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{{Info/Biografia/Wikidata}}
'''Albrecht Dürer''' ([[Nuremberga|Nuremberg]], [[21 de maio]] de [[1471]] — Nuremberg, [[6 de abril]] de [[1528]]) foi um [[gravura|gravador]], [[pintura|pintor]], [[ilustrador]], [[matemático]]<ref>{{citar web|url=http://www-history.mcs.st-and.ac.uk/Biographies/Durer.html|título=Albrecht Dürer|acessodata=6 de fevereiro de 2012|autor=J J O'Connor e E F Robertson}}</ref> e teórico de arte [[Alemanha|alemão]] e, provavelmente, o mais famoso artista do [[Renascimento nórdico]], tendo influenciado artistas do {{séc|XVI}} no seu país e nos [[Países Baixos]]. A sua maestria como pintor foi o resultado de um trabalho árduo e, no campo das artes gráficas, não tinha rival. As suas xilogravuras, consideradas revolucionárias<ref>{{Citar livro|autor=Wilhelm Waetzoldt|título=Dürer and his times|local=Universidade da Califórnia|editora=Phaidon Press|páginas=45|ano=1950}}</ref>, são ainda marcadas pelo estilo [[Pintura do gótico|gótico]]<ref name ="brit" />. É considerado como o primeiro grande mestre da técnica da [[aguarela]], principalmente no que diz respeito à representação de paisagens<ref>{{Citar livro|autor=Michael Clarke|título=Watercolor|editora=Dk Pub|ano=2000|isbn =9780789468178}}</ref>. Os seus interesses, no espírito humanista do [[Renascimento]], abrangiam ainda outros campos, como a [[geografia]], a [[arquitectura]], a [[geometria]] e a [[fortificação]]<ref name="Gowing">{{Citar livro|autor=Lawrence Gowing|título=Historia Universal del Arte|idioma=Espanhol|editora=Sarpe|ano=1984|volume=10|isbn =84-7291-598-0}}</ref>.
 
Conseguiu chamar a atenção do imperador Maximiliano I para o seu trabalho, tendo sido por ele nomeado pintor da corte em 1512. Viveu, provavelmente, duas vezes na [[Península Itálica|Itália]] em adulto. Em 1520, depois da morte do imperador, partiu para os [[Países Baixos]], visitou muitas das cidades do norte e conheceu pintores e homens de letras, como [[Erasmo de Roterdão]]. Nos seus últimos anos, em Nuremberga, partindo de estudos de [[teoria da Arte]] italianos de autores que o antecederam, ocupou-se principalmente com a elaboração de tratados sobre a medida e [[proporções humanas]], [[Perspectiva (gráfica)|perspetiva]] e [[geometria]] como elementos estruturantes da obra de arte.
=== Primeiros anos e contexto cultural ===
[[Imagem:Albrecht Dürer - Coat of Arms of the House of Dürer - WGA07258.jpg|thumb|esquerda|upright=0.8|Brasão da família Dürer, [[xilogravura]]]]
Dürer nasceu no dia 21 de maio de 1471 em Nuremberga, cidade a que esteve intimamente ligado ao longo da sua vida. O seu pai, [[Albrecht Dürer, o Velho]], era um [[Ourivesaria|ourives]] de origem [[Hungria|húngara]], filho de Anton Dürer, também ourives o casal teve 18 filhos – e Albrecht foi o terceiro.<ref name="remains" />, que em 1455 se mudou de Ajtós (ou Eytas, segundo as anotações de Dürer)<ref>{{Citar livro|autor=Árpád Weixlgärtner|título=Dürer und Grünewald: ein Versuch, die beiden Künstler zusammen--in ihrer Besonderheiten, ihrem Gegenspiel, ihrer Zeitgebundenheit--zu verstenhen|idioma=Alemão|editora=Elanders bokktr|ano=1949}}</ref>, perto de [[Gyula]], na Hungria, para Nuremberga. Apelidado de ''"Ajtósi"'' (fabricante de portas), mudou o seu nome para ''Thürer'', com o mesmo significado em alemão, mudando mais tarde para ''Dürer'', de modo a ajustar o nome à pronúncia nuremburguesa<ref>{{Citar livro|autor=Ashraf M. T. Elewa|título=Morphometrics for Nonmorphometricians|editora=Springer|ano=2010|páginas=10}}</ref>. O brasão adquirido pela família, mais tarde desenhado por Dürer, contém no seu escudo, aliás, uma porta aberta<ref name="eisler">{{Citar livro|autor=Colin T. Eisler|título=Dürer's animals|editora=Smithsonian Institution Press|ano=1991|isbn =9780874744088}}</ref>. Em 1467, no mesmo ano em que se tornava mestre ourives depois de doze anos de aprendizado, Albrecht Dürer, o Velho, casou-se com Bárbara Hallerin, filha do seu mestre, [[Hieronymus Holper]] (também referido como Hyeronymus Haller<ref name="heaton" />), de quem teve dezoito filhos<ref>{{Citar livro|autor=Alistair Smith, Angela Ottino Della Chiesa|título=The complete paintings of Dürer|idioma=Inglês|editora=Penguin Books|ano=1986}}</ref>, Albrecht foi o terceiro e o segundo do sexo masculino<ref name="remains" />.
 
