |obra= |data= |acessodata=}}</ref> No passado, acreditava-se que alimentos como espirulina (''Spirulina platensis''), levedura de cerveja ou produtos fermentados a base de soja (como [[tempeh]] e [[missô]]) poderiam ser fontes de vitamina B12, porém não é possível absorver a B12 contida nesses alimentos. Estudos em ratos comprovam que a B12 encontrada nas algas Chlorella e Nori são fontes válidas para mamíferos. <ref name="b12-nori">{{Citar web |url=http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/11430774 |título=Feeding dried purple laver (nori) to vitamin B12-deficient rats significantly improves vitamin B12 status.}}</ref><ref name="b12-chlorella">{{Citar web |url=http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/12656203 |título=Characterization and bioavailability of vitamin B12-compounds from edible algae.}}</ref><ref name="b12-vegan-living-food">{{Citar web |url=http://jn.nutrition.org/content/125/10/2511.long}}</ref>
 
==== Vitamina D ====
Embora encontrada apenas em [[frutos do mar]], a [[vitamina D]] tem uma característica única; o corpo a fabrica uma vez que é exposto aos raios do sol.<ref>[http://g1.globo.com/bemestar/noticia/2011/03/tomar-sol-e-fundamental-para-o-corpo-obter-vitamina-d-explica-especialista.html Tomar sol é fundamental para o corpo obter vitamina D, explica especialista] - Globo </ref> A deficiência de vitamina D inibe a absorção de cálcio pelo organismo,<ref>{{citar periódico|último =Aloia|primeiro =J.F.|último2 =Dhaliwal|primeiro2 =R.|último3 =Shieh|primeiro3 =A.|último4 =Mikhail|primeiro4 =M.|último5 =Fazzari|primeiro5 =M.|último6 =Ragolia|primeiro6 =L.|último7 =Abrams|primeiro7 =SA|data=2014|título=Vitamin D supplementation increases calcium absorption without a threshold effect.|url=https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/24335055|periódico=The American Journal of Clinical Nutrition|volume=|páginas=|doi=10.3945/ajcn.113.067199|issn=|pmc=|pmid=24335055}}</ref> tal falta de cálcio pode fazer com que o organismo "roube" cálcio dos ossos.<ref>{{citar periódico|último =Eisman|primeiro =J.A.|último2 =Bouillon|primeiro2 =R.|data=2014|título=Vitamin D: direct effects of vitamin D metabolites on bone: lessons from genetically modified mice.|url=https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/24605216|periódico=BoneKey Reports|volume=|páginas=|doi=10.1038/bonekey.2013.233|issn=|pmc=PMC3944130|pmid=24605216}}</ref> Embora aparentemente prática de suprir as necessidades diárias de vitamina D, posto que basta apenas se expor ao sol, a deficiência dessa vitamina é bem comum. Para quem não come frutos do mar, é recomendado a exposição solar por alguns minutos ou suplementação com óleo de peixe ou, para os vegetarianos estritos, sintéticas.<ref>{{citar periódico|último =Holick|primeiro =Michael F.|último2 =Binkley|primeiro2 =Neil C.|último3 =Bischoff-Ferrari|primeiro3 =Heike A.|último4 =Gordon|primeiro4 =Catherine M.|último5 =Hanley|primeiro5 =David A.|último6 =Heaney|primeiro6 =Robert P.|último7 =Murad|primeiro7 =M. Hassan|último8 =Weaver|primeiro8 =Connie M.|data=2011|título=Evaluation, Treatment, and Prevention of Vitamin D Deficiency: an Endocrine Society Clinical Practice Guideline|url=https://academic.oup.com/jcem/article-lookup/doi/10.1210/jc.2011-0385|periódico=Journal Clin Endocrinol Metab|volume=|páginas=|doi=https://doi.org/10.1210/jc.2011-0385|issn=|pmc=|pmid=}}</ref>
 
