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'''Alhambra''' ou, preferencialmente, '''Alambra'''<ref>{{citar web |url=http://www.ciberduvidas.com/pergunta.php?id=32398 | publicado=[[Ciberdúvidas da Língua Portuguesa]] | primeiro=Carlos | ultimo=Rocha | data=10 de fevereiro de 2014 | acessodata=17 de fevereiro de 2014 | titulo=A etimologia de Alhambra ou Alambra}}</ref><ref>{{citar web |url=http://www.ciberduvidas.com/pergunta.php?id=23118 | publicado=[[Ciberdúvidas da Língua Portuguesa]] | primeiro=Carlos | ultimo=Rocha | data=28 de março de 2008 | acessodata=17 de fevereiro de 2014 | titulo=O género do nome próprio Alambra ( = Alhambra)}}</ref> ({{Langx|ar|الحمراء}}; "a Vermelha") localiza-se na cidade e [[Municípios da Espanha|município]] de [[Granada (Espanha)|Granada]], na [[Províncias da Espanha|província]] de [[Granada (província)|homónima]], [[Comunidades autónomas da Espanha|comunidade autónoma]] da [[Andaluzia]], na [[Espanha]], em posição dominante no alto duma elevação arborizada na parte sudeste da cidade.
 
Trata-se de um rico complexo [[palácio|palaciano]] e fortaleza ([[Alcáçova|alcazar]] ou ''al-Ksar'') que alojava o monarca da [[Nasridas|Dinastiadinastia Nasridanacérida]] e a corte do [[Reino de Granada]]. O seu verdadeiro atractivo, como noutras obras muçulmanas da época, são os interiores, cuja decoração está no cume da [[arte islâmica]]. Esta importante atracção turística espanhola exibe os mais famosos elementos da arquitectura islâmica no país, juntamente com estruturas cristãs do [[século XVI]] e intervenções posteriores em edifícios e jardins que marcam a sua imagem tal como pode ser vista na actualidade.
 
No interior do recinto da Alhambra fica o [[Palácio de Carlos V]], um palácio erguido pelo [[Carlos I de Espanha|Imperador Carlos V do Sacro Império Romano Germânico]] em [[1527]].
[[imagem:Alhambradesdegeneralife.jpg|300px|thumb|esquerda|Alhambra vista dos jardins da Generalife, ao fundo o bairro de Albaicín]]
 
A maior parte do complexo foi construído, principalmente, entre 1248 e 1354, nos reinados de [[Maomé I de Granada|Maomé I]] e dos seus sucessores; a Alhambra é um reflexo da cultura dos últimos anos do [[Reino de Granada|reino nasridanacérida]], sendo um local onde os artistas e intelectuais procuravam refúgio no decurso das vitórias cristãs por todo o [[al-AndalusAlandalus]]. Mistura elementos naturais com outros feitos pela mão do homem, sendo um testemunho da habilidade dos artesãos muçulmanos da época.
 
A primeira referência ao ''Qal’at al Hamra'' surge durante as batalhas entre [[árabes]] e [[muladi]]s ocorridas no reinado de [[Abdalá I de Córdova]] ([[888]]-[[912]]). Num confronto particularmente feroz e sangrento, os muladies derrotaram completamente os árabes, os quais foram, então, forçados a refugiar-se num primitivo castelo vermelho na província de Elvira, presentemente localizado em [[Granada (província)|Granada]]. De acordo com documentos da época que sobreviveram até aos nossos dias, esse castelo era bastante pequeno e as suas muralhas eram incapazes de deter um exército que desejasse conquistá-lo. O castelo foi amplamente ignorado até ao [[século XI]], quando as suas ruínas foram renovadas e reconstruídas por [[Samuel ibn Naghralla]], vizir do Rei [[Badisemir ibnzirida Mansurde Granada|emir zirida]] da [[Ziridas|DinastiaBadis ibne ZiridaAlmançor]], numa tentativa de preservar a pequena comunidade judia também localizada na Colina de La Sabika. No entanto, evidências presentes em textos árabes indicam que a fortaleza foi facilmente penetrada e que a Alhambra que sobrevive até à actualidade foi construída durante a [[Nasridas|Dinastia Nasridanacérida]].
 