Como era costume na época, depois de alguns anos de formação escolar, Albrecht entrou para a oficina do seu pai como aprendiz na arte da ourivesaria. Foi aí, certamente, que utilizou pela primeira vez o [[cinzel]], gravando adornos em peças de [[prata]] ou [[ouro]]. A técnica da gravura não é muito diferente, usando-se neste caso a folha de cobre que servirá para imprimir o papel usando uma prensa. De facto, sabe-se que os melhores gravadores do {{séc|XV}}, começaram como ourives<ref name="Panof">{{citar livro|último=Panofsky|primeiro=Erwin|título=Vida y Arte de Alberto Durero|ano=1995|editora=Alianza|local=Madri|língua3=es|isbn=84-206-7027-8}}</ref>.
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O padrinho de Dürer era [[Anton Koberger]]<ref>{{Citar livro|autor=Michael Levey, Charles Reginald Dodwell|título=Essays on Dürer|editora=Manchester University Press ND|editor=Charles Reginald Dodwell|ano=1973|páginas=8|isbn =9780802021137}}</ref>, que abandonou a carreira de ourives para se tornar num importante editor e impressor, provavelmente no ano do nascimento de Dürer<ref>{{Citar livro|autor=M. J. F. M. Hoenen, Lodi Nauta|título=Boethius in the Middle Ages: Latin and vernacular traditions of the Consolatio philosophiae|editora=BRILL|ano=1997|páginas=288|isbn =9789004108318}}</ref>. De facto, terá chegado a possuir vinte quatro [[prensa móvel|prensas móveis]] e várias tipografias dentro e fora da Alemanha. A sua mais famosa publicação foram as ''Crónicas de Nuremberga'', de [[Hartmann Schedel]], publicadas em 1493. Continha um número sem precedentes de xilogravuras (1 809), muitas com uso repetido do mesmo bloco, executadas na oficina de Wolgemut na altura em que Dürer aí era aprendiz, nomeadamente de 1488 e 1493, parecendo certo que Dürer tenha trabalhado neste projeto, recebendo uma formação exaustiva quanto à execução de desenhos em placas de madeira<ref name="bartrum">{{Citar livro|autor=Giulia Bartrum, Joseph Leo Koerner, Ute Kuhlemann|título=Albrecht Dürer and his legacy|subtítulo=the graphic work of a Renaissance artist|idioma=Inglês|editora=British MuseumBritish Museum|ano=2002|isbn = 9780714126333}}</ref>.
 