==== Vitamina K2 ====
 
===Cogumelos===
Os cogumelos [[Shimeji]] e [[Shitake]], além de grande fonte de [[proteína]]<ref> [http://boaforma.abril.com.br/dieta/aliados-da-dieta/4-superpoderes-cogumelo-488980.shtml Boa forma, Abril] </ref> e baixa [[caloria]], são ricos em vitamina B12.<ref> [http://www.ativo.com/Canais/Pages/Import%C3%A2nciaMedicinaleNutricionaldoShitake.aspx Ativo] </ref> <ref> [http://revistavivasaude.uol.com.br/saude-nutricao/102/artigo235631-2.asp] </ref>
 
Uma ingestão apropriada de vitamina B12 também pode ser garantida de uma das seguintes formas:<ref name="vegsoc-b12"/><ref name="foodguide-ada">{{Citar web |url=http://www.eatright.org/cps/rde/xchg/SID-5303FFEA-2FAEECE9/ada/hs.xsl/governance_5105_ENU_HTML.htm |título=A new food guide for North American vegetarians |língua= |autor= |obra= |data= |acessodata=}}</ref><ref name="guiaveg-b12">{{Citar web |url=http://www.guiavegano.com.br/nutricao/b12/indice.html |título=Guia Vegano - Tudo ou quase tudo sobre a Vitamina B12 |língua= |autor= |obra= |data= |acessodata=}}</ref>
Dado que o ferro de fontes vegetais é absorvido menos facilmente que o ferro de fontes animais, vegetarianos necessitam de uma ingestão diária de ferro maior do que os que comem carne vermelha e/ou peixe.<ref>Mangels, Reed. [http://www.vrg.org/nutrition/iron.htm Iron in the vegan diet]. The Vegetarian Resource Group.</ref>
O ferro está presente numa grande quantidade de alimentos vegetarianos, como por exemplo as [[lentilha]]s, feijão preto, feijão-frade, feijão de soja, [[caju]], [[espinafre]], as sementes de [[girassol]], [[uva]], uva-passa, açúcar mascavo, pão de trigo integral, vários cereais de pequeno-almoço (café da manhã),<ref>[http://www.goveg.com/essential_nutrients.asp]</ref> o [[Vigna radiata|feijão mong]] (também conhecido como feijão-da-china),<ref>[http://www.ayurbalance.com/explore_foodmungbeans.htm Ayurvedic Foods - Mung Beans]</ref> o grão de bico, as sementes de abóbora, as passas,<ref>Joanne Stepaniak, M.S.E.D., ''The Vegan Sourcebook'', 2 ed., 2000, pp. 240-241.</ref> a [[quinoa]] <ref>[http://www.wholehealthmd.com/ME2/dirmod.asp?nm=Reference+Library&type=AWHN_Foods&mod=Foods&mid=&id=D18F2C4462B74726B0C2D1FD8A8A65B8&tier=2]</ref> e a beterraba.<ref>[http://vegetarianismo.blogs.sapo.pt/arquivo/199415.html]</ref>
 
 
Um vegetariano que tome 50 miligramas ou mais de vitamina C na mesma refeição em que consome alimentos ricos em ferro, faz com que a absorção de ferro duplique.<ref>Brenda Davis, RD e Vesanto Melina, MS, RD, ''Becoming Raw'', Book Publishing Company, 2010, p. 192.</ref>
Muitos vegetarianos dizem que o regime vegetariano torna as pessoas mais pacíficas. Esta ideia era frequente e tem muitos séculos de existência. Por exemplo, [[Ovídio]], pôs [[Pitágoras]] a dizer que o costume de comer carne abriu a porta "a crimes de todo o género; porque foi sem dúvida pela carnificina desses animais que o ferro começou a ser ensanguentado.[...] É acostumar-nos a derramar o sangue humano degolar animais inocentes e ouvirmos sem piedade seus tristes gemidos."<ref>citado por [[Jaime de Magalhães Lima]] em "O Vegetarismo e a Moralidade das raças", Porto, 1912, pp. 8-9.</ref> No Século XVIII, um personagem de uma novela de [[Voltaire]] diz assim: "Os homens alimentados de carnes e saciados de licores fortes, têm todos um sangue azedo e adusto que os torna loucos de cem maneiras diferentes: a sua principal demência é o furor de derramarem o sangue de seus irmãos e de devastarem planícies férteis para reinarem em cemitérios."<ref>Voltaire, ''A Princeza de Babylonia'', Lisboa, 1888, p. 25.</ref>
 