[[imagem:Atauriques.jpg|thumb|200px|Um detalhe dos arabescos]]
[[imagem:Honeycomb work.jpg|thumb|200px|Moçárabes: detalhe da decoração]]
 
[[Maomé I de Granada|Maomé I]], chamado ''Al-Hamar''Alamar (o vermelho) por ter a barba ruiva, o fundador da Dinastiadinastia Nasridanacérida, foi forçado a fugir para Jaén[[Xaém]] de forma a evitar a perseguição de [[Fernando III de Leão e Castela|Fernando III de Castela]] e dos seus apoiantes durante a tentativa de libertar a Espanha do domínio mouro. Em [[1238]], ibnibne al-AhmarAlamar entra em Granada pela ''Puerta de Elvira'', tendo instalado residência no ''Palacio del Gallo del Viento'', o palácio de Badis. Poucos meses depois, lançou-se na construção duma nova Alhambra preparada para a residência dum rei. De acordo com um manuscrito árabe publicado como o ''Anónimo de Granada y Copenhague'', ''"Este ano 1238 AbdallahAbdalá ibnibne al-AhmarAlamar escalou ao lugar chamado "a Alhambra" inspeccionou-o, definiu a fundação dum castelo e deixou alguns encarregados para a sua construção (…)"''. O desenho incluía planos para seis palácios, cinco dos quais agrupados no quadrante nordeste formando um quarteirão real, duas torres circulares e numerosos banhos. Durante o domínio da Dinastiadinastia Nasridanacérida, a Alhambra foi transformada numa cidade palaciana, completada com um sistema de irrigação composto por canais para os jardins da [[Generalife]], uma [[villa]] localizada no exterior da fortaleza. Previamente, a velha estrutura da Alhambra estava dependente da água da chuva recolhida para uma cisterna e daquela que podia ser trazida do [[Albaicín]]. A criação do Canal do Sultão solidificou a identidade da Alhambra como uma cidade-palácio, em vez duma estrutura defensiva e ascética.
 
[[imagem:Ventanas con arabescos en la Alhambra.JPG|thumb|160px|esquerda|Janela com arabescos]]
[[imagem:The Moor's tears-Alhambra-Spain.jpg|thumb|160px|esquerda|Porta e arabescos]]
 
O estilo granadino na Alhambra é o culminar da arte andaluza, o que ocurreu em meados do [[século {{séc|XIV]]}} durante os reinados de [[Iúçufe I de Granada|Iúçufe I]] ([[1333]]-[[1354]]) e [[Maomé V de Granada|Maomé V]] (1354-1391). Os esplêndidos [[arabesco]]s do interior estão relacionados, entre outros monarcas, com [[YusefIúçufe I]] (ou Iusuf I), Maomé V, Ismail I, etc.
 
O domínio muçulmano de Granada chegou ao fim em [[1492]], quando os nasridasnacéridas foram derrotados pelo Rei [[Fernando II de Aragão]] e pela Rainha [[Isabel de Castela]], os quais tomaram a região envolvente duma forma esmagadora. Depois dessa data, os conquistadores começaram a alterar o complexo arquitectónico, com os [[Reis Católicos]] a fazerem da Alhambra um palácio real. Os trabalhos inacabados foram cobertos de [[cal]], apagaram-se as pinturas e dourados, o mobiliário foi destruído ou levado para outros locais. O Conde de Tendilla, da [[Família de Mendoza]], foi o primeiro alcaide cristão da Alhambra. [[Hernando del Pulgar]], cronista da época, conta: ''O Conde de Tendilla e o Comendador Maior de Leão, Gutierre de Cárdenas, receberam de Fernando o Católico as chaves de Granada, entraram na Alhambra e no alto da Torre de Comares içaram a cruz e a bandeira''.
 