Enquanto durou o Renascimento, o sul da Alemanha tornou-se no centro de numerosas publicações, sendo frequentes os pedidos de gravuras. Como era costume entre os jovens alemães acabados de terminar o seu período de aprendizagem, Dürer empreendeu os seus ''[[Wanderjahre]]'' ou anos de estudo em viagem (uma espécie de [[ano sabático]]), que lhe permitiriam conhecer o trabalho de outros artistas. Partiu em 1490, depois da [[Páscoa]], passando pela Alemanha, pelos Países Baixos, [[Alsácia]], Basileia e [[Estrasburgo]]<ref name ="brit">{{Citar livro|título=One hundred most influential painters and sculptors of the Renaissance|subtítulo=Britannica guide to the world's most influential people|editora=The Rosen Publishing Group|ano=2009|página=179|isbn =9781615300433}}</ref><ref name="verbo">{{Citar enciclopédia|encyclopedia=Enciclopédia Verbo Luso-Brasileira de Cultura Edição Século XXI|title=Dürer (Albrecht)|last=Flórido de |first=Vasconcelos |date=abril de 1999 |volume=9 |isbn=9722219421 |pages=1064-1067 }}</ref>. A viagem durou quatro anos, tendo terminado depois do [[Pentecostes]]<ref name="heaton" />. Em 1492, depois de ter passado provavelmente por [[Frankfurt]] e pelos Países Baixos, chegou a [[Colmar]], onde tentou arranjar lugar na oficina do pintor e gravador alemão [[Martin Schongauer]], talvez o mais importante gravador do Norte da Europa. Dürer desconhecia, no entanto, que o artista tinha morrido em 1491<ref name="Panof" />. Pôde, contudo,estudar o seu trabalho com os irmãos de Schongauer.<ref name="verbo" />.
Em 7 de julho de 1494, casou-se com Agnes Frey, filha de um rico burguês<ref name="verbo" /> de Nuremberga, graças um arranjo feito pela sua família, sem que tivesse sido consultado. Os relatos mais comuns, principalmente fundamentados numa carta de Pirkheimer dirigida ao arquiteto da corte, Johannes Tscherte, e desenvolvidos num romance escrito por [[Joachim von Sandrart]]<ref>{{Citar livro|título=Albert Durer|subtítulo=His Life and Work|idioma=Inglês|editora=Kessinger Publishing|editor=Fred A. Eaton|ano=1882|página=162|volume=1|isbn =9780766154162}}</ref> indicam que o casamento, além de não ter resultado em filhos, foi particularmente infeliz, com Agnes ignorando o génio artístico do marido, ciumenta das atenções que lhe eram dedicadas por outras pessoas, e avarenta, obrigando-o a trabalhar mais do que lhe era possível. O amigo de Dürer chega a acusar Agnes da morte prematura do artista graças ao seu feitio<ref name="heaton">{{Citar livro|autor=Mrs. Charles Heaton|título=The history of the life of Albrecht Dürer of Nürnberg: with a translation of his letters and journal, and some account of his works|editora=Macmillan|editor=Universidade de Harvard|ano=1870}}</ref>. Essas alegações não são, porém, unânimes. Alguns autores, analisando os escassos textos de Dürer sobre a esposa, consideram que a carta de Pirkheimer foi motivada por ressentimentos pessoais contra Agnes, ainda que seja mais ou menos unânime que este não teria sido o casamento ideal.<ref name="allen">{{Citar livro|autor=L. Jessie Allen|título=Albrecht Durer|url=http://books.google.com.br/books?id=QZu2-VMxQFQC&dq=%22Albrecht+D%C3%BCrer%22&hl=pt-BR&source=gbs_navlinks_s|editora=Kessinger Publishing|ano=2005|página=38-45|isbn =9780766194755}}</ref> Há ainda suposições quanto a uma relação homossexual, consumada ou não, entre Dürer e Pirkheimer<ref name="silver" />.
 