Este ponto de vista era igualmente defendido por [[Jean-Jacques Rousseau]].<ref>[http://www.ivu.org/history/renaissance/rousseau.html IVU: Jean-Jacques Rousseau]</ref> No inicio do século XIX, [[Joseph Ritson]] escreveu, num [[ensaio]], que o regime com carne torna as pessoas mais cruéis e ferozes e que o sacrifício de animais conduz ao sacrifício de humanos. <ref>Joseph Ritson, ''An Essay On Abstinece From Animal Food, As A Moral Duty'', London, 1802.</ref> [[Lord Byron|''Lord'' Byron]] também acreditava que a carne torna as pessoas ferozes.<ref>[http://www.ivu.org/history/england19a/byron.html IVU: Lord Byron]</ref> Este argumento ainda é muito utilizado em defesa do regime vegetariano.<ref>[http://www.vegetarianismo.com.br/sitio/index.php?option=com_content&task=view&id=2110&Itemid=117 Sítio Veg: O homem é um ser frutívoro]</ref> Também é um equivoco dizer que Adolf Hitler [[Vegetarianismo de Adolf Hitler|era vegetariano]], pois no livro publicado pelo seu cozinheiro Dione Lucas intitulado "Gourmet Cooking School Cookbook" ele registra que seu prato favorito - aquele que Hitler costumava pedir - era Squab recheado (um filhote de pombo domesticado e de carne escura) e que fora prescrito varias vezes dietas vegetarianas pelos seus médicos por problemas de saúde. <ref name="Rudacille88">http://www.vegetarianismo.com.br/sitio/index.php?option=com_content&task=view&id=276&Itemid=96</ref>
 
===Saúde===
Quanto aos [[vegetais]], [[frutas]], [[Hortaliça|verduras]] e [[legumes]] também há a preocupação com a infinidade de [[agrotóxicos]], que podem ser tão prejudiciais à saúde quanto os [[hormônios]] empregados nos [[animais]].{{Carece de fontes|data=junho de 2017}}
Segundo o doutor [[Benjamin Spock]], uma boa razão para consumirmos alimentos de origem vegetal é que os animais tendem a concentrar pesticidas e químicos na sua carne e leite, ao passo que os alimentos vegetais, mesmo não sendo orgânicos, contêm muito menos contaminação.<ref>Benjamin Spock, M.D., ''Dr. Spock’s Baby and Child Care: Seventh Edition'' (New York: Pocket Books, 1998, pp. Spock 113-4.</ref> De acordo com um estudo publicado no ''New England Jounal of Medicine'', o leite de mães vegetarianas contém apenas 1 ou 2% dos pesticidas que foram encontrados no leite de mães não vegetarianas.<ref name="goveg.com"/>
Devido ao processo de [[bioacumulação]], os químicos têm tendência a acumular-se nos tecidos dos animais que estão mais alto na [[cadeia alimentar]].<ref>[http://www.answers.com/topic/vegetarianism-research-and-general-acceptance]</ref> <ref>[http://www.tutorvista.com/content/biology/biology-iv/environmental-pollution/water-pollution-effects.php]</ref>
 
Por isso, quanto mais subimos na cadeia alimentar, mais concentrados se tornam os químicos tóxicos, o que leva a grandes quantidades destes na carne e no peixe.<ref>Richard H. Schwartz, Ph. D., ''Judaism and Vegetarianism'', Lantern Books, 2005, p. 146.</ref> Por exemplo: a vaca, ao consumir plantas e grãos com pesticidas e outros poluentes, absorve essas substâncias, que se vão juntar com as drogas e hormônios geralmente administrados a esses animais; o peixe que comemos consumiu outro peixe mais pequeno que, por sua vez, consumiu [[alga]]s contaminadas, e estes factores (entre outros) levam a que os não vegetarianos tenham um nível de pesticidas muito mais elevado do que os vegetarianos.<ref>Stewart D. Rose, ''The Vegetarian Solution: Your Answer to Heart Disease, Cancer, Global Warming, and More'', Healthy Living Publications, 2004, p. 63-64.</ref>