[[Carlos I de Espanha|Carlos V]] ([[1516]]–[[1556]]) reconstruiu partes do complexo no [[Renascimento|estilo renascença]], contemporâneo, destruindo grande parte do palácio de Inverno para dar espaço a uma estrutura, também em estilo Renascença, que nunca chegou a ser concluída. [[Filipe V de Espanha|Filipe V]] ([[1700]]–[[1746]]) modificou os quartos para um estilo mais italianizante e completou o seu palacete mesmo no centro do que fora o edifício mourisco. Erigiu determinadas partes que taparam por completo algumas estruturas originais. Em anos subsequentes, sob as autoridades espanholas, a arte islâmica continuou a ser desfigurada. Em [[1812]], algumas das [[torre]]s foram demolidas pelos franceses, comandados pelo [[Horace François Bastien|Conde Sebastiani]]. O resto do edifício escapou por pouco - aliás, era essa a intenção inicial de [[Napoleão Bonaparte|Napoleão]]. Contudo, um soldado incapacitado, querendo frustrar as intenções do seu comandante, desarmou alguns dos explosivos, salvando o que restava de Alhambra para a posteridade.
 
==== Sala da Barca ====
A partir da galeria norte do Patio dos Arrayanes, e através dum arco de [[moçárabes]] apontado, acede-se à Sala da Barca, assim chamada uma vez que apresenta um artesanato magnificamente montado em forma de casco de barco. Esta sala, de forma rectangular, com 24 metros por 4,35, ao que parece, seria mais pequena inicialmente, sendo a sua ampliação realizada por MohamedMaomé V. Nesta sala existiu uma [[abóbada]] semicilíndrica que foi destruída por um incêndio em [[1890]], sendo substituída por uma reprodução daquela, totalmente temonada em [[1964]]. As paredes apresentam ricos estucados com o escudo nasridanacérida e, dentro dele, a palavra "Bendição" e o lema da dinastia, "Só Deus é vencedor".
 
A sala encontra-se rodeada por um apainelamento, em cujos extremos se encontram alcovas com rodapés de azulejos que revestem as colunas de suporte a arcos arcos decorados de moçárabes e vieiras.
Nas suas partes laterais existem nove alcovas e janelas fechadas antigamente por persianas de madeira e vitrais coloridos chamados de ''cumarias'', (daí o nome de comares). Todas as paredes estão estucadas com motivos de conchas, flores, estrelas e escrituras.
 
A sala policromada apresenta ouro no relevo, com cores claras no fundo. Rodapé decorado com [[azulejo]]s. O pavimento original era em cerâmica vidrada em branco e azul com [[escudo]]s de armas como motivos ornamentais. O tecto é uma representação do Universo, quem sabe uma das melhores representações datadas da [[Idade Média]]. Realizado em [[madeira de [[cedro]] com incrustações de madeira de diferentes cores, vai formando [[estrela]]s sobrepostas que formam diferentes níveis. No nível mais elevado, ao centro, está o ''[[Escabelo]]'' (عرش) sobre o qual se senta Deus-''[[Alá|Alláh]]'' segundo os relatos corânicos. A partir deste, vão-se repetindo as figuras geométricas que dividem o tecto em sete espaços que representam os sete céus que descem consecutivamente até este mundo: o [[sete|7]] é um dos números simbólicos por excelência. Entre todos eles aparece o ''Trono'' (كرس), que é o símbolo de toda a criação. Este uso simbólico de cosmologia corânica - com tantas alusões ao ''Escabelo'', ao Trono, ao Rei que se senta sobre ele - tem uma clara intenção de legitimar o soberano como representante (''jalifa'', de onde vem [[califa]]) de Deus na Terra. O facto deste salão ser o salão do trono, o qual estava situado no seu centro mesmo debaixo do escabelo divino, é uma clara referência a essa intenção. Porém, a simbologia da sala não acaba aí: as [[quatro|4]] diagonais do Tecto de Comares representam os quatro rios do Paraíso e a Árvore do Mundo (o ''Axis Mundi'') que, tendo as suas raízes desde o Escabelo, se expande por todo o Universo. Por outro lado, as alcovas, [[nove|9]] presentes (três em cada parede), mais três omitidas para deixar passagem para a Sala da [[Baraca]], são uma referência às [[doze|12]] casas zodiacais, em correspondência com o papel de sétimo céu que ocupa essa altura. Além disso, as paredes estão decoradas com versículos corânicos e poemas realizados em estuque, o que devia conceder a esta sala nas suas origens, com a decoração que não chegou aos nossos dias, com os seus jogos de luz e o seu ambiente cortesão, uma das salas palacianas mais impressionantes do mundo islâmico.
 