Em setembro de 1494, quando Nuremberga era acometida por um surto de [[Peste negra|peste]]<ref name="silver" />, terá viajado até [[Península Itálica|Itália]], mais especificamente a [[Veneza]], deixando a esposa em casa. Alguns autores duvidam da efetiva realização desta viagem<ref name="verbo" /><ref>{{Citar livro|autor=Katherine Crawford Luber|título=Albrecht Dürer and the Venetian Renaissance|editora=Cambridge University Press|ano=2005|isbn =9780521562881}}</ref>, ainda que outros a considerem mais que provável. Argumenta-se que a sua passagem por [[Veneza]] está patente em desenhos e gravuras que atestam a influência de autores italianos como [[Mantegna]], [[Antonio Pollaiuolo]], também particularmente interessado nas proporções humanas, [[Lorenzo de Credi]], entre outros. Note-se, contudo, que Nuremberga tinha fortes ligações a Itália, especialmente a Veneza, a uma distância relativamente curta, para lá dos [[Alpes]]<ref name="bartrum" />. Segundo alguns autores terá ainda passado por [[Mântua]] e [[Pádua]]<ref>{{Citar livro|título=Dürer|editora=D. Kindersley|editor=Stefano Zuffi|ano=1999|isbn =0789441373}}</ref>. Na primavera de 1495 voltou para Nuremberga, onde permaneceu por dez anos<ref>{{Citar livro|título=The graphic work of Albrecht Dürer: an exhibition of drawings & prints in commemoration of the quincentenary of his birth|idioma=Inglês|local=Universidade da Califórnia|editora=British Museum|ano=1971}}</ref>.
 
Durante a viagem executou [[aguarela]]s de paisagens com grande rigor de detalhe como se pode ver, por exemplo, numa ''Vista do Castelo de Trent'' ([[National Gallery (Londres)|National Gallery]], [[Londres]]), pintada provavelmente estava de retorno. Muitos dos esboços a aguarela efetuados nesta altura sobreviveram, enquanto a existência de outros pode ser deduzida a partir de paisagens, muito fiéis às originais, presentes em trabalhos posteriores, como na gravura ''Némesis''. São, aliás, os primeiros estudos puros de paisagem conhecidos na arte ocidental<ref name="bartrum" />. Tal como a [[Leonardo da Vinci]], os temas naturalistas atraíram-no, tendo executado alguns excelentes estudos de animais e plantas que deram origem a desenhos e aguarelas. É de referir a mais conhecida de todas, a ''Lebre jovem'', pintada em 1502<ref>{{Citar livro|autor=Espasa-Calpe|título=Historia del arte Espasa|idioma=Espanhol|editora=Espasa|ano=2004|isbn =9788467013238}}</ref>.
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Ainda que se refira frequentemente que Dürer fosse o próprio executante dos blocos de impressão, o que é particularmente verdade para as suas primeiras obras<ref name="eisler" />, o mesmo não se poderá dizer com tanta certeza dos seus trabalhos posteriores que seriam escavados no bloco por especialistas nesta função (os ''formschneiders'')<ref name="allen" />, muitos dos quais eram mulheres (''formschneiderin'')<ref>{{Citar periódico|titulo =Wood-engraving as employment for women|jornal =The Alexandra magazine & woman's social and industrial advocate|ano =1865 |editora =Jackson, Walford, and Hodder }}</ref>. Claro que a sua supervisão era essencial para a excelência da execução dos seus desenhos, feitos diretamente sobre o bloco ou a ele colados (sendo, neste caso, destruídos durante o processo)<ref>{{Citar livro|autor=William Young Ottley|título=An inquiry into the origin and early history of engraving|subtítulo=upon copper and in wood, with an account of engravers and their works, from the invention of chalcography by Maso Finiguerra, to the time of Marc' Antonio Raimondi, |editora= J. M'Creery|ano=1816|volume=1}}</ref>.
 
