Diferenças entre edições de "Identidade linguística"

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Segundo Le Page: “todo ato de fala é um ato de identidade. A linguagem é o índice por excelência da identidade e as escolhas linguísticas são processos inconscientes que o falante realiza associado às múltiplas dimensões constitutivas da [[identidade social]] e aos múltiplos papéis sociais que o usuário assume na comunidade de fala, mas o que determina a escolha de uma ou outra variedade é a situação concreta de [[comunicação]].” (1980, p. 5 apud ARAÚJO; QUEIRÓZ; BUENO, 2012, p. 5)
 
Para alguns autores, a '''identidade linguística''' se constrói na [[interação]] comunicativa e depende de fatores como: conduta, afetivos, cognitivos, os quais se materializam através das atitudes linguísticas. São esses fatores que permitem aos indivíduos mostrarem a sua identidade e a sua avaliação com respeito a própria forma da fala de si, e a fala dos outros.
 
A '''identidade linguística''' se baseia na própria identidade da linguagem que os falantes usam, especialmente na sua [[língua nativa]], materna.
 
Para Schiffrin (1996) os discursos pessoais são uma lente linguística através da qual se pode descobrir as visões que as pessoas têm sobre si mesmas, sobre os outros, sobre a estrutura social e a posição em que os falantes estão imersos. Para alguns outros pesquisadores (Wodak, 1999, Archakis e Tzanne 2005) identidades são transformadas e negociadas através do [[discurso]]. Entende-se, então, pela '''identidade linguística''', o vínculo que o indivíduo cria com a comunidade de fala da qual ele se torna membro, e cuja variedade de linguagem ele adota como sua. Portanto a '''identidade linguística''' não é inata, mas sim uma configuração a partir do desenvolvimento nas relações dialéticas sendo transformadas nos aspectos da vida biológica, material e social.
 
Um falante não constrói uma '''identidade linguística''' única e unificada para diferentes situações comunicativas. Ao contrário, constrói identidades linguísticas múltiplas e complexas, como os mesmos atos de interação comunicativa.
 
Conforme Purdie, os falantes modificam sua fala nas interações com os outros para reduzir ou acentuar as diferenças entre eles e seus interlocutores. Desta forma, os falantes podem promover relações harmoniosas adotando os modelos de fala de seus interlocutores; alternadamente, os falantes podem fomentar seu próprio modelo discursivo (Taylor 2005).
De acordo Gomes (2008), o [[idioma]] está umbilicalmente ligado ao conceito de [[cultura]], estando incorporado como um elemento que faz parte da essência do [[indivíduo]]. O idioma tem relação com a noção de pertencimento à comunidade pelo indivíduo; o [[direito]] de se expressar em sua própria língua está ligado à noção de identidade.
 
Como língua e cultura são indissociáveis, também a '''identidade linguística''' é relevante para a [[Identidade cultural]], porque o uso da própria língua é uma maneira de praticar sua cultura e mantê-la viva.
 
Segundo Rajacopalan (1998), “a identidade de um indivíduo se constrói na língua e através dela”, ou seja, identidade é mutável e recíproca com a língua. Ambas, língua e identidade são inter-relacionadas.
==Identidade linguística e globalização==
 
O mesmo autor defende, que a [[globalização]] tem implicações significativas sobre como esses aspectos se desdobram. '''Identidade linguística''' torna-se central na globalização devido ao fato de que o movimento de pessoas, ideias, produtos e formas culturais através das fronteiras nacionais intensifica o contato entre as línguas e as culturas.
 
Atualmente os debates em torno da '''identidade linguística''' no mundo global questionam dois pontos: se a globalização leva para uma maior homogeneidade de língua e cultura em todo mundo (influenciada pelas línguas mais usadas - [[língua inglesa]], [[língua castelhana]], entre outras), ou se atem em uma ênfase renovada nas línguas locais ([[euskera]], [[Língua galega|galego]], entre outras).
Nunca na história da humanidade a identidade linguística das pessoas esteve tão sujeita como nos dias de hoje às influências estrangeiras, segundo Rajagopalan, inclusive volatilidade e instabilidade são marcas registradas da identidade linguística.
 
Nunca éna reconhecidahistória ada importânciahumanidade do conceito daa '''identidade linguística,''' tantodas quepessoas aesteve mesmatão estásujeita protegidacomo nanos própriadias [[Declaraçãode Universalhoje dosàs Direitosinfluências Humanos]].estrangeiras, Estasegundo declaração defendeRajagopalan, oinclusive direitovolatilidade e oinstabilidade respeitosão àmarcas registradas da '''identidade linguística de toda e qualquer comunidade de fala, afirma Hamel (2003)'''.
 
Já é reconhecida a importância do conceito da '''identidade linguística''', tanto que a mesma está protegida na própria [[Declaração Universal dos Direitos Humanos]]. Esta declaração defende o direito e o respeito à '''identidade linguística''' de toda e qualquer comunidade de fala, afirma Hamel (2003).
 
{{Referências}}