A alcova central estava destinada ao sultão, neste caso Iúçufe I, que foi quem construiu o Palácio de Comares. O aquecimento era feito por braseiros e a iluminação por lâmpadas de [[azeite]].
 
==== Sala dos Moçárabes ====
Esta sala tem este nome devido à abóbada de moçárabes que a cobria originalmente, sendo a actual datada do [[século XVII]]. Paredes com trabalhos em estuque, inscrições religiosas e escudo da [[Reino de Granada|Dinastia Nasridanacérida]]. Uma arcada de moçárabes conduz ao Palácio dos Leões.
 
==== Palácio dos Leões ====
[[imagem:Spain Andalusia Granada BW 2015-10-25 17-28-47.jpg|thumb|180px|Vista parcial do Pátio dos Leões]]
 
Este palácio, construído em [[1377]] por MohamedMaomé V, filho de Iúçufe I, apresenta uma planta quadrangular, sendo rodeado por uma esbelta galeria com 124 [[coluna]]s de mármore branco de [[Almería]]. Em redor, as alcovas, salas privadas do sultão e das suas esposas com piso alto aberto, falta de janelas com vistas para o exterior, mas com jardim interior de acordo com a ideia muçulmana do paraíso. O que hoje é terra no pátio, foi jardim. Das salas saem quatro riachos que fluem para o centro: os quatro rios do paraíso. As colunas unem-se com panos perfurados que deixam passar a luz. [[Fuste]]s cilíndricos muitos delgados, anéis na parte superior, [[capitel|capitéis]] cúbicos sobre os quais correm inscrições. As placas cinzentas de chumbo convertem osa impulsos horizontais em verticais. Os dois pequenos templos que avançam sobre os dois lados opostos do pátio são como que uma lembrança da tenda de campanha dos [[beduíno]]s. Estas estruturas possuem planta quadrada, sendo decorados com [[cúpula]]s de madeira que se apoiam em penachos moçárabes. O beiral é obra do [[século XIX]]. Toda a galeria está coberta com cofragem entrelaçada.
 
==== Fonte dos Leões ====
 
==== Sala dos Reis ====
Esta sala ocupa todo o lado oriental do Pátio dos Leões, provavelmente destinada a festas familiares, recebe este nome devido à pintura que preenche a abóbada do quarto central. É a sala mais larga do Harém, encontrando-se dividida em três quartos iguais e dois pequenos que poderiam servir de armários, pela sua localização e falta de iluminação. Na abóbada do centro, as pinturas representam os 10 primeiros reis de Granada desde a fundação do reino, um deles com barba ruiva que pode ser MohamedMaomé benibne NazarNácer, chamado Al-HamarAlaamar o Vermelho, ou ''El Bermejo', fundador da dinastia Nasridanacérida. Nas abóbadas laterais existem pinturas que representam cavaleiros e damas, realizadas em finais do [[século XIV]]. Nos tempos de [[Pedro I de Castela]] existiu um intercâmbio artístico, tendo o rei cristão solicitado ajuda ao Rei de Granada para restaurar os ''[[Reales Alcázares de Sevilla]]''. As pinturas possuem uma técnica muito trabalhosa:
# Placas de madeira bem aparadas e formando uma elipse.
# Sobre a superfície côncava estende-se o couro molhado, fixando-o com um banho de cola e adornando-o com pequenos cravos de cabeça quadrada cobertos de estanho para evitar a oxidação.
Desde as interpretações românticas do [[século XIX]] até à actualidade, muitos edifícios e partes de edifícios por todo o mundo têm sido inspirados na Alhambra: existe uma casa moura revivalista em [[Stillwater (Minnesota)|Stillwater]], [[Minnesota]], a qual foi criada e baptizada em referência à Alhambra. Também uma parte do ''Irvine Spectrum Center'', em [[Irvine (Califórnia)|Irvine]], [[Califórnia]], é uma versão [[Arquitetura pós-moderna|pós-moderna]] do Pátio dos Leões.
 
Merece ainda referência o Alhambra Theatre, no centro de [[Bradford (West Yorkshire)|Bradford]], na [[Inglaterra]].<ref>[http://www.bradford-theatres.co.uk/alhambra_2.asp Site dos tetros de Bradford.]</ref>
 
== Curiosidades ==