Pouco depois de inaugurar a sua oficina, Dürer teve [[Frederico III da Saxônia]] como primeiro cliente a encomendar-lhe um retrato <ref name="strauss" />. Este encomendar-lhe-ia, ainda, em 1496, o ''[[Políptico das Sete Dores (Dürer)|Políptico das Sete Dores]]'', executado por Dürer e os seus assistentes em cerca de 1500. Pouco depois das gravuras do ''Apocalipse'' trabalhou ainda nas primeiras sete cenas da ''[[Grande Paixão (Dürer)|Grande Paixão]]'', tendo, provavelmente depois de 1500, executado onze gravuras da [[Sagrada Família]] e vários [[santo]]s, isolados ou em grupo. Entre 1504 e 1505, gravou uma série de dezassete ilustrações da ''[[Vida da Virgem]]''<ref name="brita">{{Citar enciclopédia|encyclopedia=ENCYCLOPAEDIA BRITANNICA|title=DURER, ALBRECHT|url=http://www.gutenberg.org/files/34751/34751.txt |accessdate=16 de fevereiro de 2012 |year=1911 |publisher=The Project Gutenberg }}</ref>. Apesar de estas só terem sido publicadas em conjunto mais tarde, várias cópias de gravuras isoladas foram sendo feitas e vendidas em grande número<ref name="bartrum" />.
Os anos entre o seu retorno e a sua viagem aos [[Países Baixos]] são comumente divididos pelo tipo de trabalho no qual estava principalmente ocupado. Esses cinco anos, 1507 – 1511, são predominantemente os anos em que pintou mais em sua vida, trabalhando com um grande número de estudos e desenhos preliminares. Produziu aqueles que foram considerados seus quatro melhores trabalhos: ''Adão e Eva'' (1507), ''Virgem com Íris'' (1508), ''A Ascensão da Virgem'' (1509) e ''Adoração da Trindade por todos os Santos'' (1511). Durante este período, completou também a série de [[xilogravura]]s da ''[[Grande Paixão (Dürer)|Grande Paixão]]'' e da ''Vida da Virgem'', ambas publicadas em 1511, juntamente com uma segunda edição das cenas do ''Apocalipse''.
 
De 1511 a 1514, Dürer concentrou-se nas [[gravura]]s, tanto em [[madeira]] quanto em [[cobre]]. A sua obra-prima desse período foram as trinta e sete xilogravuras da ''[[Pequena Paixão (Dürer)|Pequena Paixão]]'' (1511) e um conjunto de quinze gravações em cobre do mesmo tema (1512). No ano seguinte, apareceram seus trabalhos mais famosos em cobre, ''[[O Cavaleiro, a Morte e o Diabo (Dürer)|O Cavaleiro, a Morte e o Diabo]]'', ''Melancolia I'' e ''São Jerônimo em seu estúdio'' (as duas últimas de 1514). Em ''Melancolia I'' aparece um [[quadrado mágico]] de quarta ordem que se acredita o primeiro a aparecer na arte europeia.
 
Durante a viagem executou [[aguarela]]s de paisagens com grande rigor de detalhe como se pode ver, por exemplo, numa ''Vista do Castelo de Trent'' ([[National Gallery (Londres)|National Gallery]], [[Londres]]), pintada provavelmente estava de retorno. Muitos dos esboços a aguarela efetuados nesta altura sobreviveram, enquanto a existência de outros pode ser deduzida a partir de paisagens, muito fiéis às originais, presentes em trabalhos posteriores, como na gravura ''Némesis''. São, aliás, os primeiros estudos puros de paisagem conhecidos na arte ocidental no meio da fileira de baixo dão a data da gravação: 1514. Produziu nessa época ainda uma vasta gama de outras obras, incluindo retratos em têmpera de 1516, gravuras com vários temas, experiências em gravações em ferro ou zinco. Para o imperador [[Maximiliano I da Germânia|Maximiliano I]], trabalhou em parte do ''Portão triunfal'', desenhou o retrato e decorou as margens do livro de oração, antes da morte deste em 1519.
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No verão de 1520, o desejo de Dürer por um novo mecenas, após a morte do [[Lista de imperadores do Sacro Império Romano-Germânico|imperador]] [[Maximiliano I do Sacro Império Romano-Germânico|Maximiliano I]], e o aparecimento de doenças contagiosas em [[Nuremberga]], ocasionaram sua última viagem. Junto com a esposa e a aia desta, viajou para os [[Países Baixos]] em julho, onde o imperador [[Carlos I de Espanha|Carlos V]] o recebeu com grandes honras, convidando-o para a sua coroação em [[Aquisgrano]].
 
