Diferenças entre edições de "Racismo no Brasil"

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[[Imagem:Pelourinho.jpg|miniatura|A flagelação pública de um escravo no [[Rio de Janeiro (cidade)|Rio de Janeiro]], por [[Jean-Baptiste Debret]], ''Voyage pittoresque et Historique au Brésil'' (1834-1839).]]
 
Em 14781823, um ano após a independência, os escravos representavam 29% da população do Brasil, um número que caiu durante toda a existência do império: de 24% em 1854, para 15,2% em 1872 e, finalmente, para menos de 5% em 1887 — no ano anterior a escravidão foi totalmente abolida.{{sfn|Vainfas|2002|pp=18, 239}} Os escravos eram em sua maioria homens adultos do sudoeste da [[África]]{{sfn|Vainfas|2002|pp=237–238}} de diferentes etnias, [[Religiões tradicionais africanas|religiões]] e [[Línguas africanas|línguas]], que se identificavam principalmente com o seu próprio país de origem do que com uma etnia africana compartilhada.{{sfn|Vainfas|2002|p=29}} Alguns dos escravos trazidos para as Américas haviam sido capturados enquanto lutavam em guerras entre tribos e que, em seguida, foram vendidos para [[Tráfico de escravos para o Brasil|traficantes de escravos]].{{sfn|Boxer|2002|pp=113–114, 116}}{{sfn|Vainfas|2002|p=30}}
[[Imagem:Alberto Henschel - Baba com o menino Eugen Keller.jpg|miniatura|Escrava [[babá]] e [[ama de leite]] com o menino Eugen Keller na província de [[Pernambuco]], 1874 ([[Alberto Henschel]]).]]
[[Imagem:Slaves in coffee farm by marc ferrez 1885.jpg|miniatura|Escravos (incluindo seus filhos) reunidos em uma fazenda de café no Brasil, c. 1885 ([[Marc Ferrez]]).]]
De acordo com Maria Helena Alves Moreira, no início do século XX as desigualdades entre ricos e pobres foram exacerbadas pelo tratamento diferenciado dos migrantes urbanos durante e após a [[Grande Depressão]], quando os [[Migração interna no Brasil|migrantes internos]], que eram principalmente descendentes de [[Povos indígenas do Brasil|ameríndios]] ou escravos [[Afro-brasileiros|africanos]], não receberam ajuda do governo ou treinamento na adaptação aos grandes centros urbanos, e, portanto, foram empurrados para uma espécie de "''apartheid'' social", forçados a viver em [[Favelas no Brasil|favelas]] e empregar-se em postos de trabalho desagradáveis e servis que os [[Brasileiros brancos|brancos]] evitavam. Por outro lado, os [[Imigração no Brasil|imigrantes europeus]], árabes e japoneses foram diretamente assistidos por vários programas de governo, bem como outros benefícios.<ref name=Alves>"Migrantes internos do Brasil, muitos descendentes de índios ou escravos africanos, eram totalmente abandonados à seus próprios empreendimentos nas cidades, sem subsídios governamentais, nenhum programa de apoio à imigração, nenhuma formação profissional e sem programas de habitação para ajudar no processo de adaptação. Em suma, os migrantes brasileiros se viram empurrados para um ''apartheid'' sociais nas [[Favelas na cidade de São Paulo|favelas da cidade]], com o seus trabalhos limitados àqueles que os branco não queriam, como a remoção de lixo, construção e trabalhos braçais na indústria. Em contraste, muitos imigrantes europeus e japoneses vieram sob os auspícios de programas organizados pelos respectivos governos que ajudou-os com o custo de seu transporte e de alojamento, ajudando-os a encontrar emprego, treinamento e fornecimento de vários de outros benefícios." Alves, Maria Helena Moreira "São Paulo: as transformações políticas e sócio-econômicas causadas ​​pelo novo movimento sindical na cidade e arredores." In Gugler, Josef. ''World Cities Beyond the West: Globalization, Development and Inequality'', Cambridge University Press, 2004, pp. 202-203.</ref>
 