Efetuou a sua viagem pelo [[rio Reno]] até [[Colônia (Alemanha)|Colônia]], seguindo para [[Antuérpia]], onde foi bem recebido, onde se demorou e produziu numerosos desenhos usando diversas técnicas. Entre as obras que aí executou conta-se o ''[[São Jerónimo (Albrecht Dürer)|São Jerónimo]]'', feito para um próspero comerciante português, de seu nome Rodrigo Fernandes, e que se encontra atualmente no [[Museu Nacional de Arte Antiga]] em [[Lisboa]] e cujos estudos se encontram em Viena e em Berlim. Percorreu [[Bruxelas]], [[Malines]], [[Bruges]], [[Gante]], [[Zelândia (Países Baixos)|Zelândia]] e [[Nijmegen]]. Retornou finalmente para casa em julho de 1521, tendo contraído uma doença indeterminada que o afligiu pelo resto da sua vida<ref name="verbo" />.
 
== Dürer gravador e pintor ==
É considerado pela crítica que a força da obra de Dürer reside mais no seu trabalho enquanto desenhador e gravador do que no de pintor. Enquanto que o desenho transmite monumentalidade às figuras, a pintura é mais fruto de um trabalho minucioso e esforçado que de génio espontâneo. Isso reflete, aliás, o interesse que sempre manifestou pela forma, pela geometria e pelas proporções matemáticas<ref name="verbo" />. Assim acontece com as suas duas obras mais famosas no que diz respeito à pintura: a "Adoração dos Magos" de 1504, onde o desenho se sobrepõe a tudo, seja na monumentalidade do espaço arquitetónico e na perspetiva, seja nos objetos, seja nos pormenores naturais do escaravelho, das borboletas ou das plantas<ref name="silver" /> e os "''Quatro Apóstolos''" ou "''Quatro Temperamentos''", realizado em [[Munique]] em 1526, onde é a figura humana que toma a primazia na sua riqueza psicológica<ref name="verbo" />.
 
Os desenhos, aguarelas e [[guache]]s (por vezes combinados) são também dos mais apreciados na sua obra, incluindo estudos de animais como a ''Lebre jovem'', a ''Pequena Coruja'', várias naturezas mortas e estudos de plantas (''Raminho de violetas'' ou o ''O Grande Tufo de Ervas''), ou seções anatómicas (''Asa de uma rola''). Dürer executou um grande número de esboços ou estudos preparatórios das suas pinturas e gravuras, muitos dos quais ainda existem, incluindo o famoso ''[[Betende Hände]]'' ("Mãos que oram"), c. 1508, Albertina, Viena), que não é mais que um estudo para um apóstolo do retábulo Heller.
Durer, la grande passione 07.jpg|O lamento de Cristo
Durer, la grande passione 08.jpg|o sepultamento
Dürer - Johannes verschlingt das Buch.jpg|São João que devora o livro do Apocalipse, de Albrecht Dürer, c. 1497--981497–98 {{citar bíblia|Apocalipse|10|9}}
Narrenschiff.JPG|navio dos tolos
Dürer - Das Narrenschiff.jpg|navio dos tolos
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