=== Período contemporâneo ===
Porém, o racismo que persiste de forma intensa no país é voltado contra a chamada negros, mulatos e índios, mas sobretudo contra os primeiros.<ref name="darcy"/> De acordo com [[Darcy Ribeiro]], as atuais classes dominantes brasileiras "guardam, diante do negro, a mesma atitude de desprezo vil" que seus antepassados escravocratas tinham. Os pobres e os negros em geral são vistos como culpados de sua própria desgraça, explicada por suas características raciais e não devido à escravidão e à opressão. Contudo, segundo Ribeiro, não é só o branco que discrimina o negro no Brasil. O preconceito é assimilado pelos próprios [[mulatos]] e até pelos negros que ascendem socialmente, "os quais se somam ao contingente branco para discriminar o negro-massa".<ref name="darcy"/> [[Jessé de Souza]] também inclui na chamada "ralé brasileira" pessoas brancas de classes sociais inferiores e considera que o [[racismo científico]] sempre influenciou as ciências sociais no Brasil.<ref>{{Citar livro|url=https://books.google.com.br/books?id=rwJDDwAAQBAJ|título=A Elite do Atraso|ultimo=Souza|primeiro=Jessé|data=2017|editora=Leya|ano=|local=Rio de Janeiro|páginas=|isbn=9788544105382|autorlink=Jessé de Souza|acessodata=}}</ref> Por isso ainda há resquícios do mito da [[democracia racial]], que propagava que no Brasil não existia racismo ou que ele era menor que no restante do mundo. O preconceito racial persiste na sociedade brasileira, embora muitas vezes camuflado.<ref name="dm">{{citar web |título=O racismo camuflado no Brasil |url=http://www.dm.com.br/cidades/goias/2014/04/o-racismo-camuflado-no-brasil.html |editor=Diário da Manhã |data=11 de abril de 2014 |acessodata=4 de maio de 2015}}</ref> Os negros são hoje no Brasil o grupo étnico-racial mais pobre e com menor nível de escolaridade. Também são os que mais morrem assassinados e são as maiores vítimas da violência policial.<ref name="correio">{{citar web |título=Brasil é um país dividido entre brancos escolarizados e negros mais pobres |url=http://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/ciencia-e-saude/2012/12/25/interna_ciencia_saude,340941/brasil-e-um-pais-dividido-entre-brancos-escolarizados-e-negros-mais-pobres.shtml |editor=[[Correio Braziliense]] |data=25 de dezembro de 2012 |acessodata=4 de maio de 2014}}</ref><ref name="cartacapital">{{citar web |título=Negros são 70% das vítimas de assassinatos no Brasil, reafirma Ipea |url=http://negrobelchior.cartacapital.com.br/negros-sao-70-das-vitimas-de-assassinatos-no-brasil-reafirma-ipea/ |data=18 de outubro de 2013 |acessodata=9 de outubro de 2018 |editor=[[CartaCapital]]}}</ref> Os seguidores de [[religiões afro-brasileiras]] são ainda [[Preconceito contra religiões afro-brasileiras|vítimas de discriminação]] e tachados como praticantes de seitas demoníacas, tendo seus [[Terreiro (religião)|terreiros]] invadidos e depredados por [[Fanatismo religioso|fanáticos religiosos]].<ref name="diario">{{citar web |título=Preconceito e intolerância ainda são grandes nas religiões afro-brasileiras |url=http://www.diariodovale.com.br/noticias/0,90303,Preconceito-e-intolerancia-ainda-sao-grandes-nas-religioes-afro-brasileiras.html#axzz3YHXPcRHJ |data=31 de maio de 2014 |acessodata=4 de maio de 2015 |editor=Diário do Vale}}</ref> A [[televisão]] brasileira também discrimina os negros, que são subrepresentados na sua programação, sobretudo nas [[telenovela]]s.<ref name="raça">{{Citar web |url=http://www.bibliotecadigital.ufrgs.br/da.php?nrb=000429421&loc=2004&l=a53f9ea881157d5a|título=O Negro Representado na Revista Raça |editor=[[Universidade Federal do Rio Grande do Sul]] |autor=João Batista Nascimento dos Santos |data=2004 |acessodata=4 de maio de 2015}}</ref> Segundo a [[ONU]], o racismo é um problema estrutural do Brasil.<ref name="ONU">{{Citar web |url=http://www.ebc.com.br/noticias/brasil/2013/12/grupo-da-onu-reconhece-racismo-como-problema-estrutural-da-sociedade|título=Grupo da ONU reconhece o racismo como problema estrutural do Brasil |língua= |editor=ONU |data=dezembro de 2012 |acessodata=4 de maio de 2015}}</ref>